sábado, 23 de março de 2019

da poesia - "Os Porquês?, na SMTV

foto by Madalena Pires (S. Miguel)







Para ver ou rever a edição número 21 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

da árvore, da floresta e da poesia

Foi para a antena no dia 20 de Março de 2019












quarta-feira, 20 de março de 2019

Novo ano, novo tempo - crónicas radiofónicas

foto by Aníbal C. Pires



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 29 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui






Novo ano, novo tempo 

foto by Madalena Pires
Estamos a fechar o ano. Mas não vou fazer balanços nem premonições deixo esse encargo para os especialistas, embora tenha uma visão própria do ciclo temporal que se encerra por estes dias e pelo que se avizinha. Posso até, sem meter a foice em seara alheia, deixar expresso um sentimento que traduz a forma como termino o ano e me preparo para entrar em 2019. Preocupação, uma grande inquietação sobre o futuro próximo. E mais não direi porque não quero deixar-lhe sentimentos negativos neste limiar do Ano Novo, onde todas as esperanças se renovam.
Hoje, porque é a última crónica de 2018 fica uma reflexão em forma de poema com que, em 31 de Dezembro de 2013, tentei sintetizar aquele momento mágico da passagem do ano e que tem como título, “Novo ano, novo tempo”

É o tempo
De louvar o velho
É o tempo
De renovar a esperança
E o tempo, esse tempo
É hoje
Presente, passado e futuro
Enleados
Com o olhar no tempo vindouro 
Sem olvidar
O tempo passado 

Agora
É o tempo
Onde o passado, o presente e o futuro
Num fátuo momento se enlaçam
Para logo se apartarem
Efémero abraço esse, o do tempo
Passado, presente e futuro

Nesta fronteira do pretérito e do porvir
Celebremos o futuro
Com o passado presente”

Que 2019 seja, para si, um ano de realizações pessoais. Lute pelos seus sonhos. Feliz Ano Novo.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 29 de Dezembro de 2018

segunda-feira, 18 de março de 2019

da mulher - "Os Porquês?", na SMTV

Madalena Pires (arquivo pessoal)


Para ver ou rever a edição número 20 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

da mulher, Todos os dias são dias

Foi para a antena no dia 13 de Março de 2019







terça-feira, 12 de março de 2019

Conceição Borges Coutinho - (11/08/1931- 02/03/2019)

Conceição Borges Coutinho (arquivo da família)





No passado dia 9 foi celebrada a missa de 7.º dia após o falecimento de Maria da Conceição Borges Coutinho.
No final da celebração da missa na Igreja Matriz de Capelas, teve lugar um momento para alguns testemunhos sobre a Maria da Conceição. Uma filha e uma neta deram conta daquilo que a mãe e avó representaram para si e para a família, ao que se seguiu o meu testemunho.
São essas palavras de evocação e homenagem à mulher militante e à mulher coragem que aqui publico.









Em memória de
Maria da Conceição Reis Frias de Morais Flores Borges Coutinho
11/08/1931 - 02/03/2019


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma

“O mar dos meus olhos”, assim se chama este poema de Sophia de Melo Breyner.
Escolhi este poema de mulher para dar início a esta evocação da Maria da Conceição, uma mulher que trazia o mar nos olhos e que fica connosco para além do seu tempo.
A Maria da Conceição era uma mulher de personalidade bem vincada, talvez, como diz a sua neta Joana, por ter nascido aqui, na costa norte, onde o vento sopra forte.

E se é verdade que o lugar onde nascemos e passamos os primeiros anos da nossa existência nos marca indelevelmente, não será menos rigoroso afirmar que as opções que fazemos ao longo da nossa vida são, assim, como a resultante de um somatório de variáveis, umas mais outras menos objetivas.
E a Maria da Conceição, fruto das suas vivências e da sua forma de encarar o Mundo escolheu, bem cedo, estar de um certo lado da vida conciliando a sua fé, ancorada na doutrina católica, com a ação política e partidária de quem lutava e luta pelos mais desfavorecidos, pelos que não têm voz, pelo seu povo, O povo do seu País.

Num dos poemas que Ary dos Santos, também ele um companheiro de luta, escreveu sobre as mulheres, diz-nos:

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E assim era Maria da Conceição, mulher-força, mulher-chama, mulher-asa, mulher-coragem, mas também mulher-linda, como lindas são as mulheres que lutam.

Coragem para lutar na clandestinidade ao lado do seu marido e de quem, como eles, se opunha à ditadura que oprimia, perseguia, prendia, torturava e assassinava.

Coragem para lutar, depois da alegria libertadora da Revolução de Abril, ao lado do seu marido e de quem, como eles, sofreu as represálias da contrarrevolução patrocinada pelos interesses de quem foi apeado do poder naquela madrugada de Abril.

Falar de uma mulher com a dimensão humana e política como a de Maria da Conceição não constitui uma tarefa fácil. Tudo o que eu possa dizer, É pouco. Pouco para que se entenda a mulher-militante, a mulher-coragem.

Assim, permitam-me, uma vez mais socorrer-me da poesia, neste caso, de Maria Teresa Horta, e do seu poema “Mulheres do meu País” para que esta celebração em memória da Maria da Conceição seja, também, uma homenagem a todas as mulheres.

Deu-nos Abril
o gesto e a palavra
fala de nós
por dentro da raiz
Mulheres
quebrámos as grandes barricadas
dizendo igualdade
a quem ouvir nos quis
e assim continuamos
de mãos dadas
o povo somos
mulheres do meu país

Tenho cá para mim que a Maria da Conceição iria gostar que um dia depois da celebração do Dia da Mulher e, face à brutal violência assassina que se tem abatido sobre as mulheres em Portugal, que este momento fosse, também, de evocação das mulheres do seu País.

A Maria da Conceição, como já referi, era católica. Essa condição não a impediu, bem pelo contrário foi essencial para as suas opções, de se comprometer com um certo lado da vida, o lado do vermelho coração.

Estou certo que Deus a sentou à sua esquerda.

Até sempre Maria da Conceição!

Aníbal C. Pires, Capelas, 09 de Março de 2019

domingo, 10 de março de 2019

A noite mais longa - crónicas radiofónicas

foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2019)







Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 15 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui













A noite mais longa

foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2019)
Hoje trago-lhe um texto que escrevi em Dezembro de 2016. Não é um escrito que marque a atualidade, mas julgo que é apropriado à data sendo pois, como poderá constatar é intemporal.
O texto foi publicado como crónica de opinião e diz assim:

O calendário natural assinala o Solstício de Inverno no hemisfério Norte, o calendário do mercado parasita o calendário cristão que, por sua vez, já se tinha apropriado dos ritos pagãos que os povos construíram ao longo de dezenas de milhares de anos. Os ciclos naturais foram sendo substituídos ao sabor de artificialismos, ou se preferirem de construções sociais que nos afastam inexoravelmente do que verdadeiramente deveríamos louvar e preservar, A mãe natureza e este planeta que é a nossa casa comum.
Comemoro o Solstício de Inverno, mas não deixo de festejar o Natal enquanto data que assinala a natalidade, afinal nada mais natural do que o nascimento de alguém, seja Jesus ou Maria de seu nome próprio.
O nascimento de um novo ser está ligado à família, não importa se formal ou informalmente constituída, família enquanto grupo de pessoas ligadas geneticamente ou, ainda por laços culturais e interesses comuns, digamos elementos do mesmo clã. E é nesta perspetiva que assinalo e festejo o Natal, como festa da família e dos amigos. O Natal é a festa da minha tribo.
Comemorar e festejar o Natal não é, para mim, sinónimo de adesão ao calendário do mercado, mas admito que tem uma ligação próxima à comemoração cristã do Natal, cresci no seio de uma comunidade católica e os costumes entranham-se. O que de algum modo justifica esta minha tácita aceitação do Natal enquanto época de reunião da família e de convívio com os amigos, trata-se de me reunir com a minha tribo e celebrar a vida, o amor e a amizade. Talvez por isso se tenha vulgarizado, e não por outros motivos, a expressão; “o Natal é quando um Homem quiser”. O calendário natural e, a vontade dos homens assim o determina, a celebração da vida, do amor e da amizade assim o exigem.

foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2019)
À noite mais longa do calendário solar sucede-se o aumento gradual da duração dos dias, é a vitória da luz sobre as trevas, é o Solstício de Inverno. Esta era a comemoração primordial, a comemoração pagã que assumia manifestações diversas, como diversos são os povos e diverso o entendimento e interpretação que cada grupo (tribo) tinha do calendário solar, ou seja, da influência que a posição relativa da Terra em relação ao Sol tem na vida dos homens.
Ficam os votos de Boas Festas e não deixem de celebrar a vida, o amor e a amizade, neste Solstício de Inverno, Neste Natal.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 22 de Dezembro de 2018

sábado, 9 de março de 2019

do Carnaval e da Quaresma - "Os Porquês?, na SMTV

imagem retirada da internet





Para ver ou rever a edição número 19 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

do Carnaval e da Quaresma

Foi para a antena no dia 06 de Março de 2019














quarta-feira, 6 de março de 2019

98 anos de luta

imagem retirada da internet









Na celebração no 98.º aniversário da fundação do Partido Comunista Português, um poema de José Carlos Ary dos Santos













A bandeira comunista

Foi como se não bastasse 
tudo quanto nos fizeram 
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam 
como se o ódio fartasse 
apenas os que sofreram 
como se a luta de classe 
não fosse dos que a moveram. 
Foi como se as mãos partidas 
ou as unhas arrancadas 
fossem outras tantas vidas 
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista 
o patrão surgiu de novo 
e com a miséria à vista 
tentou dividir o povo. 
E falou à multidão 
tal como estava previsto 
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão 
também luta a nosso lado 
nós repartimos o pão 
não temos o pão guardado. 
Por isso quando os burgueses 
nos quiserem destruir 
encontram os portugueses 
que souberam resistir.

E a cada novo assalto 
cada escalada fascista 
subirá sempre mais alto 
a bandeira comunista.

Ary dos Santos

terça-feira, 5 de março de 2019

Inversão dos valores - crónicas radiofónicas

foto by Madalena Pires (Ponta Delgada, 2017)






Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 15 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui










Inversão dos valores

Foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2018)
Afinal tudo não passou de um mal-entendido. O PAN foi víti
ma de incúria jornalística por causa da PETA, não é peta é a PETA, ou seja, estou a utilizar o acrónimo de People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) e não a expressão popular para mentira.
Afinal aquela questão dos animais e dos provérbios teve origem na emissão de uma opinião que o PAN deu sobre uma posição ou iniciativa da PETA e que a comunicação social nacional terá entendido mal e difundido ainda pior, mas na verdade a posição do PAN é de acordo à pretensão da PETA.
Pelo menos foi o que consegui apurar ao ler o esclarecimento feito pelo PAN e que pode ser consultado no seu site.
Feita esta introdução que mais não pretende do que deixar claro que o PAN não tem, para já, em agenda qualquer iniciativa política que proponha a criminalização pela utilização de expressões como, por exemplo, “A cavalo dado não se olha o dente”, ou “Vozes de burro não chegam ao céu”, ou ainda outras expressões do adágio popular que referenciem animais.
Mas se este não passou de um mal-entendido que, por sinal, motivou uma onda de humor por todo o país, isso não significa que o PAN não se constitua como uma organização política que tem uma agenda complexa e obscura e que deve ser escrutinada pelos cidadãos, desde logo, por aqueles que em nome da proteção dos animais e da natureza lhe têm dado apoio eleitoral.
No PAN nem tudo é tão linear com pode parecer à primeira vista pois, a sua inspiração política está, quer o PAN queira, quer não, profundamente ligada ao pensamento de Adolf Hitler e dos seus mais próximos acólitos como pode confirmar se procurar informar-se sobre a proteção animal e do meio ambiente na Alemanha nazi, logo em 1933.

Foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2017)
Se costuma acompanhar estas crónicas lembra-se que não é a primeira vez que refiro esta temática, embora quando o fiz não tenha referido diretamente o PAN, nem as suas ligações ao IRA, ou seja, ao movimento Intervenção e Resgate Animal, que é assim como uma espécie de milícia do PAN.
Mas hoje não posso deixar de o fazer pois, o PAN é herdeiro de um pensamento que, em nome da proteção animal e da natureza, pretende impor um princípio que é, em si mesmo, antinatural. Os animais não são, de todo, iguais aos humanos. Não sou eu que o digo é a ciência e milhões de anos de evolução. Se esta diferença justifica maus tratos aos animais, Não. Mas vamos lá ter o bom senso de não impor, como já aconteceu, a criminalização dos humanos por atitudes que colocam em causa o bem-estar animal.
Ou seja, levado ao limite podemos ter humanos maltratados por referências e atos depreciativos sobre os animais. Ou assistir à inversão de valores como um conhecido caso em que uma ativista da proteção animal adotou um cão que matou uma criança. O animal não foi abatido pela morte da criança e como se isso não bastasse a sua adoção é apresentada como uma vitória da luta pela proteção animal.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 15 de Dezembro de 2018

domingo, 3 de março de 2019

Conhecimento, cultura e liberdade - "Os Porquês?", na SMTV

foto by Madalena Pires



Para ver ou rever a edição número 18 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

conhecimento, 
cultura <=> liberdade

Foi para a antena no dia 27 de Fevereiro de 2019











sábado, 2 de março de 2019

Rhiannon Giddens no aniversário do "momentos"

imagem retirada da internet



Em dia de aniversário do "momentos" fica uma sugestão musical. É uma voz feminina, uma mulher bonita, mas sobretudo uma mulher ligada às suas raízes e que luta pela afirmação do papel dos seus ancestrais na música estado-unidense.
Trata-se de Rhiannon Giddens e o tema proposto é "Wayfaring Stranger" que podem ver e ouvir e no vídeo que aqui deixo publicado.







11.º aniversário do blogue "momentos"



Completam-se hoje 11 anos desta aliciante viagem pela blogosfera.
O momentos abriu as portas no dia 2 de Março de 2008 e aqui poderão encontrar algumas notas de como tudo começou.
A viagem vai continuar.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Sharon Stone - a abrir Março









Sharon Stone quem não se lembra da sua prestação no film "Basic Instinct".






















É com Sharon Stone que o blogue momentos saúda os seus visitantes e lhes deseja um excelente mês de Março.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

não é mais uma, É uma livraria

imagem retirada da internet
Lá para a segunda quinzena de Março abre em Ponta Delgada uma nova livraria. Dirão os mais distraídos, Mais uma. Eu direi que não é apenas mais uma pois, espaços para os livros e para o encontro dos leitores com os autores, os editores e quem os divulga, nunca serão a mais.

A Letras Lavadas Livraria & Edições anuncia-se como um espaço multifacetado e situa-se no centro histórico da cidade de Ponta Delgada. Mas não é só, a nova livraria está ligada a uma chancela editorial, a “Letras Lavadas” e à “Nova Gráfica”. Quer a editora quer a gráfica são sinónimo de qualidade. Qualidade reconhecida a nível nacional.

Imagem retirada da internet

Sim, É a minha editora. Mas não é pelos afetos ou interesse material que deixo este registo. Faço-o tão-somente pelo reconhecimento do trabalho e afirmação de uma empresa regional no contexto nacional, mas também pelo devido respeito ao homem que tem sido o mentor deste projeto, o Senhor Ernesto Resendes.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 26 de Fevereiro de 2019

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Promover a igualdade respeitar as diferenças - "Os Porquês?", na SMTV

Foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada)
Para ver ou rever a edição número 17 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

respeitar a diferença promover a igualdade

Foi para a antena no dia 20 de Fevereiro de 2019





sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O custo da impreparação - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires







Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 08 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui












O custo da impreparação

Miguel Sancho (foto retirada da internet)
Trago-lhe do novo a SATA, não pelo inquinado processo de alienação de 49% do capital social da Azores Airlines, nem pelo recente relatório da Comissão de Acompanhamento que nada relata que não fosse já do nosso conhecimento, mas por mais um daqueles erros que resultam da arrogância e autoritarismo de cidadãos impreparados para o exercício de cargos públicos e que, tendo o desfecho esperado, vai custar ao Grupo SATA, pelo menos, números redondos, 300 mil euros de indeminização a um trabalhador despedido indevidamente assim o disse, em última instância, o Supremo Tribunal de Justiça.
Disse pelo menos 300 mil euros pois, como é pressuposto todas as despesas processuais têm custo, e que, face ao tempo, aos recursos e demais trâmites, ao valor da indeminização ao piloto comandante devem ser adicionados mais alguns milhares de euros pelas custas judiciais e outras.
A forma como a SATA conduziu o processo de suspensão e despedimento do Comandante Miguel Sancho com base na interpelação de que foi alvo, dentro da aeronave que comandava, por um ex-administrador da SATA e que depois teve, por parte, do piloto comandante um comentário numa rede social, sem que ali tivesse referenciado quer a empresa quer o nome do então administrador, conforma um ato de persecução ao trabalhador.
E disso se tratou. Digamos que o Comandante Miguel Sancho ficou com o destino traçado na sequência do seu depoimento na Comissão de Inquérito do Grupo SATA. Houve quem não tenha gostado do que ouviu da boca do piloto comandante.
Certamente que se lembra e, assim sendo, julgo não ser necessário fazer nenhuma descrição dos factos. O que releva é mesmo a decisão que levou ao despedimento do Comandante Miguel Sancho e, sobretudo, quem tomou a decisão e quem lhe deu o aval.
E se as responsabilidades terão de ser assacadas ao Conselho de Administração da altura, devem-no ser, em particular, ao Presidente do Conselho de Administração, Dr. Luis Parreirão, e ao administrador que protagonizou o a interpelação ao piloto comandante dentro da aeronave, ou seja, o Eng. Francisco Gil, atualmente administrador da NAV.

Francisco Gil (foto retirada da internet)
Não sabia. Pois é, Ele há vidas assim.
Os mais de 300 mil euros que a SATA vai ter de pagar ao Comandante Miguel Sancho deveriam ser financiados pelos decisores e protagonistas de mais este triste caso de má gestão no Grupo SATA. Mas não será assim. O custo dos desmandos e da impreparação de quem, à época, estava à frente dos destinos do Grupo SATA vão engrossar a dívida desta empresa pública. E com isto pagamos todos nós, com juros. Pois está claro.
Gostava, mas gostava mesmo, de poder falar consigo da SATA sobre outras razões que não estas que evidenciam a má gestão e que, como deve calcular, afetam toda a estrutura organizacional das empresas do grupo e acabam por se refletir na qualidade do serviço prestado.
Gostava, mas não tem sido possível nem se configura no horizonte próximo que isso venha a acontecer. Mas acredito que é possível. É possível que um dia a SATA possa voltar a ser notícia pela qualidade do serviço e por canalizar fluxos financeiros para a Região. Nada que não tivesse já sido a imagem na Região, no País e no Mundo, não muito distante no tempo pretérito, deste Grupo empresarial público.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Dezembro de 2018

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Porquê o S Valentim quanto temos dois Santos Casamenteiros - "Os Porquês?", na SMTV

Foto do arquivo pessoal (Ponta Delgada, 2018)
Para ver ou rever a edição número 16 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

santos casamenteiros e (in)felizes coincidências 

Foi para a antena no dia 13 de Fevereiro de 2019









sábado, 16 de fevereiro de 2019

Ganhou quem não desiste - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires
Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 01 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui








Ganhou quem não desiste 

Foto by Aníbal C. Pires
Esta semana o parlamento açoriano aprovou o Orçamento e o Plano para 2019. Estes documentos sendo propostos pelo Governo de Vasco Cordeiro foram, porém, objeto de algumas alterações que resultaram de entendimentos partidários e que depois tiveram a natural tradução parlamentar.
Algumas destas modificações vão ter impacto direto na melhoria do rendimento das famílias e são, na generalidade, positivas. Não vou enumerá-las, pois, penso que são do seu conhecimento e, por outro lado, quero centrar esta nossa conversa no anúncio feito pelo Presidente do Governo Regional, no discurso de encerramento do debate na generalidade, que se comprometeu a encontrar com os sindicatos uma solução regional para o reposicionamento dos educadores e professores na carreira docente, alguns dos contornos foram mesmo enunciados por Vasco Cordeiro e, ao que julgo, deixaram os docentes satisfeitos com a solução proposta.
Mas, ainda antes disso, sempre gostaria de lhe dizer que o acolhimento das propostas da oposição, para além de serem um indicador da importância da instituição parlamentar, não modificaram a natureza e matriz política das propostas iniciais, nem isso seria expetável. Mas, ao contrário do que vinha a passar-se nesta legislatura, este ano o diálogo democrático foi cultivado e colheram-se alguns frutos, os possíveis, desse exercício que deve ser permanente.

Foto by Anibal C. Pires
Os educadores e professores dos Açores ganharam a luta pelo reposicionamento na carreira. Que não restem dúvidas, Sem a luta e a mobilização dos docentes o governo de Vasco Cordeiro continuaria, por mais algum tempo, a ater-se ao contexto político e à indefinição do Governo da República e a luta dos educadores e professores teria de continuar, ainda que, com contornos e em moldes diferentes.
Mas, e para que o passado recente não caia no esquecimento, é bom que se diga que durante este processo político houve quem soubesse ler e interpretar os sinais e conduzisse a luta em função dos interesses dos educadores e professores, com a consciência de que logo após a conclusão dos processos de discussão e aprovação dos orçamentos de Estado e da Região, de 2019, teriam lugar desenvolvimentos, designadamente nos Açores.
Houve quem pacientemente ouvisse os mais disparatados radicalismos, no auge de uma luta que o SPRA, sem nunca desarmar, conduziu com uma resiliência que alguns julgaram não ser possível, porque este sindicato tinha e tem uma agenda política e sindical ancorada na vontade e no querer dos educadores e professores e mantém-se ao seu lado sem nunca deixar cair os braços.
Outros, porém, têm agendas políticas, mas que não são sindicais, são agendas partidárias e, como tal, esgotam-se com o tempo e a conveniência, após concluída a greve às avaliações essa organização, “digamos”, sindical abandonou o discurso radical e, ao contrário do SPRA, quedou-se pela inércia, ou seja, saiu de cena.
Mas também aos grupos “inorgânicos”, de professores desligados dos sindicatos se lhes apagou o fulgor, logo após o fim da greve às avaliações. Faltou-lhes o que diferencia um sindicato de um grupo que, por não estar organizado, é mais permeável à manipulação por interesses exógenos aos seus. Não tenho dúvidas da entrega e da autenticidade de muitos docentes que aderiram às lutas e mobilizações que surgiam como se fossem de geração espontânea, mas é bom que se perceba de uma vez por todas que, nestes casos, a espontaneidade só parece que é. E na verdade é, Um mito.
Claro que agora perante o anúncio feito pelo Presidente do Governo Regional vão todos despertar do torpor onde estiveram mergulhados, mas já não vão a tempo.
Os educadores e professores da Região Autónoma dos Açores com o SPRA a liderar uma luta limpa com objetivos e timings bem definidos, e construídos coletivamente, já ganharam esta luta.
Foi um prazer estar consigo.

Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Funchal, 01 de Dezembro de 2018

domingo, 10 de fevereiro de 2019

da aprendizagem ao longo da vida - "Os Porquês?", na SMTV

Foto by Aníbal C. Pires
Para ver ou rever a edição número 15 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

aprender a aprender => ciclos do saber mais curtos => necessidade de formação 

Foi para a antena no dia 06 de Fevereiro de 2019





sábado, 9 de fevereiro de 2019

O novo afinal é velho - crónicas radiofónicas

imagem retirada da internet



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 24 de Novembro de 2018 e pode ser ouvida aqui







O novo afinal é velho


Imagem retirada da internet
Estamos mais ou menos habituados à consonância de posições do PSD Açores com o Professor Mário Fortuna, salvo uma ou outra vez em que o anterior líder do PSD Açores, e, ao que se diz por aí, mentor do atual, teve de vir a terreiro esclarecer as diferenças de posição entre o representante dos empresários açorianos e a posição do PSD, ou a sua, vá-se lá saber.
Mas desta vez a harmonia no discurso é perfeita, pelo menos no que diz respeito à solução proposta pela Câmara do Comércio, pela voz de Mário Fortuna, e à sua subscrição acrítica por Alexandre Gaudêncio.
Pois é. O PSD Açores, ou pelo menos o seu líder, considera, ao contrário do que sempre foi afirmado pelo seu partido, alienação de menos de metade do seu capital social, que a solução para a SATA afinal passa pela privatização da maioria do capital público da Azores Airlines, pelo menos 51% e pela alienação de 49% da Sata Air Açores.

Foto by Aníbal C. Pires
Se a posição expressa por Mário Fortuna não me causa nenhuma perplexidade, afinal o Professor é um fiel devoto do mercado e, um mentor e difusor da teologia que lhe está subjacente, já a posição de Alexandre Gaudêncio ao assumir como compromisso a proposta de Mário Fortuna demonstrou, por um lado, falta de maturidade política, o que pode ser explicado pela idade, mas por outro um desconhecimento da realidade regional e da importância da SATA para os Açores e para os açorianos, o que é, em minha opinião, grave, muito grave, para alguém que lidera um partido que se assume como alternância, não como alternativa, ao PS.
Julgo que Alexandre Gaudêncio já terá percebido que as suas afirmações não lhe mereceram os apoios esperados, aliás este discurso da privatização da SATA, em particular da SATA Air Açores não colhe apoios significativos em nenhuma das ilhas, nem mesmo em S. Miguel.
Julgo até que o atual líder do PSD Açores está neste momento a desdobrar-se em explicações e justificações para apaziguar as suas hostes um pouco por toda a Região.
Bem, mas este é um problema que o PSD e o seu líder resolverão e, não me custa a crer que numa próxima oportunidade, Alexandre Gaudêncio venha emendar a mão e recuar para a antiga posição do PSD Açores. Se por acaso assim não acontecer, então estamos perante um adepto da doutrina neoliberal, o que é o mesmo que dizer que o novo afinal, é velho, mais velho ainda que o seu antecessor.
Mas mais importante que o PSD, são os Açores que para o melhor e para o pior têm 9 ilhas pulverizadas numa vasta área oceânica e que necessitam de uma transportadora aérea pública para assegurar as ligações aéreas internas e externas, seja com o continente português, seja com a diáspora, mesmo sabendo que parte das ligações com o exterior é também assegurada por outras transportadoras aéreas, algumas delas privadas. O que não podemos deixar que nos aconteça é ficarmos dependentes de outros. Quer queiramos, quer não, a SATA é um património autonómico que como qualquer outro do adquirido autonómico deve ser salvaguardado.
Se isto é sinónimo de que tudo, no Grupo SATA, deve ficar como está, Não. Aliás não pode ficar como está sob pena de um destes dias ser irrecuperável.
Se a solução para as maleitas da SATA é a sua privatização, seja em que percentagem for, Não.
A solução passa por uma alteração profunda do seu modelo organizacional, pela redução da despesa com atividades que não têm uma função operacional, pela identificação e eliminação de poderes internos e externos que contrariam qualquer tentativa de gestão comercial bem sucedida, mas passa, sobretudo, e no imediato pela necessidade urgente de a recapitalizar. Coisa que não é possível através da sua privatização. Basta ver o caderno de encargos do concurso recentemente anulado para perceber que a privatização não tem, nem nunca teve, como objetivo a sua capitalização.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 24 de Novembro de 2018

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

da amizade

Aníbal C. Pires by Madalena Pires (Ponta Delgada, 2018)





O dia de amigos celebra-se hoje e cultiva-se todos os dias.
Em dia de celebração da amizade para os meus amigos (a amizade não tem género) fica este soneto de Vinicius de Moraes







Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

Vinicius de Moraes