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segunda-feira, 16 de março de 2020

Notas soltas sobre a RAA e o surto de covid19

Vasco Cordeiro



“(…) E é bem sabido que os medos só existem por neles acreditarmos. (…)”

João Pedro Porto, in Fruta do Chão, Letras Lavadas, 2018



Tenho acompanhado, enquanto cidadão mas também como dirigente do PCP Açores, os desenvolvimentos do surto epidémico com origem no covid19. Da mesma forma tenho seguido com a atenção que o assunto merece as medidas que no Mundo, no País e na Região têm vindo a ser tomadas para conter a propagação do vírus e, sobre os quais não vou fazer nenhum juízo de valor.
Quero, contudo, deixar algumas notas que me parecem ser, no momento, indispensáveis.

O Presidente do Governo Regional tem vindo a tomar as medidas que, a cada momento, se afiguram necessárias para proteger os interesses do Povo açoriano. Decisões que não são fáceis, decisões que não dependem apenas das suas competências, mas que Vasco Cordeiro tem vindo a tomar e, como tal, não posso deixar de apoiar todo o seu esforço para, sem introduzir ruído alarmista, tentar mitigar os efeitos desta, chamemos-lhe, crise.


Uma outra nota relaciona-se com a inconsciência que prolifera nas redes sociais quando verificamos que alguns cidadãos com responsabilidades acrescidas na vida regional, seja pela sua profissão, seja pela influência que decorre do seu ativismo cívico e pela sua formação, reproduzem notícias falsas (imagens, vídeos, áudios) sem verificarem as fontes. Ou emitindo opinião pouco sustentada, porque ancorada nas crenças e nas emoções e não no conhecimento e saber científico ligado à presente realidade. É lamentável verificar que alguns cidadãos mais não fazem do que induzir o medo. Medo que em última instância pode levar ao pânico generalizado. Alguma contenção e rigor talvez fosse aconselhável.

Por fim fica esta nota que julgo ser importante para se perceber a relevância dos órgãos de governo próprio, mas sobretudo dos instrumentos que tem à sua disposição. As medidas tomadas hoje pelo Governo Regional e anunciadas por Vasco Cordeiro só são possíveis em virtude do capital do Grupo SATA e das suas empresas serem exclusivamente públicas.
A TAP e a Ryanair vão continuar as ligações do exterior com a ilha Terceira e, sobre isso Vasco Cordeiro nada pode fazer. Não, e não é Lisboa, é Bruxelas. Ou melhor, Lisboa também porque se submete, de cócoras, a Bruxelas e ao mercado. Bruxelas e o mercado do qual algumas vozes, que agora se levantam contra a insuficiência das medidas tomadas na Região e no País, tanto gostam e que indefetivelmente defendem, Ou defendiam. Depois da “crise” se verá.

Foto Aníbal C. Pires

Vasco Cordeiro porque é o representante do acionista único no Grupo SATA deu instruções às empresas para não efetuarem voos. Vasco Cordeiro ordenou ao Grupo SATA que suspendesse parte dos contratos de concessão de obrigações de serviço público. Mais não pode fazer.

É bom que nos lembremos que ter “Sol na eira e chuva no nabal” não é possível. E sim, isto é política, como aliás, tudo na vida.

Ponta Delgada, 16 de Março de 2020

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Dia dos Açores

Foto - Aníbal C. Pires
Hoje é a segunda feira de Pentecostes, segunda feira da "pombinha", Dia da Região Autónoma dos Açores.

"Embora existam algumas referências a festividades com características similares noutros contextos – designadamente em França – as Festas do Espírito Santo constituem em grande medida um traço específico da cultura popular portuguesa.
A sua origem, de acordo com um conjunto de narrativas eclesiásticas seiscentistas, é geralmente situada no séc. XIV, em Alenquer, e atribuída à Rainha Santa Isabel.
Tendo conhecido no continente uma ampla difusão – particularmente no centro e sul – as Festas do Espírito Santo irradiaram para os territórios povoados e colonizados pelos portugueses.
Mas foi no arquipélago dos Açores que elas conheceram um desenvolvimento mais importante e que guardam intacta a sua relevância." LEAL, João, 1994, As Festas do Espírito Santo nos Açores, Lisboa, Publicações D. Quixote

Foto - Aníbal C. Pires
Se é verdade que foi no arquipélago dos Açores que as festas do Espírito Santo se implantaram e adquiriram  a relevância que quem vive constata, não é menos rigoroso afirmar que os açorianos transportaram e transportam consigo, para quer que vão, esta devoção pelo Divino Espírito Santo. As comunidades açorianas no continente português, e nas comunidades diaspóricas açorianas dos Estados Unidos, do Canadá e do Brasil mantêm o culto do Divino bem vivo.
O culto do Divino Espírito Santo alicerça-se numa matriz popular que a distancia de qualquer outra manifestação de religiosidade do Povo Açoriano.  
As festas em louvor do Divino Espírito Santo, enquanto conjunto de manifestações culturais, memórias e tradições, partilhadas por todos os açorianos constituem um dos maiores,  senão o maior sustentáculo da identidade açoriana.

Aqui aqui  podem encontrar outras referências, imagens e música relacionadas com o Espírito Santo.


quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

da saudade e do "Divino"

Foto - Aníbal C. Pires





Fragmento de texto escrito em Maio de 2008






(...) Regressei às ilhas afortunadas, a um dos seus mais belos rincões num tempo em que nestas ilhas, que tu gostando por vezes desgostavas, pela distância, pela ausência e pela saudade de nós, se celebra a partilha, a solidariedade e o espírito comunitário numa construção coletiva, recriada, reconstruída, em cada lugar, em cada freguesia, em cada ilha, onde um povo moldado pela severidade da natureza que tantas vezes o empurrou para lá do horizonte, continua, aqui nestas ilhas tantas vezes esquecidas, lutando estoicamente pelo futuro. (...)