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sexta-feira, 1 de maio de 2020

O Sal da Terra - o filme da minha vida








O Sal da Terra é um filme de 1954, realizado por Herbert J. Biberman e tem nos principais papeis Juan Chacón, Rosaura Revueltas.

Este filme é, O filme da minha vida.
Se tiverem tempo e interesse vejam.

Hoje dia 1.º de Maio voltei a visioná-lo e, sem dúvida, este continua a ser o filme da minha vida.








Podem encontrá-lo aqui 

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Leitura das leituras(*)

A este espaço, onde hoje nos reunimos para uma vez mais celebrar a literatura, foi dada uma nova utilidade. Veja-se só, neste edifício recuperado do núcleo histórico da cidade de Ponta Delgada, no lado Sul da Matriz, abriu uma livraria. Neste lugar difundem-se uns objetos culturais a que chamamos livros e acolhem-se os seus autores e leitores.
Já esta semana aqui, onde hoje nos juntamos, a escritora e ensaísta Lélia Nunes disse: “(…) Neste espaço, pode-se dizer que as Letras Lavadas estão ao lado da Matriz, mas também que a Matriz está ao lado da catedral da literatura e do livro. (…)”
E assim é. Esta não é mais uma livraria em Ponta Delgada. É uma livraria. A livraria que será, a mais açoriana de todas as livrarias dos Açores.

Renovo, hoje, o agradecimento e reconhecimento à Letras Lavadas por este projeto que complementa a atividade editorial e gráfica do grupo Publiçor/Nova Gráfica/LetrasLAVAdas. Desejo ao Senhor Ernesto Resendes e a todos os trabalhadores, dos diferentes setores da sua atividade empresarial, os maiores sucessos.
Por fim, ainda que seja por ele que aqui estamos, um agradecimento muito especial ao Vamberto Freitas pelo convite para a apresentação do 5.º volume de borderCrossgings/leituras transatlânticas. Obrigado Vamberto pela confiança que em mim tens depositado.
Saiba eu corresponder condignamente, pois, como devem imaginar não é tarefa fácil falar de alguém que dedica, eu diria, militantemente, grande parte do seu tempo a escrever sobre escritores, poetas e ensaístas.

Vamberto Freitas é figura sobejamente conhecida, desde logo por ser professor na Universidade dos Açores, mas também pelos suplementos literários, pelas suas colunas de crítica na imprensa regional e da diáspora, pela sua presença e voz acutilante, humorada e recheada de generosidade.
Sim, o Vamberto Freitas é um ser generoso. Ninguém mais do que ele tem aberto as portas ao conhecimento e à divulgação da produção literária nos Açores e na diáspora, e ainda lhe sobra tempo para estender o seu olhar sobre os autores de outras geografias culturais, seja o continente português, seja de forma particular e apaixonada sobre os autores estado-unidenses.
Mas, já lá vamos a esse olhar sobre este novo volume de borderCrossings 5, antes disso e apesar do Vamberto Freitas dispensar apresentações, não posso deixar de referir algumas notas biográficas e deixar uma nota pessoal sobre o Vamberto.


É natural da ilha Terceira, freguesia da Fontinhas, emigrou aos treze anos de idade para os EUA com a família. É Licenciado em Estudos Latino-Americanos pela California State University, Fullerton, em 1974 e, pela mesma Universidade, concluiu uma pós-graduação em Literatura Americana e Literatura Comparada.
Docente na Universidade dos Açores, foi correspondente e colaborador, a convite de Mário Mesquita, do suplemento literário do Diário de Notícias (Lisboa) durante largos anos. Tem prestado colaboração a periódicos no Brasil, como é o caso do Jornal de Letras do Rio de Janeiro, e em Santa Catarina, no suplemento Cultura do Diário Catarinense e na revista Cartaz: Cultura e Arte. A nível regional tem uma presença assídua em periódicos regionais, salientando-se a coordenação do Suplemento Açoriano de Cultura do Correio dos Açores, e o Suplemento Atlântico de Artes e Letras (SAAL) da revista Saber Açores.
Integra o Conselho Consultivo da Gávea-Brown: A Bilingual Journal Of Portuguese-American Letters And Studies e ainda, a Comissão Editorial do Boletim do Núcleo Cultural Da Horta.
Autor de diversas obras, como Jornal da Emigração: A L(USA)dândia Reinventada, O Imaginário dos Escritores Açorianos, A Ilha Em Frente: Textos do Cerco e da Fuga, Mar Cavado: Da Literatura Açoriana e De Outras Narrativas e, também, a coleção borderCrossings, que já vai no seu quinto volume, que reúne os textos que regularmente publica no Açoriano Oriental. É colaborador regular do Portuguese Times, de New Bedford e no Portuguese Tribune, publicado na Califórnia.
Coordenou, com Álamo Oliveira, o suplemento literário mensal do Açoriano Oriental, Artes e Letras.
Mas, para além destes breves apontamentos sobre Vamberto e, para quem tiver interesse e quiser compreender o Homem e o intelectual maduro deve iniciar a leitura deste livro pela página 29. Um texto do autor, como todos os outros, é certo, mas um texto em que Vamberto fala sobre Vamberto.
Deixo-lhes apenas uma breve passagem que é, em minha opinião, elucidativa da generosidade, autenticidade e sobriedade deste professor, ensaísta e crítico literário.

“(…) Lembremos sempre quem nos fez bem, e faremos o mesmo aos outros. Vejo com alegria e gratidão os meus colegas e amigos quase todos os dias. Quanto mais engrandecem nas suas vidas, mais me engrandecem a mim. Os seus triunfos e felicidades são as minhas também, com eles partilho as suas dores familiares ou profissionais. O resto não interessa nada. Quando alguém que não nos topa se desvia de nós, deveremos agradecer a delicadeza e o bom senso. A vida é nossa, mas quando partilhada é infinitamente mais rica e feliz. (…)”

Tenho uma grande admiração pessoal pelo Vamberto e, um imenso e profundo respeito pelo seu trabalho o que me leva a deixar-vos a seguinte nota pessoal.
O Vamberto Freitas não é apenas um ensaísta e crítico literário. Vamberto Freitas é, se me permitem, uma verdadeira instituição de utilidade pública para a literatura. É-o em particular para as temáticas literárias de matriz açoriana escritas em português e inglês, mas é mais, muito mais do que isso pois, a dimensão da sua obra não se confina à apreciação e, por conseguinte, divulgação dos autores que escrevem nos Açores, sobre os Açores, ou sobre a diáspora açoriana e, mais genericamente sobre a diáspora portuguesa. O seu trabalho e a sua obra não têm fronteiras culturais, nem está eivada de qualquer visão redutora da literatura.
Fica, assim, registado o meu reconhecimento e agradecimento pelo trabalho que o Vamberto tem desenvolvido e continuará a desenvolver pois, tenho para mim que o seu trabalho não se esgota com a publicação deste 5.º volume das leituras transatlânticas, nem com este formato. Sei que existem outros projetos em carteira e espero que venham a público o quanto antes. Mas sobre isso, se assim entender, nos falará o Vamberto.

O reconhecimento público pelo valioso contributo que o Vamberto tem dado à literatura que se produz nas margens deste rio Atlântico tem tido, felizmente, reconhecimento institucional. A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), em 2015, agraciou-o com uma Insígnia Honorífica de Reconhecimento e o Congresso dos EUA concedeu-lhe, em 2017, o Certificate of Special Congressional Recognition.

Sendo que estes reconhecimentos institucionais são importantes e, sem lhes querer retirar o valor, diria que mais importante do que as insígnias e os certificados foi a justa homenagem que os seus pares lhe fizeram durante a II edição do Arquipélago de Escritores que se realizou, em Ponta Delgada, no passado fim de semana. E é o reconhecimento quotidiano expresso pelas editoras e autores quando lhe solicitam uma recensão, uma opinião e crítica, sobre o que editam e escrevem.
É, também, o reconhecimento público que hoje lhe estamos a prestar.
borderCrossings 5 teve já um momento alto de divulgação e opinião especializada durante a edição do Outono Vivo deste ano, mais precisamente no dia 26 de Outubro, na cidade da Praia da Vitória, onde o Professor Ernesto Rodrigues, docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e especialista em Literatura e Cultura Portuguesas fez uma apresentação magistral. Ou seja, este livro de Vamberto já foi dissecado e avaliado por um especialista em literatura, coisa que eu não sou. Sou apenas um amigo do Vamberto que gosta de ler e que com ele muito tem aprendido e quer continuar a aprender.

O quinto volume de borderCrossings/leituras transatlânticas segue na rota dos anteriores. Ensaio e crítica literário que o autor organiza em três grandes tópicos e uma última parte, a que chama Coda onde são publicadas duas entrevistas que o autor concedeu, aos diários Açoriano Oriental e Diário dos Açores, aquando da publicação do quarto volume de borderCrossings que ocorreu fez por estes dias 2 anos.
O primeiro dos tópicos, Açorianidade Negada ou Reafirmada, reúne os ensaios e críticas literárias de autores açorianos, ou ainda de quem sobre os Açores escreveu mesmo que noutra língua que não o português, como é o caso de Diana Marcum jornalista californiana que depois de um trabalho jornalístico no Vale de S. Joaquim quis vir conhecer a terra de onde partiram aqueles estoicos homens e mulheres. E veio, e esteve largos meses por cá, sentiu o pulsar das gentes e dos lugares e sobre isso nos dá conta no livro The Tenth Island, ao que julgo ainda sem tradução para português (já está editado em português). E que o Vamberto apresentou, em Ponta Delgada, com a autora, em 2018, no âmbito da programação da I Edição do Arquipélago de Escritores.
Nesta primeira parte, em forma de ensaio ou de crítica literária, Vamberto percorre alguns dos títulos editados entre nós, ou nos Estados Unidos, como é o caso já referido de Diana Marcum, mas também a poesia de Pedro da Silveira no olhar de George Monteiro, a poesia de Lara Gularte, ou ainda do livro Sonhos à Solta: Rostos da América organizado por Francisco Henrique Dinis e José do Couto Rodrigues, este livro segundo nos diz Vamberto “(…) passa a ser uma das nossas mais eloquentes fontes sobre a vida quotidiana e da imaginação do nosso povo na distante Califórnia. (…)”.
E a propósito do nosso povo e do seu imaginário não resisto a ler-vos um poema de Pedro da Silveira, do qual Vamberto diz serem os cinco versos mais citados da sua geração.

Só isto:
O céu fechado, uma ganhoa pairando.
Mar. E um barco na distância:
olhos de fome a adivinhar-lhe à proa
Califórnias perdidas de abundância.

Depois desta sublime síntese sobre a ilha e os ilhéus que a geografia e a história colocaram a meio canal entre a Europa e América, onde as elites olhavam para Oriente e o povo para Ocidente, e, para que se compreenda toda a amplitude da análise de Vamberto Freitas vou socorrer-me de uma frase sua, página 16, do ensaio que fez sobre o Amanhã Não Existe, de Urbano Bettencourt. “(…) Ler Urbano é perceber como a partir de pequenas ilhas se universaliza uma escrita, a condição humana nas suas versões cercadas de mar por todos os lados, mas em viagem perpétua nas mais inesperadas ou longínquas geografias literárias e culturais. (…)” 

E é isto. Como é que se explica que, por aqui, nestas ilhas dispersa no Atlântico Norte, a produção literária tenha esta dimensão que nos liberta.
Talvez seja o Mar, Não sei. Mas sim, talvez seja o mar e a pequenez da terra polvilhada por uma vasta área oceânica, Talvez. Mas é certamente tudo isso e mais as gentes que a Lava pariu e se miscigenou com o Mundo.
Perdoem-me este devaneio e a incursão por territórios que não seu meus. Nesta sala estão algumas personalidades que podem, sustentadamente, dissertar sobre as razões que estão na origem de tamanha produção literária nos Açores e sobre os Açores. Produção literária que se projeta pelo país e pelo Mundo.

Não é possível, nem sequer aconselhável, aludir nesta apresentação todas as recensões, ensaios e crítica literária que Vamberto Freitas reúne no borderCrossings 5. Ainda sobre o primeiro tópico que, no essencial, abarca as publicações de autores açorianos que aqui residem, com as exceções já referidas, apenas a menção à revisitação, agora e sempre, de Adelaide Freitas, mas também a Gregory Rabassa. Duas personalidades, por razões diversas, sempre presentes no espírito e nas palavras de Vamberto. Da mesma forma que Nancy T. Baden, Michael Holland e William Koon, seus professores na Universidade onde fez os seus estudos na Califórnia, nunca são esquecidos, nos escritos e nas conversas que Vamberto partilha com quem o lê e com quem o ouve, seja nos fóruns literários, seja na informalidade da mesa de um café, de preferência com esplanada.
Vamberto Freitas é hoje um reconhecido especialista em literatura portuguesa porque num dia, já distante, no Oeste americano Nancy Baden o orientou para leituras de expressão portuguesa. E o Vamberto como é público e notório, nunca se esquece de a mencionar como a sua principal mentora. Aqui não posso deixar de voltar às palavras de Vamberto, “(…) Lembremos sempre quem nos fez bem, e faremos o mesmo aos outros. (…)”. Esta é a herança que o Vamberto carrega consigo e que não se cansa de transmitir quando escreve e quando fala.

O segundo tópico, De todas as Diásporas, é dedicado ao ensaio e à literatura escrita em português, ainda que nem todos os autores residam em Portugal, como é o caso de Onésimo Teotónio de Almeida que vive em todo o lado (sei que o sentido de humor que carateriza o Onésimo encaixará bem a expressão que acabo de utilizar). Vamberto abre, porém, duas exceções. David Grossman e Amos Oz, escritores israelitas que têm uma visão multilateral do conflito entre o estado judaico e o estado palestiniano facto que para além da qualidade literária, justifica a sua inclusão neste tópico, e, por outro, lado encaixa no que à pouco referi, e lembro, O seu trabalho e a sua obra não têm fronteiras culturais, nem está eivada de qualquer visão redutora da literatura.

Antes de fechar a apreciação a este tópico, também eu abro uma exceção e refiro uma das obras e o seu autor. KNK, de Luis Filipe Sarmento para exemplificar o efeito que este volume e todos os que o precederam provocam em mim e, estou certo disso, nos seus leitores e alunos. Ao ler a recensão do aludido livro para além de ficar a conhecer melhor este autor, cresceu em mim o desejo de ler KNK, mas não só, a vontade amplia-se, e outros títulos do autor são objeto do meu interesse. Muito desse despertar para, em breve, ler KNK fica a dever-se ao que Vamberto diz sobre seu autor: “(…) São estes os chamados escritores “malditos”, repita-se, nas mais variadas literaturas, os que dizem em voz alta ou serena as misérias que todos vivemos ou sentimos nos espaços sem convivência. (…)” e mais à frente, “(…) Serão estes, digamos também assim, os escritores que no futuro passam de uma certa marginalidade para o centro do cânone. (…)”.
E como sabemos e conhecemos isto acontece, tem acontecido, e em Portugal os exemplos são vários. Como dizia, quando Vamberto faz as suas apreciações literárias fornece aos leitores um conjunto de informação e opinião que, por ser, especializada nos conduz na descoberta de velhos, novos e escritores malditos.

Para não dizer que não falei do terceiro tópico, A América de Todos e de Ninguém, deixo-vos a lista de autores sobre os quais pendeu o olhar de Vamberto. Clara Ferreira Alves, Sinclair Lewis, Philip Roth, Richard Zimler, Bob Woodward e Jonathan Franzen. Perguntarão porquê Clara Ferreira Alves, eu também me perguntei, mas como o livro recenseado tem por tema os Estados Unidos, encontrei aí a justificação.
As leituras de borderCrossing, seja este volume 5, sejam os que o precederam têm sido, para mim uma grande utilidade e, sobretudo, uma fonte inesgotável de aprendizagens e de conhecimento. A coleção de livros border Crossings/leituras transatlânticas tem um amplo público destinatário. Desde logo os leitores comuns que gostam de estar informados do que, em termos literários se vai produzindo, um pouco por todos as geografias culturais, mas também os estudantes que se iniciam, ou se especializam em literatura, tenha elas a forma que tiver, mas também se destinam aos escritores consagrados e aos próprios editores. Eu diria que ler borderCrossings/leituras transatlânticas é, assim, como fazer a leitura das leituras.

Julgo que talvez agora se compreenda melhor o que disse na primeira parte desta intervenção.
Vamberto Freitas é, se me permitem, uma verdadeira instituição de utilidade pública para a literatura. O seu trabalho e a sua obra não têm fronteiras culturais, nem está eivada de qualquer visão redutora da literatura.

(*) Texto que serviu de base à apresentação de borderCrossings (volume 5), de Vamberto Freitas, na Livraria Letras LAVAdas, Ponta Delgada, 23 de Novembro de 2019.
Foi publicado no Portuguese Tribune e no Diário Insular.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Apresentação do livro “Palavras Pequenas, Pensamentos Grandes" de Madalena Madureira

A professora Madalena Madureira está de regresso aos Açores e traz um livro para partilhar connosco.
Os amigos. colegas, alunos e atletas que com ela privaram recordam-na como uma mulher generosa e uma educadora que exerceu a docência com total entrega e estendeu o seu saber e competência à formação de atletas de competição em várias disciplinas do atletismo.
Como docente e treinadora era estimada pelos colegas, pelos alunos e atletas.
Este apreço pela Madalena Madureira deve-se à sua personalidade que transborda alegria, entusiasmo e o gosto pela vida. Qualidades que continua a evidenciar e que, estou certo disso, o livro que traz para partilhar connosco nos confirmará.
A Madalena Madureira convidou-me para apresentar o seu livro “Palavras Pequenas, Pensamentos Grandes”. Eu aceitei e será um prazer estar hoje na Câmara Municipal da Lagoa, pelas 18h 30mn, com a Madalena Madureira e com antigos colegas, alunos e atletas com quem esta amiga e colega privou ao longo dos anos em que viveu e trabalhou em S. Miguel.
Sintam-se todos convidados.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

João Afonso no Centro Cultural da Caloura

O meu primeiro contato com João Afonso aconteceu ainda na década de 90, ou seja, coincidiu com a sua participação no trabalho “Maio Maduro Maio” a que tive a oportunidade de assistir, não no S. Luís, mas no espetáculo que encerrou um congresso da FENPROF.
Fiquei rendido, claro que os temas eram de José Afonso, claro que o José Mário Branco já tinha o seu espaço nas minhas referências musicais, mas quer a Amélia Muge quer o João Afonso constituíram-se como uma novidade, uma agradável novidade.
A voz tranquila de intensão do João Afonso ficou-me nos ouvidos e, desde então, fui acompanhando o seu percurso musical. Nunca mais vi nenhum espetáculo do João Afonso ao vivo, mas conto fazê-lo já na próxima sexta-feira (9 de Novembro de 2018), pelas 21h, no Centro Cultural da Caloura. É um concerto intimista (Azul, verde para crer) que terá como convidado Zeca Medeiros. Uma outra voz, não tão tranquila, mas também cheia de intensão.
O último trabalho de João Afonso, “Sangue Novo”, tem letras de Mia Couto e José Eduardo Agualusa e música do João. Seguramente irão ecoar na noite da Caloura alguns dos temas deste trabalho, mas espero poder ouvir, também, algumas canções dos seus trabalhos anteriores e, serão sempre bem-vindos, se para isso houver tempo e oportunidade, alguns temas de José Afonso, tio do João.

Foto by Aníbal C. Pires




Vou de vez em quando, nem sempre com a frequência que desejaria, ao Centro Cultural da Caloura. Vou pela harmonia do espaço, vou pelas exposições, vou para privar alguns momentos na companhia do Professor Tomaz Borba Vieira saboreando, ou não, um chá que acompanha a troca de impressões sobre os temas mais diversos, digamos que não é só sobre arte que ocupamos o tempo, E faz-me bem, muito bem.









Foto by Aníbal C. Pires



Quando cruzo o limiar do portão e enquanto percorro o caminho até ao edifício do Centro Cultural sinto-me transportado para um Mundo que conheci, mas que já não existe. E deixo que a harmonia e tranquilidade me invada, ainda que tudo ao meu redor, tal como a voz do João Afonso, tenha uma energia que se sente e vive de forma intensa.



Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 07 de Novembro de 2018

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Em Lisboa, Um Perigoso Leitor de Jornais


Um Perigoso Leitor de Jornais, romance baseado em factos reais, da autoria de Carlos Tomé, é apresentado em Lisboa, já hoje, dia 19 de Janeiro, pelas 21h 30mn..
A Casa dos Açores de Lisboa acolhe e promove este evento literário ao qual, para quem estiver por Lisboa ou arredores aconselho a ir e a adquirir um exemplar do livro que é apresentado.
Quem ler vai ficar surpreendido, não só pela escrita fluida e realista do autor, mas sobretudo pela temática que aborda. Carlos Tomé não só resgata a estória do seu avô, o autor resgata para a memória coletiva regional e nacional uma das muitas estórias de que foi feita a luta contra o fascismo em Portugal..
Trata-se da estória de mais de duas dezenas de micaelenses presos na cidade de Ponta Delgada, em 1938, e condenados ao degredo no forte de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, grupo do qual fazia parte Carlos Ildefonso Tomé, avô do autor, carteiro de profissão.
No forte de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, Carlos Ildefonso Tomé foi enclausurado na ala onde estavam alguns dirigentes comunistas, entre os quais Pires Jorge, com quem manteve uma relação de amizade e camaradagem.
Um Perigoso Leitor de Jornais constitui um importante e genuíno contributo para a compreensão social e política de uma época da nossa história coletiva sobre a qual existem poucos estudos e muitas tentativas de branqueamento.
Quando assisti ao lançamento do livro em Ponta Delgada escrevi uma publicação que pode ser lida aqui

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Toada do mar e da terra - dia 15 no Faial


No próximo dia 15 de Janeiro, na cidade da Horta, pelas 21h, na Cedars House, terá lugar a apresentação pública do livro “Toada do mar e da terra – Volume I 2003/2008”, crónicas de Aníbal C. Pires e ilustrações de Ana Rita Afonso. A sessão será presidida por Sua Excelência a Presidente da ALRAA e a apresentação do livro será feita por Renata Correia Botelho.
Aqui fica o convite.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

No Portuguese Times de New Bedford







A última edição impressa do “Portuguese Times", dia 13 de Dezembro, divulga na coluna “Nas Duas Margens”, de Vamberto Freitas, o livro “Toada do mar e da terra (Volume I – 2003/2008)
O “Portuguese Times” é um jornal semanário das comunidades portuguesas na costa Leste dos Estados Unidos.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Já nas livrarias

Foto by Paulo Cabral

O livro de crónicas revisitadas “Toada do mar e da Terra (Volume I – 2003/2008) já está à venda na Livraria Leya SolMar, em Ponta Delgada, e nos próximos dias estará disponível na Ilha Terceira, na Loja do Adriano, na ilha do Faial, na Livraria O Telégrafo, na ilha do Pico, na Bel’ Arte (Madalena), e na Livraria Ferin, em Lisboa

sábado, 9 de dezembro de 2017

Harlem Gospel Choir - hoje no Teatro Micaelense

Imagem retirada da internet
Harlem é um bairro da alta de Manhattan na cidade de Nova Iorque, conhecido por ser um grande centro cultural e comercial dos afro-americanos.
Este bairro nem sempre é referenciado pelos melhores motivos, mas bons motivos não faltam para se visitar o Harlem e para o mencionar por razões desconhecidas da generalidade dos cidadãos. Já la irei.
E é desse mítico bairro nova-iorquino que vem Harlem Gospel Choir Hoje para atuar hoje, em Ponta Delgada, no teatro Micaelense, pelas 21h 30mn.

Não vou descrever a estória do acolhimento dos habitante de Harlem a Fidel de Castro.
Deixo-vos um vídeo com o resumo das duas visitas de Fidel ao mítico bairro.


domingo, 3 de dezembro de 2017

... da agenda para dia 7 de Dezembro



Na próxima quinta-feira, dia 7 de Dezembro de 2017, pelas 18h 30mn, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, terá lugar a apresentação do livro “Toada do mar e da terra (volume I – 2003/2008), de Aníbal C. Pires e com algumas ilustrações de Ana Rita Afonso e edição da Letras LAVAdas.
Vamberto Freitas que prefaciou o livro fará a apresentação pública.




terça-feira, 21 de novembro de 2017

A 7 de Dezembro em Ponta Delgada







No dia 7 de Dezembro em Ponta Delgada, o local e a hora serão divulgados em tempo útil, será apresentado o livro “Toada do mar e da terra”, Volume I – 2003/2008. 
Uma seleção de crónicas objeto de uma revisitação pelo autor.
O livro contém 8 ilustrações de Ana Rita Afonso, é prefaciado por Vamberto Freitas e na contracapa consta uma breve opinião de Renata Correia Botelho.
Em datas próximas terão lugar apresentações deste livro no Faial (Horta) e na Terceira (Angra e/ou Praia).

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Vamberto Freitas - Border Crossing, Leituras Transatânticas 4

Vamberto Freitas (imagem retirada da internet







Amanhã na Livraria Leya SolMar, com Vamberto Freitas










Urbano Bettencourt, Carlos Bessa, o Consûl dos Estados Unidos nos Açores e, certamente, muitos dos amigos e admiradores de Vamberto Freitas vão juntar-se, amanhã dia 17 de Novembro, pelas 19h, na Livraria Leya SolMar para partilhar de um momento que, se me permitem, é mais, ou assim deveria ser, do que a apresentação do volume 4 do Border Crossings, Leituras Transalânticas.

Vamberto Freitas não é apenas um ensaísta e crítico literário, Vamberto Freitas é, se me permitem, uma instituição de utilidade pública para a literatura. É-o em particular para as temáticas literárias de matriz açoriana escritas em português e inglês, mas é mais, muito mais do que isso pois, a dimensão da sua obra não se confina à apreciação e, por conseguinte, divulgação dos autores que escrevem nos Açores, sobre os Açores, ou sobre a diáspora açoriana e, mais genericamente sobre a diáspora portuguesa. O seu trabalho e a sua obra não têm fronteiras culturais, nem está eivada de qualquer visão redutora da literatura.
Ao Vamberto Freitas só posso agradecer o que com ele aprendi e quero continuar a aprender e, dizer-lhe que será um enorme prazer estar amanhã, pelas 19h, na Livraria Leya SolMar, para partilhar este momento com ele.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

No Porto, Um Perigoso Leitor de Jornais


Um Perigoso Leitor de Jornais, romance baseado em factos reais, da autoria de Carlos Tomé, é apresentado no Porto, já no próximo dia 28.
A Casa dos Açores no Norte acolhe e promove este evento literário ao qual, para quem estiver pelo Porto ou arredores aconselho a ir e a adquirir um exemplar do livro que é apresentado.
Quem ler vai ficar surpreendido, não só pela escrita fluida e realista do autor, mas sobretudo pela temática que aborda. Carlos Tomé não só resgata a estória do seu avô, o autor resgata para a memória coletiva regional e nacional uma das muitas estórias de que foi feita a luta contra o fascismo em Portugal..
Trata-se da estória de mais de duas dezenas de micaelenses presos na cidade de Ponta Delgada, em 1938, e condenados ao degredo no forte de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, grupo do qual fazia parte Carlos Ildefonso Tomé, avô do autor, carteiro de profissão.
Um Perigoso Leitor de Jornais constitui um importante e genuíno contributo para a compreensão social e política de uma época da nossa história coletiva sobre a qual existem poucos estudos e muitas tentativas de branqueamento.
Quando assisti ao lançamento do livro em Ponta Delgada escrevi uma publicação que pode ser lida aqui

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Fórum LPAZ - Aviação: o impacto no Tempo e no Espaço

A Associação LPAZ, a Universidade dos Açores, o CEI - Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – IUL e a APEF – Associação Portuguesa de Estudos Franceses, em parceria com o Governo Regional dos Açores, o Município de Vila do Porto, a ANAC - Autoridade Nacional da Aviação Civil, organizam o Fórum LPAZ - Aviação: o impacto no Tempo e no Espaço, que se realizará de 6 a 10 de Setembro de 2017, na Biblioteca Municipal de Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, Açores.

O programa pode ser consultado aqui.

Para além do já referido colóquio académico, Aviação: o impacto no Tempo e no Espaço, o Fórum LPAZ 2017 promove um encontro de representantes de museus e arquivos aeronáuticos da bacia do Atlântico Norte.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Uma final que não quero perder


Não tiro tempo ao meu tempo para assistir, pela televisão ou outros suportes, à competição desportiva, vulgo futebol. Mas, mesmo sem tirar muito tempo ao meu tempo vejo alguma competição desportiva. Desporto pelo qual tenho predileção. Vejo Voleibol e Râguebi, sem distinção de género.


Amanhã é dia da final do Campeonato do Mundo de Râguebi de seleções femininas. Frente a frente vão estar duas excelentes equipas, a Inglaterra e a Nova Zelândia.
A televisão portuguesa não deve transmitir. Nada que me preocupe vou ver aqui.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Nelson Cabral no Village Underground Lisboa





"A Passagem das Horas", de Fernando Pessoa | Álvaro de Campos, encenado e interpretado pelo ator Nelson Cabral.








A produção em Lisboa deste espectáculo, que estreou em 2015 no Teatro Micaelense (São Miguel, Açores), é da responsabilidade da Buzico Produções Artísticas.
"A Passagem das Horas" vai estar em cena de 25 de Agosto a 3 de Setembro, no Village Underground Lisboa, sempre às 22h00.

Mais informações e aquisição de bilhetes aqui.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Resgates, ou um perigoso leitor de jornais

Carlos Tomé - foto de Eduardo Costa
Um Perigoso Leitor de Jornais, romance baseado em factos reais, da autoria de Carlos Tomé, foi ontem apresentado em Ponta Delgada. Não tendo nenhuma pretensão de fazer crítica literária, deixo essa tarefa para quem de direito, mas não posso deixar de fazer algumas referências a este livro que, por gentileza do autor, a quem agradeço, me chegou às mãos uns dias antes de ser conhecido do público.
Ontem na apresentação do livro afirmou-se que esta estória consistia no resgate da memória do avô do autor, e assim é. Mas Carlos Tomé não só resgata a estória do seu avô, o autor resgata para a memória coletiva regional e nacional, um período da nossa história sobre o qual não existe muita informação e que carece de um estudo mais aprofundado. A revolta dos degredados em Angra do Heroísmo, 1931, ou as manifestações populares de 1933, em Ponta Delgada, que culminaram numa greve geral por altura do Carnaval desse ano, ou a estória de mais de duas dezenas de micaelenses presos, em 1938, e condenados ao degredo no forte de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, grupo do qual fazia parte Carlos Ildefonso Tomé, avô do autor, bem assim como muitas outras estórias, muitas estórias de resistência a um regime opressor e cruel, necessita de mais atenção investigação.
Era um regime que prendia arbitrariamente, que torturava, que matava, que sonegava direitos tão elementares como o direito ao ensino. Veja-se este trecho do livro de Carlos Tomé, (...) - A escola não é para comunistas, nem para os filhos dos comunistas, perceberam todas? Ela foi expulsa, vai para casa!
Ato contínuo, pegou na mão de Lígia, com mais firmeza do que a necessária para os sete anos da “comunista”, e com um seco “Bom dia! Pôs-se a caminho, levando-a da escola, … afastando-a irremediavelmente dos seus sonhos de menina.” (...)  
Carlos Tomé não é um historiador, é jornalista, mas com esta obra dá um importante contributo à história da luta contra a ditadura do Estado Novo. O seu avô distribuía correspondência em Ponta Delgada, na correspondência vinham jornais de Lisboa que continham outros jornais, Carlos Ildefonso Tomé, soube e continuou a entregá-los aos destinatários, e a lê-los. Sim era o Avante! Lia outros, os que se publicavam em Ponta Delgada, os que vinham de Lisboa e os que vinham da comunidade açoriana radicada na costa Leste dos Estados Unidos. Tinha esse mau hábito, lia jornais.

Foto by Aníbal C. Pires
Isso custou-lhe a prisão, o degredo. Isso custou à Maria José, sua mulher, e aos seus nove filhos muitos sonhos por cumprir e o peso do estigma que sobre eles se abateu. Talvez isso tenha sido mais penalizador para Carlos Ildefonso do que os dias que passou na Poterna, no forte de S. João Baptista.
Foi preso pela PSP de Ponta Delgada, esteve na cadeia da Boa Nova e foi degredado para Terceira onde cumpriu a pena que um Tribunal Militar Especial o condenou. No forte de S. João Baptista, onde na altura se encontravam mais de duas centenas de presos políticos, ficou na caserna dos comunistas, aí privou com Joaquim Pires Jorge e com José Gregório, de entre outros destacados militantes do PCP, com os quais manteve uma relação, como não podia deixar de ser, de grande camaradagem. Carlos Ildefonso não era militante do PCP, mas foi acolhido como se fosse um deles. Carlos Ildefonso não sendo militante do PCP, durante este processo e nos longos meses que passou preso no forte de S. João Baptista, comportou-se como se o fosse e granjeou o respeito de todos, designadamente, do Joaquim Pires Jorge e do José Gregório.
Ontem coube a Carlos César fazer a apresentação do livro e do autor e, a Carlos Enes o enquadramento histórico. Ontem, talvez, pela primeira vez estive de acordo com Carlos César, de acordo sem qualquer reserva, o livro Um Perigoso Leitor de Jornais deve fazer parte da leitura obrigatória em todas a escolas da Região. Espero que esta sugestão de Carlos César seja aceite pela tutela da Educação e pelos responsáveis pela rede regional de bibliotecas.

Uma nota final para dizer o que ainda não disse, Gostei, gostei até às lágrimas. Não apenas gostei como me emocionei durante a leitura. Nem todos os livros de que gosto me emocionam, mas este foi um deles. A emoção fez com que as lágrimas rolassem pelo meu rosto.
Bem hajas Carlos Tomé.

Ponta Delgada, 30 de Maio de 2017

quarta-feira, 2 de março de 2016

Tocar o Mundo


No dia 10 de Março pf terá lugar, no Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada, a inauguração da exposição "Tocar o Mundo" - Aguarelas de Ana Rita Afonso.

A exposição vai ficar mas a inauguração da exposição será um momento ir-re-pe-tí-vel.
Poemas do Aníbal, a voz do Nelson e a viola do Rafael, para as aguarelas da Ana Rita. Um texto da Renata Correia Botelho para todos eles e, também, para quem vier assistir a este momento ir-re-pe-tí-vel.

Depois, Bem depois ficam as aguarelas da Ana Rita, na Sala do Forno até meados de Abril, para contemplar, as palavras do Aníbal para ouvir na voz do Nelson Cabral e os sons que o Rafael Carvalho arranca magistralmente da viola da terra.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Sal da Terra - um documentário

Foto retirada da internet

O “Sal da Terra” - um documentário de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado sobre o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.


Até ao dia 2 de Agosto de 2015 quem for ou estiver por Lisboa pode ir ver a exposição “Genesis” de Sebastião Salgado, na Galeria do Torreão Nascente da Cordoaria Nacional.
Génesis", o último trabalho do fotógrafo brasileiro, inclui 245 imagens a preto e branco, de grande formato, captadas entre 2004 e 2011 nos lugares mais recônditos e desconhecidos da Terra. As fotografias estão apresentadas em diferentes secções - "Sul do Planeta", "Santuários", "África", "Espaços a Norte" e "Amazónia e Pantanal".

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Apresentação na Livraria Ferin (Lisboa) - O Outro Lado



É já no próximo Sábado, dia 29 de Novembro, pelas 16h30mn, que o livro "O Outro Lado -  palavras livres como o pensamento será apresentado em Lisboa. A Livraria Ferin a Editora LetrasLavadas e os autores convidam.