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domingo, 17 de maio de 2020

palavras do cerco 1

imagem retirada da internet
A (des)propósito

O medo tolhe os sentidos
induz a cegueira e desatina

Sem ver e sem tino
A irracionalidade instala-se
A emoção tribal desperta
O insulto domina
Os fiéis lacaios agouram
O medo doutrina

Os dominados
Pelo medo
Opinam 
Opinam, por opinar
Cegos de raiva
e medo
Num tempo
Em que a única certeza
É a presente incerteza
Mas opinam
… opinam
Espalhando o medo
Que os cegou
O medo
Que os desatinou

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 16 de Maio de 2020

sábado, 2 de maio de 2020

notas soltas - 1.º de Maio de 2020

Imagem retirada da internet
Abril e Maio não! Mas então e as condições que têm sido disponibilizadas para quem utiliza os transportes públicos nas deslocações para ir trabalhar. E as condições de trabalho de todos quantos, pelas caraterísticas da sua profissão, não puderam ficar em casa.

Nas redes sociais, em particular no Facebook, existem muitas publicações cujos autores se insurgiram contra as comemorações do 1.º de Maio da CGTP. Todos têm direito à opinião, foi por esse e outros direitos que a luta organizada na oposição à ditadura que oprimiu os portugueses lutou durante a longa noite fascista, o direito não está em causa.
O que me preocupa é a estupidificação reinante. Os mesmos cidadãos que hoje se insurgiram contra as celebrações do 1.º de Maio, são os mesmos que se insurgiram contra as celebrações do 25 de Abril na Assembleia da República.
Quer uma celebração quer outra pautaram pelo cumprimento das regras, escrupulosamente cumpridas, emanadas da Direção Geral de Saúde, o que me leva a crer que a insurgência tem mais a ver com o que as datas significam do que preocupações sanitárias e de saúde pública.

Imagem retirada da internet
Hipocrisia é o que se pode dizer de alguns líderes partidários, deputados e lacaios dos partidos (PS, PSD e CDS) que votaram o Decreto Presidencial do Estado de Emergência que vigora até hoje e que já previa a realização das comemorações do 1.º de Maio. Ou não leram, ou pretendem fazer da população uma mole imensa de imbecis que, por não se informarem, regurgitam de forma acéfala as palavras de quem sempre esteve (e está) contra os trabalhadores, o 25 de Abril e o 1.º de Maio.

Para reforçar esta premissa direi que, os mesmos cidadãos, que opinaram veementemente contra as celebrações do 25 de Abril e do 1.º de Maio, não disseram uma palavra que fosse perante a supressão de alguns transportes públicos (diminuição da frequência) o que teve como efeito a impossibilidade de cumprir a regra básica do distanciamento social. Ou ainda, não demonstraram nenhuma preocupação pelos milhares e milhares de trabalhadores que continuaram a ter de trabalhar para assegurar um mínimo de bem-estar e segurança a quem,
por iniciativa própria ou por ter um trabalho adequado para o teletrabalho não pode ficar em casa confinado. E não me refiro apenas aos trabalhadores do serviço público de saúde refiro-me a todos os que diariamente saem de suas casas para ir trabalhar.
Estes cidadãos que se insurgem contra Abril e Maio são os mesmos cidadãos que perante os lay-off, as férias forçadas, os despedimentos por conta da pandemia, a diminuição de rendimentos dos trabalhadores, não têm uma palavra, uma que seja, a dizer
A estupidificação a que ao longo de décadas temos sido sujeitos, pela cultura dominante, vai produzindo os seus efeitos. Um deles tem-se evidenciado ao longo destes últimos dias e que se manifesta pela incapacidade de discernir entre factos e opiniões, ou seja, na regurgitação acéfala de opiniões. Opiniões que são tudo menos inócuas e visam os inimigos de sempre.



Não tenhamos ilusões. Quem promove os ataques ao 25 de Abril, ao 1.º de Maio e a quem não abdica da luta em defesa de quem trabalha, quem promove esses ataques tem um objetivo. Objetivo que não é a defesa da saúde pública, nem se preocupa com o cumprimento das regras sanitárias que estão instituídas pela Direção Geral de Saúde. A finalidade é retirar voz e espaço quem luta pelos direitos de quem trabalha.


terça-feira, 24 de março de 2020

Como evitar as fake news

Tenho, por dever de cidadania, evitado saídas à rua. Quando saio procuro fazê-lo a horas e locais onde não há, ou pressuponho que não haja, grande concentração e circulação de pessoas e dentro do quadro que legalmente está em vigor. Pelo mesmo motivo, dever de cidadania, tenho-me escusado a produzir e difundir escritos de opinião.

Desde o início desta “crise”, é assim que vou continuar a designar a propagação do covid19 e os seus efeitos sociais, culturais, políticos e económicos, apenas vim a terreiro com uma publicação no meu blogue que depois difundi nas plataformas digitais, erradamente designadas por sociais. E fi-lo por entender que a generalidade das medidas tomadas pelo Governo Regional e a atuação da Autoridade Regional de Saúde mereciam, e continuam a merecer, o meu apoio.

Hoje, e face a uma notícia que circulou nas redes digitais, entendi ser meu dever escrever e partilhar umas notas sobre a forma como se está a travar esta luta no plano da comunicação.
Não da comunicação institucional, embora sinta que devo deixar uma nota de agrado pela excelência da comunicação institucional que emana da Autoridade Regional de Saúde, pela voz do Diretor Regional.

Mas, como dizia, não é sobre a comunicação institucional as notas que vos deixo por aqui, é sobre a informação difundida pelos órgãos de comunicação social, ditos de referência, e também pela informação que é partilhada nas plataformas digitais. Infelizmente nem uma nem outra obedecem a critérios básicos de confirmação nas fontes, já não digo na fonte primária, mas ao menos exigia-se algum esforço para confirmar a veracidade da informação, ao menos isso.

Uma estação de televisão, Não, não é essa, passou uma notícia sobre incidentes em Londres e as pessoas preocuparam-se por que os conflitos foram relacionados com a “crise” do covid19. Nesse mesmo dia verificou-se que as imagens difundidas afinal remontam a 2011 e os conflitos, naturalmente, tiveram outras causas. Era falsa a notícia e não, não havia necessidade.

Li algures por aí, e como eu terão lido muitos outros cidadãos por esse Mundo fora que os Estados Unidos já tinham uma vacina para o covid19, e, tendo sido ministrada tinha curado um doente. Bem, tanto quanto sei as vacinas previnem, Não curam. Por outro lado, os protocolos científicos para que uma vacina seja posta à disposição demoram o seu tempo, mesmo sabendo que, um pouco por todo o Mundo, se está a fazer um enorme esforço para que a vacina, ou vacinas, possam estar concebidas e testadas seria, digo eu, impossível ter a vacina disponível em tão curto espaço de tempo. Também esta notícia, como já se sabe, foi desmentida.

A notícia de hoje era a de uma morte, a primeira, nos Açores devido ao covid19. Foi um tal partilhar nas plataformas digitais que até doía. Pouco tempo depois a informação institucional veio desmentir. Não, ainda não morreu ninguém nos Açores devido ao covid19. Este tipo de atitude para além de gerar ondas de medo que em nada contribuem para a sanidade mental dos cidadãos obrigou a Autoridade Regional de Saúde a um esforço suplementar para vir a público desmentir a notícia, numa altura em que a sua atenção, tempo e recursos não podem, nem devem ser gastos a corrigir os erros comunicacionais de terceiros.

Se algumas destas notícias, as das plataformas digitais, são difundidas de forma ingénua, Sim não tenho dúvidas. Se algumas são difundidas porque obedecem a agendas ideológicas, também não me restam dúvidas. Cabe-nos a nós cidadãos fazer a verificação e não ampliar a sua difusão.

Quanto aos chamados órgãos de comunicação social, ditos, de referência é bom que não tenhamos ilusões eles são veículos e instrumentos da difusão ideológica dos seus proprietários, logo pouco confiáveis.


A informação é elaborada, mesmo que factual, para se dirigir às crendices e emoções dos cidadãos. A sua grande penetração fica a dever-se ao sucesso da estupidificação a que todos temos sido sujeitos ao longo das últimas décadas.

Só há uma forma de combater esta moldagem das consciências e da vontade. Adquirir conhecimento. Só o conhecimento nos pode libertar.

Enfim! Haja saúde que a paciência está a esgotar-se.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 24 de Março de 2020

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Mulheres do Mundo - a abrir Julho

Foto de Mihaela Noroc

Com os votos de um excelente mês de Julho.
A beleza feminina para lá da geografia e da idade. Um projeto fotográfico de uma mulher que procura desconstruir os estereótipos da beleza feminina que nos são "vendidos" pela cultura instalada nas corporações mediáticas.

"Mihaela Noroc é uma fotógrafa romena que passou os últimos quatro anos a fotografar mulheres por todo o mundo, mostrando que a beleza que não é apenas o que se vê nos mídia ou nas redes sociais, mas sim a diversidade!"

sábado, 8 de junho de 2019

Um arquipélago dentro da ilha: os Açores em Santa Catarina - crónicas radiofónicas

Imagem retirada da internet



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 9 de Fevereiro de 2019 e pode ser ouvida aqui







Um arquipélago dentro da ilha – os Açores em Santa Catarina

Imagem retirada da internet
Os migrantes carregam na sua bagagem imaterial a cultura e tradições da sua origem. Nos percursos migratórios vão assimilando outras culturas, outras formas de ver o Mundo, mas tendo sempre como referencial a sua matriz cultural que procuram recriar nos lugares onde se fixam.
Entrar em algumas das Casas dos Açores espalhadas pelas Américas do Norte e do Sul é como viajar no tempo e no espaço, e retornar à origem.
As primeiras gerações de imigrantes, em particular os homens, têm tendência a recriar os espaços e os hábitos do seu território de origem, ou seja, a cristalizarem a sua matriz cultural e a estabelecer uma barreira à influência da cultura, ou culturas, que coexistem nos lugares de acolhimento. De uma forma mais ou menos consciente esta atitude de recusa da assimilação relaciona-se diretamente com a ideia do regresso, que nem sempre acontece, mas também com a procura de equilíbrios que lhes permitam suavizar a saudade.
O tempo encarrega-se de romper barreiras e a miscigenação cultural, naturalmente, acontece. As festas do Divino Espírito Santo, quer na América do Norte, quer no Brasil, foram-se apropriando de outros elementos culturais. Mantendo a matriz original recriaram-se e adaptaram-se aos territórios de acolhimento. Também no território de origem se registam alterações aos ancestrais rituais sem que essas mudanças alterem a génese e objeto da celebração e da devoção do Divino.

Imagem retirada da internet
As migrações açorianas estão recheadas de estórias que são parte da nossa história, mas são os sinais da cultura açoriana, que se manifestam nas mais diversas geografias, e que têm sido objeto da atenção de académicos e de mote para a criação artística a que me quero referir nesta breve conversa de hoje.
Na ilha de Santa Catarina, no Sul do Brasil, a presença de açorianos e dos seus descendentes data de há mais de 2 centenas e meia de anos. As marcas e símbolos da sua presença encontram-se na arquitetura, culinária, tradições, lendas, histórias, modo de falar, religião, de entre outras manifestações culturais que viajaram com os casais açorianos que povoaram Santa Catarina a partir dos meados do século XVIII.
As localidades de Santo António de Lisboa, Lagoa da Conceição e o Ribeirão da Ilha são das mais antigas da ilha de Santa Catarina e onde as marcas do povoamento açoriano serão mais evidentes.
E foi na Costa da Lagoa da Conceição, um dos redutos catarinenses dos descendentes açorianos, que foi rodado o filme “A Antropóloga”, do cineasta Zeca Nunes Pires. Não sei qual a ligação de Zeca Pires aos Açores, mas para um catarinense as marcas e símbolos de origem açoriana não serão, de todo, indiferentes.

Zeca Pires (imagem retirada da internet
Não se poderá dizer que a temática e a trama do filme seja açoriana, mas em boa verdade é sobre os aspetos mágico-religiosos da cultura açoriana transmutados para outras geografias que trata esta história de uma investigadora que vai para a Costa da Lagoa e da sua relação com a comunidade local. Não sendo, como já disse, um filme de temática açoriana, as referências aos Açores são uma constante. O filme abre com imagens de arquivo da erupção dos Capelinhos, e, a primeira cena decorre num espaço tipicamente açoriano. A linguagem e as constantes referências aos Açores acompanham toda a estória desta cientista que se envolve, talvez mais profundamente do que desejaria, com alguns aspetos místicos da cultura popular da Costa da Lagoa, na Ilha de Santa Catarina, mas que têm a sua génese nas crenças e sabedoria popular açoriana.
A “Antropóloga”, ao que sei, nunca passou nas salas de cinema, nem nos cineclubes açorianos, embora, ao que me informaram tenha tido algum apoio do Governo Regional, através da Direção Regional das Comunidades. Mas, no fundo, nem é disso que se trata: retorno do investimento público à produção cultural. Em boa verdade trata-se de conhecer um produto cultural produzido no sul do Brasil cuja inspiração está ancorada nos costumes ancestrais do povo açoriano.
Fica o desafio para que o filme e o cineasta possam vir aos Açores no quadro das pontes que se têm construído entre a Região e as comunidades da nossa diáspora e que se destinam à circulação, nos dois sentidos, dos produtos culturais de inspiração açoriana.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 09 de Fevereiro de 2019

segunda-feira, 27 de maio de 2019

A voz! Voz de quem!?






André Bradford foi eleito sem votos dos açorianos, ou seja, os 17 494 votos dos eleitores dos Açores na candidatura do PS, nenhum deles, foi necessário para a sua eleição, nem sequer para a eleição do último dos eleitos da candidatura do PS.



Não, não é verdade.
André Bradford não vai ser a voz de todos os açorianos no Parlamento Europeu.

Não, não é por ser o André Bradford.
É por ser o PS.




André Bradford, à semelhança dos deputados eleitos na candidatura do PS vai ser a voz submissa, mais uma, ao diretório político dominado pela oligarquia financeira que influencia as decisões na União Europeia.
Tal como todos os deputados portugueses eleitos pelas candidaturas do PS, do PSD e do CDS. Tal como sempre aconteceu.
Nada de novo.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

da Venezuela - a abrir Maio










Bonitas são as mulheres que lutam.





















Em Maio, que é um mês de luta(s), o momentos presta homenagem às mulheres venezuelanas que estão ao lado da revolução bolivariana.

segunda-feira, 18 de março de 2019

da mulher - "Os Porquês?", na SMTV

Madalena Pires (arquivo pessoal)


Para ver ou rever a edição número 20 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

da mulher, Todos os dias são dias

Foi para a antena no dia 13 de Março de 2019







terça-feira, 12 de março de 2019

Conceição Borges Coutinho - (11/08/1931- 02/03/2019)

Conceição Borges Coutinho (arquivo da família)





No passado dia 9 foi celebrada a missa de 7.º dia após o falecimento de Maria da Conceição Borges Coutinho.
No final da celebração da missa na Igreja Matriz de Capelas, teve lugar um momento para alguns testemunhos sobre a Maria da Conceição. Uma filha e uma neta deram conta daquilo que a mãe e avó representaram para si e para a família, ao que se seguiu o meu testemunho.
São essas palavras de evocação e homenagem à mulher militante e à mulher coragem que aqui publico.









Em memória de
Maria da Conceição Reis Frias de Morais Flores Borges Coutinho
11/08/1931 - 02/03/2019


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma

“O mar dos meus olhos”, assim se chama este poema de Sophia de Melo Breyner.
Escolhi este poema de mulher para dar início a esta evocação da Maria da Conceição, uma mulher que trazia o mar nos olhos e que fica connosco para além do seu tempo.
A Maria da Conceição era uma mulher de personalidade bem vincada, talvez, como diz a sua neta Joana, por ter nascido aqui, na costa norte, onde o vento sopra forte.

E se é verdade que o lugar onde nascemos e passamos os primeiros anos da nossa existência nos marca indelevelmente, não será menos rigoroso afirmar que as opções que fazemos ao longo da nossa vida são, assim, como a resultante de um somatório de variáveis, umas mais outras menos objetivas.
E a Maria da Conceição, fruto das suas vivências e da sua forma de encarar o Mundo escolheu, bem cedo, estar de um certo lado da vida conciliando a sua fé, ancorada na doutrina católica, com a ação política e partidária de quem lutava e luta pelos mais desfavorecidos, pelos que não têm voz, pelo seu povo, O povo do seu País.

Num dos poemas que Ary dos Santos, também ele um companheiro de luta, escreveu sobre as mulheres, diz-nos:

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E assim era Maria da Conceição, mulher-força, mulher-chama, mulher-asa, mulher-coragem, mas também mulher-linda, como lindas são as mulheres que lutam.

Coragem para lutar na clandestinidade ao lado do seu marido e de quem, como eles, se opunha à ditadura que oprimia, perseguia, prendia, torturava e assassinava.

Coragem para lutar, depois da alegria libertadora da Revolução de Abril, ao lado do seu marido e de quem, como eles, sofreu as represálias da contrarrevolução patrocinada pelos interesses de quem foi apeado do poder naquela madrugada de Abril.

Falar de uma mulher com a dimensão humana e política como a de Maria da Conceição não constitui uma tarefa fácil. Tudo o que eu possa dizer, É pouco. Pouco para que se entenda a mulher-militante, a mulher-coragem.

Assim, permitam-me, uma vez mais socorrer-me da poesia, neste caso, de Maria Teresa Horta, e do seu poema “Mulheres do meu País” para que esta celebração em memória da Maria da Conceição seja, também, uma homenagem a todas as mulheres.

Deu-nos Abril
o gesto e a palavra
fala de nós
por dentro da raiz
Mulheres
quebrámos as grandes barricadas
dizendo igualdade
a quem ouvir nos quis
e assim continuamos
de mãos dadas
o povo somos
mulheres do meu país

Tenho cá para mim que a Maria da Conceição iria gostar que um dia depois da celebração do Dia da Mulher e, face à brutal violência assassina que se tem abatido sobre as mulheres em Portugal, que este momento fosse, também, de evocação das mulheres do seu País.

A Maria da Conceição, como já referi, era católica. Essa condição não a impediu, bem pelo contrário foi essencial para as suas opções, de se comprometer com um certo lado da vida, o lado do vermelho coração.

Estou certo que Deus a sentou à sua esquerda.

Até sempre Maria da Conceição!

Aníbal C. Pires, Capelas, 09 de Março de 2019

sábado, 9 de março de 2019

do Carnaval e da Quaresma - "Os Porquês?, na SMTV

imagem retirada da internet





Para ver ou rever a edição número 19 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

do Carnaval e da Quaresma

Foi para a antena no dia 06 de Março de 2019














terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

não é mais uma, É uma livraria

imagem retirada da internet
Lá para a segunda quinzena de Março abre em Ponta Delgada uma nova livraria. Dirão os mais distraídos, Mais uma. Eu direi que não é apenas mais uma pois, espaços para os livros e para o encontro dos leitores com os autores, os editores e quem os divulga, nunca serão a mais.

A Letras Lavadas Livraria & Edições anuncia-se como um espaço multifacetado e situa-se no centro histórico da cidade de Ponta Delgada. Mas não é só, a nova livraria está ligada a uma chancela editorial, a “Letras Lavadas” e à “Nova Gráfica”. Quer a editora quer a gráfica são sinónimo de qualidade. Qualidade reconhecida a nível nacional.

Imagem retirada da internet

Sim, É a minha editora. Mas não é pelos afetos ou interesse material que deixo este registo. Faço-o tão-somente pelo reconhecimento do trabalho e afirmação de uma empresa regional no contexto nacional, mas também pelo devido respeito ao homem que tem sido o mentor deste projeto, o Senhor Ernesto Resendes.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 26 de Fevereiro de 2019

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O custo da impreparação - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires







Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 08 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui












O custo da impreparação

Miguel Sancho (foto retirada da internet)
Trago-lhe do novo a SATA, não pelo inquinado processo de alienação de 49% do capital social da Azores Airlines, nem pelo recente relatório da Comissão de Acompanhamento que nada relata que não fosse já do nosso conhecimento, mas por mais um daqueles erros que resultam da arrogância e autoritarismo de cidadãos impreparados para o exercício de cargos públicos e que, tendo o desfecho esperado, vai custar ao Grupo SATA, pelo menos, números redondos, 300 mil euros de indeminização a um trabalhador despedido indevidamente assim o disse, em última instância, o Supremo Tribunal de Justiça.
Disse pelo menos 300 mil euros pois, como é pressuposto todas as despesas processuais têm custo, e que, face ao tempo, aos recursos e demais trâmites, ao valor da indeminização ao piloto comandante devem ser adicionados mais alguns milhares de euros pelas custas judiciais e outras.
A forma como a SATA conduziu o processo de suspensão e despedimento do Comandante Miguel Sancho com base na interpelação de que foi alvo, dentro da aeronave que comandava, por um ex-administrador da SATA e que depois teve, por parte, do piloto comandante um comentário numa rede social, sem que ali tivesse referenciado quer a empresa quer o nome do então administrador, conforma um ato de persecução ao trabalhador.
E disso se tratou. Digamos que o Comandante Miguel Sancho ficou com o destino traçado na sequência do seu depoimento na Comissão de Inquérito do Grupo SATA. Houve quem não tenha gostado do que ouviu da boca do piloto comandante.
Certamente que se lembra e, assim sendo, julgo não ser necessário fazer nenhuma descrição dos factos. O que releva é mesmo a decisão que levou ao despedimento do Comandante Miguel Sancho e, sobretudo, quem tomou a decisão e quem lhe deu o aval.
E se as responsabilidades terão de ser assacadas ao Conselho de Administração da altura, devem-no ser, em particular, ao Presidente do Conselho de Administração, Dr. Luis Parreirão, e ao administrador que protagonizou o a interpelação ao piloto comandante dentro da aeronave, ou seja, o Eng. Francisco Gil, atualmente administrador da NAV.

Francisco Gil (foto retirada da internet)
Não sabia. Pois é, Ele há vidas assim.
Os mais de 300 mil euros que a SATA vai ter de pagar ao Comandante Miguel Sancho deveriam ser financiados pelos decisores e protagonistas de mais este triste caso de má gestão no Grupo SATA. Mas não será assim. O custo dos desmandos e da impreparação de quem, à época, estava à frente dos destinos do Grupo SATA vão engrossar a dívida desta empresa pública. E com isto pagamos todos nós, com juros. Pois está claro.
Gostava, mas gostava mesmo, de poder falar consigo da SATA sobre outras razões que não estas que evidenciam a má gestão e que, como deve calcular, afetam toda a estrutura organizacional das empresas do grupo e acabam por se refletir na qualidade do serviço prestado.
Gostava, mas não tem sido possível nem se configura no horizonte próximo que isso venha a acontecer. Mas acredito que é possível. É possível que um dia a SATA possa voltar a ser notícia pela qualidade do serviço e por canalizar fluxos financeiros para a Região. Nada que não tivesse já sido a imagem na Região, no País e no Mundo, não muito distante no tempo pretérito, deste Grupo empresarial público.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Dezembro de 2018

sábado, 9 de fevereiro de 2019

O novo afinal é velho - crónicas radiofónicas

imagem retirada da internet



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 24 de Novembro de 2018 e pode ser ouvida aqui







O novo afinal é velho


Imagem retirada da internet
Estamos mais ou menos habituados à consonância de posições do PSD Açores com o Professor Mário Fortuna, salvo uma ou outra vez em que o anterior líder do PSD Açores, e, ao que se diz por aí, mentor do atual, teve de vir a terreiro esclarecer as diferenças de posição entre o representante dos empresários açorianos e a posição do PSD, ou a sua, vá-se lá saber.
Mas desta vez a harmonia no discurso é perfeita, pelo menos no que diz respeito à solução proposta pela Câmara do Comércio, pela voz de Mário Fortuna, e à sua subscrição acrítica por Alexandre Gaudêncio.
Pois é. O PSD Açores, ou pelo menos o seu líder, considera, ao contrário do que sempre foi afirmado pelo seu partido, alienação de menos de metade do seu capital social, que a solução para a SATA afinal passa pela privatização da maioria do capital público da Azores Airlines, pelo menos 51% e pela alienação de 49% da Sata Air Açores.

Foto by Aníbal C. Pires
Se a posição expressa por Mário Fortuna não me causa nenhuma perplexidade, afinal o Professor é um fiel devoto do mercado e, um mentor e difusor da teologia que lhe está subjacente, já a posição de Alexandre Gaudêncio ao assumir como compromisso a proposta de Mário Fortuna demonstrou, por um lado, falta de maturidade política, o que pode ser explicado pela idade, mas por outro um desconhecimento da realidade regional e da importância da SATA para os Açores e para os açorianos, o que é, em minha opinião, grave, muito grave, para alguém que lidera um partido que se assume como alternância, não como alternativa, ao PS.
Julgo que Alexandre Gaudêncio já terá percebido que as suas afirmações não lhe mereceram os apoios esperados, aliás este discurso da privatização da SATA, em particular da SATA Air Açores não colhe apoios significativos em nenhuma das ilhas, nem mesmo em S. Miguel.
Julgo até que o atual líder do PSD Açores está neste momento a desdobrar-se em explicações e justificações para apaziguar as suas hostes um pouco por toda a Região.
Bem, mas este é um problema que o PSD e o seu líder resolverão e, não me custa a crer que numa próxima oportunidade, Alexandre Gaudêncio venha emendar a mão e recuar para a antiga posição do PSD Açores. Se por acaso assim não acontecer, então estamos perante um adepto da doutrina neoliberal, o que é o mesmo que dizer que o novo afinal, é velho, mais velho ainda que o seu antecessor.
Mas mais importante que o PSD, são os Açores que para o melhor e para o pior têm 9 ilhas pulverizadas numa vasta área oceânica e que necessitam de uma transportadora aérea pública para assegurar as ligações aéreas internas e externas, seja com o continente português, seja com a diáspora, mesmo sabendo que parte das ligações com o exterior é também assegurada por outras transportadoras aéreas, algumas delas privadas. O que não podemos deixar que nos aconteça é ficarmos dependentes de outros. Quer queiramos, quer não, a SATA é um património autonómico que como qualquer outro do adquirido autonómico deve ser salvaguardado.
Se isto é sinónimo de que tudo, no Grupo SATA, deve ficar como está, Não. Aliás não pode ficar como está sob pena de um destes dias ser irrecuperável.
Se a solução para as maleitas da SATA é a sua privatização, seja em que percentagem for, Não.
A solução passa por uma alteração profunda do seu modelo organizacional, pela redução da despesa com atividades que não têm uma função operacional, pela identificação e eliminação de poderes internos e externos que contrariam qualquer tentativa de gestão comercial bem sucedida, mas passa, sobretudo, e no imediato pela necessidade urgente de a recapitalizar. Coisa que não é possível através da sua privatização. Basta ver o caderno de encargos do concurso recentemente anulado para perceber que a privatização não tem, nem nunca teve, como objetivo a sua capitalização.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 24 de Novembro de 2018

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Rhiannon Giddens - a abrir Fevereiro

foto retirada da internet




Rhiannon Giddens é uma cantora e instrumentista estado-unidense que descobri em 2018.







foto retirada da internet
Rhiannon Giddens é fruto da miscigenação (os seus ancestrais são europeus, africanos e nativos americanos). A sua música carrega essa herança e, é bom ouvi-la.

Ficam estas sugestões musicais aqui, aqui e aqui.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Um olhar sobre as eleições nos EUA - crónicas radiofónicas

Imagem retirada da Internet


Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 10 de Novembro de 2018 e pode ser ouvida aqui




Um olhar sobre as eleições nos EUA

Imagem retirada da Internet
As eleições para a Câmara dos Representantes e para o Senado dos Estados Unidos, ainda que com resultados diferentes, constituem-se como um revés para Donald Trump e colocam em causa a concretização de algumas medidas políticas da atual administração federal contestadas interna e externamente.
As análises das publicações alinhadas com o mainstream oscilam, entre a derrota de tudo o que Donald Trump representa e, os perigos que estes resultados eleitorais podem configurar para a economia estado-unidense.
Estas análises variam consoante o alinhamento, ou não, com Donald Trump. Por outro lado, se é certo que os Democratas ganharam a Câmara dos Representantes, os Republicanos detêm a maioria no Senado o que significa que, nem Donald Trump tem razão quando afirma que o seu partido obteve um enorme sucesso, nem os Democratas poderão afirmar que tudo lhes correu de feição. Uma coisa é certa nestas eleições verificou-se uma tendência, evidenciada nos resultados, de reprovação às políticas da atual administração Trump, num quadro de aumento da participação eleitoral, mas também a chegada à Câmara dos Representantes de duas candidatas dos Democratas Socialistas da América, o que deixou o Partido Democrata algo incomodado, embora estas candidaturas tivessem a sua chancela.
Mas estas eleições nos Estados Unidos têm outros aspetos, na minha opinião, bem mais interessantes. Um número recorde de jovens e mulheres foram eleitos, sendo que pela primeira vez foram eleitas duas mulheres nativas e duas mulheres muçulmanas, também os mais jovens eleitos, para a Câmara dos Representantes, são mulheres.
Mas se estes aspetos são importantes e significam que alguns segmentos dos eleitores estado-unidenses estão alinhados com valores e princípios que os coloca nas antípodas do pensamento e ação política do Presidente Donald Trump, e, seguramente, à esquerda do Partido Democrata. A novidade é mesmo a eleição de membros dos Democratas Socialistas da América aspeto que traduz, digo eu, o descontentamento, de um crescente segmento do eleitorado estado-unidense, face à falência do capitalismo, mas também ao conservadorismo do Partido Democrata.


Imagem retirada da Internet
As candidaturas dos membros dos Democratas Socialistas da América foram legitimadas no interior do Partido Democrata, facto que causou e causa algum incómodo entre os Democratas instalados e alinhados com o sistema. Alexandria Ocasio-Cortez é o rosto que maior visibilidade dá aos Democratas Socialistas da América e foi eleita para a Câmara dos Representantes, por um dos distritos eleitorais de Nova Iorque. Mas também pelo Michigan uma outra candidata dos Democratas Socialistas da América conseguiu a sua eleição.
Também ao nível estadual e local os Democratas Socialistas da América têm vindo a eleger vários candidatos, derrotando alguns dos tradicionais e esperados vencedores.
A candidatura de Bernie Sanders às primárias presidenciais de 2016, terá potenciado o crescimento do movimento político dos Democratas Socialistas da América, de 7 mil em 2016 para os atuais 44 mil. Um outro aspeto interessante é a crescente simpatia entre os mais novos, pelo socialismo, ainda que, e para que não haja confusões, o conceito de socialismo seja aqui algo difuso, contudo não deixa de ser interessante que no intervalo dos 18 aos 29 anos, mais de 50% prefira o socialismo ao capitalismo, segundo uma pesquisa realizada em 2017 nos Estados Unidos.
Tenho consciência de que neste sábado tinha preferido um outro tema, mas a importância das eleições nos Estados Unidos e estes sinais de repúdio pela política seguida pela atual administração presidida por Donald Trump não me deixaram outra opção.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 10 de Novembro de 2018

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Até já*

Do arquivo pessoal
Tudo na vida tem um tempo e, este é o tempo de fazer uma pausa na publicação de textos de opinião e crónicas que tenho mantido neste espaço.
Fica em aberto, sem data anunciada, um eventual regresso pois não vou deixar de pensar e refletir, não vou deixar de ter opinião. Trata-se, tão-somente, de um interregno na publicação de textos na imprensa regional. Eu e, quiçá, os leitores estamos a necessitar de um afastamento crítico.
Ficam os meus agradecimentos ao público que acompanhou esta coluna e pelo qual nutro o maior respeito, Obrigado.
Obrigado pela leitura, mas também pelo retorno crítico e que se mostrou essencial para a diversidade dos assuntos sobre os quais escrevi e, sobretudo, por alguma evolução na forma como escrevo, se é que isso se verificou. Julgo que sim, mas não me cabe a mim fazer juízo em causa própria. Ao longo destes anos fui procurando melhorar a comunicação, tornando, pelo menos tentei, a forma de escrever mais apelativa sem aligeirar os conteúdos.
Segue-se um outro tempo que pretendo seja, um tempo apenas meu, ou pelo menos que me sobeje algum tempo. Sim, que me reste tempo pois, como sabem, o tempo nunca é inteiramente nosso e, por outro lado, ainda tenho por aí alguns compromissos públicos que vou manter e honrar por mais algum tempo. 
Não há outra razão, para além da que ficou expressa, para este afastamento por tempo indeterminado. O tempo que se segue será dedicado à concretização de alguns projetos pessoais e irei dando conta da sua realização no meu blogue pessoal.
Quero, também, agradecer o acolhimento que me foi dispensado pelos responsáveis deste prestigiado título da imprensa regional, bem assim como a disponibilidade, que já me foi transmitida, para de novo me receberem quando chegar o tempo de retornar ao vosso convívio. Não é, como já tinha sido afirmado, uma despedida. Voltarei.
Então, Até já.

Ponta Delgada, 22 de Janeiro de 2019

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, Azores Digital e Açores 9, 23 de Janeiro e 2019

* Por decisão exclusivamente minha suspendi, por tempo indeterminado, as colunas de opinião que mantinha semanalmente no Diário Insular, no Azores Digital e no Açores 9. Este foi o texto em que anunciei a decisão e que foi publicado nos respetivos títulos da comunicação social regional.
Vou manter a colaboração na rádio 105.FM e na SMTV.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Açores e Santa Catarina: aproximações literárias.- crónicas radiofónicas




Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM







Esta crónica foi para a antena a 20 de Outubro de 2018 e pode ser ouvida aqui




Açores e Santa Catarina: aproximações literárias.

Sob a égide do Secretário Regional Adjunto para as Relações Externas e no âmbito do Ano Europeu do Património Cultural e das Comemorações dos 270 anos da chegada dos Casais Açorianos a Santa Catarina, Sul do Brasil, realiza-se hoje, pelas 18 horas, no Centro Cultural da Caloura, uma conversa à volta das letras sob o tema genérico, Açores e Santa Catarina: aproximações literárias.
Para esta conversa juntam-se duas personalidades que, só por si, são uma garantia de um final de tarde que perspetivo agradável e recheado de pontos e pontes que unem culturalmente o que a vastidão oceânica separa fisicamente, mas que o engenho e arte dos homens teima em aproximar.
Vamberto Freitas e Lélia Nunes são os protagonistas desta conversa à volta das aproximações literárias entre os Açores e Santa Catarina que, tenho como seguro, cada um a seu modo nos brindará com abordagens sobre, não só a contextualização histórica da chegada dos casais açorianos a Santa Catarina, mas também sobre a produção literária que daí decorreu e decorre pois, as questões diaspóricas e culturais são uma fonte inesgotável do imaginário subjacente à produção literária e, naturalmente, ao estudo das migrações.

Créditos - Teresa Viveiros
Há na realização deste encontro literário um outro aspeto que não posso deixar de salientar e que se relaciona com o local escolhido para a sua realização. O encontro realiza-se na Caloura, concelho da Lagoa, ou seja, fora dos núcleos urbanos onde, por norma, se concentram as iniciativas culturais. O Centro Cultural da Caloura contribui para descentralização do acesso aos bens culturais e a opção do promotor deste encontro literário por esta infraestrutura só pode merecer um registo positivo.
O Centro Cultural da Caloura está inserido num amplo espaço verde onde ponteiam antigos muros de pedra solta cuja função se destinava à proteção dos vinhedos. A estrutura edificada integra-se de forma harmoniosa neste ambiente rústico e os visitantes podem fruir deste espaço bucólico, mas também de uma exposição permanente onde se encontram representados vários artistas plásticos de projeção nacional e internacional. O edifício e os espaços envolventes são multifuncionais permitindo a realização de exposições de artes e temáticas diversas, palestras, colóquios. Enfim permite que ali se possam realizar uma panóplia de atividades culturais.
A harmonia e a quietude transformam as visitas ao Centro Cultural da Caloura numa experiência única. Apareça esta tarde, também por lá vou estar e será um prazer encontrar-me consigo.
Se não puder ir hoje ao encontro literário não deixe, numa próxima oportunidade, de conhecer este espaço ao qual está intimamente ligado um vulto das artes, o professor Tomaz Borba Vieira, que logo à tarde será o anfitrião deste encontro literário.
E mais não lhe direi, mas espero ter-lhe despertado o interesse para que logo, pelas 18 horas, vá ao encontro literário que tem na sua génese a epopeia dos casais açorianos que, a partir do século XVII, iniciaram o povoamento do Sul do Brasil.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 20 de Outubro de 2018

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Monica Bellucci - a abrir Janeiro





A Monica não é uma novidade no momentos, Eu sei. Mas por mais que procure não encontro ninguém mais apropriado para dar as boas vindas a 2019.












Tenham um excelente mês ano de 2019.








Apenas literatura - crónicas radiofónicas

Foto by Madalena Pires




Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 13 de Outubro de 2018 e pode ser ouvida aqui








Apenas literatura

Em Novembro, S. Miguel, a ilha, vai ser um arquipélago, Um arquipélago de escritores.
Açores, Arquipélago de Escritores. Esta é a feliz designação para um encontro literário que sendo realizado nos Açores e contando com a participação de muitos autores açorianos, aqui residentes ou não, pretende ser mais, muito mais, do que um olhar sobre a geografia literária açoriana e conta com a participação de escritores nacionais e estrangeiros de referência.
O Arquipélago de Escritores vai acontecer de 15 a 18 de Novembro.
Estamos a pouco mais de um mês da sua realização e esta nota permite-lhe, não só ter conhecimento deste encontro, mas também dar-lhe tempo e oportunidade para se agendar e assim poder participar nas inúmeras atividades que estão programadas para estes dias onde os Açores serão um ponto de encontro da literatura. Literatura, assim, sem mais atributos, apenas literatura.
As realizações deste tipo de eventos nunca estarão a contento de todos, desde logo porque quem organiza define critérios e uma matriz unificadora para o espaço e tempo disponíveis, e, naturalmente, as opiniões são díspares. Mas também porque a difusão da literatura e a promoção da leitura não podem confinar-se a espaços formais e a um público que funciona como um circuito fechado e, naturalmente, há quem assim não pense.
Por outro lado, é indispensável ganhar e formar novos públicos, logo para os conquistar há necessidade de diversificar estratégias que nem sempre são do agrado de todos, mas o desagrado e as críticas passam também pela ausência de alguns nomes consagrados na lista dos escritores convidados.
Críticas que terão, não as coloco em causa, toda a legitimidade. Outros fossem os critérios e outros fossem os promotores e, certamente, outros seriam os convidados e outra seria a matriz do encontro.
Não colocando em causa nem os critérios nem os reparos, julgo que este Arquipélago de Escritores não se vai esgotar com esta edição, assim, de momento, importa valorizar e divulgar esta iniciativa cultural que terá os Açores como ponto de encontro da literatura. Depois da sua realização será tempo de proceder à avaliação e aguardar pela renovação anual deste encontro literário.

O Arquipélago de Escritores vai juntar cerca de duas dezenas de autores de referência, portugueses e internacionais, e terá como homenageado o poeta Emanuel Jorge Botelho.
Para aceder à informação completa sobre a primeira edição do Encontro Literário – Arquipélago de Escritores, pode consultar o sítio da internet que lhe está dedicado e que facilmente poderá encontrar utilizando como termos da pesquisa a própria designação deste evento.
Vá ver e surpreenda-se com variedade das atividades propostas e dos espaços que ocupam.

Procure aqui







Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 13 de Outubro de 2018

sábado, 22 de dezembro de 2018

A República no “LavaJazz” - crónicas radiofónicas

Créditos "LavaJazz"



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 06 de Outubro de 2018 e pode ser ouvida aqui






A República no “LavaJazz”

Foto by Madalena Pires
Ontem foi dia de um feriado reconquistado depois de 2015, ou seja, depois da coligação de direita que desgovernou o país ter sido apeada do poder após a realização das eleições legislativas de 2015.
Pode não dar muita importância ao facto de a coligação de direita ter acabado com alguns feriados nacionais, mas é bom lembrar que eles foram extintos em nome da recuperação económica, da redução da dívida e do défice. Este argumento que para tudo serviu, foi sendo aceite como inevitável para o país se redimir dos excessos cometidos.
Claro que quem cometeu os excessos não pagou e quem não tinha como se exceder suportou todos os custos. Custos de uma política que não resolveu nenhum dos problemas que a justificavam.
Recuperaram-se os feriados, recuperaram-se rendimentos, aliviou-se a carga fiscal e o resultado foi o crescimento económico, o aumento do emprego, a diminuição do défice e a estabilização da dívida pública que, se tivesse sido renegociada nos seus montantes, prazos e juros, teria diminuído para valores, digamos, aceitáveis.
Mas não é sobre a governação do país nem dos governos do passado e do presente que versa esta nossa conversa semanal.
Ontem, como sabe, comemorou-se o aniversário da implantação da República. A data foi assinalada oficialmente. Mas a passagem do 108.º aniversário da República foi marcada, um pouco por todo o país, por diversas iniciativas promovidas por quem tem memória e considera que a história não pode ser esquecida, sob pena de nos perdermos no limbo do igualitarismo uniformador dos costumes e do pensamento, e é sobre uma dessas iniciativas, que decorreu em Ponta Delgada que gostaria de lhe falar.
No contexto da programação cultural, para além da música, de um espaço de encontro da noite de Ponta Delgada, o LavaJazz, realizou-se ontem uma tertúlia no âmbito do “Comer com Letras”. Acontece às primeiras sextas-feiras de cada mês e é coordenado pela Dra. Amélia Sophia.
Ontem o tema, como não poderia deixar de ser, centrou-se na Revolução de 5 de Outubro de 1910 e nas transformações que lhe foram subsequentes. As razões que lhe estiveram na origem, as contradições e a instabilidade que levaram à implantação do Estado Novo e à ditadura fascista que só teve fim numa madrugada de Primavera onde despontaram cravos vermelhos e uma contagiante alegria espelhada no rosto de um povo amordaçado e manietado por um regime déspota. As implicações nos anseios autonomistas, a luta das mulheres pela conquista de direitos cívicos e de igualdade na diferença, mas também poesia. A República foi apenas o mote para a noite de tertúlia, “Comer com Letras”.

Foto by Madalena Pires
Por razões incontornáveis aconteceram algumas alterações ao que inicialmente estava programado e, mesmo o que era possível manter como previsto foi subvertido pelos convidados. Não me cabe a mim, que acabei por ser um dos intervenientes, avaliar se o desalinhamento resultou a favor de quem esteve no LavaJazz até um pouco depois das 22h.
Eu cá por mim saí de lá satisfeito por ter tido oportunidade de partilhar parte do serão do feriado de 5 de Outubro com o Dr. Pedro Gomes, a Dra. Amélia Sophia, com a Dra. Nélia Guimarães e com todos quantos, neste caso e em bom rigor deveria dizer, todas, não por ficar bem ou dar a primazia às mulheres mas porque o público era quase exclusivamente feminino.
Não posso deixar de louvar o LavaJazz pela forma como se tem diferenciado e afirmado na noite de Ponta Delgada, quer pela excelência dos seus músicos residentes, quer pela programação cultural que com uma coragem admirável tem vindo a assumir.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 06 de Outubro de 2018