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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

José Saramago sobre as privatizações

Foto retirada da internet
É conhecido de forma generalizada um texto de José Saramago, ou pelo menos uma parte dele, sobre a febre privatizadora que fez e faz a agenda neoliberal.
Fica aqui a sua transcrição integral.

“Regressados de uma viagem à Argentina e Bolívia, os meus cunhados María e Javier trazem-me o jornal Clarín de 30 de Agosto. Aí vem a notícia de que vai ser apresentada ao Parlamento peruano uma nova lei de turismo que contempla a possibilidade de entregar a exploração de zonas arqueológicas importantes, como Machu Picchu e a cidadela pré-incaica de Chan-Chan, a empresas privadas, mediante concurso internacional.

Clarin chama a isto “la loca carrera privatista de Fujimori”. O autor da proposta de lei é um tal Ricardo Marcenaro, presidente da Comissão de Turismo e Telecomunicações e Infra-Estrutura do Congresso peruano, que alega o seguinte, sem precisar da tradução: “En vista de que el Estado no ha administrado bien nuestras zonas arqueológicas – qué pasaría si las otorgaramos a empresas especializadas en otros países con gran efectividad?

A mim parece-me bem. Privatize-se Machu Picchu, privatize-se Chan Chan, privatize-se a Capela Sistina, privatize-se o Pártenon, privatize-se o Nuno Gonçalves, privatize-se a Catedral de Chartres, privatize-se o Descimento da Cruz, de Antonio da Crestalcore, privatize-se o Pórtico da Glória de Santiago de Compostela, privatize-se a Cordilheira dos Andes, privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.”

Cadernos de Lanzarote – Diário III, págs. 147 e 148, José Saramago

sábado, 11 de junho de 2011

Democracia amputada



Em pouco mais de 1mn José Saramago caracteriza a qualidade da "nossa" democracia. Boa Tarde!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

O texto do Voto de Pesar

Ontem, 13 de Julho de 2010, foi aprovado por unanimidade, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), um voto de pesar pela morte de José Saramago.
Em post anterior justifiquei os motivos da recusa à divulgação do texto que insistentemente me foi solicitado após o lamentável episódio verificado no passado dia 18 de Junho pp.
Fica aqui a transcrição do texto aprovado ontem e que não tinha merecido a subscrição do PPM, do CDS/PP e do PSD, não tendo sido apresentado e aprovado no dia em que se verificou o falecimento de José Saramago porque o PSD vetou o seu agendamento.

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DA

REGIÃO AUTÓNOMA DOS AÇORES

VOTO DE PESAR

Os portugueses e o mundo foram surpreendidos com o falecimento, na sua residência, na ilha de Lanzarote, do escritor José Saramago, aos oitenta e sete anos de idade.

José Saramago constitui-se como um dos grandes vultos das letras nacionais, vendo a sua obra reconhecida com o Prémio Nobel da Literatura no ano de 1998, uma consagração que premeia não só o mérito dos seus livros, bem como é um reconhecimento da importância e valor da língua portuguesa, entre as grandes línguas literárias mundiais.

A sua obra abordou as diversas facetas e vivências da história do povo português, mas também os paradoxos e exaltações intrínsecos à condição humana, universalmente compreendida. Também neste sentido, José Saramago encarnou os mais elevados valores do humanismo e da incansável defesa da dignidade humana.

No seu percurso, que passou também pelo jornalismo, José Saramago foi sempre um lutador empenhado pela liberdade e pelos valores da democracia, da justiça e da igualdade. Foi militante do PCP desde longa data. Exerceu diversos cargos políticos, mantendo uma intensa e rica participação cidadã.

José Saramago nunca deixou de problematizar a realidade à sua volta, criou polémicas, enfrentou críticas, confrontou poderes e concepções instituídas, ancorado na solidez dos valores humanos que defendia, nunca lhe faltou a coragem para denunciar a injustiça, para combater a opressão, para defender a liberdade. Pagou o preço das suas convicções, mas nunca virou costas ao país que era o seu, mantendo-se, até aos seus últimos instantes, um atento observador e participante da realidade nacional e internacional. Sobretudo, a sua obra lega-nos um manifesto intemporal de paixão pela vida, pela justiça e pela dignidade humanas, que devemos saber honrar e que tão bem expresso está nas suas próprias palavras:


Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago In Poemas Possíveis

Assim, ao abrigo das disposições regimentais aplicáveis, os Deputados abaixo assinados apresentam o seguinte voto de pesar:

A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores manifesta o seu profundo pesar pelo falecimento do escritor José Saramago, vulto maior da cultura portuguesa, que muito fez para difundir a língua e a vivência de Portugal e do seu povo, em cuja obra transparecem os elevados valores humanistas que sempre defendeu e pelos quais sempre pautou a sua conduta artística e cívica. A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores expressa ainda as suas sentidas condolências à família do grande Escritor.

13 de Julho de 2010

Os Deputados

Aníbal Pires (PCP)

Helder Silva (PS)

Zuraida Soares (BE)

Como puderam verificar o texto está construído de forma a que pudesse reunir o apoio e subscrição de todos os partidos com assento parlamentar, aliás se o texto fosse para ser apenas subscrito e proposto pelo PCP Açores, como é fácil de perceber teria uma outra abordagem mais assertiva e enfática a alguns aspectos que caracterizaram esta figura ímpar do nosso tempo.

Digam-me, por favor, o que contém o texto que justifique a não subscrição pelo PPM, pelo CDS/PP e pelo PSD uma vez que ontem o voto foi aprovado por unanimidade e sem reservas.

Digam-me, por favor, o que pode justificar o veto do PSD ao seu agendamento no passado dia 18 de Junho privando, assim a ALRAA de aprovar o voto de pesar pelo falecimento do Nobel da Literatura passadas que eram cerca de 2 horas da sua morte.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Bagagem do Viajante

Esta é uma pequena e despretensiosa homenagem mas que o “momentos “ não poderia deixar de fazer.

É um tributo ao Homem, ao militante, ao português que soube dar dimensão Universal à língua portuguesa, ainda que segundo alguns entendidos, para isso a tivesse subvertido mas, pergunto eu, De que outra forma, senão pela subversão, poderia este rebelde fazê-lo sem ser subvertendo a forma e os cânones?
Sobre José Saramago não preciso acrescentar nada.
Siga-se o seu exemplo de integridade e de rebeldia sempre com “(…)uma confiança danada no futuro e é para ele que as minhas mãos se estendem. (…)



A origem deste slideshow foi uma pequena experiência em “power point” feita em 2000 à qual, com a preciosa colaboração do João Moreira, o pai da M., lhe sobrepus posteriormente o tema musical “Noturno 2”, de Pedro Estevan, em “El aroma del tiempo”.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Hasta Siempre Camarada

Estou em Plenário da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, soube da morte de José Saramago, em devida altura farei a homenagem ao homem, ao intelectual, ao militante. Hoje "roubei" à Maria, do blogue O Cheiro da Ilha uma foto e um poema com que ela homenageia José Saramago.


Não me Peçam Razões...



Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.


Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.


Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"