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segunda-feira, 27 de maio de 2019

A voz! Voz de quem!?






André Bradford foi eleito sem votos dos açorianos, ou seja, os 17 494 votos dos eleitores dos Açores na candidatura do PS, nenhum deles, foi necessário para a sua eleição, nem sequer para a eleição do último dos eleitos da candidatura do PS.



Não, não é verdade.
André Bradford não vai ser a voz de todos os açorianos no Parlamento Europeu.

Não, não é por ser o André Bradford.
É por ser o PS.




André Bradford, à semelhança dos deputados eleitos na candidatura do PS vai ser a voz submissa, mais uma, ao diretório político dominado pela oligarquia financeira que influencia as decisões na União Europeia.
Tal como todos os deputados portugueses eleitos pelas candidaturas do PS, do PSD e do CDS. Tal como sempre aconteceu.
Nada de novo.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Diferenciar

O alargamento da União Europeia veio acentuar a continentalização desta formação social, económica e política e, a afetar, naturalmente, estratégias, recursos e políticas para a plena integração dos novos membros.
Com esta nova realidade geopolítica decorrente do alargamento da União Europeia, as regiões periféricas e ultraperiféricas da União Europeia tornaram-se, ainda, mais distantes e os seus “handicaps” permanentes ganharam uma nova dimensão. Dimensão que urge, não por políticas comuns concebidas para espaços territoriais contínuos, mercados e economias de escala mas, por políticas diferenciadas que tenham em devida conta a diversidade e especificidade geográfica, social e económica de cada uma dessas regiões.
A ultraperificidade dos Açores advém-lhe não só do afastamento dos continentes, em particular do europeu ao qual geográfica, económica e politicamente está ligado, mas, também, pela perda de importância que gradualmente a sua centralidade foi perdendo, quer como entreposto comercial, quer como eixo de navegação marítima e aérea, quer, ainda, como suporte e base de apoio logístico aos objetivos de defesa da NATO e em particular dos Estados Unidos da América que, ainda, mantêm uma base aérea nas Lajes, Ilha Terceira.
Mas a ultraperificidade dos Açores resulta fundamentalmente do afastamento dos centros decisórios, do posicionamento de Portugal no sistema económico mundial, de uma economia pouco diversificada e, desde sempre, dependente e fortemente influenciada pelas conjunturas nacionais e internacionais.
A adesão de Portugal, em 1986, à então CEE colocou, no entanto algumas questões e dificuldades acrescidas à economia regional açoriana que se ancorava e assim continua, apesar da emergência de outros sectores de atividade como é o exemplo o sector turístico, no sector produtivo tradicional – a agricultura e as pescas.
Dificuldades que se fundam nos seus “handicaps” permanentes que resultam do afastamento ao continente europeu, da sua dispersão geográfica e descontinuidade territorial, intrínsecas à sua condição insular e arquipelágica, mas dificuldades que redundaram do facto da sua base económica produtiva e geradora da riqueza regional serem sectores com produções excedentárias e/ou altamente competitivas no espaço continental europeu.
Obstáculos, à convergência social e económica, que se mantêm e se aprofundaram com a aplicação das políticas comuns, agrícola e de pescas, e cujos efeitos mais visíveis são o estrangulamento à produção de leite e, mais recentemente a decisão de liberalização deste mercado, a perda de soberania na gestão da Zona Económica Exclusiva e outras medidas que põem em risco a sobrevivência e viabilidade das agroindústrias ligadas ao açúcar e ao tabaco. Obstáculos que nem os programas e instrumentos específicos para as Regiões Ultraperiféricas (os POSEI) nem a consagração no Tratado de Amesterdão (ponto 2 do Art.º 299) do Estatuto das Regiões Ultraperiféricas colmataram.
Pode até reconhecer-se que, quer os POSEI, quer a consagração, no acervo comunitário, do Estatuto de Região Ultraperiférica foram um importante contributo e traduziram-se em apoios e programas positivos mas, não se pode ignorar que as especificidades geográficas e económicas destas regiões necessitam que as políticas comunitárias para a ultraperiferia se aprofundem e, sobretudo se diferenciem na sua aplicação, como diferentes são os contextos geográficos, económicos e sociais de cada uma das Regiões Ultraperiféricas.
Ponta Delgada, 09 de Março de 2014

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário et Azores Digital, 10 de Março de 2014