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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Correção à publicação "Açores destino de aventura"

Foto by Aníbal C. Pires (Aeroporto de PDL, 2016)
Este texto tem por objetivo fazer algumas correções factuais à publicação que tem por título, Açores destino de aventura, segundo informação recebida através de um comentário, já publicado e disponível neste blogue. Informação que me merece toda a credibilidade e como tal assumo as presentes correções que assinalo a vermelho na transcrição do que aqui deixo da publicação a que me refiro. Antes do texto transcrevo a comentário que foi feito  

"Rui Medeiros deixou um novo comentário na sua mensagem "Açores destino de aventura": 

Está mal informado. Os passageiros tinham um voo LIS-HOR no sábado à tarde que cancelou. Só foram reacomodados num voo alugado para a Terceira no dia seguinte e foram feitas ligações extra TER-HOR pela SATA Air Açores. Acontece que a intenção dos passageiros era apanhar o barco para o Pico mas só chegaram ao Faial no domingo depois de já terem terminado as carreiras regulares dos barcos. A SATA, não tinha qualquer obrigação após os ter deixado no destino contratado, no Faial, mas ainda assim envolveu-se e resolveu o problema das pessoas. 

Esquecem-se todos que estamos em pleno pico de verão e não há vagas em hotéis, não há frota excedentária e não é só estalar os dedos e há mais uma cama ou mais um avião ou mais trabalhadores para manterem os serviços disponíveis até ás tantas e voltar ao serviço às 8 do dia seguinte como se não se tivesse acontecido nada.

A solução para as irregularidades não pode ser ter um avião, um barco, um hotel, 10 funcionários parados, à espera do dia em que, por algum motivo, o avião não vem. São Pedro não quer saber se agora nos auto-proclamamos destino da moda, os nevoeiros, os ventos e a chuva vão continuar por aqui e os aviões não vão aterrar. É verdade que há coisas a melhorar e que estamos perante uma fase de irregularidades a mais nas ligações com os Açores, mas o chorrilho de críticas só por criticar também já cansa. 

P.S. Este desabafo vem na sequência de toda a contra-informação que tem vindo a aparecer sobre o assunto e não apenas o seu artigo."

Agora a transcrição da publicação devidamente corrigida.

Li por aí algures que um grupo de visitantes, também designados por turistas, terão mostrado o seu desagrado por algumas alterações na programação prevista no seu plano de férias. E foi logo à chegada. Vamos lá ver como corre a estadia. Desejo que a meteorologia seja favorável às suas pretensões e expetativas, bem assim como todos os outros serviços que contrataram, ou que venham a contratar.
O voo que seria direto, Não foi e acabaram por ter de passar em mais uma ilha até chegar ao destino final, sendo que a última parte da viagem foi feita, de semirrígido, já durante a noite.
Os agentes de viagens deviam acrescentar uma cláusula ao contrato que fazem com os seus clientes, que visitam os Açores, e que os proteja de eventuais reclamações. Uma cláusula de salvaguarda que preveja o aumento do valor do contrato sempre que se verifiquem situações semelhantes à que foi descrita, afinal, a experiência foi muito para além da expetativa inicial, que seria apenas um voo sem estória num A320 entre a capital e o Faial, o que já não seria mau se o Pico estivesse descoberto. Mas não, foi muito mais do que isso, o voo foi cancelado e os passageiros reacomodados num voo ACMI, não para o Faial, mas sim para a Terceira, isto no dia seguinte. Da Terceira, e com recurso a voos extraordinários os passageiros foram transportados em 2 voos para Horta, que era o seu destino. A travessia da Horta para a Madalena estava prevista para os passageiros que tinham como destino final o Pico. À chegada ao Faial, estranhamente, os visitantes não tinham à sua espera, como é habitual, um barco da Atlântico Line, e foram transportados num semirrígido. Como a lotação da embarcação era reduzida foram necessárias várias viagens para transportar os visitantes que se queixaram, de entre outras coisas, da falta de coletes de salvação. Estas viagens realizaram-se já na madrugada do dia seguinte, ao da chegada aos Açores. Os Açores são um destino de aventura, pois bem esta foi uma aventura extraprograma, sem custos adicionais para os clientes.
Claro que este último e enorme parágrafo tem alguma ironia à mistura. Se o cancelamento de um voo, ou a alteração do seu destino por motivos meteorológicos é aceitável, acontece e não é só no Faial (1), já o mesmo não posso dizer do bizarro horário de chegada ao Faial e da solução encontrada para fazer chegar os passageiros ao seu destino final.
Como não gosto de especular e não tenho todos os dados sobre esta atribulada viagem fico-me apenas por quatro questões que, julgo, necessitam de explicações.

- Havia ou não alternativa na programação de voos da SATA tendo em conta a articulação com os horários das carreiras regulares da Atlântico Line?

- Porque não funcionou o Plano Integrado de Transportes, agora terá uma nova designação, mas a eficácia é a mesma, ou seja, porque não foi mobilizado um barco da Atlântico Line para o transporte daqueles passageiros?

- Quem contratou o serviço da embarcação que assegurou o transporte marítimo dos passageiros entre a Horta e a Madalena?

- Não dispondo a embarcação, como foi afirmado pelos passageiros, meios de salvação individual (coletes) qual o papel e responsabilidade da Autoridade Marítima?

(1) Tenho, por razões várias, muitas dezenas de voos (talvez centenas) e muitas centenas de horas voadas dentro da Região e entre a Região e Lisboa e, vice-versa. Foram mais as vezes que não cheguei a Ponta Delgada ao vir de Lisboa, do que vindo de qualquer ilha da Região. Nos voos inter ilhas apenas por 2 vezes não cheguei a Ponta Delgada. Fiquei retido 1 vez nas Flores e 1 vez na Terceira. Nas ligações de Lisboa com Ponta Delgada embora não tenha de memória o número de vezes que o voo regressou a Lisboa, ou que que divergimos para a Terceira ou Santa Maria, foram seguramente mais vezes do que os dedos de uma só mão.  

Aníbal C. Pires, Ponta delgada 31 de Julho de 2017


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Açores destino de aventura

Foto by Aníbal C. Pires (algures no Atlântico Norte, 2016)
Li por aí algures que um grupo de visitantes, também designados por turistas, terão mostrado o seu desagrado por algumas alterações na programação prevista no seu plano de férias. E foi logo à chegada. Vamos lá ver como corre a estadia. Desejo que a meteorologia seja favorável às suas pretensões e expetativas, bem assim como todos os outros serviços que contrataram, ou que venham a contratar.
O voo que seria direto, Não foi e acabaram por ter de passar em mais duas ilhas até chegar ao destino final, sendo que a última parte da viagem foi feita, de semirrígido, já durante a noite.
Os agentes de viagens deviam acrescentar uma cláusula ao contrato que fazem com os seus clientes, que visitam os Açores, e que os proteja de eventuais reclamações. Uma cláusula de salvaguarda que preveja o aumento do valor do contrato sempre que se verifiquem situações semelhantes à que foi descrita, afinal, a experiência foi muito para além da expetativa inicial, que seria apenas um voo sem estória num A320 entre a capital e o Faial, o que já não seria mau se o Pico estivesse descoberto. Mas não, foi muito mais do que isso, o voo foi cancelado e ao invés do Faial foi para a Terceira, sendo que da Terceira para Horta não foi possível a sua realização, os voos (foram 2, pois foram efetuados pela Sata Air Açores) tiveram como destino o Pico. À chegada ao Pico, estranhamente, os visitantes não tinham à sua espera, como é habitual, um barco da Atlântico Line, e foram transportados num semirrígido. Como a lotação da embarcação era reduzida foram necessárias várias viagens para transportar os visitantes que se queixaram, de entre outras coisas, da falta de coletes de salvação. Estas viagens realizaram-se já na madrugada do dia seguinte, ao da chegada aos Açores. Os Açores são um destino de aventura, pois bem esta foi uma aventura extraprograma, sem custos adicionais para os clientes.

Foto by Aníbal C. Pires (Aeroporto de PDL, 2016)
Claro que este último e enorme parágrafo tem alguma ironia à mistura. Se o cancelamento de um voo, ou a alteração do seu destino por motivos meteorológicos é aceitável, acontece e não é só no Faial (1), já o mesmo não posso dizer do bizarro horário de chegada ao Pico e da solução encontrada para fazer chegar os passageiros ao seu destino final.
Como não gosto de especular e não tenho todos os dados sobre esta atribulada viagem fico-me apenas por quatro questões que, julgo, necessitam de explicações.

- Havia ou não alternativa na programação de voos da SATA tendo em conta a articulação com os horários das carreiras regulares da Atlântico Line?

- Porque não funcionou o Plano Integrado de Transportes, agora terá uma nova designação, mas a eficácia é a mesma, ou seja, porque não foi mobilizado um barco da Atlântico Line para o transporte daqueles passageiros?

- Quem contratou o serviço da embarcação que assegurou o transporte marítimo dos passageiros entre a Madalena e a Horta?

- Não dispondo a embarcação, como foi afirmado pelos passageiros, meios de salvação individual (coletes) qual o papel e responsabilidade da Autoridade Marítima?


Foto by Aníbal C. Pires (Canal S. Jorge/Pico, 2016)
(1) Tenho, por razões várias, muitas dezenas de voos (talvez centenas) e muitas centenas de horas voadas dentro da Região e entre a Região e Lisboa e, vice-versa. Foram mais as vezes que não cheguei a Ponta Delgada ao vir de Lisboa, do que vindo de qualquer ilha da Região. Nos voos inter ilhas apenas por 2 vezes não cheguei a Ponta Delgada. Fiquei retido 1 vez nas Flores e 1 vez na Terceira. Nas ligações de Lisboa com Ponta Delgada embora não tenha de memória o número de vezes que o voo regressou a Lisboa, ou que que divergimos para a Terceira ou Santa Maria, foram seguramente mais vezes do que os dedos de uma só mão.  

Aníbal C. Pires, Ponta delgada 31 de Julho de 2017

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Dos transportes e das infraestruturas*

Foto by Aníbal C. Pires (Vila do Corvo)
A geografia doa Açores, quer no diz respeito à nossa localização global, quer no que concerne à dispersão e dimensão territorial, faz-nos depender dos transportes. A dependência de transportes que nos unam e liguem ao Mundo não é de hoje, é de sempre. Mas hoje, quase a entrar na terceira década do Século XXI, a questão dos transportes marítimos, veja-se lá, e aéreos continuam a motivar acesas, e por vezes interessantes, discussões. Discussões umas mais objetivas e pertinentes do que outras, mas em bom rigor elas, as discussões, sobre os transportes continuam bem vivas no espaço público e político regional e algumas merecem atenção, outras por infundamentadas e instrumentalizadas, nem por isso, mas ainda assim não podem nem devem ser ignoradas.
Muito foi feito nestas mais de quatro décadas de autonomia constitucional. Construíram-se as necessárias infraestruturas, sempre a multiplicar por nove, e registaram-se importantes avanços nas ligações marítimas e aéreas e no transporte de mercadorias e pessoas. Depois com o advento das novas tecnologias de informação e comunicação foi dado mais um importante avanço na quebra do isolamento a que este povo esteve sujeito desde os primórdios do povoamento.

Foto by Aníbal C. Pires (Porto da Horta)
Quanto às infraestruturas portuárias e aeroportuárias a sua localização foi, em grande parte, ditada pela orografia das nossas ilhas e por condicionantes meteorológicas . Em algumas das soluções adotadas, quanto à sua localização, salta à vista que não havia alternativa, ou era ali ou, não era. Mas também existem algumas situações que deviam ter merecido outra atenção e, sobretudo, capacidade de decisão política contra interesses, de momento, que, como se sabe, induziram decisões que não foram as mais adequadas. E não me refiro apenas às infraestruturas construídas já depois de consagrada a autonomia constitucional.
Seja como for temos hoje uma Região dotada de infraestruturas portuárias e aeroportuárias que, no essencial, respondem às necessidades da Região. Ainda é cedo para abandonarem a leitura do texto, Claro que existem e subsistem problemas de operacionalidade com algumas das infraestruturas, quer portuárias, quer aeroportuárias, e lá chegarei. Pelo menos é o que pretendo, embora tenha consciência que a minha opinião poderá gerar alguma controvérsia.

Foto by Aníbal C. Pires (vista aérea do aeroporto de S. Jorge)


Da localização nada há a fazer. Julgo que a ninguém, em seu perfeito juízo, passará pela ideia mudar a localização dos portos e aeroportos da Região. Quanto às melhorias operacionais, certamente que sim, mas sem megalomanias ou tiques de novo-riquismo.



(Continuará brevemente)



Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Julho de 2017

(*) Este texto, surge na sequência de um outro, que podem consultar aqui. Outros textos se seguirão porque o assunto é vasto e controverso.

segunda-feira, 17 de março de 2014

O PIT e a SATA

foto => Madalena Pires
Sendo os transportes, terrestres, marítimos e aéreos, um fator determinante para qualquer modelo de desenvolvimento que se queira sustentável e potenciador de dinâmicas económicas e sociais geradoras de riqueza e bem-estar. E, sendo esta uma afirmação insofismável para qualquer parte do Mundo, quando pensamos em transportes numa região insular e arquipelágica como os Açores, então tudo se torna mais claro, de tal forma que só podemos lamentar o tempo perdido.
Não tenho, ainda, uma apreciação refletida sobre o tão esperado e desejado Plano Integrado de Transportes (PIT), divulgado na passada semana. Eram já conhecidas as “partes” que o Secretário que tutela os transportes na Região, foi deixando aqui e ali em repetidas apresentações públicas do PIT, assim ao jeito de “vamos ver se esta pega”. E umas pegam outras não. Certo é que muitas dúvidas continuam a pairar sobre o “modelo”, designadamente o futuro do transporte aéreo e da transportadora aérea regional. 
Se quanto aos transportes marítimos se percebe que terão um papel que de há muito se espera, ainda assim com algumas lacunas, ou pelo menos dúvidas, muitas dúvidas, como sejam as que concernem às ligações com o Grupo Ocidental e às ligações entre as ilhas do Grupo Oriental. Já o transporte aéreo fica “pendurado” na revisão das Obrigações de Serviço Público (OST) para o interilhas e para as ligações com o Continente e a Madeira e na necessidade de modernizar a frota de longo curso. Digamos que, nem sequer é novidade a medida que prevê uma aeronave dedicada à carga, pois essa recomendação já tinha sido aprovada na ALRAA vão para lá 2 ou 3 anos. 
Mas não é só o “modelo” do transporte aéreo e a sua articulação com o transporte marítimo e terrestre que me deixa algumas interrogações pois, quer se queira quer não, quer se goste quer não goste, a Região é detentora de uma companhia de transportes aéreos. E é sobre o futuro deste importante ativo estratégico da Região que se avolumam as preocupações, pelo menos as minhas. E porquê, perguntará alguém tão despreocupado agora, como quando outros ativos estratégicos da Região foram desbaratados, Sim estou a referir-me, por exemplo, ao Banco Comercial dos Açores (BCA) que foi diluído, como se sabe, no BANIF. Nos tempos que correm talvez não fosse mau de todo ter um instrumento financeiro de capitais públicos regionais, como foi o BCA.
Mas voltemos à SATA sobre a qual pendem muitas interrogações sobre qual será o seu futuro. Interrogações para as quais não existem respostas, nem mesmo por parte da generalidade dos seus quadros de direção e gestão. 
Estamos a caminhar a passos largos para o fim de Março e não existe Plano de Exploração para 2014, mas os conflitos sociais estão latentes e a cada dia que passa a agudizam-se, sendo que toda a responsabilidade, se esses conflitos se vierem a verificar, é da tutela e do Conselho de Administração, uma vez que a Plataforma Sindical tem vindo a demonstrar toda a abertura para encontrar uma solução em tudo semelhante ao acordo que foi celebrado em 2013. 
Não existe Plano de Exploração para 2014 mas o encerramento da base do Funchal aconteceu há uns dias atrás reduzindo a capacidade operacional da SATA Internacional. Não existe Plano de Exploração para 2014 mas o abandono de rotas consolidadas pela SATA Internacional tem sido prática comum nos últimos meses.
Não existe Plano de Exploração para 2014 mas foi exigido aos contratados para reforço da “época alta” que uma das condições contratuais fosse a mudança de residência para Ponta Delgada, o que pode significar que, também, a base de Lisboa será para encerrar e, se assim for tudo leva a crer que a operação da SATA Internacional ficará reduzida aos voos com início e fim na Região, o que coloca em causa a estratégia de expansão da companhia no mercado do transporte aéreo internacional, estratégia de expansão levada a cabo pelos anteriores governos do PS Açores.
Não existe Plano de Exploração para 2014 mas coloca-se a circular que existem pilotos em excesso na SATA Internacional mas, na “época baixa”, os voos programados com aeronaves A320 são substituídos por aeronaves de outras companhias ou realizados com os A310 da SATA porque não existem tripulações disponíveis para os A320, ou seja, por insuficiência de pilotos, diria ainda que esta situação acaba por não se verificar na “época alta”, e, não é difícil perceber porquê.
Estes são apenas alguns exemplos da condução de uma agenda oculta para a SATA Internacional que está a ser metodicamente executada pelo Governo Regional e que conduzirá, de forma deliberada, ao definhamento da companha aérea regional com todos os impactos sociais e económicos negativos que isso acarreta para a Região.
Vila do Porto, 16 de Março de 2014

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário et Azores Digital, 17 de Março de 2014