quarta-feira, 11 de junho de 2014

Ilha de solidão

Foto - Catarina Pires
Sou ilha

Na multidão
De outras ilhas
De solidão
Sem vontade
Nem querer
Ser mais
Do que uma
Ilha de solidão
E desejo
Somente
Esta ilha
Por companhia

Aníbal C. Pires, Angra do Heroísmo, 11 de Junho de 2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

Álvaro Cunhal no Museu de Angra - últimos dias


Na próxima sexta-feira, dia 13 de Junho, encerra a exposição sobre Álvaro Cunhal promovida pelo Museu de Angra do Heroísmo.
Para quem está ou vive em Angra do Heroísmo aproveite estes últimos dias ou apareça na sessão de encerramento.
Para conhecer melhor o Museu de Angra do Heroísmo clique aqui

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Dia dos Açores 2014 - Ilhas de Bruma



Um tributo a Manuel Medeiros Ferreira, sem mais palavras.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A intermitência operacional da SATA - inércia ou incúria

Retirado da Internet
Não é necessário conhecer profundamente a operação da SATA Internacional para se antever que chegada esta altura do ano a operação iria sofrer graves problemas. 
Os voos operados pelos A 310 estão, em média, atrasados de 12h a 1 dia. Os custos com estes atrasos (alojamento e alimentação de passageiros) vão custar à SATA centenas de milhares, senão mesmo milhões de euros, os custos indiretos serão, certamente, ainda mais elevados.
A quem pedir responsabilidades, será que são os trabalhadores, neste caso os tripulantes de cabine ou do flight deck, não me parece pois, apesar do conflito há muito estar latente, em abono do rigor e da verdade, os trabalhadores da SATA têm, pacientemente, aguardado pelo entendimento e privilegiado o diálogo, embora, também em nome do rigor e da verdade, o que tem acontecido é um monólogo, ou seja, os trabalhadores da SATA têm estado a falar sozinhos.
Os trabalhadores da SATA, designadamente, os tripulantes de cabine e os pilotos há muito que vinham alertando a Administração, a antiga e a agora recauchutada equipa, para o que se previa viesse a acontecer, e aconteceu. Ou seja, a intermitência, para não dizer falência, operacional que se está a verificar e que tem sido denunciada, nem sempre da forma mais rigorosa, no espaço público regional.
Foto - Aníbal Pires
O que fez a SATA!? Abriu um processo de recrutamento de pessoal de voo, designadamente pilotos, processo esse que ainda não está concluído e que, em si mesmo, não resolverá o enorme défice de pilotos que se verifica na SATA Internacional (entre 2011 e 2013 a SATA Internacional perdeu 20% dos seus pilotos, e mais se seguiram já durante o ano de 2014).
Mas será só a falta de pessoal que afeta a operação da SATA Internacional, ou será mais do que isso. Tenho cá para mim que os problemas são mais vastos e nem sequer é inércia, é incúria.
Não ficaria mais barato à SATA o aluguer de ACMIS até a normalidade da operação ser reposta, já que a Administração não soube ou não quis adotar medidas, em tempo útil, para evitar o que se previa e está a acontecer.
É que os custos diretos e indiretos desta intermitência operacional são muito mais elevados que o recurso a ACMIS.
Depois não venham, como é habitual, responsabilizar os trabalhadores. 

Horta, 06 de Junho de 2014

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A SATA e as contas de 2013

Foto - Aníbal C. Pires
O Grupo SATA tem o seu Relatório de 2013 aprovado, fica a faltar a divulgação pública. Sem prescindir de voltar ao assunto quando tiver acesso ao relatório e, nessa altura com uma opinião devidamente fundamentada, não quero deixar, todavia, de tecer algumas considerações sobre o que foi divulgado publicamente através de um comunicado da administração da transportadora aérea regional.
Esperados. Diria mesmo que são os resultados desejados por quem, no Governo Regional e no PS, na administração do Grupo SATA e por um setor da população que olha para a transportadora aérea regional, em particular a SATA Internacional, como a fonte de todos os males que afetam a mobilidade dos cidadãos e estrangula a atividade económica, esquecendo-se que o problema não reside na SATA mas na vontade dos representantes dos acionistas, ou seja, na estratégia do Governo Regional para as empresas do Grupo.
Não deixa de ser paradoxal que a congénere nacional, a TAP, esteja em fase de expansão, apesar dos custos com o trabalho serem mais elevados do que na SATA, ou que empresas como a EuroAtlantic estejam em crescimento, apesar da retração do mercado provocada pela crise económica que nos assola, isto para não alargar o espectro porque muitos outros exemplos existem que contrariam as razões avocadas para justificar os resultados negativos do Grupo, para os quais a SATA Internacional contribui com a maior fatia, desde logo a retração da atividade económica e a consequente diminuição da procura. Pois é mas a TAP foi a transportadora aérea europeia que mais aumentou o número de passageiros transportados durante o ano de 2013, mais 5%, ano de grande retração segundo a administração da SATA.
Um conjunto de falácias e má-fé, é assim que se pode caraterizar o comunicado que o Grupo SATA fez distribuir à comunicação social no passado dia 30 de Maio após a realização da Assembleia Geral das empresas do Grupo.
Vejamos, segundo a SATA (…) o desempenho económico foi fortemente afetado, entre outros, pelos seguintes fatores:
a) Retração da atividade económica a nível nacional e internacional e o seu consequente impacto direto na procura de transporte aéreo;
b) Aumento dos custos previsto com o pessoal, por força das decisões do Tribunal Constitucional;
c) Perda de contratos celebrados, custos com irregularidades e quebra significativa de vendas, nomeadamente em períodos que correspondem a picos da operação, todas elas decorrentes da instabilidade laboral que afetou a empresa no primeiro semestre;
d) Reparações em aeronaves que não se encontravam previstas; (...)
Ou terá sido a estratégia comercial e a propositada redução da atividade da SATA Internacional que contribuiu para a diminuição do número de passageiros transportados, aliás a TAP consegue o aumento do número de passageiros transportados à custa das rotas para a Europa, Regiões Autónomas e África.
Uma outra justificação para os resultados negativos é também de desresponsabilização da administração e da tutela, ou seja, tal como Passos Coelho a administração da SATA imputa responsabilidades, que são suas, ao Tribunal Constitucional.
Bem mas os custos com pessoal deviam estar previstos pois a anormalidade são os cortes impostos pelo Governo do PSD/CDS e não a manutenção do valor da massa salarial e, também aqui a administração da SATA passa uma esponja pela situação da TAP onde os cortes foram repostos, mais cedo, e em condições mais favoráveis do que na SATA e, ainda, em jeito de avaliação da administração e da tutela: uma empresa que, só contando com reduções administrativas de salários é que tem bons resultados, não indicia boa gestão. Digo eu.
Foto - Aníbal C. Pires
Continuando a “sacudir a água do capote” a administração da SATA atribui a perda de contratos celebrados e outras irregularidades à situação de conflitualidade laboral que se verificou em 2013, como se a responsabilidade não fosse da própria, e aqui diria, não da administração da SATA mas da tutela, ou seja do Governo Regional, aliás a conflitualidade que se verificou foi em períodos curtos e, mesmo considerando que as greves, para as quais os trabalhadores foram empurrados, contribuíram para os resultados negativos do Grupo a verdade é que a quebra significativa de vendas não fica a dever-se a este facto mas à retração da operação da SATA Internacional e à insuficiência de tripulações, que motiva o recurso sistemático à contratação de ACMIS, com os custos acrescidos que isso representa. Um exemplo de perda de contratos foi a operação de Cabo Verde que passou para a TAP pois a transportadora aérea nacional promoveu a operação para a ilha da Boavista nos moldes em que os operadores solicitavam à SATA, ou seja, 2 voos semanais a par dos voos que já existiam para as outras ilhas deste arquipélago.
Por outro lado, se analisarmos a operação da SATA Internacional nos primeiros meses deste ano verifica-se que existem muito mais irregularidades na operação do que no período homólogo de 2013. Vamos ver qual será a justificação no relatório de 2014.
É por demais evidente que as irregularidades na operação se ficam a dever a problemas de gestão mas, sobretudo, à estratégia da tutela de redução de pessoal, designadamente pessoal de voo, que segundo alguns experts na matéria auferem salários milionários e são os grandes responsáveis pelos maus resultados financeiros do Grupo. Não será por acaso que da leitura do comunicado ficamos a saber do contributo da SATA Internacional para os maus resultados mas, nos é obliterada informação sobre os resultados, positivos ou negativos, das outras empresas do Grupo.
Quando ouço ou leio esses experts lembro-me sempre de outros salários que são praticados em Portugal e também no estrangeiro, e onde os tripulantes da SATA terão lugar garantido, assim o queiram.
Quanto ao quarto motivo que, segundo o comunicado de imprensa da administração da SATA, justificam os resultados negativos é atribuído a reparações em aeronaves que não estavam previstas. Bem esta será de todas as justificações a mais plausível, assim de repente lembro-me de um tail strike com um A310 em Ponta Delgada (internamente, a SATA considerou-o como acidente, e o relatório preliminar do GPIAA classificou de incidente grave) e, da necessidade de substituição de um motor de um dos Dash 200, que ao que julgo saber os custos terão sido suportados pela empresa responsável pelo overhall do mesmo que terá assumido a sua total reparação, pois a aludida aeronave tinha apenas cerca de 200 horas após última reparação efetuada. Outras reparações não previstas terão acontecido, aguardemos pelo relatório completo.
A conclusão plasmada no comunicado de imprensa e que, certamente, foi resultado da Assembleia Geral das empresas do Grupo não deixa de ser sintomática, e cito. O Grupo SATA tem condições para assegurar o equilíbrio da sua exploração, caso não seja afetado por fatores externos, que impliquem de forma direta com a sua atividade. 
Brilhante conclusão. A Assembleia Geral antecipa eventuais justificações para o relatório do ano em curso. E, em sombra de dúvidas que o voto de confiança que a Assembleia Geral deposita no futuro do Grupo SATA e no desempenho da administração entretanto nomeada, fica com esta conclusão, perfeitamente justificada.
O que continua por responder é: qual é a estratégia para a SATA Internacional, pois parece que tudo é feito no sentido da sua deliberada desvalorização e isso só pode resultar em prejuízo do Povo Açoriano e dos Açores.
Horta, 03 de Junho de 2014

Aníbal C. Pires, In Diário Insular et Açores 9, 04 de Junho de 2014

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Epifenómeno

Aníbal C. Pires - Foto Tiago Redondo
As análises aos resultados eleitorais estão concluídas mas os efeitos estão ainda a produzir-se. Uma conclusão parece-me óbvia e, atrevo-me até a afirmar, que reúne alguma unanimidade, ainda que, por alguns, inconfessada. Os partidos que de uma forma ou outra são responsáveis pelo estado a que o Estado chegou foram penalizados eleitoralmente, aliás as lutas intestinas no PS são a maior prova disso. Num partido que se afirma como o grande “ganhador” das eleições europeias devia reinar a calma e a unidade tendo em vista as eleições legislativas de 2015. Mas não, o comportamento do PS é o de um partido derrotado, e foi. O PS foi um dos partidos perdedores, por mais que António Seguro diga que o PS ganhou, ganhou, ganhou… a verdade é que os factos, mais do que os números, evidenciam que o PS perdeu, perdeu, perdeu… e, continuará a perder enquanto não mudar, mudar de projeto político, não de protagonista. António Costa pode até conseguir mais apoio eleitoral do que o seu homónimo Seguro, mas não chega. Nem chegará a reforma do sistema eleitoral que o PS agora anunciou. A questão é bem mais profunda do que a maquilhagem.
Mas foi a democracia, esta democracia, a grande perdedora das europeias. Este alheamento da maioria dos cidadãos, como se comprova, não impediu que os 21 deputados fossem eleitos e, por outro lado, permitiu que os partidos alternantes mantivessem a sua posição dominante, não é com a abstenção que se rompe com o “sistema”, a rutura só será possível com a participação ativa dos cidadãos, nos momentos eleitorais mas, sobretudo, fora deles. Enquanto o descontentamento se transformar em ativismo de sofá e as vozes da insatisfação se fizerem “ouvir” apenas nas redes sociais, os partidos responsáveis pela dramática situação que se vive em Portugal vão continuar a esfregar as mãos de contentes, vão continuar a alternar no poder, vão perpetuar-se.
A expressão do descontentamento dos portugueses assumiu contornos diversos. Foi a já aludida abstenção, foi a penalização eleitoral dos partidos alinhados com as políticas de austeridade, designadamente o PS, foi o crescimento eleitoral da CDU, e foi o “fenómeno” Marinho Pinto. Não digo MPT porque é bom que se separem as águas como, aliás o próprio Marinho Pinto tem feito e, a seu tempo, tornará ainda mais claro, por agora vão bastando exteriorizações como “união de facto”, expressão usada pelo “fenómeno” para caraterizar a sua relação com o MPT. Resta saber até quando o MPT se vai deixar parasitar por Marinho Pinto, ou até quando e qual será a dimensão do deslumbramento, de um segmento de eleitores, no discurso populista que carateriza o antigo bastonário da Ordem dos Advogados.
A vida política portuguesa tem variados exemplos de epifenómenos político eleitorais como o de Marinho Pinto/MPT que, com algum esforço de memória ou pesquisa, com facilidade se encontram. Comprovadamente, não é por aí a rutura, com as políticas de austeridade e empobrecimento de que temos sido vítimas, se dará.
Horta, 01 de Junho de 2014

Aníbal C. Pires, In Expresso das Nove et Azores Digital, 02 de Junho de 2014 

domingo, 1 de junho de 2014

Monica Bellucci - a abrir Junho


Tenho andado a evitá-la mas não à como resistir a esta mulher.
Monica Bellucci é uma obra-prima da criação e, diria, que o autor do blogue que dá pelo nome de “E Deus Criou a Mulher” acertou. O autor encontrou e encontra “picos” de motivos para fundamentar o título do blogue. Tamanha beleza não é, não pode ser, apenas obra do homem.


sábado, 31 de maio de 2014

Dia do Tripulante de Cabine


Hoje o dia é dedicado a todas as mulheres e homens que apoiam os passageiros da aviação civil, zelando pelo seu conforto e segurança a bordo.

O momentos associa-se a este dia que se comemora-se desde 31 de maio de 1976.
Vejam este vídeo e divirtam-se.

A 30 de Maio de 1975, no Salão Nobre da VARIG, no Rio de Janeiro, realizou-se o 1º Congresso Mundial dos Comissários e Comissárias de voo, organização da responsabilidade da ACVAR – Associação dos Comissários da VARIG. Nesse mesmo Congresso foi decidido passar a prestar homenagem a estes profissionais da aviação comercial através da institucionalização dum Dia Mundial do Tripulante de Cabine. Esta iniciativa foi oficializada um ano depois, na data de 31 de Maio.
Contudo, durante um longo período, este evento não colheu grande adesão e, praticamente, só a Instituição brasileira lhe deu o devido relevo. Em 1984, com a constituição da APTCA – Associação Portuguesa dos Tripulantes de Cabine, os profissionais portugueses chamaram, também a si, a iniciativa dessa comemoração, que teve, então, lugar no Restaurante do Castelo de São Jorge, em Lisboa. Em dois anos consecutivos chegou mesmo a haver permuta de colaboração entre os Tripulantes de Cabine portugueses e brasileiros.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Primavera Insular

Foto - Madalena Pires

Ilha bendita
Banhada de luz
A orgia policromática
Acorda os sentidos
Aqui
Onde a terra é escassa
E infindo o mar
Ocorre vida
Conjuga-se o verbo amar

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 22 de Maio de 2014