terça-feira, 16 de setembro de 2014

Caminhos da terra e do mar

Foto - Madalena Pires
Viandantes

A cada passo
A cada curva
O viajante
Ganha alento
E caminha
O andarilho
Traçou destino
Não é romeiro
Nem peregrino
Anda
O caminho
Da beira mar
O caminho
Da beira terra
Caminha
Nas margens
Da ilha
E do sonho
De outras ilhas

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 16 de Setembro de 2014

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Colóquio promovido pela APPLA


A Associação Portuguesa de Pilotos de Linha Aérea promove, amanhã, dia 16 de Setembro, pelas 20h30mn, na Sala Canadian, do Hotel Lynce, um colóquio dirigido a todos os Pilotos de Linha Aérea (frozen ou não frozen) que se encontrem em Ponta Delgada.

Investimento público

Foto - Catarina Pires
Não nego que a Região tem, quando comparado com o país e portanto em termos relativos, um valor de investimento público superior, bastante superior, ao do país. Por outro lado, o ciclo das grandes obras públicas de infraestruturação, como o próprio Governo Regional reconhece, está concluído, o que só pode significar que o investimento público tem e deve de ser redirecionado. Estou, assim, expetante quanto ao que o plano de investimentos para 2015 nos reserva. Será que 2015 vai ficar marcado por uma rutura ou, vamos ter mais um plano e orçamento de continuidade, tudo leva a crer que nada de inovador será apresentado ao Povo Açoriano. O governo do PS Açores não tem dado sinais de mudança nas opções políticas de investimento público. Mas aguardarei sem antecipar outros juízos, a não ser o que já ficou dito. Ou seja, alguma desconfiança de que tudo continuará na mesma.
O futuro constrói-se aprendendo com erros do passado e corrigindo o rumo. Ao fim de quase quatro décadas de autonomia a face dos Açores transformou-se. Hoje as nossas ilhas estão equipadas com as infraestruturas necessárias para garantir a todos os cidadãos acesso à educação, à saúde, à segurança e apoio social e, à mobilidade. Assim é. É no que concerne à existência dos equipamentos, já assim não é quando olhamos para os indicadores sociais e económicos. O Insucesso escolar e as baixas qualificações académicas e profissionais da população contrariam qualquer avaliação positiva do Sistema Educativo Regional, as taxas moderadoras e as longas listas de espera dão-nos conta que, também na saúde, o acesso universal e gratuito, ou tendencialmente gratuito, não passa de uma miragem e quanto ao direito à mobilidade e ao não isolamento, o custo dos transportes priva a maioria da população do exercício desses direitos.
A economia regional mantém a crónica dependência externa e, por isso, uma grande permeabilidade às cíclicas crises do capitalismo. A cabal demonstração desta afirmação funda-se na análise da evolução da taxa de desemprego, da mais baixa do país no limiar da atual crise, para a mais elevada no auge da crise, do elevado número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção e do valor médio do salário no setor privado, menos cerca de 100€ por mês que no continente português, isto apesar de na Região existir um acréscimo ao salário mínimo nacional. Acréscimo que urge por ser ampliado pois ao contrário do efeito esperado, a convergência com a média nacional, se verifica uma cada vez maior divergência.
Após muitos milhões, muitos milhares de milhões, de euros de investimento público os Açores continuam no fundo da tabela das regiões mais pobres da União Europeia e, quer se queira quer não queira, os indicadores sociais e económicos são reflexo das políticas públicas de investimento. A situação social e económica da Região face ao volume de investimento público da história da autonomia constitucional é reveladora de que as opções não foram as mais ajustadas.
O que se exige ao Governo Regional e à maioria parlamentar que o suporta face, não a um mero exercício de especulação, mas à constatação de factos, é que a maioria e o Governo abandonem as velhas receitas e artificialismos que apenas mascaram os crónicos problemas do desenvolvimento regional.
Nem tudo se pode imputar aos órgãos de governo próprio da Região. Há um conjunto de fatores externos que não controlamos e que cerceiam as competências autonómicas, mas isso não justifica tudo.
Ponta Delgada, 14 de Setembro de 2014

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário et Azores Digital, 15 de Setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Sobre o 9/11, algumas interrogações

Recomendo vivamente uma leitura do artigo THE 9/11 READER The September 11, 2001 Terror Attacks
No sítio GLOBAL RESEARCH pode encontrar-se muita informação alternativa e que se constitui como uma preciosa fonte de informação para quem não aceita, sem questionar, a informação mastigada pelos chamados órgãos de comunicação social de referência. Não deixem de o visitar.

Linhas e luz

Foto Aníbal C. Pires - Minneapolis (uma das pontes que ligam Minneapolis a  Nicollete Island)
Esta imagem pode ser inspiradora e provocar um caudal de palavras. Mas não hoje que estou a sair do modo de Plenário e, como tal, em fase de alguma descompressão.
O resto dia do será dedicado à contemplação

Apontamentos da FESTA 4



A festa dos Buraka Som Sistema na FESTA.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Apontamentos da FESTA 2



Mais um vídeo com apontamentos da edição, de 2014, da Festa do Avante. Nos próximos dias outros se seguirão.

Com tempo mas sem coragem

Foto - Madalena Pires
Iniciou-se esta semana a 3.ª sessão legislativa da X Legislatura da Região Autónoma dos Açores, ou seja, estamos a sensivelmente a meio deste ciclo e do mandato do XI Governo Regional, o primeiro presidido por Vasco Cordeiro.
Qualquer avaliação que seja feita aos poderes legislativo e executivo penderá favoravelmente para o primeiro, a ALRAA cumpre os poderes que lhe estão conferidos constitucional e estatutariamente e, só não assume um maior protagonismo, que lhe cabe por direto próprio, na condução da política regional devido à existência de uma maioria absoluta castradora que lhe limita a iniciativa.
O Governo Regional e a maioria que o suporta são de continuidade é certo com algumas caras novas, na ampliação de que recentemente foi alvo, mas com as velhas receitas e as mesmas políticas. Por incapacidade, Não. Por convicção, por compromissos com o falido modelo europeu e com a matriz neoliberal que o conforma, sem dúvida, mas também por falta de coragem, por alinhamento com o pensamento único e com a teologia do mercado.
As velhas opções políticas não resolveram os crónicos problemas de desenvolvimento da Região e os indicadores aí estão para o demonstrar. A economia regional está mais dependente mais fragilizada, os problemas sociais agravaram-se, a qualidade dos serviços públicos degradam-se, o desenvolvimento harmonioso continua a ser apenas, um desígnio por cumprir. O novo governo em funções, que completa em Novembro dois anos de mandato, tem-se revelado velho nas opções políticas e económicas que tem vindo a adotar. Diria que não constitui uma surpresa. Se é verdade que as personalidades são importantes, não é menos verdade que essas diferenças se situam no espetro do acessório, uma vez que a matriz ideológica não se alterou os resultados não podiam ser diferentes, por muito diferentes que sejam os protagonistas.
Nem tudo depende de nós, Lisboa, Bruxelas e o contexto internacional determinam e conformam muito do nosso quotidiano, mas muito depende de nós. A sistemática recusa, do PS e do seu governo, em utilizar todos os instrumentos e competências autonómicas que estão ao nosso dispor, que poderiam contribuir para fortalecer a nossa economia e reduzir a nossa crónica dependência externa, é reveladora de uma subserviência política a interesses que não servem objetivamente os Açores.
Nos dois anos que restam a esta maioria e a este governo sobra tempo para agir e romper com velhos e falidos paradigmas, haja coragem e vontade para recentrar o investimento público na economia produtiva, para avaliar e adequar o modelo de turismo à nossa realidade, para redistribuir a riqueza valorizando os salários de quem trabalha, para apoiar as micro, pequenas e médias empresas, para dinamizar o mercado interno, para aumentar e diversificar as produções regionais e diminuir a dependência externa, para procurar novos parceiros e parcerias no contexto da bacia atlântica, enfim para cumprir a autonomia elevando a qualidade de vida e o bem-estar do Povo açoriano, quer se viva no Corvo ou em S. Miguel.  
Horta, 09 de Setembro de 2014

Aníbal C. Pires, In Diário Insular et Açores 9, 10 de Setembro de 2014 

terça-feira, 9 de setembro de 2014