quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Convite - "O Outro Lado"
O convite fica feito. Apareçam.
Os textos são meus, as aguarelas da Ana Rita Afonso, O Vamberto Freitas prefaciou, o Tomaz Borba Vieira também contribuiu com um olhar cruzado entre o texto e as aguarelas, a Renata Correia Botelho também tem a sua opinião na contracapa e a LetrasLavadas editou.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Dias com gradientes de cinzento
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| Foto - Madalena Pires |
Espreito o dia. Está cinzento visto da minha janela, a humidade está elevada e a visibilidade baixa. O gradiente de cinzento aproxima-se do preto quando procuro noutras janelas, a visibilidade é boa, É digital e HD. A informação chega em catadupa, textos, sons e imagens vindos dos mais remotos lugares do planeta. As novidades não são novas, a especulação continua a substituir-se à investigação, aos factos associam-se juízos num exercício de regurgitação editorial. A habitual caca informativa. O país e o mundo dependentes de Wall Street, o país e o mundo agonizantes, o país e o mundo entorpecidos como convém.
O orçamento …, o défice …, as filhas de Obama …, mercados em zoom impulsionam Wall Street, governo vai enviar 12 mil funcionários públicos para a mobilidade, participantes do big brother sueco expulsos por assédio sexual, Presidente da República lembra que todos gostariam de baixar impostos mas lembra restrições internacionais. Estes são alguns dos títulos que se podem ler por aí, nos OCS de referência. Sem dúvida interessantes e importantes mas todos na linha da imutabilidade, social, política, cultural e económica, que faz escola. É assim e sempre assim será.
A ausência de respostas, embora as alternativas existam com claras propostas de rutura, do chamado Mundo Ocidental a este, “é assim e sempre assim será”, promovem reações diferenciadas nos cidadãos. A atomização da sociedade, promovida até à exaustão nas últimas décadas, desencadeia respostas individuais para problemas comuns e que só com a mobilização coletiva terão solução, talvez por isso o Estado Islâmico (EI) seja tão atraente para alguns jovens ocidentais, é uma alternativa coletiva. O EI oferece respostas e um caminho diferente para o Mundo. Não são certamente as melhores, direi mesmo que, para além de outros fatores, o seu conservadorismo deveria ser suficiente para afastar os jovens ocidentais, existem outros caminhos de rutura sem a bênção divina.
Seria injusto se não referisse outros movimentos coletivos, aliás não faltam por aí e não me refiro a organizações partidárias ou sindicais. As organizações não-governamentais (ONG) e as seitas religiosas de inspiração cristã proliferaram como cogumelos quando em Washington, ao tempo de Henry Kissinger, dispararam algumas luzes vermelhas. Era o tempo da Teologia da Libertação na América do Sul e da tomada de consciência ambiental. Foi preciso dividir para reinar, mas não só. Cedo a velha raposa percebeu que a promoção e financiamento de movimentos cívicos despojados de matriz ideológica, ou seja, movimentos sem uma visão holística das necessárias transformações culturais, políticas, sociais e económicas que não colocariam em causa o poder hegemónico dos Estados Unidos sobre o Mundo Ocidental. Mas Henry Kissinger foi ainda mais longe no Chile e no Camboja, para só referir dois dos casos, aí patrocinou o terror e o massacre de centenas de milhares de pessoas servindo-se, respetivamente, de Pinochet e de Pol Pot.
Não fiquem os cidadãos com a ideia de que não considero as ONGs importantes e, sobretudo que não reconheço a nobreza de carácter de quem voluntária e genuinamente milita e se envolve na defesa de uma causa. Mas não tenho dúvidas sobre a instrumentalização que o poder instituído faz da generosidade desses cidadãos. Ou seja, as ONGs são assim como uma espécie de braço desburocratizado, mas executivo dos Estados, ou seja, as ONGs, inevitavelmente levam à prática as políticas oficiais, a sua independência está, assim, corrompida pelo poder.
Ponta Delgada, 14 de Outubro de 2014
Aníbal C. Pires, In Diário Insular et Açores 9, 15 de Outubro de 2014
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
Epidemias e outras fobias
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| Foto - Catarina Pires |
A epidemia pelo vírus ébola e o Estado Islâmico (EI) têm dominado a opinião pública, direi, mundial pois, os fenómenos têm essa dimensão. À primeira vista parecem confinados, a epidemia e o conflito que opõe o ocidente ao EI, a um determinado território mas, só mesmo numa abordagem superficial assim o poderemos considerar. Os meios e o número de países envolvidos na tentativa de por cobro às pretensões de reconstrução do Califado, pelo EI, conferem-lhe essa qualificação, um conflito mundial. As notícias de falhas nos protocolos de segurança, no caso do ébola, pode tornar este flagelo numa pandemia.
Quer um caso, quer outro perturbam-nos. Perturbantes são igualmente as razões que estão no seu ressurgimento, Sim porque não é a primeira vez que o ébola se manifesta, nem o Califado é uma ideia recente, neste caso já foi bem real não tendo, contudo, os contornos que o EI e os seus aliados lhe parece quererem, agora, conferir.
Existem, porém, alguns equívocos e muita especulação sobre o ébola e o EI, imprecisões que os OCS de “referência” teimam em manter e até alimentar, ou não fosse essa a estratégia do negócio das corporações mediáticas e, por conseguinte, a difusão da versão oficial promovida pelos Estados Unidos e Inglaterra, há outros cúmplices mas é esta aliança anglófona que vai pondo e dispondo no xadrez mundial.
O falhanço da “rebelião” na Síria e a incapacidade de justificar uma intervenção bélica contra o Irão, como foi justificada a intervenção no Iraque, são alguns dos motivos que estiveram na génese da ativação e crescimento do EI. Esta organização reúne uma clique dirigente que ao longo do tempo foi patrocinada e formada pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos e contaram com o seu apoio explícito e implícito. O aparente domínio e crescimento do EI, bem como a sua capacidade militar, em nada diminuída pelos ataques aéreos da coligação liderada pelos Estados Unidos resulta, inequivocamente, do apoio externo vindo do Ocidente. Mas porquê, perguntarão as almas mais descrentes e críticas. Já indiquei dois dos motivos mas existem outros players. A criação e futura expansão da União Económica da Eurásia, patrocinada por Putin e, o avanço do dragão comercial chinês, isto sem deixar de fora a importância do controle dos óleo e gasodutos naquela região, estarão na base desta paradoxal estratégia, porém se nos lembrarmos do papel dos Estados Unidos no Camboja de Pol Pot, depressa concluímos que de paradoxal esta espúria aliança nada tem.
O apelo aos Céus e o Choque de Civilizações continuam a justificar conflitos que nada têm a ver com os deuses, nem com antagonismos civilizacionais, os interesses continuam a situar-se no plano geopolítico ao qual está associado o domínio económico e territorial de cariz neocolonial.
Quanto ao ébola não existem equívocos. O vírus é altamente letal, embora as condições e meios de tratamento possam diminuir a mortalidade, por outro lado a infeção pelo vírus ébola só é possível com contato de fluidos de um doente, ou seja, existem outros vírus bem mais contagiosos, ainda que com uma taxa de mortalidade inferior.
Não se conhece, ainda, uma terapia eficaz no combate ao ébola e o tratamento é paliativo. Uma coisa sabemos, o combate à epidemia faz-se com profissionais de saúde (estes sim são a população em risco) e não com exércitos. É que ao contrário de outros países que enviaram, para as regiões afetadas, pessoal médico e de enfermagem, os Estados Unidos enviaram 3 mil soldados. Será que um dos conselheiros do Presidente Obama o informou que o ébola se combatia a tiro. Tudo é possível na terra do Tio Sam.
Ponta Delgada, 12 de Outubro de 2014
Aníbal C. Pires, In Jornal Diário et Azores Digital, 13 de Outubro de 2014
domingo, 12 de outubro de 2014
Com tempo, ou sem opções
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| Foto - Madalena Pires |
Hoje, escolhi
Trocar
O vazio
Dos dias
Por mim
E, por ti
O sorriso
Preencheu
O meu olhar
Neste dia
Desigual
Igual a outros dias
De um tempo
Distante
Quero
Esse tempo de volta
Quero
Os dias desiguais
Quero
O sorriso
A transbordar no meu olhar
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 12 de Outubro de 2014
Cinema - Melinda and Melinda, um filme de Woody Allen
Quatro sofisticados nova-iorquinos encontram-se para jantar numa noite chuvosa. Uma história contada durante o jantar dá início a uma conversa entre Max (Larry Pine) e Sy (Wallace Shaw), dois escritores (argumentistas), que passam a discutir a dualidade do drama humano através das máscaras da tragédia e da comédia. Os dois escritores passam então a desenvolver duas histórias, uma cómica e a uma trágica, protagonizadas por uma mulher chamada Melinda (Radha Mitchell).
Podem ver o trailer aqui
Podem ver o trailer aqui
sábado, 11 de outubro de 2014
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
Não é exigência, é uma evidência
| Foto - Aníbal Pires |
A ilha de São Jorge continua a sofrer agudamente os efeitos de uma recessão económica, desemprego e empobrecimento, que afetam de forma muito mais brutal as ilhas de menor dimensão do nosso arquipélago. Daí resulta a continuada perda de população, a incapacidade da sua fixação de população, designadamente os jovens, a redução do emprego disponível e a estagnação das atividades económicas, que estão na base de grande parte dos problemas dos jorgenses.
Simultaneamente, assiste-se à continuação do esvaziamento do espaço rural, fenómeno agravado pelas políticas regionais erradas, concentração da atividade transformadora, encerramento e concentração dos serviços públicos nas freguesias, concentrando-os nas vilas e em particular nas Velas, por razões que são meramente economicistas, mas que têm gravíssimas consequências para a ilha no seu conjunto. Assim, sucedeu com as cooperativas de lacticínios e muitas escolas básicas, num processo que ameaça continuar. Processo que ameaça ter continuidade.
No contexto atual, o investimento público assume uma importância central, enquanto única via para dinamizar a atividade económica local e combater uma recessão esmagadora, fruto de políticas nacionais e regionais erradas. Assim, as dificuldades financeiras dos municípios de São Jorge levantam profundas preocupações, já que futuras limitações à sua capacidade de investimento resultarão necessariamente num agravamento da situação económica da ilha e das condições de vida dos jorgenses.
É necessário que o Governo Regional reforce a cooperação com estes municípios, auxiliando-os a fazer face às suas dívidas, nas quais está também, de forma direta ou indireta, em muitos casos, implicado. Não é admissível que se continuem a desperdiçar fundos europeus por força dos limites impostos ao endividamento destas autarquias e que as regras burocráticas dos programas de financiamento em relação aos concursos públicos levem à exclusão das pequenas e médias empresas açorianas, favorecendo as grandes empresas externas, nomeadamente no campo da construção civil. O Governo Regional deve olhar a nossa Região como um todo, promover a coesão, assumir as suas responsabilidades e assumir que os municípios são parceiros indispensáveis para o desenvolvimento das ilhas.
Uma parte central das dificuldades que as instituições jorgenses enfrentam, nomeadamente as Autarquias e as Cooperativas Leiteiras, estão relacionadas com a inflexibilidade e as exigências agiotas da banca privada. Depois de receberem milhares de milhões de Euros de financiamento público para os salvar dos seus maus negócios, as instituições bancárias recusam os investimentos que são necessários para dinamizar a economia nacional e, recusam reestruturar as dívidas das instituições, aliviando-as de um serviço da dívida incomportável, que as pode empurrar inexoravelmente para a insolvência. O setor financeiro continua, assim, a embolsar milhões de euros da riqueza produzida pelos jorgenses, dinheiro que, reinvestido na ilha, garantiria com certeza um nível de desenvolvimento económico muito diferente.
Embora este seja um problema nacional e mesmo europeu, considero que o Governo Regional não se pode desresponsabilizar de fazer o que está ao seu alcance, nomeadamente constituindo-se como parceiro dos Municípios e Cooperativas jorgenses nas suas negociações com a banca e avalizando os financiamentos que são essenciais.
Velas (S. Jorge), 05 de Outubro de Setembro de 2014
Aníbal C. Pires, In Jornal Diário et Azores Digital, 06 de Outubro de 2014
domingo, 5 de outubro de 2014
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
Becos com e sem
| Foto - Madalena Pires |
Muitas
Bastantes
E não poucas vezes
Ouço dizer
Estou num beco sem saída
E agora
Como faço pra sair desta
Perguntam
Eu
Que não sou entendido
Em vielas
Com ou sem saída
Nem tenho por hábito
Aconselhar
Pergunto
Porque não sais pela entrada
Desse beco sem saída
Aníbal C. Pires, Horta, 03 de Outubro de 2014
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