quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Vigílias, concentrações e outras lutas

No passado Domingo, na cidade da Praia da Vitória, concentraram-se cerca de 5 centenas de cidadãos para manifestarem o seu apoio aos trabalhadores que direta ou indiretamente estão a sofrer o pesadelo do desemprego e, do desemprego anunciado pela decisão dos Estados Unidos da América e pela incúria dos sucessivos governos da República. Foram só 5 centenas de pessoas, foram as que foram. Foram em número suficiente para marcar a sua preocupação, a sua solidariedade e a sua disponibilidade para lutar e exigir ao governo português, mas também aos Estados Unidos, que cumpram as suas obrigações para com o povo desta ilha, para com o povo destas ilhas. 
Ao Governo central exige-se que salvaguarde os interesses nacionais que, neste caso, são os interesses dos trabalhadores e das famílias afetadas, os interesses das empresas, os interesses do concelho da Praia da Vitória, os interesses da ilha Terceira, os interesses dos Açores.
Aos Estados Unidos exige-se, por via do Governo da República que, com a alteração unilateral do paradigma instituído para a concessão de facilidades na utilização da Base das Lajes, o Acordo Bilateral de Cooperação e Defesa seja denunciado e renegociado. Demonstrando aos Estados Unidos que se quiserem continuar a utilizar a base, então terão de compensar a Região pelo uso do seu território, mas também pelos custos de oportunidade que foram perdidos pelo uso daquela infraestrutura militar ao longo de 7 décadas. O aeroporto das Lajes e o porto da Praia da Vitória não podem ficar, como têm estado até aqui, condicionados pela reserva para uso militar, facto que a par da flacidez negocial portuguesa e, uma atitude de “laissez faire laissez passer” dos órgãos de governo próprio da Região. Estes factos contribuíram para os custos de oportunidade perdidos a que em cima me referi. Salvaguardo, é justo que o faça, o reconhecimento dos esforços desenvolvidos, desde 2012, por Vasco Cordeiro para travar a anunciada decisão dos Estados Unidos, assim como é justo reconhecer o acompanhamento e posicionamento dos diferentes partidos com assento parlamentar durante este período e até ser conhecida a decisão dos Estados Unidos. 
O drama que se está a abater sobre a ilha Terceira decorrendo de opções políticas é, por conseguinte uma questão cuja solução cabe por inteiro ao domínio das políticas públicas, o que não significa que seja fonte de quezílias políticas, de politiquices, digamos. Ou seja, de práticas pouco concordantes com o verdadeiro significado de ação política e serviço público.
A resposta da Região, por iniciativa do Governo Regional, foi a apresentação de um Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira. Poderia dizer, desde logo, que o plano peca por tardio, ou que é insuficiente. Mas não digo, nem disse. Digo antes que concordo genericamente com o PREIT que, como qualquer outro plano, deve ser um instrumento maleável capaz de ser adaptado a novas situações e aos fatais imponderáveis que sempre se atravessam no caminho. Também disse que o PREIT tem algumas lacunas, e tem. Por exemplo não contempla medidas que possam, à semelhança do que já aconteceu no nosso país, majorar em tempo e valor os apoios sociais aos trabalhadores que direta ou indiretamente vão ficar privados do seu direito ao trabalho e também aqueles que, por via desta decisão dos Estados Unidos, já o perderam.
É desejável que o Governo Regional ouça, não só os autarcas, não só os empresários, mas ouça também os sindicatos que representam os trabalhadores da Base, mas também todos os outros que já perderam o seu posto de trabalho ou que estão na iminência de o vir a perder. Só envolvendo e contemplando medidas que se dirijam diretamente aos principais interessados, os trabalhadores, o PREIT poderá ter sucesso.

Angra do Heroísmo, 02 de Fevereiro de 2015

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 04 de Fevereiro de 2015

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Cultura ou barbárie

Num comentário feito numa das mais populares redes sociais alguém, de forma clara e sintética, expressava a sua opinião sobre as touradas picadas da seguinte forma: “Se isto é cultura então o canibalismo é gastronomia.”
Mas porquê agora uma discussão, nos Açores, sobre touradas picadas que é como quem diz a “sorte de varas”. Estamos a meados da segunda década do século XXI, o que é que se passa. Então não foi afastada, na ALRAA em 2009, essa possibilidade de retrocesso civilizacional nos Açores com a derrota de uma proposta, subscrita e apoiada por alguns deputados provenientes das bancadas do PS, PSD, CDS/PP e PPM, que tinha como pretensão a legalização desta barbárie nos Açores. Sim foi, mas ei-los que voltam à carga, desta vez sem ruído mediático, desta vez com mesma cobardia com que o matador ou toureiro, como preferirem, pede ao “picador” que insista na tortura do animal, tortura que mais não visa que romper os tecidos musculares que impedirão o touro de investir naturalmente, tortura que visa o seu sangramento diminuindo-lhe as suas capacidades e, sobretudo, a sua energia. Cobardia política de assumir no espaço público regional essa cedência a interesses que nada têm a ver com a cultura das ilhas Terceira, S. Jorge e Graciosa, ilhas onde a festa brava tem, de facto, uma tradição cultural fortemente enraizada, a tourada à corda, esta sim é a verdadeira tradição, esta sim a apropriação popular da chamada festa brava.
Mas por mera hipótese ainda que fosse uma tradição. Sim, ainda que fosse uma prática enraizada nos costumes populares seria, porventura, defensável a sua manutenção, Não. Não, assim como não é aceitável a excisão, assim como não é aceitável a lapidação, assim como não é aceitável a pena de morte, assim como não é aceitável qualquer outro ato de desumanidade que seja infligido às pessoas e aos animais.
Quem acompanha, ainda que sem grande proximidade, o que sobre o chamado mundo taurino vai acontecendo por esse planeta fora, dá conta que os movimentos abolicionistas têm vindo a conquistar importantes batalhas, quer em Espanha, quer ainda na América Latina, vitórias que se traduzem na proibição dos espetáculos taurinos, também no território português se verificam alguns avanços e são instituídas aqui e ali proibições, tudo em nome da civilização, tudo em nome do bem-estar animal, tudo afinal em nome da humanidade e de um longo e difícil percurso de evolução social.
O grupo de deputados da ALRAA que vier, de novo, a assumir esta proposta estará a contribuir para um retrocesso civilizacional sem precedentes na história dos Açores. Não tenho, de momento, dados que me permitam contabilizar os deputados que apoiam e possam vir a votar favoravelmente a legalização da sorte de varas na Região mas, se a intenção foi manifestada pelos “passos perdidos” do parlamento regional, então é porque o seu número é perigosamente elevado, assim sendo só uma alargada, forte e unida opinião pública será capaz de travar esta pretensão. Os deputados e deputadas que estão contra a legalização da sorte de varas tudo farão, em conjunto com os cidadãos e no cumprimento do mandato que lhes foi conferido pelo Povo Açoriano, para que esta ilegitimidade não seja cometida. Ilegitimidade porque a legalização da sorte de varas não consta do programa eleitoral de nenhum partido com assento parlamentar e, como tal, não está sufragada pelos eleitores.

Angra do Heroísmo, 01 de Fevereiro de 2015

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 02 de de Fevereiro de 2015

Natalie Portman - a abrir Fevereiro


Natalie Portman, para contemplar, sem palavras.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Ainda sobre a censura no Info Açores e no Açores Global


Ontem fui injusto ao generalizar, Hoje corrijo o erro e refiro em título quais os grupos que me censuraram. As minhas desculpas aos administradores de outros grupos onde a minha publicação se manteve e não foi alvo de remoção (censura)

As redes sociais (virtuais) constituíram-se com amplos espaços de difusão de opinião e informação. Tenho no entanto consciência que, como qualquer outro espaço destinado a estes e outros objetivos, a tentação de dominar as “redes” e de as manipular é a mesma que o poder, financeiro e político, tem para com todos os outros suportes de divulgação de informação e formação de opinião.
Nos Açores, naturalmente, foram-se criando espaços (grupos) que aglutinam, em alguns casos muitos milhares de membros, como são o “Info Açores” e o “Açores Global” e muitos outros de dimensão diversa consoante a temática e o espaço geográfico (virtual) a que se destinam. O funcionamento desses grupos é em princípio de total liberdade, aliás assim um pouco à semelhança do “Charlie Hedbo”, digo eu como exemplo face a recentes acontecimentos de todos conhecidos, mas não. Os grupos são administrados por pessoas que os promoveram e que estabeleceram um conjunto de regras. Digamos, nada que não seja aceitável pois alguém tem de manter o fórum em funcionamento e as regras são necessárias para o seu bom exercício. Os membros que aderem aos grupos têm ou deveriam ter conhecimento das regras e aceitam-nas quando aderem, ou não concordando optam por não integrar o grupo.
Procedimentos normais e aceitáveis. O que já não é aceitável e diria mesmo pouco democrático é a discricionariedade e arbitrariedade como o grupo de administradores, no seu todo, ou através de decisões individuais ou minoritárias interpretam as regras do funcionamento do grupo e aplicam “sanções” aos membros que, segundo eles, as infringiram.
Os guardiões da moral e dos bons costumes exercem o seu poder administrativo em nome das regras, ou melhor da sua interpretação das regras e fazem-no com já referi discricionária e arbitrariamente. Evocam o seu incumprimento sancionam, removendo publicações e bloqueando ou excluindo os seus membros, sem que estes tenham direito a ser ouvidos e apresentar a sua argumentação.
A discricionariedade é por demais evidente. Removem-se publicações com origem noutros suportes, melhor dizendo será necessário sair da timeline do grupo para aceder ao texto e às imagens, e permitem-se comentários acintosos ou mesmo atentatórios do bom nome de quem ali replica notícias, textos de opinião ou, simples frases inócuas.
Nada disto me surpreende, nem estas práticas são novas. O que é novo é a deslocalização, fruto das novas tecnologias de informação e comunicação, dos ancestrais lugares de maldizer. Apenas isso.
Surpreendente mesmo é que passados tantos anos sobre o fim oficial da censura em Portugal ela, a censura e os censores subsistam por aí em supostos espaços de liberdade de expressão e opinião.
Pelo facto de exercer um cargo público sou alvo do legítimo e desejável escrutínio dos meus concidadãos que, por vezes, se referem a mim ou há minha intervenção pública, nas redes sociais de forma menos correta, aliás não poucas vezes sem qualquer fundamento a não ser o preconceito, preconceito que como dizem os manuais é fruto do desconhecimento.
Mas o facto de exercer um cargo público não pode, nem deve ser inibidor de ter opinião sobre o que quer que seja.
Ontem emiti uma opinião sobre a qualidade do trabalho de um jornalista onde afirmo, “(…) a peça do DA fica muito aquém do que na realidade se passou em 2009. Nada que me surpreenda. (…) ”. Este meu comentário provocou naturalmente outros, desde logo do jornalista visado, bem assim como meus. Quando os comentários passaram para lá do limite do aceitável optei por escrever a minha opinião sobre o assunto e publiquei-a no meu blogue replicando-a em seguida no habitual conjunto de grupos do FB. Não repliquei no grupo onde tudo teve origem porque a temática é específica e, onde eu e o jornalista estamos do mesmo lado da barricada, ou seja, para ali não criar ruído desnecessário desviando assim a atenção do que ali é verdadeiramente importante, a luta contra a barbárie e o retrocesso civilizacional que alguns deputados da ALRAA pretendem introduzir na Região, a “Sorte de Varas”.
O texto que publiquei não é um texto politicamente correto, admito. Mas daí a ser considerado insultuoso ou difamatório vai uma distância como do inferno ao paraíso. Por ser um texto “duro” motivou as mais diversas reações, desde logo corporativas mas também outras que me abstenho de adjetivar. Mas comentários no Facebook são o que são e valem o que valem. Nada que me preocupe.
Preocupante foi o que se seguiu. O “Info Açores” pela mão de um dos guardiões da moral e dos bons costumes, numa decisão unilateral, removeu a publicação e, não satisfeito com esse seu ato censório, excluiu-me do grupo. Tem nome e rosto este censor que brandiu o “lápis azul” do fascismo. Darei conta disso quando considerar oportuno.
No “Açores Global” o procedimento foi mais cuidado, 4 administradores em 11, decidiram remover a publicação e com alguma (pouca) subtileza aconselham-me a abandonar o grupo, não foram tão longe como o “Info Açores” e hoje, é bem possível que aos 4 administradores já se tenham reunido os 7 restantes, dando assim unanimidade à decisão.
Uma triste estória mas que serve para ilustrar a censura e a manipulação existente em espaços onde devia primar a liberdade de opinião e expressão. Mas esta triste estória evidencia a forte pressão que é feita sobre alguns, não todos, os agentes políticos para se manterem afastados e não opinarem sobre a qualidade da informação regional e nacional e sobre os seus protagonistas como se tratasse de um assunto tabu e os jornalistas um grupo de intocáveis cidadãos.
Vou continuar como sempre o fiz a exercer os meus direitos de cidadania e a lutar contra a censura e a manipulação da informação.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 31 de Janeiro de 2015

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Censura nas redes sociais açorianas



O Info Açores não só removeu uma publicação minha como, sem mais explicações, me excluiu/bloqueou.

Hoje durante a tarde fui alvo de um ato censório nos grupos Info Açores e Açores Global. Uma publicação, que pode ser lida na publicação anterior, foi removida, a situação é ainda mais grave no caso do Info Açores, onde por decisão da mão que empunhou o “lápis azul” do fascismo fui excluído/bloqueado, sem que me fosse dada nenhuma explicação, ao contrário da remoção da minha publicação para a qual fui previamente avisado, ainda que isso não desculpe o ato censório.
A publicação a que me refiro teve origem num comentário feito a meu respeito num grupo no qual participo, digamos que foi assim como um direito de resposta em defesa da honra e na reposição da verdade. Os censores entenderam que a linguagem era imprópria e feria o visado. Pois bem, não coloco em causa o seu entendimento mas não aceito atos censórios.
Tudo o que escrevi tem fundamento e não retiro uma palavra que seja, aliás tive muito cuidado com a escolha das palavras para evitar ir além do aceitável.
Os jornalistas fazem diariamente juízos sobre tudo e sobre nada mas convenhamos que não podem ser isentados da avaliação dos cidadãos, exerçam eles ou não cargos políticos.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 30 de Janeiro de 2015

O "jornalista" que quer ser deputado

Foto retirada do mural do Manuel Moniz
Resposta ao Manuel Moniz pode ser lida no meu blogue, o link está no Info, no Açores Global e outros grupos de informação e discussão.
Não publiquei esta resposta no grupo, “ Corridas Picadas nos Açores Nunca”, onde foi feito o comentário por respeito aos elementos do grupo e porque o tema que aqui abordo nada tem a ver com a temática que ali se discute e, sobretudo, com o movimento de luta que ali se desenvolve.  

Oh Manuel, Em primeiro lugar fica uma declaração de princípio. Quando te quiser cobrar alguma coisa faço-o cara a cara, sabes não devo nada a ninguém e isso torna-me diferente de ti, não sou lacaio de ninguém. Se na tua consciência tocou um pequeno alarme que te fez, por ato reflexo, produzir a afirmação (…) compreendo a sua pequena “vingança”(…) esse é um problema que tu tens de resolver, não eu.
Quanto às afirmações, erradas, a propósito de quanto ganha um deputado o melhor mesmo é ires verificar as tabelas de vencimento dos detentores de cargos políticos e aplicares os devidos descontos e, concluis, que errastes à volta de 50% e depois, Bem e depois repores a verdade ficava-te bem.
Nem sequer precisas de confessar que queres, que ambicionas, que sonhas, vir um dia a ser deputado. É um direito que te assiste mas sabes que para isso o Povo tem de te eleger. E também como tu sabes o Povo não é estúpido. Sabes, Manuel conheço-te melhor do que tu imaginas e sei muito bem qual é a tua motivação e, até sei, que se um dia por qualquer acaso ou distração dos eleitores, conseguisses ser eleito isso iria constituir-se numa desilusão incomensurável, desde logo para ti, o rendimento mensal (salário) é inferior ao de alguns jornalistas da Região, por outro lado a desilusão seria o sentimento que se iria abater sobre os teus eventuais eleitores. Não sabes, nem queres saber. Queres ser, mas para se ser é preciso saber e tu, como atrás ficou dito, não sabes como se confirma todos os dias nos teus escritos. Escritos que não são inócuos, servem propósitos, alguns de que tu tens consciência, outros que pura e simplesmente não tens, nem te interessa saber quais propósitos lhe estão subjacentes.
O rigor das tuas informações aqui (FB), e no DA são conhecidas, por isso disse e continuo a dizer que a generalidade da informação na Região é medíocre e tu contribuis, em grande parte, para baixar essa média. Pelo contrário quer na minha profissão, quer no desempenho do cargo político que exerço basta consultar aquilo que tem sido a minha vida para se concluir que eu, ao contrário de ti, contribuo para elevar a média, mesmo usando botões de punho. 
O ordenado de um professor no topo da carreira (atingi o topo em 2002) já me permitia, por uma questão de opção, usar botões de punho. Tu gastas o teu parco ordenado onde muito bem entendes, eu gasto parte dele a comprar botões de punho, que chatice esta liberdade de uns poderem comprar cogumelos e outros botões de punho, que chatice a liberdade, não é Manuel.
Quanto a ti e ao teu trabalho, apenas duas ou três notas. Conheço-te desde que regressaste à Região, sei quem é que te acolheu (quem te deu a mão e a quem a mordeste), conheço o teu percurso de vida. Mas isso é do foro pessoal é, portanto, de somenos importância.
Quanto ao teu trabalho como “jornalista”. A apreciação que faço é profundamente negativa apenas por um motivo, és parcial. Reconheço a todos os cidadãos, independentemente, da sua profissão o direito à sua própria opinião, o que não é aceitável é que ao invés de produzires informação (mal ou bem paga) produzas opinião e, sobretudo sejas um instrumento de censura.
Uma nota final, O que sabes tu sobre o Syriza e o quadro político grego, nada. O que sabes sobre a minha e a posição do meu Partido sobre o financiamento estatal dos Partidos e os vencimentos dos cargos políticos, sabes tudo e não dizes nada. Talvez não saibas, mas eu informo-te de borla, que sobre a forma como os deputados do PCP se devem vestir, não existem normas ou orientações, ou seja, cada um veste-se como muito bem entende, é livre. Coisa que os lacaios não são, coisa que tu não és, livre. Tu tens dono e pelos vistos paga-te pouco, a acreditar naquilo que tu afirmas.


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 30 de Janeiro de 2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Bread and Roses






É uma sugestão cinéfila, “PRIDE”. Uma história real de união e luta pelos direitos humanos. Trabalho com direitos e justamente remunerado e o direito à diferença.
Na Londres da execrável Tatcher um grupo, pouco numeroso mas com consciência social e política, de Gays e Lésbicas promovem um movimento de apoio aos mineiros em greve. Apoio inicialmente recusado pelo preconceito, apoio conquistado na forja da luta.
Uma das cenas mais marcantes deste “PRIDE” é a interpretação da canção “Bread and Roses” (vídeo acima)

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Presente negado

Foto - João Pires
Nas asas do sonho

Vive triste e revoltado
Tem asas
Um sonho
O presente negado
O futuro adiado
Carrega no olhar
A inquietação
A incerteza
Mas acredita
E sonha
Nasceu milhafre
Vai voar nas asas do sonho
A caminho do horizonte
Lá, onde os Homens
Como as aves
Voam livres 
E o sonho terá presente
E o sonho terá futuro

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Janeiro de 2015

Sortes, ou a falta de coragem

Consta por aí que os deputados eleitos pela Terceira, não encontrando outras soluções para dar resposta aos problemas sociais e económicos que atingem a ilha, vão à socapa que é como quem diz de forma pouco corajosa, como são algumas “sortes”, levar ao parlamento regional a legalização da “sorte de varas”.
Será mais uma tentativa gorada se a revolta social contra esta barbaridade se levantar e fizer ouvir a sua voz. É isso que espero e é isso que irei promover.
Para já fiquem com este texto de Miguel Torga

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Botes e violas

Foto - Madalena Pires
O Instituto Histórico da Ilha Terceira está a promover um conjunto de sessões públicas sobre o Regime Jurídico de Proteção e Valorização do Património Móvel e Imóvel, Decreto Legislativo Regional (DLR) aprovado em Dezembro de 2014 e a aguardar promulgação pelo Representante da República.
Na passada segunda-feira, 19 de Janeiro, teve lugar a segunda das três sessões programadas e que contou com a participação de deputados e representantes dos seis partidos com assento parlamentar. Esta reflexão que hoje partilho é parte, necessariamente adaptada, da intervenção que proferi na segunda sessão pública que o Instituto Histórico da Ilha Terceira promoveu.
A discussão pública sobre uma matéria desta importância, designadamente para Angra do Heroísmo, foi praticamente inexistente. É certo que se cumpriram os preceitos regimentais do processo legislativo mas, neste caso como em muitos outros casos, a discussão pública não foi promovida por quem, independentemente, de estatutária e regimentalmente a isso não estar obrigado, ou seja, o Governo Regional. Poder-se-á afirmar, com toda a legitimidade, que esse é um papel que cabe à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), afinal o poder legislativo reside exclusivamente neste órgão de governo próprio, assim é. Mas, em bom rigor a ALRAA não dispõe dos meios nem dos instrumentos, para além dos que utilizou, para promover a discussão pública e muito menos lhe é conferida qualquer capacidade negocial.
E, assim, este diploma foi aprovado, ainda que sem recolher a unanimidade do Parlamento Regional (o PPM, o PCP e o CDS/PP abstiveram-se) mas, como dizia este diploma foi aprovado tendo apenso apenas o parecer da Ordem dos Arquitetos, o que convenhamos é muito pouco para um diploma com esta natureza e implicações. Não envolver organizações e instituições públicas, bem assim como organizações de direito privado afigura-se, para o PCP, como o pecado original deste DLR e motivou a nossa orientação de voto, ou seja, não podia o PCP validar este regime jurídico construído sem o envolvimento dos cidadãos e das organizações e instituições que de uma forma ou outra intervêm na área do património cultural móvel e imóvel.
Se, por um lado, concordo com o conceito que está subjacente às alterações que este DLR vem introduzir, algumas delas decorrentes da adequação e articulação com outros normativos legais, por outro sobejam-nos algumas dúvidas, desde logo, o não envolvimento dos municípios da Região, parceiros imprescindíveis, na construção e execução deste novo quadro legal de proteção e valorização do património móvel e imóvel, mas também pela densificação de regras sem avaliação técnica por parte das entidades interessadas, ficam a título de exemplo os (art.º 20, 27, 28 e 29). A eliminação das regras a que deve obedecer o mobiliário urbano deixa-nos, igualmente, muitas dúvidas. E ainda, sem certezas mas também com reservas, a retirada do âmbito deste diploma os exemplares e conjuntos arbóreos.
Foto retirada daqui
Por fim apenas algumas considerações de ordem geral e avulsa sobre Proteção e Valorização do Património. Não sou um conservacionista apenas pelo valor simbólico do património, seja ele móvel ou imóvel, seja ele material ou imaterial, embora considere que a sua salvaguarda apenas na perspetiva conservacionista assume, em si mesmo, grande relevância e, diria mesmo que relativamente a alguns desses bens a intervenção e salvaguarda, não poderá ir além disso, Preservar e conservar. Defendo uma perspetiva de preservação e conservação do património cultural ligado ao seu uso e fruição pelos cidadãos, diria assim, É possível modernizar e adequar aos nossos tempos sem perder a alma. Dois exemplos de preservação, de valorização e até de recuperação de património cultural regional, sem nenhuma adulteração às suas formas originais, conseguidas e julgo que bem conseguidas, por uso diverso do original num dos casos e, no outro caso mantendo o uso que lhe conferiu valor e dando-lhe novos usos.
Depois do declínio da caça à baleia e da sua total proibição os botes baleeiros, tendo-se-lhe acabado o uso estavam predestinados a serem meras peças estáticas de museus e núcleos museológicos, a assim foi durante um largo período de tempo. Hoje e devido à introdução de um novo uso, as regatas e o turismo, damos conta que muitos deles foram totalmente recuperados e é com agrado que os vemos de velas enfunadas a sulcar o mar das nossas baías. A viola da terra, de arame ou de dois corações nunca tendo estado em perigo de desuso pois as festas populares, os ranchos folclóricos e outras manifestações populares assim o garantiram, todavia verifica-se uma evolução no seu uso, ou seja, continuando a marcar a sua indispensável presença nas festas populares este instrumento musical, sem que tivesse tido nenhuma alteração é hoje ensinado nos conservatórios musicais, procura novas sonoridades, novos instrumentos parceiros, atrai novos aprendizes e novos públicos.

Angra do Heroísmo, 20 de Janeiro de 2015

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 21 de Janeiro de 2015