segunda-feira, 9 de março de 2015

A alternativa é a rutura

Não sei se pelo calendário eleitoral, se pelo resultado das eleições gregas e dos efeitos colaterais que provocaram ou, por qualquer outra razão desconhecida em Portugal o discurso do poder e da alternância contínua redondo e macio como se os portugueses não estivessem a viver uma tragédia social e económica. É certo que o povo português é de “brandos costumes”, também é certo que é “empreendedor”, a nossa história assim o comprova, somos mestres do improviso e desembaraçados, ou éramos. Na verdade as gerações do pós 25 de Abril são bem diferentes dos portugueses de antanho e, um destes dias, pode muito bem acontecer que a propaganda não seja suficiente para os manter submissos e se revoltem contra a ditadura que se instalou na democracia portuguesa. Sim, medi bem as palavras. O medo está instalado na sociedade portuguesa a maioria da população privada de direitos básicos, o poder não reside no Povo, os imperialismos dominam o nosso quotidiano. 
Mas há outros discursos e propostas de alternativa política, senão vejamos.Trinta e oito anos de política de direita e vinte e oito anos de integração capitalista na União Europeia conduziram o País para a atual situação de declínio económico, de retrocesso social, de perversão do regime democrático e de alienação da soberania nacional.
Um percurso que, ao serviço da reconstituição dos grupos monopolistas e do reforço do seu poder político e económico, conheceu novos desenvolvimentos nos últimos anos por via dos Programas de Estabilidade e Crescimento e do Pacto de Agressão que, pela mão do PS, PSD e CDS, com a cumplicidade do Presidente da República e sob a tutela da União Europeia e do FMI, foram impostos ao País. Inseparável da natureza do capitalismo, da sua crise estrutural e do processo de intensificação da exploração do trabalho que lhe estão associados, o País tem sido sujeito ao maior período de recessão e estagnação económica das últimas décadas, acompanhado pela negação de direitos constitucionalmente consagrados, pelo comprometimento do aparelho produtivo e da destruição da capacidade produtiva, pela alienação de sectores estratégicos essenciais ao desenvolvimento soberano.
Hoje, como em nenhum outro momento desde o regime fascista, coloca-se, em termos de atualidade e urgência, a concretização de uma política que liberte o País, simultaneamente, da submissão e dependência externas e do domínio do capital monopolista. A dimensão dos problemas existentes reclama a rutura com uma política determinada pela lógica do domínio do grande capital expondo o País a uma sucessão de crises destruidoras e a concretização de uma política alternativa e de uma alternativa política, patrióticas e de esquerda, vinculadas aos valores de Abril. 
A construção da alternativa é inseparável da rutura com a política de direita e da ampliação da base social e política que dê suporte a uma política patriótica e de esquerda. Só uma política que rompa com os eixos e opções da política de direita, que abandone uma orientação determinada pelos interesses do grande capital e do favorecimento da exploração do trabalho, que enfrente, com a mobilização e apoio populares, os constrangimentos e condicionamentos da União Europeia e os seus instrumentos e objetivos de usurpação da soberania, pode concretizar essa alternativa.
É no desenvolvimento da luta de massas e na ampliação da frente social, no alargamento da ação e convergência de todos os democratas e patriotas e no reforço do PCP e da sua influência que residem os fatores cruciais e decisivos para essa alternativa.
As eleições legislativas deste ano constituem um momento da maior importância. Vencendo apelos ao conformismo e à resignação, semeados para proteger o poder dominante, combatendo novas e velhas ilusões para animar falsas saídas, denunciando novas manobras para ver garantida por outras mãos a continuação da política de direita. Há alternativa, Sim, há solução para os problemas do País e uma política alternativa que coloque como objetivos garantir os direitos e condições de vida dos trabalhadores e do povo. Sim, é possível, com a luta e com o voto, assegurar um outro caminho que rompa com o continuado rumo de desastre e empobrecimento dos portugueses e de Portugal.
O PCP e a CDU apresentam-se ao País como portadores dessa política alternativa e parte insubstituível e indispensável da alternativa política que urge construir para assegurar o desenvolvimento soberano de Portugal.

Horta, 08 de Março de 2015

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 09 de Março de 2015 

domingo, 8 de março de 2015

Da mulher

Foto - Madalena Pires

Lado a lado

É um dia
Como são outros, todos os outros
Dias de luta
Contra a indignidade
Que discrimina
A filha, a irmã, a mãe
A companheira, a amiga
Este teu dia, Mulher
Celebra velhas e ganhas contendas
Este teu dia, Mulher
É mais do que recordar
É mais do que celebrar
É um dia
Como são outros, todos os outros
Dias de luta
Pela liberdade do teu sorriso
Por um brilho no teu olhar
Caminho ao teu lado
Lutando contra a indignidade
Que te aprisiona o sorriso
Que te entristece o olhar

Aníbal C. Pires, Horta, 08 de Março de 2015

sábado, 7 de março de 2015

Procuro e vou encontrar

Foto - Aníbal C. Pires

Sem pressa nem medo

E agora
Quero, mas não quero
Quero o futuro 
Não quero o presente
Sei, e não sei
Sei do espaço que quero habitar
Não sei que caminho andar
Tenho medo, tanto medo
Desta tormenta que me assola
Do vazio que invadiu os meus sonhos
Quantas dúvidas
Onde só havia convicções
Tenho pressa, tanta pressa
De chegar 
E não sei por onde ir
Perdi o Norte
Ou quero ir para Sul
Vou dar tempo ao tempo
Reencontrar o meu caminho
Careço do presente
Para conquistar o futuro
Vou chegar onde quero
Sem pressas nem receios
E a tempo de ser feliz

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 07 de Março de 2015

sexta-feira, 6 de março de 2015

Equívocos, ignorância, má-fé, ou dogma

Foto - João Pires
Sendo professor de profissão sou, por opção, um eterno aprendiz, Gosto de aprender mais do que ensinar, e pronto. Sou um cidadão de convicções, embora me engane e tenha muitas dúvidas. Não tenho uma visão unilateral do Mundo, sou tolerante mas não tolero a intolerância. Sou por natureza desassossegado sem ser hiperativo e, inquieto-me perante a dor e o sofrimento que a iniquidade inflige, ainda que por vezes os flagelados pela injustiça sejam os seus próprios carrascos.
Não sei bem qual o propósito do parágrafo anterior para o que vem a seguir mas já que está escrito, assim fica. Fica como introdução ao tema que continua a animar apaixonadas e extremadas discussões. Não, não se trata do discurso de António Costa aos empresários chineses, nada do que foi dito pelo Secretário-geral do PS me espantou e muito menos me surpreendeu. O PS mantém-se igual a si próprio não importa com que António. Não, também não é sobre a dívida do cidadão Pedro Passos Coelho à Segurança Social, basta lembrar o caso Tecnoforma para perceber a dimensão do personagem que preside ao Conselho de Ministros. A animada discussão a que me refiro é mais comezinha e não tem dimensão nacional, dirão alguns. Eu direi que sendo regional é uma questão nacional e que tratando-se do novo modelo de transportes aéreos para a Região não é, seguramente, um assunto trivial.
O direito à mobilidade e ao não isolamento das açorianas e açorianos está diretamente relacionado com o custo do transporte. Numa Região insular, arquipelágica e distante dos continentes o transporte aéreo e marítimo assumem-se como um fatores determinantes para garantir a mobilidade, mas também como potenciadores de um modelo de desenvolvimento sustentável e harmonioso. A reivindicação da melhoria da acessibilidade por via da diminuição dos custos do transporte aéreo associada à exigência de uma rede de transportes marítimos de passageiros, carga e viaturas são, por consequência, reivindicações antigas. As respostas face às caraterísticas do “mercado” conduziram a opções diversas e todas elas, por certo, criticáveis. Não se compreende o elevado custo do transporte aéreo dentro da Região, nem o elevado preço de uma passagem aérea para o continente português, assim como ninguém compreende que numa região insular e arquipelágica não existam ligações marítimas de transporte de pessoas e viaturas a ligar todas as ilhas, durante todo o ano.
Foto - João Pires
Mas centremo-nos no transporte aéreo e no novo modelo que no final deste mês entra em vigor na Região. Até agora todas as rotas do continente para a Região e vice-versa, para qualquer das gateways, estava obrigada à prestação de serviço público. Estas Obrigações de Serviço Público (OSP) garantiam um número mínimo de frequências, a disponibilização de lugares e carga, as transportadoras recebiam a chamada indemnização compensatória por residente transportado, sendo que a tarifa de residente tinha associada um conjunto de serviços e garantias ao passageiro, o resto ditava-o o “mercado”. É bom que fique claro que as transportadoras não recebiam indemnizações pelo serviço público mas por passageiro transportado, isto porque há por aí muitos equívocos decorrentes da ignorância ou, quiçá, da má-fé.
O novo modelo não obriga a nada nas rotas liberalizadas, ou seja, a Terceira e S. Miguel ficam por conta do “mercado”, para que fique claro nenhum residente irá despender mais de 134 euros para viajar para o continente português o que não significa que não tenha de “investir” muitas centenas de euros para efetuar a viagem, uma vez que não existe um teto máximo para a tarifa, vindo posteriormente a ser ressarcido do diferencial. Tirando o facto de que as transportadoras de baixo custo não mostraram interesse em voar para a Terceira tudo parece ir funcionar. Eu diria que não, e os sinais já começam a ser visíveis. Veja-se o caso da TAP que só não abandonou a rota da Terceira à semelhança do que fez com o Faial e o Pico porque, ainda tem algumas obrigações com os Açores enquanto transportadora aérea nacional. Por outro lado o abandono das rotas do Faial e do Pico, bem assim como o reforço das ligações a S. Miguel demonstra que nem as rotas com OSP são apetecíveis comercialmente e que, à TAP privatizada lhe interessa, sobretudo, o “mercado”.
Pelas rotas que não foram liberalizadas, ou seja, as que ficam sujeitas às OSP, nenhuma transportadora aérea privada ou a privatizar (TAP) manifestou qualquer interesse. O que não deixa de ter um profundo significado se associarmos esse facto às reivindicações de que a SATA tem de garantir o serviço com a mesma qualidade (frequências, disponibilidade de lugares, etc.). Significa desde logo a importância que têm a SATA e a TAP enquanto transportadoras aéreas públicas, a SATA porque irá garantir o serviço e a TAP porque está num processo de privatização e, como tal, está a libertar-se de obrigações deficitárias, coisa que não aconteceria se a TAP se mantivesse no domínio público.
Os dogmáticos defensores da liberalização do transporte aéreo e da privatização também vivem no Faial, no Pico e na Terceira e não deixa de ser curioso que, mesmos esses, agora bradem aos céus pelas obrigações das transportadoras aéreas públicas e pela exigência que cumpram, a qualquer preço, o seus deveres sem olhar ao “mercado”. 
Incongruências, diria.

Ponta Delgada, 02 de Março de 2015

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 03 de Março de 2015 

É a sonhar que se faz o caminho

Foto - auto-retrato de João Pires

A foto junta deu o mote o conhecimento, a amizade e o engenho fizeram o resto, aliás o melhor é dar a palavra ao autor que no mail que me enviou dizia a certa altura: E quando um gajo começa a pensar, faz o quê? Escreve.

Escreveu e escreveu assim,

Sonho de Luz

Da inerte escuridão irrompe um olhar frio
Outrora pensamento bambo
No seu interior reluz a chama que um dia viveu
Agora desejo fervente
Será pois não a nossa existência nada mais que fruto do descontentamento?
Sempre em luta, resiliente

Despe esse teu negro véu
Os dias além de ontem também têm amanhã
Abre os braços e faz-te ao céu
Estou aqui a teu lado para o que quer que venha
E no auge das emoções eis senão que nasce um sorriso
Chegou por fim, o sonho

À vontade de seres de novo Vida
Para além da já ida
Findemos com a dor do vazio
Que tanto te engana, como te seduz

À vontade de seres de novo Alegria
Nem que por um só dia
Lutemos pela fuga desse lugar sombrio
Onde jaz agora brilho nos teus olhos, sonho de luz

Francisco Ferreira - 04.03.05

segunda-feira, 2 de março de 2015

Música em dia de aniversário



Porque é dia de aniversário do "momentos" e porque Jim Morrison e os DOORS continuam tão inspiradores como sempre.

Subjacente a esta canção está um filme que aconselho. "Apocalipse Now".

Turismo e lowcosts nos Açores

Foto - Aníbal C. Pires
Com a alteração das Obrigações de Serviço Público e a liberalização das rotas da Terceira e S. Miguel é expetável que os fluxos de passageiros para a RAA dos Açores, em particular para a Ilha de S. Miguel, venha a sofrer um aumento significativo, aliás como, num primeiro momento, se regista com outros destinos aquando da entrada no mercado das companhias de transporte aéreo de “baixo custo”. A este aumento de visitantes corresponderá, necessariamente, um impacto económico positivo no setor do turismo.
Importa, todavia, alargar a análise e aprofundar a reflexão sobre este novo paradigma de acessibilidade à RAA e, em que medida está garantida a sustentabilidade do destino e a adequação deste modelo de transporte à sua singularidade, mas também à tipologia dos alojamentos e ao serviço que o setor nos Açores disponibiliza aos forasteiros que nos procuram.
A sustentabilidade está diretamente relacionada com a competitividade e, por sua vez a sustentabilidade só faz sentido se for entendida de forma holística, sob pena de não ser sustentável. Ou seja, a sustentabilidade é desde logo ambiental, social e económica e, por outro lado, a sustentabilidade dos destinos é construída a partir de uma simples, mas não simplista, constatação do mercado e que pode ter a seguinte tradução para a linguagem comum: os turistas pagam mais caro para conhecer locais menos explorados, menos turísticos, menos massificados, onde as experiências são únicas.
Os Açores valem pela sua singularidade geográfica, ambiental, paisagística e cultural, sendo um destino único a sua massificação pode por em causa a sua mais-valia, assim sendo e após o esperado impacto inicial de crescimento do setor por via, da diminuição das tarifas aéreas, a prazo vai verificar-se o declínio dos fluxos até à sua estabilização. Quero com isto dizer ao “boom” inicial se vai seguir um período de abrandamento, diria ainda que o setor pode e tem condições para se afirmar como um destino atrativo, competitivo e, sobretudo, sustentável. E, em minha opinião, é a sustentabilidade que pode garantir o sucesso. Para tal, a Região, tem de avaliar o modelo de oferta turística e adequá-lo às caraterísticas endógenas, isto é, insistir em massificar o destino Açores, como parece ser o objetivo com a opção por um modelo de transportes aéreos atrativos para transportadoras aéreas de baixo custo e pela tipologia das infraestruturas de alojamento já instaladas e outras anunciadas. 
Esta tentativa viabilizar o setor do turismo na Região com a sua massificação, tendo como principal âncora as passagens aéreas de baixo custo é um erro que nos pode acarretar custos elevados num futuro próximo, desde logo porque o setor não está preparado para receber com qualidade que a excelência e singularidade do destino o exigem e, por outro lado, à riqueza gerada não irá corresponder um esperado desenvolvimento harmonioso pois o modelo está desenhado, imposto pelas companhias de baixo custo para centralizar os fluxos turísticos em S. Miguel. O resultado será, está bom de ver, o acentuar das assimetrias ao desenvolvimento regional.
Angra do Heroísmo, 20 de Fevereiro de 2015

Aníbal C. Pires, In NO Revista, 2 de Março de 2015, Ponta Delgada

7.º aniversário do "momentos"

Foto - Aníbal C. Pires
Este blogue nasceu à 7 anos após sugestão de um amigo e colega. Por aqui passam os textos que regularmente publico na comunicação social regional, mas também palavras soltas sobre tudo e sobre nada. Mas o “momentos” não se fica só pelas palavras. Fotos, vídeos, divulgação, informação alternativa, música e cinema também aqui têm espaço.
Com o advento de outras plataformas de comunicação e interação para partilha de textos, imagens e vídeos os blogues perderam alguma importância. Muitos entusiastas e até alguns dos pioneiros abandonaram a blogosfera, eu optei por manter este espaço e aproveitei as caraterísticas de outras plataformas, como o Facebook e o Google +, para potenciar o “momentos”. Tem dado resultado e este espaço vai manter-se, para já, com esta roupagem e sempre com a matriz pessoal que o caracteriza.


Jacqueline Bisset - a abrir Março

Para abrir Março trago Jacqueline Bisset uma atriz inglesa com um olhar magnético ao qual não se fica indiferente.












Tem uma vasta filmografia e trabalhou com vários realizadores consagrados. Aqui podem aceder ao trailer do filme À sombra do Vulcão, realizado por John Huston

sábado, 28 de fevereiro de 2015

FADOS


Para encerrar o mês de Fevereiro fica uma sugestão que sendo do cinema, é da música, do fado, é do Mundo e da universalidade do povo português.
A viagem lusófona foi dos homens, das plantas, dos sabores e dos sons.
Esta é uma viagem pelos sons recriados e mesclados em África e no Brasil e do seu regresso às origens de onde volta sempre a partir.
Mornas, Modinhas e Lunduns, Fado, Rap, San Jon. É a universalidade da música interiorizada pelo povo da lusofonia numa proposta de Carlos Saura.
Se pensam ficar por casa fica a sugestão “FADOS” o vídeo está completo e tem qualidade HD.