terça-feira, 31 de março de 2015

Novo modelo de transporte aéreo e a procura interna e externa de turismo

Foto - Madalena Pires
Consta por aí que existe uma grande procura nos voos das 4 transportadoras aéreas que operam entre Lisboa e Ponta Delgada e Ponta Delgada Lisboa. Importaria saber se nesta primeira fase, de alguma euforia é certo, a procura é maior em Lisboa ou em Ponta Delgada. O dado é importante para aferir do sucesso do modelo, sei que é cedo mas … se quem ler esta publicação tiver essa informação e ma queira ceder ficava muito agradecido.
É que andam por aí algumas línguas viperinas a afirmar que o novo modelo de transporte aéreo está a levar mais passageiros dos Açores para Lisboa do que os que vêm de Lisboa para os Açores, digo Ponta Delgada. Considerando, é claro que os voos de Lisboa para Ponta Delgada incluem os passageiros que regressam à origem e como tal não devem ser contabilizados como forasteiros. 
Não quero acreditar que assim seja pois, o modelo desenhado pelo Governo Regional e pelo Governo da República foi concebido para trazer turistas, muitos turistas. Se os residentes começam a sair para passar o fim-de-semana fora e a Região (9 ilhas) não é compensada com a perda que se vai registar no turismo interno, então ficamos como um problema a juntar a muitos outros.
E a coesão pá

Love, Rosie - uma sugestão cinéfila






É um filme ligeiro para um daqueles serões ou mesmo tardes em que descontrair é o melhor remédio.
Depois tem a jovem atriz Lily Collins que me quer parecer tem um brilhante futuro nesta e noutras artes.

Não deixem de ver Love, Rosie

SAMBA - uma sugestão cinéfila





Será uma história como tantas outras histórias de migrantes ilegais, em França ou em qualquer outra parte do Mundo, mas nunca é de mais para ganhar consciência social e, sobretudo, consciência política.

Conta com a interpretação de Omar Sy e Charlotte Gainsbourg o que só por si garante o tempo que dedicarem a SAMBA.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Dia de S. "low cost"

Foto retirada da internet
Chegou o tão almejado dia. Realizou-se o primeiro voo de uma transportadora aérea de “baixo custo” (low cost) para os Açores, ou melhor, para S. Miguel. No aeroporto de Ponta Delgada houve “festa” para a qual não faltaram algumas personalidades que ao invés de tratarem do que é seu (nosso) promovem a concorrência. 
Mas se os responsáveis pelos transportes na Região e na República não escondem a sua enorme satisfação e apoio aos concorrentes (privados) das transportadoras aéreas (públicas) regional e nacional, já o Presidente do Governo Regional foi até ao muro das lamentações expressar os seus queixumes pela TAP ter abandonado as rotas açorianas com obrigações de serviço público. O muro das lamentações desta vez situava-se na cerimónia de aniversário da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) que também faz parte do grupo dos indefetíveis das “low costs” o que não deixa de ser, diria interessante, para não utilizar vocabulário menos próprio, pois o Grupo SATA é uma das mais representativas empresas regionais com sede em Ponta Delgada. Paradoxos ou, qualquer outra coisa que a razão desconhece. Pensei que CCIPD tinha como um dos seus objetivos a defesa das empresas regionais, e neste particular as que têm a sua sede social em S. Miguel, Equívocos meus sem dúvida.
Dizem por aí os indefetíveis das “low costs” e também os mais cautelosos, que se inicia hoje uma revolução, para os primeiros e uma reforma para os segundos, nas ligações aéreas dos Açores para o continente português. Eu não diria uma revolução nem tão-pouco uma reforma mas, tão-somente uma alteração no paradigma. E se as alterações são no modelo do transporte aéreo o princípio que lhe está subjacente é velho e bem conhecido dos portugueses. Trata-se de privatizar o lucro deixando para o setor público os prejuízos. Nada de novo e, são sempre os mesmo a arcar com os custos, os contribuintes, ou seja, todos nós.
Mas se as manifestações de satisfação, diria mesmo de êxtase, são muitas e sobretudo bem alimentadas pela propaganda privada e pública, afinal fo(i)ram o(s) o(s) Governo(s) aqui ou na capital que, finalmente, liberalizaram as rotas para S. Miguel e para a Terceira, muitas outras manifestações de desagrado (a seu tempo irão surgir mais) já emergiram, desde logo da Terceira que, como era esperado, não foi objeto de interesse de nenhuma das “low costs”, depois foi a vez dos faialenses caírem em si quando perceberam que a TAP abandonava a rota Horta/Lisboa. E eu pergunto aqui e agora, Estavam à espera de quê. As rotas com obrigações de serviço público modificado (Faial, Pico e Santa Maria) são deficitárias devido ao reduzido número médio de passageiros transportados. Se nem a Terceira foi objeto de interesse, para além da TAP e da SATA, a SATA porque tem mesmo de ser (é pública, é nossa) e a TAP porque mesmo no cenário da privatização fica com obrigações para com as Regiões Autónomas, obrigações que decorrem do caderno de encargos da privatização. Mas como dizia para além da SATA e da TAP, a rota da Terceira estando liberalizada, por conseguinte liberta de obrigações de serviço público, não é apetecível às “low costs, por que motivo é que a TAP iria voar para aquelas rotas (Faial e Pico). É o mercado, livre de obrigações que lhes serve, à TAP privatizada e às “low costs” que não querem obrigações mas não abdicam das compensações, Sim compensações que também nós, os contribuintes, pagamos. Talvez procurando saber, por exemplo, quem é que comparticipa a campanha publicitária às “low costs” para promover o destino Açores se perceba como é que com os dinheiros públicos se financiam as empresas privadas. Este é apenas um exemplo de entre outros.
O novo modelo de transporte aéreo para a Região tem alguns contornos que importa sejam devidamente esclarecidos. Já sei que para o comum dos mortais não interessa saber quem paga, pagamos todos mas alguns de nós esquecem-se disso, os custos do modelo e quais os efeitos que a prazo vai provocar na transportadora aérea regional.
A SATA Internacional para além de outras questões vai ter de assegurar as ligações entre o Faial e Lisboa e o Pico e Lisboa, tratando-se de rotas com Obrigações de Serviço Público deveria ser paga por garantir um serviço que como se sabe, é deficitário. Deveria ser compensada mas não vai ser porque o novo modelo não o contempla. Por outro lado a estratégia para as rotas liberalizadas, que nunca poderá ser por via das tarifas mas sim pela diferenciação e qualidade do serviço oferecido, está longe de se afirmar se é que já existe.
Quanto às “borlas” (encaminhamentos) para quem chega a Ponta Delgada (em qualquer das 4 transportadoras que ali operam) e quer viajar para outra ilha será paga à SATA Air Açores pelo Governo Regional. Ora sabendo-se o tempo que a SATA demora a ser ressarcida, e quando o é, pelo serviço prestado tá bom de ver o que vai acontecer.
Não se assustem é o Governo Regional que paga mas o dinheiro vem de Lisboa. Pois é, a República estabeleceu um valor um pouco superior ao que estava a pagar de indemnizações compensatórias, no anterior modelo, para suportar os custos dos encaminhamentos, das indemnizações aos passageiros (subsídio social de mobilidade, ou seja quando pagar 500 euros pela passagem, será ressarcido de 366, pois só paga 134) e da carga. A questão é, O que irá acontecer quando for atingido o montante anual (16 milhões de euros) atribuído pela República para os encaminhamentos, para o subsídio social de mobilidade e para a carga. Não sei, depois veremos qual a resposta dos responsáveis que, neste caso, são exatamente 2, o PS e o PSD.

Ponta Delgada, 29 de Março de 2015

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 30 de Março de 2015

sábado, 28 de março de 2015

Orações pagãs


Urgência(s)

Um tímido sorriso 
Um rubor na face
Um silêncio que fala
Uma palavra ciciada
Um olhar ávido
E acontece
Inesperado
O beijo, o abraço
E as palavras, o sorriso, o olhar e o silêncio
Acatam a vontade
Do corpo, e calam
Perante a urgência
Que desponta
Dos corpos enlaçados
Apressados pelo momento
Desnudam-se, colam-se
Agitados, quentes, suados
Fundem-se ofegantes
Num imenso frenesim
Apelam a Deus
A urgência chegou ao fim

Aníbal C. Pires, Santa Cruz da Graciosa, 26 de Março de 2015

quinta-feira, 19 de março de 2015

Perfis

O inquilino do Palácio de Belém, a um ano da sua saída, brindou os portugueses com mais alguns recados. Desta vez resolveu tecer considerações sobre o “perfil” do próximo Presidente da República, não quero sequer pensar que esta intervenção do senhor Silva tenha como significado, como alguns analistas criticaram, de má-fé certamente, que a intenção representava uma indicação para a sua sucessão, embora algumas personalidades da nossa praça se tenham, de imediato, perfilado como putativos herdeiros à cadeira que Cavaco Silva ocupa. 
Pode não ter significado a indicação do “herdeiro” presidencial mas que é uma clara tentativa de condicionar a livre escolha dos portugueses, disso não tenho dúvidas. Cavaco Silva é, por vezes, acusado de não se pronunciar sobre as questões que flagelam os portugueses, pelo menos uma imensa maioria, neste caso o inquilino do Palácio de Belém perdeu uma grande oportunidade de estar caladinho. 
Outras oportunidades perdidas marcam os mandatos presidenciais do senhor Silva, seja a sua comunicação ao País sobre o Estatuto Político dos Açores, seja tantas outras intervenções já incluídas em algumas antologias do anedotário nacional. Mas Cavaco Silva carateriza-se, também, pela sua inércia quanto ao que é verdadeiramente o interesse nacional ao não exercer as competências que lhe estão cometidas, como seja, face à ilegitimidade do governo e da maioria que o suporta, a dissolução da Assembleia da República dando assim cumprimento ao seu juramento, “Juro por minha honra desempenhar fielmente as funções em que fico investido e defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição da República Portuguesa”, ponto 3 do Artigo 127 da Constituição da República Portuguesa (CRP). Cavaco Silva não cumpriu nem fez cumprir a CRP e como tal deveria ter sido alvo de uma ação de despejo, mas isso são contas de outro rosário. Regressemos ao perfil do Presidente da República e para isso nada melhor que ver o que a CRP nos diz, “São elegíveis os cidadãos eleitores, portugueses de origem, maiores de 35 anos.” Artigo 122 da Constituição da República Portuguesa. Este é o perfil, E não há outro. A livre escolha, de entre os milhões de portugueses que encaixam na norma constitucional, é da responsabilidade do Povo português, ainda que esse mesmo Povo nem sempre faça as escolhas mais apropriadas como quando escolheu, por duas vezes, o senhor Silva para Presidente da República, ou quando é levado ao engodo da propaganda ao serviço da alternância política, que tão bem tem servido os interesses instalados e, escolhe os carrascos que o zurzem.

Ponta Delgada, 17 de Março de 2015

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 18 de Março de 2015

terça-feira, 17 de março de 2015

Percursos

Foto e aguarela de Ana Rita Afonso
A cores

Sou ilha de lava
Nascida do fogo
E do caos telúrico
Que o tempo serenou
A desordem 
Deu lugar à quietude
A escuridão à luz
E despontei verde
Enlaçada de azuis

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 17 de Março de 2015

Das cores às palavras

Aguarela e foto de Ana Rita Afonso

Retalhos da vida

Em constante inquietude
Percorro a existência
Nem sempre linear
Tantas vezes sinuosa
Guardo todos os instantes
Nem sempres a cores
Tantas vezes cendrados
Estes instantes 
São pedaços de mim
Com estes retalhos
Caminho pela vida
Com o passado presente
E o futuro no olhar

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 16 de Março de 2015

Avaliar e recriar

Foto - Ana Rita Afonso

Dos ciclos

Já o tempo foi 
Das palavras 
Inspirarem formas e cores 
Agora é o tempo 
Das palavras desabrocharem 
Das formas e das cores
Amanhã 
Será outro tempo
Um tempo 
Ainda e sempre de amor

Aníbal C. Pires, 16 de Março de 2015

Hipocrisia e calculismo político

Foto - Aníbal C. Pires
Na passada semana o PSD promoveu um debate no Parlamento Regional subordinado ao tema, "Anemia do investimento, estagnação da economia e crise social". Nada mais oportuno, o PSD criou um espaço de discussão sobre a situação do País e da Região, num momento em que Portugal, em toda a sua dimensão geográfica e política, está mergulhado numa profunda crise social e económica e o investimento público e privado está, não diria anémico mas, em coma.
O tema proposto pelo PSD, não só decorre de um diagnóstico correto, mas também corresponde aos principais efeitos do programa que, pela sua própria mão foi aplicado a Portugal. Não, não esqueci que o PSD teve sempre o apoio do PS, com umas abstenções violentas pelo meio, e que o CDS/PP é também corresponsável pela tragédia que se abate sobre os portugueses.
Presumo que o PSD não terá promovido o aludido debate com o objetivo de contemplar embevecido a obra do seu próprio Governo, na República e, quem sabe pretendendo, mesmo, saudar os seus fiéis aliados, o PS e o CDS/PP, que nunca faltaram com a sua assinatura, voto e apoio mais ou menos assumido em todas as decisões fundamentais deste processo de ruína e empobrecimento do País, e por conseguinte das regiões insulares e autónomas.
A estagnação da economia, a crise social e o estado de coma do investimento público e privado são consequência da deriva neoliberal do PS e da União Europeia aprofundada no memorando da troika, e que o PSD e o CDS/PP não só aplicaram como aprofundaram.
O objetivo do PSD Açores não era esse, como bem se vê. O PSD nos Açores procura, a todo o custo, descolar das políticas que estão na origem crescimento desmesurado da dívida, pública e privada, e recusa da sua renegociação, do brutal corte da despesa do Estado, do monstruoso aumento da carga fiscal, da redução dos salários e do rendimento das famílias, e por consequência da diminuição da procura interna. O PSD Açores procurar, procura mas não consegue pois, em bom rigor tem as mesmas responsabilidades que o PS e o CDS/PP. A aplicação do programa da FMI do BCE e da UE é da responsabilidade exclusiva da troika nacional mas não deixam de se mostrar surpreendidos como se não fossem os grandes responsáveis. Isto não é surpresa é hipocrisia política.
Na Região os indicadores sociais e económicos são ainda mais dramáticos que no território continental o que só pode ter um significado e uma leitura. As opções políticas e económicas da governação autónoma do PS nos Açores não evitaram a histórica e crónica permeabilidade da economia regional aos contextos nacionais e internacionais desfavoráveis. Diminuir a dependência e a porosidade da economia regional a contextos internacionais adversos devia ter sido a prioridade. Não o foi e o resultado disso está a vista. Os Açores vivem hoje uma situação de profunda crise social e económica sem precedentes no histórico da autonomia constitucional. 
O Governo Regional do PS aplicou sempre, com todo o zelo e dedicação, todas e cada uma das medidas de austeridade, recusando utilizar as competências da nossa Autonomia para aliviar os sacrifícios impostos ao Povo Açoriano. 
E, para termos o exemplo mais recente e mais claro note-se que o PS Açores, com o apoio do CDS/PP, um dos parceiros da troika nacional, atrasa e recusa repor o diferencial fiscal na Região em toda a sua amplitude. Atraso injustificado pois a decisão deveria ter sido tomada aquando da aprovação do Orçamento e do Plano para 2015, ou seja em Novembro passado. E a recusa de introduzir na economia regional um fator potenciador de alguma dinâmica económica, por via da redução de custos e encargos às empresas e às famílias, diminuindo a taxa superior do IVA de 18% para 16%. Em 2016, ano eleitoral, é bem possível que o PS Açores, com ou sem o CDS/PP, venha propor essa redução, se assim acontecer então ficará confirmado que a governação é feita com base no calculismo eleitoral.

Ponta Delgada, 15 de Março de 2015

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 16 de Março de 2015