terça-feira, 17 de novembro de 2015

Outra serra





A publicação deste pequeno excerto de um texto em construção dedico-o aos trabalhadores das Minas da Panasqueira.






"(...) O silêncio carregava odores e sons de uma infância passada na beira de outras serras, de granito, xisto e volfrâmio. Serras desventradas, paisagens desumanizadas, habitadas por gente que veio de outras serras, das planícies, das ilhas. Gente dura como o minério que arrancava das entranhas da serra, gente que aprendeu a viver entre a escuridão impregnada de poeira de sílica e a claridade do ar que vinha dos pinheiros bravos da serra. Outra serra, outras aldeias de montanha. (...)"

Aníbal C. Pires, 16 de Novembro de 2015

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Qual o valor da vida

Foto - Aníbal C. Pires
Condeno veementemente e de igual modo todos os atos de violência e de terror sejam eles perpetrados no coração de uma cidade europeia ou em qualquer outra parte do Mundo. A vida humana não vale mais em Paris, do que em África, na Síria, no Líbano, em Israel ou em Gaza, no Iraque, no Afeganistão, no Saara Ocidental ou em qualquer outro rincão deste nosso Mundo.
Nos últimos dias foram perpetrados ataques terroristas pelo DAESH (designação para “estado islâmico” da qual os jihadistas não gostam, ameaçam até cortar a língua a quem os designar dessa forma) no Líbano, na Síria e em Paris. Tendo estes atos de terror a mesma origem a sua condenação e a consternação assumiram, porém, dimensões diferentes. Nada de novo. Em Abril passado todos foram Charlie e poucos foram quenianos. É a proximidade, sem dúvida. Mas é sobretudo a falta de informação e a formatação da comunicação que induz estes comportamentos de cidadania que diferenciam o valor da vida. Mas essas análises deixo-as para a psicologia social que, seguramente, encontrará as explicações para este fenómeno que aos meus olhos configuram, tantas e tantas vezes, puros exercícios de hipocrisia.
Falamos de terror e de terrorismo quando são ceifadas vidas inocentes com recurso à violência armada, seja disparando indiscriminadamente sobre a população, seja com atentados à bomba com viaturas armadilhadas ou ainda quando alguém se faz explodir a si próprio em locais de grande concentração de pessoas. Mas o que dizer, como adjetivar os motivos que estão na origem das crianças que desde que está a ler este texto já morreram com fome e subnutrição. Que dizer e como adjetivar os motivos que estão na origem das pessoas que desde que está a ler este texto já morreram devido a doenças provocadas pela falta de água potável, saneamento básico e higiene. Não será isto terror, Não será isto terrorismo.
Foto retirada da internet
Voltando aos terroristas do DAESH à sua génese e apoios, terroristas que não devem ter lido esta parte do Corão, "Não matareis a pessoa humana porque Alá a declarou sagrada" (Corão,VI,151). Os dados disponíveis apontam para que este grupo e outros semelhantes tenham sido criados, financiados e armados pelo Ocidente através do seu braço armado, a NATO. A intervenção russa na Síria veio demonstrar que os Estados Unidos, os seus principais aliados e a NATO estão na Síria, como estiveram no Kosovo, no Iraque, no Afeganistão e na Líbia para derrubar os ”regimes” e daí retirarem os dividendos conhecidos e não para combaterem o DAESH. Como sabemos não são os “regimes” que interessam à NATO porque se, verdadeiramente, fossem os regimes a motivação para as intervenções militares mais ou menos encapotadas a Arábia Saudita, de entre outras ditaduras do golfo pérsico, já há muito teriam sido objeto de intervenções militares e do derrube do “regime”.
O terrorismo assuma ele a forma da fome, da desigualdade ou dos atentados violentos, ou quaisquer que sejam as suas causas e objetivos proclamados, serve sempre os interesses dos donos do Mundo, o capital financeiro. A resposta mais eficaz ao terrorismo passa necessariamente pelo combate às suas raízes, sejam elas políticas, económicas e sociais, e pela defesa e afirmação dos valores da liberdade, da democracia, da soberania e independência dos Estados.
Ponta Delgada, 15 de Novembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 16 de Novembro de 2015

domingo, 15 de novembro de 2015

Construir ideias

Foto - Aníbal C. Pires
Excerto do texto que amanhã será publicado no "Jornal Diário e no Azores Digital"

Em Abril passado todos foram Charlie e poucos foram quenianos. É a proximidade, sem dúvida. Mas é sobretudo a falta de informação e a formatação da comunicação que induz estes comportamentos de cidadania que diferenciam o valor da vida.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 15 de Novembro de 2015

Do tempo que corre

Foto - Aníbal C. Pires








Por nada e por tudo, trago este excerto de um texto escrito no princípio do ano e publicado neste blogue e na imprensa regional.
Tenham um bom Domingo.








"Não tenho uma visão unilateral do Mundo, sou tolerante mas não tolero a intolerância. Sou por natureza desassossegado sem ser hiperativo e, inquieto-me perante a dor e o sofrimento que a iniquidade inflige, ainda que por vezes os flagelados pela injustiça sejam os seus próprios carrascos. "

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 02 de Março de 2015

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Democracia e democratas

Foto - Aníbal C. Pires
Para os democratas de direita, estejam eles no PS, no PSD ou no CDS, a democracia é chique, moderna e plural enquanto o PCP lhe servir apenas de adorno. Fica bem à democracia portuguesa este adereço e enquanto assim for, os democratas de direita toleram o PCP mas sempre como um enfeite, nunca como um partido capaz de assumir responsabilidades no arco da governação, seja lá o que isso for. Não, isso é que nunca.
O tempo que vivemos é um tempo novo. É um tempo de esperança que se desenha no horizonte, é um tempo que alguns dizem ser histórico, E porquê. Porque o PCP fez aquilo que sempre disse aos trabalhadores e ao povo português a cada eleição que disputa. Honraremos os nossos compromissos e assumiremos as responsabilidades que o nosso Povo nos quiser conferir, não mais que isto mas, não é pouco, É determinante para que em Portugal se possa concretizar a formação de um governo capaz de devolver a alegria e a esperança ao povo português. Se é um governo patriótico e de esquerda, não diria tanto. Mas não será, seguramente, um governo que coloque o bem-estar dos trabalhadores e do povo português como a sua última das últimas prioridades.

Foto retirada da Internet
Trata-se, tão-somente, de que um governo de iniciativa do PS com o apoio do PCP e do BE possa vir a assumir os destinos de Portugal nos próximos 4 anos, afinal nada de estranho é um governo apoiado pela maioria de deputados da Assembleia da República, é apenas a democracia a funcionar em toda sua plenitude, é apenas a materialização da vontade da maioria dos eleitores. Mas há quem não goste da democracia e tenha reiterado a sua visão totalitária da vida política portuguesa, desde logo o inquilino do Palácio de Belém, que em primeira instância rejeitou a solução que lhe foi apresentada e apadrinhou os seus rapazes não se coibindo de destilar ódio sobre o PCP, o PEV e o BE, desrespeitando todos os portugueses que confiaram o seu voto a estes partidos, partidos tão legítimos como qualquer outro. Outros foram deixando cair a máscara de democratas e foi um tal retirar da gaveta os velhos e estafados argumentos anticomunistas, alguns ainda se preocuparam em dar-lhe uma nova roupagem, outros nem a esse trabalho se deram tal foi o pânico que se gerou nas instaladas hostes de beneficiários de uma democracia que só é boa quando alterna, mas que se diaboliza quando se configura, ainda que ligeiramente, como uma alternativa.
Os ataques mais ou menos velados ao PCP os autos de fé anticomunistas encheram e enchem as colunas dos jornais e os painéis de comentário e análise politica nas televisões deixando a nu que a pluralidade de opinião e o rigor não tem passado de mais uma falácia.
A cultura democrática em Portugal ainda tem um longo percurso a percorrer, os exemplos de governos europeus formados com o apoio de partidos comunistas são vários e, configuram acordos parlamentares que resultam da vontade dos eleitores, a democracia funciona sem sobressaltos, em Portugal essa possibilidade despertou a verdadeira natureza dos democratas de proveta herdeiros de um passado obscuro e ditatorial de quase meio século. É essa nostalgia de um passado que manteve o povo português agrilhoado que tem vindo a ser regurgitada pelos mercenários da formação de opinião ao serviço dos “donos disto tudo” e dos seus procuradores políticos.
Angra do Heroísmo, 10 de Novembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 11 de Novembro de 2015

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Comunista, obrigado!

Foto - Ana Loura
A semana passada uma cronista nacional com assento nos jornais e televisão veio assumir-se publicamente como anticomunista. Esta necessidade de afirmar o que muitos de nós já sabíamos foi feita num texto formal e estruturalmente sem mácula. O texto foi partilhado inúmeras vezes nas redes sociais, não terá sido viral mas quase, até porque se tratava de um texto e não de imagens. Dei conta do texto por uma das partilhas feitas por alguns amigos virtuais, que na partilha colocaram coisas como “de grande fôlego” ou “extraordinária reflexão” e, face a isto lá fui ler a Clara Ferreira Alves (CFA), até porque os amigos a que me refiro não são apenas virtuais, são bem reais e personalidades por quem nutro respeito intelectual e político.
E se formal e estruturalmente o escrito de CFA não tem nada que se lhe aponte, aliás como já ficou expresso, quanto aos factos a erudição da ilustre cronista esvai-se nas entrelinhas dos argumentos com que sustenta a sua alegre confissão. Não vou sequer demonstrar que a CFA mente quando fala os tempos do PREC na Faculdade de Direito, ou que ignora a história do PCP, bem assim como o seu programa. Quanto às alusões ao relacionamento de Álvaro Cunhal e José Saramago, então não vale mesmo a pena perder tempo com a CFA.
A frase chave que retira toda a credibilidade aos factos apresentados por CFA, não à sua opinião que pode expressar livremente porque os comunistas lutaram e morreram para que isso fosse possível, é a seguinte:
"Sou uma anticomunista que não tem vergonha de ser anticomunista e que tem e teve amigos comunistas (mais teve do que tem, porque tudo o que se relaciona com esta doutrina é, irremediavelmente, passado). Claro que podem ler nesta frase — “tenho amigos comunistas” — a mesma desconfiança que leem quando os homofóbicos dizem que têm amigos gays. E, já que falamos disso, o PCP sempre foi ferozmente antigay. Só se mudaram. Já lá iremos."
A emenda foi pior que o soneto. E lá continuei a ler o texto esperando pela promessa (Já lá iremos) da mudança ou não da posição do PCP sobre a homossexualidade. Li até ao fim e não encontrei, afinal a CFA não foi. Talvez um dia vá, mas não foi desta. Ou então ter-se-á esquecido tal era a vontade de deixar bem claro que, não só é anticomunista, como também considera que esta coisa de um governo do PS com o apoio do PCP e do BE é contra natura.

Já agora a propósito da suposta posição homofóbica o PCP recorro ao jornalista Luís Osório que sobre o assunto e a propósito dos incidentes da Festa do Avante escreveu o seguinte:
“Nunca fui comunista. Várias vezes tenho combatido um partido que é, na sua essência, ortodoxo e (na minha opinião) profundamente conservador. Porém, os ataques ao PCP por causa das agressões na Festa do Avante! Ataques que insinuam que o problema está na homofobia dos comunistas, são injustos e vis. O meu pai foi um dos primeiros comunistas a assumir a sua homossexualidade. Esteve mais de vinte anos na cúpula da organização da Festa, militou no PCP desde o final da década de 1960 e foi sempre apoiado política e pessoalmente. No momento da sua morte, a última cerimónia, antes da cremação, vários membros do Comité Central dedicaram-lhe palavras de despedida. Por esses dias recebi um telefonema de Jerónimo de Sousa. É justo que se diga, em memória dele e da verdade.”
Não acredito que a CFA, profunda conhecedora do PCP, não tenha lido este escrito do Luís Osório onde fica demonstrado que o PCP, sobre as questões da homossexualidade, já mudou há muito tempo.
Direito à opinião certamente que sim, todos a temos nem que seja por uma questão de fé, como me parece ser o caso da CFA que a terminar diz que desde pequenina que é portuguesa e anticomunista, se a primeira é uma condição a segunda é mesmo uma questão de fé. Não discuto mas não aceito alarvidades nem a mentira. Por mim sou português desde que nasci, benfiquista desde pequenino e comunista já lá vão 41 anos.
Ponta Delgada, 08 de Novembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 10 de Novembro de 2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Precariedade, um problema de direitos humanos

retirado da internet
O trabalho e a uma remuneração justa e adequada pela prestação do trabalho, constituem-se como direitos básicos. Direitos consagrados na Carta dos Diretos Humanos, art.º 23. Face à taxa de desemprego na Região e no País, face à substituição do direito ao trabalho por estágios, em contexto de trabalho, e de programas e programinhas ocupacionais onde não existe nem contrato de trabalho, nem remuneração, tendo sido substituídos, respetivamente, por contratos de estágio (formação) e subsídios, diria que nos Açores, bem assim como o restante território nacional, não se cumprem os Direitos Humanos. Podem vir agora os sábios economistas dizer que neste contexto não existem alternativas, eu diria que sim, é possível se as políticas públicas o promoverem. Para que não subsistam dúvidas refiro-me a políticas públicas de emprego e não a emprego público, embora também o emprego público tenha capacidade para absorver muitos dos portugueses que estão privados do direito ao trabalho. A redução do horário de trabalho ao invés do seu prolongamento, a redução da idade de reforma e uma política salarial justa constituem-se como imperativos para garantir o direito ao trabalho a todos os portugueses.
Associado ao desemprego está também a precariedade laboral que induz a insegurança e o medo. O medo de que não seja renovado o contrato, o medo do despedimento porque trabalha a recibo verde, a incerteza quanto ao futuro de milhares e milhares de estagiários, a incerteza quanto ao futuro de milhares e milhares de “beneficiários” dos programas ocupacionais.
A elevada taxa de desemprego, a precariedade e o expediente dos estágios e dos programas ocupacionais para ofuscar a realidade da situação social e económica se, em boa verdade, atingem os cidadãos que assim se veem privados do direito ao trabalho e à remuneração, não será menos verdade que este é um sinal inequívoco de uma sociedade doente, um sinal de que a democracia portuguesa está debilitada porque não garante aos cidadãos direitos básicos, como é o direito ao trabalho.
A precariedade tornou-se uma situação completamente generalizada. Na nossa Região, é possível calcular que nos novos contratos de trabalho, só 1 em cada 10, não corresponde a contratos a termo certo. E também na questão do vínculo, não apenas na questão das remunerações, se mantém uma profunda desigualdade de género pois, para as mulheres, só um em cada 20 contratos correspondem a contratos sem termo.
Retirado da Internet
A generalização da precariedade, bem como a abundância de programas ocupacionais contribui para a existência de cada vez maior pressão sobre os trabalhadores, forçados a todo o tipo de condições, com horários alargados e polivalência de funções, fazendo com que vários postos de trabalho acabem por ser cumpridos por apenas um trabalhador, sem maior compensação pelo esforço a que é obrigado e com os óbvios efeitos em termos do desemprego na Região.
Na nossa Região, existem pessoas que sobrevivem há anos neste autêntico carrossel da precariedade. Ele são os estágios não remunerados, os cursos de formação profissional, os estágios profissionais, os programas e programinhas ocupacionais… Este já não é só um problema de direitos laborais, é já um problema de direitos humanos. A precariedade laboral é um vergonhoso atentado aos direitos básicos, um vergonhoso flagelo, uma infame praga social que atinge atualmente, na Região, milhares de trabalhadores, sobretudo jovens e mulheres.
A precariedade dos contratos de trabalho e dos vínculos vai muito para além da questão laboral. É a precariedade da família, é a precariedade da vida, mas é igualmente a precariedade da formação, das qualificações e da experiência profissional, é a precariedade do perfil produtivo e da produtividade do trabalho. A precariedade laboral é portanto um fator de instabilidade e injustiça social que urge resolver.
Horta, 03 de Novembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 04 de Novembro de 2015

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A vergonha e os sem vergonha

O ocupante do Palácio de Belém empossou um governo a prazo e deixou o país suspenso num governo que se sabe precário. O prazo de durabilidade do governo aponta apenas para os próximos 8 ou 9 dias quando Cavaco Silva tinha outra opção. Uma opção duradoura e que reúne a vontade da maioria dos eleitores e dos deputados eleitos para representarem essa vontade de mudança e rutura. Mas não, Cavaco Silva optou pela instabilidade mantendo-se fiel aos seus amigos e aos interesses que eles representam. Cavaco Silva, já o terei dito mas reitero afirmação, assumiu o papel de procurador dos mercados e de administrador delegado dos interesses estrangeiros em Portugal. Cavaco Silva há muito que deixou de ser o Presidente da República Portuguesa, se é que alguma vez o chegou a ser, para agora, despojado de qualquer pudor, assumir a sua verdadeira natureza política de vendilhão do povo português e de Portugal. Se estranho o comportamento de Cavaco Silva, Claro que não. Enquanto primeiro-ministro delapidou a economia nacional, ou o que dela restava, como Presidente da República deu cobertura aos mais diversos atentados à Constituição que jurou cumprir e fazer cumprir.
O tempo se encarregará de o remeter para o esquecimento e a história dele dirá que foi um dos principais responsáveis pelos retrocessos sociais e económicos que se verificaram em Portugal depois da Revolução de Abril de 1974. E sobre Cavaco Silva fico mesmo por aqui pois da poeira do tempo emergem outros factos por ele protagonizados em nome de Portugal português e que nos envergonham enquanto povo.
Sem vergonha são-no também os dirigentes dos Estados Unidos e Israel que de entre os 193 países representados nas Nações Unidas foram os únicos a votarem a favor da manutenção do bloqueio a Cuba, desta vez nem se verificaram abstenções. Esta foi a 24.ª decisão das Nações Unidas sobre o fim do bloqueio a Cuba e ocorreu no passado dia 27 de Outubro.
Mas sem vergonha são-no também as instâncias da União Europeia que, apesar dos países que a integram votarem a favor do fim do bloqueio, mantém em vigor a “Posição Comum” que na prática efetiva o bloqueio da União Europeia a Cuba. O relatório apresentado por Cuba dá conta de que organizações com sede na União Europeia, designadamente organizações financeiras, se recusam a realizar transações que impliquem uma relação com Cuba.
O bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba dura desde 1962 e foi decidido após a tentativa de invasão de Cuba por forças apoiadas pelos EUA.
Ponta Delgada, 01 de Novembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 02 de Novembro de 2015

domingo, 1 de novembro de 2015

Camila Vallejo - a abrir Novembro

Foto retirada da internet
Porque bonitas são as mulheres que lutam também o mês de Novembro abre com, Camila Vallejo, uma linda e jovem mulher que não se rende. Luta por um Mundo melhor.















Camila nasceu em 1988, estudou Geografia na Universidade de Santiago do Chile e liderou o movimento estudantil no Chile em defesa do ensino público. É deputada do Partido Comunista do Chile. Foi considerada a personalidade do ano de 2011, pelo jornal britânico The Guardian.




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Jornada pelo céu das ilhas(*)

Naquela manhã de sol apenas ponteavam algumas nuvens no celeste azul que a vista alcançava. O mar e a terra refulgiam em matizes de cerúleo que a transparência e a tranquilidade dos elementos exaltavam.
Logo após a descolagem no aeroporto do Faial percebi que a rota para a Terceira me iria proporcionar uma visão renovada da montanha do Pico. Íamos pelo Sul.
As caldeirinhas por detrás do Monte da Guia, a cidade da Horta escalando pelo anfiteatro natural que lhe está sobranceiro e a abriga dos ventos de Oeste passaram rapidamente. Em poucos minutos ganhamos altitude e atravessamos o canal.
Sobrevoamos a ilha maior. Ao longe os ilhéus da Madalena. A Candelária vai ficando atrás e a majestosa montanha aproxima-se, a suavidade dos pastos e a monumental paisagem da vinha dá lugar à encosta íngreme e negra. Bem no topo do vulcão adormecido, um planalto de onde emerge um pequeno cone que remata o recorte da montanha do Pico, qual pináculo de uma catedral. Para minha surpresa e agrado a aeronave roda para a esquerda e proporciona uma visão diferente da montanha e numa suave diagonal aproximamo-nos de S. Jorge.
A visão desfruta a magnífica paisagem da costa Sul da ilha de Francisco Lacerda, desde os Rosais à Calheta, para logo dar lugar à não menos excelsa costa Norte onde pontificam a Caldeira do Santo Cristo e a Fajã dos Cubres. Mais além… para Norte, recortada no horizonte, a Graciosa.
 Na jornada para Oriente espera-nos uma breve escala na ilha de Jesus Cristo a escolha de navegação é, uma vez mais, pelo Sul, passamos ao largo de S. Mateus e de Angra. Para lá do ilhéu da Cabras estendo a vista para Norte e descortino o porto oceânico da Praia da Vitória e o casario da urbe que viu nascer Nemésio que, na aproximação ao aeroporto das Lajes, iremos sobrevoar.
Saímos rumo ao aeroporto João Paulo II passados que foram os habituais 20 minutos de escala. O que seria apenas mais uma viagem entre a Terceira e a ilha do Arcanjo e um olhar repetido, mas sempre desejado, sobre a costa Sul de S. Miguel dos Mosteiros a Ponta Delgada não aconteceu. O voo cruzou os céus da ilha sobre o maciço das Sete Cidades dando a ver aos viajantes a majestade das lagoas que, num tempo não muito distante, já foram de azul e verde.

(*) Texto escrito a 17 de Maio de 2009 e publicado por esses dias que se seguiram. Mas este é, como outros textos, um texto sem tempo.

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 28 de Outubro de 2015