segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Escolhas

Foto - Madalena Pires






Fragmento de texto escrito e publicado em Março de 2006.







"(...) A vida singular e coletiva é construída, a cada passo, por escolhas. As nossas opções pessoais e coletivas determinam, se não totalmente pelo menos em grande parte, o nosso futuro enquanto indivíduos. Ou seja, quando decidimos ir “por ali” em vez de ir “por aqui” ou “por acolá” estamos a escolher o que queremos para nós dali para a frente. (...)"

Não forma, formata

Foto - Aníbal C. Pires
Ando já há algum tempo a matutar na ideia que a evolução social e civilizacional não foi tão longe quanto julgava, mas não só. Mesmo o que ajuizava ser um acervo consolidado da humanidade, afinal tem pés de barro. Avaliei mal. Não evoluímos socialmente tanto quanto me parecia, continuamos a comportarmo-nos como aquilo que afinal somos, animais. Animais cuja evolução que decorre do conhecimento, da ciência e da tecnologia nos está a encaminhar para um triste fim. As declarações de princípios subscritas e aplaudidas nas instâncias internacionais, pela generalidade dos países do Mundo, não passam de meras e bonitas declarações de circunstância para protelar a necessária rutura com um modelo de desenvolvimento depredador, insustentável e que provoca gritantes e profundas injustiças sociais e económicas.
A vitória da Frente Nacional de Marie Le Pen nas eleições regionais francesas terão contribuído para que hoje tivesse optado por este tema, por esta preocupação. Não porque tenha avaliado mal, isso é de somenos importância, os meus juízos não são infalíveis e dúvidas tenho cada vez mais. A preocupação decorre da constatação que os sistemas educativos são ineficazes, ou seja, não transformam. Direi, para ser justo, que em Portugal houve um tempo, muito curto é certo, em que a
Foto - Aníbal C. Pires
Escola se assumiu com um dos agentes ativos da transformação da sociedade. Um perigo ao qual rapidamente se pôs cobro. E a Escola voltou ao que sempre foi, uma Escola que não transforma, uma Escola que reproduz e tende a perpetuar modelos e estilos de vida atomizados.
A atomização social não acontece(u) por acaso, por exemplo o empreendedorismo, tão em voga, não passa de uma desresponsabilização coletiva em nome da liberdade individual e, da desresponsabilização coletiva na promoção de políticas públicas de emprego, sem que isso coloque em causa a liberdade individual. Promover iniciativas de autoemprego não deve significar a demissão coletiva de promoção do emprego para todos. Julgo mesmo que só com a assunção coletiva da necessidade de promover de políticas públicas de emprego se pode garantir a liberdade individual, ou seja, manter o desemprego a taxas elevadas, ou promover o emprego sem direitos, isso sim, é privar os cidadãos de um direito básico e cercear a sua liberdade individual.
A penetração na opinião pública e, por conseguinte, a aceitação pela maioria dos cidadãos de uma cultura atomizada da sociedade não promoveu a diferenciação, estamos mais iguais nos costumes. A uniformidade dos hábitos e do pensamento favorece o domínio dos cidadãos e o poder gosta e serve-se dessa imensa mole de gente a pensar e a consumir o mesmo.
E é com base na premissa anterior que o discurso xenófobo aliado a um evento recente deu a vitória a Marie Le Pen nas eleições regionais francesas, e é com base na premissa anterior que a direita portuguesa colheu um apoio significativo nas eleições de 4 de Outubro, e é com base nessa premissa que uma grande parte da opinião pública mundial continua a ver num muçulmano um potencial terrorista.
Poderia dizer que a comunicação social de massas é um forte aliado do secular poder do capital financeiro, mas não estaria a ser rigoroso. A comunicação social de massas não é um aliado, é o instrumento do poder financeiro para exercer domínio sobre os cidadãos, tornando-os mais iguais nos costumes e escravos do pensamento único.
Um povo informado e culto não se verga perante os amos, não se deixa manipular, exige e luta. Um povo informado e culto é uma ameaça ao poder secular do capital financeiro e dos seus representantes políticos. Um povo informado e culto não se deixa amordaçar, não tem medo. Um povo informado e culto não se domina, é livre.
Talvez por isso a Escola não forme, formate.
Horta, 06 de Dezembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 07 de Dezembro de 2015

domingo, 6 de dezembro de 2015

da liberdade

Foto - Aníbal C. Pires


Fragmento de texto a publicar amanhã na imprensa regional e aqui no blogue.

"(...) Um povo informado e culto não se domina, é livre. 
Talvez por isso a Escola não forme, formate. (...)"

sábado, 5 de dezembro de 2015

Não é de agora

Foto retirada da internet
Fragmento de um texto publicado no momentos e na imprensa regional em de Dezembro de 2008

"(...) As virtualidades da globalização estão à vista! A desgraça foi, em definitivo, globalizada. Já não precisamos de olhar para o Sul do subdesenvolvimento e fazer campanhas de angariação de géneros e ficar de consciência tranquila. Ao Norte desenvolvido e civilizado não faltam cidadãos para alimentar, para cuidar.(...)"

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Sem que o tempo tenha passado por ele

Foto - Aníbal C. Pires
Fragmento de um texto escrito no Ninho do Açor, Castelo Branco, em Outubro de 2012 e publicado, ainda em Outubro, no momentos e na imprensa regional.

"(...) Ontem, andei por aí.

Por aí à procura de memórias, calcorreando trilhos da minha infância e, por aí, revisitei lugares onde fiz aprendizagens, onde destruí medos, onde ganhei amigos perdidos no curso da vida, onde brinquei, onde me iniciei nas primeiras letras e, até o velho relógio do campanário da igreja, onde aprendi a medir o tempo, lá estava. Continua a bater as horas sem que o tempo tenha passado por ele. (...)"

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Nada de novo

Foto - Madalena Pires
A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), na passada semana aprovou, apenas com os votos favoráveis do PS, o Plano de Investimentos e o Orçamento para 2016. O PS aprovou meia dúzia de propostas de alteração, das muitas dezenas de propostas apresentadas pelos cinco partidos da oposição. Até parece que o PS é um partido que, mesmo sem disso necessitar, está aberto a acolher as propostas e a dialogar com os partidos da oposição. Mas só parece.
O Plano e Orçamento consubstanciam as opções e a estratégia do governo regional, apoiado pela maioria absoluta do PS na ALRAA, estes dois instrumentos continuam a não dar respostas aos grandes problemas da nossa Região. Antes pelo contrário são o reflexo da teimosia e da cegueira políticas, agravadas pela ânsia de perpetuação no poder suportada por maiorias absolutas acríticas como as que têm caracterizado o PS nos Açores.
Assim, estes documentos, em vez de desenhar uma política, tentam esconder uma realidade. Em vez de procurarem soluções, insistem nos erros. Ao invés de resolver adiam ou escondem os problemas. Em vez de dar resposta aos anseios, tentam calar os descontentamentos. Em vez de serem ferramentas para governar, são instrumentos para angariar apoios eleitorais.
O Plano e o Orçamento são também a continuidade de uma política que teve e tem efeitos destrutivos na nossa Região. A política que falhou em desenvolver o nosso sector produtivo e que não o conseguiu proteger das flutuações internacionais e que colocou os agricultores e pescadores açorianos à beira de um ataque de nervos por incapacidade de satisfazer compromissos e encargos com o financiamento dos seus investimentos, devido à queda do rendimento do seu trabalho. A política que tudo fez e tudo faz para tornar mais barato o custo do trabalho, mais baixas as remunerações dos trabalhadores, mais precários e com menos direitos os seus vínculos.
A política que transformou o trabalho, de direito humano básico, em benesse supostamente caritativa, dando aos açorianos que tiveram a desdita de ficar sem emprego o “privilégio” de serem explorados à vontade, de trabalharem sem quaisquer direitos nem regalias, a troco de salários miseráveis.
Esta é a política que esqueceu, ou guardou na gaveta, o primeiro dos objetivos da nossa Autonomia, a coesão social e territorial dos Açores. E, assim, continua a centralizar medidas e investimentos onde for preciso ganhar votos ou consolidar clientelas, de um lado, e a contribuir para o esvaziamento e a agravar a desertificação, por outro, deixando-nos com um arquipélago a várias velocidades, onde o fosso de desenvolvimento socioeconómico é cada vez mais fundo e onde os contrastes, também sociais, são cada vez mais gritantes.
Confesso que tinha esperança, talvez por estarmos à entrada de um ano de eleições regionais, de um vislumbre de uma inversão da política seguida até aqui, de um vestígio de mudança de atitude, de uma centelha um rasgo de imaginação e coragem política para reconhecer erros e fazer diferente. Mas não, a expetativa que tinha foi uma vez mais defraudada. Nada disso se encontra nos documentos aprovados. Apenas a velha política deste Governo, para mal dos Açores e dos açorianos.
Ponta Delgada, 01 de Dezembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 02 de Dezembro de 2015

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Angélique Namaika - a abrir Dezembro







E porque bonitas são as mulheres que lutam Angélique Namaika abre o “momentos” de Dezembro de 2015.














Porque é mulher e porque o tema dos refugiados tem estado na ordem do dia fica este pequeno tributo à vencedora do prémio Nansen 2013, atribuído pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR).









"Angélique Namaika já ajudou a transformar a vida de mais de duas mil mulheres e meninas que foram abusadas e forçadas a deixar suas casas. A maioria destas mulheres protagonizam histórias de sequestro, trabalho forçado, espancamento, assassinato e outras violações de direitos humanos."

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Uma questão de memória

Imagem retirada da internet



Este não é um texto sobre os refugiados mas bem podia ser. Este é um texto de 2005 e aborda um relatório do Observatório Europeu dos Fenómenos Racistas e Xenófobos divulgado no início desse ano. Hoje ao relê-lo e face às manifestações xenófobas que a situação dos refugiados despoletou, pensei cá para comigo que bem podia ter sido escrito hoje.





Uma questão de memória 
Foi com alguma perplexidade e apreensão que tomei conhecimento das conclusões de um estudo do Observatório Europeu dos Fenómenos Racistas e Xenófobos realizado recentemente.
As conclusões não deixam margem para equívocos, a maioria dos cidadãos europeus não concorda com a entrada de mais estrangeiros no território europeu. No topo a Grécia, na cauda a Suécia, o quarto lugar é ocupado por Portugal. Mais de 60% dos portugueses diz não à entrada de mais imigrantes.
Sabendo-se que Portugal é um país de mestiçagens, os estudos genéticos assim o comprovam, e de emigração – poucas famílias portuguesas não terão vivenciado, direta ou indiretamente, a dor da partida, a saudade de alguém que procurou, procura, melhor sorte, noutras paragens. Daí advém a minha perplexidade, Será que os portugueses não têm memória. Será que este povo não se reconhece no “outro”.
Foto - Aníbal C. Pires
A memória de alguns acontecimentos de cariz xenófoba que, ciclicamente, vão tendo lugar nos países europeus transforma-se, em preocupação.
A esmagadora maioria dos mais de 60% de portugueses que entendem não dever ser permitida a vinda de mais imigrantes para Portugal tem baixas qualificações académicas, mantêm relações laborais precárias e não detêm qualificações profissionais. A contextualização das conclusões obtidas face à caracterização socioprofissional, do segmento da amostra, que mais reservas põe à entrada de imigrantes permite compreender melhor os resultados obtidos mas, no entanto, não deixa de constituir uma preocupação.
A fobia do terrorismo, decorrente do 11 de Setembro de 2001 e de 11 de Março de 2004, associada à retração da economia portuguesa e europeia, imposta pelo garrote do Pacto de Estabilidade e Crescimento, contribuem, seguramente, para que a opinião pública portuguesa, nomeadamente, a mais permeável à manipulação da informação e a mais fragilizada social e economicamente, formule opiniões como a que foi divulgada pelo estudo do Observatório Europeu de Fenómenos Racistas e Xenófobos.
As conclusões do estudo justificam a necessidade, por mim expressa em diferentes fóruns, de se encararem os assuntos da imigração e da gestão da diversidade com seriedade e rigor, equacionando as diferentes variáveis deste fenómeno que, não sendo de hoje, assume, atualmente, uma dimensão e multiplicidade preocupantes.
A gestão dos fluxos migratórios não se faz com barreiras administrativas, veja-se o fracasso da contingentação imposta pela “lei da imigração” portuguesa, nem mesmo com barreiras físicas, os perigos da travessia do estreito de Gibraltar ou a super vigiada fronteira do México com os Estados Unidos, impedem que milhares de pessoas insistam nesta “imigração de desespero” provocada pelas diferenças, cada vez mais acentuadas, de desenvolvimento entre um Norte cada vez mais rico, mas que já produz muitos pobres, e o Sul, cronicamente pobre, cada vez mais pobre.
A gestão efetiva e racional dos fluxos migratórios terá de equacionar, inquestionavelmente, acordos com os países emissores de imigrantes, com os países de trânsito e, principalmente, por uma nova ordem internacional que respeite o direito dos povos e dos indivíduos a usufruírem de uma vida digna, no respeito da diversidade e dos Direitos do Homem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 17 de Março de 2005

Sabores(*)

Imagem retirada da internet
A alimentação humana cedo passou da mera satisfação de uma necessidade primária para se transformar num processo de socialização das comunidades humanas.
À volta da mesa e na degustação dos alimentos transmitem-se e herdam-se valores ancestrais. Valores que, por serem antigos, não devem ser confundidos com conservadorismo. E importa preservá-los, pois são estruturantes da educação e formação dos indivíduos. Sentar a família à volta de uma refeição é um momento fundamental no quotidiano familiar, não só pela satisfação da necessidade fisiológica em si mesma mas pelo simbolismo da partilha e, sobretudo, pelo encontro diário de pessoas unidas por laços de parentesco e pelo legado cultural e formativo que esses momentos proporcionam, se utilizados para esse efeito.
À modernidade não sobra tempo, dirão os mais cáusticos, nem para confeccionar os alimentos quanto mais para conversar ou transmitir o que quer que seja durante uma refeição. À modernidade devia sobrar todo o tempo do Mundo para educar as nossas crianças e para as acompanhar em todos os aspectos do seu crescimento e formação pessoal e social. Direi eu, do cume da minha utopia.
Não pretendo tergiversar sobre nutrição, nem gastronomia tradicional ou gourmet mas sempre direi que somos aquilo que ingerimos e, quer por razões de bem-estar, quer ainda por razões de ordem cultural evitemos a “fast-food”.
Vamos aproveitar todos os momentos e circunstâncias para afirmar o que nos torna diferentes na globalização dos costumes e da cultura, mas também porque a gastronomia tradicional devidamente adaptada às nossas necessidades e estilos de vida só pode redundar em qualidade de vida.
A viagem pelos sabores da gastronomia popular é um percurso de descoberta de hábitos e culturas dos povos e da sua relação com o meio ambiente ao qual se foi juntando, em doses sabiamente adequadas, algumas técnicas e tecnologias.
A exiguidade de solo arável e de água determinou a “cachupa” cabo-verdiana, mais ou menos rica conforme a disponibilidade das proteínas animais. O tronco do cereal ampara a leguminosa no seu trepar em busca do sol que os há-de amadurecer. O milho e o feijão passam dos campos para o prato numa simbiose perfeita e traduzem o quotidiano alimentar de um povo que, em condições de grande adversidade, soube construir os sabores da “morabeza”.
Se é assim com a cachupa cabo-verdiana o mesmo poderemos dizer das “migas” alentejanas, das originais “pizzas” do sul de Itália ou dos “tacos” mexicanos. A disponibilidade dos ingredientes e a forma como são combinados e confecionados trazem à mistura alguns dos condimentos que fazem a história da alimentação humana.
(*) Texto escrito, na Covilhã, em Agosto de 2007 e hoje revisto e atualizado.
 Horta, 22 de Novembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 23 de Novembro de 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Se é mau, Não será

Imagem retirada da internet
As redes sociais proporcionam uma rápida difusão da informação sobre acontecimentos ocorridos nos mais recônditos lugares do planeta. Rede disponível e um smartphone é quanto baste para fazer a “notícia”. Se é mau, Não será. Se é bom, Talvez.
Mais importantes do que estas “fast notícias” são os juízos que se fazem delas e, sobretudo, o objetivo com que são depois difundidas e comentadas. Quantas e quantas vezes e passado o impacto inicial nos apercebemos que afinal, Não era bem assim. Isto para além das leituras enviesadas fabricadas pelos mercenários (uns voluntários, outros nem por isso) das redes sociais. E depois nunca há lugar a um desmentido. Quem leu agora já não lê depois e fica com a “notícia” original, não confirma a sua veracidade não procura outras fontes e, “voilà”, Tá conseguido o objetivo, algumas vezes nobre, muitas vezes nem por isso. É o resultado do mediatismo e do imediatismo que carateriza o nosso tempo onde o espaço para a reflexão deixou de existir. Tudo tem de ser agora, daqui a pouco já não tem interesse. O papel que sempre esteve alocado à comunicação social é hoje um espaço partilhado e anárquico. Se é mau, Não será. Se é bom, Talvez.
Não se pense que esta breve reflexão sobre as redes sociais têm como objetivo denegri-las, Não, não pensem. A internet e as redes sociais permitiram a democratização do acesso à informação e, sobretudo, a possibilidade de aceder a fontes e partilha de informação que as corporações mediáticas não citam, não utilizam e obliteram. Logo só posso estar satisfeito com isso, E estou, e utilizo a rede e as suas plataformas de informação e comunicação.
A questão é outra e, preocupa-me. Sendo a internet e as plataformas de informação e comunicação que lhe estão associadas instrumentos aos quais um número significativo de pessoas acede e utiliza para diferentes fins, mas também para se informar e para difundir informação é, natural que se tenham enquistado na rede os tais mercenários a que me referi. Alguns destes mercenários estão por militância e tudo fazem para desconstruir a informação e a opinião com a qual não estão alinhados, os outros, os mercenários remunerados, estes fabricam as notícias e procuram credibilizá-las através dos OCS tradicionais, manipulam a opinião. São assim como uma espécie de terroristas virtuais que em nome da liberdade individual e do direito à opinião, valores incontestáveis, mentem, omitem, manipulam, formam a opinião que serve o amo, seja por uma questão de crença, seja como meio de vida. Novas tecnologias, novas oportunidades de ganhar a vidinha, prostituindo-se. E esta opção não é uma opção nova. É bem antiga, como velhas são as estratégias de dominação de um grupo humano sobre outros. O medo, sombra alongada da ignorância, é o principal aliado de quem continua a dominar a opinião pública mundial.
A liberdade individual é diretamente proporcional ao conhecimento. Quanto mais cultos e informados, mais livres.  
Ponta Delgada, 17 de Novembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 18 de Novembro de 2015