sábado, 19 de dezembro de 2015

cultura é liberdade

Foto - Aníbal C. Pires







Fragmento de texto escrito e publicado em 2008






"(...) Ser professor foi, em tempos, um prazer e esperança mais do que o exercício de uma profissão, ser professor é, era, deveria ser, caminhar pela vida de mãos dadas com a liberdade que só o conhecimento e a cultura conferem e, mormente, dotar os jovens aprendizes de cidadão dos instrumentos que lhes permitam libertar-se do espectro da eterna canga da servidão e da dominação. (...)"

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

da saudade e do "Divino"

Foto - Aníbal C. Pires





Fragmento de texto escrito em Maio de 2008






(...) Regressei às ilhas afortunadas, a um dos seus mais belos rincões num tempo em que nestas ilhas, que tu gostando por vezes desgostavas, pela distância, pela ausência e pela saudade de nós, se celebra a partilha, a solidariedade e o espírito comunitário numa construção coletiva, recriada, reconstruída, em cada lugar, em cada freguesia, em cada ilha, onde um povo moldado pela severidade da natureza que tantas vezes o empurrou para lá do horizonte, continua, aqui nestas ilhas tantas vezes esquecidas, lutando estoicamente pelo futuro. (...)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

espaço de liberdade

Foto - Aníbal C. Pires sobre estudos a aguarela de Ana Rita Afonso





Fragmento de um texto escrito em Novembro de 2007 a propósito da exposição de arte contemporânea, SINAIS, promovida pela Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD), em Ponta Delgada.





"(...) A arte contemporânea mais do que a contemplação do “belo”, de leitura simples e quase imediata da arte figurativa, possibilita viagens pelo imaginário individual na procura interpretativa do que se observa e sente, mais do que a procura do que o criador quis transmitir ou sentiu, embora, os dois percursos não sejam, de todo, indissociáveis. Esta será, porventura, uma das maiores virtualidades da arte contemporânea. Um espaço de liberdade para produzir e criar sem formatações nem preconceitos, espaço de liberdade para interpretar, fruir e sentir viajando na utopia do ver para além do que é alegórico. (...)"

da juventude

Foto - Madalena Pires






Fragmento de um texto escrito em 2008 e baseado numa conversa ao fim de tarde num espaço comercial da marginal de Ponta Delgada.





"(...)
- Então, meninas, o que querem ser quando forem grandes?
- Boa! Respondeu prontamente uma delas enquanto a outra soltava uma saudável gargalhada.
- Como!? Retorqui, atónito com a resposta
- Boa pergunta. Disse a jovem, esclarecendo.
- Ah! Percebo. Ainda não tomastes decisões para o futuro.
- Sim! É isso. Confirmou a Ana, já com a face levemente rosada.
 - Eu quero fazer medicina. Disse a bem disposta Maria, rindo ainda da pronta mas inusitada resposta da colega.
Depois deste breve diálogo, sobre o qual ainda se produziram algumas gargalhadas face à insólita e espontânea mas incompleta resposta, fiquei a reflectir sobre as expectativas e dificuldades desta geração. 
Geração nada e criada num tempo de exacerbada competitividade e com referências algo desvirtuadas por estereótipos de sucesso construído em imagens dum Mundo, em que o êxito está associado à capacidade de consumo, aos corpos esbeltos, ao parecer, ao ter, E onde mais do que ser, é importante possuir e, sobretudo, induzir sugestões de pertença ao Mundo dos individualmente bem-sucedidos. (...)"

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

ver o Sol chegar

Foto - Aníbal C. Pires





É mais um fragmento de um texto de 2007 que aborda, ainda que de forma metafórica, a generalização de vias diferenciadas de ensino na escola pública.









"(...) É nesta cidade com portas e mar apelidada de feliz mas igual a tantas outras deste país adiado. É do seu bojo, do bojo das cidades, do centro e da periferia, que emergem estes meninos sem condição para quem a Escola, esta Escola, que sendo pública e para todos é, cada vez mais, só para alguns e, a cada dia que passa, menos democrática. 
Estes meninos sem condição que hoje chegam à Escola nas cidades deste país, tenham, ou não, portas e mar, são os filhos dos filhos dos meninos que um dia depositaram a esperança, nos versos de denúncia das injustiças e das desigualdades sociais, contida no poema de José Afonso, e que numa madrugada de cravos florida foram correndo, ver o sol chegar. (...)"

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

de presidente em presidente

Foto - Madalena Pires

Quando em 2007 o Governo Regional substituiu, na Presidência do Conselho de Administração da SATA, o Eng. António Cansado pelo Doutor Gomes de Menezes escrevi, a esse propósito, um texto onde, de entre outros assuntos, abordava essa decisão do Governo Regional
O fragmento que abaixo publico foi retirado desse texto e, diria que, no fundo, o poderia ter escrito agora a propósito da saída do Dr. Luís Parreirão e da entrada do Eng. Paulo Menezes.





"(...) Sem nenhum desprimor, quer para um, quer para outro, mas a verdade é que para os cidadãos e para a economia regional o importante não é tanto saber quem é o Presidente do Conselho de Administração da SATA. Importante mesmo é saber se alguma coisa vai mudar na política de transportes aéreos dentro e para o exterior da Região. E que mudanças se vão verificar na cultura do grupo. Isso sim é verdadeiramente importante. (...)"

singular

Foto - Madalena Pires






Fragmento de texto publicado em 2007








"(...) e só esta pesada herança da qual ainda não nos libertámos e nos torna tão submissos, tão dependentes, permite a destruição da riqueza patrimonial que fazem destas ínsulas um lugar. Isso mesmo, um lugar. No sentido de único. Um lugar que não se confunde com qualquer outro. (...)" 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Revoltado

Uma foto da ilha de S. Miguel ao entardecer e uma pequena frase escrita pelo jovem que a publicou.
Parcas foram as palavras mas profundo e relevante é o seu significado.
Nasceu nestas ilhas do Atlântico Norte. Não foi por vontade própria que se ausentou, e isso transparece da pequena frase que acompanha a imagem. E se os motivos que o levam a afirmar, “De onde quero fugir (…) ” não são compreensíveis, para quem não lhe conhece a estória recente, já o amor à sua ilha e à sua Região estão bem patentes nas restantes palavras que escreve, “(…) é, ao mesmo tempo, para onde eu quero ir”.
Um entre tantos outros jovens açorianos que partem querendo ficar. E os Açores ficam mais pobres por cada filho seu que parte.

Aníbal C. Pires, Horta, 12 de Dezembro de 2015

da uniformidade dos costumes e dos lugares






Fragmento de texto escrito e publicado em 2007






"(...) A iluminação artificial, os anúncios a colorir a noite e se relativizarmos o fluxo do tráfico viário, àquela hora menos intenso, diria que sim, Sim tem de facto alguma semelhança. Daí até ser “fixe”, entendendo “fixe” como qualitativamente bom. Tenho, obviamente, algumas dúvidas. Dúvidas porquanto esta semelhança é sinónimo de descaracterização. As soluções encontradas enquadram-se em paradigmas de uniformidade. E isso a meu a ver não é “fixe”. (...)"

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

SATA - factos ou maledicências

Foto - Aníbal C. Pires
Cidadãos supostamente bem informados dizem-me de amiúde que eu estou sempre a criticar a SATA, que “digo mal” da SATA. Tenho muita intervenção escrita e publicada sobre a SATA, é verdade. Mas deixo o desafio para encontrarem intervenções ou textos publicados em que critico ou “digo mal” da SATA. Se alguém se der ao trabalho de pesquisar vai constatar que afinal não é bem assim, a não ser que considerem que quando questiono a estratégia da tutela ou a atuação do Conselho de Administração para as diferentes empresas do Grupo SATA, isso seja sinónimo de uma crítica gratuita ou do popular “dizer mal”. Quem aceitar o desafio irá atestar que a generalidade do que tenho dito e escrito sobre o Grupo SATA é, bem pelo contrário, em sua defesa, dos seus trabalhadores e da sua importância estratégica para os Açores. Discordar não é “dizer mal”. Discordar é, no essencial, tecer considerações sobre o que, em minha opinião, não está bem e pode e deve ser melhorado, sempre tendo no horizonte, não apenas a sua sobrevivência num mercado agressivo e híper competitivo, mas o seu crescimento e o contributo que pode dar para canalizar fluxos de pessoas, a economia regional delas necessita para alimentar a indústria do turismo, mas também de fluxos financeiros. Tudo isto foi possível, tudo isto pode ser possível, assim o queira a tutela e assim o execute o Conselho de Administração pois quanto à generalidade dos trabalhadores do Grupo SATA, tenho a certeza, que assim o desejam. Não conheço trabalhador do Grupo SATA que não esteja de acordo com uma estratégia de crescimento e a consolidação da SATA como empresa pública regional de transportes aéreos que ocupe o seu lugar no mercado nacional e internacional, que não se identifique com a premissa de que a SATA é um instrumento estratégico para o desenvolvimento regional e com a necessidade da sua afirmação no mercado nacional e internacional dos transportes aéreos.
Foto - João Pires
Afirmar que dentro do Grupo SATA está instalado um clima de medo e de intimidação não é “dizer mal” da SATA é a constatação de que o Conselho de Administração e os pequenos poderes intermédios instalados promovem uma cultura persecutória aos trabalhadores do Grupo SATA. E isto é um facto.
Afirmar que a SATA necessita adequar a frota para a operação de ligação a Lisboa a partir do Pico e do Faial, não é dizer mal, é procurar as respostas para ultrapassar as dificuldades dos condicionalismos operacionais dos aeroportos do Faial e do Pico, para diminuir os custos da operação, para melhorar a oferta, diminuir o custo da passagem para valores inferiores a 134,00 euros e tornar a operação rentável ao longo de todo ano. É possível sim. E quando for necessário aí estarei para o demonstrar.
Afirmar que a estratégia de redução da operação da Sata Internacional contribuiu para o descalabro financeiro do Grupo SATA, não é dizer mal, é constatar que o desequilíbrio operacional na SATA Internacional em 2013, ao contrário do verificado em anos anteriores, se deve que facto de que o valor libertado pelas rotas que historicamente geram valor não foi suficiente para compensar as rotas com margens historicamente negativas. E isto é um facto.
Afirmar que o plano estratégico 2015/2020 é, por um lado, redutor ao limitar o core business do grupo e, por outro, inexequível face à sua calendarização, não é dizer mal, é uma constatação de facto. As datas previstas para o phase in/phase out da substituição da frota não foram cumpridas e a ligação Açores/Cabo Verde/Açores está em banho-maria. E isto são factos.
Foto - Aníbal C. Pires
Afirmar que o Grupo não se preparou para o novo paradigma de transportes aéreos que foi introduzido na Região, não é dizer mal, é a constatação de que a SATA foi incapaz de se preparar para responder ao previsível aumento da procura. Dias houve, no Verão IATA, em que dos voos programados pela SATA Internacional mais de 45% foram realizados com recurso a ACMI, antes do Verão IATA a SATA Internacional reduziu frota de 8 para 6 aeronaves (menos um 320 e menos um 310), ou da dificuldade sentida pelos residentes em encontrarem lugares disponíveis para viajar dentro da Região. E se não é aconselhável a competição, pela tarifa praticada, com as low-cost, não deixa de ser incompreensível a diminuição da oferta da SATA Internacional em Ponta Delgada. E isto são factos.
Afirmar que ser Presidente da Associação de Turismo dos Açores (ATA) e administrador para a área comercial do Grupo SATA é, neste contexto de mercado aberto, incompatível, não é dizer mal da SATA, é uma constatação. Ou se vende para o Grupo SATA e se promove a empresa, ou se vende e promove a concorrência.
Recrutar personalidades externas para presidir ao Conselho de Administração (CA) quando dentro do CA existem quadros capazes de assumir essa função, não é dizer mal, é constatar um facto, o mesmo se poderá dizer quando se recrutam personalidades externas para chefiar Direções de Serviços quando dentro do Grupo SATA existem quadros superiores com potencial e know how para assumir essas funções, isto não é “dizer mal”, é um facto.
Por mais que isto incomode dentro e fora do Grupo SATA continuarei a opinar sempre que julgue necessário e se justifique.
Horta, 07 de Dezembro de 2015

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 10 de Dezembro de 2015