quinta-feira, 24 de dezembro de 2015
Este ano não
Este ano as palavras são estas.
Não estou disponível para continuar a alinhar nesta "festa" do consumismo nem de escrever sobre desejos e votos para o futuro.
Não contem, assim, com as habituais palavras de circunstância.
Os meus dias são todos dedicados à promoção e defesa da justiça social e à globalização do bem estar e de uma vida digna para todos.
Tenham um bom dia e fiquem com um discurso de 1940 que bem podia ser de hoje.
outros Natais
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| Foto -Aníbal C. Pires |
Dezembro de 2008 e um texto ao qual dei o título "Postal de Natal" e do qual extraí este parágrafo para partilhar em véspera de um outro Natal
"(...) é nesse momento que as palavras ganham importância. Por ora não têm importância, são apenas minhas, As palavras, Palavras sem nexo à procura mais de uma lógica que do formalismo linguístico que as ordena e lhes dá sentido e rigor, isto tudo sem deixar, porém, de ter em vista uma ética social e política de intervenção para elas, As palavras. (...)"
utopiar
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| Foto - Aníbal C. Pires |
Ainda não encontrei nada mais apropriado do que este fragmento de um texto, de Dezembro de 2008, para assinalar a data de que toda a gente, por estes dias, tanto fala.
"(...) Creio que, Se quiser eu, se quiseres tu, mesmo que eles não queiram, nós queremos e o nosso querer fará com que, outros creiam que é possível o tal mundo sonhado que eles teimam em adiar mas que eu, mas que tu, mas que nós continuamos a utopiar renovando a vida e a luta por um Mundo Melhor a caminho da globalização do bem-estar e da qualidade de vida. (...)"
terça-feira, 22 de dezembro de 2015
o trigo do joio
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| Foto - Jorge Góis |
Fragmento de um texto publicado em Outubro de 2008 no contexto pós eleições regionais desse ano.
"(...) Quando afirmo, como é costume, que nem as políticas, nem os seus atores são iguais não o faço de forma gratuita. Uma leitura mais atenta do quotidiano conduzirá, incontornavelmente, a essa conclusão. Há quem sirva o interesse público e há quem dele se sirva.
O tempo e a história se encarregarão de separar o trigo do joio. Uns perdurarão como se de uma obra de arte se tratasse, outros volatilizar-se-ão no discurso populista e demagógico com que seduzem os cidadãos e as cidadãs, outros serão vítimas das suas próprias práticas. E quer uns, quer outros serão reduzidos à sua insignificância quando o povo se decidir a ser livre, a exigir direitos e a recusar esmolas. (...)"
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
viagens
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| Foto - Aníbal C. Pires |
Fragmento de um texto de 2008. Viagem marítima (Corvo/Flores) na lancha "Estrela"
"(...) o dia estava cinzento e, ao que sempre ouvi dizer, naquele profundo canal de águas escuras a vaga parece que nunca mais acaba.
A viagem demorou cerca de 55 mn. O mar não estava mau mas… sentei-me à popa com as duas mãos a procurar a segurança do banco e de um apoio na amurada de estibordo. Nem a água que a quilha da “Estrela” a momentos atirava no ar e vinha cair aos salpicos sobre mim me fizeram levantar, nem desgrudar as mãos do amparo a que me tinha estribado logo no início da viagem.
Ao aproximarmo-nos das Flores a vaga modificou-se pela “abrigada” de terra e aí levantei-me para entrar no Porto das Poças, em Santa Cruz das Flores, com pose de grande marinheiro. (...)
domingo, 20 de dezembro de 2015
a festa e o fastio
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| Foto - Aníbal C. Pires |
Fragmentos de texto escrito e publicado em 2008, onde se reflete sobre o contínuo estado festivo que a nossa contemporaneidade promove.
"(...) A expectativa da aproximação de uma data festiva era, em si mesmo, uma festa. Festa que culminava naquele dia preciso e, depois de um período de acalmia recomeçava a espera de uma nova celebração. Tinha algum encanto, alguma magia.
Outros tempos. A festa hoje é uma constante do quotidiano. É, direi mesmo, um modo de vida para alguns que procuram na tenda do 'circo' a mesa do pão que em casa escasseia.(...)
"(...) A vulgarização do estado festivo, enfastia. Pessoalmente estou desejoso que a festa acabe e que devolvam os espaços públicos aos cidadãos para quem a vida vai para além do 'circo' ou, se preferirem, para quem a vida pode ser uma festa sem o 'circo'. (...)"
sábado, 19 de dezembro de 2015
cultura é liberdade
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| Foto - Aníbal C. Pires |
Fragmento de texto escrito e publicado em 2008
"(...) Ser professor foi, em tempos, um prazer e esperança mais do que o exercício de uma profissão, ser professor é, era, deveria ser, caminhar pela vida de mãos dadas com a liberdade que só o conhecimento e a cultura conferem e, mormente, dotar os jovens aprendizes de cidadão dos instrumentos que lhes permitam libertar-se do espectro da eterna canga da servidão e da dominação. (...)"
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
da saudade e do "Divino"
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| Foto - Aníbal C. Pires |
Fragmento de texto escrito em Maio de 2008
(...) Regressei às ilhas afortunadas, a um dos seus mais belos rincões num tempo em que nestas ilhas, que tu gostando por vezes desgostavas, pela distância, pela ausência e pela saudade de nós, se celebra a partilha, a solidariedade e o espírito comunitário numa construção coletiva, recriada, reconstruída, em cada lugar, em cada freguesia, em cada ilha, onde um povo moldado pela severidade da natureza que tantas vezes o empurrou para lá do horizonte, continua, aqui nestas ilhas tantas vezes esquecidas, lutando estoicamente pelo futuro. (...)
quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
espaço de liberdade
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| Foto - Aníbal C. Pires sobre estudos a aguarela de Ana Rita Afonso |
Fragmento de um texto escrito em Novembro de 2007 a propósito da exposição de arte contemporânea, SINAIS, promovida pela Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD), em Ponta Delgada.
"(...) A arte contemporânea mais do que a contemplação do “belo”, de leitura simples e quase imediata da arte figurativa, possibilita viagens pelo imaginário individual na procura interpretativa do que se observa e sente, mais do que a procura do que o criador quis transmitir ou sentiu, embora, os dois percursos não sejam, de todo, indissociáveis. Esta será, porventura, uma das maiores virtualidades da arte contemporânea. Um espaço de liberdade para produzir e criar sem formatações nem preconceitos, espaço de liberdade para interpretar, fruir e sentir viajando na utopia do ver para além do que é alegórico. (...)"
da juventude
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| Foto - Madalena Pires |
Fragmento de um texto escrito em 2008 e baseado numa conversa ao fim de tarde num espaço comercial da marginal de Ponta Delgada.
"(...)
- Então, meninas, o que querem ser quando forem grandes?
- Boa! Respondeu prontamente uma delas enquanto a outra soltava uma saudável gargalhada.
- Como!? Retorqui, atónito com a resposta
- Boa pergunta. Disse a jovem, esclarecendo.
- Ah! Percebo. Ainda não tomastes decisões para o futuro.
- Sim! É isso. Confirmou a Ana, já com a face levemente rosada.
- Eu quero fazer medicina. Disse a bem disposta Maria, rindo ainda da pronta mas inusitada resposta da colega.
Depois deste breve diálogo, sobre o qual ainda se produziram algumas gargalhadas face à insólita e espontânea mas incompleta resposta, fiquei a reflectir sobre as expectativas e dificuldades desta geração.
Geração nada e criada num tempo de exacerbada competitividade e com referências algo desvirtuadas por estereótipos de sucesso construído em imagens dum Mundo, em que o êxito está associado à capacidade de consumo, aos corpos esbeltos, ao parecer, ao ter, E onde mais do que ser, é importante possuir e, sobretudo, induzir sugestões de pertença ao Mundo dos individualmente bem-sucedidos. (...)"
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