segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O predestinado

Sobre as eleições presidenciais estará tudo dito, pelo menos as análises políticas e debates têm sido mais que muitas, contudo, como também tenho opinião não posso deixar de tecer algumas considerações sobre tão importante assunto como é a eleição do Presidente da República Portuguesa.
Os resultados não foram os que eu desejava, É sabido que o meu candidato era outro e que entrou nesta batalha eleitoral com o objetivo de forçar uma segunda volta onde, então sim, as possibilidades de derrotar o candidato do PSD e do CDS/PP eram bem reais pois, como todos tínhamos consciência, Marcelo Rebelo de Sousa, teria num primeiro ato eleitoral o melhor resultado dos 10 candidatos presidenciais. Assim não aconteceu, o candidato da direita obteve mais de 50% dos votos expressos e foi eleito presidente no escrutínio do dia 24 de Janeiro. A expetativa de muitos milhões de portugueses foi defraudada, a de muitos outros foi satisfeita e, para tantos outros que continuam a alhear-se da coisa pública, foi indiferente. Alheamento que contribui para que a democracia portuguesa, como qualquer flor que não é cuidada, definhe com o prejuízo que é comum a todos, não apenas aos indiferentes.
Não terá grande relevância procurar no complexo contexto destas eleições culpados, à esquerda, pela vitória da direita. Não é relevante pois não altera o desfecho mas nem por isso deixa de ser importante um olhar, ainda que breve, sobre o posicionamento do PS, que não acontece pela primeira vez, face às eleições presidenciais. Sei que é mera especulação mas se o posicionamento do PS tivesse sido outro o resultado poderia ter sido bem diferente e, a esperança renascida nas eleições de 4 de Outubro teria sido reforçada.
A candidatura de Sampaio da Nóvoa tendo sido apresentada como independente emergiu, como se sabe, no seio do PS, ou melhor de um dos PS pois, também como sabemos, o PS é um partido onde coexistem vários partidos. Não, não se trata de uma salutar diversidade de opiniões, trata-se de uma doentia e inconfessável defesa de interesses alguns deles em estreita ligação com quem tem imposto o empobrecimento a Portugal. Cedo alguns dos interesses ou partidos que coexistem dentro do PS retiraram o tapete a uma parte da direção do PS e, por consequência, à candidatura de Sampaio da Nóvoa. Nada disto aconteceu por acaso pois se o PS se tem unido à volta da candidatura de Sampaio da Nóvoa tudo poderia ter sido bem diferente. Mas isso não interessava aos outros PS para quem ter um Presidente oriundo da direita serve melhor os seus proveitos.
Para além da candidatura de Sampaio da Nóvoa e de Marcelo Rebelo de Sousa não vou referir outras candidaturas para além da de Edgar Silva, candidato apoiado pelo PCP, não por qualquer preconceito ou, como alguns dirão, pela azia que os resultados me terão provocado como, por exemplo, o resultado dessa mítica figura nacional da cultura pimba que dá pelo nome artístico de Tino de Rans, nada disso. Não é preconceito e muito menos azia é por razões bem mais preocupantes e que merecem análises psicossociológicas aturadas e para as quais não estou certificado.
No seio do PCP e da sua área de influência existem um sem número de personalidades a quem poderia ter sido confiada a responsabilidade pela candidatura presidencial. A escolha recaiu sobre Edgar Silva e, em minha opinião, muito bem. Quem conhece o Edgar Silva e com ele priva, ainda que esporadicamente, dá-se conta de que o Edgar reúne qualidades que são muito difíceis de juntar num mesmo ser. O Edgar era (é) o homem certo para um tempo novo mas o tempo não se renovou.
Bem vistas as coisas a tarefa dos 9 candidatos estava votada ao fracasso pois Marcelo Rebelo de Sousa estava predestinado, desde o berço, a desempenhar um alto cargo no Estado português, quer o Estado fosse novo ou democrático. Esta afirmação sendo simplista não deixa de se aproximar da realidade. Marcelo Rebelo de Sousa estava fadado a ser qualquer coisa mas não deixou que simplesmente acontecesse, Não. Bem pelo contrário, Marcelo Rebelo de Sousa trabalhou arduamente nos estúdios de televisão ao longo de vários anos, não fosse o diabo tecê-las, para que o destino o não traísse.
Ponta Delgada, 31 de Janeiro de 2016

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 01 de Fevereiro de 2016

Ana Belén Montes - a abrir Fevereiro





E porque verdadeiramente bonitas são as mulheres que lutam e tomam partido por um Mundo melhor, Fevereiro abre com Ana Belén Montes.
É porto-riquenha de origem e foi analista sénior na CIA mas o sentido de justiça e o combate ao terrorismo colocaram-na ao lado de Cuba.

domingo, 24 de janeiro de 2016

a-ver-o-mar

Foto - Madalena Pires
Hoje, e dissipada a magia mítica das neblinas regressou o Sol inundando de azul turquesa as ondas do mar das ilhas de bruma.
Tempo houve para olhar o mar, sempre o mar, antes de ir cumprir o dever eleitoral.


sábado, 23 de janeiro de 2016

É doce o teu olhar

O teu olhar ausente
Na imensidão do mar
Na infinidade do deserto
Na utopia que persegues
Sem sossego e sem tréguas

O teu olhar ausente
Regressou faiscando
Num perturbador
E provocante azul

O teu olhar pousa em mim
Agora é doce o teu olhar
Doce da cor do mel
Fala de amor e do sonho
Que vive em ti

O teu olhar presente
Afaga a minha alma
Dissipa as sombras
Ilumina o meu caminho

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 23 de Janeiro de 2016

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

das amigas

Foto - Madalena Pires

A amizade não tem género, nem dia. Mas tradição é tradição e o calendário anuncia, para esta quinta-feira, o “dia de amigas”.
Pois que seja um dia especial para todas as minhas amigas. E aceitem esta flor fotografada por uma grande amiga.
Não deixem nunca de celebrar a amizade no feminino, neste dia, e a amizade sem género, todos os dias.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Proteger e fiscalizar o nosso mar

Foto - Madalena Pires
O Oceano é o grande tesouro dos Açores, um manancial de recursos e de capacidade de geração sustentável de riqueza de valor incalculável.
A diversidade e abundância dos nossos ecossistemas, a variedade dos habitats, a facilidade de acesso e proximidade a espécies raras e difíceis de observar noutras paragens, a pureza intocada de grande parte dos nossos fundos marinhos, os nossos stocks piscícolas, com espécies de altíssimo valor, são uma riqueza com que a natureza nos presenteou.
Mas a este tesouro está associada uma grande responsabilidade. A responsabilidade de o proteger e de o preservar. E se muito nos falta fazer para aproveitarmos eficaz e de forma sustentável, o nosso potencial marinho, a verdade é que também não tem sido cumprida a nossa responsabilidade na sua proteção.
De dia para dia, estes tesouros que pertencem aos açorianos estão a ser roubados, estão a ser destruídos, com total impunidade dos responsáveis na maior parte dos casos.
Todos conhecemos múltiplos casos e relatos. Desde os avistamentos, em flagrante delito, de atividades de caça e pesca ilegal, são os restos de aparelhos de pesca e vestígios da sua ação destruidora encontrados em reservas marinhas e áreas protegidas. São por exemplo os meros, familiarizados com as visitas frequentes de mergulhadores de lazer, que surgem servidos no prato dos turistas, reduzindo a poucos euros o seu valor incalculável e duradouro. É o peixe que escasseia, as espécies com que os nossos pescadores contam e de que dependem, que levam súbitos sumiços. São os navios suspeitos que sabem que, para lá das 100 milhas e mesmo dentro delas, dificilmente serão fiscalizados e que sentem isso como uma licença para se servirem à vontade dos nossos recursos. O resultado infelizmente é conhecido, a contínua degradação dos rendimentos das nossas pescas, é por em causa a sustentabilidade do turismo ligado ao mar.
E o problema não reside no vazio legal, a legislação é abundante e, diria até que no essencial corresponde às necessidades e objetivos. Leis e regulamentos existem. E mesmo não concordando com todas as opções tomadas, reconheço o esforço legislativo da Região em termos da proteção dos recursos marinhos.
Foto - Madalena Pires
O problema é outro. Não é a Lei, é o seu cumprimento. O problema aqui é a fiscalização, ou melhor a sua ausência e ineficácia. Fiscalização que é essencial para que a proteção do mar e dos recursos marinhos não fique apenas como uma boa intenção publicada em Diário da República e no Jornal Oficial.
O problema aqui é sobretudo o da impunidade, que convida à descontraída repetição do delito e descredibiliza os regimes e as zonas de proteção, contradizendo a nova exigência que todos, cidadãos, partidos e poderes públicos, dizem partilhar em termos da proteção ambiental.
Existem responsabilidades da Região nesta matéria e naturalmente que as deve cumprir eficazmente, nomeadamente através de uma atuação mais proactiva, presente e consequente da Inspeção Regional do Ambiente e da Inspeção Regional das Pescas, contudo a questão mais central da fiscalização marítima do imenso mar dos Açores, coloca-se em termos dos meios e da atuação da Marinha e da Força Aérea, que compete ao Governo da República dotar dos meios necessários e adequados e, coordenar em articulação com os serviços da administração pública regional..
Em relação a este aspeto específico, o que nos compete, o que está ao nosso alcance é o de exigir ao Estado, em nome do Povo Açoriano, que cumpra as suas obrigações e responsabilidades, nomeadamente através do reforço dos meios à disposição da Marinha e da Força Aérea nos Açores, aliás como a ALRAA já recomendou, por iniciativa da Representação Parlamentar do PCP e, como reforçará essa posição com a aprovação, assim o espero, de uma nova recomendação constante num Projeto de Resolução que o PCP já apresentou na ALRAA e que só a interrupção do Plenário, devido à passagem do furacão Alex, impediu que tivesse sido discutida e votada.
Ponta Delgada, 19 de Janeiro de 2016

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 20 de Janeiro de 2016

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Os objetivos por detrás do PEPGRA

Foto - Jorge Góis
A Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores aprovou na passada semana o Plano Estratégico de Prevenção e Gestão de Resíduos dos Açores (PEPGRA). Em muitas das suas medidas este diploma continua a mesma política já instaurada no PEGRA e, por isso, enferma de muitos dos mesmos problemas e muitas das mesmas lacunas.
O primeiro problema coloca-se, desde logo, em relação ao processo de discussão pública. Não foram divulgados os dados da dimensão e dos contributos recebidos no processo de discussão pública. Não é conhecido qualquer relatório deste processo que, para além de breve, decorreu durante a época de Natal e Ano Novo o que, diga-se, não facilita a participação dos cidadãos, por outro lado neste processo de elaboração e discussão do PEPGRA, parece haver uma grande ausência, isto é, a opinião, as ideias e os contributos das associações de defesa do ambiente. Diga-se que, também não se sabe se o Conselho Regional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CRADS) discutiu ou não este assunto, nem qual o seu parecer, aliás, desde a sua instituição, em 2010, que se conhece pouco ou nada da atividade deste Conselho.
Com o PEPGRA continuam a subsistir vários problemas. O passivo ambiental das velhas lixeiras, meros buracos na terra, vão continuar a contaminar subsolo, aquíferos e águas costeiras se nada for feito, o que parece que irá acontecer pois, a selagem simples, sem retirada de resíduos, que está prevista para a maior parte das ilhas, não passa de um cobrir com terra os passivos ambientais que resultam da antigas lixeiras a céu aberto.
Os velhos aterros que ainda estão em funcionamento têm sido alvo de um total desinvestimento e devido a todos os atrasos na implementação do sistema, estão a atingir um ponto crítico, como se verifica em algumas ilhas, em que basicamente já nem se consegue cobrir convenientemente, com inertes, os resíduos depositados. Para além disso, existe regulamentação europeia para a gestão desses espaços e para a minimização do seu impacto ambiental (que prevê, por exemplo, a vedação dos terrenos ou a colocação de redes de captura de plásticos) e que não tem sido convenientemente cumprida.
Como já denunciei publicamente, têm surgido novas lixeiras, algumas criadas por autarquias locais, usufruindo de uma óbvia e inegável “vista grossa” dos serviços de ambiente. Em todo o caso, o PEPGRA nada aborda em termos da fiscalização e o panorama parece pouco prometedor tendo em conta os apenas 5mil euros que o Governo Regional inscreveu no Orçamento de 2016, e o PS aprovou, para investimento na fiscalização ambiental.
Sempre tive grandes dúvidas em relação à opção de queimar resíduos para produzir eletricidade, de entre outros motivos porque acaba por inverter os objetivos enunciados, designadamente o da redução de resíduos. A verdade iniludível é que quanto mais resíduos forem incinerados, melhor serão rentabilizadas as incineradoras. Mesmo assumindo que estas nunca serão exatamente lucrativas, a tendência de quem as gere será sempre a de minimizar esse prejuízo, interessando-se mais por queimar resíduos do que em cumprir metas de redução.
A prevista “normalização tarifária” deixa, igualmente, muitas dúvidas e receios. Fomos aprendendo com os exemplos da eletricidade e da água o que é que esta expressão significa. Trata-se de pôr o cidadão a pagar cada vez mais e mais. Será talvez um nivelamento de preços, mas a experiência mostra que é sempre ou quase sempre um nivelamento por cima. Neste caso, a normalização é feita mais uma vez, atropelando olimpicamente as competências e a autonomia dos municípios, através da entidade reguladora, supostamente “independente”, a ERSARA, atrás da qual o Governo se quer esconder, distanciando-se das suas próprias opções políticas. Portanto, existirão aqui também custos ditos “de regulação”, para financiar a ERSARA, facto que oportunamente critiquei no passado, porque se trata de um gasto inútil, já que deve ser a própria administração pública regional a exercer as suas próprias competências e a ser politicamente escrutinada.
O PEPGRA consubstancia uma política ancorada na velha visão mercantilista e privatizadora que deixa problemas antigos, mas graves, por resolver, e simultaneamente vai criando novos problemas.
Ponta Delgada, 18 de Janeiro de 2016

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 18 de Janeiro de 2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Intervenção na discussão do relatório da Comissão de Inquérito ao Grupo SATA

Foto - Aníbal C. Pires

Relatório da Comissão de Inquérito ao Grupo SATA
Intervenção em Plenário

Senhora Presidente,
Senhoras e Senhores deputados,
Senhor Presidente do Governo,
Senhoras e Senhores membros do Governo,

A narrativa construída pelo PS na Comissão de Inquérito está, no essencial, construída na análise documental e apenas se socorre, pontualmente das inquirições realizadas quando elas se ajustam ao objetivo pretendido, e ainda assim o PS ignorou algumas provas documentais, designadamente as que suportam a análise do desequilíbrio financeiro da SATA Air Açores, que se verificou de forma acentuada em 2013.
As conclusões que foram aprovadas estão assim, e na sua maioria, contaminadas por uma visão unilateral e, como tal parciais, que visam no essencial desresponsabilizar o representante do acionista, ou seja o Governo Regional, e encontrar as razões mais espúrias para branquear uma estratégia política para o Grupo SATA que, sendo legítima, é na opinião do PCP a principal razão para o desequilíbrio financeiro do Grupo SATA e à qual o PS e o Governo se têm eximido de assumir.
Foto - Aníbal C. Pires
A maioria das conclusões aprovadas não correspondem, assim, à realidade mas para memória futura e para objeto de estudo estão a partir de hoje disponíveis para o público não só, as conclusões da Comissão de Inquérito, mas também e, sobretudo, todos os documentos solicitados pela Comissão, bem assim como as transcrições de todas as inquirições realizadas no âmbito dos trabalhos da Comissão e que, na sua maioria, o PS simplesmente ignorou. Mas os documentos estão aí para comprovar que outras podiam ser as conclusões, e que ficou demonstrado à saciedade de que a principal responsabilidade pela situação de grande fragilidade financeira que se vive no Grupo SATA resulta de uma estratégia de redução operacional, das dívidas do Governo Regional e da República ao Grupo SATA, da indicação do representante do acionista para a realização de rotas com o objetivo, legítimo, de canalizar fluxos turísticos para a Região, mas que comercialmente foram desastrosas. Por outro lado também algumas medidas tomadas a destempo, de que a introdução das branded fares é apenas um exemplo paradigmático, que contribuíram igualmente para o acumular de défices. Um dos inquiridos, por acaso, administrador do Grupo SATA durante a inquirição afirmou, a pergunta feita pela Representação Parlamentar do PCP, que o prejuízo causado pela introdução a destempo das branded fares esteve na origem de um prejuízo direto de 6 milhões de euros, diluídos nos anos de 2013 e 2014. Não consta das conclusões. Porquê!? Porque não existe prova documental, ou melhor porque em termos contabilísticos não é claro qual o período de tempo a que corresponde esse prejuízo, nem o seu valor exato. Bem mas se as afirmações de um administrador, em sede, de inquirição na Comissão não fazem fé, então o que fará, pois o próprio PS considerou que, na realidade, esta medida provocou um prejuízo direto ao Grupo SATA e, no caso particular, à SATA Internacional.

Foto - Aníbal C. Pires
Senhora Presidente,
Senhoras e Senhores deputados,
Senhor Presidente do Governo,
Senhoras e Senhores membros do Governo,
A Comissão de Inquérito ao Grupo SATA tendo desenvolvido um trabalho apurado ficou, porém, aquém do que era expetável e, por conseguinte, defrauda a expetativa do povo açoriano e dos trabalhadores desta importante e estratégica empresa pública regional que continuam sem saber o que o futuro lhes reserva pois, não são tidos nem ouvidos nas decisões estratégicas do Grupo sendo eles próprios o instrumento de execução de qualquer estratégia que esteja ou venha a ser desenhada para a SATA e, diga-se em abono da verdade e do rigor, que a generalidade dos trabalhadores da SATA têm importantes contributos a dar para que o Grupo SATA possa afirmar-se no mercado do transporte aéreo como uma empresa bem-sucedida financeiramente e de referência no contexto da região da Macaronésia, mas também nos transportes aéreos internacionais, sem descurar aquela que é a sua principal missão enquanto instrumento de mobilidade dos açorianos dentro da Região e nas ligações à diáspora.
Mas, ao invés disso, o que se verificou ao longo das inquirições é que no Grupo SATA se vive, no seio dos trabalhadores, desde a placa aos quadros superiores, um clima de medo e de intimidação e, diria até, um clima persecutório. E esta afirmação não é feita de forma gratuita pois, atendendo às inquirições, isso resulta claro nas respostas e declarações de alguns dos inquiridos como se pode constatar da leitura das transcrições das inquirições.
No Grupo SATA, por responsabilidade direta dos Conselhos de Administração, não existe uma cultura que promova a identificação dos trabalhadores com a estratégia empresarial do Grupo, ainda que se assinalem, diferenças substantivas entre as diferentes empresas do Grupo. A proximidade mas, sobretudo o modelo organizacional, estabelecem profundas diferenças entre, por exemplo, a SATA Air Açores e a agora designada Azores Airlines, este é um problema devidamente identificado e para o qual se exige a tomada de medidas tendo como principal objetivo a envolvência de todos os trabalhadores do Grupo nos objetivos empresariais e estratégicos que estão definidos e que venham a ser, como se exige, reformulados pois, como todos sabemos o Plano 2015/2020, necessita de ser revisto e adequado a uma realidade que decorre do não cumprimento de alguns dos pressupostos constante no aludido plano.

Foto -Aníbal C. Pires
Senhora Presidente,
Senhoras e Senhores deputados,
Senhor Presidente do Governo,
Senhoras e Senhores membros do Governo,
Para terminar esta primeira intervenção deixo apenas um exemplo bem claro da forma como o PS abusivamente concluiu em relação a alguns eventos do ano de 2013, designados, como acontecimentos não previstos e o seu impacto nos resultados do Grupo SATA, no ano de 2013.
A conclusão 8 do capítulo 1 procura justificar os maus resultados com acontecimentos não previstos e que, segundo a conclusão aprovada pelo PS, representam 42% dos impactos que contribuíram para os maus resultados do ano em causa. Mas veja-se o que representam 27% desses 42% de eventos não previstos, a reposição dos subsídios de férias aos trabalhadores. E a pergunta é, Desde quando é que o pagamento do subsídio de férias é, ou pode ser, considerado um acontecimento não previsto!? Não, o pagamento do subsídio de férias aos trabalhadores deveria estar devidamente orçamentado. Essa é que representa a normalidade do funcionamento de uma empresa.
A estratégia do PS na forma como conduziu a discussão dos trabalhos procurou, como já referi anteriormente, responsabilizar tudo e todos, até as cinzas de um vulcão islandês, sempre tendo como estratégia branquear a atuação do Governo Regional e as sucessivas administrações mas, procurando sempre e objetivamente responsabilizar os trabalhadores. Não foi é por acaso que nos eventos não previstos constam os custos da greve de 2013, que representam 12% dos impactos, mas não consta a introdução das branded fares que, se constassem representariam 18% dos impactos nos resultados negativos do Grupo SATA em 2013.

Aníbal C. Pires, Sala de Sessões, Horta, 12 de Janeiro de 2016

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Projetos vazios ou o vazio dos projetos

Foto - Ana Loura
A agenda política regional está saturada por um conjunto de factos, introduzidos artificialmente, com o objetivo de deslocar a atenção dos cidadãos. Mais uma vez, a estratégia política dos partidos que, até hoje, têm recolhido a maioria do apoio eleitoral dos açorianos tende para discutir o acessório, ao invés de procurar rumos diferentes para o progresso e desenvolvimento dos Açores.
O PS e o PSD, pela indiscutível semelhança dos seus projetos políticos, lutam por aparecerem aos olhos dos cidadãos como protagonistas. Protagonistas do que quer que seja, ainda que isso não seja nada e esconda, ou procure esconder, o vazio dos seus projetos políticos. Isto quando todos vamos ganhando cada vez mais consciência que os projetos do PS e do PSD dependem mais de orientações e imposições externas, às quais estão politicamente vinculados, do que uma ideia que esteja ancorada na realidade regional, das necessidades e do direito do Povo Açoriano ao desenvolvimento. A livre administração dos Açores pelos açorianos é, cada vez mais e tão-somente, uma bonita frase que enche a boca de alguns responsáveis políticos regionais. O primado dos regulamentos e diretivas europeias sobre a legislação nacional e regional retiram conteúdo a qualquer iniciativa regional que não se enquadre com a vontade soberana, não de Lisboa mas, de Bruxelas.
A recente recusa da Comissão Europeia de autorizar um modelo regional de apoio às exportações por via de um apoio, suportado por fundos comunitários, aos transportes de mercadorias ou, ainda, a conformação das alterações ao Fundopesca com os regulamentos europeus, dizem bem do vazio em que caiu o poder autonómico.
É cada vez menos Lisboa e cada vez mais Bruxelas que nos impede o exercício pleno das competências autonómicas consagradas estatutária e constitucionalmente. Portugal perdeu soberania e com a soberania vai-se escoando a autonomia regional, na teia da dependência financeira de Lisboa e de Bruxelas. Dependência para onde as elites nacionais e regionais nos empurraram, num processo de integração europeia em que Portugal trocou o seu direito a produzir pelos milhões dos fundos comunitários. Opção que tem os elevadíssimos custos que hoje conhecemos e para os quais, alguns de nós, na devida altura, alertámos.
Mais tarde, a adesão à moeda única europeia e sobretudo as exigências que nos foram impostas, sem qualquer esboço de negociação pela parte portuguesa, veio, a prazo, produzir efeitos devastadores na situação financeira nacional, já que a economia produtiva tinha sido completamente devastada no período subsequente à integração europeia, particularmente durante o período em que Cavaco Silva exerceu o cargo de primeiro-ministro.
Sem as ferramentas de soberania financeira, com a debilidade da economia produtiva, com a terciarização da economia nacional e as exigências da adesão ao euro vertidas no designado Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), Portugal caminhou paulatinamente para uma situação de endividamento público e privado verdadeiramente insustentável.
O FMI e alguns dos economistas mais conceituados da atualidade advogam agora o que o PCP há muito tem vindo a dizer sobre este caminho de ruína do País e de empobrecimento dos portugueses: a reestruturação da dívida e a preparação de um plano para a saída do euro. Saída que pode acontecer, por vontade própria do povo português ou, por incumprimento e uma eventual saída compulsiva da zona euro.
Vivemos num Mundo globalizado mas isso não significa que temos, para acompanhar os tempos, de alienar a nossa soberania. Mas foi isso que o PS, o PSD e o CDS/PP fizeram ao longo das últimas décadas, Venderam Portugal.
Horta, 11 de Janeiro de 2016

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 13 de Janeiro de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

David Bowie - (1947-2016)

David Bowie - (foto retirada da internet)



O "camaleão" partiu, fica a sua música e forma de estar no palco da vida. Ficam connosco as suas canções e a forma diversa como se apresentava em palco.
Mais uma estrela no céu da memória.