sexta-feira, 11 de março de 2016

Da mulher

Hoje (ontem) o calendário assinala o Dia Internacional da Mulher. A comemoração deste dia não se deve resumir apenas à evocação de uma efeméride, este é um dia como são todos os outros para as mulheres e homens que lutam pela dignidade humana, sem género. A igualdade de género é indissociável da construção coletiva de uma sociedade onde a todos os seres humanos seja reconhecida igual dignidade. A luta das mulheres pela igualdade de género não é uma luta das mulheres, é uma luta da humanidade.
Em 2015, na cidade da Horta, neste mesmo dia, escrevi um poema a que dei o nome “Lado a Lado”. Hoje partilho com os leitores esse poema, essa ideia de que o caminho da libertação se faz com as mulheres e com os homens.
É um dia
Como são outros, todos os outros
Dias de luta
Contra a indignidade
Que discrimina
A filha, a irmã, a mãe
A companheira, a amiga
Este teu dia, Mulher
Celebra velhas e ganhas contendas
Este teu dia, Mulher
É mais do que recordar
É mais do que celebrar
É um dia
Como são outros, todos os outros
Dias de luta
Pela liberdade do teu sorriso
Por um brilho no teu olhar
Caminho ao teu lado
Lutando contra a indignidade
Que te aprisiona o sorriso
Que te entristece o olhar
Aníbal C. Pires, Horta, 08 de Março de 2015
Fica este meu tributo às mulheres e homens que, hoje e todos os dias, resistem à barbárie e lutam por um Mundo melhor.
Lisboa, 08 de Março de 2016

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 09 de Março de 2016

segunda-feira, 7 de março de 2016

Apesar dos estudos prefiro a SATA

Foto - João Pires
Qualidade dos serviços, gestão de reclamações e pontualidade são os parâmetros que a Air Help utilizou para um “estudo” divulgado a passada semana na comunicação social nacional e internacional, em Portugal o jornal “i” fez manchete com o estudo e o britânico “Independent”, pelo menos na sua versão online, também noticiou o estudo da Air Help.
Antes de abordar os resultados do estudo importa saber, desde logo, quem é a empresa que fez o estudo e qual o seu core business. A Air Help é uma start up, criada nos Estados Unidos, em 2013, e dedica-se a mediar as reclamações dos passageiros, em caso de atrasos, overbookings, cancelamentos, etc., com as transportadoras aéreas. Pelo serviço prestado cobra uma percentagem ao passageiro. Digamos que a Air Help é assim uma organização de defesa dos direitos dos passageiros mas com fins lucrativos. Importa igualmente saber qual a amostra utilizada no estudo pois trata-se de um universo de centenas, direi mesmo, de mais de um milhar de transportadoras aéreas a operar em todo o Mundo. Pois bem foram avaliadas 34 transportadoras aéreas, ou seja, o estudo avaliou três parâmetros de 34 empresas. Uma outra questão, que não é despiciente, é saber que tipo de empresas foram consideradas no estudo pois o modelo de negócio, o tipo de operação e a dimensão da empresa são fatores importantes para evitar leituras enviesadas dos resultados. Não farei aqui a lista das transportadoras mas desde a SATA à Qatar, passando pela British, pela Air France, Lufthansa, KLM, TAP até à Ryanair, Vueling, e a Easyjet, todas elas couberam neste estudo, o que não sendo incorreto não é, pelo menos, uma atitude pouco séria e nada ponderada.
Foto - Aníbal C. Pires
Direi então que não se trata de um estudo, tratar-se-á, porventura, da divulgação de resultados, de um determinado ano, da atividade da Air Help, mas não de um estudo que mereça qualquer credibilidade. Mas o “estudo” teve essa credibilidade porque a comunicação social fez notícia e manchetes com os resultados divulgados pela Air Help, facto que me transporta para outra dimensão do problema. Que papel e objetivo pretenderam atingir o jornal “i” e o “Independent” com as suas manchetes e notícias que centraram o alvo da sua atenção na TAP, a quinta pior e, a SATA a pior, entre as piores, companhias aéreas do Mundo. Lembro que o espaço aéreo para duas das rotas açorianas está liberalizado e que, quer a TAP quer a SATA operam nesse mercado e, ainda, que a Bolsa de Turismo dos Açores (BTL) estava a decorrer quando este “estudo” da Air Help foi divulgado, nos moldes em que o foi. Quem ganha e quem perde com este tipo de informação, E, sobretudo, Quem pagou e como pagou as manchetes.
A comunicação social tem vindo a deixar cair a máscara e cada vez é mais visível que o modo como informa está a perder o in e, a ser só e cada vez mais forma. Forma a opinião e não informa e, não é por acaso.
A comunicação social tem de facto esse objetivo basta ler alguns estudos, esses sim credíveis e validados cientificamente, sobre a manipulação da opinião pela comunicação social para separar o trigo do joio, sendo que é cada vez mais difícil encontrar trigo. Veja-se, por exemplo, a capa da passada quarta-feira do “Correio dos Açores” em que se afirmava que a SATA ia abandonar a rota de Boston e retomar a rota para Providence, no dia seguinte a capa do mesmo jornal dava o dito por não dito e afirmava que a SATA ia reforçar a operação para Boston e retomar, com periodicidade semanal, uma ligação a Providence. Terá sido só a incúria de não ter validado a informação junto de outras fontes ou o “Correio dos Açores” terá tido outros propósitos. A leviandade do “Correio dos Açores”, quero crer que foi disso que se tratou, prejudicou a SATA, porquanto daí resultou que nesse dia não houve lugar a reservas para a rota de Boston e algumas reservas já efetuadas foram canceladas.
Foto - Aníbal C. Pires
Os estudos sobre as organizações destinam-se a contribuir para melhorar o seu desempenho, ou assim deveria ser. Mas nem sempre é assim e os estudos sucedem-se por encomenda e com objetivos bem definidos de modo a apresentarem os resultados e conclusões ao sabor dos interesses de quem os financia.
Sobre a SATA todos temos opinião e, quiçá, a maioria de nós temos até algumas críticas a fazer sobre a qualidade do serviço, as respostas e as não respostas às reclamações e, sobre o cumprimento dos horários dos voos, ou seja, a pontualidade, mas daí a denegrir a imagem da transportadora aérea açoriana classificando-a como a pior do Mundo, como fez o jornal “i” vai uma grande diferença. Cá por mim continuo a preferir a SATA.
Lisboa, 07 de Março de 2016

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 07 de Março de 2016

domingo, 6 de março de 2016

95.º aniversário do PCP



Para assinalar o 95.º aniversário do PCP fica este poema de Pablo Neruda

AO MEU PARTIDO

Deste-me a fraternidade com os desconhecidos.
Juntaste a mim a força de todos os que vivem.
Voltaste a dar-me a pátria como num nascimento.
Deste-me a liberdade que não tem quem está só.
Ensinaste-me a acender a bondade como o lume.
Deste-me a retidão de que precisava a árvore.
Ensinaste-me a ver a unidade e a diferença dos irmãos.
Mostraste-me como a dor de um ser morreu na vitória de todos.
Ensinaste-me a dormir na cama dura dos que são meus irmãos.
Fizeste-me construir sobre a realidade como sobre a rocha.
Fizeste-me inimigo do malvado e muro do colérico.
Fizeste-me ver a claridade do mundo e como é possível a alegria.
Fizeste-me indestrutível pois contigo não termino em mim próprio.

Pablo Neruda

quarta-feira, 2 de março de 2016

Tocar o Mundo


No dia 10 de Março pf terá lugar, no Centro Municipal de Cultura de Ponta Delgada, a inauguração da exposição "Tocar o Mundo" - Aguarelas de Ana Rita Afonso.

A exposição vai ficar mas a inauguração da exposição será um momento ir-re-pe-tí-vel.
Poemas do Aníbal, a voz do Nelson e a viola do Rafael, para as aguarelas da Ana Rita. Um texto da Renata Correia Botelho para todos eles e, também, para quem vier assistir a este momento ir-re-pe-tí-vel.

Depois, Bem depois ficam as aguarelas da Ana Rita, na Sala do Forno até meados de Abril, para contemplar, as palavras do Aníbal para ouvir na voz do Nelson Cabral e os sons que o Rafael Carvalho arranca magistralmente da viola da terra.

as mais lidas

Foto - Aníbal C. Pires

Em dia de 8.º aniversário divulgo as 10 publicações mais lidas no"momentos"

1.º Espaço aéreo liberalizado. Alegrias e tristezas

2.º A SATA vem. E as outras, Virão

3.º Transportes aéreos (SATA, Aerovip e Windavia) 

4.º A SATA regressou ao tempo da "Caça às Bruxas"

5.º A SATA vai ter de explicar

6.º Rendimento e desemprego

7.º SATA 2014 - Cronologia de um pré-conflito

8.º O baile

9.º Usou e não pagou

10.º A SATA e uma co-piloto (estória de Verão)

Realidade e estatísticas

Foto - Madalena Pires
Segundo as estatísticas oficiais, os números do desemprego nos Açores têm vindo a baixar, ainda que as conclusões inferidas sejam comunicadas conforme dá mais jeito a quem o faz. Se o anúncio for feito pelo Governo Regional a comparação é feita com o mês homólogo, com o mês ou o trimestre anterior, Enfim desde que a comparação indicie a diminuição do desemprego o Governo Regional propagandeia o facto e ficamos todos satisfeitos. Todos não, porque há sempre quem se lembre dos cidadãos que emigraram nos últimos meses e anos, de quem já não está inscrito nos centros de emprego porque perdeu o direito a estar e, dos muitos milhares de açorianos que estão em integrados em programas de estágios e nos programas e programinhas ocupacionais.
Os números do Instituto Nacional de Estatística e as análises que sobre eles são produzidas são legítimos, números são números, mas a realidade do desemprego nos Açores anda bem distante do que os números nos dizem. A taxa real de desemprego na Região é bastante superior ao que os números nos dizem.
Quando falamos em emprego não podemos nem devemos apenas ater-nos aos números pelos números, desde logo, porque estamos a referirmo-nos a pessoas e depois porque devemos ter em consideração alguns atributos que estão associados à criação de emprego e que determinam a qualidade desse emprego. Um dos atributos será, por certo, o salário que como sabemos na Região é, em média, inferior ao praticado no território continental, o que não deixa de ser paradoxal uma vez que na Região até existe um acréscimo de 5% ao salário mínimo nacional. Mas nem só o salário determina a qualidade do emprego, o vínculo contratual que determina a estabilidade ou precariedade é um dos atributos que mais contribui para a qualidade do emprego. E se como já afirmei, nos Açores, a média salarial é baixa, por outro lado a precariedade é muito elevada. Sendo assim a qualidade de trabalho nos Açores só pode ser considerado como má e isso, como tudo na nossa vida, relaciona-se direta ou indiretamente com o desenho das políticas públicas de emprego.
As políticas públicas de emprego, não confundir com emprego público, na Região estão condicionadas por fatores externos, sem dúvida, mas em boa verdade sobram instrumentos e competências aos órgãos de governo próprio para promover políticas públicas de emprego com qualidade, ou seja, trabalho bem remunerado e com estabilidade. Não tem, contudo, sido essa a opção do partido que suporta o Governo Regional nem, tão pouco, do maior partido da oposição que sistematicamente têm vindo a rejeitar qualquer iniciativa legislativa que contrarie a doutrina neoliberal de desvalorização do trabalho e dos trabalhadores.
Ponta Delgada, 01 de Março de 2016

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 02 de Março de 2016

8.º aniversário do "momentos"


Este blog comemora hoje 8 anos de atividade. O “momentos" é um blog pessoal e generalista mas toma partido. Está situado ao lado esquerdo, o lado certo da vida, o lado do coração.
Durante o dia trarei algumas publicações antigas que fazem a parte da estória deste registo de emoções e opções.
Até já.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Tempo e chá de cidreira

Foto - Madalena Pires
Esteve por aí fazendo e dizendo como se fosse o que já não é nem voltará a ser e, digo eu, ainda bem. Veio aos Açores reafirmar que se deve a ele a liberalização do espaço aéreo e as vantagens, segundo ele e muitos outros indefetíveis alaranjados ou não, dessa liberalização. Não disse quanto custou e custa, direta e indiretamente, ao erário público essa “revolução” no mercado aéreo para os Açores, perdoem-me o lapso, para S. Miguel, pois, pois, têm razão também para Terceira, embora não se note. Não disse quanto custa assim como não disse muitas outras coisas. Esqueceu, obliterou, muitas decisões que, para o líder nacional do PSD, serão talvez de somenos importância mas cujos impactos nos custarão ainda mais, aliás algumas das decisões omitidas no discurso do homem já tiveram os seus impactos negativos. Durante o seu consulado e com as eleições à vista repôs o diferencial fiscal de 30% na Lei das Finanças Regionais mas não repôs o valor das transferências do Orçamento de Estado para a Região.
A personagem que por aí andou a fazer e a dizer como se fosse o que já não é nem voltará a ser e, digo eu, ainda bem. Veio aos Açores e foi recebido pelos seus acólitos e apaniguados como se ainda fosse o que já não é, mas que eles, e ele em particular, gostariam que fosse. Só que as eleições de 4 de Outubro que, como todas as outras daquela natureza, se destinavam a eleger deputados e não governos, nem primeiros-ministros, ditaram-lhes o fim. Custou a compreender a muitos cidadãos eleitores e, perdoem-me os outros, os não eleitores, não os tomar em consideração nestas cogitações mas como não votaram, não contam para estas contas, mas como dizia custou a compreender que a maioria dos deputados é que determina quem forma Governo e, quiseram os eleitores dar um sinal diferente. Sinal que os partidos, digamos, da esquerda souberam interpretar e arriaram do poder, digo eu, a direita revanchista que se preparava para continuar empobrecer o país e a generalidade dos portugueses.
A incompreensão genuína foi, e ainda é, conscientemente alimentada pelos acólitos e apaniguados da coligação de direita aos quais a comunicação social continua a dar ampla cobertura. Talvez porque, a comunicação social, necessite de manter a mentira que tão bem promoveu e alimentou ao longo dos anos reduzindo o ato eleitoral para a Assembleia da República a uma suposta eleição do primeiro-ministro.

Foto - Madalena Pires
Quanto aos acólitos e apaniguados estão a fazer o seu papel, Percebo mas não aceito. Mas não é tanto a distorção que estes introduzem nas análises que me provoca alguma náusea, o que verdadeiramente é revoltante é a negação do funcionamento, em toda a sua plenitude, da democracia.
O azedume espera-se, vai passar com o tempo e com chá de cidreira. O tempo tudo cura e o chá não faz mal a ninguém, ajuda nas digestões difíceis e diminui a acidez.
Ponta Delgada, 28 de Fevereiro de 2016

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 29 de Fevereiro de 2016

domingo, 28 de fevereiro de 2016

... parece mas já não é

Foto - Madalena Pires
Excerto da crónica que publico amanhã na imprensa regional.

"(...) A personagem que por aí andou a fazer e a dizer como se fosse o que já não é nem voltará a ser e, digo eu, ainda bem. Veio aos Açores e foi recebido pelos seus acólitos e apaniguados como se ainda fosse o que já não é, mas que eles, e ele em particular, gostariam que fosse. (...)"