terça-feira, 17 de janeiro de 2017

... remar contra a maré

Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2016) by Madalena Pires







Amanhã virão os outros fragmentos que constituem o artigo de opinião que será publicado na imprensa regional









(...) Se Trump é uma espécie de encarnação do demónio, Obama e Hillary não são propriamente a encarnação de Jesus Cristo e da Madre Teresa de Calcutá. (...) 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Será inevitável este fado

Foto - Aníbal C. Pires (2016)
Não se trata de um balanço, mas de uma constatação. Passados que são mais 40 anos sobre a consagração da autonomia ninguém, em seu perfeito juízo, deixará de reconhecer as profundas alterações que se produziram nestas ilhas, Ilhas se não desconhecidas, Ilhas até então esquecidas no meio do Atlântico Norte e, só objeto de interesse nacional pela influência e protagonismo do anticiclone que em conformidade com o seu posicionamento a sua dinâmica ou inércia garante que algumas tempestades Atlânticas não afetam o território continental do Sul da Europa, mas também a Base das Lajes e os cataclismos naturais de origem meteorológica, vulcânica e telúrica que ciclicamente fustigam estas ilhas e estas gentes constituíam motivo de interesse e de referências noticiosas. E quanto a isto pouco ou nada se alterou em termos do conhecimento dos Açores e do seu Povo, isto apesar da divulgação turística e da invasão, não diria massiva, mas ainda assim invasão de turistas, com todos os aspetos positivos e negativos que daí advêm.
Não sou tão conservador quanto as minhas últimas palavras podem levar a crer, mas o desconhecimento e o esquecimento destas ilhas, pulverizadas numa vasta área do umbigo do Atlântico Norte, permanece. Estas ilhas continuam esquecidas e desconhecidas, em particular, nos centros decisores que nos são exógenos.
Mas falava eu, logo nas primeiras frases, em constatações que se podem fazer passados que são mais de 40 anos de Autonomia, desde logo transformações sociais e económicas que alteraram substantivamente o viver insular e arquipelágico. Sem dúvida que sim e isso deve-se a esta forma especial de organização do Estado que consagrou constitucionalmente as autonomias regionais. Se estou satisfeito com os resultados alcançados ao fim destes 40 anos de autonomia, Não.
E não o estou apenas por que sim. Não estou satisfeito porque a economia regional, tal como desde os primórdios do povoamento, continua débil e fortemente dependente do exterior, não estou satisfeito porque a fome, a subnutrição e a pobreza nunca foram erradicadas, não estou satisfeito porque a emigração, após um período de estagnação, é para muitos açorianos a única solução de poder garantir trabalho e continuar a sonhar com um futuro diferente.

Foto - Aníbal C. Pires
Não estou satisfeito porque se insistem nas mesmas opções políticas, económicas e sociais que ao invés de produzirem bem estar e qualidade de vida para o Povo Açoriano, concentram a riqueza e alimentam artificialmente um setor empresarial privado que se tem mostrado incapaz de cumprir o seu papel sem os chorudos apoios financeiros dos programas de apoio ao tecido empresarial regional, tendo estas opções como consequência o subfinanciamento de setores públicos, como a saúde e a educação, onde se verificam graves carências de recursos humanos e meios e, por conseguinte, a diminuição da qualidade dos serviços públicos.
Será inevitável este fado, Não. Não é uma fatalidade, mas esta sorte irá perpetuar-se até que não se reconheça a falência das opções políticas e económicas e se altere a rota. Governar para hoje é o mesmo que navegar à vista, ou seja sem ambição nem coragem para rumar a novas utopias.
Ponta Delgada, 15 de Janeiro de 2017

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 16 de Janeiro de 2017

domingo, 15 de janeiro de 2017

... da insistência no erro

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2015) by Catarina Pires





Fragmento de texto a publicar integralmente amanhã na imprensa regional e também neste blogue







(...) Será inevitável este fado, Não. Não é uma fatalidade, mas esta sorte irá perpetuar-se até que não se reconheça a falência das opções políticas e económicas e se altere a rota. Governar para hoje é o mesmo que navegar à vista, ou seja sem ambição nem coragem para rumar a novas utopias. (...)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Não incomode estou em off

Num Mundo em que os direitos sociais e laborais básicos têm sido postos em causa pela barbárie neoliberal pode até parecer estranho trazer à coação a defesa e a luta pelo direito a estar “off”, isso mesmo, O direito a estar desligado. Contudo, mesmo sem aprofundar a reivindicação deste “novo” direito julgo, salvo melhor opinião, que se trata de um direito há muito conquistado, ou seja o tempo diário de trabalho e o direito ao repouso.
Quando a entidade empresarial ou pública para quem trabalhamos, com base num contrato de trabalho, após o cumprimento do horário normal ou, nos dias de descanso semanal, nos envia um SMS, um mail, ou utiliza outras das diversas plataformas de comunicação para nos solicitar tarefas relacionadas com as nossas funções e contam com uma resposta, ou atribuem a essa comunicação um caráter oficial, os nossos empregadores estão-nos a prolongar o horário de trabalho e a privar-nos do direito ao período de descanso.
Face aos graves problemas do Mundo, seja o que nos está próximo, seja-o na sua globalidade, este poderá ser um dilema de somenos importância ou, pelo menos, não será uma questão prioritária. O desemprego, a precariedade e o rendimento, estas sim constituem-se como as grandes prioridades sindicais e políticas. O direito a estar em modo “off” é, para já, um luxo a que a maioria dos trabalhadores por conta de outrem não se pode dar. Para muitos de nós a privação ou a auto expropriação do direito a estar desligado decorre da aceitação tácita que decorre das vantagens da evolução científica e tecnológica, Nada mais errado.
A ciência e a tecnologia deviam, isso era o esperado, contribuir para que o homem usufruísse das vantagens que daí decorrem. Menos tempo de trabalho diário e semanal, bem assim como a redução do tempo de vida ativo pois, a robotização e as alterações às metodologias e técnicas de trabalho isso permitiriam, mas o que constatamos é o inverso dessa premissa, as vantagens da evolução científica e tecnológica estão a ser aproveitadas para promover novas e requintadas formas de acentuar a exploração do trabalho.

Em França o direito a estar desligado entrou em vigor com o Ano Novo, outros países europeus preparam-se para lhe seguir as pisadas, em Portugal ainda a procissão vai no adro. Mas se a França foi pioneira de entre os países da União Europeia e, quiçá a nível mundial, algumas empresas, dignas desse nome, já há vários anos incluíram esse direito nos acordos coletivos de trabalho, Nenhuma é portuguesa.
Não pela complexidade da questão, mas porque as preocupações e as prioridades, para já, são outras, o direito a estar “desligado” não integra as reivindicações dos trabalhadores portugueses e, talvez por isso, não sejam conhecidos casos de litígio sobre esta matéria.
O problema é complexo e deve ser analisado e avaliado de forma integrada para que as soluções encontradas sejam as adequadas aos diversos conteúdos funcionais que caraterizam diferentes profissões, mas os princípios que salvaguardam o horário de trabalho e o direito ao repouso devem, obviamente, presidir às soluções que vierem a ser encontradas para cada caso.
Ponta Delgada, 09 de Janeiro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 10 de Janeiro de 2017

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

... on/off

Aníbal C. Pires (S. Jorge, 2014) by Tiago Redondo






Fragmento de texto a publicar amanhã na imprensa regional e neste blogue







(...) O direito a estar em modo “off” é, para já, um luxo a que a maioria dos trabalhadores por conta de outrem não se pode dar. Para muitos de nós a privação ou a auto expropriação do direito a estar desligado decorre da aceitação tácita que decorre das vantagens da evolução científica e tecnológica, Nada mais errado. (...) 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Da morte e da luta pela liberdade

Imagem retirada da internet
A morte era esperada, pela idade e pelo estado geral de saúde previa-se que era uma questão de mais ou menos dias, mais ou menos horas. No dia 7 de Janeiro António Tereso e Mário Soares faleceram.
Sobre Mário Soares já foram tecidas as mais diversas opiniões e nada vou acrescentar ao muito que se tem escrito e dito, e ao muito que se virá a escrever e a dizer. Era uma personalidade controversa e é natural que a sua morte desperte polémicas e díspares opiniões. Não me parece, contudo, apropriada a altura de expressar a minha opinião sobre a personalidade política de Mário Soares. Como cidadão português manifesto o pesar pela morte de um antigo Presidente da República Portuguesa e apresento condolências à família e ao Partido Socialista.
António Tereso, também ele um ativista e militante político, dedicou toda a sua vida à luta pela Liberdade, pela Democracia e pelo Socialismo, mas que nunca ascendeu a cargos públicos e, talvez, por isso tenha sido uma personalidade de quem a maioria dos portugueses nunca ouviu falar.
António Tereso, militante comunista, foi preso pela polícia politica de Salazar, a PIDE, em 1959 na sequência das lutas dos operários da Carris. Foi condenado a dois anos e três meses de prisão no Forte de Caxias onde se encontravam presos outros militantes e dirigentes do PCP.
A estória de António Tereso é bem conhecida pelos militantes do PCP e por quem se interessas pela história da resistência ao fascismo em Portugal. A este homem foi pedido pelo Partido, por via do José Magro que também estava a cumprir pena em Caxias, que assumisse o papel de “rachado”, designação dada aos presos políticos que se passavam para o lado errado da luta. António Tereso ganhou a confiança dos carcereiros, dos inspetores da Pide e do diretor da prisão e foi insultado, cuspido e agredido pelos seus camaradas, apenas o José Magro saberia que o António Tereso estava a desempenhar o papel de “rachado” e a finalidade da tarefa que lhe estava confiada.

Imagem retirada da internet
Os seus conhecimentos de mecânica e a sua experiência como motorista revelaram-se de grande utilidade para que o sacrifício pedido ao António Tereso valesse a pena e foram determinantes para ganhar a confiança dos seus algozes. A fuga, pois era disso que se tratava veio a acontecer no dia 4 de Dezembro de 1961. Na manhã desse dia após verificar que os seus camaradas de fuga se encontravam todos no pátio e a poucos minutos do recolher obrigatório, António Tereso trouxe um Chrysler blindado para onde entraram os seus camaradas José Magro, Domingos Abrantes, Francisco Miguel, António Gervásio e Rolando Verdial. O portão do Forte de Caxias cedeu ao embate da viatura blindada que, por sê-lo, evitou que os projeteis disparados pelas armas dos guardas o não tivessem perfurado. Dirigiram-se para Lisboa e dispersaram.
Das muitas estórias da história da luta antifascista esta será uma das mais geniais e exemplares. O António Tereso protagonizou uma das mais espetaculares fugas dos cárceres fascistas a conduzir um carro blindado que tinha estado ao serviço de Salazar, viatura que tinha sido oferecida por Hitler ao ditador português e que António Tereso, a pedido do Diretor do Forte de Caxias, tinha consertado.
A liberdade conquistada em Abril de 1974 é uma construção do povo português, não se deve a um homem só. O António Tereso é apenas um, de entre muitos, homens e mulheres que lutaram ao longo de toda a vida pela Liberdade, pela Democracia e pelo Socialismo em Portugal. Estes homens e mulheres não podem nem devem ser esquecidos, nem a história da luta pela Liberdade em Portugal pode ser branqueada.
Ponta Delgada, 08 de Janeiro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital e Jornal Diário, 09 de Janeiro de 2017

domingo, 8 de janeiro de 2017

... o "rachado"






Fragmento de texto a publicar amanhã na imprensa regional.






(...) António Tereso ganhou a confiança dos carcereiros, dos inspetores da Pide e do diretor da prisão e foi insultado, cuspido e agredido pelos seus camaradas, apenas o José Magro saberia que o António Tereso estava a desempenhar o papel de “rachado” e a finalidade da tarefa que lhe estava confiada.(...)

domingo, 1 de janeiro de 2017

Eartha Kitt - a abrir Janeiro







Eartha Kitt cantora, atriz, mulher.
E porque bonitas são as mulheres que lutam o “momentos” dedica a esta estado-unidense que não deixou de expressar a sua opinião, manifestando-se contra a guerra no Vietnam, mesmo sabendo que essa atitude lhe poderia custar alguns revezes na sua carreira, como vieram a verificar-se.
Da sua filmografia fica aqui este apontamento em que interpreta “catwoman” e das suas canções  deixo este vídeo onde interpreta “Angelitos Negros”



sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

BOAS FESTAS

Trabalho dos Alunos do DOV 3 (EBI Canto da Maia), Quinta do Priolo - Foto Aníbal C. Pires
Ver

Vê, para lá do olhar
E, pode ser Natal
Vê, para lá do olhar
E, é esperança


Aníbal C. Pires, Lisboa, 23 de Dezembro de 2016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A noite mais longa

Imagem retirada da internet
O calendário natural assinala o Solstício de Inverno no hemisfério Norte, o calendário do mercado parasita o calendário cristão que, por sua vez, já se tinha apropriado dos ritos pagãos que os povos construíram ao longo de dezenas de milhares de anos. Os ciclos naturais foram sendo substituídos ao sabor de artificialismos, ou se preferirem de construções sociais que nos afastam inexoravelmente do que verdadeiramente deveríamos louvar e preservar, A mãe natureza e este planeta que é a nossa casa comum.
Comemoro o Solstício de Inverno, mas não deixo de festejar o Natal enquanto data que assinala a natalidade, afinal nada mais natural do que o nascimento de alguém, seja Jesus ou Maria de seu nome próprio.
O nascimento de um novo ser está ligado à família, não importa se formal ou informalmente constituída, família enquanto grupo de pessoas ligadas geneticamente ou, ainda por laços culturais e interesses comuns, digamos elementos do mesmo clã. E é nesta perspetiva que assinalo e festejo o Natal, como festa da família e dos amigos. O Natal é a festa da minha tribo.

Imagem retirada da internet
Comemorar e festejar o Natal não é, para mim, sinónimo de adesão ao calendário do mercado, mas admito que tem uma ligação próxima à comemoração cristã do Natal, cresci no seio de uma comunidade católica e os costumes entranham-se. O que de algum modo justifica esta minha tácita aceitação do Natal enquanto época de reunião da família e de convívio com os amigos, trata-se de me reunir com a minha tribo e celebrar a vida, o amor e a amizade. Talvez por isso se tenha vulgarizado, e não por outros motivos, a expressão; “o Natal é quando um Homem quiser”. O calendário natural e a vontade dos homens assim o determina e, a celebração da vida, do amor e da amizade assim o exigem.
À noite mais longa do calendário solar sucede-se o aumento gradual da duração dos dias, é a vitória da luz sobre as trevas, é o Solstício de Inverno. Esta era a comemoração primordial, a comemoração pagã que assumia manifestações diversas, como diversos são os povos e diverso o entendimento e interpretação que cada grupo (tribo) tinha do calendário solar, ou seja, da influência que a posição relativa da Terra em relação ao Sol tem na vida dos homens.
Ficam os votos de Boas Festas e não deixem de celebrar a vida, o amor e a amizade, neste Solstício de Inverno, Neste Natal.
Lisboa, 20 de Dezembro de 2016

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 21 de Dezembro de 2016