![]() |
| imagem retirada da internet |
A emergência de novos blocos económicos e políticos, a crescente afirmação da China, da Rússia e de outros países do chamado Sul Global, bem como os processos de emancipação que atravessam algumas das antigas colónias francesas em África, estão a alterar a geografia do poder. Estes factos significam apenas que o mundo está a deixar de ser unipolar e que essa transformação incomoda aqueles que se habituaram a determinar as regras.
A guerra na Ucrânia é um dos exemplos dessa mudança. Uma guerra que não começou em fevereiro de 2022 e cuja compreensão não pode ficar reduzida à narrativa simplista do invasor malévolo e da vítima. A História é mais complexa do que as versões que nos são diariamente oferecidas.
![]() |
| imagem retirada da internet |
Mas a crise da ordem ocidental não se manifesta apenas na política externa. Manifesta-se também dentro das próprias sociedades. O crescimento da extrema-direita e de formas renovadas de autoritarismo é disso expressão. Em vários países europeus e americanos (a Norte e a Sul), discursos nacionalistas, xenófobos e ultraconservadores conquistam espaço político e social. Em alguns casos, encontram terreno fértil em setores de movimentos religiosos que oferecem respostas simples para problemas complexos, substituindo a esperança material por uma promessa de salvação.
Há, porém, uma outra batalha, menos visível, que merece atenção: a batalha pelo pensamento. Uma escola cada vez mais submetida à compartimentação dos saberes, à avaliação permanente e à redução do conhecimento à sua utilidade imediata corre o risco de perder uma das suas funções fundamentais: ensinar a pensar. E uma sociedade que deixa de pensar criticamente torna-se mais vulnerável à manipulação.
![]() |
| imagem retirada da internet |
A estas evidências acresce ainda o revisionismo histórico, que distorce a realidade, oblitera factos e branqueia acontecimentos.
Tudo isto encaminha a humanidade para um futuro difícil de prever. O que vier depois dependerá, em grande medida, da capacidade dos povos para recusarem hegemonias, sejam elas antigas ou emergentes, e para construírem uma nova ordem internacional assente na soberania, na cooperação, na justiça e na paz.
Uma coisa é certa, estamos a aproximar-nos do fim de um mundo.
Ponta Delgada, 31 de agosto de 2026



Sem comentários:
Enviar um comentário