Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brasil. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Sobre Lula da Silva

Imagem retirada da Internet

Sobre a condenação de Lula apenas direi que foi afastado o candidato presidencial que mais apoio popular reunia e que após a prisão a bolsa no Brasil fechou em alta. O objetivo do golpe foi consumado.

Agora deixo-vos aqui as provas que o condenaram e o levaram à prisão elencadas por um cidadão brasileiro.



Fim da linha pra você, ex - presidente ladrão
mesmo sem provas
bato panelas
em prol da sua condenação
isso é pra você aprender
que o pobre não tem direito a mais que uma refeição

Fim da linha pra você, metalúrgico boçal
isso é pra você aprender
a nunca mais fazer assistência social
com meu dinheiro
e nem se atrever a transformar em engenheira
a filha do pedreiro

Fim da linha pra você ex presidente aleijado
não é pelo triplex
que você está sendo condenado
é pela sua ousadia
em ajudar o garçom
a virar advogado
em contribuir
pra ascensão do negro favelado
que agora acredita
que pode estudar medicina
sair da miséria
e até conhecer a Capela Sistina

Fim da linha pra você, ex presidente bandido
isso é pra você aprender
que o nordeste deve voltar a ser esquecido
e que saúde e educação
é pra quem pode
e não pra quem quer

Fim da linha pra você, semi analfabeto atrevido
graças a sua insensatez
o filho da faxineira
chamou o meu filho de amigo
você está sendo condenado
pela sua falta de noção
de achar que pobre é gente
que agora pode usar aparelho nos dentes
ter casa própria e andar de avião

Fim da linha pra você, ex presidente imundo
isso é pra você parar com essa palhaçada
de estimular a minha cozinheira
a querer ter carteira assinada
era só o que me faltava
o proletariado sonhar com qualidade de vida
você devia saber
que essa gente nasceu pra me servir
e não pra servida
mas você é tão inconsequente
não enxerga um palmo diante do nariz
que fez a babá do meu caçula
sonhar que pode estudar pra ser atriz
e fazer aula de inglês
essa pouca vergonha
é resultado
da sua insensatez
da sua irresponsabilidade desmedida
aprenda de uma vez
barriga vazia
e bala perdida
fazem parte do cotidiano
dessa gente bronzeada
foi querer mudar o mundo
se meteu numa enrascada

Fim da linha pra você, ex presidente imbecil
você está sendo condenado
não por ter roubado
porque isso não foi provado
seu erro
foi fazer história
ser do tamanho do Brasil
ter oitenta por cento de aprovação popular
acreditar em igualdade
e saber governar.

FIM DA LINHA PRA VOCÊ, EX-PRESIDENTE LADRÃO,

Por: Herton Gustavo Gratto

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Brasil, Estranha democracia

Na noite de 17 de Abril assisti, em direto, a grande parte da votação realizada pela Câmara de Deputados brasileira que decidiu dar continuidade ao processo de “impeachment” da Presidente Dilma Roussef. Quem, como eu, teve essa oportunidade deve ter ficado claramente esclarecido sobre o que ali estava em jogo. Os fundamentos da generalidade dos deputados que votaram “sim” mais pareciam discursos em dia de reunião familiar. Pelo pai, pela mãe, pelos filhos, pela tia, por Deus, pelos netos, pelo marido, pela esposa, por tudo isso, Voto sim, senhor presidente. Isto tudo no meio de uma turba de deputados que empunhavam cartazes verde e amarelo com dizeres, como por exemplo, Tchau Querida, e que se encarregavam de vaiar os deputados que pela justiça social, pelos sem terra, pelos direitos da mulheres, pela democracia e pela liberdade diziam, Voto não. Os que votaram não à admissibilidade do “impeachment” à Presidente Dilma não foram suficientes para evitar esta farsa parlamentar.
A democracia brasileira deu ontem uma triste imagem ao Mundo, não pelo resultado da votação na Câmara de Deputados mas, por tudo o resto. Dir-me-ão, como já me disseram, que no PT de Lula e de Dilma existem muitos corruptos, Não o nego, é um facto. Mas sobre Lula e, neste caso preciso, sobre Dilma não há acusações consistentes. O que houve foi uma manobra política conduzida pelo presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, para ele próprio e os seus capangas se auto protegerem dos processos e acusações de corrupção nos quais são potenciais réus. O que houve foi uma gigantesca manobra mediática protagonizada pela rede “Globo” para mobilizar alguns setores da sociedade brasileira que se sente ameaçada pelas transformações sociais e económicas que se verificaram nos consulados de Lula da Silva e de Dilma Roussef. E quem é que se pode sentir ameaçado com o investimento em educação, na saúde, na proteção social, na distribuição equitativa da riqueza gerada, com a promoção da igualdade de direitos, com a erradicação da pobreza e da fome, Sim foram ameaçados os velhos poderes, foi ameaçada a classe média alta, foi ameaçada a burguesia brasileira e os fascistas que se identificam com a ditadura militar que imperou no Brasil entre 1964 e 1985.
Não foi, assim, com surpresa que ouvi e vi o deputado Jair Bolsonaro, do PSC-RJ, antes de votar sim a favor da admissibilidade do “impeachment”, de entre outras aleivosidades, lembrou os militares de 1964 e homenageou a memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, uma figura sinistra da ditadura militar que foi responsável pela tortura de Dilma Roussef aquando da sua prisão durante esse período negro da história do Brasil. Este e outros depoimentos dizem bem qual é a matriz ideológica que sustenta o “impeachment” à Presidente Dilma.
A organização política brasileira é complexa e o espectro partidário uma amálgama de partidos, muitos dos quais apoiados por seitas religiosas e criados apenas com o objetivo de dividir o eleitorado e servir interesses que podem ser de um qualquer deus, mas não são, seguramente, os interesses do povo brasileiro.
O PT não está, neste processo, isento de responsabilidades, desde logo, nas políticas de alianças e por ainda não ter conseguido uma reforma dos sistema parlamentar consentâneo com a democracia, a não ser que o conceito de democracia seja tão permissivo que permita que depois de eleitos os deputados possam formalizar a sua saída de um partido e a sua entrada noutro, tudo isto sem perda de mandato ou, mesmo sem serem obrigados a passar para um estatuto de deputado independente. Sim, é possível na Câmara de Deputados brasileira e é por essa via que o presidente do parlamento brasileiro, Eduardo Cunha, investigado por corrupção e lavagem de dinheiro pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de alegadas luvas no valor de 1,25 milhões de euros recebidas por conta de um contrato do estaleiro Samsung Heavy Industries com a Petrobras, procura que a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados lhe seja favorável na decisão sobre a sua perda de mandato.
Este processo de cassação do mandato de Eduardo Cunha arrasta-se lenta e silenciosamente há meio ano no Conselho Ética da Câmara dos Deputados. O processo político que decorre contra Eduardo Cunha terá sido um dos detonadores do processo de “impeachment” da presidente brasileira, para própria proteção de Eduardo Cunha. Importa ainda dizer que mais de 50% dos 513 deputados da Câmara estão a ser investigados pela prática de algum crime. Também no Senado brasileiro, o número de senadores que estão a ser investigados ultrapassa os 50%.
Ponta Delgada, 18 de Abril de 2016
 
Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Azores 9, 20 de Abril de 2016