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quarta-feira, 20 de março de 2019

Novo ano, novo tempo - crónicas radiofónicas

foto by Aníbal C. Pires



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 29 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui






Novo ano, novo tempo 

foto by Madalena Pires
Estamos a fechar o ano. Mas não vou fazer balanços nem premonições deixo esse encargo para os especialistas, embora tenha uma visão própria do ciclo temporal que se encerra por estes dias e pelo que se avizinha. Posso até, sem meter a foice em seara alheia, deixar expresso um sentimento que traduz a forma como termino o ano e me preparo para entrar em 2019. Preocupação, uma grande inquietação sobre o futuro próximo. E mais não direi porque não quero deixar-lhe sentimentos negativos neste limiar do Ano Novo, onde todas as esperanças se renovam.
Hoje, porque é a última crónica de 2018 fica uma reflexão em forma de poema com que, em 31 de Dezembro de 2013, tentei sintetizar aquele momento mágico da passagem do ano e que tem como título, “Novo ano, novo tempo”

É o tempo
De louvar o velho
É o tempo
De renovar a esperança
E o tempo, esse tempo
É hoje
Presente, passado e futuro
Enleados
Com o olhar no tempo vindouro 
Sem olvidar
O tempo passado 

Agora
É o tempo
Onde o passado, o presente e o futuro
Num fátuo momento se enlaçam
Para logo se apartarem
Efémero abraço esse, o do tempo
Passado, presente e futuro

Nesta fronteira do pretérito e do porvir
Celebremos o futuro
Com o passado presente”

Que 2019 seja, para si, um ano de realizações pessoais. Lute pelos seus sonhos. Feliz Ano Novo.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 29 de Dezembro de 2018

domingo, 10 de março de 2019

A noite mais longa - crónicas radiofónicas

foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2019)







Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 15 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui













A noite mais longa

foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2019)
Hoje trago-lhe um texto que escrevi em Dezembro de 2016. Não é um escrito que marque a atualidade, mas julgo que é apropriado à data sendo pois, como poderá constatar é intemporal.
O texto foi publicado como crónica de opinião e diz assim:

O calendário natural assinala o Solstício de Inverno no hemisfério Norte, o calendário do mercado parasita o calendário cristão que, por sua vez, já se tinha apropriado dos ritos pagãos que os povos construíram ao longo de dezenas de milhares de anos. Os ciclos naturais foram sendo substituídos ao sabor de artificialismos, ou se preferirem de construções sociais que nos afastam inexoravelmente do que verdadeiramente deveríamos louvar e preservar, A mãe natureza e este planeta que é a nossa casa comum.
Comemoro o Solstício de Inverno, mas não deixo de festejar o Natal enquanto data que assinala a natalidade, afinal nada mais natural do que o nascimento de alguém, seja Jesus ou Maria de seu nome próprio.
O nascimento de um novo ser está ligado à família, não importa se formal ou informalmente constituída, família enquanto grupo de pessoas ligadas geneticamente ou, ainda por laços culturais e interesses comuns, digamos elementos do mesmo clã. E é nesta perspetiva que assinalo e festejo o Natal, como festa da família e dos amigos. O Natal é a festa da minha tribo.
Comemorar e festejar o Natal não é, para mim, sinónimo de adesão ao calendário do mercado, mas admito que tem uma ligação próxima à comemoração cristã do Natal, cresci no seio de uma comunidade católica e os costumes entranham-se. O que de algum modo justifica esta minha tácita aceitação do Natal enquanto época de reunião da família e de convívio com os amigos, trata-se de me reunir com a minha tribo e celebrar a vida, o amor e a amizade. Talvez por isso se tenha vulgarizado, e não por outros motivos, a expressão; “o Natal é quando um Homem quiser”. O calendário natural e, a vontade dos homens assim o determina, a celebração da vida, do amor e da amizade assim o exigem.

foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2019)
À noite mais longa do calendário solar sucede-se o aumento gradual da duração dos dias, é a vitória da luz sobre as trevas, é o Solstício de Inverno. Esta era a comemoração primordial, a comemoração pagã que assumia manifestações diversas, como diversos são os povos e diverso o entendimento e interpretação que cada grupo (tribo) tinha do calendário solar, ou seja, da influência que a posição relativa da Terra em relação ao Sol tem na vida dos homens.
Ficam os votos de Boas Festas e não deixem de celebrar a vida, o amor e a amizade, neste Solstício de Inverno, Neste Natal.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 22 de Dezembro de 2018

terça-feira, 5 de março de 2019

Inversão dos valores - crónicas radiofónicas

foto by Madalena Pires (Ponta Delgada, 2017)






Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 15 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui










Inversão dos valores

Foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2018)
Afinal tudo não passou de um mal-entendido. O PAN foi víti
ma de incúria jornalística por causa da PETA, não é peta é a PETA, ou seja, estou a utilizar o acrónimo de People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) e não a expressão popular para mentira.
Afinal aquela questão dos animais e dos provérbios teve origem na emissão de uma opinião que o PAN deu sobre uma posição ou iniciativa da PETA e que a comunicação social nacional terá entendido mal e difundido ainda pior, mas na verdade a posição do PAN é de acordo à pretensão da PETA.
Pelo menos foi o que consegui apurar ao ler o esclarecimento feito pelo PAN e que pode ser consultado no seu site.
Feita esta introdução que mais não pretende do que deixar claro que o PAN não tem, para já, em agenda qualquer iniciativa política que proponha a criminalização pela utilização de expressões como, por exemplo, “A cavalo dado não se olha o dente”, ou “Vozes de burro não chegam ao céu”, ou ainda outras expressões do adágio popular que referenciem animais.
Mas se este não passou de um mal-entendido que, por sinal, motivou uma onda de humor por todo o país, isso não significa que o PAN não se constitua como uma organização política que tem uma agenda complexa e obscura e que deve ser escrutinada pelos cidadãos, desde logo, por aqueles que em nome da proteção dos animais e da natureza lhe têm dado apoio eleitoral.
No PAN nem tudo é tão linear com pode parecer à primeira vista pois, a sua inspiração política está, quer o PAN queira, quer não, profundamente ligada ao pensamento de Adolf Hitler e dos seus mais próximos acólitos como pode confirmar se procurar informar-se sobre a proteção animal e do meio ambiente na Alemanha nazi, logo em 1933.

Foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2017)
Se costuma acompanhar estas crónicas lembra-se que não é a primeira vez que refiro esta temática, embora quando o fiz não tenha referido diretamente o PAN, nem as suas ligações ao IRA, ou seja, ao movimento Intervenção e Resgate Animal, que é assim como uma espécie de milícia do PAN.
Mas hoje não posso deixar de o fazer pois, o PAN é herdeiro de um pensamento que, em nome da proteção animal e da natureza, pretende impor um princípio que é, em si mesmo, antinatural. Os animais não são, de todo, iguais aos humanos. Não sou eu que o digo é a ciência e milhões de anos de evolução. Se esta diferença justifica maus tratos aos animais, Não. Mas vamos lá ter o bom senso de não impor, como já aconteceu, a criminalização dos humanos por atitudes que colocam em causa o bem-estar animal.
Ou seja, levado ao limite podemos ter humanos maltratados por referências e atos depreciativos sobre os animais. Ou assistir à inversão de valores como um conhecido caso em que uma ativista da proteção animal adotou um cão que matou uma criança. O animal não foi abatido pela morte da criança e como se isso não bastasse a sua adoção é apresentada como uma vitória da luta pela proteção animal.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 15 de Dezembro de 2018

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Promover a igualdade respeitar as diferenças - "Os Porquês?", na SMTV

Foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada)
Para ver ou rever a edição número 17 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

respeitar a diferença promover a igualdade

Foi para a antena no dia 20 de Fevereiro de 2019





sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O custo da impreparação - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires







Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 08 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui












O custo da impreparação

Miguel Sancho (foto retirada da internet)
Trago-lhe do novo a SATA, não pelo inquinado processo de alienação de 49% do capital social da Azores Airlines, nem pelo recente relatório da Comissão de Acompanhamento que nada relata que não fosse já do nosso conhecimento, mas por mais um daqueles erros que resultam da arrogância e autoritarismo de cidadãos impreparados para o exercício de cargos públicos e que, tendo o desfecho esperado, vai custar ao Grupo SATA, pelo menos, números redondos, 300 mil euros de indeminização a um trabalhador despedido indevidamente assim o disse, em última instância, o Supremo Tribunal de Justiça.
Disse pelo menos 300 mil euros pois, como é pressuposto todas as despesas processuais têm custo, e que, face ao tempo, aos recursos e demais trâmites, ao valor da indeminização ao piloto comandante devem ser adicionados mais alguns milhares de euros pelas custas judiciais e outras.
A forma como a SATA conduziu o processo de suspensão e despedimento do Comandante Miguel Sancho com base na interpelação de que foi alvo, dentro da aeronave que comandava, por um ex-administrador da SATA e que depois teve, por parte, do piloto comandante um comentário numa rede social, sem que ali tivesse referenciado quer a empresa quer o nome do então administrador, conforma um ato de persecução ao trabalhador.
E disso se tratou. Digamos que o Comandante Miguel Sancho ficou com o destino traçado na sequência do seu depoimento na Comissão de Inquérito do Grupo SATA. Houve quem não tenha gostado do que ouviu da boca do piloto comandante.
Certamente que se lembra e, assim sendo, julgo não ser necessário fazer nenhuma descrição dos factos. O que releva é mesmo a decisão que levou ao despedimento do Comandante Miguel Sancho e, sobretudo, quem tomou a decisão e quem lhe deu o aval.
E se as responsabilidades terão de ser assacadas ao Conselho de Administração da altura, devem-no ser, em particular, ao Presidente do Conselho de Administração, Dr. Luis Parreirão, e ao administrador que protagonizou o a interpelação ao piloto comandante dentro da aeronave, ou seja, o Eng. Francisco Gil, atualmente administrador da NAV.

Francisco Gil (foto retirada da internet)
Não sabia. Pois é, Ele há vidas assim.
Os mais de 300 mil euros que a SATA vai ter de pagar ao Comandante Miguel Sancho deveriam ser financiados pelos decisores e protagonistas de mais este triste caso de má gestão no Grupo SATA. Mas não será assim. O custo dos desmandos e da impreparação de quem, à época, estava à frente dos destinos do Grupo SATA vão engrossar a dívida desta empresa pública. E com isto pagamos todos nós, com juros. Pois está claro.
Gostava, mas gostava mesmo, de poder falar consigo da SATA sobre outras razões que não estas que evidenciam a má gestão e que, como deve calcular, afetam toda a estrutura organizacional das empresas do grupo e acabam por se refletir na qualidade do serviço prestado.
Gostava, mas não tem sido possível nem se configura no horizonte próximo que isso venha a acontecer. Mas acredito que é possível. É possível que um dia a SATA possa voltar a ser notícia pela qualidade do serviço e por canalizar fluxos financeiros para a Região. Nada que não tivesse já sido a imagem na Região, no País e no Mundo, não muito distante no tempo pretérito, deste Grupo empresarial público.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Dezembro de 2018

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Porquê o S Valentim quanto temos dois Santos Casamenteiros - "Os Porquês?", na SMTV

Foto do arquivo pessoal (Ponta Delgada, 2018)
Para ver ou rever a edição número 16 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

santos casamenteiros e (in)felizes coincidências 

Foi para a antena no dia 13 de Fevereiro de 2019









sábado, 16 de fevereiro de 2019

Ganhou quem não desiste - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires
Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 01 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui








Ganhou quem não desiste 

Foto by Aníbal C. Pires
Esta semana o parlamento açoriano aprovou o Orçamento e o Plano para 2019. Estes documentos sendo propostos pelo Governo de Vasco Cordeiro foram, porém, objeto de algumas alterações que resultaram de entendimentos partidários e que depois tiveram a natural tradução parlamentar.
Algumas destas modificações vão ter impacto direto na melhoria do rendimento das famílias e são, na generalidade, positivas. Não vou enumerá-las, pois, penso que são do seu conhecimento e, por outro lado, quero centrar esta nossa conversa no anúncio feito pelo Presidente do Governo Regional, no discurso de encerramento do debate na generalidade, que se comprometeu a encontrar com os sindicatos uma solução regional para o reposicionamento dos educadores e professores na carreira docente, alguns dos contornos foram mesmo enunciados por Vasco Cordeiro e, ao que julgo, deixaram os docentes satisfeitos com a solução proposta.
Mas, ainda antes disso, sempre gostaria de lhe dizer que o acolhimento das propostas da oposição, para além de serem um indicador da importância da instituição parlamentar, não modificaram a natureza e matriz política das propostas iniciais, nem isso seria expetável. Mas, ao contrário do que vinha a passar-se nesta legislatura, este ano o diálogo democrático foi cultivado e colheram-se alguns frutos, os possíveis, desse exercício que deve ser permanente.

Foto by Anibal C. Pires
Os educadores e professores dos Açores ganharam a luta pelo reposicionamento na carreira. Que não restem dúvidas, Sem a luta e a mobilização dos docentes o governo de Vasco Cordeiro continuaria, por mais algum tempo, a ater-se ao contexto político e à indefinição do Governo da República e a luta dos educadores e professores teria de continuar, ainda que, com contornos e em moldes diferentes.
Mas, e para que o passado recente não caia no esquecimento, é bom que se diga que durante este processo político houve quem soubesse ler e interpretar os sinais e conduzisse a luta em função dos interesses dos educadores e professores, com a consciência de que logo após a conclusão dos processos de discussão e aprovação dos orçamentos de Estado e da Região, de 2019, teriam lugar desenvolvimentos, designadamente nos Açores.
Houve quem pacientemente ouvisse os mais disparatados radicalismos, no auge de uma luta que o SPRA, sem nunca desarmar, conduziu com uma resiliência que alguns julgaram não ser possível, porque este sindicato tinha e tem uma agenda política e sindical ancorada na vontade e no querer dos educadores e professores e mantém-se ao seu lado sem nunca deixar cair os braços.
Outros, porém, têm agendas políticas, mas que não são sindicais, são agendas partidárias e, como tal, esgotam-se com o tempo e a conveniência, após concluída a greve às avaliações essa organização, “digamos”, sindical abandonou o discurso radical e, ao contrário do SPRA, quedou-se pela inércia, ou seja, saiu de cena.
Mas também aos grupos “inorgânicos”, de professores desligados dos sindicatos se lhes apagou o fulgor, logo após o fim da greve às avaliações. Faltou-lhes o que diferencia um sindicato de um grupo que, por não estar organizado, é mais permeável à manipulação por interesses exógenos aos seus. Não tenho dúvidas da entrega e da autenticidade de muitos docentes que aderiram às lutas e mobilizações que surgiam como se fossem de geração espontânea, mas é bom que se perceba de uma vez por todas que, nestes casos, a espontaneidade só parece que é. E na verdade é, Um mito.
Claro que agora perante o anúncio feito pelo Presidente do Governo Regional vão todos despertar do torpor onde estiveram mergulhados, mas já não vão a tempo.
Os educadores e professores da Região Autónoma dos Açores com o SPRA a liderar uma luta limpa com objetivos e timings bem definidos, e construídos coletivamente, já ganharam esta luta.
Foi um prazer estar consigo.

Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Funchal, 01 de Dezembro de 2018

domingo, 10 de fevereiro de 2019

da aprendizagem ao longo da vida - "Os Porquês?", na SMTV

Foto by Aníbal C. Pires
Para ver ou rever a edição número 15 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

aprender a aprender => ciclos do saber mais curtos => necessidade de formação 

Foi para a antena no dia 06 de Fevereiro de 2019





sábado, 9 de fevereiro de 2019

O novo afinal é velho - crónicas radiofónicas

imagem retirada da internet



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 24 de Novembro de 2018 e pode ser ouvida aqui







O novo afinal é velho


Imagem retirada da internet
Estamos mais ou menos habituados à consonância de posições do PSD Açores com o Professor Mário Fortuna, salvo uma ou outra vez em que o anterior líder do PSD Açores, e, ao que se diz por aí, mentor do atual, teve de vir a terreiro esclarecer as diferenças de posição entre o representante dos empresários açorianos e a posição do PSD, ou a sua, vá-se lá saber.
Mas desta vez a harmonia no discurso é perfeita, pelo menos no que diz respeito à solução proposta pela Câmara do Comércio, pela voz de Mário Fortuna, e à sua subscrição acrítica por Alexandre Gaudêncio.
Pois é. O PSD Açores, ou pelo menos o seu líder, considera, ao contrário do que sempre foi afirmado pelo seu partido, alienação de menos de metade do seu capital social, que a solução para a SATA afinal passa pela privatização da maioria do capital público da Azores Airlines, pelo menos 51% e pela alienação de 49% da Sata Air Açores.

Foto by Aníbal C. Pires
Se a posição expressa por Mário Fortuna não me causa nenhuma perplexidade, afinal o Professor é um fiel devoto do mercado e, um mentor e difusor da teologia que lhe está subjacente, já a posição de Alexandre Gaudêncio ao assumir como compromisso a proposta de Mário Fortuna demonstrou, por um lado, falta de maturidade política, o que pode ser explicado pela idade, mas por outro um desconhecimento da realidade regional e da importância da SATA para os Açores e para os açorianos, o que é, em minha opinião, grave, muito grave, para alguém que lidera um partido que se assume como alternância, não como alternativa, ao PS.
Julgo que Alexandre Gaudêncio já terá percebido que as suas afirmações não lhe mereceram os apoios esperados, aliás este discurso da privatização da SATA, em particular da SATA Air Açores não colhe apoios significativos em nenhuma das ilhas, nem mesmo em S. Miguel.
Julgo até que o atual líder do PSD Açores está neste momento a desdobrar-se em explicações e justificações para apaziguar as suas hostes um pouco por toda a Região.
Bem, mas este é um problema que o PSD e o seu líder resolverão e, não me custa a crer que numa próxima oportunidade, Alexandre Gaudêncio venha emendar a mão e recuar para a antiga posição do PSD Açores. Se por acaso assim não acontecer, então estamos perante um adepto da doutrina neoliberal, o que é o mesmo que dizer que o novo afinal, é velho, mais velho ainda que o seu antecessor.
Mas mais importante que o PSD, são os Açores que para o melhor e para o pior têm 9 ilhas pulverizadas numa vasta área oceânica e que necessitam de uma transportadora aérea pública para assegurar as ligações aéreas internas e externas, seja com o continente português, seja com a diáspora, mesmo sabendo que parte das ligações com o exterior é também assegurada por outras transportadoras aéreas, algumas delas privadas. O que não podemos deixar que nos aconteça é ficarmos dependentes de outros. Quer queiramos, quer não, a SATA é um património autonómico que como qualquer outro do adquirido autonómico deve ser salvaguardado.
Se isto é sinónimo de que tudo, no Grupo SATA, deve ficar como está, Não. Aliás não pode ficar como está sob pena de um destes dias ser irrecuperável.
Se a solução para as maleitas da SATA é a sua privatização, seja em que percentagem for, Não.
A solução passa por uma alteração profunda do seu modelo organizacional, pela redução da despesa com atividades que não têm uma função operacional, pela identificação e eliminação de poderes internos e externos que contrariam qualquer tentativa de gestão comercial bem sucedida, mas passa, sobretudo, e no imediato pela necessidade urgente de a recapitalizar. Coisa que não é possível através da sua privatização. Basta ver o caderno de encargos do concurso recentemente anulado para perceber que a privatização não tem, nem nunca teve, como objetivo a sua capitalização.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 24 de Novembro de 2018

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

do direito ao tempo - "Os Porquês?", na SMTV




Para ver ou rever a edição número 14 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

Tempo, um bem precioso

Foi para a antena no dia 30 de Janeiro de 2019





sábado, 2 de fevereiro de 2019

Os (IRA)dos - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires (Ponta Delgada, 2017)






Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 17 de Novembro de 2018 e pode ser ouvida aqui









Os (IRA)dos

Foto by Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017)
Hoje trago-lhe um assunto que não é de fácil abordagem, mas que merece alguma atenção e reflexão pelo significado que tem e, sobretudo, pelos fenómenos que está a criar em Portugal e no Mundo.
Trata-se da proteção dos animais e de alguns grupos de pressão organizados, até num partido político com assento parlamentar na Assembleia da República, cuja agenda política gira e se alimenta à volta dos direitos e do bem-estar animal.
Causa que, não sendo da nossa contemporaneidade, pois, no limiar do século XIX a Inglaterra tinha aprovado algumas leis de proteção dos animais, ganhou nos últimos anos pela tomada de consciência ambiental e humanista apoios crescentes significativos.
Antes de mais, e para que não surjam dúvidas ao longo desta nossa conversa, reafirmo a minha posição de total concordância com o articulado da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, Documento de caráter normativo e que foi proclamado e promulgado pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 27 de Janeiro de 1978.
Esta declaração de princípios destina-se aos ouvintes menos atentos pois, quem acompanha a vida política regional sabe que fui autor, enquanto deputado do PCP na ALRAA, do articulado original do diploma que proíbe o abate de animais errantes e de companhia.
Para quem quiser informar-se sobre a sua tramitação pode sempre consultar a base de dados da ALRAA, ou se apenas quiser conhecer o seu conteúdo pode procurar no Jornal Oficial o Decreto Legislativo Regional n.º 12 /2016/A, de 8 de Julho.
As notícias vindas a público, mesmo com as reservas que tenho sob a forma como foram tratadas jornalisticamente, colocam algumas apreensões às quais devemos dar atenção pois configuram um modus operandi e uma linguagem que nos fazem lembrar os grupos neonazis que proliferam como cogumelos por todo o Mundo.

Foto by Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2018)
E este fenómeno é tanto mais preocupante quanto sabemos que na primeira metade do Século XX a Alemanha de Hitler, logo após a chegada ao poder em 1933, fez aprovar um conjunto de leis de proteção dos animais que, eventualmente alguns desses militantes (IRA)dos, gostariam de ver em vigor no nosso país e no Mundo.
Como, por exemplo a execução, por fuzilamento, de quem infligisse a morte a um animal por maus tratos. As leis de proteção aos animais atualmente na Alemanha, expurgadas dos excessos da criminalização e da penalização, são nos seus princípios as que foram criadas por Hitler.
Se posso e devo apoiar e defender os direitos dos animais e o seu bem-estar, não posso, porém, esquecer-me de que quem produziu, digamos, a legislação mais avançada para a proteção dos animais tivesse sido responsável por milhões de mortes, quer nos campos de batalha da II Guerra Mundial, quer nos campos de concentração.
Não pretendo rotular ninguém, mas por vezes é bom ir à história para perceber o presente.
Mas no presente existem, para além da questão ideológica, porque o era durante a chancelaria de Hitler e depois com o III Reich, outras questões mais pragmáticas e que se prendem com o negócio que gira à volta dos animais de estimação.
Eu já o fiz publicamente, mas ainda não dei conta de nenhum ativista da defesa dos direitos e do bem-estar animal propor a proibição da venda de animais de estimação e companhia enquanto nos canis e gatis municipais houver animais para adoção. Pois é. Talvez este princípio, a vir a ser adotado com força de lei, fosse um grande contributo para a proteção e o bem-estar animal.
Mau para o negócio. Bom para os animais. 

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 17 de Novembro de 2018

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Privações - "Os Porquês?, na SMTV

Foto by Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017)




Para ver ou rever a edição número 13 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

O medo e a insegurança privam-nos de viver

Foi para a antena no dia 23 de Janeiro de 2019






segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Arquipélago de cultura - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires (PDL, 2018)



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 03 de Novembro de 2018 e pode ser ouvida aqui







Arquipélago de cultura

Foto by Aníbal C. Pires (Ribeira Grande, 2018)
Os Açores fervilham de iniciativas culturais.
Eu diria que difícil é arranjar agenda para poder fruir da oferta disponível, talvez alguma articulação entre os promotores ajudasse pois, para quem tem um gosto eclético, como é o meu caso, nem sempre é fácil.
Mas não entenda isto como uma queixa ou, sequer um lamento. Não se trata disso, embora me falte tempo para “ir a todas”, como comumente se diz.
Como lhe disse não estou a queixar-me, bem pelo contrário esta constatação deixa-me satisfeito, até porque a maioria dos acontecimentos culturais envolvem criadores e produtores regionais. E não é por nenhuma espécie de bairrismo ou regionalismo, mas porque sentir este pulsar criativo desperta-me, como já lhe disse, um sentimento de agrado e até de orgulho.
O mês de Novembro é um bom exemplo desta vaga de eventos, em particular para a literatura, mas também no teatro, na música, na dança, nas artes plásticas e visuais.
Na Praia da Vitória está a decorrer mais uma edição do “Outono Vivo”, em Ponta Delgada vai acontecer o “Arquipélago de Escritores”, a editora Companhia das Ilhas iniciou a edição das “Obras Completas” de Vitorino Nemésio, em parceria com a Imprensa Nacional. Mas esta editora das Lajes do Pico não se fica por aqui pois, hoje apresenta em Ponta Delgada, na Livraria SolMar, a “Poesia Reunida” de José Martins Garcia.
Mas também a editora Letras Lavadas não tem deixado os seus créditos por mãos alheias, no passado sábado foi apresentado, no Centro Cultural da Caloura, o livro de Maria das Mercês Pacheco “Contos de encantar, histórias de espantar” com ilustrações de Tomaz Borba Vieira, isto para além dos lançamentos previstos no âmbito do Arquipélago de Escritores, como seja o livro de contos, de João Pedro Porto, “Fruta do Chão”.

Foto by Aníbal C. Pires (Caloura, 2018)
Mas para não dizer que não lhe falo de outras artes, pois bem aqui fica uma outra sugestão para hoje. Pelas 21h30mn, em Ponta Delgada, pode assistir no “Estúdio 13 – Espaço de Indústrias Criativas”, ao espetáculo teatral “Mar me Quer”, texto de Mia Couto, com produção do “Alpendre”, Grupo de Teatro e no elenco, de entre outros, Belarmino Ramos.
E por falar de Mia Couto e porque também valorizo quem nos visita veio-me à lembrança o João Afonso que vai estar no dia 9 de Novembro, próxima sexta-feira, pelas 21h, no Centro Cultural da Caloura para um concerto intimista que dá pelo nome “Azul, verde para crer”. João Afonso canta e encanta com a sua voz tranquila de intensão. Voz que o jornal Blitz distinguiu, em 1997, como a melhor voz masculina.
Neste momento já estará a perguntar, Mas o que tem a ver o João Afonso com o Mia Couto. Pois bem o João vai cantar algumas canções do seu último trabalho “Sangue Bom” cujas letras são, cá está, de Mia Couto e de José Eduardo Agualusa. Ao que sei cantará também alguns dos temas do seu primeiro trabalho “Missangas”, bem assim como alguns temas de José Afonso, tio do João. O João Afonso convidou para estar consigo o Zeca Medeiros.
Eu cá por mim sinto-me convidado, para este e para todos os outros eventos, sinta-se convidado também. E escolha, escolha o que mais lhe agradar porque não faltam iniciativas culturais um pouco por toda a Região. Eu diria que vivemos num imenso arquipélago de cultura.
É sempre um prazer estar consigo.

Voltarei no próximo sábado. Até lá. Fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 03 de Novembro de 2018

domingo, 13 de janeiro de 2019

O V Fórum Franklin D, Roosevelt - crónicas radiofónicas








Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 27 de Outubro de 2018 e pode ser ouvida aqui










O V Fórum Franklin D, Roosevelt

Numa organização conjunta do Governo Regional dos Açores e da Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento (FLAD), decorreu ontem em Ponta Delgada o V Fórum Franklin Delano Roosevelt.
Mário Mesquita foi o grande impulsionador destes fóruns que tiveram o seu início há 10 anos e tem sido com o seu empenho e contributo que se têm vindo a realizar.
A quinta edição do Fórum Açoriano assinalou o centenário da escala de Roosevelt, então Secretário da Marinha dos Estados Unidos durante o mandato presidencial de Thomas Woodrow Wilson, nos Açores.
Mas se Franklin Delano Roosevelt é uma figura incontornável da história da primeira metade do século XX, a sua mulher Anna Eleanor Roosevelt não é menos admirável e, ontem, pela voz da neta Laura Roosevelt, tive oportunidade de conhecer um pouco mais sobre esta mulher que foi mais, um pouco mais do que apenas a esposa do Presidente.
Mas se ao Presidente Franklin Delano Roosevelt, eleito em 1933, se reconhece o mérito, a sabedoria e a coragem de internamente ter implementado um conjunto de políticas públicas, conhecidas por new deal, inspiradas pelo economista John Maynard Keynes, políticas públicas que uniram os estado-unidenses e que lhe permitiu solucionar os problemas sociais, económicos e financeiros decorrentes do crash da bolsa de Nova Iorque, de Outubro de 1929, ou seja, sair da chamada “grande depressão”.
Para entender o Presidente Roosevelt e o new deal, bem assim como o pensamento de Keynes, não pode deixar de se olhar para além dos Estados Unidos. A necessidade de intervenção do Estado na economia, a regulação do mercado e a garantia da assistência social pública, medidas que o new deal consagrava, constituíam-se, também, como uma resposta do capitalismo à crescente popularidade da revolução russa de 1917.
Por outro lado, sem retirar nenhum mérito a Roosevelt e a Keynes, a verdade é que, também, externamente os Estados Unidos, com a liderança do Presidente Roosevelt, conseguiram afirmar uma estratégia de envolvimento, mas sobretudo de dependência dos seus aliados, designadamente, no que às questões da defesa diz respeito e que ainda hoje se mantêm, embora com contornos e exigências diferentes, mas que tinha como objetivo subjacente evitar a exportação dos ideais da revolução bolchevique.

Foto by Aníbal C. Pires
Os painéis e mesas redondas foram uns mais outros menos interessantes, como em qualquer outro evento desta, ou de outra natureza. Mas não posso deixar de lamentar a unanimidade e a formatação do discurso da generalidade dos oradores no último tema: Portugal, os EUA e a relação transatlântica, ainda que Rodrigo Oliveira se tenha distinguido com uma linha de pensamento próprio, o que não significa que esteja de acordo com ele, e, o cônsul dos Estados Unidos tenha desempenhado muito bem o seu papel na defesa dos Estados Unidos no Mundo, outra coisa não seria de esperar. Quanto ao professor Carlos Gaspar, da Universidade Nova e à Professora Mónica Dias, da Universidade Católica, que cometeu a indelicadeza de dedicar o seu tempo a falar de Thomas Woodrow Wilson num fórum dedicado a Roosevelt, até posso perceber a ligação, mas não me pareceu apropriado.
Mas das intervenções destes dois académicos, e isso sim é relevante, ficaram apenas os lugares comuns da visão unilateral das Relações Internacionais e do endeusamento dos sistemas políticos que governam alternadamente ao centro.
Bom foi ouvir a provocação de Mário Mesquita, sobre a questão da independência dos Açores, embora tenha ficado por isso mesmo pois a plateia ficou muda, bom de ouvir foi a paixão com que Laura Roosevelt, neta de Franklin Delano Roosevelt, falou dos seus avós. Fica também um registo positivo para o painel que abordou as questões da Educação na relação entre Portugal e os Estados Unidos.
Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Outubro de 2018

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Da partida, do regresso e da saudade - "Os Porquês?", na SMTV


Foto by Aníbal C. Pires




Para ver ou rever a edição número 11 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

Partir querendo ficar... e depois, Bem, depois fica a saudade.

Foi para a antena no dia 09 de Janeiro de 2019








sábado, 15 de dezembro de 2018

A SATA pode e deve crescer - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires





Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 29 de Setembro de 2018 e pode ser ouvida aqui









A SATA pode e deve crescer

Foto by João Pires (Lisboa, 2018)
A SATA anunciou nos últimos dias um aumento da oferta durante o Inverno IATA, ou seja, durante a chamada época baixa.
Segunda a informação disponibilizada pelo SATA as ligações da Azores Airlines a Lisboa e ao Porto, ao Funchal, à Europa, aos Estados Unidos e ao Canadá vão ser objeto de um aumento de frequências e, por conseguinte, a uma maior oferta de lugares. É um aumento de 21428 lugares e é esperado que a procura cresça 3% face ao período homólogo do Inverno IATA de 2017/2018.
Só posso ficar satisfeito com o esperado crescimento da procura. Mas mais satisfeito ainda com a resposta do Grupo a essa previsão. Resta saber se a capacidade operacional da Azores Airlines consegue satisfazer este objetivo comercial.
Esta minha dúvida fundamenta-se, no essencial, em dois pilares. O primeiro relaciona-se com a descoordenação existente, pelo menos até há pouco tempo atrás, entre a área comercial e a área operacional. De uma forma simplista pode dizer-se que os compromissos comerciais assumidos não tinham em devida conta os recursos operacionais, em particular tripulações. Todos temos na memória alguns cancelamentos e atrasos, de um e mais dias, em voos da Azores Airlines tendo sido dada pública justificação de que essas irregularidades se ficavam a dever a falta de tripulações. O segundo pilar onde escoro a minha dúvida relaciona-se com a prevista saída de pilotos da Azores Airlines, sendo que a sua reposição e até o necessário reforço vai levar alguns meses, ou seja, havendo muitos pilotos disponíveis no mercado é sabido que a sua qualificação, para poderem operar autonomamente, pode demorar alguns meses.
Mas tudo isto deve ter sido pensado e a sua execução deve estar em curso, Assim o espero pois, o que desejo, e sempre defendi, é que o Grupo SATA possa expandir-se no mercado do transporte aéreo e ultrapasse as atuais dificuldades financeiras o que pode ser conseguido sem a alienação de parte do seu capital social ao setor privado.

Foto by Aníbal C. Pires
O que não se compreende é que existindo mercado, aliás a procura tem aumentado, a SATA não se tenha, em devido tempo, preparado para se capacitar com os meios suficientes para responder ao aumento da procura e tenha abandonado alguns negócios, como por exemplo a ligação Terceira/Madrid/Terceira, por manifesta insuficiência de aeronaves e tripulações, pelo menos foi essa a justificação que foi dada publicamente. Outros exemplos há que demonstram estas insuficiências. No Verão foi necessário recorrer à contratação de ACMIs, um Boeing 737 e um A 340 para satisfazer os compromissos comerciais, mas é bom lembrar que o A 330, conhecido pelo Cachalote, se manteve ao serviço e ainda assim foi necessário recorrer, por várias vezes, a um dos antigos A 310 ainda operacionais. Ou seja, existe mercado para a Azores Airlines, mas esta não tem capacidade, por défice de aeronaves e de tripulações, para satisfazer as necessidades da procura tendo de recorrer à contratação de aeronaves e tripulações de outras empresas.
Não estou à espera que o atual e recentemente nomeado Conselho de Administração tenha, no imediato, resolvido estes e outros problemas de que enferma o Grupo SATA, mas o reforço da operação de Inverno pode ser um bom sinal de que outras rotas estão a ser traçadas.
A SATA é um instrumento da autonomia açoriana do qual não podemos, nem devemos abdicar.
O Grupo SATA tem tudo para competir no mercado do transporte aéreo e a privatização de 49% do seu capital, numa tramitação cujos contornos estão envoltos numa densa bruma, resulta de uma opção política que, em minha opinião, era dispensável, para além de ser indesejável pois, trata-se, como por certo concordará de um setor estratégico para a autonomia regional e como tal devia manter-se, integralmente, no domínio público.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 29 de Setembro de 2018

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

O ex-embaixador e as gruas de Lisboa

Foto by Aníbal C. Pires
Na sequência da apresentação do livro de Robert Sherman, ex-embaixador dos Estados Unidos em Portugal, no passado dia 3 de Dezembro, em Lisboa, com o título “Dez Milhões e Um”, e das entrevistas que entretanto concedeu a alguns jornais nacionais levantou-se alguma polémica na Região.
A controvérsia regional resulta, em minha opinião, de interpretações abusivas do que Robert Sherman afirmou nas suas declarações quando se referiu às medidas do seu país para minimizar os efeitos, na Terceira, do “downsizing” na base das Lajes.
Mas antes de me referir ao objeto da polémica, o voo da Delta sobre o qual escrevi em 26 de Maio de 2018, não posso deixar de me referir a um aspeto que, de alguma forma, nos dá a conhecer melhor este homem. Ao olhar para Lisboa, segundo o que se pode ler na entrevista ao Expresso, Robert Sherman terá perguntado, “De que é que acham que gosto mais nesta paisagem?”. E sem esperar por qualquer palpite do jornalista, respondeu, “As gruas.” Pois, a mim as gruas que rasgam o céu de Lisboa incomodam-me, gosto mais do Tejo e da luz única que ilumina as colinas da nossa capital.
Quanto às afirmações de Robert Sherman a propósito das medidas que, segundo o próprio, foram, ou estão a ser implementadas para mitigar os problemas sociais e económicos resultantes da alteração do paradigma de utilização da base das Lajes pelas forças armadas dos Estados Unidos, eu diria que não passam de um enunciado de boas intenções para consumo dos “Dez milhões…”. E se quem por aqui vive tem disso consciência, quem ler a entrevista do ex-embaixador facilmente constata que o lançamento de microssatélites, o estudo das alterações climáticas, ou os protocolos celebrados entre universidades envolvem outros países para além dos Estados Unidos, eu diria mesmo que em alguns destes casos os Estados Unidos nem sequer são parte, ou parceiro.

Foto by Aníbal C. Pires
Quanto ao voo da Delta que foi referido por Robert Sherman há, em minha opinião, um claro abuso de interpretação, embora a ligação de Nova Iorque a Ponta Delgada, tenha sido referida pelo ex-embaixador. Expressei, como já referi, a minha opinião no início desta operação e que aqui transcrevo, “A vinda da DELTA até pode ter constituído uma surpresa, e para mim foi, mas procurei saber porquê este súbito interesse da DELTA na rota Nova York/Ponta Delgada, por certo não seria pela procura dos açorianos, e claro que não é. A operação terá sido desenhada por operadores turísticos dos Estados Unidos, designadamente um operador ligado à DELTA, que pretende oferecer os Açores como um destino turístico que, por enquanto, está em alta e que tem tido procura por um segmento de cidadãos estado-unidenses que procuram destinos seguros e de proximidade. Se existe algum acordo financeiro entre a Associação de Turismo dos Açores (ATA) e os operadores turísticos dos Estados Unidos, desconheço, mas não estranho se ele existir.” (26 de Maio de Maio de 2018).
Nada do que Robert Sherman afirmou sobre esta operação da Delta faz alterar a minha opinião. Trata-se de uma iniciativa comercial que nada tem a ver com medidas de mitigação pelo “downsizing” da Base das Lajes. Se o fosse a voo seria certamente para a Terceira e teria sido incluído no pacote um acordo “interline” com a SATA que permitiria facilidades de deslocação para outras ilhas Região. Por outro lado, é a própria Delta a recusar, também para 2019, um acordo “interline” com a SATA, deixando que os seus clientes possam escolher, sem facilidades, deslocar-se para outras ilhas da nossa Região. O que é bom, desde logo para a SATA Air Açores que, como sabemos, não tem mãos a medir para cumprir as exigências comerciais, do Verão IATA, mais os reencaminhamentos que nos deixam sem lugares e à beira de um ataque de nervos.
Compreendo a posição da Câmara de Comércio de Angra a quem compete defender os interesses dos operadores turísticos e hoteleiros da sua jurisdição, mas o caminho não será certamente por aqui.
Não pretendo aconselhar e muito menos ensinar nada aos representantes dos empresários da Terceira, S. Jorge e Graciosa julgo, porém, que estas ilhas têm atratividade para que os turistas que chegam a S. Miguel nos voos da Delta possam, por sua livre iniciativa e como já se verificou em 2018, procurarem outros destinos dentro da Região. A promoção do destino e a oferta de condições favoráveis será a solução para a captação dos turistas estado-unidenses que nos chegam diretamente de Nova Iorque.
Quanto ao papel de Robert Sherman no que ao processo da Base das Lajes diz respeito, eu diria com algum conhecimento de causa, que ele fez o que dele se esperava serviu os interesses dos Estados Unidos e, Vasco Cordeiro serviu os interesses da Região e de Portugal. Logo não poderia ser subserviente.
Sei que este texto já vai longo, contudo não posso deixar de deixar uma pergunta. Qual terá sido o papel de Robert Sherman no desfecho do caso da venda do Novo Banco à Lone Star!? A pergunta é especulativa, Talvez. Mas como o ex-embaixador integra o Conselho Geral do Novo Banco, julgo que a questão tem alguma pertinência.

Ponta Delgada, 11 de Dezembro de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 12 de Dezembro de 2018

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Os docentes no centro da agenda política açoriana

Foto by Aníbal C. Pires
O Presidente do Governo Regional, no discurso de encerramento do debate na generalidade do Plano e Orçamento para 2019, comprometeu-se a encontrar com os sindicatos uma solução regional para o reposicionamento dos educadores e professores na carreira docente, alguns dos contornos foram mesmo enunciados por Vasco Cordeiro e, ao que julgo, deixaram os docentes satisfeitos com a solução proposta, embora quem fale com alguns educadores e professores tenha percebido que a surpresa do anúncio os deixou de pé atrás. Alguns de nós são como S. Tomé, Ver para crer.
Percebo alguma relutância dos educadores e professores, mas Vasco Cordeiro fez o anúncio num momento solene da liturgia parlamentar e isso compromete, digamos que o anúncio não foi feito durante uma campanha eleitoral.
A minha surpresa não foi tanto o anúncio pois, quem acompanhou todo este processo e está habituado olhar de uma forma holística para o fenómeno político tinha como adquirido que durante 2019 isso viria a acontecer, os sinais estavam todos disponíveis e houve quem os soubesse ler e em função dessa leitura tivesse adequado a sua intervenção e luta.
Houve quem, por má fé, os tivesse ignorado para cumprir agendas pessoais e partidárias, ou, pura e simplesmente, por não os ter sabido interpretar. Os primeiros contaram com a ingenuidade dos segundos e, por sua vez estes, (os segundos) de forma honesta e disponível deram força aos primeiros, embora os primeiros logo que a agenda pessoal e partidária se esboroou tivessem levantado ferro e abandonado os segundos. Bem, mas eu, como se percebe no início do parágrafo, também fiquei, de algum modo surpreendido porque não esperava que a decisão fosse tomada tão cedo. Tenho de admitir que sempre pensei que a decisão fosse tomada já por 2019 dentro.

Foto by Aníbal C. Pires
Mas a minha surpresa foi ainda maior quando, em consulta ao GACS, tomei conhecimento que já amanhã (hoje) se iniciam reuniões do governo com os sindicatos. As reuniões contarão, naturalmente, com o Secretário Regional da Educação e, desta vez, tal como Vasco Cordeiro anunciou com a presença do Vice-presidente. Lembro que o Presidente do Governo quando fez o anúncio da solução regional para o reposicionamento dos docentes na carreira disse que, tinha dado indicações à tutela da educação e das finanças para esse efeito.
Este processo, face aos contornos da solução anunciada e às posições dos sindicatos dos professores deve ser, em minha opinião alvo de uma conclusão célere, embora seja expetável que destes encontros possam resultar ganhos negociais que melhorem a proposta do governo.
Quando digo que as negociações serão breves não o faço de forma gratuita. Faço-o tendo em consideração as posições sindicais quer do SPRA, quer do SDPA, e, por ter bem presente os contornos da solução que Vasco Cordeiro enunciou, mas também por ter consciência que neste quadro ficarão, forçosamente, por resolver algumas reivindicações dos sindicatos que terão de ser remetidas para um outro quadro legal.
O Governo Regional anunciou uma solução de reposicionamento ao longo de 6 anos, sem restrições orçamentais e com a possibilidade de diminuição do prazo de 6 anos em função das aposentações que se vierem a verificar. Sem dúvida esta é, não sendo justa pois o reposicionamento deveria ser imediato, a melhor das soluções encontradas, isto é, muito melhor que a do Governo da República e, substantivamente melhor que a da Região Autónoma da Madeira.
Por outro lado, os princípios defendidos pelo SPRA estão, pelo que é conhecido, consagrados na proposta anunciada por Vasco Cordeiro, ainda que não seja satisfeita a reivindicação dos 5 anos, mas que, contudo, pode vir a aproximar-se deste prazo dependendo da “aceleração” por via das aposentações que se vierem a verificar. Quanto ao SDPA e face à posição que tomou em sede de audição da Comissão dos Assuntos Sociais aquando da proposta apresentada pelo PSD, com o mesmo objeto, à qual deu o seu incondicional aval não vejo como poderá agora reivindicar o que quer que seja.

Foto by Aníbal C. Pires
Julgo ser importante referenciar que a proposta do PSD, a que me refiro, foi decalcada da solução madeirense que consagra um artigo que faz depender a calendarização faseada do reposicionamento da disponibilidade anual do orçamento o que, em última instância, poderá, no caso madeirense, desvirtuar a calendarização remetendo-a para as calendas gregas, ou se preferirem “ad aeternum”. Esta situação, tendo como boa afirmação de Vasco Cordeiro de que nos Açores a solução não ficaria dependente de constrangimentos orçamentais, não se vai verificar para os professores da Região Autónoma dos Açores.
Em jeito de conclusão poderá afirmar-se, com alguma segurança, que o SPRA tem alguma margem negocial, mas o SDPA esgotou qualquer hipótese de reivindicar o que quer que seja quando deu o apoio acrítico, na Comissão dos Assuntos Sociais, à proposta do PSD.
Fico a aguardar pelo resultado destas reuniões entre os Sindicatos e o Governo Regional, na certeza, porém de que a cumprir-se o que foi anunciado e enunciado por Vasco Cordeiro, no discurso de encerramento do debate na generalidade do Plano e Orçamento para 2019, não será fácil um qualquer ganho negocial pelos sindicatos, ainda assim fica-me uma réstia de esperança de que o sindicato que melhor soube fazer a leitura deste penoso processo de luta, possa ter a arte e o engenho de trazer para os professores dos Açores mais do que o governo afirmou garantir. 

Ponta Delgada, 09 de Dezembro de 2018

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 10 de Dezembro de 2019

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Autonomias regionais

Foto by Aníbal C. Pires
Os modelos económicos e de desenvolvimento das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores seguiram, naturalmente, caminhos diversos. A história e as caraterísticas naturais de cada um dos arquipélagos estão na origem das escolhas, mas depois da consagração das autonomias regionais foram as opções dos órgãos de governo próprio que mais influenciaram o rumo e os contornos desses modelos.
Nos Açores da autonomia sempre se olhou para a Madeira como mais afoita nas iniciativas do investimento público, e um segmento da sociedade açoriana, por vezes com uma pontinha de inveja, admirava a capacidade reivindicativa e empreendedora de João Jardim que, não tendo papas na língua, via as suas exigências junto de Lisboa satisfeitas ao passo que nos Açores as reivindicações não tinham a mesma força e, como tal, não seriam tão eficazes. O crescimento económico na Madeira era superior ao dos Açores e até na infraestruturação os ritmos nos Açores eram muito inferiores.
Sem contestar que numa comparação onde não se tem em linha de conta alguns aspetos e indicadores, a Madeira evidenciava diferença significativas em relação aos Açores, porém, não posso deixar de dizer que discordo em absoluto dessa visão que dava como adquirido que isso se devia aos órgãos de governo e, em particular, ao Presidente do Governo regional da Madeira, o Dr. Alberto João Jardim.
As duas regiões, sendo insulares, distantes e arquipelágicas, não são, nem podem ser avaliadas sem algumas precisões mesmo no que à geografia diz respeito, ou, sobretudo no que à geografia diz respeito. Se a geografia esteve na origem do abandono e no modelo político e administrativo que Lisboa, o Reino e a República lhe destinaram até à Revolução de Abril, foi também a geografia que contribuiu para que estes arquipélagos, desde o seu povoamento, tivessem especializações e percursos económicos diferenciados. Foi também a geografia que contribuiu para o reconhecimento do Estado, saído da Revolução de Abril, das especificidades destas regiões e tivesse consagrado na Constituição de 1976 as autonomias regionais. Claro que não foi só a geografia, as reivindicações autonomistas dos povos insulares foram determinantes para esse reconhecimento.
É também a geografia que está na base da decisão da União Europeia de reconhecer a um conjunto de regiões, insulares ou não, um estatuto especial no tratado, ou seja, um tratamento diferenciado para regiões ultraperiféricas, mas também aqui as reivindicações políticas regionais e nacionais assumiram-se como fundamentais para esse reconhecimento.
Mas voltemos à Madeira e aos Açores e às suas diferenças procurando, agora, aprofundar a que se se devem os motivos porque não se devem comparar, de forma linear, estes dois arquipélagos a quem foram politicamente conferidos, e bem, os estatutos autonómicos e de regiões ultraperiféricos.
Se na dimensão populacional se assemelha, o mesmo, para além de outras diferenças, não se pode dizer do território que no caso dos Açores, sendo maior, está pulverizado numa vasta área oceânica de 66 mil quilómetros quadrados, e esse é um atributo que não pode deixar se ser tomado em conta em qualquer olhar sobre os dois arquipélagos.

Foto by Aníbal C. Pires
O arquipélago da Madeira tem os seus 250 mil habitantes concentrados em apenas uma das suas ilhas, os Açores têm a sua população dispersa por nove ilhas e, S. Miguel tem, sensivelmente, metade da população açoriana. A pulverização do território açoriano e o número de ilhas justifica que o investimento público, por exemplo em portos e em aeroportos, para não falar de escolas hospitais e centros de saúde, teve de ser multiplicado por nove, ao passo que na Madeira apenas por dois. Quer se queira quer não, tratando-se de dois arquipélagos insulares e distantes a dispersão territorial faz com que não possam ser olhados sem a consequente relativização que deste facto advém.
Neste texto não procuro avaliar quem fez as melhores opções políticas e económicas e, muito menos comparações sobre os estados de desenvolvimento das duas regiões autónomas. E se é inegável que estes 42 anos de autonomia transformaram a face dos dois arquipélagos, não é menos verdade que estão longe de estar resolvidas seculares questões como a pobreza e a baixa taxa de literacia. Dois indicadores que mais do que todo o betão e o asfalto dizem bem da natureza política de quem nos Açores e na Madeira tem exercido o poder. Os povos insulares continuam sob o jugo de um poder que tem vindo a perverter os desígnios autonómicos.

Ponta Delgada, 04 de Dezembro de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 05 de Dezembro de 2018

O relatório da OCDE “Education at a Glance” 2018 - crónicas radiofónicas

Imagem retirada da Internet



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 15 de Setembro de 2018 e pode ser ouvida aqui






O relatório da OCDE - “Education at a Glance” 2018

Imagem retirada da Internet
Estou certo que, como eu, terá dado conta da notícia da divulgação de um relatório da OCDE, designado “Education at a Glance” 2018, ou assim numa espécie de tradução livre “Educação em relance 2018,  onde de entre outros aspetos são referidas algumas conclusões importantes, como por exemplo, “O menor nível de escolaridade está diretamente relacionado com uma maior desigualdade no rendimento do trabalho”, ou que “Portugal, de todos os países da OCDE, é aquele onde verifica uma desigualdade salarial acima da média”.
Mas se, como eu, deu conta da divulgação na comunicação social deste estudo da OCDE lembra-se de como foram as manchetes.
Deixo-lhe alguns exemplos.
“OCDE diz que salários dos professores portugueses são "relativamente altos", Professores de Portugal trabalham poucas horas e ganham bem” e ainda este outro, “OCDE diz que temos professores envelhecidos que ganham bem e trabalham menos horas”.
Claro que quem lê a notícia até ao fim e não se fica apenas pelos títulos, fica a saber um pouco mais e a generalidade dos órgãos de comunicação social faz até faz a ligação entre a divulgação do estudo e a atual fase de luta dos educadores e professores em Portugal. É tão evidente que não é possível esconder o facto.
Estranha coincidência e estranha forma de titular a divulgação de um relatório, ainda que breve, sobre a educação nos países da OCDE.
Não acredito em bruxas e, neste caso também não acredito que tenha sido uma coincidência. A divulgação do estudo mais parece uma encomenda que chega no momento oportuno. Quanto à forma como o relatório foi difundido, aí não me restam quaisquer dúvidas. A comunicação social mais uma vez vergou as costas perante o amo.
A OCDE não será diretamente responsável pelos dados que apresenta. A responsabilidade terá de ser assacada a quem forneceu os dados que, no caso dos horários de trabalho e dos salários são falsos. Como sabe sou professor e como já tenho uma longa carreira e idade, naturalmente, cheguei ao topo da tabela de vencimentos dos professores e, não me importaria nada, mesmo nada, de auferir o salário que a OCDE divulgou para o topo da carreira dos docentes em Portugal, seriam apenas mais 662 euros mensalmente, ou seja, vezes 14 meses, daria um acréscimo de 9268 euros, ao meu rendimento anual. Era bom, mas não é assim.

Foto by Aníbal C. Pires
Como não é assim no que diz respeito ao número de horas de trabalho semanal. Os horários dos docentes têm duas componentes, a letiva e a não letiva que totalizam 35 horas semanais, mas como também foi divulgado num estudo recente, não da OCDE, concluiu-se que os educadores e professores trabalham em média mais de 40 horas semanais. A OCDE comparou o incomparável, ou seja, a componente letiva dos docentes portugueses com o horário completo, componente letiva e não letiva, dos docentes dos restantes países.
Há, contudo um aspeto, mesmo com os dados errados, que o Relatório da OCDE conclui e que um dos títulos, que há pouco citei, referia. O envelhecimento da classe docente e a sua relação para que a média salarial dos docentes seja mais elevada. Fica caro ao Estado português, muito caro, manter no ativo um número significativo de docentes com mais de 60 anos de idade e cerca, ou mais de 40 anos de serviço. Todos estes professores estão no topo da carreira e auferem de salários substantivamente mais elevados que os professores no início ou no meio da carreira. É tempo de rejuvenescer a classe docente e promover o emprego e a estabilidade na carreira aos jovens professores.
A semana passada conversei consigo sobre a atual luta dos educadores e professores não estava no meu horizonte abordar, pelo menos num tão curto espaço de tempo, a mesma temática, mas o tempo e a forma, independentemente dos erros com origem em dados incorretos, como o Relatório da OCDE foi divulgado tornou este tema prioritário.
Para finalizar fica apenas, como informação, que a FENPROF já anunciou que irá solicitar ao Diretor de Educação e Competências da OCDE a correção dos dados que foram divulgados, dando disso conhecimento à Internacional de Educação.
Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 15 de Setembro de 2018