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segunda-feira, 18 de março de 2019

da mulher - "Os Porquês?", na SMTV

Madalena Pires (arquivo pessoal)


Para ver ou rever a edição número 20 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

da mulher, Todos os dias são dias

Foi para a antena no dia 13 de Março de 2019







terça-feira, 12 de março de 2019

Conceição Borges Coutinho - (11/08/1931- 02/03/2019)

Conceição Borges Coutinho (arquivo da família)





No passado dia 9 foi celebrada a missa de 7.º dia após o falecimento de Maria da Conceição Borges Coutinho.
No final da celebração da missa na Igreja Matriz de Capelas, teve lugar um momento para alguns testemunhos sobre a Maria da Conceição. Uma filha e uma neta deram conta daquilo que a mãe e avó representaram para si e para a família, ao que se seguiu o meu testemunho.
São essas palavras de evocação e homenagem à mulher militante e à mulher coragem que aqui publico.









Em memória de
Maria da Conceição Reis Frias de Morais Flores Borges Coutinho
11/08/1931 - 02/03/2019


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma

E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma

“O mar dos meus olhos”, assim se chama este poema de Sophia de Melo Breyner.
Escolhi este poema de mulher para dar início a esta evocação da Maria da Conceição, uma mulher que trazia o mar nos olhos e que fica connosco para além do seu tempo.
A Maria da Conceição era uma mulher de personalidade bem vincada, talvez, como diz a sua neta Joana, por ter nascido aqui, na costa norte, onde o vento sopra forte.

E se é verdade que o lugar onde nascemos e passamos os primeiros anos da nossa existência nos marca indelevelmente, não será menos rigoroso afirmar que as opções que fazemos ao longo da nossa vida são, assim, como a resultante de um somatório de variáveis, umas mais outras menos objetivas.
E a Maria da Conceição, fruto das suas vivências e da sua forma de encarar o Mundo escolheu, bem cedo, estar de um certo lado da vida conciliando a sua fé, ancorada na doutrina católica, com a ação política e partidária de quem lutava e luta pelos mais desfavorecidos, pelos que não têm voz, pelo seu povo, O povo do seu País.

Num dos poemas que Ary dos Santos, também ele um companheiro de luta, escreveu sobre as mulheres, diz-nos:

A mulher não é só casa
mulher-loiça, mulher-cama
ela é também mulher-asa,
mulher-força, mulher-chama

E assim era Maria da Conceição, mulher-força, mulher-chama, mulher-asa, mulher-coragem, mas também mulher-linda, como lindas são as mulheres que lutam.

Coragem para lutar na clandestinidade ao lado do seu marido e de quem, como eles, se opunha à ditadura que oprimia, perseguia, prendia, torturava e assassinava.

Coragem para lutar, depois da alegria libertadora da Revolução de Abril, ao lado do seu marido e de quem, como eles, sofreu as represálias da contrarrevolução patrocinada pelos interesses de quem foi apeado do poder naquela madrugada de Abril.

Falar de uma mulher com a dimensão humana e política como a de Maria da Conceição não constitui uma tarefa fácil. Tudo o que eu possa dizer, É pouco. Pouco para que se entenda a mulher-militante, a mulher-coragem.

Assim, permitam-me, uma vez mais socorrer-me da poesia, neste caso, de Maria Teresa Horta, e do seu poema “Mulheres do meu País” para que esta celebração em memória da Maria da Conceição seja, também, uma homenagem a todas as mulheres.

Deu-nos Abril
o gesto e a palavra
fala de nós
por dentro da raiz
Mulheres
quebrámos as grandes barricadas
dizendo igualdade
a quem ouvir nos quis
e assim continuamos
de mãos dadas
o povo somos
mulheres do meu país

Tenho cá para mim que a Maria da Conceição iria gostar que um dia depois da celebração do Dia da Mulher e, face à brutal violência assassina que se tem abatido sobre as mulheres em Portugal, que este momento fosse, também, de evocação das mulheres do seu País.

A Maria da Conceição, como já referi, era católica. Essa condição não a impediu, bem pelo contrário foi essencial para as suas opções, de se comprometer com um certo lado da vida, o lado do vermelho coração.

Estou certo que Deus a sentou à sua esquerda.

Até sempre Maria da Conceição!

Aníbal C. Pires, Capelas, 09 de Março de 2019

sábado, 9 de março de 2019

do Carnaval e da Quaresma - "Os Porquês?, na SMTV

imagem retirada da internet





Para ver ou rever a edição número 19 do programa “Os Porquês?”, na SMTV.

do Carnaval e da Quaresma

Foi para a antena no dia 06 de Março de 2019














terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

não é mais uma, É uma livraria

imagem retirada da internet
Lá para a segunda quinzena de Março abre em Ponta Delgada uma nova livraria. Dirão os mais distraídos, Mais uma. Eu direi que não é apenas mais uma pois, espaços para os livros e para o encontro dos leitores com os autores, os editores e quem os divulga, nunca serão a mais.

A Letras Lavadas Livraria & Edições anuncia-se como um espaço multifacetado e situa-se no centro histórico da cidade de Ponta Delgada. Mas não é só, a nova livraria está ligada a uma chancela editorial, a “Letras Lavadas” e à “Nova Gráfica”. Quer a editora quer a gráfica são sinónimo de qualidade. Qualidade reconhecida a nível nacional.

Imagem retirada da internet

Sim, É a minha editora. Mas não é pelos afetos ou interesse material que deixo este registo. Faço-o tão-somente pelo reconhecimento do trabalho e afirmação de uma empresa regional no contexto nacional, mas também pelo devido respeito ao homem que tem sido o mentor deste projeto, o Senhor Ernesto Resendes.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 26 de Fevereiro de 2019

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O custo da impreparação - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires







Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 08 de Dezembro de 2018 e pode ser ouvida aqui












O custo da impreparação

Miguel Sancho (foto retirada da internet)
Trago-lhe do novo a SATA, não pelo inquinado processo de alienação de 49% do capital social da Azores Airlines, nem pelo recente relatório da Comissão de Acompanhamento que nada relata que não fosse já do nosso conhecimento, mas por mais um daqueles erros que resultam da arrogância e autoritarismo de cidadãos impreparados para o exercício de cargos públicos e que, tendo o desfecho esperado, vai custar ao Grupo SATA, pelo menos, números redondos, 300 mil euros de indeminização a um trabalhador despedido indevidamente assim o disse, em última instância, o Supremo Tribunal de Justiça.
Disse pelo menos 300 mil euros pois, como é pressuposto todas as despesas processuais têm custo, e que, face ao tempo, aos recursos e demais trâmites, ao valor da indeminização ao piloto comandante devem ser adicionados mais alguns milhares de euros pelas custas judiciais e outras.
A forma como a SATA conduziu o processo de suspensão e despedimento do Comandante Miguel Sancho com base na interpelação de que foi alvo, dentro da aeronave que comandava, por um ex-administrador da SATA e que depois teve, por parte, do piloto comandante um comentário numa rede social, sem que ali tivesse referenciado quer a empresa quer o nome do então administrador, conforma um ato de persecução ao trabalhador.
E disso se tratou. Digamos que o Comandante Miguel Sancho ficou com o destino traçado na sequência do seu depoimento na Comissão de Inquérito do Grupo SATA. Houve quem não tenha gostado do que ouviu da boca do piloto comandante.
Certamente que se lembra e, assim sendo, julgo não ser necessário fazer nenhuma descrição dos factos. O que releva é mesmo a decisão que levou ao despedimento do Comandante Miguel Sancho e, sobretudo, quem tomou a decisão e quem lhe deu o aval.
E se as responsabilidades terão de ser assacadas ao Conselho de Administração da altura, devem-no ser, em particular, ao Presidente do Conselho de Administração, Dr. Luis Parreirão, e ao administrador que protagonizou o a interpelação ao piloto comandante dentro da aeronave, ou seja, o Eng. Francisco Gil, atualmente administrador da NAV.

Francisco Gil (foto retirada da internet)
Não sabia. Pois é, Ele há vidas assim.
Os mais de 300 mil euros que a SATA vai ter de pagar ao Comandante Miguel Sancho deveriam ser financiados pelos decisores e protagonistas de mais este triste caso de má gestão no Grupo SATA. Mas não será assim. O custo dos desmandos e da impreparação de quem, à época, estava à frente dos destinos do Grupo SATA vão engrossar a dívida desta empresa pública. E com isto pagamos todos nós, com juros. Pois está claro.
Gostava, mas gostava mesmo, de poder falar consigo da SATA sobre outras razões que não estas que evidenciam a má gestão e que, como deve calcular, afetam toda a estrutura organizacional das empresas do grupo e acabam por se refletir na qualidade do serviço prestado.
Gostava, mas não tem sido possível nem se configura no horizonte próximo que isso venha a acontecer. Mas acredito que é possível. É possível que um dia a SATA possa voltar a ser notícia pela qualidade do serviço e por canalizar fluxos financeiros para a Região. Nada que não tivesse já sido a imagem na Região, no País e no Mundo, não muito distante no tempo pretérito, deste Grupo empresarial público.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.
Até lá, fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Dezembro de 2018

sábado, 9 de fevereiro de 2019

O novo afinal é velho - crónicas radiofónicas

imagem retirada da internet



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 24 de Novembro de 2018 e pode ser ouvida aqui







O novo afinal é velho


Imagem retirada da internet
Estamos mais ou menos habituados à consonância de posições do PSD Açores com o Professor Mário Fortuna, salvo uma ou outra vez em que o anterior líder do PSD Açores, e, ao que se diz por aí, mentor do atual, teve de vir a terreiro esclarecer as diferenças de posição entre o representante dos empresários açorianos e a posição do PSD, ou a sua, vá-se lá saber.
Mas desta vez a harmonia no discurso é perfeita, pelo menos no que diz respeito à solução proposta pela Câmara do Comércio, pela voz de Mário Fortuna, e à sua subscrição acrítica por Alexandre Gaudêncio.
Pois é. O PSD Açores, ou pelo menos o seu líder, considera, ao contrário do que sempre foi afirmado pelo seu partido, alienação de menos de metade do seu capital social, que a solução para a SATA afinal passa pela privatização da maioria do capital público da Azores Airlines, pelo menos 51% e pela alienação de 49% da Sata Air Açores.

Foto by Aníbal C. Pires
Se a posição expressa por Mário Fortuna não me causa nenhuma perplexidade, afinal o Professor é um fiel devoto do mercado e, um mentor e difusor da teologia que lhe está subjacente, já a posição de Alexandre Gaudêncio ao assumir como compromisso a proposta de Mário Fortuna demonstrou, por um lado, falta de maturidade política, o que pode ser explicado pela idade, mas por outro um desconhecimento da realidade regional e da importância da SATA para os Açores e para os açorianos, o que é, em minha opinião, grave, muito grave, para alguém que lidera um partido que se assume como alternância, não como alternativa, ao PS.
Julgo que Alexandre Gaudêncio já terá percebido que as suas afirmações não lhe mereceram os apoios esperados, aliás este discurso da privatização da SATA, em particular da SATA Air Açores não colhe apoios significativos em nenhuma das ilhas, nem mesmo em S. Miguel.
Julgo até que o atual líder do PSD Açores está neste momento a desdobrar-se em explicações e justificações para apaziguar as suas hostes um pouco por toda a Região.
Bem, mas este é um problema que o PSD e o seu líder resolverão e, não me custa a crer que numa próxima oportunidade, Alexandre Gaudêncio venha emendar a mão e recuar para a antiga posição do PSD Açores. Se por acaso assim não acontecer, então estamos perante um adepto da doutrina neoliberal, o que é o mesmo que dizer que o novo afinal, é velho, mais velho ainda que o seu antecessor.
Mas mais importante que o PSD, são os Açores que para o melhor e para o pior têm 9 ilhas pulverizadas numa vasta área oceânica e que necessitam de uma transportadora aérea pública para assegurar as ligações aéreas internas e externas, seja com o continente português, seja com a diáspora, mesmo sabendo que parte das ligações com o exterior é também assegurada por outras transportadoras aéreas, algumas delas privadas. O que não podemos deixar que nos aconteça é ficarmos dependentes de outros. Quer queiramos, quer não, a SATA é um património autonómico que como qualquer outro do adquirido autonómico deve ser salvaguardado.
Se isto é sinónimo de que tudo, no Grupo SATA, deve ficar como está, Não. Aliás não pode ficar como está sob pena de um destes dias ser irrecuperável.
Se a solução para as maleitas da SATA é a sua privatização, seja em que percentagem for, Não.
A solução passa por uma alteração profunda do seu modelo organizacional, pela redução da despesa com atividades que não têm uma função operacional, pela identificação e eliminação de poderes internos e externos que contrariam qualquer tentativa de gestão comercial bem sucedida, mas passa, sobretudo, e no imediato pela necessidade urgente de a recapitalizar. Coisa que não é possível através da sua privatização. Basta ver o caderno de encargos do concurso recentemente anulado para perceber que a privatização não tem, nem nunca teve, como objetivo a sua capitalização.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 24 de Novembro de 2018

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Rhiannon Giddens - a abrir Fevereiro

foto retirada da internet




Rhiannon Giddens é uma cantora e instrumentista estado-unidense que descobri em 2018.







foto retirada da internet
Rhiannon Giddens é fruto da miscigenação (os seus ancestrais são europeus, africanos e nativos americanos). A sua música carrega essa herança e, é bom ouvi-la.

Ficam estas sugestões musicais aqui, aqui e aqui.

sábado, 26 de janeiro de 2019

Um olhar sobre as eleições nos EUA - crónicas radiofónicas

Imagem retirada da Internet


Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM
Esta crónica foi para a antena a 10 de Novembro de 2018 e pode ser ouvida aqui




Um olhar sobre as eleições nos EUA

Imagem retirada da Internet
As eleições para a Câmara dos Representantes e para o Senado dos Estados Unidos, ainda que com resultados diferentes, constituem-se como um revés para Donald Trump e colocam em causa a concretização de algumas medidas políticas da atual administração federal contestadas interna e externamente.
As análises das publicações alinhadas com o mainstream oscilam, entre a derrota de tudo o que Donald Trump representa e, os perigos que estes resultados eleitorais podem configurar para a economia estado-unidense.
Estas análises variam consoante o alinhamento, ou não, com Donald Trump. Por outro lado, se é certo que os Democratas ganharam a Câmara dos Representantes, os Republicanos detêm a maioria no Senado o que significa que, nem Donald Trump tem razão quando afirma que o seu partido obteve um enorme sucesso, nem os Democratas poderão afirmar que tudo lhes correu de feição. Uma coisa é certa nestas eleições verificou-se uma tendência, evidenciada nos resultados, de reprovação às políticas da atual administração Trump, num quadro de aumento da participação eleitoral, mas também a chegada à Câmara dos Representantes de duas candidatas dos Democratas Socialistas da América, o que deixou o Partido Democrata algo incomodado, embora estas candidaturas tivessem a sua chancela.
Mas estas eleições nos Estados Unidos têm outros aspetos, na minha opinião, bem mais interessantes. Um número recorde de jovens e mulheres foram eleitos, sendo que pela primeira vez foram eleitas duas mulheres nativas e duas mulheres muçulmanas, também os mais jovens eleitos, para a Câmara dos Representantes, são mulheres.
Mas se estes aspetos são importantes e significam que alguns segmentos dos eleitores estado-unidenses estão alinhados com valores e princípios que os coloca nas antípodas do pensamento e ação política do Presidente Donald Trump, e, seguramente, à esquerda do Partido Democrata. A novidade é mesmo a eleição de membros dos Democratas Socialistas da América aspeto que traduz, digo eu, o descontentamento, de um crescente segmento do eleitorado estado-unidense, face à falência do capitalismo, mas também ao conservadorismo do Partido Democrata.


Imagem retirada da Internet
As candidaturas dos membros dos Democratas Socialistas da América foram legitimadas no interior do Partido Democrata, facto que causou e causa algum incómodo entre os Democratas instalados e alinhados com o sistema. Alexandria Ocasio-Cortez é o rosto que maior visibilidade dá aos Democratas Socialistas da América e foi eleita para a Câmara dos Representantes, por um dos distritos eleitorais de Nova Iorque. Mas também pelo Michigan uma outra candidata dos Democratas Socialistas da América conseguiu a sua eleição.
Também ao nível estadual e local os Democratas Socialistas da América têm vindo a eleger vários candidatos, derrotando alguns dos tradicionais e esperados vencedores.
A candidatura de Bernie Sanders às primárias presidenciais de 2016, terá potenciado o crescimento do movimento político dos Democratas Socialistas da América, de 7 mil em 2016 para os atuais 44 mil. Um outro aspeto interessante é a crescente simpatia entre os mais novos, pelo socialismo, ainda que, e para que não haja confusões, o conceito de socialismo seja aqui algo difuso, contudo não deixa de ser interessante que no intervalo dos 18 aos 29 anos, mais de 50% prefira o socialismo ao capitalismo, segundo uma pesquisa realizada em 2017 nos Estados Unidos.
Tenho consciência de que neste sábado tinha preferido um outro tema, mas a importância das eleições nos Estados Unidos e estes sinais de repúdio pela política seguida pela atual administração presidida por Donald Trump não me deixaram outra opção.

Foi um prazer estar consigo.
Volto no próximo sábado e espero ter, de novo, a sua companhia.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 10 de Novembro de 2018

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Até já*

Do arquivo pessoal
Tudo na vida tem um tempo e, este é o tempo de fazer uma pausa na publicação de textos de opinião e crónicas que tenho mantido neste espaço.
Fica em aberto, sem data anunciada, um eventual regresso pois não vou deixar de pensar e refletir, não vou deixar de ter opinião. Trata-se, tão-somente, de um interregno na publicação de textos na imprensa regional. Eu e, quiçá, os leitores estamos a necessitar de um afastamento crítico.
Ficam os meus agradecimentos ao público que acompanhou esta coluna e pelo qual nutro o maior respeito, Obrigado.
Obrigado pela leitura, mas também pelo retorno crítico e que se mostrou essencial para a diversidade dos assuntos sobre os quais escrevi e, sobretudo, por alguma evolução na forma como escrevo, se é que isso se verificou. Julgo que sim, mas não me cabe a mim fazer juízo em causa própria. Ao longo destes anos fui procurando melhorar a comunicação, tornando, pelo menos tentei, a forma de escrever mais apelativa sem aligeirar os conteúdos.
Segue-se um outro tempo que pretendo seja, um tempo apenas meu, ou pelo menos que me sobeje algum tempo. Sim, que me reste tempo pois, como sabem, o tempo nunca é inteiramente nosso e, por outro lado, ainda tenho por aí alguns compromissos públicos que vou manter e honrar por mais algum tempo. 
Não há outra razão, para além da que ficou expressa, para este afastamento por tempo indeterminado. O tempo que se segue será dedicado à concretização de alguns projetos pessoais e irei dando conta da sua realização no meu blogue pessoal.
Quero, também, agradecer o acolhimento que me foi dispensado pelos responsáveis deste prestigiado título da imprensa regional, bem assim como a disponibilidade, que já me foi transmitida, para de novo me receberem quando chegar o tempo de retornar ao vosso convívio. Não é, como já tinha sido afirmado, uma despedida. Voltarei.
Então, Até já.

Ponta Delgada, 22 de Janeiro de 2019

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, Azores Digital e Açores 9, 23 de Janeiro e 2019

* Por decisão exclusivamente minha suspendi, por tempo indeterminado, as colunas de opinião que mantinha semanalmente no Diário Insular, no Azores Digital e no Açores 9. Este foi o texto em que anunciei a decisão e que foi publicado nos respetivos títulos da comunicação social regional.
Vou manter a colaboração na rádio 105.FM e na SMTV.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Açores e Santa Catarina: aproximações literárias.- crónicas radiofónicas




Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM







Esta crónica foi para a antena a 20 de Outubro de 2018 e pode ser ouvida aqui




Açores e Santa Catarina: aproximações literárias.

Sob a égide do Secretário Regional Adjunto para as Relações Externas e no âmbito do Ano Europeu do Património Cultural e das Comemorações dos 270 anos da chegada dos Casais Açorianos a Santa Catarina, Sul do Brasil, realiza-se hoje, pelas 18 horas, no Centro Cultural da Caloura, uma conversa à volta das letras sob o tema genérico, Açores e Santa Catarina: aproximações literárias.
Para esta conversa juntam-se duas personalidades que, só por si, são uma garantia de um final de tarde que perspetivo agradável e recheado de pontos e pontes que unem culturalmente o que a vastidão oceânica separa fisicamente, mas que o engenho e arte dos homens teima em aproximar.
Vamberto Freitas e Lélia Nunes são os protagonistas desta conversa à volta das aproximações literárias entre os Açores e Santa Catarina que, tenho como seguro, cada um a seu modo nos brindará com abordagens sobre, não só a contextualização histórica da chegada dos casais açorianos a Santa Catarina, mas também sobre a produção literária que daí decorreu e decorre pois, as questões diaspóricas e culturais são uma fonte inesgotável do imaginário subjacente à produção literária e, naturalmente, ao estudo das migrações.

Créditos - Teresa Viveiros
Há na realização deste encontro literário um outro aspeto que não posso deixar de salientar e que se relaciona com o local escolhido para a sua realização. O encontro realiza-se na Caloura, concelho da Lagoa, ou seja, fora dos núcleos urbanos onde, por norma, se concentram as iniciativas culturais. O Centro Cultural da Caloura contribui para descentralização do acesso aos bens culturais e a opção do promotor deste encontro literário por esta infraestrutura só pode merecer um registo positivo.
O Centro Cultural da Caloura está inserido num amplo espaço verde onde ponteiam antigos muros de pedra solta cuja função se destinava à proteção dos vinhedos. A estrutura edificada integra-se de forma harmoniosa neste ambiente rústico e os visitantes podem fruir deste espaço bucólico, mas também de uma exposição permanente onde se encontram representados vários artistas plásticos de projeção nacional e internacional. O edifício e os espaços envolventes são multifuncionais permitindo a realização de exposições de artes e temáticas diversas, palestras, colóquios. Enfim permite que ali se possam realizar uma panóplia de atividades culturais.
A harmonia e a quietude transformam as visitas ao Centro Cultural da Caloura numa experiência única. Apareça esta tarde, também por lá vou estar e será um prazer encontrar-me consigo.
Se não puder ir hoje ao encontro literário não deixe, numa próxima oportunidade, de conhecer este espaço ao qual está intimamente ligado um vulto das artes, o professor Tomaz Borba Vieira, que logo à tarde será o anfitrião deste encontro literário.
E mais não lhe direi, mas espero ter-lhe despertado o interesse para que logo, pelas 18 horas, vá ao encontro literário que tem na sua génese a epopeia dos casais açorianos que, a partir do século XVII, iniciaram o povoamento do Sul do Brasil.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 20 de Outubro de 2018

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Monica Bellucci - a abrir Janeiro





A Monica não é uma novidade no momentos, Eu sei. Mas por mais que procure não encontro ninguém mais apropriado para dar as boas vindas a 2019.












Tenham um excelente mês ano de 2019.








Apenas literatura - crónicas radiofónicas

Foto by Madalena Pires




Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 13 de Outubro de 2018 e pode ser ouvida aqui








Apenas literatura

Em Novembro, S. Miguel, a ilha, vai ser um arquipélago, Um arquipélago de escritores.
Açores, Arquipélago de Escritores. Esta é a feliz designação para um encontro literário que sendo realizado nos Açores e contando com a participação de muitos autores açorianos, aqui residentes ou não, pretende ser mais, muito mais, do que um olhar sobre a geografia literária açoriana e conta com a participação de escritores nacionais e estrangeiros de referência.
O Arquipélago de Escritores vai acontecer de 15 a 18 de Novembro.
Estamos a pouco mais de um mês da sua realização e esta nota permite-lhe, não só ter conhecimento deste encontro, mas também dar-lhe tempo e oportunidade para se agendar e assim poder participar nas inúmeras atividades que estão programadas para estes dias onde os Açores serão um ponto de encontro da literatura. Literatura, assim, sem mais atributos, apenas literatura.
As realizações deste tipo de eventos nunca estarão a contento de todos, desde logo porque quem organiza define critérios e uma matriz unificadora para o espaço e tempo disponíveis, e, naturalmente, as opiniões são díspares. Mas também porque a difusão da literatura e a promoção da leitura não podem confinar-se a espaços formais e a um público que funciona como um circuito fechado e, naturalmente, há quem assim não pense.
Por outro lado, é indispensável ganhar e formar novos públicos, logo para os conquistar há necessidade de diversificar estratégias que nem sempre são do agrado de todos, mas o desagrado e as críticas passam também pela ausência de alguns nomes consagrados na lista dos escritores convidados.
Críticas que terão, não as coloco em causa, toda a legitimidade. Outros fossem os critérios e outros fossem os promotores e, certamente, outros seriam os convidados e outra seria a matriz do encontro.
Não colocando em causa nem os critérios nem os reparos, julgo que este Arquipélago de Escritores não se vai esgotar com esta edição, assim, de momento, importa valorizar e divulgar esta iniciativa cultural que terá os Açores como ponto de encontro da literatura. Depois da sua realização será tempo de proceder à avaliação e aguardar pela renovação anual deste encontro literário.

O Arquipélago de Escritores vai juntar cerca de duas dezenas de autores de referência, portugueses e internacionais, e terá como homenageado o poeta Emanuel Jorge Botelho.
Para aceder à informação completa sobre a primeira edição do Encontro Literário – Arquipélago de Escritores, pode consultar o sítio da internet que lhe está dedicado e que facilmente poderá encontrar utilizando como termos da pesquisa a própria designação deste evento.
Vá ver e surpreenda-se com variedade das atividades propostas e dos espaços que ocupam.

Procure aqui







Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 13 de Outubro de 2018

sábado, 22 de dezembro de 2018

A República no “LavaJazz” - crónicas radiofónicas

Créditos "LavaJazz"



Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 06 de Outubro de 2018 e pode ser ouvida aqui






A República no “LavaJazz”

Foto by Madalena Pires
Ontem foi dia de um feriado reconquistado depois de 2015, ou seja, depois da coligação de direita que desgovernou o país ter sido apeada do poder após a realização das eleições legislativas de 2015.
Pode não dar muita importância ao facto de a coligação de direita ter acabado com alguns feriados nacionais, mas é bom lembrar que eles foram extintos em nome da recuperação económica, da redução da dívida e do défice. Este argumento que para tudo serviu, foi sendo aceite como inevitável para o país se redimir dos excessos cometidos.
Claro que quem cometeu os excessos não pagou e quem não tinha como se exceder suportou todos os custos. Custos de uma política que não resolveu nenhum dos problemas que a justificavam.
Recuperaram-se os feriados, recuperaram-se rendimentos, aliviou-se a carga fiscal e o resultado foi o crescimento económico, o aumento do emprego, a diminuição do défice e a estabilização da dívida pública que, se tivesse sido renegociada nos seus montantes, prazos e juros, teria diminuído para valores, digamos, aceitáveis.
Mas não é sobre a governação do país nem dos governos do passado e do presente que versa esta nossa conversa semanal.
Ontem, como sabe, comemorou-se o aniversário da implantação da República. A data foi assinalada oficialmente. Mas a passagem do 108.º aniversário da República foi marcada, um pouco por todo o país, por diversas iniciativas promovidas por quem tem memória e considera que a história não pode ser esquecida, sob pena de nos perdermos no limbo do igualitarismo uniformador dos costumes e do pensamento, e é sobre uma dessas iniciativas, que decorreu em Ponta Delgada que gostaria de lhe falar.
No contexto da programação cultural, para além da música, de um espaço de encontro da noite de Ponta Delgada, o LavaJazz, realizou-se ontem uma tertúlia no âmbito do “Comer com Letras”. Acontece às primeiras sextas-feiras de cada mês e é coordenado pela Dra. Amélia Sophia.
Ontem o tema, como não poderia deixar de ser, centrou-se na Revolução de 5 de Outubro de 1910 e nas transformações que lhe foram subsequentes. As razões que lhe estiveram na origem, as contradições e a instabilidade que levaram à implantação do Estado Novo e à ditadura fascista que só teve fim numa madrugada de Primavera onde despontaram cravos vermelhos e uma contagiante alegria espelhada no rosto de um povo amordaçado e manietado por um regime déspota. As implicações nos anseios autonomistas, a luta das mulheres pela conquista de direitos cívicos e de igualdade na diferença, mas também poesia. A República foi apenas o mote para a noite de tertúlia, “Comer com Letras”.

Foto by Madalena Pires
Por razões incontornáveis aconteceram algumas alterações ao que inicialmente estava programado e, mesmo o que era possível manter como previsto foi subvertido pelos convidados. Não me cabe a mim, que acabei por ser um dos intervenientes, avaliar se o desalinhamento resultou a favor de quem esteve no LavaJazz até um pouco depois das 22h.
Eu cá por mim saí de lá satisfeito por ter tido oportunidade de partilhar parte do serão do feriado de 5 de Outubro com o Dr. Pedro Gomes, a Dra. Amélia Sophia, com a Dra. Nélia Guimarães e com todos quantos, neste caso e em bom rigor deveria dizer, todas, não por ficar bem ou dar a primazia às mulheres mas porque o público era quase exclusivamente feminino.
Não posso deixar de louvar o LavaJazz pela forma como se tem diferenciado e afirmado na noite de Ponta Delgada, quer pela excelência dos seus músicos residentes, quer pela programação cultural que com uma coragem admirável tem vindo a assumir.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 06 de Outubro de 2018

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

... gruas na paisagem

Imagem retirada da Internet




Excerto de texto para publicação na imprensa regional e, como é habitual também aqui, no blogue momentos







(...) Mas antes de me referir ao objeto da polémica, o voo da Delta sobre o qual escrevi em 26 de Maio de 2018, não posso deixar de me referir a um aspeto que, de alguma forma, nos dá a conhecer melhor este homem. Ao olhar para Lisboa, segundo o que se pode ler na entrevista ao Expresso, Robert Sherman terá perguntado, “De que é que acham que gosto mais nesta paisagem?”. E sem esperar por qualquer palpite do jornalista, respondeu, “As gruas.” Pois, a mim as gruas que rasgam o céu de Lisboa incomodam-me, gosto mais do Tejo e da luz única que ilumina as colinas da nossa capital.
Quanto às afirmações de Robert Sherman a propósito das medidas que, segundo o próprio, foram, ou estão a ser implementadas para mitigar os problemas sociais e económicos resultantes da alteração do paradigma de utilização da base das Lajes pelas forças armadas dos Estados Unidos, eu diria que não passam de um enunciado de boas intenções para consumo dos “Dez milhões…”. (...)

domingo, 9 de dezembro de 2018

Afinal o que é que muda - crónicas radiofónicas

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Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 22 de Setembro de 2018 e pode ser ouvida aqui






Afinal o que é que muda

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A substituição de alguns diretores regionais e de administradores de organismos públicos, que o Governo de Vasco Cordeiro, de forma abusiva, designou de renovação da equipa. Abusiva, desde logo, porque, quer os diretores regionais, quer as administrações das diferentes empresas públicas não se constituem como equipas e, nalguns casos nem sequer interagem entre si. Eu diria que, nem mesmo este Governo é uma equipa, mas isso é uma outra estória que a história da autonomia regional poderá, ou não, vir a registar. Abusiva porque se trata, tão-somente, da mera substituição de executores tutelados por quem, verdadeiramente, define as políticas, e essas, as políticas, não mudam com a troca de diretores regionais.
As leituras políticas são diversas. Para o Governo Regional trata-se, como já disse, de uma renovação e, logo um sinal de vitalidade e mudança. Para as oposições um sinal de fraqueza, de fim de ciclo ou, de satisfação de clientelas. Para a generalidade da população todo este processo terá passado sem que lhe tenha sido dado muita importância, e, cá para mim assim é, pois, esta decisão do Governo regional não tem dimensão política que valha grandes e apaixonadas discussões.
A substituição de diretores regionais constitui-se como um processo político que nada tem de especial e sobre o qual pouco há a dizer. Percebo a adjetivação do Governo Regional, bem assim como entendo as tomadas de posição públicas por alguns dos partidos políticos da oposição, mas objetivamente nem um argumento, nem outro, têm fundamento.
Que mudanças políticas ocorrerão com esta “renovação”, Cá para mim nenhumas, até porque como se sabe os diretores regionais não são membros do governo. E o tempo o dirá. Garantindo-lhe que se algo mudar cá estarei para o reconhecer.

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Não sei que motivos estiveram na origem das substituições, mas sei que os motivos foram diversos. Em alguns dos casos terá sido por manifesto interesse, por razões de ordem pessoal, em cessar funções, noutros casos terão sido substituídos por falta de adaptação à função, e, ainda em outros casos por necessidade de satisfação de interesses puramente partidários.  Mas, como já lhe disse, tudo isso vale o que vale e, cá para mim, vale muito pouco para a nossa vida coletiva.
Pode perguntar, Então porquê este assunto e não outro que seja verdadeiramente importante. Bem, Porque considero que a desconstrução destes processos políticos é mais relevante do que o procedimento em si mesmo e, como tal o melhor é remetê-los para o valor que realmente têm, ou seja, não atrasam nem adiantam. São processos de utilidade política nula, servem apenas para alimentar a ideia de mudança e, para nos entreter com questões marginais.
A substituição de diretores regionais e membros dos Conselhos de Administração de algumas empresas públicas, anunciadas no passado dia 18 de Setembro, não é mais do que a construção de uma representação (imagem) de capacidade de recrutamento de quadros, de avaliação do trabalho político desenvolvido e, sobretudo, de demonstração de capacidade de introduzir correções ao rumo. Enfim, pura diversão para eleitor ver.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 22 de Setembro de 2018

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

O relatório da OCDE “Education at a Glance” 2018 - crónicas radiofónicas

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Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 15 de Setembro de 2018 e pode ser ouvida aqui






O relatório da OCDE - “Education at a Glance” 2018

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Estou certo que, como eu, terá dado conta da notícia da divulgação de um relatório da OCDE, designado “Education at a Glance” 2018, ou assim numa espécie de tradução livre “Educação em relance 2018,  onde de entre outros aspetos são referidas algumas conclusões importantes, como por exemplo, “O menor nível de escolaridade está diretamente relacionado com uma maior desigualdade no rendimento do trabalho”, ou que “Portugal, de todos os países da OCDE, é aquele onde verifica uma desigualdade salarial acima da média”.
Mas se, como eu, deu conta da divulgação na comunicação social deste estudo da OCDE lembra-se de como foram as manchetes.
Deixo-lhe alguns exemplos.
“OCDE diz que salários dos professores portugueses são "relativamente altos", Professores de Portugal trabalham poucas horas e ganham bem” e ainda este outro, “OCDE diz que temos professores envelhecidos que ganham bem e trabalham menos horas”.
Claro que quem lê a notícia até ao fim e não se fica apenas pelos títulos, fica a saber um pouco mais e a generalidade dos órgãos de comunicação social faz até faz a ligação entre a divulgação do estudo e a atual fase de luta dos educadores e professores em Portugal. É tão evidente que não é possível esconder o facto.
Estranha coincidência e estranha forma de titular a divulgação de um relatório, ainda que breve, sobre a educação nos países da OCDE.
Não acredito em bruxas e, neste caso também não acredito que tenha sido uma coincidência. A divulgação do estudo mais parece uma encomenda que chega no momento oportuno. Quanto à forma como o relatório foi difundido, aí não me restam quaisquer dúvidas. A comunicação social mais uma vez vergou as costas perante o amo.
A OCDE não será diretamente responsável pelos dados que apresenta. A responsabilidade terá de ser assacada a quem forneceu os dados que, no caso dos horários de trabalho e dos salários são falsos. Como sabe sou professor e como já tenho uma longa carreira e idade, naturalmente, cheguei ao topo da tabela de vencimentos dos professores e, não me importaria nada, mesmo nada, de auferir o salário que a OCDE divulgou para o topo da carreira dos docentes em Portugal, seriam apenas mais 662 euros mensalmente, ou seja, vezes 14 meses, daria um acréscimo de 9268 euros, ao meu rendimento anual. Era bom, mas não é assim.

Foto by Aníbal C. Pires
Como não é assim no que diz respeito ao número de horas de trabalho semanal. Os horários dos docentes têm duas componentes, a letiva e a não letiva que totalizam 35 horas semanais, mas como também foi divulgado num estudo recente, não da OCDE, concluiu-se que os educadores e professores trabalham em média mais de 40 horas semanais. A OCDE comparou o incomparável, ou seja, a componente letiva dos docentes portugueses com o horário completo, componente letiva e não letiva, dos docentes dos restantes países.
Há, contudo um aspeto, mesmo com os dados errados, que o Relatório da OCDE conclui e que um dos títulos, que há pouco citei, referia. O envelhecimento da classe docente e a sua relação para que a média salarial dos docentes seja mais elevada. Fica caro ao Estado português, muito caro, manter no ativo um número significativo de docentes com mais de 60 anos de idade e cerca, ou mais de 40 anos de serviço. Todos estes professores estão no topo da carreira e auferem de salários substantivamente mais elevados que os professores no início ou no meio da carreira. É tempo de rejuvenescer a classe docente e promover o emprego e a estabilidade na carreira aos jovens professores.
A semana passada conversei consigo sobre a atual luta dos educadores e professores não estava no meu horizonte abordar, pelo menos num tão curto espaço de tempo, a mesma temática, mas o tempo e a forma, independentemente dos erros com origem em dados incorretos, como o Relatório da OCDE foi divulgado tornou este tema prioritário.
Para finalizar fica apenas, como informação, que a FENPROF já anunciou que irá solicitar ao Diretor de Educação e Competências da OCDE a correção dos dados que foram divulgados, dando disso conhecimento à Internacional de Educação.
Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 15 de Setembro de 2018

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Salma Hayek - a abrir Dezembro

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Salma Hayek abre o mês de Dezembro.







Fica a beleza e a sensualidade desta consagrada e reconhecida atriz mexicana, Sem mais palavras.





Um excelente mês de Dezembro para os visitantes deste blogue a quem agradeço a visita.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

O desleixo do Estado


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O Governo Regional pela mão de Ana Cunha, Secretária Regional dos Transportes e Obras Públicas, entregou no passado dia 13 de Novembro mais um equipamento à Policia de Segurança Pública (PSP). Desta vez não foram viaturas, mas um moderno radar para fiscalização da velocidade. Claro que, como mandam as boas regras da propaganda, a Secretária Regional aproveitou o ensejo para anunciar que está prevista para breve a entrega à PSP de 14 novas viaturas que representam um investimento de 300 mil euros.
Neste caso a disponibilidade do Governo Regional para se substituir às responsabilidades do Estado na Região, no apoio à PSP e à GNR, resulta de um diploma aprovado na ALRAA e que permite à Região arrecadar, para o Fundo Regional dos Transportes Terrestres, parte ou a totalidade de algumas coimas aplicadas pelas forças de segurança e, por conseguinte, não se traduz num acréscimo da despesa do Orçamento da Região. Mas nem sempre é assim quando a Região se substitui ao Estado. Coisa que acontece em vários domínios da responsabilidade do Estado, ou seja, quando as responsabilidades estaduais não são assumidas por quem detém a competência e o dever constitucional de o fazer.
Percebo que aos cidadãos pouco importe quem faz o quê, desde que os serviços se mantenham na proximidade e com qualidade. Já não percebo a inércia do Governo Regional ao não exigir que os serviços públicos da soberania estadual não mereçam, por parte de quem tem a competência, a devida atenção e investimento na Região.
Outros casos existem, mas julgo que serão suficientes os exemplos da promessa, ainda não cumprida, da construção de um novo estabelecimento prisional para a Ilha de S. Miguel, ou a inércia do Estado face aos impactos ambientais causados pelo uso da Base das Lajes pelas forças armadas dos Estados Unidos.

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Mas se estes exemplos não bastassem um bem mais recente diz bem deste abandono, e diretamente à segurança interna. Se o Governo Regional vai conseguindo disfarçar com viaturas e radares a insuficiência de meios da PSP, não consegue resolver aquele que será o maior problema da PSP (não só) na Região, A falta de efetivos. Recentemente foi manchete num dos diários regionais a possibilidade de encerramento de algumas esquadras na Região por falta de agentes. Mas não é só nos Açores que faltam polícias é por todo o país. Esta situação resulta de opções políticas de concentração em superesquadras e desinvestimento na formação de agentes e, está bom de ver, esse desleixo só poderia ter este resultado.
O policiamento de proximidade (preventivo) foi substituído por uma metodologia ancorada no patrulhamento por viaturas, algumas delas completamente desadequadas para o efeito, ou seja, não se vislumbram agentes na rua, vemo-los passar lá de vez em quando.
A leitura desta coluna pode suscitar uma discussão interessante, mas que não resolve no imediato, nem no médio prazo, o défice de efetivos da PSP na Região. Porque não se cria uma polícia regional, Pois. A discussão pode ser interessante, mas, como disse, não nos resolve o problema de momento, por uma questão de competências estaduais e regionais, e, a prazo tornar-se-ia em mais um pesado encargo para o Orçamento regional.
Como disse pode ser uma discussão interessante, mas no atual contexto existem outras prioridades para, não só utilizar até ao limite as competências autonómicas, mas também para dar uso aos instrumentos já existentes tendo como objetivo a promoção de políticas de maior equidade social e económica, bem assim como a coesão regional ancorada nas complementaridades e não, como alguns continuam a defender, na replicação igualitária de serviços e infraestruturas por todas as ilhas.

Ponta Delgada, 26 de Novembro de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 28 de Novembro de 2018

terça-feira, 27 de novembro de 2018

,,. do estado do Estado

Aníbal C. Pires by Madalena Pires (S. Miguel, 2017)




Excerto de texto para publicação na imprensa regional e, como é habitual também aqui, no blogue momentos






(...) Percebo que aos cidadãos pouco importe quem faz o quê, desde que os serviços se mantenham na proximidade e com qualidade. Já não percebo a inércia do Governo Regional ao não exigir que os serviços públicos da soberania estadual não mereçam, por parte de quem tem a competência, a devida atenção e investimento na Região. 
Outros casos existem, mas julgo que serão suficientes os exemplos da promessa, ainda não cumprida, da construção de um novo estabelecimento prisional para a Ilha de S. Miguel, ou a inércia do Estado face aos impactos ambientais causados pelo uso da Base das Lajes pelas forças armadas dos Estados Unidos. (...)

sábado, 24 de novembro de 2018

A luta dos educadores e professores, um Governo que não é pessoa de bem e a autonomia entregue a Lisboa - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires
Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 08 de Setembro de 2018 e pode ser ouvida aqui







A luta dos educadores e professores, um Governo que não é pessoa de bem e a autonomia entregue a Lisboa 

Foto by Aníbal C. Pires
Estamos a pouco mais de uma semana da abertura de um novo ano letivo e, face ao que decorre da atitude do Governo da República e à renúncia do Governo Regional dos Açores em exercer as suas competências autonómicas, os docentes não garantem que o ano tenha o seu início com a tranquilidade que eles próprios desejariam.
As razões desta conflitualidade que se avizinha são conhecidas, nem sempre compreendidas pela generalidade da população e, sobretudo, alvo de muita manipulação pelos lacaios do poder. Não é por acaso que aquando das lutas dos educadores e professores ressurgem velhos e estafados argumentos para denegrir a imagem dos docentes, aliás basta estar com alguma atenção para se perceber que as notícias e a opinião publicada têm um cunho cuja finalidade é a de provocar descontentamento face à luta dos educadores e professores pela sua dignidade profissional. É disso que se trata, Uma luta pela dignidade profissional e pelo cumprimento de compromissos, recomendações e, sobretudo, da Lei.
Uma declaração de compromisso assinada com a plataforma de sindicatos dos professores, o art.º 19 do Orçamento de Estado de 2018 e uma Resolução da Assembleia da República, aprovada com os votos favoráveis do PS, tudo isto a confirmar a contagem integral do tempo de serviço congelado aos docentes para efeitos de progressão na carreira. A plataforma sindical a aceitar, face ao impacto orçamental, que o modo e o prazo sejam objeto de negociação, aliás como diz o próprio art.º 19 do Orçamento de Estado para 2018. De tudo isto o Governo da República, não só o Ministro que tutela a Educação, mas também o próprio Primeiro Ministro fazem tábua rasa.
Afinal não foi para valer, afinal foi só para acalmar os ânimos aos educadores e professores que em Outubro e Novembro de 2017 vieram para a rua exigir o descongelamento do tempo de serviço e a recuperação do tempo congelado para efeitos de progressão na carreira.

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Este Governo não é pessoa de bem. Esta é conclusão que legitimamente se pode tirar da posição do Governo do PS de António Costa que ontem, uma vez mais, levou os Sindicatos à mesa das negociações com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Ou melhor dizendo, o Governo do PS de António Costa mantém a sua intransigência e a negação dos compromissos assumidos no que diz respeito à recuperação da totalidade do tempo de serviço e, quanto à tomada de medidas sobre o envelhecimento dos educadores e professores, nem quer ouvir falar e, sobretudo, nada tem a dizer. As reivindicações dos docentes não se esgotam apenas no reposicionamento e na resolução do problema do envelhecimento da sua classe profissional, também o combate à precariedade e a melhoria condições de trabalho estão na mesa negocial, se é que assim se pode designar este processo que tem como ponto de partida a intransigência e negação, face aos compromissos assumidos, do Governo de António Costa.
Perguntará, Mas então não valeram de nada todas as greves e manifestações do ano letivo anterior. Claro que sim. Não só valeu como se conseguiram alguns avanços. Veja por exemplo a greve de 27 de Outubro, de toda a administração pública, teve como efeito a satisfação da reivindicação do descongelamento do tempo de serviço, ou seja, garantiu-se que a partir de 1 de Janeiro de 2018 o tempo voltaria a contar para efeitos de progressão na carreira e, na sequência da greve de 15 de Novembro, esta só de educadores e professores, foi assinada uma declaração de compromisso, que o Governo de António Costa não quer cumprir, onde constava a abertura para negociar um conjunto de reivindicações dos docentes, de entre as quais a recuperação do tempo de serviço congelado e o consequente reposicionamento na carreira, aliás o governo está disponível para dos 9 anos, 4 meses e 2 dias contabilizar mais de 2 anos. Se houve avanços, certamente que sim. Se são aceitáveis, Não.
O calendário político nacional, nem me refiro ao regional que, como se sabe, mais parece estar em banho-maria a aguardar a realização de próximos congressos partidários do PSD e do PS, mas como dizia a agenda e o calendário político nacional vão estar centrados na preparação e negociação do Orçamento de Estado para 2019. Assim, quer se goste quer não, este é um período decisivo, diria mesmo, de uma oportunidade única em virtude de outros calendários (eleitorais) para que os educadores e professores se voltem a unir na luta exigindo o cumprimento, desde logo, da Lei e dos compromissos assumidos. Unir na luta pela valorização e dignificação da sua classe profissional.

Gostei de estar consigo. Fique bem.
Voltarei no próximo sábado. Até lá.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Setembro de 2018