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| imagem retirada da internet |
Excerto de texto para publicação no Diário Insular e, como é habitual, também aqui no blogue momentos.
(...) Há, neste debate, uma tentação recorrente: acreditar que mudar as palavras é suficiente para mudar o mundo. Como se as injustiças se corrigissem por decreto linguístico, como se a exclusão se resolvesse pela introdução de uma vogal alternativa. O risco é evidente: substitui-se a reflexão profunda por um exercício formal, quase como um ritual, que tranquiliza consciências, mas pouco altera a realidade que exclui.
A inclusão não nasce da sílaba, mas do gesto. Não da palavra reinventada, mas da escuta real. Não da imposição de um novo código, mas da capacidade de conviver com a diferença sem a transformar num problema gramatical. A língua é um organismo vivo, sim, mas não é um campo de batalha onde cada frase tenha de provar a sua virtude moral. Quando a linguagem se torna excessivamente auto consciente, perde fluidez, perde clareza e, paradoxalmente, perde humanidade. (...)

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