terça-feira, 13 de abril de 2021

a economia da desgraça

imagem retirada da internet



fragmento de texto escrito a 

25 de junho de 2009 e hoje revisitado





(...) Há quem faça das fragilidades sociais e económicas de alguns segmentos da população um modo de vida e se sirva para atingir objetivos que não são, certamente, os da resolução dos problemas dos seus semelhantes pois, se assim fosse, ficariam sem modo de vida. O que, está bom de ver, seria uma chatice para os próprios. 

imagem retirada da internet
Não será por acaso que nos últimos anos se começaram a ouvir algumas vozes autorizadas a colocar em causa o modelo de ajuda aos países em desenvolvimento e a estratégia de intervenção de algumas Organizações Não Governamentais (ONG). É a própria Organização das Nações Unidas (ONU) que reconhece que uma parte significativa dos apoios financeiros afetos a projetos de desenvolvimento nem sequer chega a sair do país financiador, ou que os Estados Unidos têm no seu programa de combate à fome nos países africanos uma forma encapotada de financiar o seu sector agrícola.

Mas não necessitamos de sair da nossa cidade, nem mesmo do nosso bairro, para perceber que à volta da desgraça alheia se estabeleceu uma rede de organizações constituída por indivíduos que prosperam na adversidade dos cidadãos.

A economia da desgraça alheia floresce na mesma medida em que a adversidade e a exclusão atingem um número maior de cidadãos. (...)


domingo, 11 de abril de 2021

e amam estas ilhas

foto by Aníbal C. Pires



fragmento de texto escrito a 

28 de maio de 2009 e hoje revisitado





(...) A presença de cidadãos de diversas origens geográficas e culturais na nossa Região não é um dado novo. Os Açores, à semelhança do território continental, desde sempre acolheram, e acolhem, cidadãos provenientes do Mundo. A integração destes cidadãos constitui um valioso contributo para a diversidade cultural, para a criação de riqueza e desenvolvimento dos territórios que os recebem. As motivações de quem aqui chega são diversas, como diversos são os motivos que aqui os vão fixando. (…) e amam estas ilhas/num amor feito/de amores-perfeitos (…) *

foto by Aníbal C. Pires
A consciência e o reconhecimento da multiculturalidade da sociedade açoriana contemporânea não constituem uma novidade. A dimensão deste fenómeno é que lhe confere uma importância acrescida. O número de estrangeiros que no limiar do Século XXI residia nos Açores e os muitos que por cá se fixaram, abriram novas oportunidades de desenvolvimento e progresso, mas também a necessidade de passar de uma atitude estática de aceitação e tolerância, associada ao conceito de multiculturalidade, para um patamar dinâmico de promoção da interculturalidade. Assumindo, assim, o pluralismo cultural como um diálogo positivo, entre identidades e culturas em transformação mútua. A promoção da interculturalidade favorece a capacidade de lançar pontes e aprender a viver com os outros num mundo mais tolerante, que é de todos.

foto by Aníbal C. Pires
Na realidade, os açorianos dispersos pelas suas nove ilhas e por todos os continentes, não são um monólito cultural. Muito pelo contrário, a identidade cultural açoriana é composta pela diversidade dos matizes e linguagens que o seu povo adquiriu nas longas viagens da sua diáspora e que acolheu e absorveu dos muitos povos que vieram para as nossas ilhas e aqui se fixaram e miscigenaram. (...)

*Excerto de um poema publicado no livro Esperança Velha e outros poemas

quarta-feira, 7 de abril de 2021

pelo céu dos Açores

foto by Aníbal C. Pires



fragmento de texto escrito a 19 de maio de 2009


(...) Sobrevoamos a ilha maior. Ao longe os ilhéus da Madalena. A Candelária vai ficando atrás e a majestosa montanha aproxima-se, a suavidade verde dos pastos antecede a encosta íngreme e negra. Bem no topo do vulcão adormecido, um planalto de onde emerge um pequeno cone que remata o recorte da montanha do Pico, qual pináculo de uma catedral. Para minha surpresa e agrado a aeronave roda para a esquerda e proporciona uma visão diferente da montanha e, numa amena diagonal rumamos a S. Jorge. 

A visão desfruta a magnífica paisagem da costa Sul da ilha de Francisco Lacerda, desde os Rosais à Calheta, para logo dar lugar à não menos excelsa costa Norte onde pontificam a Fajã dos Cubres e a Caldeira do Santo Cristo. Mais além… para Norte, recortada no horizonte, a Graciosa. (...)


segunda-feira, 5 de abril de 2021

da macaronésia

imagem retirada da internet



fragmento de texto escrito a 13 de março de 2009


(...) As ilhas dos Açores estão inseridas numa região atlântica que pela sua singularidade preservaram um conjunto de exemplares da flora que remontam ao período terciário. Este facto mereceu-lhe a designação Macaronésia. O nome é originário do Grego: "makáron" => feliz, afortunado; e "nesoi" => ilhas, de onde resulta a designação de ilhas Abençoadas ou ilhas Afortunadas.

Quando viajamos pelas ilhas açorianas bem podemos constatar a bênção com que a natureza as dotou. Com exceção das ilhas Canárias, nos arquipélagos da Macaronésia (Açores, Madeira e Cabo Verde) não havia população autóctone . 

A humanização da paisagem, nos quatro arquipélagos, decorrente do uso da terra e da ocupação territorial transformou estas ilhas e acrescentou-lhes um património histórico e cultural diverso, mas singular, que a par do património natural dotam estas ínsulas de características únicas que importa valorizar, enquanto potencial de desenvolvimento integrado, e preservar de modelos atípicos de modernização e uniformidade. Embora a indústria turística na Madeira, nas Canárias e em Cabo Verde se esteja a encarregar da sua descaraterização. Importa que nos Açores se tenha em consideração que a sustentabilidade de um setor, no qual se tem focado a estratégia de desenvolvimento da economia regional, se garante com a manutenção da sua singularidade. (...)  


sexta-feira, 2 de abril de 2021

pelos 475 anos de Ponta Delgada

foto by Aníbal C. Pires



a propósito dos 475 anos de Ponta Delgada republico este texto escrito em outubro de 2013



Cidade com portas e mar

Neste sábado, talvez por ser sábado e com a cidade envolta num manto de nevoeiro, sente-se, respira-se, tranquilidade. Até as gentes caminham mais devagar, sem pressas, até os jovens conversam em surdina, com gestos de ternura. Talvez por ser sábado, talvez para não despertarem o mito prometido para uma manhã de nevoeiro. Mas já não era alvorecer e mitos são mitos, não se deixam perturbar e muito menos influenciar. Porquê esta quietude húmida, quente… porquê esta dolência. Não sei, mas quero-a. Quero esta serenidade envolta nas místicas brumas que chegam do Sul. E fico aqui, vivendo o tempo, fico aqui a contemplar o dia na cidade com portas e mar.

E a noite abate-se sobre a cidade que hoje se vestiu de cinzento e tudo ficou ainda mais tranquilo. A quietude da cidade é, por vezes, suspensa pela luz dos candeeiros que ladeiam as praças e avenidas numa vã tentativa de abrir brechas na densa bruma e, pelos faróis dos raros carros que teimam em embaraçar a tranquilidade deste sábado. Aqui, nesta cidade vestida de cinzento para receber a escura e longa noite.


Ponta Delgada, 26 de Outubro de 2013


quinta-feira, 1 de abril de 2021

Monika Ertl - a abrir Abril

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Monika Ertl nasceu a 7 de agosto de 1937, em Munique, Alemanha e morreu (assassinada) a 12 de maio de 1973, em El Alto, Bolívia



A Monika Ertl atribui-se a “vingança” de Che Guevara. A 1 de abril de 1971, depois de uma viagem de 11 mil Km, Monika Ertl, guerrilheira do (ELN), executou, em Hamburgo, Roberto Quintanilla, o coronel boliviano que, a soldo da CIA, mandou mutilar e matar Che Guevara.

sábado, 27 de março de 2021

Gratidão

Recebi, pelo correio, um bloco de notas personalizado. Capa dura, preta, letras douradas, guarda personalizada.

Não encomendei, não comprei, nem está relacionada com publicidade.

Com o bloco de notas vinha uma carta de agradecimento pela minha participação, com um poema, no livro “Mulher Coração da Liberdade”.







Esta é a minha forma de dizer OBRIGADO. 

Obrigado à Letras Lavadas, à Nova Gráfica e à Publiçor pela oferta.









Mas a minha gratidão não é, apenas, pela oferta com que me brindaram. O meu público agradecimento vai para o conjunto de atividades da Nova Gráfica e da Letras Lavadas, e para o esforço que têm levado a cabo para afirmarem as artes gráficas e a atividade editorial dos Açores como uma referência nacional.


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 26 de março de 2021


quarta-feira, 24 de março de 2021

um outro dia, Talvez

O texto foi escrito em agosto de 2017 e publicado aqui.



O vídeo, com um excerto do texto, foi publicado apenas no meu canal do Youtube. Hoje, às voltas que ando como baú, partilho-o no “momentos”.


terça-feira, 23 de março de 2021

do arquivo videográfico




Foi publicado em 2017, mas para quem não viu o vídeo de divulgação e não conhece este livro de crónicas fica este registo.








Deixo-vos um pequeno vídeo que serviu de divulgação ao livro Toada do Mar e da Terra – volume I (2003-2008).


domingo, 7 de março de 2021

Mulheres

Rosa Luxemburgo - imagem retirada da internet




Por muito que tente não encontro uma frase que melhor traduza a condição feminina e o quadro em que se deve desenvolver a luta das mulheres.







"Por um mundo onde sejamos socialmente iguais, humanamente diferentes e totalmente livres."

Rosa Luxemburgo. 


Rosa Luxemburgo, nasceu no dia 5 de março de 1871 (há 150 anos), morreu (foi assassinada) em Berlin no dia 15 de janeiro de 1919.