terça-feira, 2 de junho de 2026

nevoeiros

imagem retirada da internet
No espaço de uma semana os Açores experienciaram condições meteorológicas, que não sendo uma novidade, prolongaram-se no tempo e provocaram cancelamentos de voos interilhas e nas ligações com o exterior. Foram centenas de voos cancelados e milhares de passageiros afetados. Não sendo uma novidade foi, contudo, uma situação excecional e as respostas insuficientes, pela carência de alojamentos e as recusas dos transportes e hoteleiros em aceitarem os “vouchers” das transportadoras aéreas. Transportadoras sim. Se é verdade que a maioria dos passageiros afetados era, naturalmente, da SATA (Air Açores e Azores Airlines) não é menos verdade que os passageiros eram também da TAP e de algumas transportadoras aéreas estrangeiras que voam para os Açores.

Também fui afetado. No dia 22 de maio não consegui viajar de S. Miguel para a Terceira tendo como consequência o adiamento do trabalho que vinha realizar, dia 23 de maio, para o dia 30. Cheguei à Terceira no dia 28 (não havia lugares disponíveis a 29) e ainda por aqui estou na expetativa de regressar a S. Miguel amanhã (dia 3 de junho) pelas 6h40mn. Por acaso, ou não dia 3 de junho, é dia de greve geral e, por conseguinte, corro o risco, se este voo não pertencer à escala dos serviços mínimos e ter de prolongar a minha estadia na ilha Terceira.

Como eu estarão muitos outros passageiros na mesma situação, embora aposentado também tenho compromissos, mas em bom rigor quem vive nos Açores sabe que adiamentos, cancelamentos e reformulação de planificações fazem parte desta coisa a que chamamos, para o bem e para o mal, “o viver insular”.

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Os inconvenientes para os passageiros são elevados, os custos para as transportadoras aéreas também. E é por isso que não é aceitável que os ativistas de sofá e os “experts” se tenham atirado à SATA como “sete cães a um osso” manifestando o seu ódio de estimação por uma empresa que é de todos nós e que nos presta um serviço que nenhuma outra fará. As respostas da SATA poderão, em algumas situações, não ter sido as melhores. Ninguém está isento de erros, mas a dimensão das ocorrências foi, repito, excecional e, quando assim é, os planos de contingência têm eficácia limitada. Um pouco mais de bom senso, e menos de senso comum, talvez seja o mais avisado em situações como a que se verificou nas últimas semanas.

Apenas mais duas notas finais. 

A primeira sobre os putativos entendidos em aviação e gestão aeronáutica que, em momentos como este brotam como cogumelos no Outono e infetam as redes sociais com opiniões infundadas, criam suspeições e atribuem responsabilidades a quem as não tem. Moderem-se para não passarem pelo ridículo de verem as vossas opiniões estraçalhadas por quem, com a autoridade do conhecimento, as comenta.

A segunda para o setor do Turismo. Sendo uma situação excecional é, no entanto, um aviso para que a tal reflexão que se vem a adiar seja feita. O modelo de oferta turística que tem vindo a ser implementado nos Açores talvez não seja o mais adequado para um destino com estas caraterísticas. E ainda não chegaram os nevoeiros de S. João, a não ser que o “El Niño” tenha antecipado um mês a sua chegada.

Angra do Heroísmo, 2 de junho de 2026 


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