Passo com regularidade (vale a pena) no Tempo das Cerejas e hoje, só hoje, descobri a voz de Tania Libertad.
Neste princípio de tarde fica uma voz encantadora e poderosa da América Latina.
Não deixem de passar no blogue do Vítor Dias e deliciem-se também com a voz de Joanna Newsom.
sexta-feira, 12 de março de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Uma mazurca ao declinar do dia
Tenho estado a ouvir a banda sonora do filme de “Hable con Ella”, de Pedro Almodôvar. A banda sonora tem a assinatura de Alberto Iglesias.
Partilho convosco um dos temas desta excelente banda sonora: “Raquel”, do instrumentista e músico cabo-verdiano BAU que serve de base ao "trailer".
O tema que estão a ouvir (Raquel) é uma "mazurca", dança europeia introduzida em Cabo Verde e adaptada pela cultura crioula.
Delírio ou realidade
Alguns responsáveis políticos, em particular os membros do Governo Regional e o seu exército de apaniguados analistas e politólogos, teimam em afirmar que a crise nos Açores é sobretudo de confiança e, por essa razão mais de ordem psicológica do que efectiva. Bem! Não querendo contribuir para os aumento da subjectividade tenho de reafirmar que discordo desta visão, podendo até compreendê-la. Quando olho ao meu redor e analiso os indicadores só posso concluir que objectivamente os efeitos da crise são bem reais e se têm agravado, por muito que se tente afiançar que o problema é mais anímico do que concreto.
E se este agravamento resulta, ainda, do contexto da crise internacional não posso deixar de constatar, também, que para lá dos efeitos de conjuntura a crise tem raízes mais profundas e que os seus efeitos sobre a economia regional e o bem estar social e económico dos cidadãos se relacionam directamente com um modelo de desenvolvimento errado, social e economicamente injusto, reprodutor de desigualdades e fortemente depredador dos recursos naturais e, por conseguinte, insustentável.
O grave e dramático pesadelo do desemprego, da precariedade, dos salários e outras prestações pecuniárias em atraso, das ameaças de despedimento e do lay-off dizem bem quanto à insuficiência e ineficácia das medidas anti-crise postas em prática quer na Região, quer na República e à urgente necessidade de adoptar um paradigma de desenvolvimento devidamente adequado à realidade regional.
Ainda que tardias e insuficientes, as intervenções realizadas pelo Governo Regional na SINAGA e na Verdegolf são positivas, lamento é a inércia do executivo quanto ao que se verifica na unidade fabril da COFACO, no Faial. Que o seu anunciado de encerramento e da consequente deslocalização das trabalhadoras para a fábrica do Pico, não seja alvo de medidas que contrariem a decisão da empresa, afinal há responsabilidades empresariais que decorrem do acesso aos fundos públicos para o financiamento da actividade económica privada.
A intervenção pública e consequente afastamento das administrações privadas das empresas SINAGA e Verdegolf e a sua substituição por administrações públicas comprovam que as teses de matriz neoliberal advogadas por alguns teólogos do mercado da nossa ágora estão esgotadas e falidas pois, como se pode apurar, a simples substituição das administrações constituíram-se, desde logo, como um factor determinante para a tão desejada viabilidade económica das duas empresas.
Quanto ao encerramento da fábrica da COFACO, na ilha do Faial, importa dizer que, por um lado a legitimidade que decorre desta decisão empresarial, na qual o Governo Regional se tem escudado para não intervir, demonstra bem a iniquidade do Código Laboral que está em vigor mas, também, o prejuízo que resulta quando se aplicam linearmente normativos e modelos à realidade insular e arquipelágica açoriana, por outro lado e tendo em consideração os avultados financiamentos públicos que foram afectos à COFACO, nomeadamente às suas instalações no Faial, e os erros de gestão patrimonial e de desinvestimento traduzidos no falta de manutenção e de modernização daquela unidade fabril são fundamento suficiente para que a Região intervenha evitando, assim, o despedimento de dezenas de trabalhadoras e o aumento da fragilidade da economia faialense.
Aníbal C. Pires, IN A UNIÃO, 08 de Março de 2010, Angra do Heroísmo
quarta-feira, 10 de março de 2010
100 anos de luta pela igualdade na vida
No passado dia 8 de Março comemorou-se o 100.º aniversário do Dia Internacional da Mulher. Este texto pretende, desde logo, constituir-se como uma saudação a todas as mulheres independentemente da sua condição mas, com estas palavras ambiciono um pouco mais do que assinalar a efeméride e a apresentação de felicitações a uma minoria sociológica que em Portugal tem direitos iguais perante a Lei mas que perante a vida continua a ser alvo de uma profunda discriminação. Os dados publicados, recentemente, sobre a condição feminina pelo instituto Nacional de Estatística (INE), demonstram que se verificou uma evolução positiva e que se relaciona directamente com as mudanças que a Revolução de Abril de 1974 introduziu na sociedade portuguesa, um dos exemplos podemos encontrá-lo na análise às qualificações académicas: as mulheres representam mais de 50% dos Doutorados das Universidades nacionais; apesar de alguns aspectos positivos subsistem, porém, profundas diferenças entre os géneros e com um claro défice para as mulheres.
São as mulheres as primeiras vítimas do desemprego de da precariedade, são as mulheres que mais são penalizadas com a legislação laboral, são as mulheres que usufruem dos piores salários contrariando, assim, a Constituição e todo o quadro legal que garante a igualdade de género.
E se os avanços e as transformações que se verificaram nos últimos 36 anos são dignos de um registo positivo não posso deixar de exortar as mulheres a continuarem a luta pelos seus sonhos, aspirações e direitos e, sobretudo, que não se conformem com as inevitabilidades. Não tem que ser assim!
A luta travada pelas mulheres ao longo da história da humanidade, em particular nos últimos cem anos, está recheada de vitórias que importa assinalar e comemorar mas, não nos conformemos. Homens e mulheres, lado a lado, devem ir para lá da comemoração desta data e continuar a luta por políticas e práticas que efectivem a igualdade, na Lei e na vida.
Contrastando com o discurso e propaganda oficial que procura projectar uma igualdade e emancipação feminina na base bandeiras que iludem a natureza das verdadeiras discriminações, como aliás é o caso da chamada “Lei da Paridade”, aí está a dura realidade para comprovar que as políticas seguidas nos últimos anos encerram, em si mesmo, factores que, ao invés de favorecer a emancipação, aprofundam as discriminações e injustiças para com as mulheres e que a igualdade na vida ainda se situa num horizonte distante.
A luta das mulheres pelo direito à igualdade é também uma luta dos homens e, se os gestos simbólicos adoptados no dia que anualmente assinala a luta de emancipação das mulheres se comemora revestem um valor que não é despiciente, julgo que os valores que lhe estão associados têm de ser objecto de uma luta e prática diárias.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Dia Internacional da Mulher
Nos 100 anos do Dia Internacional da Mulher um poema de António Gedeão.
Luísa sobe,
sobe a calçada,
sobe e não pode
que vai cansada.
Sobe, Luísa,
Luísa, sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Saiu de casa
de madrugada;
regressa a casa
é já noite fechada.
Na mão grosseira,de pele queimada,
leva a lancheira
desengonçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.Luísa é nova,
desenxovalhada,
tem perna gorda,
bem torneada.
Ferve lhe o sangue
de afogueada;
saltam lhe os peitos
na caminhada.
Anda Luísa,Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Passam magalas,
rapaziada,
palpam lhe as coxas,
não dá por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe a calçada.
Chegou a casa
não disse nada.
Pegou na filha,
deu lhe a mamada;
bebeu a sopa
numa golada;
lavou a loiça,varreu a escada;
deu jeito à casa
desarranjada;
coseu a roupa
já remendada;
despiu- se à pressa,
desinteressada;
caiu na camade uma assentada;
chegou o homem,
viu a deitada;
serviu se dela,
não deu por nada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Na manhã débil
sem alvorada,
salta da cama,
desembestada;
puxa da filha,
dá lhe a mamada;veste se à pressa,
desengonçada;
anda, ciranda,desaustinada;
range o soalho
a cada passada;
salta para a rua,
corre açodada,
galga o passeio,
desce a calçada,
chega à oficina
à hora marcada,
puxa que puxa,
larga que larga,
toca a sineta
na hora aprazada,
corre à cantina
volta à toada,
puxa que puxa,
larga que larga,
puxa que puxa,
Regressa a casa
é já noite fechada.
Luísa arqueija
pela calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
Anda Luísa,
Luísa sobe,
sobe que sobe,
sobe a calçada.
sábado, 6 de março de 2010
89 anos de história e luta... pelo futuro
No período de grave crise social e económica que se seguiu à Primeira Guerra Mundial (1914-1918) os trabalhadores portugueses encetaram uma vaga de lutas reivindicativas face ao agravamento das condições de vida caracterizada pelo aumento dos preços e do desemprego. No auge desse movimento de luta foi conseguida uma histórica vitória: a jornada de 8 horas de trabalho. Triunfo posto em causa já no século XXI pelo Código Laboral que se encontra em vigor e resultado da política de direita que o PS de José Sócrates tem protagonizado.
Em Setembro de 1919, as organizações sindicais deram um novo passo para o reforço da sua unidade de acção, criando a CGT – Confederação Geral do Trabalho, que rapidamente reuniria 100 000 membros.
A partir de Novembro de 1920, realizaram-se várias reuniões nas sedes de alguns sindicatos, com o intuito de se construir uma vanguarda revolucionária da classe operária portuguesa. No mês seguinte, reuniu-se uma Comissão Organizadora dos trabalhos para a criação do Partido Comunista Português, que iniciou, em Janeiro de 1921, a elaboração das bases orgânicas da nova formação política.
A 6 de Março de 1921, na sede da Associação dos Empregados de Escritório, em Lisboa, realiza-se a Assembleia que criou o Partido Comunista Português e elegeu a sua primeira Direcção política.
De modo diverso ao que ocorrera na generalidade dos países europeus, o Partido Comunista Português não se formou a partir de uma cisão no Partido Socialista, mas ergueu-se, essencialmente, com militantes saídos das fileiras do sindicalismo revolucionário e do anarco-sindicalismo.
É nesta fase embrionária da vida orgânica dos comunistas que cedo se colocou a necessidade da criação do Órgão do Partido Comunista Português. E, volvidos sete meses sobre a fundação, foi dado à estampa “O Comunista”, em 16 de Outubro de 1921, ao qual sucederia, o «Avante!» em Fevereiro de 1931.
A sua primeira sede foi na Rua Arco do Marquês do Alegrete nº 3 - 2º D.to, em Lisboa, o PCP abriu, ainda em 1921, os Centros Comunistas do Porto, Évora e Beja.
A história do século XX português, em particular durante os 48 anos de luta contra ditadura, confunde-se com a luta pela liberdade e pela democracia em Portugal.
São 89 anos de história e luta pelo futuro. O PCP mantém o vigor da juventude das ideias que podem transformar o Mundo numa sociedade mais justa e livre de opressões, numa sociedade de paz e cooperação entre os povos onde a justiça social e económica seja o paradigma do desenvolvimento humano.
É pela concretização dessa utopia que luto!
Aníbal C. Pires, IN DIÁRIO INSULAR, 03 de Março de 2010, Angra do Heroísmo
sexta-feira, 5 de março de 2010
À tarde com Janis Joplin
Mais um rebelde no "momentos" neste caso uma rebelde branca com voz negra.
Outros rebeldes por aqui passaram e continuarão a passar.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Fim de tarde com os Doors
Ao cair da tarde com Jim Morrison e os Doors.
Música que marcou um tempo e que faz parte do imaginário e contribuiu para a formação musical, social e mesmo política de uma geração.
Os sons dos Doors e as palavras de Jim Morrison continuam por aí... perduram para além do tempo.
Revejam-nos ou descubram-nos!
quarta-feira, 3 de março de 2010
"Imigrantes nos Açores"
Ficam desde já convidados para a sessão de lançamento do livro "Imigrantes nos Açores".
Voltarei ao assunto com mais informação.
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