domingo, 31 de janeiro de 2010

Agora Rachel Weisz


Da filmografia vista em 2009 ficou-me como referência "Ágora", cujo trailer podem ver aqui e a fabulosa Rachel Weisz que já tinha encontrado no "Fiel Jardineiro".
Uma mulher e actriz por inteiro.


Podem encontrar estas e outras fotos de Rachel Weisz aqui
Um bom Domingo!

Cruzes

E Deus Criou a Mulher é um blog de culto à beleza feminina. De vez em quando vou lá e despudoradamente "importo" uma ou outra imagem para este espaço.
Hoje, no momentos, uma homenagem às morenas Penélope e Mónica.

Hip-hop tuga - Valete

Linguagem dura mas... fica a provocação nas rimas alternativas e na voz de Valete em "Serviço Público".

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Afinal onde está o valor das ilhas

O Aeroporto de Santa Maria assume uma importância particular no contexto das infra-estruturas aeroportuárias da Região.
Assumindo, desde 1946, um proeminente papel na aeronáutica transatlântica, possui ainda hoje uma relevância muito significativa, graças à sua envergadura, condições de operacionalidade, posição estratégica e elevada qualificação e excepcional competência dos seus técnicos.
Reúne, assim, um conjunto privilegiado de requisitos para que possa ser uma efectiva mais valia para a Região e para o País, nomeadamente no campo dos serviços a aeronaves e recepção de escalas técnicas.
Pese embora as alterações tecnológicas que reduziram a necessidade dessas escalas, associada à crise da aeronáutica sentida a nível mundial, o Aeroporto de Santa Maria continua a receber um número muito expressivo de aeronaves, o que também representa um benefício económico significativo. A prová-lo está o facto de, durante o ano de 2008, ter recebido 1090 escalas técnicas, correspondendo a um volume financeiro superior a meio milhão de euros, apenas em termos da prestação de serviços a essas escalas (handling da SATA).
Para além disto, o Aeroporto de Santa Maria assegura mais de 90 postos de trabalho directos, muitos deles altamente qualificados e fixa, em seu torno, um conjunto significativo de empresas, o que tem um impacto extremamente relevante na ilha e na sua economia local. É um factor que contribui, assim, para a coesão e desenvolvimento harmónico da nossa Região.
No entanto, verifica-se que a actuação da empresa pública a quem incumbe a gestão deste aeroporto não tem, em muitos casos, potenciado devidamente a sua capacidade operacional e competitividade, nem conseguido atrair mais voos, afirmando Santa Maria no panorama aeroportuário do Atlântico. Reflexo desta realidade é a lenta, mas progressiva, redução do número de escalas técnicas recepcionadas, não por perda de importância da infra-estrutura em si, mas sim pelas opções gestionárias da ANA Aeroportos de Portugal SA.
Situações como a inadequação do horário de funcionamento, a multiplicação da cobrança do valor das taxas de abertura, a prática de taxas não competitivas e mesmo a redução de condições operacionais – entre as quais o recente esgotamento do combustível para aeronaves que é um exemplo elucidativo – têm objectivamente prejudicado o Aeroporto de Santa Maria, lesando também, desta forma, o interesse dos Açores.
As estratégias empresariais e política que visam a prazo (curto prazo) a privatização da ANA, SA, está directamente ligada à desvalorização e desinvestimento a que o Aeroporto de Santa Maria tem sido sujeito ao longo dos últimos anos.
Os marienses têm-se mobilizado em torno da defesa do Aeroporto e evitado que os avanços cegos da administração da ANA, SA em direcção ao seu total abandono não se concretizem. O Governo regional, sujeito aos ditames das orientações políticas do Governo de Sócrates, remete-se para uma posição de expectante acomodação e não cumpre aquilo para que está mandatado, ou seja, a defesa e promoção de políticas de coesão social, territorial e económica.
Exige-se, assim que o Governo regional, de forma proactiva desenvolva as diligências necessárias junto da ANA, SA e respectiva tutela para que este cenário de abandono a que os marienses estão a ser votados se inverta.
Aníbal C. Pires, IN DIÁRIO INSULAR, 27 de Janeiro de 2010, Angra do Heroísmo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Cidadania e participação política

O PS, o PSD e o CDS/PP chumbaram, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA), uma proposta do PCP que tinha como propósito constituir-se como um, apenas um, pequeno contributo para a redução da abstenção política e eleitoral. A proposta do PCP consistia numa recomendação ao Governo regional para que, no dia em que os jovens residentes nos Açores completam 18 anos, atingindo em toda a plenitude (exceptuando a possibilidade da candidatura à Presidência da República) a sua cidadania e direitos políticos, lhes fosse ofertado um conjunto de documentos que conformam o nosso sistema politico – Declaração Universal dos Direitos Humanos, Constituição da República Portuguesa e Estatuto Político e Administrativo da Região Autónoma dos Açores.
Prática já instituída, por exemplo, na Andaluzia e que me parece merecer louvor porquanto só a integralidade destes documentos é a forma própria, solene e objectiva, de os conhecer. Ofertar estes documentos na data em que um jovem cumpre 18 anos de vida e assume, finalmente, a plenitude dos direitos e deveres da sua condição de cidadão é um momento solene e que deve ser devidamente assinalado. Um momento de celebração, mas também um momento que deve ser de consciencialização e crescimento enquanto actor activo na esfera social e política.
A iniciativa era oportuna e o seu propósito uma necessidade reconhecida transversalmente pelos actores políticos de todos os quadrantes (ou sextantes) políticos.
Oportuna não só porque saímos há poucos meses de um ciclo eleitoral que demonstrou gravíssimos níveis de abstenção que, aliás, na nossa Região assumiram proporções que revelam um alheamento preocupante dos cidadãos pela vida política.
Necessária porque é óbvio para todos que algo vai mal na nossa democracia. Algo vai mal quando mais de 78% dos açorianos não considera útil ir votar, como sucedeu nas últimas eleições para o Parlamento Europeu. Algo vai mal quando à mais nobre das actividades cívicas, ao exercício prático da Ética, o que o comum dos cidadãos associa é o descrédito, o desânimo e a decepção.
Qualquer discussão sobre este assunto será sempre superficial, académica e, mesmo, distanciadamente diletante se não abordar, com frontalidade e determinação, as causas profundas do problema. Tarefa que não cabe neste espaço e, por consequência, apenas vou referir, ainda que de forma muito sucinta, um dos aspectos onde residem as principais causas de tamanho alheamento.
São os partidos que têm exercido o poder neste país nos últimos trinta anos, num rotativismo aparentemente sem saída, que têm, de forma deliberada e consciente, empobrecido e esvaziado a nossa democracia. Semeiam a decepção quando rapidamente arrumam na gaveta dos chamados “imperativos de governação” as promessas eleitorais entusiásticas. Cultivam o desânimo quando tentam passar a ideia de que não há alternativas, apenas nuances de estilo, na governação do país, estando os portugueses eternamente condenados sempre a mais do mesmo, com actores variáveis. Espalham o desinteresse quando se atolam na pequena política e em estéreis conflitos para encher páginas de jornais, passando ao lado da política real que o país precisa. Quando a generosidade dos dinheiros públicos parece inesgotável para salvar desastrosos e obscuros negócios bancários enquanto se mostra sempre parca, sempre escassa para ajudar os portugueses em dificuldades.
Esta, não sendo a única, será uma das principais causas do afastamento dos cidadãos da vida política e do exercício pleno da cidadania.
Aníbal C. Pires, IN A UNIÃO, 27 de Janeiro de 2010, Angra do Heroísmo

sábado, 23 de janeiro de 2010

Rumo a Oriente

Regressei hoje a Ponta Delgada vindo do Faial onde estive em trabalho parlamentar.

À saída do Faial - Ponta da Espalamaca, Baía da Horta e de Porto Pim, Caldeirinhas


Passado o canal (Faial-Pico) um aspecto da Madalena, com S. Jorge no horizonte


Aproxima-se a montanha...´


Aí está mesmo ao lado... como sempre, magestosa, magnética, dominante...

Imponente

Ainda sobrevoando o Pico, com S. Jorge (Topo) ao lado e a Terceira lá ao longe


Aproximação pela Relva (Oeste/Leste).
Daí a alguns instantes aterrávamos no Aeroporto João Paulo II em Ponta Delgada

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Amílcar Cabral

Porque a história e a memória não devem ser apagadas.
Passa mais um aniversário da morte de Amílcar Cabral fica aqui este pequeno vídeo numa singela homenagem à sua memória.

A ausência do Estado

As imagens que nos chegam diariamente do Haiti são dramáticas pela dimensão da tragédia que afectou aquele povo das Caraíbas e naturalmente mobilizam a ajuda, o apoio e a solidariedade mundial, mais ou menos activa. Ninguém fica indiferente a tanta morte, a tanta dor, a tanto abandono.
As notícias e imagens trazem consigo a dimensão da desgraça que o terramoto do passado dia 12 produziu. Um número ainda indeterminado de vítimas mas que se cifra em muitas dezenas de milhar, mais de 3 milhões de desalojados, a derrocada das principais infra-estruturas existentes no país e o tardar da ajuda humanitária.
Tudo isto é bem visível e referenciado pelos jornalistas que se deslocaram ao Haiti, contudo, as imagens e os comentários que as acompanham dão visibilidade a uma outra questão, e é inevitável perguntar: O que aconteceu aos serviços do Estado haitiano? Será que tudo ficou destruído? Onde estão as forças de segurança haitianas? As forças armadas? Os serviços sociais? Os serviços de saúde? Onde está o Estado?
Tenho consciência que um cataclismo daquela intensidade provocaria em qualquer parte do Mundo efeitos devastadores, mas convenhamos que é estranho que as estruturas e serviços do Estado haitiano tenham desaparecido completamente nos escombros de Port-au-Prince.
Na procura de uma explicação, para este desaparecimento do Estado haitiano quando o seu povo mais precisava dele, encontro uma única justificação: O Estado haitiano, enquanto conjunto de estruturas e serviços, estava fragilizado e reduzido ao mínimo fruto de uma sucessão de acontecimentos que paulatinamente o foram substituindo por organizações não governamentais e corporações privadas que captavam toda a ajuda internacional ao desenvolvimento e à cooperação, aliás outras situações existem em diferentes latitudes e longitudes e no Haiti, quiçá, terão sido levadas ao extremo. Situações que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no seu relatório de 2005, Cooperação Internacional numa Encruzilhada, identifica e equaciona.
A substituição do Estado por entidades civis com ou sem fins lucrativos é, como sabemos, a tradução do princípio do “menos Estado, melhor Estado”. Princípio enfaticamente defendido pelos teóricos e adeptos da teologia do mercado e que no Haiti, como já referi, terá sido levado ao extremo.
Este modelo esteve, também, na origem da crise que afectou o Mundo desenvolvido e rico, mas quando a crise se instalou então foi um tal “aqui-d’el-rei” que agora precisamos da ajuda do Estado. E os estados foram um pouco por todo o lado assumindo os prejuízos e as falências de empresas e do modelo.
No Haiti o que restava do Estado haitiano ficou soterrado nos escombros do terramoto de 12 de Janeiro de 2010. Os resultados estão aí diária e dramaticamente à vista de todos nós.
Aníbal C. Pires, IN DIÁRIO INSULAR, 20 de Janeiro de 2010, Angra do Heroísmo

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

De mal a pior

Não bastando tudo aquilo que a Secretaria Regional da Educação fez, na anterior legislatura, para denegrir a imagem profissional dos docentes e assim justificar a introdução de alterações às condições de trabalho, horários e estatuto dos educadores e professores numa tentativa de os funcionalizar e transformar em meros processadores de relatórios e fiéis de armazém onde se apinham crianças e jovens sem espaço para crescer em liberdade, não bastando tudo isto assistimos agora ao esvaziamento financeiro dos orçamentos das Unidades Orgânicas da Região.
As escolas da Região, impávidas e serenas, aceitam cortes orçamentais que afectam o seu funcionamento, mormente na área da formação onde as reduções atingem mais de 50%. Tudo isto num contexto de mudança de paradigma da avaliação dos docentes e de exigência, não que as alterações produzam impactos positivos na qualidade da educação, mas são uma realidade de facto.
Algumas Unidades Orgânicas da Região, quiçá por dificuldades orçamentais mas escudando-se por detrás de supostas orientações da Direcção Regional de Educação, recusam-se a pagar itinerâncias aos professores que têm de se deslocar aos diferentes Estabelecimentos que estão afectos à Unidade Orgânica. Estes docentes itinerantes são, em particular, das áreas de Inglês, Educação Física e Educação Especial, outros haverá.
Em alguns casos os docentes têm de se deslocar vários quilómetros e andar num corre que corre para poderem cumprir o seu horário.
Algumas escolas vão mudando, à margem da lei, a definição de “domicílio necessário” e de “centro funcional”, com base nos quais é definida a quilometragem devida, numa demonstração de absoluta arbitrariedade.
Esta atitude representa uma ilegalidade grosseira, porquanto o Decreto-Lei 106/98 de 24 de Abril, bem como o Estatuto Regional da Carreira Docente, expressam claramente a noção de “Domicílio Necessário” e “Centro Funcional” como ponto de saída e de chegada durante o serviço, sendo aqueles definidos consoante a escola onde o docente tem mais segmentos, ou seja, aos Conselhos Executivos não é conferida discricionariedade para alterar o que a Lei estabelece.
Ao contrário do que refere a Lei, são os docentes que, com as suas viaturas próprias, asseguram a deslocação para a leccionação das disciplinas, pelas várias escolas onde fazem serviço, sendo assim duplamente prejudicados.
Uma vez que o quadro legal de recrutamento de educadores e professores não exige aos candidatos que sejam detentores de título que habilite a conduzir viaturas ligeiras, nem à sua posse, não é aceitável que os professores tenham de utilizar a sua viatura em serviço da escola, ou que a isso sejam “obrigados”.
A defesa da escola pública de qualidade passa também pela valorização dos seus profissionais e pelo respeito dos seus direitos.
Aníbal C. Pires, IN AUNIÃO, 19 de Janeiro de 2010