quarta-feira, 10 de maio de 2017

Pelos 72 anos da capitulação alemã

Hoje dia 9 de Maio de 2017, passam 72 anos da capitulação incondicional da Alemanha, desde logo, ao Comando do Exército Vermelho, forças armadas da União Soviética, que alguns dias antes tomou Berlin, e ao Comando militar dos Aliados. Nos primeiros dias de Maio de 1945 esta foi a imagem que simbolizou o fim da II Guerra Mundial. Um soldado do Exército Vermelho desfraldava uma bandeira da União Soviética no Reichtag, em Berlin.  
O mainstream europeu e mediático prefere comemorar o dia da Europa.
Comemoração que é uma mistificação pois, a Europa é mais um pouco, ou muito mais que os 28 países membros da União Europeia e mesmo estes 28 países representam várias faces da Europa unida. A Europa rica e que determina o rumo, a Europa subserviente ao diretório financeiro que domina as instâncias decisoras da União Europeia e a Europa submissa e dependente, a necessitar de uma desintoxicação da dependência dos fundos estruturais e de coesão.
O dia 9 assinala o dia da Europa porque, em 1950, Robert Shuman, Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, pelas 16h00, em Paris, tornou pública uma declaração que ficou conhecida com a “Declaração Shuman”, onde se lançaram as bases da União Europeia. É, assim, e em minha opinião, abusivo comemorar este dia como sendo o Dia da Europa, comemorem lá o Dia da União Europeia que a Europa, como já referi, é muito mais do que a União Europeia.

terça-feira, 9 de maio de 2017

... sexta à quinta

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires





Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e também neste blogue







(...) Esta semana a sexta-feira é à quinta, e isso é fixe. E então se o S. Pedro for solidário e afastar as nuvens, sossegar o vento e faça a temperatura subir qualquer coisinha, então sim, vai valer a pena este bónus concedido pelos Governos da República e da Região Autónoma dos Açores, só por estes. Na Madeira o Presidente do Governo não arriscou a possibilidade real, segundo ele, do êxodo dos madeirenses e porto-santenses para irem a Fátima ver o Papa Francisco esgotar o plafond estadual que está alocado ao pagamento das indemnizações compensatórias, também conhecido por subsídio social de mobilidade, aos passageiros residentes naquela Região Autónoma. (...)

A morte azul

imagem retirada da internet
As técnicas de controle sobre o comportamento humano não são de hoje, mas, ainda assim, não é fácil perceber como é que uma listagem de tarefas, de autoflagelação e sofrimento que culmina com o suicídio, controlado por uma figura virtual, possa ter ganho adeptos entre a população jovem, população que naturalmente tem uma enorme e indómita vontade de viver.
Os jogadores para concluir com sucesso a lista de tarefas têm de por fim à sua existência. Refiro-me, obviamente, ao jogo virtual denominado “Baleia Azul”, jogo que configura a antítese de qualquer desafio clássico. A “Baleia Azul é um paradoxo. Joga-se para ganhar e não para perder, e neste caso ganhar é perder um bem que não pode, em caso algum, ser restituído, A vida. Paradoxal ou não, a verdade é que esta lista de tarefas já foi concluída, com sucesso, por uns quantos jovens de vários países e continentes.
O seu criador e mentor foi detido, o que não impede, só por si, que o jogo não continue a proliferar e a fazer novas vítimas. As autoridades policiais e as famílias reforçam a vigilância sobre os potenciais aderentes a esta loucura que dá pelo nome de “Baleia Azul. Estas medidas preventivas são importantes e necessárias, mas não deixam de ser medidas paliativas e neste, como noutros casos importaria perceber porquê, Porque é que alguém adere a um comportamento autodestrutivo. Só identificando o que está na génese destes comportamentos contranatura se poderá eliminar o efeito que este jogo está a provocar.

Imagem retirada da internet
A toxicodependência, aqui entendida num sentido lato, é um comportamento autodestrutivo, Sim. Relações sexuais desprotegidas constituem um comportamento autodestrutivo, Também. Mas quer um, quer outro destes comportamentos trazem associado o prazer. A lista não se reduz apenas a estes dois exemplos. Corremos riscos pelo prazer, por um ideal, pelo sucesso, pela afirmação, pela vitória, por uma razão, mas nunca pelo sofrimento, ainda que a vida nos inflija algum. Mesmo sofrendo lutamos para viver, mesmo sofrendo lutamos para sobreviver, mesmo sofrendo lutamos para prolongar a vida, e isso constitui uma vitória, não nos superamos para acabar estupidamente com a vida de forma voluntária e prematura, isso é uma derrota irreparável.
Sofre e morre pela “Baleia Azul” quem não tem razões. E talvez seja o imenso vazio que preenche a vida de muitos jovens que dispõem de tudo, mas lhes faltam razões, que os torna tão permeáveis à indução virtual de comportamentos autodestrutivos.
A psicologia tratará de inventariar as patologias das vítimas, dessa enumeração resultará um perfil padronizado que permitirá identificar dos potenciais jogadores deste paradoxal desafio. Esta informação será amplamente difundida aos pais, aos educadores, à população alvo, às autoridades policiais, informação que sendo por demais importante não é, não deveria, nem pode ser tudo o que há a fazer sobre as causas que estão na origem da adesão ao jogo da “Baleia Azul”.
Ponta Delgada, 07 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 08 de Maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

... da morte como objetivo

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires





Excerto de texto a publicar na imprensa regional e também aqui, neste blogue






(...) Corremos riscos pelo prazer, por um ideal, pelo sucesso, pela afirmação, pela vitória, por uma razão, mas nunca pelo sofrimento, ainda que a vida nos inflija algum. Mesmo sofrendo lutamos para viver, mesmo sofrendo lutamos para sobreviver, mesmo sofrendo lutamos para prolongar a vida, e isso constitui uma vitória, não nos superamos para acabar estupidamente com a vida de forma voluntária e prematura, isso é uma derrota irreparável. (...)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Escola (in)segura

Foto by Aníbal C. Pires
Nunca tal me tinha acontecido. Já li descrições e ouvi contar a alguns colegas que viveram situações idênticas, algumas até mais graves e que não se ficaram pela ameaça, como se verificou hoje, durante a manhã numa sala de aula. O incidente que partilho passou-se diretamente comigo e indiretamente com os colegas e a auxiliar de educação com quem partilho duas salas de aula num espaço cedido à Escola onde leciono, em virtude de no edifício sede estarem a decorrer obras de ampliação, espaço que se situa longe do edifício sede da Unidade Orgânica e, como tal, desprotegido por não serem feitos os habituais controles de entradas e saídas.
A manhã tinha decorrido de forma tranquila todos os alunos presentes, os professores e a auxiliar de educação desenvolviam as tarefas programadas num ambiente de cooperação e de proximidade.
Passados que eram poucos minutos das 12h bateram à porta que se encontrava fechada com auxílio de um pequeno cordel de sisal. Dos presentes era eu que me encontrava mais próximo, soltei o cordel abri a porta e deparei-me com um cidadão a quem, como mandam as boas regras da urbanidade, disse bom dia. Não me dirigiu palavra, entrou de rompante sem ter pedido autorização para entrar num espaço para o qual deveria estar autorizado a entrar, não cumprimentou os presentes dirigiu-se ao filho para lhe entregar um título de transporte e num tom de voz agressiva dirigiu-se indefinidamente para os presentes dizendo que não voltaria a proceder ao carregamento do título de transporte e quando o filho faltasse, por não ter o título de transporte válido, que não se atrevessem a marcar falta, mais foi dizendo que se isso se viesses a verificar então as coisas seriam diferentes. Com tantos empregados aqui porque é não tratam disto e tenho de ser eu.
A idade e a vida ensinaram-me a ser tolerante, mas entendi que aquela atitude merecia um reparo e, sobretudo, um esclarecimento. Deixei o reparo de lado e parti para o esclarecimento informando o cidadão que a responsabilidade pela validação do título de transporte era da sua exclusiva responsabilidade. O que é que eu fui dizer, então não é que o cidadão se dirige a mim, em termos poucos corretos, dizendo que na vez de estar de braços cruzados e sem fazer nada que fosse eu tratar daquela merda. Naturalmente não segui o caminho da discussão e muito menos de palavras menos apropriadas, apenas insisti na responsabilidade dos pais e encarregados de educação no cumprimento do dever elementar de educar os filhos, e lá fui informando o cidadão que se o seu educando não comparecer às aulas terá, naturalmente, falta de presença.

Foto by Aníbal C. Pires
O cidadão em tom ameaçador foi saindo do espaço e abanando um capacete que trazia consigo foi dizendo, então atreve-te a marcar falta que isto (o capacete) vai servir para alguma coisa. Alguns dos termos que, entretanto, foi utilizando em frente a todos os presentes e já no exterior abstenho-me de os reproduzir aqui.
Por fim continuei com a ação pedagógica, é para isso que me pagam, informando o cidadão de que a atitude dele, entrada sem autorização na sala de aula e ameaça de violência sobre os docentes constituem crimes públicos. O cidadão lá foi seguindo o seu caminho repetindo os impropérios que achou mais convenientes.
Retirei-me para o espaço da aula que decorreu até ao fim sem nenhum outro incidente e, como se nada se tivesse passado. Mas passou. E o que se passou não pode ser esquecido nem branqueado, sob pena da integridade física e moral dos docentes e dos auxiliares estar sujeita a situações como a que hoje foi vivenciada, ou que as ameaças se concretizem. Terá chegado o tempo de recorrer à Escola Segura e daí aos tribunais, Talvez.
Ponta Delgada, 02 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 03 de Maio de 2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

... do absurdo

Imagem retirada da internet

Fragmento de texto a publicar amanhã na imprensa regional e também neste blogue









(...) Naturalmente não segui o caminho da discussão e muito menos de palavras menos apropriadas, apenas insisti na responsabilidade dos pais e encarregados de educação no cumprimento do dever elementar de educar os filhos, e lá fui informando o cidadão que se o seu educando não comparecer às aulas terá, naturalmente, falta de presença.
O cidadão em tom ameaçador foi saindo do espaço e abanando um capacete que trazia consigo foi dizendo, então atreve-te a marcar falta que isto (o capacete) vai servir para alguma coisa. Alguns dos termos que, entretanto, foi utilizando em frente a todos os presentes e já no exterior abstenho-me de os reproduzir aqui. (...)

Da história e da ocasião

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires
Feriado, mas porquê. Quem sabe porque é feriado no dia 1.º de Maio e no 25 de Abril, ou no dia 10 de Junho, no dia 5 de Outubro e no 1.º de Dezembro, isto para não referir outros feriados como por exemplo aquele que é regional, um que só se comemora nos Açores e que este ano se celebra a 5 de Junho, trata-se de um feriado móvel pois, a segunda-feira de Pentecostes depende, como sabemos, do calendário católico. Todos os anos acontece numa segunda-feira, mas o mês (Maio ou Junho) e o dia são variáveis
Não duvido que a maioria dos cidadãos portugueses até saiba o que se comemora a cada dia de feriado, já não tenho a mesma certeza se conhecem o que lhe está na origem. Amanhã (hoje) comemoramos o Dia do Trabalhador, Certo. Mas porquê no 1.º dia do mês de Maio e não num qualquer outro dia, de um qualquer mês do nosso calendário. No primeiro de Dezembro comemoramos a Restauração, Sim é verdade, mas o que é que foi restaurado e porquê a necessidade de restaurar, neste caso a independência nacional.
Serão minudências, Talvez. Mas estas minudências podem fazer toda a diferença entre valorizar ou desvalorizar alguns dos dias que pela sua importância e simbolismo ascenderam a um estatuto diferente do comum dos dias. Todos gostamos dos feriados, não trabalhamos, ou se tivermos de o fazer somos, na generalidade, compensados por isso. Mas estes dias são muito mais do que um dia de descanso ou de compensações pecuniárias. Estes são dias que fazem parte da nossa história enquanto povo, são dias, como o 1.º de Maio, que fazem parte da história da humanidade e que se relacionam com conquistas civilizacionais.

Foto by Aníbal C. Pires
Mas se a celebração dos feriados é, não só aceitável, mas também importante do ponto de vista da nossa história e da história da humanidade, o mesmo não se pode afirmar das discutíveis e controversas “tolerâncias de ponto”.
A próxima “tolerância” já foi anunciada pelo Governo da República, relaciona-se com a vinda do Papa Francisco às celebrações do centenário das “aparições” da Nossa Senhora aos pastorinhos. “Tolerância de ponto” já envolta em apaixonadas discussões na opinião pública nacional. Não tenho muito que dizer sobre esta decisão, mas sempre direi que esta “tolerância de ponto” não tem justificação. Não pelo Papa Francisco em si mesmo, que me merece todo o respeito, mas por tudo o que significa esta espúria ligação entre o Estado e a Igreja, designadamente com um dos aspetos mais contestados da igreja católica portuguesa. E por aqui me fico no que à questão das “tolerâncias de ponto” diz respeito e, em particular a esta.
Preocupa-me, isso sim, as razões que estão associadas ao desconhecimento das causas que estão na origem da celebração dos feriados nacionais. Isso sim é preocupante e leva-me a pensar o quão seria importante o ensino da história ao longo de todos os ciclos de ensino pré-universitário, não só da história como também da geografia. Não é possível entender o Mundo em que vivemos e todas as transformações que foram ocorrendo ao longo de milénios sem aceder ao conhecimento destas duas áreas do saber. Mas isto sou a idealizar um certo modelo de Escola, ou seja, nada que seja verdadeiramente importante.
Ponta Delgada, 30 de Abril de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 02 de Maio de 2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1.º de Maio - lutar por Abril em Maio


Sonha um Abril novo

Não sou, não és, 
Não somos colaboradores
Sou, és, 
Somos trabalhadores
E não é semântica
É exploração
Eu, tu, nós
Produzimos a riqueza
Para quem
Nos empobrece
Em Maio luta
Pelo sonho
De um Abril novo

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 01 de Maio de 2017

Esperanza Spalding - a abrir Maio


Esperanza Spalding é cantora, instrumentista, compositora, professora, Esperanza Spalding é mulher, É mulher que luta é bonita como só as mulheres que lutam conseguem ser.






Mulher comprometida com a luta por um Mundo melhor. Esperanza Spalding a abrir Maio.










... do saber

Foto by Aníbal C. Pires




Uma parte. Amanhã o todo será publicado na imprensa regional e também aqui, Neste blogue








(...) Não é possível entender o Mundo em que vivemos e todas as transformações que foram ocorrendo ao longo de milénios sem aceder ao conhecimento destas duas áreas do saber. Mas isto sou a idealizar um certo modelo de Escola, ou seja, nada que seja verdadeiramente importante. (...)