segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Dias tranquilos

Foto Madalena Pires (S. Miguel, 2017)
Estar, a momentos, só e com alguma quietude é um ritual diário. Necessito desses instantes como preciso do ar que respiro para viver. É assim como uma espécie de viagem pelo que fui e pelo que sou, mas também um olhar para o que ainda por aí virá. Sou um ser sociável. Gosto de conversar, embora não goste de multidões, mas não prescindo de ter um tempo para mim, Só para mim, nem os meus botões quero ter por perto.
Nos fins de semana de Verão tenho por hábito ficar por casa. Saio apenas para passar uns momentos numa das esplanadas dos pequenos cafés que se situam na vizinhança. Hoje assim aconteceu, afinal ainda é Verão e os hábitos são o que são. Esta minha opção de recolhimento quase monacal tem, como tudo, uma justificação. Gosto do silêncio dos lugares. Como vê as razões que me assistem, por sinal, até são bem simples, embora nem sempre compreendidas. Nos fins de semana de Verão os lugares enchem-se de ruídos e eu procuro silêncios.
E assim aconteceu hoje. De sacola ao ombro onde, de entre outros objetos, carrego o livro que ando a ler, um pequeno bloco de apontamentos, uma dose de tabaco (estou a tentar diminuir o consumo) e algumas fichas cartonadas para fazer anotações da leitura, lá fui para uma esplanada da zona residencial onde vivo. Para além da proximidade e da simpatia dos proprietários o espaço não tem particularidades que o tornem um lugar especial. Localiza-se numa praceta sobranceira a uma avenida voltada para os edifícios que a ladeiam, tem apenas uma pequena “janela” por onde se avista uma nesga de céu e o alto da mãe de Deus com a sua altaneira igreja voltada a poente (para o núcleo histórico da cidade). Por aquela estreita janela pode ainda observar-se o movimento aéreo que chega e parte do aeroporto de Ponta Delgada, conforme a pista em uso.
Apesar do lugar para onde me dirigi se situar na zona com maior densidade populacional da cidade, sabia que a meio desta tarde luminosa de Verão, com a temperatura amena, a humidade elevada e sem vento não faltariam lugares e silêncios para mim. E assim foi.
Foto by AníbalC. Pires (S. Miguel, 2018)
Tomei café, folheei um dos diários regionais, fumei um cigarro e quando me preparava para retomar a leitura dos “Dias Tranquilos”, do escritor japonês Kenzaburo Oé*, já se ouvia a chuva a embater no toldo que me protegia do Sol. Que bom. Bom devido aos grandes períodos de estiagem que este ano se têm verificado e a terra tão necessitada deste consolo. Olhei em frente, a Mãe de Deus continuava recortada no azul do céu, a temperatura continuava amena, o vento não se levantou, a chuva caía vertical e persistentemente e eu “tava-me” consolando com esta bênção. Gosto do som chuva, gosto do cheiro a terra molhada e gosto de estar na rua quando caiem estas chuvadas de Verão. A tarde tornou-se perfeita quando recebi um telefonema de alguém que me conhece, como ninguém, para me dizer do quanto eu deveria estar a fruir daquele momento.
Se gosto e preciso de estar só, Sem dúvida. Mas gosto ainda mais de ter alguém que respeita e compreende esta necessidade vital para o meu bem-estar.
Ponta Delgada, 09 de Setembro de 2018

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 10 de Setembro de 2018

... do silêncio dos lugares

Foto Madalena Pires (S. Miguel, 2017)








Excerto de texto a publicar na imprensa regional e, também, no blogue momentos.











(...) Nos fins de semana de Verão tenho por hábito ficar por casa. Saio apenas para passar uns momentos numa das esplanadas dos pequenos cafés que se situam na vizinhança. Hoje assim aconteceu, afinal ainda é Verão e os hábitos são o que são. Esta minha opção de recolhimento quase monacal tem, como tudo, uma justificação. Gosto do silêncio dos lugares. Como vê as razões que me assistem, por sinal, até são bem simples, embora nem sempre compreendidas. Nos fins de semana de Verão os lugares enchem-se de ruídos e eu procuro silêncios. (...)

sábado, 8 de setembro de 2018

Modelação e domínio - crónicas radiofónicas






Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 23 de Junho de 2018 que pode ser ouvida aqui







Modelação e domínio

Quem lida com informação pode muito bem ser induzido em erro. As notícias chegam em catadupa através dos órgãos de comunicação social tradicionais e, se tomarmos em consideração as atuais plataformas digitais de comunicação, então o caudal de informação é incomensurável. E, como referi, este imediatismo mesmo quando temos como credível a fonte leva-nos muitas vezes a incorrer em erro. E erramos quando reproduzimos uma informação sem antes cruzar com outras fontes, ou construímos opinião que partilhamos com base em informação que omite e não contextualiza.
Também me acontece a mim, não estou imune, por vezes sou levado na onda, pelo tempo que escasseia e pela oportunidade que se perde. Não acontece com frequência, mas já tem acontecido. E quando assim é só há uma forma de emendar a mão, ou o pé já que estamos em maré de futebol, temos de reconhecer o erro e corrigi-lo. Mas isto sou eu… porque os profissionais da informação estão-se nas tintas, vivemos na era da pós-verdade. Este neologismo que não é mais do que um sinónimo de modelação da opinião, ou seja, um conceito de comunicação onde os factos são menos importantes do que as emoções. Mais importante do que a verdade é algo que se aparente com a verdade.

A pós-verdade parecendo uma modernice, como outras que entraram no nosso vocabulário, só o parece, pois, como sabemos, há muito que alguns filósofos afirmam que não existem factos, o que existe são versões. E assim será.
Todos, de uma forma ou outra, já nos demos conta que sobre o mesmo acontecimento existem inúmeras versões dependendo do ponto de vista de quem nos relata um determinado acontecimento. Talvez o melhor exemplo seja o futebol e as diferentes versões sobre o mesmo facto que nos são transmitidas por especialistas, sejam eles jornalistas ou comentadores.
Se o conceito e o vocábulo são recentes a utilização da designada pós-verdade é uma velha prática de manipulação da opinião pública. A diferença está nos meios utilizados para a disseminar, daí a sua crescente importância e utilização como instrumento massivo de modelação da opinião pública.
As emoções e as mundivivências influenciam a forma como olhamos para o Mundo, mas para além destes aspetos existem outros instrumentos, direi, mais racionais e que podem contribuir para construir uma versão o mais próximo que seja possível da realidade. Desde logo, o tempo, Sim tempo para pensar, para refletir e para trocar opinião com outros, mas também o conhecimento científico e cultural.
Quanto mais consistentes forem estes instrumentos, a ciência e a cultura, maior será a dificuldade de nos modelarem a opinião, por outro lado o tempo, como todos sabemos é, continua a ser, bom conselheiro. Utilizar tempo para pensar, refletir e dialogar é dar um bom uso ao tempo, evita erros e as reações emotivas que, sem o necessário equilíbrio da racionalidade, facilitam a modelação da opinião pública e o domínio do poder sobre os cidadãos.

Volto no próximo sábado, assim o espero.
Até lá,
Fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 23 de Junho de 2018

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

A FESTA abre hoje

Imagem retirada da Internet




Tá quase a ter início a FESTA.
De hoje até Domingo acontece o maior evento político cultural que se realiza no nosso país, quiçá na Europa.





Acedam ao site da FESTA e procurem por lá toda a informação.
Nesta ligação acedam a alguns vídeos e ficarão com uma ideia do que, este ano, por lá vai acontecer.
Fica uma amostra no vídeo abaixo.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Palco de ilusões

Imagem retirada da Internet
Rita Pereira está grávida. Esta terá sido uma das notícias mais divulgadas nos últimos dias. E eu, cá para comigo, Quem é Rita Pereira e qual será o interesse em divulgar a sua gravidez. Lá percebi quem era e, os motivos da difusão da notícia ficaram claros. A senhora vende. É atriz e, segundo os estereótipos em voga, é assim como uma das sex simbols” nacionais. Não me perguntem de quanto tempo está, nem se vai ser menino ou menina, ou quiçá gémeos, Não sei, mas os pormenores devem ser minuciosamente divulgados até ao nascimento. Vão acompanhando, talvez até com alguns momentos em direto, a evolução da gravidez da Rita Pereira. Eu cá por mim, que nos últimos dias não dei conta de nenhum alerta sobre o Bruno de Carvalho, estou mais preocupado com uma eventual quebra da sua popularidade. Facto que vindo a confirmar-se vai causar um vazio nas redações dos jornais, rádios e televisões o que, como todos compreendemos, pode constituir-se num sentimento de perda de consequências imprevisíveis. Estejamos atentos.
Atentos e com um olhar crítico que é assim como quem diz, Separando o trigo do joio. O caudal informativo, nem sempre límpido e cristalino, assim o exige.

Imagem retirada da Internet
Estamos agora a entrar em Setembro o que pretende significar que estamos a retomar às rotinas pós Verão. De uma, ou outra forma este reinício é para todos. Seja pelas condições meteorológicas que gradualmente se adequam à época do ano, apesar das alterações climáticas, seja pelo regresso dos filhos ou netos à escola. Com Setembro chega um novo ciclo das nossas vidas, tudo se vai repetir, mas ainda assim depositamos sempre alguma esperança que esta nova etapa possa ser melhor e, para o ano voltará o Verão. Tão bom, não é. E será tanto melhor se contribuirmos, individual e coletivamente, para que assim seja. Sim as transformações implicam esforço, sacrifício, coragem e, muitas vezes, ruturas. Nada acontece por acaso ou, por obra de um qualquer benfeitor que nos representa junto dos poderes divinos ou humanos.
Nem só a gravidez da Rita Pereira e a boçalidade do Bruno de Carvalho fazem notícia, ou melhor Portugal é muito mais do que estes enfeites com que nos desviam a atenção do essencial. E o fundamental somos nós, As pessoas. Pessoas que podem continuar a alimentar os enfeites nacionais, ou centrar a sua atenção e energia no bem-estar de todos. Quando assim for os acessórios que dominam os palcos mediáticos da ilusão serão remetidos para papeis secundários e serão as pessoas os protagonistas das suas próprias vidas. É capaz de ser bem mais interessante do que passar a vida inteira a viver num palco de ilusões.

Ponta Delgada, 04 de Setembro de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 05 de Setembro de 2018

terça-feira, 4 de setembro de 2018

... do acessório

Foto by Madalena Pires 








Excerto de texto a publicar na imprensa regional e, também, no blogue momentos.















(...) É atriz e, segundo os estereótipos em voga, é assim como uma das sex simbols nacionais. Não me perguntem de quanto tempo está, nem se vai ser menino ou menina, ou quiçá gémeos, Não sei, mas os pormenores devem ser minuciosamente divulgados até ao nascimento. Vão acompanhando, talvez até com alguns momentos em direto, a evolução da gravidez da Rita Pereira. Eu cá por mim, que nos últimos dias não dei conta de nenhum alerta sobre o Bruno de Carvalho, estou mais preocupado com uma eventual quebra da sua popularidade. Facto que vindo a confirmar-se vai causar um vazio nas redações dos jornais, rádios e televisões o que, como todos compreendemos, pode constituir-se num sentimento de perda de consequências imprevisíveis. Estejamos atentos. (...)

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

O rebelde mercenário

Foto by Aníbal C. Pires (Setembro, 2018)
Passada que está a silly season estou de volta a este espaço onde, com regularidade, mais ou menos semanal, venho ao encontro de quem muito bem entender ler o que por aqui fica publicado. Sei que não tenho muita popularidade, nem este espaço que me acolhe ganhará notoriedade por publicar os meus textos, mas quer eu, por razões que mais tarde irei avocar, quer o meu anfitrião consideramos que esta parceria informal, embora os benefícios sejam imateriais, tem algum sentido e vale a pena dar-lhe continuidade.
Pois muito bem cá estamos para mais uma época.  Temporada em que irei procurar que os temas abordados sejam diversos e, sobretudo, promovam a reflexão de quem ainda lê mais do que os curtos textos publicados nas modernas redes sociais que vivem do imediatismo, das imagens e dos sons. De pequenas frases de uma realidade virtual, e aqui o termo virtual tem como significado (Dicionário do Português Atual Houaiss), “… constitui uma simulação de algo criada através de meios eletrónicos…”. Claro que me refiro à disseminação, por meios eletrónicos, de uma ideia criada para induzir uma errónea realidade e não ao atual conceito de realidade virtual.
Já lá vamos a um recente exemplo. Mas antes, como atrás ficou dito, permitam-me deixar uma pequena nota pessoal sobre a minha continuidade neste espaço e a minha necessidade, Sim é uma necessidade, de partilhar o que vou escrevendo e que resulta de uma certa forma de ver e estar no Mundo. Trata-se de exercer um direito e um dever de cidadania, mas também porque sou professor e é do exercício da minha profissão que resultam os benefícios materiais, esta é apenas uma forma, como diz o meu amigo Vamberto Freitas, de dar um pequeno contributo, um retorno, à sociedade onde vivo.
Vamos lá então. Ainda antes da morte do Senador John McCain, em virtude de um ou dois episódios que protagonizou que visavam o atual Presidente dos Estados Unidos, já alguns setores da direita e da esquerda fofinhas, este termo é utilizado por alguns amigos que muito prezo, não os vou individualizar, eles compreenderão, mas, como dizia ainda antes do seu falecimento já havia algumas vozes a catapultarem John McCain para um patamar social, humano e político muito da distante da realidade, ou seja, porque denegriu a imagem de Donald Trump e endeusou Barack Obama, John McCain passou a ser aquilo que nunca foi. Trata-se da criação de uma imagem, ou para ser mais coerente com o que fui dizendo, trata-se de uma realidade virtual. Tudo aquilo que vier a ser dito depois da disseminação massiva da imagem do bom rebelde criada sobre o Senador McCain, cairá em saco roto. Tenho disso consciência, mas ainda assim vou deixar a minha opinião. Colocando de lado a sua passagem pela aviação naval dos Estados Unidos sobre a qual não faço nenhum juízo pois, enquanto militar cumpriu as missões que lhe foram confiadas e, embora com visões diferentes sobre a guerra do Vietname, respeito o soldado McCain. O mesmo não se aplica à sua vida política, sobre isso, até pelas implicações que teve fora do território dos Estados Unidos, tenho direito a expressar a minha opinião que não é tão abonatória como a que tenho lido, após a sua morte, com origem em vários quadrantes políticos.

McCain com Abdelhakim Belhaj
um dirigente da Al-Qaida , na Síria
São conhecidas as ligações do Senador John McCain aos interesses do complexo militar industrial dos Estados Unidos e as suas posições de apoio à intervenção externa dos Estados Unidos. Não as vou referenciar todas, mas deixarei exemplos que bastam para comprovar que McCain não foi a pessoa que a direita e a esquerda “fofinhas”, agora tanto enaltecem branqueando as suas ligações e ações de apoio ao terrorismo internacional, aliás poucos dos Senadores contemporâneos de John McCain terão um histórico comparável ao seu. Antes da enumeração de alguns factos apenas uma pequena nota aquando da sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos (2008) em que foi oponente de Obama e que diz bem do conservadorismo fascizante de McCain ao indigitar como candidata à Vice-Presidência a conhecida, pelas piores razões, Sarah Palin.
Uma das qualidades que atribuem a John McCain era rebeldia, ou seja, tinha a sua própria agenda que, nem sempre coincidia coma agenda do Partido Republicano e, por vezes até chegou a ser de apoio ao Presidente Obama, como no caso do “shutdown” imposto pelos republicanos, em 2013, ao não aprovarem o orçamento federal. Por outro lado, ficou também na memória dos mais atentos a forma “cívica” como conduziu a sua campanha às presidenciais dos Estados Unidos, em 2008, que viria a perder para Barack Obama.

McCain em Kiev como o líder do Svoboda Oleh Tyanybok
Bem, mas esta era a agenda do Senador McCain. Uma estratégia e uma tática muito sua que lhe granjearam prestígio, certamente, mas sobretudo lhe conferiram muito poder, desde logo pelo que decorria do exercício da Presidência da Comissão do Senado para as Forças Armadas e depois pelas ligações e influência, ainda que fora dos holofotes mediáticos, que teve nas intervenções militares dos Estados Unidos, ou no apoio à desestabilização e derrube de governos democraticamente eleitos e a sua substituição por governos fantoches de inspiração neonazi, como foi o caso da Ucrânia, em 2013. Afeganistão, Iraque, Primavera Árabe, que mais não foi do que a antecâmara da invasão da Líbia, mais tarde a Síria. John McCain não teve pudor em aliar-se aos líderes nazis da Ucrânia, nem aos líderes da Al-Qaida, para levar a cabo a sua agenda ao serviço dos “falcões” estado-unidenses, ou apoiar abertamente a intervenção da Arábia Saudita no Iémen. A agenda do rebelde McCain provocou e continua a provocar milhares de mortos entre as populações dos territórios afetados e uma crise humanitária que tem uma dimensão desumana de que os milhões e milhões de refugiados que fogem dos conflitos são apenas uma parte visível de um gigantesco icebergue. Para os interesses do complexo industrial e militar dos Estados Unidos e para a política em Washington DC, McCain poderá ter sido um bom servidor, para o povo dos Estados Unidos e para o Mundo, McCain não passa de mais um mercenário a soldo dos senhores da guerra, tenham eles a nacionalidade que tiverem.

Ponta Delgada, 02 de Setembro de 2018

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 03 de Setembro de 2018

... o que nunca foi

Imagem retirada da Internet





Excerto de texto a publicar na imprensa regional e, também, no blogue momentos.





(...) Ainda antes da morte do Senador John McCain, em virtude de um ou dois episódios que protagonizou que visavam o atual Presidente dos Estados Unidos, já alguns setores da direita e da esquerda “fofinhas”, este termo é utilizado por alguns amigos que muito prezo, não os vou individualizar, mas eles compreenderão, mas, como dizia ainda antes do seu falecimento já havia algumas vozes a catapultarem John McCain para um patamar social, humano e político muito da distante da realidade, ou seja, porque denegriu a imagem de Donald Trump e endeusou Barack Obama, John McCain passou a ser aquilo que nunca foi. (...) 

sábado, 1 de setembro de 2018

Que União Europeia é esta - crónicas radiofónicas

Imagem retirada da Internet




Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 16 de Junho de 2018 que pode ser ouvida aqui







Que União Europeia é esta

Imagem retirada da Internet
Hoje trago-lhe um assunto que podendo parecer longínquo no espaço e no tempo é, contudo, conformador da nossa vida presente e do nosso futuro próximo. As políticas nacionais e regionais estão dependentes do que a União Europeia decide.
Como tenho vindo a afirmar noutros fóruns os garrotes à autonomia regional deslocaram-se de Lisboa para Bruxelas. Não pretendo, com esta última afirmação, retirar responsabilidades ao Governo da República, o abandono da Região é conhecido e a gula também. Nem estas afirmações pretendem desculpar o Governo Regional pela demissão das suas competências autonómicas.
Mas como lhe dizia hoje o assunto está centrado na União Europeia. São os cortes previstos para as políticas de coesão e agricultura na proposta de orçamento do Quadro Financeiro Plurianual, pós 2020, e mais recentemente o anúncio da redução de 3,9% dos programas específicos dirigidos às Regiões Ultraperiféricas.

Juncker (Presidente da Comissão) - Imagem retirada da Internet
Ou seja, para além dos cortes às políticas de coesão e à política agrícola comum, que já eram inaceitáveis vem agora mais esta tempestade a abater-se sobre as regiões ultraperiféricas.
Os deputados do PCP ao Parlamento Europeu, foram de entre os deputados portugueses, os que de forma clara e inequívoca, se manifestaram contra estes cortes e aos efeitos que se vão sentir, em particular, nas Regiões Autónomas. É caso para perguntar por onde andam os deputados europeus, residentes nos Açores, pois não basta constatar as intenções da Comissão Europeia e sobre elas derramar lágrimas de crocodilo, como fez Sofia Ribeiro perante o Comissário Europeu da Agricultura, ou ainda vir afirmar que esta proposta de redução do POSEI contraria a posição do senhor Juncker, Presidente da Comissão, como afirmou Ricardo Serrão Santos e também Sofia Ribeiro. Também conheço as palavras do Presidente da Comissão, mas conheço também o contexto em que elas foram proferidas e, de facto, foram apenas palavras de circunstância, como agora se veio a comprovar.
É bom que os deputados portugueses no Parlamento Europeu assumam, como já o fizeram os deputados do PCP, uma posição clara e inequívoca face à proposta do QFP pós 2020, manifestando-se e votando contra qualquer tentativa de redução dos financiamentos comunitários a Portugal e aos programas específicos das suas Regiões Autónomas.
Num quadro em que, como os deputados do PCP no Parlamento Europeu defendem, é necessária uma profunda modificação da Política Agrícola Comum, da necessária restauração do POSEI-Pescas (fora do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas) e da criação de um programa específico POSEI-Transportes, a exigência portuguesa tem de ser por orçamento comunitário que faça justiça e compense Portugal, particularmente as suas Regiões Autónomas, pelos prejuízos acumulados decorrentes de políticas contrárias aos interesses do país impostas pela União Europeia e cujas consequências no aparelho produtivo nacional e regional são bem visíveis.

Volto no próximo sábado, assim o espero.
Até lá,
Fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 16 de Junho de 2018

Isabella Rossellini - a abrir Setembro

Imagem retirada da Internet







Isabella Rossellini, sem mais palavras, a abrir o mês de Setembro no momentos.







Imagem retirada da Internet