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| do arquivo pessoal |
Aníbal C. Pires, (algures por aí), 16 de outubro de 2022
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| do arquivo pessoal |
Aníbal C. Pires, (algures por aí), 16 de outubro de 2022
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| Aníbal C. Pires - foto by Madalena Pires |
Aníbal C. Pires, (algures por aí), 16 de outubro de 2022
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| imagem retirada da internet |
E o Brasil!? Tenho estado a acompanhar no sítio oficial a evolução dos resultados, neste momento, com quase 90% das seções apuradas o candidato Lula da Silva vai à frente com uma margem confortável, embora esteja, para já, desenhada a necessidade de se realizar uma segunda volta para apurar quem será o futuro presidente brasileiro. Os apoios e acordos para a segunda volta vão ser determinantes para esse apuramento, sendo que a maioria dos partidos políticos brasileiros são pouco confiáveis e pode haver flutuação de votos, ou seja, qualquer tentativa de prognóstico em função do apoio dos candidatos presidenciais (11), que disputaram a primeira volta e que terminam a sua candidatura por aqui, é um exercício arriscado. Já é oficial, vai haver segunda volta e regista-se uma acentuada polarização. O Brasil está politicamente dividido. Lula ganhou a Norte e Bolsonaro no Centro e no Sul.
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Os resultados eleitorais e a proximidade de votantes nos dois candidatos que vão disputar a segunda volta é preocupante. Não tenho grande proximidade política, nem uma particular simpatia por Lula da Silva (48,43%), mas não deixa de ser motivo para reflexão e estudo que, um personagem com Bolsonaro (43,20%) possa ter recolhido um apoio eleitoral tão expressivo depois do desastre que foi o seu governo. Se em 2018, ainda que com algum esforço, se conseguiu entender as razões dos eleitores para não votarem no candidato do PT, as acusações de corrupção, o impedimento forçado de Lula da Silva, o golpe que depôs a Dilma, a insegurança e um sem número de questões alimentadas pelas corporações mediáticas brasileiras, mas agora é inadmissível que mais de 50 milhões de brasileiros tenham dado o seu apoio eleitoral ao execrável Jair Bolsonaro. Mais do que inadmissível é perigoso pois, a semente do “bolsonarismo”, como outras, por esse mundo fora, que têm estado latentes tenham germinado e se estejam a enraizar. E isso sim, é preocupante.
Se os movimentos e partidos de esquerda têm responsabilidade, sem dúvida. As agendas políticas da maioria dos movimentos e partidos de esquerda é muito permeável, não é por acaso, à priorização de temas, que sendo importantes, deixam de lado propostas de solução para resolver questões básicas para a maioria da população, e isso tem os seus custos políticos e eleitorais. Os partidos da direita e da extrema direita ficam com o campo aberto para cavalgarem o descontentamento popular, alimentam-se na iliteracia social e política e na ausência da consciência de classe.
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A construção de discursos e propostas políticas, de “esquerda” direcionadas para a classe média urbana em países e regiões pobres e com caraterísticas rurais é abrir alas à direita e à extrema direita.
Ponta Delgada, 2 de outubro de 2022
Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 4 de outubro de 2022
Excerto de texto para publicação na imprensa regional (Diário Insular) e, como é habitual, também aqui no blogue momentos.
(...) As eleições no Brasil interessam, desde logo e em primeiro lugar aos brasileiros, mas o mundo está de olhos postos no Brasil e nas eventuais alterações que esta potência económica mundial possa introduzir no complexo xadrez regional e mundial, se é que algo vai mudar, na política externa brasileira, mesmo que a presidência mude. (...)
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Apresentação de Contrastes, de Alexandra Cunha Cordeiro
Casa da Escrita, Instituto Cultural de Ponta Delgada, 23 de setembro de 2022
a poeta desnuda-se
Senhoras e senhores,
Caros amigos
Antes de vos falar do livro e da autora, razão maior que nos junta, de novo e sempre aqui, neste espaço onde as palavras repousam e ganham vida, permitam-me alguns agradecimentos.
Agradeço, desde logo, a Vossa presença. Presença sem a qual pouco sentido faria este momento. Os autores libertam as palavras e os leitores dão-lhe uso e voz, cada um com a sua própria leitura e interpretação. É desse modo, por via dos leitores, que os textos literários reunidos em livro cumprem a sua finalidade. E os poemas da Alexandra Cordeiro irão, através de cada um de nós, viajar livremente cumprindo o seu desígnio e povoando o imaginário de cada um dos seus leitores.
À Alexandra agradeço a confiança em mim depositada que se traduziu no convite para tecer algumas considerações sobre o seu primeiro livro de poesia, ou seja, a de fazer a apresentação pública de “Contrastes”. Convite que aceitei sem reservas, mas com a consciência da enorme responsabilidade que lhe está intrínseca.
Obrigado Alexandra! Pelo convite e, sobretudo, pela confiança que em mim depositas para apresentar o teu livro.
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| Alexandra Cunha Cordeiro - Imagem retirada da internet |
Caros amigos,
Partilho convosco algumas palavras sobre este livro, o primeiro de muitos, assim o esperamos. Palavras que não têm a pretensão de se constituir como uma recensão e, muito menos como uma análise de índole literária.
São breves as minhas palavras pois a poesia é para deleite de quem a lê, a poesia sente-se e vive-se e não pretendo antecipar aos leitores a viagem pelos poemas da Alexandra.
A capa contrasta o preto e o branco, oposição de tons ou cores, o que de per si nos pode proporcionar uma ligação linear ao título, mas não se fica por aí. A bolha negra explode em mil pedaços libertando os estados de alma que estavam, direi eu, aprisionados e transformaram-se nesta aventura poética intimista da Alexandra Cordeiro. E assim é. Se dúvidas houvesse elas dissipam-se nas palavras escritas pela autora na contracapa e que terminam assim: “Partilho-me nesta escrita da minha alma”.
Ao iniciarmos a leitura dos poemas deste livro comprovamos que a interpretação, sempre subjetiva, dos grafismos da capa, se comprova a cada verso, a cada estrofe, a cada poema. Este livro é, como poderão comprovar pela leitura, poesia sentida e intimista em estado puro, mas é também o registo poético de momentos que quase podemos datar, assim como se de entradas diarísticas se tratasse, sem qualquer ordem cronológica pois, não nos relatam os dias, dizem-nos da memória, dos instantes, do quotidiano e dos estados de alma.
Não costumo recorrer à citação de excertos dos livros que tenho apresentado para não subtrair aos leitores prazeres que devem ser só seus, mas neste caso e como é de poesia que se trata, abro uma exceção e vou-vos ler alguns versos dos poemas Vem, Onde andas? Entra e Vizinhas que, em minha opinião, ilustram, de forma modelar, o que já vos disse sobre a poesia da Alexandra.
Vem
(…) Estarei /À espera/Ansiosa(Quando, se e o que quiseres (…)
Onde andas?
(…) Se quiseres, um dia, estarei aqui/À espera de te ver,/De te ouvir,/De te sentir… (…)
Entra
(…) Entra suavemente/Invade o meu espaço./Deixo a porta aberta/Para ti, sempre (…)
Vizinhas
(…) Lá fora/Gargalhadas suaves/Em cima de copos de vinho. (…)
A poesia de Alexandra Cordeiro diz-nos da nossa condição de seres afetivos dotados de razão, por isso nos comovemos e nos sensibilizamos com os sentires partilhados neste livro. Nestes poemas a autora desnuda-se para os seus leitores e partilha, sem limites, o âmago do seu ser.
Os poemas reunidos neste livro, por não obedecerem a nenhuma métrica, conferiram à autora a liberdade para criar as suas próprias normas e ritmos, procurando, contudo, garantir uma das caraterísticas transversais aos textos poéticos, a sua musicalidade.
A poesia de Alexandra Cordeiro insere-se, assim, na chamada poesia contemporânea que veio, de alguma forma, subverter as formas poéticas tradicionais.
Os poemas reunidos no livro “Contrastes” não se confinam a um território, a uma geografia. A Alexandra sem abdicar da sua condição de açoriana, como de forma explícita podemos constatar no último poema do livro (Da ilha).
A Alexandra abre o coração ao mundo e aos afetos, vagueia pelas palavras constrói poemas e confere-lhes um caráter humano e, por isso mesmo, universal.
Bem hajam pela Vossa presença, atenção e pela paciência com que me ouviram.
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 23 de setembro de 2022
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E, caros visitantes da “Sala de Espera”, não se trata do momento político, com os efeitos conhecidos, que estamos a viver. Nunca reconheci ao órgão executivo da União Europeia, ou seja, à Comissão, nenhuma legitimidade democrática. A Comissão é um órgão de nomeação ao qual não deviam ser atribuídos tamanhos poderes. E notem bem que este órgão, a sua presidente e o comissário Borrell, sem legitimidade democrática permitem-se ajuizar sobre se este ou aquele país são democráticos ou autocráticos, se este ou aquele presidente ou primeiro ministro são democratas ou autocratas, em claro desrespeito pela vontade popular dos povos que os elegeram em eleições democráticas. Não gosto como exercem o poder, e não concordo com as opções políticas de muitos dos atuais dirigentes políticos mundiais, desde logo do presidente e do primeiro ministro portugueses, mas há um aspeto que os diferencia dos comissários europeus, exercem o poder em resultado de eleições e da vontade popular e respondem perante as oposições, têm uma legitimidade que a Comissão Europeia e a sua presidente não têm, para além dos tiques, eles sim, autocratas.
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O conflito bélico que domina as agendas mediáticas e políticas do “mundo ocidental” vai, aparentemente, determinar a emergência de um mundo multipolar e é essa, e não outra, a razão do empenho da Inglaterra, da União Europeia e dos Estados Unidos no apoio incondicional a um dos beligerantes. Os Estados Unidos não querem perder ou dividir o protagonismo geopolítico e estratégico, a Inglaterra é o aliado natural dos Estados Unidos e a União Europeia serve, tão-somente, como municiador do conflito, sacrificando os seus cidadãos ao abdicar do papel diplomático. Sim, se queremos pôr fim a um conflito não podemos adotar como estratégia o fornecimento de material de guerra a uma das partes. Como é público apoio a Palestina, mas não advogo uma solução que passe pelo fornecimento de material de guerra aos palestinianos, defendo uma solução diplomática, sob a égide das Nações Unidas, que reponha a legalidade e promova a paz.
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Arranhó, 19 de setembro de 2022
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Excerto de texto para publicação na imprensa regional (Diário Insular) e, como é habitual, também aqui no blogue momentos.
(...) Nunca reconheci ao órgão executivo da União Europeia, ou seja, à Comissão, nenhuma legitimidade democrática. A Comissão é um órgão de nomeação ao qual não deviam ser atribuídos tamanhos poderes. E notem bem que este órgão, a sua presidente e o comissário Borrell, sem legitimidade democrática permitem-se ajuizar sobre se este ou aquele país são democráticos ou autocráticos, se este ou aquele presidente ou primeiro ministro são democratas ou autocratas, em claro desrespeito pela vontade popular dos povos que os elegeram em eleições democráticas. Não gosto como exercem o poder, e não concordo com as opções políticas de muitos dos atuais dirigentes políticos mundiais, desde logo do presidente e do primeiro ministro portugueses, mas há um aspeto que os diferencia dos comissários europeus, exercem o poder em resultado de eleições e da vontade popular e respondem perante as oposições, têm uma legitimidade que a Comissão Europeia e a sua presidente não têm, para além dos tiques, eles sim, autocratas. (...)
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| foto by Aníbal C. Pires |
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| foto by Madalena Pires |
O almoço tardio prolongou-se nas palavras. Recordações e estórias em comum encheram a tarde, mas nem só do passado foram as falas, do presente que nos preocupa e do futuro que se avizinha complexo e, sobretudo, caro, também se conversou.
Não fique o visitante desta “Sala de Espera” com ideia que a tarde foi macambúzia e saudosista, nada disso. Houve alguns momentos de nostalgia na revisitação do passado, sim houve, mas o que marcou a tarde e os dias fora do bulício da urbe e das rotinas de cada um de nós, foi mesmo a boa disposição cúmplice que só a benquerença pode proporcionar. Foi um fim de semana de celebração da amizade que acontece quando e onde calha, desta vez aconteceu num lugar idílico como poderia ter acontecido num qualquer outro lugar. Os lugares, sendo importantes, valem pelas pessoas que os habitam e quando se trata de reunir um grupo de amigos, o local pouco importa perante o contentamento de estar, partilhar afetos e cultivar a afeição que une pelos laços da amizade que não se explica, tal como o amor, acontece.
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| foto by Madalena Pires |
A noite chegou enquanto a fogueira crepitava sob a grelha onde, após o braseiro estar pronto, se fizeram alguns grelhados a gosto e a pedido, mal, médio ou bem passado, sempre com a boa disposição em alta, como alta estava a música com que alguns campistas clandestinos, o aviso de proibição era bem visível e legível, resolveram brindar a vizinhança subtraindo os sons da noite a quem gosta de os ouvir.
Ao invés do canto das cagarras, do marulhar do mar, da brisa nas faias e das estrelas que a límpida noite, iludindo os sentidos, nos trazia ao alcance da mão e quase se podiam tocar, foi-nos imposto um ruído impróprio, era música, a poluir a noite e que se prolongou para lá do aceitável. Não, não se trata de saber se a música era ou não do meu gosto, fosse a que fosse era imprópria para ser difundida naquele, ou noutro espaço onde se vai para ouvir o silêncio. Terá sido a modernidade a invadir o espaço rural, ou a ruralidade a importar hábitos urbanos. Não sei, não averiguei, mas não me pareceu um ato de urbanidade. Urbanidade entendida aqui como civilidade que, como sabemos, não é um atributo exclusivo de quem vive na urbe. Esta situação, não sendo agradável, não foi, contudo, suficiente para nos indispor ou retirar prazer na fruição do jantar que, tal como o almoço, se prolongou nas palavras e se adentrou pela noite. O choro das cagarras regressou, o mar continuava naquele seu sereno vai e vem no calhau rolado, a brisa agitava as faias, a ténue luz límpida da noite alteava as negras encostas alcantiladas, as estrelas desciam ao alcance da mão, era a noite a fazer-se ouvir.
Ponta Delgada, 6 de setembro de 2022
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| foto by Madalena Pires |
Excerto de texto para publicação na imprensa regional (Diário Insular) e, como é habitual, também aqui no blogue momentos.
(...) No ar havia um voluptuoso perfume que exalava das uvas de “cheiro” depositadas num cesto sobre a mesa. Aquele odor é um indício da proximidade de um novo ciclo temporal. A época das vindimas aproxima-se e com elas o prenúncio do Outono, mas ainda é Verão e o mar faz-se ouvir naquele seu sereno vai e vem no calhau rolado de uma praia, logo ali, depois da sebe que resguarda o espaço onde me encontro. Numa pausa da leitura levanto o olhar para os íngremes e verdes montes que flanqueiam o casario rasgado por uma ribeira para onde correm as linhas de água que serpenteiam nas vertentes. Os cumes tocam o azul, as nuvens escoam-se pelas alcantiladas encostas matizadas de verde e dissipam-se na brisa suave que ameniza o Verão. A paisagem majestosa estende-se por jardins há beira mar, coroados por pedras negras afagadas pelo oceano num perpétuo movimento. (...)