quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

No Portuguese Times de New Bedford







A última edição impressa do “Portuguese Times", dia 13 de Dezembro, divulga na coluna “Nas Duas Margens”, de Vamberto Freitas, o livro “Toada do mar e da terra (Volume I – 2003/2008)
O “Portuguese Times” é um jornal semanário das comunidades portuguesas na costa Leste dos Estados Unidos.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Já nas livrarias

Foto by Paulo Cabral

O livro de crónicas revisitadas “Toada do mar e da Terra (Volume I – 2003/2008) já está à venda na Livraria Leya SolMar, em Ponta Delgada, e nos próximos dias estará disponível na Ilha Terceira, na Loja do Adriano, na ilha do Faial, na Livraria O Telégrafo, na ilha do Pico, na Bel’ Arte (Madalena), e na Livraria Ferin, em Lisboa

Tradições


Foto by Madalena Pires
Ainda faltam uns dias, semanas mesmo, mas o espaço já está imbuído de apelos e o ambiente festivo transparece dos rostos e comportamentos. Não há nada a fazer, ou nos integramos no espírito da coisa, ou somos olhados como marginais que não respeitam a ordem instituída. Cá por mim o papel de ovelha tresmalhada assenta-me bem e, agora que já tenho os filhos crescidinhos e como não estão por perto, nem sequer tenho de elaborar as habituais desconstruções para justificar porque não me quero submeter ao calendário comercial, embora o total alheamento a essa realidade seja uma impossibilidade.
Não há como fugir ao espírito desta quadra festiva, ou pelo menos não a ter em consideração e referenciar. Este texto é o exemplo acabado do que acabei de afirmar, embora não se trate de uma rendição ao mercantilismo que lhe está associado.
Até gosto de alguns aspetos ligados às comemorações do Natal e à passagem para um Novo Ano. Gosto dos momentos de reunião da família e dos amigos, gosto dos madeiros a arder nos adros das igrejas nas aldeias, vilas e cidades da Beira Baixa, gosto do cantar às janeiras e às estrelas e, pouco mais. O que já não é pouco para quem, como eu, não necessita de muito para se sentir bem com os outros e consigo mesmo.

Foto by Aníbal C. Pires
O princípio destas celebrações, como de muitas outras, tem as suas origens nos ciclos naturais e, é na sua génese que eu encontro motivos para comemorar. A natividade é uma festa de todos os dias, o Solstício de Inverno acontece uma vez por ano. O que celebramos por esta altura do ano, no hemisfério Norte, tem as suas raízes nas tradições pagãs ligadas ao Solstício de Inverno e aos deuses de diferentes mitologias e crenças, mas sobretudo ao Sol pois, é a partir do dia em que a noite é mais longa que a luz natural volta gradualmente a aumentar a sua duração até ao Solstício de Verão.
A expansão da cristianização e dos cultos que foram sendo construídos ao longo dos primeiros séculos da nossa era (era cristã) resultaram na imposição aos povos de uma ideia monoteísta de religião, um só Deus. Os cultos politeístas do Solstício de Inverno manifestavam-se por diferentes formas, conforme a geografia, mas não sendo compatíveis com o objetivo e doutrina das igrejas cristãs foram, paulatinamente, substituídos pelas celebrações do nascimento de Jesus Cristo.
Nada disto é novidade e o mesmo sucedeu com outras celebrações pagãs ligadas aos ciclos naturais. Não é tanto o reconhecimento destes factos que me perturbam, pois, os povos na sua imensa sabedoria e capacidade de resistir mesclaram os ancestrais rituais com os que lhe foram impostos pelo culto dominante. O que verdadeiramente me preocupa é esta nova e avassaladora imposição comercial que tudo desvirtua e contra a qual parece não haver, pelos povos, nem a sabedoria, nem a capacidade de resistência que lhe faça frente. E todos perdemos com isso, desde logo a Igreja católica. O Papa Francisco, em 2015, veio a terreiro dar conta disso mesmo.
Como sou pelas tradições, sem que nada tenha a opor à evolução dos costumes e à modernidade, celebro o Natal pelo Solstício de Inverno.

Ponta Delgada, 12 de Dezembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 13 de Dezembro de 2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

... das quadras festivas

Foto by Madalena Pires







Excerto de texto a publicar na imprensa regional e no blogue momentos









(...) Não há como fugir ao espírito desta quadra festiva, ou pelo menos não a ter em consideração e referenciar. Este texto é o exemplo acabado do que acabei de afirmar, embora não se trate de uma rendição ao mercantilismo que lhe está associado.
Até gosto de alguns aspetos ligados às comemorações do Natal e à passagem para um Novo Ano. Gosto dos momentos de reunião da família e dos amigos, gosto dos madeiros a arder nos adros das igrejas nas aldeias, vilas e cidades da Beira Baixa, gosto do cantar às janeiras e às estrelas e, pouco mais. O que já não é pouco para quem, como eu, não necessita de muito para se sentir bem com os outros e consigo mesmo. (...)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Um incompreensível silêncio

Foto by Aníbal C. Pires
O desfecho estará por pouco tempo e o silêncio dos trabalhadores só pode ser entendido como de anuência. Que a opinião pública regional seja maioritariamente apoiante da alienação de parte do capital social da SATA Internacional/Azores Airlines não constitui surpresa, espantoso seria que a sociedade açoriana se mobilizasse contra este processo e privatização depois da intensa campanha que foi feita sobre as virtualidades do mercado e da gestão privada. Mas o silêncio dos trabalhadores é incompreensível.
Nem sindicatos, nem comissões de trabalhadores, Nada. Nem uma palavra sobre este processo que, segundo o que se ouve por aí na toada da terra e dos céus, estará para ser concluído sem muitas demoras. Adivinha-se quem é o parceiro, aliás dificilmente poderia ser outro e, os crentes da inevitabilidade sempre poderão dizer, Do mal o menos.
Não quero crer que eu seja o único cidadão, e não serei, a surpreender-me com a anuência tácita dos trabalhadores à privatização parcial daquela empresa do Grupo SATA, não só os trabalhadores da SATA Internacional/Azores Airlines, mas também todos os outros pois, ninguém tenha dúvidas que o processo vai trazer alterações no seio das restantes empresas do Grupo.
O facto de estar desenhado um parceiro que é simpático aos olhos dos trabalhadores da SATA Internacional/Azores Airlines, diria mesmo desejado e, mesmo não conhecendo o caderno de encargos, nem outros compromissos que informalmente já possam ter sido assumidos pelas partes, e que garantam que não vai haver despedimentos, reduções salariais e outros direitos, consagrados, ou não no acordo de empresa, a história diz-nos que a privatização da coisa pública é sempre, mais tarde ou mais cedo, prejudicial para os trabalhadores, mas também para o interesse público. Exemplos, Bem exemplos temos aí para todos os gostos, o BCA, os CTT, a REN, a EDP, à, pois a TAP. A TAP ia ficando esquecida, o que no presente caso seria imperdoável. Os exemplos podem não ser muitos, mas são suficientemente exemplificativos de quanto a privatização foi perniciosa para o interesse público e para a destruição de postos de trabalho e, por aqui me fico. Embora a lista das perdas para os trabalhadores e para o interesse publico seja bem mais extensa.

Foto by Aníbal C. Pires
Se quero que tudo fique na mesma e que a SATA Internacional/Azores Airlines se continue a afundar organizacional e financeiramente, Não. Claro que não quero nem o desejo, bem pelo contrário, e tudo o que tenho dito e escrito sobre o Grupo SATA e as suas empresas comprovam isso mesmo, mas isso sou eu que considero a SATA um instrumento estratégico para a Região, isso sou eu que considero que o Grupo SATA tem (ou tinha) tudo para ser uma empresa bem-sucedida no mercado do transporte aéreo, isso sou eu que não tenho uma visão redutora do papel do Grupo SATA, isso sou eu, o utópico.
À medida que as palavras vão brotando surgem novos motivos para dar continuidade a este escrito que não sendo um requiem sobre a SATA Internacional/Azores Airlines, será pelo menos sobre o fim próximo de um projeto que teve autores e decisores e, sobretudo, uma finalidade inserida numa estratégia de desenvolvimento regional e de afirmação dos Açores no exterior. Com a alienação de uma parte do capital social da SATA Internacional/Azores Airlines pode afirmar-se que vamos assistir à derrota desse objetivo.

Foto by Aníbal C. Pires
Sei que desde a fundação da SATA Internacional até aos nossos dias muitas transformações ocorreram no mercado dos transportes aéreos. As alterações ao modelo de ligações aéreas com o continente e às Obrigações de Serviço Público são as que mais se evidenciam, mas não são únicas. E outras vão ocorrer, quiçá em sentido contrário à desregulação do mercado que marcou as últimas décadas. Se o Grupo SATA acompanhou e se preparou para as mudanças, Não. Talvez esse seja um dos problemas da organização e se aduzirmos a esta questão uma outra que identifique os momentos e as decisões que conduziram a SATA Internacional ao declínio, então temos apurada a responsabilidade política. Se é possível uma alternativa à privatização parcial da SATA Internacional/Azores Airlines, Sem dúvida.
Essa alternativa foi colocada recentemente em coluna de opinião pelo Dr. Pedro Gomes, solução que eu subscrevo sem reservas, e que passo a transcrever. “(…) O Governo Regional parece já ter desistido de negociar com a Comissão Europeia - invocando os princípios da continuidade territorial e da modulação do mercado único nas regiões ultraperiféricas e o conceito das “auto-estradas do ar” - uma solução que lhe permitisse aumentar o capital social da Azores Airlines, saneando-a financeiramente, sem sujeição às regras de auxílio de Estado ou a severas medidas de reestruturação empresarial, como foi imposto em processos de aumento de capitais públicos noutras companhias aéreas europeias. (…). Estamos de acordo caro Dr. Pedro Gomes, nem tudo foi feito, ou melhor ainda, Nada foi feito para garantir o interesse público regional, no que à SATA Internacional/Azores Airlines diz respeito.
Ponta Delgada, 10 de Dezembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 11 de Dezembro de 2017

... paira o silêncio sobre a SATA

Anibal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires








Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e no momentos. Aqui mesmo como é habitual.












(...) Mas o silêncio dos trabalhadores é incompreensível.
Nem sindicatos, nem comissões de trabalhadores, Nada. Nem uma palavra sobre este processo que, segundo o que se ouve por aí na toada da terra e dos céus, estará para ser concluído sem muitas demoras. Adivinha-se quem é o parceiro, aliás dificilmente poderia ser outro e, os crentes da inevitabilidade sempre poderão dizer, Do mal o menos.
Não quero crer que eu seja o único cidadão, e não serei, a surpreender-me com a anuência tácita dos trabalhadores à privatização parcial daquela empresa do Grupo SATA, não só os trabalhadores da SATA Internacional/Azores Airlines, mas também todos os outros pois, ninguém tenha dúvidas que o processo vai trazer alterações no seio das restantes empresas do Grupo. (...)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Harlem Gospel Choir - hoje no Teatro Micaelense

Imagem retirada da internet
Harlem é um bairro da alta de Manhattan na cidade de Nova Iorque, conhecido por ser um grande centro cultural e comercial dos afro-americanos.
Este bairro nem sempre é referenciado pelos melhores motivos, mas bons motivos não faltam para se visitar o Harlem e para o mencionar por razões desconhecidas da generalidade dos cidadãos. Já la irei.
E é desse mítico bairro nova-iorquino que vem Harlem Gospel Choir Hoje para atuar hoje, em Ponta Delgada, no teatro Micaelense, pelas 21h 30mn.

Não vou descrever a estória do acolhimento dos habitante de Harlem a Fidel de Castro.
Deixo-vos um vídeo com o resumo das duas visitas de Fidel ao mítico bairro.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Gestão de expetativas e falta de memória

Foto by Aníbal C. Pires
Um dos deputados da República eleitos pelo círculo eleitoral dos Açores afirmou que não espera o cumprimento das medidas, aprovadas no Orçamento de Estado, destinadas aos Açores, ou seja, a sua expetativa é inversa à que o Governo da República cria na opinião pública à volta do que o governo de António Costa aprovou e diz que vai executar.
A minha expetativa, à semelhança do deputado António Ventura, também não é elevada. O que o deputado dos Açores em Lisboa disse pode aplicar-se, a este como a muitos outros Governos do país que precederam o atual. Lembro apenas os governos de Cavaco Silva e de Durão Barroso, de entre outros. É quanto baste para espevitar a memória do deputado pois, de outros governos, certamente, se lembrará sem necessitar dos meus lembretes.
Não tenho nem nunca tive grandes expetativas em relação aos governos de Lisboa, no que à concretização de investimento público estadual nos Açores diz respeito, seja qual for o partido do centro que governe com, ou sem o apêndice que Assunção Cristas agora lidera.
O Estado tem vindo a demitir-se das sua funções e competências nos Açores, o mesmo se poderá dizer de outras regiões continentais, o mesmo se poderá dizer da Região Autónoma da Madeira. O Estado português é centralista por natureza, mas não é apenas de uma questão de mais, ou menos centralismo de que se trata, mas também.
A coesão social e territorial, sendo conceitos que ainda se mantêm no discurso político não são, porém objeto de medidas que favoreçam políticas públicas para o uso e a ocupação territorial social e economicamente justas. As políticas de coesão social e territorial estão à mercê, como muitas outras, do mercado, ou como quem diz, Ao Deus dará. E este deixa andar, a que Deus é alheio e, do qual o mercado beneficia, mas como se sabe não atende a questões que não envolvam chorudos dividendos. Sendo assim, é às políticas e a quem as executa, mas também a quem assiste, confortavelmente no sofá, sem se indignar que devem ser assacadas responsabilidades pela falência do Estado.
Na Região Autónoma dos Açores são, por demais, conhecidas as razões que sustentam a afirmação de que o Estado não cumpre as suas obrigações para com este território pulverizado numa vasta área do Atlântico Norte. A falta de meios e de efetivos das forças de segurança e das forças armadas, o abandono das populações que sofreram e sofrem os efeitos colaterais do uso, durante décadas, do seu território por uma potência estrangeira ao abrigo de um acordo celebrado entre dois países, as inaceitáveis condições dos estabelecimentos prisionais da Horta e de Ponta Delgada, os efeitos do encerramento de serviços públicos e o seu afastamento dos cidadãos, a internet não pode nem deve substituir o atendimento presencial, o subfinanciamento da Universidade. Estes são alguns, de entre outros aspetos, que se podem encontrar, com outra dimensão e contornos, noutras regiões do país, em particular no interior do território continental.

Imagem retirada da internet
Portugal é um país caracterizado por descontinuidades ou, se preferirem por profundas assimetrias sociais e económicas e, o uso do território e a sua ocupação efetiva relaciona-se diretamente com essa desarmonia dramaticamente visível aquando dos incêndios deste, e de ouros verões.
Sei que o deputado António Ventura no que concerne à coesão territorial tem posições que se aproximam das minhas, designadamente ao uso e ocupação do território como condição sine qua non para que as políticas de coesão social e territorial possam ser bem-sucedidas. A diferença situa-se ao nível da intervenção do Estado que ele agora tanto exige, alto e bom som, mas que não perfilha pois, como é sabido a família política alargada a que pertence tudo tem feito para destruir o Estado e reduzi-lo a um mero e injusto coletor de impostos que depois distribui de forma igualmente pouco justa.
Ponta Delgada, 05 de Dezembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 06 de Dezembro de 2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

... não só do centralismo, mas também

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires







Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e no momentos. Aqui mesmo como é habitual.











(...) Não tenho nem nunca tive grandes expetativas em relação aos governos de Lisboa, no que à concretização de investimento público estadual nos Açores diz respeito, seja qual for o partido do centro que governe com, ou sem o apêndice que Assunção Cristas agora lidera.
O Estado tem vindo a demitir-se das sua funções e competências nos Açores, o mesmo se poderá dizer de outras regiões continentais, o mesmo se poderá dizer da Região Autónoma da Madeira. O Estado português é centralista por natureza, mas não é apenas de uma questão de mais, ou menos centralismo de que se trata, mas também. (...)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Um novo momento português(*)

Imagem retirada da internet
Mário Centeno, o atual ministro das finanças, ao que consta reúne condições e apoios para poder vir a assumir a presidência do Eurogrupo. Depois de algumas críticas mais ou menos veladas, das quais a mais caricata terá sido a desse grande político, e agora comentador, que dá pelo nome de Marques Mendes, mas isso é apenas um pormenor de somenos importância, a unanimidade, ao centro, está instalada e mesmo Marques Mendes já considera que sim, que é bom para o próprio e prestigiante para o país. Mas é pena, diz ainda o agora comentador, pois com a sua eventual saída prevêem-se efeitos erosivos no seio da dita “geringonça”. Mas que chatice.
O coro está afinado. É bom para o próprio e prestigiante para Portugal, dizem-nos. Pois que seja. Já assistimos a outros momentos, não muito distantes, de exaltação nacional com a ascensão de alguns portugueses a altos cargos no estrangeiro. Nunca me entusiasmei nem fiquei embebido de sentimentos patrióticos por tais acontecimentos, prefiro homenagear os emigrantes anónimos espalhados pelo Mundo, esses sim são motivo de orgulho e têm toda a minha admiração.
Em Julho de 2004 numa crónica, a que dei o título “O momento português”, referi-me à irrelevância, para Portugal, de ter Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia. Se foi bom para o próprio, Sem dúvida. Se foi bom ou prestigiante para Portugal, Não me parece, a não ser o facto de ter deixado de ser o primeiro ministro de um governo de má memória. Durão Barroso é atualmente o presidente do Banco Goldman Sachs International, e isto sim terá algum significado.
Um outro “momento português” que, como o anterior, também uniu o coro do centro político nacional foi a nomeação, em 2010, de Vítor Constâncio para Vice-governador do Banco Central Europeu(BCE). Também sobre esse “momento português” escrevi e publiquei um texto, em Fevereiro de 2010, no qual tornava clara a minha posição de alheamento face ao contentamento generalizado da nomeação do então Governador do Banco de Portugal para a vice-presidência do BCE, tendo-lhe sido atribuídas responsabilidades pelas áreas de investigação e de supervisão e estabilidade financeira dos mercados dando corpo à ideia, da Comissão Europeia, de reforço e vigilância do sector financeiro e bancário com o objetivo de prevenir novas crises, Pois.
Neste caso nem a sua saída do cargo que ocupava, apesar das responsabilidades de Vítor Constâncio no caso do BCP, do BPN e do BPP, me mereceu nenhum registo de satisfação.
Vítor Constâncio tinha uma vasta experiência ancorada no erro e na sua grande capacidade de prever quando a realidade já estava instalada, por conseguinte, reunia as melhores condições para assumir o papel de marioneta ao serviço dos interesses da alta finança europeia e mundial. E assim tem sido, nem mais nem menos. Se foi bom para o próprio, Sem dúvida. Se foi bom e prestigiante para Portugal, Não me parece.

Imagem retirada da internet
Ainda antes de voltar a Mário Centeno não posso deixar de referir um outro “momento português”. A eleição, em Outubro de 2016, de António Guterres para Secretário-geral da Organização das Nações Unidas(ONU), instituição onde já tinha tido exercido o cargo de Alto Comissário para os Refugiados, entre 2005 e 2015. Neste caso não posso dizer, com segurança, que me tenha sido de todo indiferente e, ainda que sem entusiasmos desmedidos, confesso que esse “momento português” me deixou moderadamente satisfeito. Não tanto pela personalidade em si mesma, que não adianta nem atrasa, mas pelo facto de se tratar da ONU, instituição à qual ainda reconheço alguma relevância no diálogo e na concertação mundial.
Quanto a Mário Centeno e à sua hipotética ida para a presidência do Eurogrupo direi que me é indiferente e não alinho com o habitual coro de satisfação perante mais este “momento português”. Se vai ou não ser prestigiante e bom para Portugal, Não me parece. Se vai ser bom para o próprio, Sem dúvida.
Há quem me diga que face ao desempenho económico e financeiro de Portugal, ao qual Mário Centeno não terá sido alheio, a União Europeia estaria à procura de uma resolução para por, de novo, este pequeno país do Sul periférico nos carris das políticas de austeridade. A resolução terá sido tomada considerando as caraterísticas dos portugueses, assim o diretório da União Europeia concluiu que a melhor forma de o conseguir seria colocar na presidência do Eurogrupo um português.
O parágrafo anterior mais não é do que a tradução de uma conversa de café entre dois amigos a brincar com coisas sérias. Que ideia mais estapafúrdia a deste meu amigo. Vejam só, um português na presidência do Eurogrupo para colocar Portugal nos eixos. Ele há coisas do arco-da-velha.
Ponta Delgada, 03 de Dezembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 04 de Dezembro de 2017

(*) Mário Centeno foi hoje eleito para a presidência do Eurogrupo