quarta-feira, 17 de maio de 2017

Desanexar para ampliar

Imagem retirada da internet
As Lajes, enquanto Base Aérea portuguesa utilizada pelos Estados Unidos, voltaram à opinião pública e à agenda política. Os motivos são vários e todos eles dignos de menção, sem dúvida, mas não é sobre o ponto de vista do que motivou este regresso ao assunto que hoje dedico algumas linhas e algum do vosso tempo para tergiversar sobre a infraestrutura aeroportuária das Lajes.
Todos temos conhecimento de várias infraestruturas aeroportuárias onde as operações militares e civis convivem em harmonia, desde logo no Aeroporto Humberto Delgado, onde o Aeroporto Militar de Figo Maduro funciona.
Na Alemanha, em Espanha, nos Estados Unidos e por aí adiante outros casos semelhantes existem e coexistem, ao contrário do que se passa nas Lajes, onde o Comando Militar português, dentro das suas competências e fazendo cumprir os regulamentos, tem criado alguns condicionalismos à operação civil, por outro lado, nos últimos anos e face ao aumento do movimento de aeronaves civis durante o chamado Verão IATA, são conhecidos alguns episódios em que a operação civil foi alvo de vários constrangimentos.

Foto by Aníbal C. Pires
E a pergunta é óbvia porque acontece nas Lajes e não acontece noutros locais onde as operações aéreas, civis e militares, decorrem com normalidade. A diferença reside na total separação das duas valências, ou seja, pelas particularidades de uma e outra operação as infraestruturas, usando espaços comuns, estão efetivamente isoladas uma da outra. E é, no essencial, isto que não se passa nas Lajes.
Se a solução é fácil, Talvez não seja. Mas se queremos que o aeroporto civil que serve a ilha Terceira possa reunir todas as condições para que a operação não fique dependente dos constrangimentos que decorrem dos regulamentos militares, então a questão deve ser encarada como uma necessidade regional e encontradas as necessárias e adequadas soluções que satisfaçam as pretensões açorianas. Por outro lado, a necessidade de aumento da chamada placa civil do aeroporto das Lajes, para a qual, existem algumas ideias e mesmo propostas formuladas em sede da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores só terá efeito nas pretensões da operação civil, se a condição anterior estiver satisfeita. Pois, como sabemos, no Aeroporto das Lages, civil mesmo só a aerogare.
A solução de ampliação da chamada placa civil necessita previamente da separação das duas operações, o que pressupõe a desanexação de terrenos do Ministério da Defesa Nacional para o domínio público regional. Com a desanexação fica o Aeroporto das Lajes com espaço suficiente para ampliar a placa civil, a custos inferiores e menos impactos paisagísticos do que aqueles que algumas das propostas existentes têm associados.
Se é assim tão simples, Não será. Mas a solução tem de passar por aí e a resposta às declarações de Devin Nunes, também.
Ponta Delgada, 16 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 17 de Maio de 2017

terça-feira, 16 de maio de 2017

estórias com rosto

Sul do Egipto, Agosto de 2006 - foto by Aníbal C. Pires


(...) Os rostos contam estórias e eu gosto das estórias que os rostos me contam. (...)

Aníbal C. Pires, Santa Cruz das Flores, 20 de Agosto de 2015 

... da convivência pacífica

Foto by Aníbal C. Pires








Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e aqui, neste blogue











(...) E a pergunta é óbvia porque acontece nas Lajes e não acontece noutros locais onde as operações aéreas, civis e militares, decorrem com normalidade. A diferença reside na total separação das duas valências, ou seja, pelas particularidades de uma e outra operação as infraestruturas, usando espaços comuns, estão efetivamente isoladas uma da outra. E é, no essencial, isto que não se passa nas Lajes. (...) 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Lusas emoções

Os irmãos Sobral (imagem retirada da internet)
Por razões e acontecimentos diversos foi um fim de semana pleno de emoções para os portugueses, não direi todos, todos. Mas tenho cá para mim que apenas um ou outro mais azedinho, sei lá, assim um cidadão como o Vasco Pulido Valente que escreve muito bem, para quem gosta, mas tem uma fonte inesgotável de bílis. Apenas portugueses como ele, felizmente são poucos, não terão vibrado como uma das tribos de portugueses que nos últimos dias teve motivos para se sentir satisfeito, direi mesmo orgulhoso. Nem sei como é que o Vasco Pulido Valente consegue manter sempre aquela má disposição que lhe turva o pensamento, ali só existe, o Eu, porque o Outro, ou é atoleimado ou, não sabe o que diz, ou é comuna, ou é um qualquer subproduto humano, segundo a conceção que o próprio tem dos seus semelhantes e do Mundo onde vive.
Nem tudo estará dito sobre Fátima, o Papa, o Benfica e o Euro Festival e outros acontecimentos sem a dimensão mediática destes, como por exemplo a vitória da equipa feminina de voleibol, que representou este ano os Açores, nos Jogos da Ilhas, ou o título de campeão regional de seniores, em andebol, conquistado pelo Marítimo Sport Clube (da Calheta de Pero de Teive, de Ponta Delgada) e, muitos outros acontecimentos e eventos que uniram pequenos grupos de portugueses. Nem tudo estará dito, mas não serei eu a acrescentar uma palavra que seja, pelo menos hoje, ao estado de graça que se instalou, no passado Domingo, em Portugal.
Pena hoje ser segunda-feira e a conquista do Euro Festival da Canção não ter dado direito a uma tolerância de ponto, bem que merecíamos. Foram muitas comoções juntas e vinha mesmo a calhar um dia para recuperar da ressaca emocional. Bem vistas as coisas, hoje nos locais de trabalho, sejam eles públicos ou privados, a produtividade deve cair para níveis pouco recomendáveis para um país que precisa é de produzir mais.

Na catedral da Luz (imagem retirada da internet)
Mal por mal fechava-se tudo para, com a tranquilidade que o momento merece, deglutir as emoções e este orgulho que transborda dos corações lusos, sejam benfiquistas ou não, sejam católicos ou não, acreditem ou não, gostem ou não gostem que o Salvador ame pelos dois. Acho que esta coisa de amar pelos dois tem qualquer coisa de platónico, ou mesmo de autossatisfação. Não tenho nada contra, nem ao Platão e, muito menos ao prazer solitário, embora considere o ato pouco satisfatório.

Como já perceberam também eu vibrei, não digo com o quê, mas quem me conhece bem saberá qual o motivo de, também, eu ter os níveis, da lusa autoestima, no topo da escala, ou seja, no vermelho. Não, não foi do tetra. Só mesmo depois do Benfica ser hectacampeão é que, enquanto benfiquista, valerá a pena festejar, até já o Sporting foi tetra campeão, é certo que foi nos anos 50 do século passado, mas para todos os efeitos já foi, e o Porto, mais recentemente, foi penta campeão, por conseguinte, quem leu Benfica ao invés de ler o que de facto está escrito precipitou-se e concluiu mal. Ali vermelho significa risco, assim como nos conta rotações dos automóveis, não é aconselhável entrar no vermelho.
Deixando de lado o tom algo jocoso e irónico do que leram até agora, e porque não tenho nada a esconder, direi que pulei de alegria com a vitória dos irmãos Sobral no Euro Festival da Canção, os motivos da minha satisfação nada têm a ver com qualquer motivo de ordem patriótica e, muito menos nacionalista. Os motivos da minha satisfação foram mesmo aquele poema, aquela música, aquela voz, aquela autenticidade, e a musicalidade da língua portuguesa.
Ponta Delgada, 14 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 15 de Maio de 2017

... das emoções

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017)  by  Madalena Pires





Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e, também, neste blogue






(...) Mal por mal fechava-se tudo para, com a tranquilidade que o momento merece, deglutir as emoções e este orgulho que transborda dos corações lusos, sejam benfiquistas ou não, sejam católicos ou não, acreditem ou não, gostem ou não gostem que o Salvador ame pelos dois. Acho que esta coisa de amar pelos dois tem qualquer coisa de platónico, ou mesmo de autossatisfação. Não tenho nada contra, nem ao Platão e, muito menos ao prazer solitário, embora considere o ato pouco satisfatório. (...)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Mistificações

Foto by Aníbal C. Pires
Aproxima-se o final da semana, e este por obra e graça, não dos videntes pastorinhos, mas da hipocrisia política, será um daqueles fins de semana prolongados. Prolongado só para os trabalhadores da administração pública central e regional pois, não podem os governos, e bem, imiscuir-se na atividade do setor privado.
A tolerância de ponto concedida para assinalar a vinda do Papa às celebrações do 13 de Maio, ou permitir a ida dos fiéis até à Cova de Iria, ainda não percebi muito bem a que fim se destina a tolerância de ponto concedida para sexta-feira, dia 12, mas isso também não é importante. A decisão foi tomada e certamente bem acolhida pela generalidade, senão mesmo pela totalidade dos trabalhadores que dela vão beneficiar.

Foto by Madalena Pires
Esta semana a sexta-feira é à quinta, e isso é fixe. E então se o S. Pedro for solidário e afastar as nuvens, sossegar o vento e faça a temperatura subir qualquer coisinha, então sim, vai valer a pena este bónus concedido pelos Governos da República e da Região Autónoma dos Açores, só por estes. Na Madeira o Presidente do Governo não arriscou a possibilidade real, segundo ele, do êxodo dos madeirenses e porto-santenses para irem a Fátima ver o Papa Francisco esgotar o plafond estadual que está alocado ao pagamento das indemnizações compensatórias, também conhecido por subsídio social de mobilidade, aos passageiros residentes naquela Região Autónoma.
Sei que a família política do Primeiro-ministro e do Presidente do Governo Regional dos Açores é diferente da do Presidente do Governo Regional da Madeira, mas não vou criticar qualquer das decisões, até porque a semana é curta e, quiçá para além de Fátima também vamos ter festa no Futebol, pelo menos é isso que é esperado pelos benfiquistas, julgo eu que de futebol não percebo nada. De Fado também não, mas gosto das novas sonoridades e abordagens que este género de música popular urbana foi assumindo.
Distraí-me e não devia. Hoje o que eu quero mesmo deixar referenciado é a passagem dos 72 anos do fim da II Guerra Mundial e tudo o que isso tem de significado para a Europa e para o Mundo. A tomada de Berlin pelo Exército Vermelho e a posterior capitulação incondicional da Alemanha perante os Aliados, assinala-se hoje, dia 9 de Maio. Capitulação ao fim de 6 longos, sangrentos e aterradores anos onde perderam a vida mais de 55 milhões de pessoas. Sim eu sei, também se assinala o dia da União Europeia, Sim também sei que na versão oficial é o dia da Europa. Mas a Europa é um pouco mais do que os 28 países que pertencem à União Europeia e o dia 9 de Maio relaciona-se diretamente com a conhecida “Declaração Shuman”, feita pelas 16h00, por Robert Shuman, a 9 de Maio de 1950, em Paris. Declaração que lançou as bases fundadoras do que é hoje a União Europeia, logo julgo ser abusivo designar este dia como o dia da Europa. Por outro lado, se tenho de celebrar alguma coisa, então a minha opção vai para a celebração do fim da II Guerra Mundial e da derrota do nazi-fascismo. E é contra o recrudescer do nazismo na Europa e no Mundo que devemos estar atentos e lutar.
Ponta Delgada, 09 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 10 de Maio de 2017

Pelos 72 anos da capitulação alemã

Hoje dia 9 de Maio de 2017, passam 72 anos da capitulação incondicional da Alemanha, desde logo, ao Comando do Exército Vermelho, forças armadas da União Soviética, que alguns dias antes tomou Berlin, e ao Comando militar dos Aliados. Nos primeiros dias de Maio de 1945 esta foi a imagem que simbolizou o fim da II Guerra Mundial. Um soldado do Exército Vermelho desfraldava uma bandeira da União Soviética no Reichtag, em Berlin.  
O mainstream europeu e mediático prefere comemorar o dia da Europa.
Comemoração que é uma mistificação pois, a Europa é mais um pouco, ou muito mais que os 28 países membros da União Europeia e mesmo estes 28 países representam várias faces da Europa unida. A Europa rica e que determina o rumo, a Europa subserviente ao diretório financeiro que domina as instâncias decisoras da União Europeia e a Europa submissa e dependente, a necessitar de uma desintoxicação da dependência dos fundos estruturais e de coesão.
O dia 9 assinala o dia da Europa porque, em 1950, Robert Shuman, Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, pelas 16h00, em Paris, tornou pública uma declaração que ficou conhecida com a “Declaração Shuman”, onde se lançaram as bases da União Europeia. É, assim, e em minha opinião, abusivo comemorar este dia como sendo o Dia da Europa, comemorem lá o Dia da União Europeia que a Europa, como já referi, é muito mais do que a União Europeia.

terça-feira, 9 de maio de 2017

... sexta à quinta

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires





Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e também neste blogue







(...) Esta semana a sexta-feira é à quinta, e isso é fixe. E então se o S. Pedro for solidário e afastar as nuvens, sossegar o vento e faça a temperatura subir qualquer coisinha, então sim, vai valer a pena este bónus concedido pelos Governos da República e da Região Autónoma dos Açores, só por estes. Na Madeira o Presidente do Governo não arriscou a possibilidade real, segundo ele, do êxodo dos madeirenses e porto-santenses para irem a Fátima ver o Papa Francisco esgotar o plafond estadual que está alocado ao pagamento das indemnizações compensatórias, também conhecido por subsídio social de mobilidade, aos passageiros residentes naquela Região Autónoma. (...)

A morte azul

imagem retirada da internet
As técnicas de controle sobre o comportamento humano não são de hoje, mas, ainda assim, não é fácil perceber como é que uma listagem de tarefas, de autoflagelação e sofrimento que culmina com o suicídio, controlado por uma figura virtual, possa ter ganho adeptos entre a população jovem, população que naturalmente tem uma enorme e indómita vontade de viver.
Os jogadores para concluir com sucesso a lista de tarefas têm de por fim à sua existência. Refiro-me, obviamente, ao jogo virtual denominado “Baleia Azul”, jogo que configura a antítese de qualquer desafio clássico. A “Baleia Azul é um paradoxo. Joga-se para ganhar e não para perder, e neste caso ganhar é perder um bem que não pode, em caso algum, ser restituído, A vida. Paradoxal ou não, a verdade é que esta lista de tarefas já foi concluída, com sucesso, por uns quantos jovens de vários países e continentes.
O seu criador e mentor foi detido, o que não impede, só por si, que o jogo não continue a proliferar e a fazer novas vítimas. As autoridades policiais e as famílias reforçam a vigilância sobre os potenciais aderentes a esta loucura que dá pelo nome de “Baleia Azul. Estas medidas preventivas são importantes e necessárias, mas não deixam de ser medidas paliativas e neste, como noutros casos importaria perceber porquê, Porque é que alguém adere a um comportamento autodestrutivo. Só identificando o que está na génese destes comportamentos contranatura se poderá eliminar o efeito que este jogo está a provocar.

Imagem retirada da internet
A toxicodependência, aqui entendida num sentido lato, é um comportamento autodestrutivo, Sim. Relações sexuais desprotegidas constituem um comportamento autodestrutivo, Também. Mas quer um, quer outro destes comportamentos trazem associado o prazer. A lista não se reduz apenas a estes dois exemplos. Corremos riscos pelo prazer, por um ideal, pelo sucesso, pela afirmação, pela vitória, por uma razão, mas nunca pelo sofrimento, ainda que a vida nos inflija algum. Mesmo sofrendo lutamos para viver, mesmo sofrendo lutamos para sobreviver, mesmo sofrendo lutamos para prolongar a vida, e isso constitui uma vitória, não nos superamos para acabar estupidamente com a vida de forma voluntária e prematura, isso é uma derrota irreparável.
Sofre e morre pela “Baleia Azul” quem não tem razões. E talvez seja o imenso vazio que preenche a vida de muitos jovens que dispõem de tudo, mas lhes faltam razões, que os torna tão permeáveis à indução virtual de comportamentos autodestrutivos.
A psicologia tratará de inventariar as patologias das vítimas, dessa enumeração resultará um perfil padronizado que permitirá identificar dos potenciais jogadores deste paradoxal desafio. Esta informação será amplamente difundida aos pais, aos educadores, à população alvo, às autoridades policiais, informação que sendo por demais importante não é, não deveria, nem pode ser tudo o que há a fazer sobre as causas que estão na origem da adesão ao jogo da “Baleia Azul”.
Ponta Delgada, 07 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 08 de Maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

... da morte como objetivo

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires





Excerto de texto a publicar na imprensa regional e também aqui, neste blogue






(...) Corremos riscos pelo prazer, por um ideal, pelo sucesso, pela afirmação, pela vitória, por uma razão, mas nunca pelo sofrimento, ainda que a vida nos inflija algum. Mesmo sofrendo lutamos para viver, mesmo sofrendo lutamos para sobreviver, mesmo sofrendo lutamos para prolongar a vida, e isso constitui uma vitória, não nos superamos para acabar estupidamente com a vida de forma voluntária e prematura, isso é uma derrota irreparável. (...)