sábado, 16 de junho de 2018

Fake world - crónicas radiofónicas

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Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105FM

Hoje fica o texto da crónica emitida a 17 de Março de 2018 que pode ser ouvida aqui





Fake world

Tenho andado a adiar esta conversa consigo. Não por qualquer receio de abordar o assunto, disse-lhe logo no início que aqui não havia lugar para tabus, e mantenho essa disposição.
Os motivos deste protelar são de vária ordem, desde logo, pelo pouco tempo que disponho para aprofundar o conhecimento sobre o assunto, trata-se de uma questão complexa que exige fundamentação para desconstruir, ou pelo menos tentar, as notícias e a opinião que nos é transmitida pelas corporações mediáticas, mas também pela difusão massiva nas redes sociais de relatos, apelos dramáticos, imagens (fotos e vídeos) de uma verdade construída. A realidade é bem diversa.
Ouve todos os dias nas rádios e televisões, desde Março de 2011, falar de uma guerra civil na Síria. Vê as imagens ouve os comentadores falarem da necessidade de por fim a um regime sanguinário e a um presidente déspota. A forma como a questão tem sido tratada sempre me causou impressão, uma má impressão. E por duas ordens de razão: a primeira porque nos relatórios sobre o Desenvolvimento Humano, produzidos anualmente pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), colocam a Síria numa posição invejável relativamente aos países árabes; a segunda, e isto não foi possível esconder, quem iniciou o processo de desestabilização na Síria foi o tal de Estado Islâmico, ou mais corretamente o DAESH, ou seja, um grupo terrorista de inspiração no fundamentalismo islâmico contra o qual o mundo civilizado luta. Outras razões não houvesse, e há, estas seriam suficientes para não aceitar, sem questionar, o que a comunicação social foi veiculando sobre o assunto ao longo destes anos.
Por outro lado, terá presente o processo iraquiano e líbio, isto para não lhe falar de outros que ficaram conhecidos pela Primavera Árabe, com os resultados que todos conhecemos, mas não só. Veja que este fenómeno não se estendeu a países com a Arábia Saudita, o Qatar, o Koweit, os Emirados Árabes Unidos e outros. Porquê. E quando no Bahrein se esboçou um destes movimentos primaveris logo as tropas sauditas trataram de lhe por fim. Como sabe estes estados a que me referi não são propriamente um exemplo de democracia. Para estes regimes, aqui é adequado a utilização do termo sim, os direitos humanos são uma coisa desconhecida.
Só estas dúvidas são suficientes para questionar o que lemos, ouvimos e visionamos, quer nas redes sociais, quer nos clássicos órgãos de comunicação social. Aliás, o escândalo da fuga de informação do Facebook, referenciada ontem, neste espaço, pelo Dr. Pedro Gomes, diz bem da dimensão da manipulação da informação e formatação da opinião mundial, fica apenas como um aparte. Um aparte que não é de somenos importância para o que lhe quero dizer, antes de terminar.
Quais são as principais fontes onde se fundam as notícias difundidas nas corporações mediáticas, chamadas de referência, e por quem são produzidas a maior parte das publicações nas redes sociais. Pois bem, já deve ter ouvido falar nos Capacetes Brancos e no Observatório Sírio dos Direitos Humanos. São estas duas organizações, a primeira fundada em finais de 2012 princípios de 2013 por um oficial da inteligência britânica e as suas fontes de financiamento são conhecidas, é só uma questão de ir verificar e, surpreenda-se. Os Capacetes Brancos só atuam nas zonas controladas pela Al-Nusra/Al-Qaeda, vá-se lá saber porquê. A outra fonte, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, tem a sua sede em Coventry, um bairro de Londres e é ali que forja as notícias sobre a questão síria. Para dos além Capacetes Brancos e do Observatório Sírio dos Direitos Humanos, cuja credibilidade há muito foi colocada em causa, as notícias emanam da NATO e dos bandos de terroristas estrangeiros que foram injetados na Síria depois da tomada da Líbia pelos radicais islâmicos promovidos e enquadrados pelos serviços da inteligência de alguns países que se arvoram em paladinos dos direitos humanos e de outros onde os direitos humanos não são respeitados. Que estranha aliança.
Esta nossa conversa pretende, tão-somente, deixar-lhe algumas questões para, se assim entender, refletir sobre elas e procurar informação alternativa às fake news (notícias falsas) que constroem representações de um fake world (mundo falso). E parecendo conceitos novos, a verdade é que há muito tempo são utilizados. Não são fruto das redes sociais. Construa a sua própria opinião e não se deixe ir na onda, por muito cómodo que isso seja
Volto no próximo sábado.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 24 de Março de 2018

quarta-feira, 13 de junho de 2018

A cimeira

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O Mundo está a tornar-se num lugar cada vez mais estranho, ou então serei eu que fico perplexo com o que poderá constituir uma normalidade para quem vê televisão e lê os principais títulos da imprensa. É bem possível que o problema seja meu pois, dispenso a televisão e costumo ler para lá da imprensa escrita.
Não posso dizer que não fiquei surpreendido com o encontro entre o Presidente dos Estados Unidos e o Presidente Coreia do Norte, desde logo pela disponibilidade de Donad Trump. Não era, para mim, expetável que uma personalidade como o atual Presidente dos Estados Unidos desse este passo. Para outros cidadãos talvez não seja assim e, este encontro se tivesse realizado exatamente pelas caraterísticas das controversas personalidades que o protagonizaram. Talvez, mas mais do que especular sobre os contextos e as perplexidades importa perceber se este foi, ou não, um passo decisivo para por um ponto final num conflito que dura já lá vão mais de 65 anos. Tenho algumas dúvidas e, veja-se só, as minhas reservas sobre o assunto não residem em Donald Trump, mas nos falcões do Pentágono e nos interesses do complexo militar/industrial dos Estados Unidos. Estranho, não é.
Fiquei surpreendido, mas depois da Declaração Panmunjom subscrita pela Coreia do Norte e pela Coreia do Sul, no passado dia 27 de Abril este encontro é, diria, uma decorrência natural neste conturbado processo. Por outro lado, as minhas dúvidas resultam, também, do histórico dos esforços de reconciliação empreendidos pelos governos da Coreia do Norte e da Coreia do Sul, ao longo de dezenas de anos, mas que as ingerências externas acabaram sempre por boicotar. Apesar do que já ficou dito a realização da Cimeira, ao mais alto nível, tem um significado político que não pode ser desvalorizado.
O Mundo espera, eu pelo menos alimento essa esperança, uma solução para este ameaçador conflito. Solução na qual se exige o respeito dos princípios da soberania e independência nacional, do direito do povo coreano a decidir dos seus próprios destinos, no caminho para a concretização da sua aspiração à reunificação pacífica da Coreia. Estes pressupostos implicam o fim das ingerências estrangeiras e das ameaças externas e, certamente, a desnuclearização e a desmilitarização da península coreana.
Que este é um desejo dos coreanos, do Norte e do Sul, é por demais sabido, aliás a designação de Coreia do Norte e Coreia do Sul não está correta, a designação oficial é República Popular Democrática da Coreia e República da Coreia. A designação não divide o que de alguma forma significa que a separação foi mais um dos artificialismos dos pós II Guerra Mundial, embora já durante o Século XIX o império russo e o império japonês tivessem tentado a divisão da Coreia em função das suas áreas de influência, o que nunca se concretizou tendo a Coreia ficado sobre o domínio do império japonês, desde 1910 até ao fim da II Guerra Mundial.

Ponta Delgada, 12 de Junho de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 13 de junho de 2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

... das perplexidades

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Hoje fica este fragmento do texto que amanhã será publicado na imprensa regional e também aqui, no blogue momentos





(...) Não posso dizer que não fiquei surpreendido com o encontro entre o Presidente dos Estados Unidos e o Presidente Coreia do Norte, desde logo pela disponibilidade de Donad Trump. Não era, para mim, expetável que uma personalidade como o atual Presidente dos Estados Unidos desse este passo. Para outros cidadãos talvez não seja assim e, este encontro se tivesse realizado exatamente pelas caraterísticas das controversas personalidades que o protagonizaram. Talvez, mas mais do que especular sobre os contextos e as perplexidades importa perceber se este foi, ou não, um passo decisivo para por um ponto final num conflito que dura já lá vão mais de 65 anos. Tenho algumas dúvidas e, veja-se só, as minhas reservas sobre o assunto não residem em Donald Trump, mas nos falcões do Pentágono e nos interesses do complexo militar/industrial dos Estados Unidos. Estranho, não é. (...)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Não é a pátria, É o povo

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Tenho de confessar que alguns comentários e escritos sobre as comemorações do dia 10 de Junho me incomodaram. Não porque o meu sentimento patriótico tivesse sido beliscado, nada disso, mas pela superficialidade da opinião e da crítica que foi sendo divulgada nas redes sociais e do que fui ouvindo nas ruas, não dos residentes, mas de alguns turistas vindos do continente. Tipicamente português, como está por aí descrito por alguns cientistas sociais e filósofos lusos.
Não vou perder tempo com o assunto somos assim e pouco, ou mesmo nada há a fazer. Eu pelo menos não estou disponível para sequer tentar contrariar a alienação que continua a produzir cidadãos incapazes de perceber que o problema não são as forças armadas, o problema é o desenho das políticas de defesa nacional.
Podem considerar esta como uma desistência, este povo tem o país que escolheu e não o seu contrário, afinal o poder de transformar reside no povo e não nas instituições. Se o povo se demite do seu papel transformador só pode queixar-se de si mesmo. O que em última instância significa que as instituições não são mais do que o espelho do povo que somos. E não é de agora, é de sempre. Há uma ou outra exceção ao longo da nossa história, mas qualquer delas não perdurou e tudo voltou à santa paz do senhor.

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Mas se o sentimento patriótico não se manifestou pelo 10 de Junho, está prestes a eclodir com o início do mundial de futebol, isto se a coisa correr de feição e a seleção vier a obter resultados, porque se assim não for as bandeiras serão rapidamente recolhidas e o sentimento irá rapidamente focar-se nas tricas futebolísticas internas, aliás onde somos verdadeiros especialistas a julgar pela quantidade de programas informativos sobre o tema.
Os agricultores franceses vão bloquear as refinarias que vão importar óleo de palma para a produção de biodiesel. Estou de acordo com os agricultores franceses, desde logo porque a utilização maciça de óleo de palma para a produção de biodiesel não é tão amiga do ambiente como à primeira vista parece, mas a preocupação dos agricultores franceses nem sequer é ambiental, é mesmo para defenderem as suas produções, ou seja, as refinarias que produzem biodiesel têm utilizado óleo de colza produzido em França que agora pretendem substituir pelo óleo de palma.
Perguntará o leitor, A que propósito vem a luta dos agricultores franceses quando estamos a falar do povo português. Tem tudo a ver caro leitor, Em Portugal essa mobilização nunca seria possível. É por isso que em França a idade da reforma é aos 60 anos e em Portugal vai aumentando todos os anos. Em França também tentaram, mas os franceses vieram para rua, mobilizaram-se, uniram-se e saíram vitoriosos. Os portugueses desistem antes do fim, desistem antes de confirmar se conseguem chegar à bola antes dela sair pela linha de fundo.
Não é a pátria, É um povo moldado por uma história mal contada.
Ponta Delgada, 10 de Junho de 2018

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 11 de Junho de 2018

... das inquietações

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Excerto de texto a publicar na imprensa regional e, também, no blogue momentos.







(...) Não vou perder tempo com o assunto somos assim e pouco, ou mesmo nada há a fazer. Eu pelo menos não estou disponível para sequer tentar contrariar a alienação que continua a produzir cidadãos incapazes de perceber que o problema não são as forças armadas, o problema é o desenho das políticas de defesa nacional. 
Podem considerar esta como uma desistência, este povo tem o país que escolheu e não o seu contrário, afinal o poder de transformar reside no povo e não nas instituições. Se o povo se demite do seu papel transformador só pode queixar-se de si mesmo. O que em última instância significa que as instituições não são mais do que o espelho do povo que somos. E não é de agora, é de sempre. Há uma ou outra exceção ao longo da nossa história, mas qualquer delas não perdurou e tudo voltou à santa paz do senhor. (...)

sábado, 9 de junho de 2018

Marielle, a última de uma longa lista - crónicas radiofónicas

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Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105FM

Hoje fica o texto da crónica emitida a 17 de Março de 2018 que pode ser ouvida aqui






Marielle, a última de uma longa lista

A comunicação social nacional não noticiou, em devido tempo, o assassinato, no passado dia 14 de Março de Marielle Franco. Nas edições do dia 16 já não faltavam crónicas, opiniões, notícias e notas biográficas sobre a ativista política de esquerda que era vereadora do Rio de Janeiro eleita pelo PSOL, Partido Socialismo e Liberdade. As redes sociais têm destas coisas, passadas algumas horas de serem inundadas com a notícia seria incompreensível para a opinião pública nacional que os jornais, as rádios e as televisões continuassem a fazer de conta que aquela tinha sido apenas mais uma morte violenta, na violenta cidade do Rio de Janeiro e, como tal, o melhor era mesmo “passar ao lado” para não colocar em causa o regime brasileiro, que como se sabe tem um presidente não eleito em resultado de um golpe palaciano que destituiu a presidente eleita pelo povo brasileiro.
As alusões ao assassinato de Marielle Franco e de Anderson Pedro Gomes, motorista da viatura onde também seguia Fernanda Chaves, assessora de imprensa da vereadora carioca, e que ficou ferida sem gravidade, mas, como dizia, as menções da comunicação social nacional, com exceção de algumas crónicas de opinião, destacam os atributos e notas biográficas de Marielle, o seu percurso de vida, a sua militância política à esquerda, referem, era de todo impossível não o fazer, o óbvio, ou seja, que se terá tratado de uma execução perpetrada por milícias, provavelmente ligadas à polícia militar, as munições utilizadas assim o indiciam, mas obliteram tudo o que pode ligar este hediondo crime ao regime brasileiro e à luta contra o golpe que guindou para o poder os lacaios dos poderosos.
Marielle Franco era uma referência da luta contra a violência que acabou por lhe por fim à vida. Em Fevereiro tinha sido nomeada relatora da comissão que investigava a violência policial e militar no Rio de Janeiro. Esse terá sido o móbil da sua execução.

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O assassinato desta líder não é caso único, Marielle é a última de uma longa lista de 24 lideres e ativistas políticos e sindicais que, desde de 2014, para não ter de recuar ainda mais no tempo, foram assassinados em diferentes zonas do Brasil.
Todos estes líderes e ativistas políticos e sindicais foram mortos por se terem destacado na luta em defesa das suas comunidades, dos trabalhadores e das populações que representavam.
Não vou ler os nomes desta longa lista, mas sempre lhe direi que 2 dias antes do assassinato de Marielle Franco, ou seja no dia 12 de Março, foi assassinado Paulo Sérgio Almeida Nascimento, líder comunitário no Pará. Paulo Nascimento era um dos líderes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazónia. Segundo a Polícia Civil, ele foi alvejado por disparos efetuados do exterior de sua casa, na cidade de Barcarena. Paulo Nascimento e a organização a que pertencia mantinham uma luta contra a refinaria Hydro Alunorte, responsável pelo despejo de detritos tóxicos na bacia hidrográfica da sua região.
Preferia conversar consigo sobre um outro qualquer assunto, mas estes atos de terrorismo não podem ser ignorados. Sim é de terrorismo que se trata, ainda que a comunicação social não trate este assunto como tal, mas não é por isso que o assassinato de Marielle e de todos os outros ativistas não se constituem como atos de terrorismo.
Fique bem, eu regresso no próximo sábado.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 17 de Março de 2018

domingo, 3 de junho de 2018

Da mulher - crónicas radiofónicas

Do arquivo pessoal - Madalena Pires no cume do Pico

Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105FM

Hoje fica o texto da crónica emitida a 10 de Março de 2018 que pode ser ouvida aqui




Da mulher

Por estes dias assinalou-se o Dia Internacional da Mulher. Sabe-se qual o dia, 8 de Março, e não outro, bem como conhecidas são as razões, julgo eu, porque se recorda este dia.  Apesar de, face a alguns discursos, comentários e, sobretudo, atitudes que começam a instituir-se me levantem algumas dúvidas sobre a consciência histórica, social e política do que está na origem do Dia Internacional da Mulher, mas sobretudo pela necessidade de, em pleno século XXI, manter um dia dedicado à mulher, ou melhor à luta das mulheres.
Mas vamos partir do pressuposto que não é o seu caso e, portanto, não vou repetir-lhe os dados históricos, nem as estatísticas que comprovam a desigualdade de género e que justificam que o calendário continue a registar este dia de luta.
Uma luta que não é exclusiva das mulheres. Estas como outras lutas não têm género, é uma contenda pela dignidade humana.
Quero que todos os dias e todas as mulheres sejam felizes, mas não me parece adequado desejar um Feliz Dia da Mulher, seja à minha companheira, à minha colega de profissão, às minhas filhas, ou a qualquer mulher no Dia Internacional que lhes é dedicado. A resposta a este voto pode muito bem ser, Deixa-te de tretas levanta-te e luta comigo.
O pensamento dominante e os seus servidores arranjam sempre expedientes para formatar as consciências dos mais incautos e, em relação às mulheres e às suas lutas, esta frase que é bastamente conhecida talvez seja o paradigma disso mesmo. Quem não conhece e reconhece como sendo de valorização das mulheres a seguinte frase: - Atrás de um grande homem (burguês) há sempre uma grande mulher.

Foto arquivo pessoal - Madalena Pires (MIUT 2018) 
Acha que sim, Tudo bem. Mas concordará comigo que esta formulação remete a mulher para o papel que ancestralmente lhe destinaram. Digamos que é um pensamento um pouquinho retrógrado e que visa perpetuar o ascendente masculino, Diz que não.
Então veja lá esta outra formulação: - Atrás de um grande homem (revolucionário) não existe nada, pois a sua companheira luta ao seu lado.
Tem de reconhecer que existe alguma diferença entre as duas frases, mas a diferença não é apenas de sintaxe, a diferença é significativa e traduz pensamentos e posicionamentos distintos. A escolha é sua. 
Vou terminar com um pequeno poema que escrevi, na cidade da Horta, no dia 8 de Março de 2015, e que traduz um pouco do que penso e como me posiciono em relação a estas questões.

Lado a lado

É um dia
Como são outros, todos os outros
Dias de luta
Contra a indignidade
Que discrimina
A filha, a irmã, a mãe
A companheira, a amiga
Este teu dia, Mulher
Celebra velhas e ganhas contendas
Este teu dia, Mulher
É mais do que recordar
É mais do que celebrar
É um dia
Como são outros, todos os outros
Dias de luta
Pela liberdade do teu sorriso
Por um brilho no teu olhar
Caminho ao teu lado
Lutando contra a indignidade
Que te aprisiona o sorriso
Que te entristece o olhar
………………………

Fique bem, Eu volto no sábado.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 10 de Março de 2018

Marina Ginesta - a abrir Junho






Porque bonitas são as mulheres que lutam.
Marina Ginesta a abrir o mês de Junho no momentos

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Cativos do monopólio

Foto by Aníbal C. Pires
A juntar a todas questões sociais e económicas que decorreram da alteração do paradigma do uso da Base das Lajes, na ilha Terceira, e aos custos de oportunidade perdida pela sua presença, ou seja, a utilização daquela infraestrutura militar induziu no poder regional a justificação para a não necessidade de encontrar alternativas, em tempo útil, para a economia terceirense. Quando era por demais evidente que mais tarde ou mais cedo, sem abdicarem do seu uso, os Estados Unidos iriam alterar a sua permanência, quer em termos da dimensão do seu contingente militar, quer ainda ao nível das condições oferecidas aos militares estado-unidenses que ali fazem comissões de serviço.
A tecnologia por um lado e a deslocalização do foco da sua atenção sobre o domínio geopolítico e estratégico e, por outro lado, não menos importante o facto de Portugal ser um membro da NATO e ter, por essa condição, de contribuir para o esforço de guerra desta aliança militar que, na sua génese era defensiva, mas que depois da intervenção na antiga Jugoslávia passou, de forma clara e sem rodeios a ser uma organização militar ofensiva, com os resultados nefastos que se conhecem.

Foto Aníbal C. Pires
Mas se a economia e o tecido social terceirense sofreu um duro golpe com este “abandono”, outro se tem estado a preparar, e não é de agora.
Lembro-me de, já lá vão uns anos, em reuniões que mantive com a Associação Agrícola da Ilha Terceira, mas também com a Câmara do Comércio de Angra ter sido alertado para um problema que a verificar-se seria, esse sim, uma grande calamidade para a Ilha Terceira. A crise na fileira do leite.
E a preocupação nem sequer se centrava na liberalização do mercado, como veio a acontecer com o fim das quotas. A preocupação centrava-se no monopólio da indústria de transformação, a PRONICOL. Empresa do grupo LACTOGAL que detém a maioria do capital social da PRONICOL, sendo que a UNICOL (cooperativa de produtores) detém apenas 49% da indústria de transformação de leite. Relação que deixa os produtores terceirenses prisioneiros de uma estratégia industrial que não serve a produção terceirense pois, tem associada a desvalorização de uma matéria prima de elevada qualidade e a consequente desvalorização do preço pago pelo leite entregue à monopolista PRONICOL.
Não sendo uma novidade, a verdade é que esta situação começa a afetar de forma dramática os produtores de leite da Terceira e coloca em causa um setor estruturante da economia da ilha.
Os produtores estão manietados pela gestão da PRONICOL e pela inércia dos seus representantes na UNICOL. Os poderes públicos não podem ficar, como têm estado, indiferentes a este drama, sob pena de mais mês menos mês, mais ano menos ano, haver necessidade de um segundo PREIT. E como sabemos não é com PREITs que lá vamos, e o Turismo será sempre complementar.

Ponta Delgada, 29 de Maio de 2018

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 30 de Maio de 2018

terça-feira, 29 de maio de 2018

... dos alertas

Foto by Aníbal C. Pires






Hoje fica este fragmento do texto que amanhã será publicado na imprensa regional e também aqui, no blogue momentos







(...) Mas se a economia e o tecido social terceirense sofreu um duro golpe com este “abandono”, outro se tem estado a preparar, e não é de agora.
Lembro-me de, já lá vão uns anos, em reuniões que mantive com a Associação Agrícola da Ilha Terceira, mas também com a Câmara do Comércio de Angra ter sido alertado para um problema que a verificar-se seria, esse sim, uma grande calamidade para a Ilha Terceira. A crise na fileira do leite.
E a preocupação nem sequer se centrava na liberalização do mercado, como veio a acontecer com o fim das quotas. A preocupação centrava-se no monopólio da indústria de transformação, a PRONICOL. (...)