terça-feira, 25 de abril de 2017

Ler ou não ler, Eis a questão

Foto by Aníbal C. Pires
Por resolução da UNESCO o dia 23 de Abril, data da morte de Cervantes e Shakespeare, é consagrado ao livro. Para os amantes da leitura o Dia Mundial do Livro é apenas mais um dia com livros, como são todos os outros dias de viajem pelas palavras. Ler é uma escolha, uma opção. Mas ler é, sobretudo, um prazer. Um prazer indiscritível.
Pode o leitor estar descansado que não vou fazer a apologia dos benefícios e da importância da leitura. Podia e, sendo professor, talvez devesse fazê-lo, mas não vou por aí. A lista está elaborada é longa e conhecida, e está, sem dúvida, completa. Cada um fará livremente a escolha que mais lhe aprouver. Opção que quem sabe ler pode fazer porque há quem não tenha o direito de escolher entre ler e não o fazer.
O que me preocupa é que há quem não pode optar, entre ler e não ler. Porque há, ainda, quem o não saiba fazer. Há os que juntam letras para soletrar palavras, e outros nem mesmo isso. E estes, quer uns quer outros, não podem optar, alguém já optou por eles e remeteu-os para um estado de privação.  Privação de um direito que devia ser universal, devia ser de todos. E não, não estou a exagerar, lido diariamente com quem só sabe soletrar palavras ou, nem mesmo isso, mas que ficam encantados quando ouvem ler textos poéticos. Textos de autores como Antero de Quental, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen ou, de Vinícius de Moraes. É estranho, dirão, Pois é, eu também achei, mas foi o que constatei, e constato a cada dia em que essa experiência se repete. Se isto tem significado, tê-lo-á. Não me cabe a mim descodificar esse comportamento, deixo isso para quem o possa fazer com a devida sustentação científica.

Foto by Aníbal C. Pires
Como cidadão e docente incomoda-me a opção de quem é detentor de uma competência, neste caso a leitura, e não a exerça, e se deixe invadir por leituras que não são as suas, invasão feita massivamente pela linguagem audiovisual. Comunicação que sendo, quase sempre, servida pronta a consumir é, também, por isso, mas não só, que tem muito mais consumidores que a comunicação escrita.
Como cidadão e docente incomoda-me de sobremaneira que outros cidadãos continuem impedidos de aceder à comunicação escrita, à leitura. Impedidos de fazer uma opção porque não são detentores dessa competência. Por responsabilidade própria, Talvez. Mas as estórias de vida são diversas e as responsabilidades divididas e, por consequência, não me cabe a mim, nem a ninguém, fazer generalizações e atribuir responsabilidades individuais quando existem um conjunto de variáveis que escapam ao controle do indivíduo. E assim é quando falamos de crianças e jovens, alguém optou por eles e os encaminhou para uma situação de injustiça que os priva de aceder ao saber e ao conhecimento.
A responsabilidade é, mais do que individual, coletiva. É aos pais, à escola, à comunidade ao poder político que cabe prover as condições para que nenhuma criança fique privada do direito à educação e ao sucesso.
Uma nota final, mas não à margem, sobre a realização, nos dias 20, 21 e 22 de Abril, em Ponta Delgada, do Fórum do Livro. Esta iniciativa da Publiçor e da sua chancela editorial Letras Lavadas, inserida nas comemorações do aniversário do grupo empresarial Nova Gráfica, assinalou de forma inédita e louvável o Dia Mundial do Livro. Esta iniciativa teve lugar na Biblioteca Pública e Arquivo Regional e juntou livreiros, editores, autores, críticos literários e muitos leitores. Foi uma excelente forma de comemorar o Dia Mundial do Livro e só posso endereçar os meus agradecimentos, enquanto leitor, aos organizadores do Fórum do Livro.
Ponta Delgada, 23 de Abril de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 24 de Abril de 2016

domingo, 23 de abril de 2017

...das opções

Foto by Aníbal C. Pires







Excerto de texto a publicar amanhã na imprensa regional e aqui neste blogue








(...) Pode o leitor estar descansado que não vou fazer a apologia dos benefícios e da importância da leitura. Podia e, sendo professor, talvez devesse fazê-lo, mas não vou por aí. A lista é longa e conhecida, e está, sem dúvida, completa. Cada um fará livremente a escolha que mais lhe aprouver. Opção que quem sabe ler pode fazer porque há quem não tenha o direito de escolher entre ler e não o fazer. (...)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

140 carateres

Imagem retirada da internet
A informação regional tem sido, ela própria, comentada e objeto de alguns escritos de opinião o que pode indiciar a necessidade de refletir sobre o seu atual estado. As dificuldades empresariais são conhecidas, apesar dos apoios públicos, faltam os assinantes e a publicidade que garante receita. A concorrência das plataformas eletrónicas que suportam as redes sociais, é um facto indesmentível. A notícia produzida em direto pelos cidadãos que possuem um smartphone é, também, concorrencial. A escassez de recursos humanos nas redações e a precariedade das relações laborais no setor, condicionam a produção de conteúdos e a qualidade da informação. O Gabinete de Apoio à Comunicação Social, sob a égide e controle do Governo Regional, constitui uma outra dimensão do problema que afeta a comunicação social na Região.
A comunicação social enfrenta um conjunto de dificuldades que pode levar, a prazo, ao encerramento de alguns dos títulos da imprensa regional e, num cenário mais catastrófico ao encerramento de algumas das rádios locais. Cenário que não é desejável, mas que se nada for alterado não está, de todo, afastado da realidade.
Mas se da crise que se abateu sobre a Região e o País resultam algumas das dificuldades que pendem sobre os órgãos de comunicação social privados, não serão estas as principais dificuldades que o setor enfrenta.

Imagem retirada da internet
Um crescente número de cidadãos, quiçá os mais informados, não se revê no imediatismo da informação que é difundida pela clássica comunicação social, informação que leva à proliferação das fake news e, muito menos, na informação produzida com base nas notas de imprensa que chegam às redações provenientes dos gabinetes de imprensa das instituições, organizações e empresas.
Ir ao sabor da corrente e seguir modelos que não se adequam ao que se espera da informação, seja escrita ou audiovisual, só pode ter efeitos nefastos. Efeitos talvez mais destrutivos que os da anemia económica que resultou da crise e que, sem dúvida, afetou profundamente as empresas privadas de comunicação social.
Nem o diagnóstico se confina ao que já disse atrás, nem tenho a pretensão de ser detentor de soluções ou verdades absolutas, contudo, tenho opinião sobre o assunto e preocupo-me, pois não gostaria de assistir ao fim de mais títulos da imprensa regional. Todos ficamos mais pobres quando encerra um jornal ou deixa de ser emitido o sinal de uma rádio local.
A comunicação social precisa reganhar a credibilidade e ao mesmo tempo coexistir, sem competir, com a plataforma dos 140 carateres. Mas também não pode ter como principal fonte de informação o Twitter, deixemos isso para Donald Trump, ou o Facebook, fontes de informação quantas vezes oriunda em perfis falsos e cujos objetivos são diversos, mas quase sempre perversos.
A comunicação social impressa, radiofónica e televisiva tem de encontrar o seu espaço próprio e um novo paradigma que seja distintivo do imediatismo abreviado das redes sociais.
Ponta Delgada, 17 de Abril de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 19 de Abril de 2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

A Vitorino Nemésio está a necessitar de cuidados








Que a Educação na Região não tem alocado financiamento que assegure, por exemplo, a formação de professores, É sabido desde que essa competência passou a ser das Escolas, ou seja, a SREC demitiu-se da obrigação, transferiu-a para as Unidades Orgânicas, mas não lhes alocou os recursos financeiros para o efeito.










Mas a exiguidade dos recursos financeiros disponíveis para o setor da educação manifesta-se, também, noutros aspetos igualmente importantes.
Vejam-se alguns pormenores do mau estado em que se encontram as instalações da Secundária Vitorino Nemésio, na Praia da Vitória. As fotos não têm qualidade gráfica, mas nem por isso deixa de se perceber que alguma coisa tem de ser feita. E não acredito que seja incúria do Conselho Executivo da Escola.





Espera-se que a SREC deixe a propaganda e cuide do património escolar, também ajuda ao sucesso.

Celebrar 175 anos do nascimento de Antero de Quental

Pormenor das ilustrações - foto by Aníbal C. Pires
A Associação de Antigos Alunos do Liceu Antero de Quental e a Artes e Letras, com o patrocínio da Câmara Municipal de Ponta Delgada (CMPD), assinalou hoje o 175.º do nascimento de Antero de Quental com o lançamento do livro As Fadas, poema de Antero escrito para o Tesouro Poético da Infância. O livro é ilustrado por alunos da Escola Secundária Antero de Quental, sendo a conceção gráfica da professora Nina Medeiros. À professora Maria João Ruivo fica a dever-se o texto introdutório e a apresentação do livro na sessão pública que decorreu hoje no Salão Nobre da CMPD. A impressão tem a marca de qualidade a que a Nova Gráfica já nos habituou.


Pormenor das ilustrações - foto by Aníbal C. Pires
As Fadas

As fadas… eu creio nelas!
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar…
Umas vivem nos rochedos,
Outras, pelos arvoredos,
Outras, à beira do mar…

Algumas em fonte fria
Escondem-se, enquanto é dia,
Saem só ao escurecer…
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder…

(...)

... da credibilidade






Excerto de texto a publicar na imprensa regional e neste blogue






(...) A comunicação social precisa reganhar a credibilidade e ao mesmo tempo coexistir, sem competir, com a plataforma dos 140 carateres. Mas também não pode ter como principal fonte de informação o Twitter, deixemos isso para Donald Trump, ou o Facebook, fontes de informação quantas vezes oriunda em perfis falsos e cujos objetivos são diversos, mas quase sempre perversos. (...)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Segundo Hollywood

Imagem retirada da internet
A tensão internacional atingiu, na passada semana, um nível de risco muito elevado e, o perigo mantém-se. Os riscos de um conflito mundial, desta vez, com recurso a armamento não convencional são reais. Dizer que este cenário se deve à controversa personalidade que preside à administração estado-unidense, é redutor. Há outros atores e uma situação complexa, mas atentemos apenas às ações que os Estados Unidos desencadearam recentemente.
O poder e o poderio militar dos Estados Unidos não residem apenas no presidente. As decisões militares estão protocoladas e, não sendo propriamente resultado de uma decisão coletiva, não dependem de um homem só. Por outro lado, a atuação dos Estados Unidos nos recentes ataques à Síria e ao Afeganistão contraria o discurso antissistema feito por Donald Trump durante a sua campanha eleitoral, ou seja, este não é um comportamento esperado. As ações bélicas dos Estados Unidos enquadram-se no tal sistema do qual Trump se procurou demarcar durante a campanha eleitoral. Ou Donald Trump encenou toda a sua campanha eleitoral, ou o sistema já o recrutou.
Quanto às ameaças e à mobilização de meios no que à questão coreana diz respeito, não separo o Norte do Sul porque considero que o problema diz respeito a todos os coreanos, trata-se da habitual encenação anual, desta vez com um discurso mais radical, mas que o arsenal nuclear coreano tem evitado que se passem das palavras à ação.
Não é a primeira vez que teço algumas considerações sobre o atual Presidente dos Estados Unidos e, numa leitura mais superficial, poderá parecer que existe alguma identificação política com o que ele pensa e defende. Nada disso. O que procuro fazer é uma reflexão sobre a realidade face ao conhecimento que disponho, que não é muito aprofundado, da política externa e interna dos Estados Unidos, da história mundial, da geografia política e económica e, dos poderes que verdadeiramente determinam as decisões políticas estado-unidenses. Apenas isso, o que já não é pouco.
A sociedade estado-unidense foi construída e alimentada com base em representações de sucesso individual. Esta construção social produz algumas distorções da realidade e induz, dentro e fora dos Estados Unidos, leituras e análises que reduzem factos construídos por grupos a atos puramente individuais. Tenho algumas dúvidas que os assassinatos de John Kennedy, do seu irmão Robert e, de Martin Luther King tenham sido planeados e executados apenas pelo seu autor material. Outros exemplos se podem aduzir aos anteriores como seja o atentado terrorista contra edifício do FBI em Oklahoma City. Encontrado um responsável a opinião pública descansa sobre o assunto e não faz mais perguntas. Simples.
Mas os Estados Unidos na sua saga de promoção da atomização produzem também super-heróis, os da banda desenhada e os do cinema. Com ou sem superpoderes todos conhecemos as histórias de um homem só a resolver os problemas que dizem respeito a todos na eterna luta do bem contra o mal. Todos nós consumimos, em determinado momento das nossas vidas, essa doutrina da qual não é fácil libertarmo-nos.

George Clooney e Amal Alamuddin - imagem retirada da internet 
George Clooney não é um desse super-heróis a quem me refiro, mas é uma figura de referência, diria mundial e, sem dúvida, um excelente ator. E, pensava eu, um cidadão bem informado, esclarecido e imparcial. Mas eis que se deixou enredar pela propaganda, não do café, mas da autointitulada Defesa Civil da Síria cuja face mais visível são os White Helmets, uma das duas organizações presentes no cenário de guerra e ao lado dos terroristas que procuram derrubar o governo legítimo da Síria. A outra organização é o Observatório Sírio de Direitos Humanos, quer uma quer outra são organizações não governamentais financiadas pelos Estados Unidos e Inglaterra, de entre outros países. Sobre o papel, o alinhamento e as ligações destas duas organizações ao Daesh e aos seus apêndices existem muitas e diversas provas, mas isso não impede Clooney de apoiar os White Helmets, para o qual propõe a atribuição do Prémio Nobel da Paz, e, talvez na sequência do documentário de curta metragem que este ano venceu o Óscar dessa categoria, Clooney tenha anunciado a intenção de, em conjunto com a sua esposa Amal Alamuddin, produzir um filme sobre os White Helmets. Filme que fará a apologia deste grupo que não pode deixar de ser considerado um aliado do fundamentalismo islâmico. Lamentável.
E assim vai caminhando o Mundo com rumo traçado por Hollywood.
Ponta Delgada, 16 de Abril de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 17 de Abril de 2017

... da atomização

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2015) by Catarina Pires





Excerto de texto publicado hoje na imprensa regional e que mais tarde será disponibilizado neste blogue






(...) A sociedade estado-unidense foi construída e alimentada com base em representações de sucesso individual. Esta construção social produz algumas distorções da realidade e induz, dentro e fora dos Estados Unidos, leituras e análises que reduzem factos construídos por grupos a atos puramente individuais. Tenho algumas dúvidas que os assassinatos de John Kennedy, do seu irmão Robert e, de Martin Luther King tenham sido planeados e executados apenas pelo seu autor material. Outros exemplos se podem aduzir aos anteriores como seja o atentado terrorista contra edifício do FBI em Oklahoma City. Encontrado um responsável a opinião pública descansa sobre o assunto e não faz mais perguntas. Simples. (...)

domingo, 16 de abril de 2017

... da redundância

Imagem retirada da internet

Fragmento de texto publicado na imprensa regional em Maio de 2006



(...) Aos cidadãos, não digo às cidadãs e aos cidadãos, talvez porque não seja tão inovador, moderno e criativo como outros ou, talvez, porque não seja necessária a redundância para incluir os géneros. Tenho de verificar se isto é cientificamente correto porque, politicamente é, de certeza, incorreto. (...)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Da escola, do ensino, da cultura


Educar para a cultura

Ver, ouvir, sentir, desconstruir, criar, recriar, aprender a aprender com liberdade, construindo e reconstruindo percursos de aprendizagem a caminho do saber e da cultura que transformam e libertam o Homem.

Aníbal C. Pires, 05 de Dezembro de 2006