terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Feliz Ano Novo



Novo ano, novo tempo

É o tempo
De louvar o velho
É o tempo
De renovar a esperança
E o tempo, esse tempo
É hoje
Presente, passado e futuro
Enleados
Com o olhar no tempo vindouro 
Sem olvidar
O tempo passado 

Hoje
É o tempo
Onde o passado, o presente e o futuro
Num fátuo momento se enlaçam
Para logo se apartarem
Efémero abraço esse, o do tempo
Passado, presente e futuro

Nesta fronteira do pretérito e do porvir
Celebremos o futuro
Com o passado presente

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 31 de Dezembro de 2013

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O ciclo está a terminar


A crise aproxima-se do seu fim e o Mundo acabou. Acabou tal como o conhecemos nas últimas décadas e, a crise já cumpriu o essencial do seu papel. Isto até parece uma má e uma boa notícia. Lamento mas não são, nem boas nem más notícias e o fim da crise e do Mundo, como o temos vivido, são uma e a mesma coisa, não são duas.
Também não é nenhuma premonição e muito menos um voto para 2014, é tão-somente uma constatação, ainda que sem fundamento científico ou empírico. Especulação, Sim talvez ou, mesmo um devaneio provocado pelos indicadores disponíveis e não por qualquer alucinogénio. Seja lá o que for, para o caso não interessa pois esta é uma crónica do quotidiano, publicada em tribunas livres. É uma opinião livre mas alinhada, comprometida com a humanidade e com a defesa das construções sociais conquistadas ao longo de muitos séculos de luta contra o domínio de um grupo humano sobre outros.
Quando digo que o Mundo acabou não me refiro a nenhum fenómeno do tipo apocalíptico bíblico mas ao cataclismo que está a afetar e a transformar as nossas vidas. O fim dos direitos sociais, sim esses que foram conquistados com luta e, um retrocesso de décadas com o roubo dos salários, o aumento dos impostos, as limitações no acesso à educação e à saúde, o aumento da idade da reforma, as alterações ao regime da segurança social, as limitações aos tempos de descanso e de férias, o aumento dos horários de trabalho. 
As transformações são brutalmente dramáticas pelo que de materialmente significam mas, sobretudo pelos efeitos sociais e culturais que produzem. Para generalidade dos jovens é dado aceite a insegurança no trabalho, traduzido em trabalho temporário e a recibos verdes, os seguros de doença e os planos de reforma, vendidos pelas instituições financeiras, assim como aceite está a formulação da falência do estado social e a supremacia da liberalização e dos mercados. Mas não são só os jovens a “acomodarem-se” também na minha geração se foi enraizando esta ideia, ouço dizê-lo mas sobretudo constato-o pela inércia que lhes tolhe a ação, que os impede de voltarem a lutar por aquilo que ajudaram a construir.
Quando afirmo que a crise está a chegar ao fim, será anunciada um destes dias, fundamento essa afirmação no facto dos seus objetivos estarem praticamente todos alcançados. A desregulação das leis laborais, a diminuição brutal dos custos do trabalho, a liberalização dos mercados, as privatizações, ainda faltam algumas, e a paridade, no financiamento dos sector público e privado, na saúde, educação e segurança social, tudo em nome da liberdade individual para escolher, pois está claro.
Tudo isto me entristece, tudo isto me perturba. Gosto do meu país, gosto do meu Povo, Povo de onde nasci, mas por vezes o desespero toma conta de mim e, pergunto-me como é possível tamanha passividade, como é possível esta forma de ser e estar. Percebo, ou pelo menos esforço-me por compreender esta vocação para a submissão mas, custa-me assistir à apatia da generalidade dos meus concidadãos perante a privatização da EDP, dos CTT, da ANA ou do grupo segurador da CGD, ou outras que se desenham no horizonte, como seja o caso da TAP.
Perturba-me e entristece-me mas é, também aí, junto do meu Povo, que busco alento e energia para continuar a lutar pela afirmação de uma alternativa à barbárie que assola o Mundo, a lutar pela afirmação dos direitos contra a servidão para onde, os lacaios dos oligopólios financeiros remeteram os portugueses.
Votos de um BOM ANO de 2014! É possível, Sim é possível se acreditarmos que há alternativas, se lutarmos contra o empobrecimento, se ousarmos ser contra o pensamento dominante cultivando a participação cívica e política. É possível, Sim é possível se nos insurgirmos contra a desgraça que graça. 
Ponta Delgada, 29 de Dezembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário et Azores Digital, 30 de Dezembro de 2013, Ponta Delgada e Angra do Heroísmo 

Foto=> Catarina Pires

domingo, 29 de dezembro de 2013

Contemplar


Sequência de imagens colhidas durante o ano de 2013. É assim como uma despedida do ano de 2013 enquanto espero por 2014.
Partilho com os visitantes do momentos assim como partilhei no memórias uma sequência de imagens, mais intimistas, e que podem ver aqui.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Agora não

Ao contrário do que é habitual hoje vi, em direto, parte do Telejornal da RTP 1. Necessito de informação, como qualquer mortal, mas não morro de amores pela informação que a televisões nacionais produzem, seja a pública ou as privadas. Hoje por puro acaso saí da minha rotina, não foi tão imprevisto assim, resultou bem vistas as coisas de uma preparação prévia, não para ver o telejornal, isso foi pura coincidência, mas para romper com a costumeira preparação do Natal, sem que isso signifique que deixei cair a tradição, apenas a adaptei à conjuntura familiar marcada pela ausência, por razões que a razão conhece, dos descendentes de primeira e segunda geração.
Quem se adapta muito bem é a comunicação social do “regime”, neste caso particular a RTP 1 mas, podia sem pudor estender esta capacidade de adaptação à generalidade da comunicação social nacional, Tudo bem, para não dizerem que eu nem no Natal deixo de ser do contra, direi que com raras exceções, as tais, Sim essas, as que confirmam a regra, a comunicação social nacional mastiga o acontecimento e regurgita-o ao sabor do dono. No caso da RTP 1 a coisa é um pouco mais grave porque o dono é o Povo, podem comprovar na fatura da energia elétrica, e não me parece que o Povo aprove aquela linha editorial da informação, quanto aos outros, bem esses estão ao serviço desse ente omnisciente e omnipresente que dá pelo nome, pretensamente assexuado, de mercado, com o qual o Povo acha que nada tem a ver, até um dia em que o mercado já não tenha mais sonhos para vender, aí quando já nada mais houver para perder talvez o Povo se importe, com a coisa privada e com a coisa pública.
Largos minutos da informação da noite do canal 1 da televisão pública foram passados no “El Corte Inglés”, onde hoje se venderam 3 mil bolos rei e, amanhã se espera vender, até ao princípio da tarde, 5 mil. Já não sei precisar se isto foi trabalho de investigação da jornalista ou, se foi a encarregada do espaço comercial que o afirmou durante a entrevista, Sim a reportagem teve várias entrevistas, para além da encarregada do referido espaço também os clientes tiveram o seu tempo televisivo e, ninguém se queixou, alguns dos consumidores mostraram um certo enfado mas, nada de crise nem de dificuldades. Satisfeita com a vida e com o negócio estava a encarregada daquele espaço comercial, sito à rua mais espanhola de Portugal, as vendas superaram as expetativas, ainda bem, para ela e pró amo.
Enquanto assistia a esta peça informativa assaltaram-me picos, montanhas, de dúvidas e interrogações. Quanto teria pago o “El Corte Inglés” à televisão pública em publicidade. Nada, pois aquele era um espaço informativo, logo não seria possível a emissão de fatura e recibo. Agora uma declaração de princípios: não tenho nada contra a publicidade na televisão pública. Então quem é que fez o “frete” ao “El Corte Inglés” e qual foi o “preço do frete”, Sim porque os fretes cobram-se e pagam-se. 
Que raio de peça informativa foi aquela que não fez deslocar uma equipa de reportagem aos mini mercados e mercearias de um dos bairros da capital, outra realidade e outros clientes, ao interior continental ou insular, sim que as ínsulas também têm os seus interiores, outras realidades e outros clientes. Teria sido interessante a comparação, digo eu que não sou editor de informação nem jornalista de profissão, se gostava de ser, Sim, talvez há um tempo atrás, no tempo em que os jornalistas produziam informação, agora não me parece muito aliciante. Agora não. Agora é tempo de renovar a esperança e o sonho no futuro. Boas Festas.
Furnas, 23 de Dezembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 25 de Dezembro de 2013, Angra do Heroísmo 

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Todos os dias

Foto - Aníbal C. Pires
Ele há coisas do arco-da-velha. Então não é que já estamos quase, quase, no fim de mais um ano, ainda temos o Natal, é certo, mas o Solstício de Inverno já foi, e os dias passam a correr por mim, e logo eu que tanto desejo tenho de tempo, o que passou, passou, mas o tempo do presente faz-me falta e o do porvir também, ainda que o presente esteja desprovido de esperança e o futuro muito nebulado mas, não quero, nem posso ficar agarrado ao passado, quero viver o agora, quero sonhar com o futuro no passado idealizado, ainda que o presente teime em destruí-lo, aniquilar o sonho de que é possível coabitar a casa comum com dignidade.
Prometi a mim mesmo não transformar este texto numa espécie de mensagem de Natal e, muito menos numa qualquer tentativa de retrospetiva de 2013. Isto não significa que não venha a fazer algumas referências à esperança, à solidariedade, à família, à renovação da vida mas, evitarei cair em lugares comuns, tão apropriados quanto abundantes nos dias que marcam o Natal e a chegada de um Novo Ano mas aos quais eu me quero escusar. Dispenso-me de o fazer, não por qualquer preconceito, mas porque o faço, ou pelo menos tento fazer, em todas as épocas do ano sem atender ao calendário comercial. Todos os dias são dias bons para desejar o melhor do Mundo para todos nós, todos os dias são dias bons para celebrar a vida, todos os dias são dias bons para renovar votos de esperança, todos os dias são dias bons para ser solidário, todos os dias são dias bons para celebrar a família e os amigos.
É uma tarefa e tanto, esta a que me proponho, veremos se a consigo levar a bom porto. A dificuldade é tanto maior quanto a renovação da vida, simbolizada no nascimento de uma criança ou, pelo que representa o Solstício de Inverno, não me é de todo indiferente, bem pelo contrário estes e outros momentos recompõem-me, alentam-me, mesmo quando tudo ao meu redor parece estar a ruir. Não só parece, está mesmo.
Foto - Aníbal C. Pires
Que falta nos faz aqui, agora, a Blimunda Sete-Luas, do Memorial do Convento, para ajuntar as vontades dos homens contra esta barbárie que nos consome o sonho, um sonho de dignidade para todos, homens, mulheres, jovens, crianças, povos, para a humanidade. 
Sim é de esperança que falo, não de dogmas, sim também é de solidariedade, não de caridade, e sim, também é de amor, porque para sonhar e renovar a esperança é preciso amar. Só o amor transforma, só o amor move vontades, só o amor e o desprendimento produzem os verdadeiros revolucionários, como foi aquele de quem por estes dias se comemora o aniversário do nascimento, ou aquele de quem há bem poucos dias o Mundo se despediu. Ambos falaram de igualdade, ambos lutaram por um Mundo melhor e, como eles outros lutaram e, outros continuam a lutar. Lutar pela dignidade para todos os humanos.
Ponta Delgada, 22 de Dezembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário, 23 de Dezembro de 2013, Ponta Delgada

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Estranhas coincidências

A SATA abandonou a ligação Funchal-Porto Santo, de Janeiro a Maio de 2014 esta rota de serviço público vai ser assegurada pela Aerovip, que aceitou o “convite” do Governo da República, pelo contrário a SATA, que também estava no pacote dos convites, declinou-o.
A Windavia é uma “companhia” de transporte aéreo cujo parto foi muito recente e não deixa de ser curioso que Pedro Bolinger, até há pouco tempo Diretor Comercial da SATA e responsável pela venda de charters e ACMIS da transportadora aérea regional, seja um dos mentores da Windavia, o seu Diretor-geral e detentor de parte substantiva do seu capital social. Importará saber quem são os restantes detentores do capital social desta nova operadora. Será, julgo eu, igualmente importante apurar que outros “dealers”, internos e externos à SATA, estão direta ou indiretamente ligados ao aparecimento da Windavia. A Windavia inaugurou uma ligação Funchal-Beja e, anuncia ainda para este mês o início de uma ligação, Funchal-Paris, a SATA anuncia o encerramento da sua base no Funchal, os trabalhadores foram informados pela comunicação social, a Windavia anuncia, num vídeo de apresentação, os objetivos para 2014. Três bases, Funchal, Lisboa e Paris, utilização de 6 aeronaves A 320, 4 mil voos, 40 destinos, 800 mil passageiros e 3000 toneladas de carga. Isto para 2014, julgo que ficou claro. 
Tudo isto pode passar por um conjunto de coincidências, estranhas coincidências. Mas se a estes factos, juntar os rumores que vão circulando, mais estranho tudo me parece. Diz-se que Alberto João Jardim terá afirmado que, se a SATA queria abandonar a base do Funchal então que levasse tudo de uma vez, referindo-se à ligação Funchal-Porto Santo, mais antigas são as afirmações oficiais da intenção de reestruturar a transportadora aérea açoriana. Se juntarmos a estas coincidências, estranhas coincidências, o processo de revisão das Obrigações de Serviço Público (OST), em curso, para as ligações dos Açores com Lisboa, Porto e Madeira, as subsequentes revisões das OST para os transportes interilhas e a vontade política, do Governo regional e da maioria que lhe dá suporte, para a entrada de outras operadoras no mercado dos transportes aéreos dos Açores para o exterior, temos aqui um cenário, diria, maquiavélico. Cenário do qual não se augura nada de bom, nem para o Povo açoriano, nem para o erário público.

Face à situação de crise que se vive como é que o capital privado, sem ter garantia política e pública, investe no transporte aéreo da forma como a Windavia o está a fazer, mesmo considerando que não se trata propriamente de uma companhia mas mais de um operador, que compra horas à White e, ao que corre por aí a uma empresa da Letónia, ou seja a Windavia é, assim, como se fosse um ”broker” de vistas largas. 
Julgo ser legítimo manifestar a minha estranheza para tantas coincidências e deixo outras interrogações e opiniões. Em que consiste a repetidamente anunciada reestruturação da SATA, alguém conhece sequer os seus contornos, Eu não, e não me parece que a generalidade dos cidadãos, alguns dos quadros superiores e os restantes trabalhadores da SATA conheçam uma linha, que seja, dos contornos da tal reestruturação.
Com encerramento da Base da Funchal, com fim da ligação Funchal-Porto Santo, com eventual encerramento da Base de Lisboa, com a necessidade de renovação da frota de longo curso, com o impacto da apresentação do Relatório de Contas de 2013, com a entrada da Windavia no mercado dos charters, mercado que também é (era) da SATA, com a revisão das OST, com tudo isto a reestruturação está quase completa, digo eu. Basta ao Governo Regional continuar a deixar que tudo isto aconteça para ter, sem custos políticos e outros, a anunciada e desconhecida reestruturação completa e, o Grupo SATA reduzido, em versão minimalista, à expressão regional.
A Aero Vip vai, a partir de 1 de Janeiro de 2014, assegurar as ligações entre o Funchal e o Porto Santo. Dizem-me que a SATA perderia umas centenas de milhares de euros durante os cinco meses de duração deste “convite”, sim foi por convite, não houve concurso. E eu não tenho dúvidas, é verdade, a SATA perderia algumas centenas de milhares de euros se tivesse aceitado o convite do Governo da República. Mas, há sempre um mas, ou mesmo mais do que um, qual é o prejuízo da SATA ao ter o avião imobilizado na placa da base em Ponta Delgada, pergunto eu. Porque não se rentabilizou, em devido tempo, aquela ligação de serviço público com a utilização de outra aeronave que efetuasse novas rotas, para o Sul da Macaronésia, ou para o Norte continental, ou ainda para o Leste Norte africano, pergunto eu. Estamos a falar da frota dos Dash, é claro, e da estrutura orgânica da SATA, no Funchal. 
Ponta Delgada, 15 de Dezembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário et Jornal Açores 9, 16 de Dezembro de 2013, Ponta Delgada 

domingo, 15 de dezembro de 2013

Transportes aéreos - continuação

Julgo ser legítimo manifestar a minha estranheza para tantas coincidências, as que descrevi e as que ainda não descrevi, que colocam o Grupo SATA, os interesses dos Açores, debaixo de um cerrado ataque, ofensiva que, me parece óbvia quanto ao método e aos objetivos que pretende atingir. Podemos esperar pelas cenas dos próximos episódios ou, pelo contrário, questionar. Foi o que fiz e faço.
Mas tenho mais questões. Em que consiste a repetidamente anunciada reestruturação da SATA, alguém conhece sequer os seus contornos, Eu não, e não me parece que a generalidade dos cidadãos, alguns dos quadros superiores e, os restantes trabalhadores da SATA conheçam uma linha, uma linha que seja, dos contornos de tal reestruturação.

Com o encerramento da Base da Funchal, com o fim da ligação Funchal/Porto Santo, com o eventual encerramento da Base de Lisboa, com a necessidade de renovação da frota de longo curso, com a apresentação do Relatório de Contas de 2013, com a entrada da Windavia no mercado dos charters, mercado que também é (era) da SATA, digamos que a reestruturação está quase completa, digo eu. Basta ao Governo Regional continuar a deixar que tudo isto aconteça para ter, sem custos políticos e outros, a anunciada e desconhecida reestruturação completa e, o Grupo SATA reduzido, em versão minimalista, à expressão regional.
Para terminar esta publicação que, para blogue, já vai demasiado longa apenas mais alguns dados e uma ou outra dúvida, as dúvidas são minhas, não para a maioria dos leitores.

A Aero Vip vai, a partir de 1 de Janeiro de 2014, assegurar as ligações entre o Funchal e o Porto Santo. Dizem-me que a SATA perderia umas centenas de milhares de euros durante os cinco meses de duração deste “convite”, sim foi por convite, não houve concurso. E eu não tenho dúvidas, é verdade, a SATA perderia algumas centenas de milhares de euros se tivesse aceitado o convite do Governo da República. Mas, há sempre um mas, ou mesmo mais, qual é o prejuízo da SATA ao ter o avião imobilizado na placa de estacionamento em Ponta Delgada, pergunto eu. Porque não se rentabilizou, em devido tempo, aquela ligação de serviço público com a utilização de outra aeronave que efetuasse outras rotas, para o Sul da Macaronésia, ou para o Norte continental, ou ainda para o Leste norte africano, pergunto eu. Estamos a falar da frota dos Dash, é claro e da estrutura orgânica da SATA no Funchal. 
Este assunto não vai morrer por aqui, voltarei de novo e, sobretudo irei, como é meu dever, acompanhar a sua evolução.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Victor Hugo - apresentaram-nos hoje



A Beatriz Madruga teve a gentileza de me apresentar o Victor Hugo, como há algum tempo a atrás me apresentou um outro cantor gaúcho, o Vitor Ramil
ObrigadoBeatriz por este momento, fiquei fã.  .

Transportes aéreos - Intervalo para reflexão e recolha de informação, volto já


Reproduzi a publicação anterior nas redes sociais e, como é natural, acabou por ser muito visitada e objeto de alguns comentários, designadamente no Facebook. A maioria dos comentários tiveram como base de argumentação o ataque aos serviços públicos, neste caso o transporte aéreo tendo alguns, contudo, ido mais longe e alargado o âmbito concluindo, obviamente, pelas virtualidades do mercado livre e dos serviços privados, sem esquecer a militante tarefa de denegrir os trabalhadores e os sindicatos. Nada que não estivesse à espera, aliás os ideólogos neoliberais têm feito um bom trabalho nos órgãos de comunicação social, nas Escolas, Universidades e na narrativa política dominante, ou seja, reconheço que têm tido sucesso na formação de uma opinião pública acrítica, amorfa e incapaz de questionar a uniteralidade do ponto de vista oficial, bastas vezes repetida e reforçada pelos especialistas do comentário político e económico.
Mas voltando ao que verdadeiramente interessa. A publicação descreve alguns factos, rumores, uma brevíssima opinião pessoal, terminando com uma ampla interrogação. Tenho por hábito deixar espaço para que os eventuais leitores dos meus textos possam refletir e formar a sua própria opinião, pelo menos procuro que assim seja.
Voltarei, brevemente, ao tema do transporte aéreo e às estranhas coincidências do espúrio processo que referi no post anterior.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Transportes aéreos (SATA, Aerovip e Windavia) - será por acaso

A SATA perde a ligação Funchal/Porto Santo para a Aerovip, a Windavia inaugura a ligação Funchal/Beja e, anuncia ainda para este mês o início de uma ligação, Funchal/Paris, a SATA anuncia o encerramento da sua base no Funchal (os trabalhadores foram informados pela comunicação social), a Windavia disponibiliza um vídeo promocional, pode ser acedido aqui, onde anuncia a criação de 3 bases (Funchal, Lisboa e Paris).

A Windavia é uma “companhia” de transporte aéreo cujo parto foi muito recente e não deixa de ser curioso que Pedro Bolinger, até há em pouco tempo Diretor Comercial da SATA  e responsável pela venda de charters e ACMIS da transportadora aérea regional, seja o mentor da Windavia, o seu Diretor-geral e detentor de parte substantiva do seu capital social .
A Windavia vai assegurar algumas das rotas que a SATA detinha (Dublin, Jersey, etc).
Tudo pode passar de coincidências mas tudo isto me parece um pouco estranho e, se a estes factos, juntar os rumores que se por aí vão circulando, mais estranho tudo me parece. Diz-se que Alberto João Jardim terá afirmado que se a SATA queria abandonar a base do Funchal então que levasse tudo de uma vez, referindo-se à ligação Funchal/Porto Santo, mais antigos são rumores que circularam nas redes sociais por altura das greves dos trabalhadores da SATA, da intenção de extinguir ou reduzir ao mínimo a operação da SATA.

Por outro lado, agora sim é uma opinião minha, face à situação de crise que se vive como é que o capital privado, sem ter garantia pública, investe no transporte aéreo da forma como a Windavia o está a fazer, mesmo considerando que não se trata propriamente de uma companhia mas mais de um operador, que compra horas à White e, ao que corre por aí a uma empresa da Letónia, ou seja a Windavia é assim como se fosse um”broker” de vistas largas.
Enfim! O tempo dirá como é que tudo isto se liga, qual o seu significado e qual(ais) o(s) objetivo(s) que pretende(m) atingir.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Nem tudo são rosas

Passado o verão e o relativo alívio que trouxe à economia regional, a que não terá sido alheio a devolução do subsídio de férias aos trabalhadores da administração pública regional, mas nem tudo foram rosas. Ao olhar para a estatísticas do emprego regista-se que, em relação ao mercado de trabalho, este alívio não consistiu em efetiva criação de emprego mas, tão-somente na redução do ritmo de crescimento do desemprego. Passado que foi o mês de Setembro, a realidade emerge com todo o dramatismo e dureza. Mais 2477 desempregados inscritos, apenas no mês de Outubro, o que corresponde a mais 34,6% do que no mês de Setembro e mais 23,6% do que no mesmo mês do ano anterior; 
Este nível de desemprego tem um custo humano incalculável, mas representa também um custo de oportunidade esmagador para a Região. Em termos simples, se cada um destes trabalhadores desempregados auferisse o salário mínimo, seriam mais de 130 milhões de euros anuais a serem injetados na economia regional. Se para os partidos da troika o desemprego é uma inevitabilidade, para mim e muitos outros cidadãos, o desemprego é um desperdício económico e parte da estratégia de desvalorização do trabalho. E, se olharmos para as razões que levaram estes trabalhadores ao desemprego, percebemos outra parte significativa da estratégia de desvalorização do trabalho e dos trabalhadores. É que a esmagadora maioria dos novos desempregados chega a esta situação por via do “fim de trabalho não permanente”. Nos Açores, vemos os contratos sem termo a reduzirem-se, enquanto os contratos a prazo aumentarem mais de 12%, e o subemprego aumentar mais 10%, quando comparamos Outubro deste ano com o mesmo mês do ano anterior. A isto é o que os partidos da troika chamam “modernização do mercado de trabalho”, flexibilização da mão-de-obra, mas cuja designação é, na realidade, “precariedade laboral”, ou despedimento a prazo, se preferirem. 
Passado o verão doce da propaganda do Governo Regional, entramos no inverno amargo da realidade do sofrimento das famílias açorianas. 
Se ninguém nega que o desemprego é um problema nacional e que a campanha de destruição da economia nacional, levada a cabo pelo Governo PSD/CDS tem fortemente contribuído para o seu aumento mas, a verdade é que há razões que explicam o facto de o desemprego crescer mais, e mais depressa nos Açores do que noutras regiões do país. E essas razões, não as vamos encontrar lá longe, do outro lado do mar, mas sim aqui, na Região.
Foram as opções dos sucessivos governos regionais que fizeram com que os milhares de milhões de euros investidos nas últimas décadas não tivessem servido para tornar a nossa economia menos frágil, menos dependente e menos volúvel às flutuações dos mercados externos. Foram as políticas dos sucessivos governos regionais que não souberam consolidar, expandir e diversificar o nosso setor produtivo, não souberam preparar nem encontrar alternativas para o fim das quotas leiteiras, não souberam ou não quiseram combater a ditadura das grandes superfícies que mantém o rendimentos dos agricultores a níveis miseráveis. Foram os sucessivos governos regionais que não souberam modernizar e dar valor à nossa pesca, limitando-se a ampliar a dimensão das embarcações e a distribuir a rodos subsídios que pouca ou nenhuma riqueza criam. Foram os governos regionais que contribuíram para criar, na nossa Região, um desmesurado setor da construção civil, envolvendo milhares de trabalhadores, com baixas qualificações. Foram os sucessivos governos regionais que não souberam criar um verdadeiro mercado interno, que recusaram sempre criar os circuitos de transporte de que precisamos, andando agora, tarde e más horas, a inaugurar ferries e a anunciar novos navios, navios que há muito deviam estar a operar no nosso mar. Foram os sucessivos governos regionais que mantiveram sempre a política de baixos salários, e teimam em mantê-la recusando-se a aumentar o acréscimo regional ao salário mínimo, que esmaga a procura interna e reduz brutalmente as vendas das nossas empresas, geradoras de riqueza e criadoras de emprego.
Foi a crise internacional, sim, mas foi sobretudo a política troikista com a qual o PS, o PSD e CDS/PP estão subservientemente alinhados, quer na República, quer na Região, que não conseguiu protegeu os Açores nem protegeu o Povo açoriano.
As vistas curtas dos partidos da troika que fizeram deste ano que termina mais um ano amargo e difícil para os portugueses e para os açorianos em particular. Não tinha de ser assim, tal como 2014 não tem de ser o ano negro que nos anunciam e que querem dar como inevitável. As dificuldades que vivemos não são uma inevitabilidade, são o resultado de uma política que é, nos seus aspetos essenciais, partilhada por PS, PSD e CDS/PP. 
A solução não passa, obviamente, nem por deixar tudo como está, nem por insistir em mais do mesmo. A única saída, para os Açores e para Portugal, é uma mudança profunda das políticas que nos arruínam mais e mais a cada dia.
Horta, 10 de Dezembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 11 de Dezembro de 2013, Angra do Heroísmo 

Foto => Catarina Pires

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Dois homens, uma foto


Esta foto de um encontro entre Fidel e Mandela, retirada e um vídeo que registou a visita de Mandela a Cuba, é uma imagem pouco ou nada divulgada nos órgãos de comunicação social de "referência", por isso mesmo fica aqui.
Já a publiquei no Facebook mas fica também aqui, no momentos, pois regista um momento único de encontro entre dois dos homens que escreveram uma parte da história do século XX, história que como é sabido tem vindo a ser reescrita e branqueada pelo poder dominante. 

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Civilização ou barbárie

No atual contexto político nacional e regional prenunciam-se sobre a autonomia açoriana um conjunto de cominações que nos devem preocupar a todos e, sobretudo, nos devem unir em defesa da autonomia constitucional.
Os sinais de abandono e demissão das competências do Estado são por demais evidentes, o desinvestimento público nacional tem vindo a cair para valores quase residuais, veja-se a evolução do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) onde se verifica um acentuado decréscimo, atingindo um valor previsto para 2014 pouco mais do que residual. Mas, não é apenas por via da diminuição das verbas do PIDDAC que sustento a afirmação de abandono e demissão do Estado, face às responsabilidades que constitucionalmente lhe estão cometidas no que à Região diz respeito. A inércia do Ministério dos Negócios Estrangeiros quanto ao abandono da Base das Lajes, pelos Estados Unidos, que sendo um problema que afeta diretamente a Região não deixa, todavia, de ser uma questão nacional, também sobre a salvaguarda dos interesses da Região, em setores como a agricultura e as pescas, a ação dos sucessivos Governos da República se tem pautado pela apatia e subserviência face aos interesses instalados na EU. A estas questões ainda se podem aduzir os mediáticos casos de desinvestimento na Universidade dos Açores e da RTP Açores, a revisão da Lei de Finanças Regionais e ainda outros que não tendo, em minha opinião, a devida atenção política e dos órgãos de comunicação social regionais, estão ou irão a curto trecho afetar a Região. Refiro-me, por exemplo, à privatização da ANA e dos CTT, ou ainda, o encerramento de Tribunais e de Repartições de Finanças.
Não sei se estamos num processo regressivo da autonomia regional, não sei se estamos numa encruzilhada, mas sei que na Região não existe uma estratégia política para fazer face a esta ofensiva que visa asfixiar financeiramente a autonomia açoriana, asfixia que decorre diretamente da revisão da Lei das Finanças Regionais e que de forma indireta se corporiza na assunção, pela Região, de financiamentos que cabem por inteiro ao Estado. Posso até compreender que a Região, para garantir o funcionamento e os serviços públicos que são da responsabilidade do Estado, assuma alguns custos mas, em bom rigor, essa assunção corresponde sempre à abdicação dos princípios que conformam a arquitetura constitucional da organização do Estado português.
Amarrada a um memorando com o Governo da República, cuja responsabilidade é de quem o assinou, mas também de quem o impôs, a Região está à mercê do alinhamento político do PS, do PSD e do CDS/PP com as imposições da UE.
É a crise, com certeza que sim. E a crise tem costas largas. Em nome dela, da crise, instalou-se um processo de desmantelamento do Estado português, retiram-se direitos a quem trabalha, aumentam-se impostos, desvaloriza-se o trabalho com a queda real dos salários e o aumento do desemprego, concentra-se a riqueza, aumenta a pobreza, capitaliza-se o setor financeiro, privilegiam-se os grandes grupos económicos, ou seja, substitui-se a evolução civilizacional pela barbárie neoliberal. 
Será que a solução passa pela barbárie ou pela retoma dos caminhos da evolução civilizacional.
Horta, 09 de Dezembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário, 09 de Dezembro de 2013, Ponta Delgada 

Foto => Catarina Pires

sábado, 7 de dezembro de 2013

Dia Internacional da Aviação Civil

A Passarola de Bartolomeu de Gusmão

Assinala-se hoje o Dia Internacional da Aviação Civil e o momentos cumprimenta todas as mulheres e homens que em terra e no ar garantem o transporte de carga e passageiros unindo os povos do Mundo.

O Dia Internacional da Aviação Civil foi celebrado pela primeira vez a 7 de Dezembro de 1994, para marcar o 50.º aniversário da assinatura da Convenção sobre a Aviação Civil Internacional, que se realizou em Chicago. Em 1996, a Assembleia Geral das Nações Unidas reconheceu oficialmente a data de 7 de Dezembro como o Dia Internacional da Aviação Civil.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nelson Mandela - (1918 - 2013)


A notícia chegou à pouco. 
A vida de Nelson Mandela chegou hoje ao fim. Apenas a vida chegou fim porque o exemplo, o pensamento, os ensinamentos ficam connosco, perduram.
Nas próximas horas iremos assistir a um desfile interminável de hipocrisia. É bom lembrar que este HOMEM só em 2008 foi retirado, pelos Estados Unidos, lista de terroristas internacionais. Recordemos também que Nelson Mandela, foi libertado em 1990, foi eleito Presidente da África do Sul, cargo que exerceu até 1999, ainda assim constava da tal lista dos Estados Unidos.

“Democracia com fome, sem educação e saúde para a maioria, é uma concha vazia.” 

Nelson Mandela

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Viola da terra e uma voz de encantar

Não pude, por me encontrar ausente de S. Miguel, participar no primeiro dia do Congresso - 60 Anos de Emigração Açoriana para o Canadá (1953-2013). E lamento não ter podido estar, desde logo porque me interesso pelas migrações, enquanto objeto de estudo e, depois, bem e depois porque estas iniciativas são espaços de encontros e reencontros, espaços de aprendizagem e de descoberta. 
O programa prolongava-se para o serão de ontem e não pude deixar de dar um salto à Igreja dos Frades, na Ribeira Grande, onde está instalado o Museu Vivo do Franciscanismo. Do programa constava a apresentação de um livro de memórias de um dos pioneiros da emigração açoriana para o Canadá, o Senhor Afonso Maria Tavares. E valeu, valeu pelas estórias contadas ao vivo pelo Senhor Afonso, valeu pelos encontros e reencontros com amigos e conhecidos, com os representantes da comunidade açoriana no Canadá, com os Professores José Carlos Teixeira (da Ribeira Grande) e Irene Blayer (de S. Jorge), os dois professores de Universidades no Canadá, a Sandra Silva, investigadora e doutoranda do IGOT (antigo Departamento de Geografia da Universidade Clássica de Lisboa), quando por lá andei fazia parte do mesmo grupo de investigadores das migrações e, por acaso a Sandra até nasceu em Castelo Branco, Rafael Carvalho, um jovem músico que revolucionou o ensino e a aprendizagem da viola da terra e que para este instrumento, da nossa memória coletiva, propõe novas abordagens projetando-o para o futuro, por fim, uma descoberta. Sei que é uma descoberta tardia mas, como diz o nosso povo na sua imensa sabedoria, “tarde é o que nunca chega”.

Descobri uma voz, uma voz que dá pelo nome de Raquel Dutra e que canta temas do cancioneiro popular açoriano, para além de ser uma excelente fadista. A Raquel canta e toca bandolim e é acompanhada à viola acústica, pelo pai e à viola da terra, por Adílio Soares.

Fotos: Madalena Pires

Via ou atalho

O Plano e Orçamento aprovados para 2014 representam a continuação da mesma política que não conseguiu resolver nem um dos nossos problemas estruturais. Baixas qualificações, baixos rendimentos, desertificação, falta de coesão regional, desemprego elevado, pobreza, dependência externa, escassa diversificação da economia, baixo valor acrescentado, estes eram alguns dos nossos principais problemas há 3 décadas atrás, continuam a sê-lo. 
Em vez de transformar e romper com modelos de desenvolvimento falidos, o Governo Regional prefere mudar as palavras para tons mais cor-de-rosa, é mais prático, mais barato e, sobretudo mantém a sua fidelidade dogmática aos mercados e à terceira via. Por exemplo, o Povo açoriano ficou a saber que já não há desemprego nos Açores! Agora há “aumento da população ativa”. Também já não há baixos salários, há “remunerações competitivas”.
As dificuldades dos açorianos, os problemas da Região, esses, continuam. As opções políticas não passam de meros paliativos, como mostram o Orçamento e o Plano para 2014, falta a estes documentos, um rasgo de coragem com romper com o passado e construir um novo paradigma de desenvolvimento para os Açores. Um modelo que atenda às nossas especificidades mas, sobretudo, às nossas potencialidades. O Orçamento e o Plano aprovados não dão as respostas pelas quais as açorianas e os açorianos esperavam, mas essas respostas existem. Era possível mas a maioria parlamentar do PS não quis.
É possível reduzir os custos da eletricidade, bastando para isso que os dividendos da EDA revertam para os seus principais acionistas, as açorianas e os açorianos, para as empresas, para o setor cooperativo, enfim para apoiar a economia regional.
É possível aumentar o Complemento Regional de Pensão para os 60 Euros, é possível aumentar, em 10%, o Abono de Família, é possível aumentar em 3% a Remuneração Complementar e, simultaneamente repor os cortes salariais aos trabalhadores da Administração Pública Regional através da Remuneração Compensatória, alargando-a a todos os níveis remuneratórios, ou seja, fazendo outras opções orçamentais e entendendo que o dinheiro que se põe na mão das açorianas e açorianos acrescenta diretamente dinamismo à economia regional.
É possível acabar com as injustas taxas moderadoras no Serviço Regional de Saúde, é possível, por exemplo, criar extensões de saúde nas Lajes das Flores ou em Ponta Garça, instituir a distribuição gratuita dos manuais escolares e reforçar as verbas par o apoio social, se entendermos que sem solidariedade não há desenvolvimento e, que a generosidade do Governo tem de valer mais do que 1 euro por mês. É possível direcionar, por exemplo, os nossos recursos para desenvolver a produção regional e dinamizar o nosso mercado interno, construindo a nova fábrica da SINAGA, criar uma ligação marítima regular entre São Miguel e Santa Maria, reforçar o apoio ao sector vinícola, criar condições para o escoamento do coelho bravo, ou reabrir o fumeiro de Santo Antão em São Jorge, reabilitar a sede da Adega Cooperativa da Graciosa, melhorar o porto de pescas da Ribeira Quente ou, criar um espaço para empresas pequenas de reparação naval na cidade da Horta. Estes são alguns exemplos com que a Representação Parlamentar do PCP sinalizou um outro rumo para o investimento regional. As propostas e os meios para a sua concretização existem, faltou ao governo do PS vontade política, falta ao governo do PS uma visão diferente e um modelo de desenvolvimento sustentável para o futuro dos Açores. 
As dificuldades dos açorianos agravam-se de dia para dia, enquanto se esboroa a base social de apoio a este governo e a esta política. Estamos perante um Plano e Orçamento onde não se vislumbra uma nova “Via Açoriana para o Desenvolvimento”, antes se constata que o caminho continua a ser uma vereda, um atalho, um atalho para o continuado empobrecimento das famílias açorianas, um atalho para a ruína de micro, pequenos e médios empresários.
Angra do Heroísmo, 02 de Dezembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 04 de Dezembro de 2013, Angra do Heroísmo

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Ao Plano falta-lhe...

Na passada semana foi debatido e aprovado o Orçamento e o Plano da Região para 2014, neste texto, de forma necessariamente resumida, deixo a apreciação que fiz dos documentos e alguns exemplos das propostas de alteração que fiz aos dois documentos e que sinalizam outras opções orçamentais e outras opções de investimento, opções que possam inverter o rumo de empobrecimento das famílias açorianas e de ruína dos micro, pequenos e médios empresários que, por falta de rendimento disponível das famílias, não cumprem o seu objeto, ou seja, não vendem porque não há quem compre. 
Começo por assinalar uma proposta de alteração, de entre outras, que apresentei ao Orçamento, proposta que não tendo nenhum reflexo financeiro direto, coloca a tónica numa questão extremamente importante. É que o Poder Orçamental na Região Autónoma dos Açores reside na Assembleia e não no Governo. Não é por isso admissível que, aprovado o Orçamento e o Plano, o Governo se dedique a alterar rubricas e valores a seu bel-prazer, esvaziando um poder e invadindo uma competência que pertence ao Parlamento regional, invocando um Decreto-Lei que se aplica ao Governo da República, mas que nunca se poderia aplicar ao Governo Regional. Se o Governo pode alterar amanhã tudo o que foi decidido pela Assembleia, é caso para perguntar: então para quê a aprovação do Orçamento em sede parlamentar. Em 2012, segundo o Relatório do Tribunal de Contas, o Governo procedeu a algumas centenas de alterações ao Orçamento. É preciso gerir os fundos públicos com rigor e transparência. Por isso propus, também que não se autorize o Governo a alienar participações sociais, ou seja, que a alienação das participações sociais da Região tenha de ser objeto, caso a caso, de autorização da Assembleia.
Ainda quanto à proposta de orçamento, reconheço que a intenção de tentar compensar algumas das medidas penalizadoras de que têm sido alvo os trabalhadores da administração pública, embora não custe um cêntimo a mais ao Orçamento Regional, é positiva. Não posso, porém deixar de reafirmar que discordo do mecanismo que vai ser utilizado. O Governo utiliza um instrumento criado para compensar os custos da insularidade, ou seja, um instrumento que foi criado para compensar um constrangimento permanente para compensar cortes salariais que não são permanentes. Por isso propus a manutenção da remuneração compensatória, abrangendo todos os níveis salariais que são objeto de cortes em 2014, e o aumento de 3% para a Remuneração Complementar. Considero que estas seriam as opções mais corretas pois, assim, não se desvirtuava o objetivo para que foi criada a Remuneração Complementar e mantinha-se, com caráter temporário, um mecanismo que foi desenhado para fazer face a cortes salariais transitórios. Todas as propostas que apresentei ao Orçamento proposto pelo Governo, as que referi e outras, como por exemplo o aumento do Complemento Regional de Pensão, para 60 euros mensais, ou o aumento em 10% do Complemento ao Abono de Família, foram chumbadas pela maioria parlamentar que suporta o Governo. Ainda, no que concerne ao Orçamento não posso deixar de referir uma outra proposta, esta mereceu a aprovação da bancada parlamentar do PS, que proíbe qualquer gasto em licenças de software proprietário quando existir alternativa de software livre equivalente. 
No que concerne à proposta de Plano de Investimentos, só posso dizer que é um documento de continuidade. Falta-lhe uma lufada de ar fresco, falta-lhe o rasgo, falta-lhe o golpe de asa, falta-lhe o rumo que guindou o PS, uma vez mais para o Governo, falta-lhe o rumo prometido da Via Açoriana para o Desenvolvimento.
As propostas que apresentei para o Plano de 2014 sinalizam outras opções políticas. Opções políticas que têm as açorianas e os açorianos no centro das suas preocupações, políticas que visam repor na agenda política regional o principal desígnio autonómico, o desenvolvimento harmonioso. Para ilustrar esta última afirmação enumero algumas propostas de alteração e que exemplificam bem de como poderia ser diferente este Plano. - A criação de uma ligação marítima regular e permanente entre as ilhas de São Miguel e Santa Maria; - A ampliação da oferta de transportes públicos terrestres nas ilhas do Pico e São Jorge; - A construção de uma nova fábrica para a SINAGA; e - A reabilitação da sede da Adega Cooperativa da Ilha Graciosa.
Trata-se de sinalizar, não foi por acaso que escolhi estes 4 exemplos, os transportes e o aumento da capacidade produtiva regional, ou seja, dinamizar a economia regional, produzir riqueza e eliminar constrangimentos provocados por uma política de transportes, até agora desadequada e ineficaz.
Apresentei 48 propostas de alteração ao Orçamento e ao Plano, foram aprovadas quatro, uma ao Orçamento e três ao Plano.
Ponta Delgada, 01 de Dezembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário, 02 de Dezembro de 2013, Ponta Delgada

domingo, 1 de dezembro de 2013

Kim Basinger - a abrir Dezembro

Kim Basinger, é um dos exemplos de que a miscigenação genética ou, se preferirem, a mestiçagem gera seres humanos belos.













Esta atriz estado-unidense, nascida no Estado da Geórgia, é resultado de uma interessante fusão. Tem as suas origens na Alemanha, na Irlanda, na Suécia e na nação Cherokee.
Na sua filmografia destacam-se filmes como: 007 - Never Say Never Again, Nine ½ Weeks, LA Confidential e Batman.
Aqui podem aceder ao trailer de Nine ½ Weeks

sábado, 30 de novembro de 2013

Na Horta, evocação de Álvaro Cunhal

Caros amigos e camaradas, 
Esta exposição integra-se nas comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Cunhal. O PCP realizou, ao longo deste ano, também nos Açores, um vasto conjunto de iniciativas que visam recordar, o intelectual, o dirigente comunista, o lutador pela liberdade, o homem que, como nós, tinha esperanças e sonhos e lutou para os realizar. 
Mas penso que mais do que recordar, estas iniciativas servem para transportarmos para o presente e para projetarmos no futuro uma importantíssima lição de vida e, mais ainda, uma verdade fundamental da condição humana, que me atrevo a formular desta forma:
– Somos homens porque sonhamos. Somos homens livres porque lutamos para realizar os nossos sonhos.
É este o ensinamento que retiro da vida e obra de Álvaro Cunhal e que reencontro em tantos rostos, em tantas vidas no Partido que era o seu Partido, neste Partido que é o meu Partido, neste Partido que é o nosso Partido.
 E, caros camaradas, neste Partido acima de tudo sonhamos. Somos sonhadores desmedidos que sonham um mundo sem exploradores nem explorados. Um mundo onde a liberdade de sonhar e de trabalhar para realizar os próprios sonhos seja a regra para todos os seres humanos. Um mundo mais equilibrado, mais justo, um mundo mais feliz. 
Este é o sonho que partilhamos com incontáveis gerações que vieram antes de nós. Este é o sonho que partilhamos com milhões de homens e mulheres de todo o mundo e a raiz da fraternidade que nos une, fraternidade que dizemos de maneira tão bonita no calor humano da palavra “camarada”. 
Este é o sonho que partilhamos com Álvaro Cunhal, camarada de sonho e de luta para o realizar. 
Neste Partido, aprendemos com Álvaro Cunhal a ser sonhadores militantes, pois sabemos, aprendemos, que quando a dureza da vida nos rouba a capacidade de sonhar, de ver um futuro diferente do presente que nos impõem, perdemos algo essencial. Um homem sem sonhos, um homem sem nada porque lutar nunca será um homem livre.
É por isso que os que querem manter a humanidade escravizada, amarrada à atafona de gerar lucros para outros, não gostam de homens que sonham e gostariam de ter um mundo sem sonhos, no fundo um mundo de cegos, que aceitassem passivamente e para sempre o seu domínio. Fosse em nome da União Nacional, em tempos idos, seja em nome da troika, neste áspero presente, o que pretendem é roubar aos portugueses a capacidade de sonhar uma vida e um país diferente. 
A esses, aos que querem perpetuar o seu poder sobre uma massa de explorados dóceis, dizemos, como o Álvaro sempre disse: Não! Aqui sonhamos! E lutamos e lutaremos para tornar os nossos sonhos realidade!

Caros amigos e camaradas,
Este sonho que partilhamos com Álvaro Cunhal é importante, mas é sobretudo um sonho útil. É, afinal, a condição dos nossos esforços e trabalhos. É por causa desse sonho que não nos deixamos ficar em casa descansados e vimos aqui e a tantos outros sítios, juntar-nos aos que sonham como nós, para unidos lutar, agir, transformar o mundo e a vida.
E também aqui, neste momento mágico em que o sonho se torna em ação transformadora, o Álvaro teve muito para nos ensinar. Mostrou-nos a determinação, a coerência, a racionalidade e a inteligência, em cada momento, perceber onde estão os interesses do nosso Povo, onde é que está o verdadeiro inimigo que é preciso combater. 
Ensinou-nos que de nada vale uma teoria revolucionária sem um Partido revolucionário que a leve à prática. Soube afastar do nosso Partido a “ferrugem do erro”, fosse o da pressa revolucionária de saltar etapas e querer desesperadamente tudo, já, agora, fosse o erro de abdicarmos de ser quem somos, vendendo a nossa identidade em troca de um assento à mesa do poder. 
Ensinou-nos que, para tornar realidade este nosso grande sonho coletivo, o nosso primeiro trabalho tem de ser o de ajuntar vontades, como Baltazar Sete-Sois e Blimunda Sete-Luas, no romance de Saramago.
O Álvaro ensinou-nos que o nosso trabalho de comunistas é hoje, como o foi durante os tempos negros do fascismo, como o foi sempre, o de levar esperança ao nosso Povo, o de mostrar que é possível um futuro diferente, o de por mais gente a sonhar e a transformar a vida.
Os tempos duríssimos que vivemos, o sofrimento que nos infligem, os muitos milhares de portugueses infelizes, a quem tentam roubar todos os dias a capacidade sonhar, tornam este trabalho ainda mais importante, ainda mais urgente. 
A sombra negra que, uma vez mais desceu, sobre Portugal, tentando abafar toda a esperança, tentando apagar todos os sonhos, humanos, simples, grandiosos por isso mesmo, faz com que precisemos cada vez mais das lições que Álvaro Cunhal nos ensinou.
Esta, camaradas, não é uma exposição sobre o passado, é uma exposição para o presente que queremos transformar, uma exposição para o futuro que, juntos, conquistaremos.
Cidade da Horta, 29 de Novembro de 2013

As fotos foram gentilmente cedidas pelo Jornal "O Breves)

Intervenção proferida na inauguração alusiva ao centenário do nascimento de Álvaro Cunhal, Horta 29 de Novembro de 2013, 18 horas, antigas instalações da delegação do Banco de Portugal. A exposição estará aberta ao público até ao dia 5 de Dezembro.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Vale a pena



Hoje ao fim da manhã quando me liguei ao mundo virtual encontrei no mural da minha página do Facebook uma prenda. Agradeci de imediato no mesmo espaço, não como um gesto mecânico de cordialidade mas pelo conteúdo e simbolismo da oferta. Por feliz coincidência, ao cair da tarde, a Beatriz Madruga passou pela exposição alusiva ao centenário do nascimento de Álvaro Cunhal inaugurada hoje, pouco depois das 18h, na cidade da Horta. Foi a oportunidade para lhe expressar de viva voz os meus agradecimentos e dizer-lhe o quanto me soube bem ler as suas palavras e escutar a “Semeadura” de Vitor Ramil e que Mercedes Sosa também gravou. Ofereci-lhe o exemplar do texto da intervenção que proferi na abertura da exposição e que mais tarde partilharei convosco aqui no momentos.

O bigode


Mais um excelente cartoon do António Pedroso, deputado do PSD eleito por S. Jorge. O António soube traduzir toda a "pressão" e comentários que durante os últimos dias foram emitidos sobre o meu bigode.
Fica aqui o registo do António Pedroso e a promessa que lá para o próximo Natal, se tudo correr como eu desejo retomarei o aspeto com que nos últimos anos se habituaram a ver-me. 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O voto nem tudo justifica

As obras que ainda decorrem no porto da Madalena pretendem dotar aquele porto de infraestruturas que o adaptem às exigências da modernização do transporte marítimo e de uma adequada gare de passageiros. Estamos todos de acordo quanto à necessidade. A solução encontrada já não recolhe unanimidade. É voz corrente entre os homens do mar que o novo molhe de proteção e o novo cais de acostagem trarão alguns problemas de operacionalidade, não sei se assim será. Sei, contudo, que a voz avisada de quem vive e trabalha no mar costuma ser a voz da razão, como se tem comprovado ao longo do tempo e de muitos milhões de euros na correção de obras marítimas. Sei, também, que essas e outras vozes foram, em devido tempo, alertando para esse facto. Os decisores fizeram “orelhas moucas” e os técnicos, não sei. Não sei, eles lá saberão. Mas lá que houve quem colocasse dúvidas, lá isso houve.
E se sobre a decisão técnica não me pronuncio, apenas me interrogo, o mesmo não se passa com a volumetria da nova gare de passageiros e não me refiro à sua localização, pois essa ficou, julgo eu, inevitavelmente dependente do novo cais de desembarque. Sei que com o passar do tempo todos nos vamos habituar àquilo, mas não gosto. Não gosto, nem nunca gostarei de obras, públicas ou privadas, que limitem o acesso ao mar. Parece um paradoxo, não é. Afinal estamos a falar de uma infraestrutura construída para possibilitar o acesso ao mar, e eu a afirmar que o confina. E assim é, aquele espaço ficou irremediavelmente perdido para uso público sem reservas.
Os autarcas e a população aceitam, cada um lá terá as suas razões, com serenidade as decisões do poder regional. Como poderiam recusar perguntarão, trata-se de investimento público que se aqui não for realizado irá ser canalizado para outros territórios, não se pode perder a oportunidade. Dirão, mesmo tendo a consciência que a solução que lhes foi apresentada, quando é, não é a mais adequada à necessidade e à reivindicação da autarquia e das populações. E eu pergunto, mas porquê, porque raio é que isto acontece. E acontece muitas vezes, demasiadas vezes. Os exemplos estendem-se por todas as ilhas, quiçá por todos os concelhos.
Só encontro uma justificação para esta falta de capacidade de discutir as soluções apresentadas para satisfazer necessidades e reivindicações locais. A falta de participação cívica e o envolvimento na tomada de decisões, aliás mal de que enferma a democracia na Região e no País. Reduzir a intervenção política à escolha eleitoral, escolhas cíclicas que legitimam representantes, mas não legitimam tudo o que os representantes decidem.
A democracia sai enriquecida e fortalece-se se for participada, a democracia definha e torna-se asfixiante se a reduzimos ao ato de delegar a nossa opinião, de quatro em quatro anos, neste ou naquele partido ou coligação, neste ou naquele protagonista. A participação cívica e política deve ser uma atitude tão natural como respirar e, a nossa democracia precisa de arejar com opiniões diversas, precisa saber ouvir, precisa de saber dialogar, sob pena de se extinguir e transformar em qualquer outra coisa. Outra coisa que não será certamente um sistema político fundado na vontade e na participação popular.
Madalena (Pico), 11 de Novembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 13 de Novembro de 2013, Angra do Heroísmo 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Notas à margem


Estou de visita oficial à ilha do Pico e no programa consta, concretizou-se hoje à tarde, uma visita à Quinta do Navalhão, em S. Roque. Sobre os conteúdos e apreciações que poderão vir a ser feitas sobre o encontro que mantive com os proprietários desta empresa agrícola ficarão para outras tribunas. Não podia, porém, deixar de registar, numa nota à margem, a satisfação que senti nos momentos iniciais da visita quando me apresentei a um dos proprietários e ele retorquiu, já nos conhecemos faz algum tempo, foi em S. Tomé. À memória chegou de imediato o fim do Verão (gravana em S. Tomé) do ano 2000 quando conheci dois jovens alunos da Universidade dos Açores, Engenharia Zootécnica, que estavam a estagiar em S. Tomé e Príncipe.
Se já na altura fiquei a admirar aqueles dois jovens, um das Caldas da Raínha e outro de Cascais, não só por terem ido estagiar para S. Tomé, mas também pela forma como estavam integrados, hoje não posso deixar de dizer que essa admiração se renovou. O Filipe fixou-se no Pico e tem um empreendimento agrícola que partilha com um sócio, que não esteve em S. Tomé, mas que também foi aluno da Universidade dos Açores e que optou por ficar na Região e fixar-se na ilha Maior.
Em S. Tomé partilhei com o Filipe e a sua colega de estágio um animado jantar, no qual estavam também a Isaura e a Maria Gaspar, minhas companheiras de viagem. Registei esse jantar na memória mas também em imagens que um destes dias por aqui irei partilhar.
Foi bom, o jantar em S. Tomé e foi muito bom este inesperado reencontro com o Filipe.

Foto=> Tiago Redondo

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

"Les Diaboliques", hoje no 9500


"Um filme-culto do cinema francês, que deu a Simone Signoret um dos seus papéis mais conhecidos. Les Diaboliques tem por cenário um colégio onde duas professoras planeiam o assassinato do diretor, marido de uma e amante da outra. O enredo implica uma série de reviravoltas, que ficaram famosas, assim como o final."
É uma sugestão para quem está em Ponta Delgada. No Cine Sol Mar, pelas 21h30, pela mão do Cineclube de Ponta Delgada.
Para ver o trailer aqui

Coesão e emprego, ou a sua destruição

Nos primeiros dias de Novembro foram publicados dois interessantes relatórios sobre aspetos diferenciados da vida social e económica nacional. “Enfrentar a Crise do Emprego em Portugal” é o título do relatório produzido pela insuspeita Organização Internacional do Trabalho (OIT) no âmbito de um encontro realizado, no passado dia 4, em Lisboa. Na síntese podem ler-se, de entre, outras as seguintes conclusões: (…) Portugal enfrenta a situação económica e social mais crítica da sua história económica recente. Desde o início da crise global, em 2008, perdeu-se um em cada sete empregos (…), (…) A taxa de desemprego atingiu um máximo histórico de mais de 17 por cento (…) (…) O mercado de trabalho não registou qualquer melhoria desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, em 2011.(…) (…) O volume do investimento produtivo foi reduzido em mais de um terço desde 2008 – tendo-se verificado grande parte deste declínio nos dois últimos anos –, provocando uma erosão nos ganhos de produtividade e prejudicando uma prosperidade futura.(…) (…) De igual modo, a cobertura da negociação coletiva – uma instituição que provou ser essencial para prevenir a perda de emprego em empresas viáveis em países como a Alemanha, a Holanda e a Itália – tem diminuído em proporções sem precedentes. A reforma da negociação coletiva de 2011 visou promover acordos ao nível da empresa, entre os empregadores e os trabalhadores. No entanto, até ao momento, a reforma resultou numa redução geral da cobertura das convenções coletivas, aumentando assim a pressão para a redução dos salários e contraindo ainda mais a procura interna. A proporção de trabalhadores a auferir o salário mínimo mais do que duplicou desde o início da crise.(…)
Poderá dizer-se que não é novidade, Sim não constitui propriamente uma novidade mas não deixa de ser um importante reforço para a desconstrução da inevitabilidade das opções políticas do governo português e, sobretudo, para a necessidade de rutura com essas opções políticas que estão a destruir emprego e a empobrecer Portugal.
Um outro estudo, este do Instituto Nacional de Estatística (INE), versa sobre o poder de compra dos portugueses, em 2011, comparando esse índice por concelho. Mas ainda antes de olhar para os resultados por concelho, e neste caso só sobre os concelhos dos Açores, importa verificar como se comporta este indicador por NUT II, assim: A leitura dos resultados do IpC para 2011 associa ao território continental um poder de compra superior ao observado nas duas regiões autónomas portuguesas: o valor atingia 100,8 para o Continente e era, respetivamente, de 82,4 e 85,1 para as regiões autónomas dos Açores e da Madeira. Lisboa (131,0) constituía a única região NUTS II com um valor acima do poder de compra per capita médio nacional. Para o Algarve, o valor (96,7) situava-se marginalmente abaixo da média nacional. As três restantes regiões continentais — Norte, Centro e Alentejo — registavam índices de poder de compra per capita relativamente próximos: 89,2 para a região Norte, 88,0 para a região Alentejo e 87,5 para a região Centro. Os Açores com 82,4 é o mais baixo do País.
Numa análise mais fina podemos verificar que se verificam profundas assimetrias deste indicador nos 19 concelhos da Região. É no concelho de Ponta Delgada que o poder de compra é maior, 104,27, superior ao valor médio do continente, e é no concelho do Nordeste que se regista o menor, 55,86, seguindo-se por ordem crescente a Povoação, com 57,80, a Vila Franca, com 59,18, o Corvo, com 63,12, a Ribeira Grande, com 63,31, a Calheta, com 63,65, as Lajes das Flores, com 64,28, as Lajes do Pico, com 65,25, a Lagoa, com 67,31, Santa Cruz da Graciosa, com 68,70, as Velas, com 72,38, a Praia da Vitória, com 72,55, S. Roque, com 75,41, Santa Cruz das Flores, com 80,84, Madalena, com 82,77, Horta, com 86,40, Vila do Porto, com 87,38 e Angra do Heroísmo, com 91,22.
É caso para perguntar onde está o efeito das políticas de coesão social, territorial e económica, aliás onde estão os efeitos dessas políticas, por exemplo, na ilha de S. Miguel que é onde verifica a maior disparidade, o Nordeste, a Povoação e a Vila Franca na cauda da tabela e Ponta Delgada, no topo e bem acima da média do continente.
O que têm feito os sucessivos governos da Região para contrariar estas assimetrias e cumprir um dos desígnios autonómicos, o desenvolvimento harmonioso.
Madalena (Pico), 10 de Novembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário, 11 de Novembro de 2013, Ponta Delgada

Foto=> Catarina Pires

domingo, 10 de novembro de 2013

Álvaro Cunhal - 100 anos


«A alegria de viver e lutar vem-nos
da profunda convicção de que é justa, empolgante e invencível a causa por que lutamos»
Álvaro Cunhal

Pelos 100 anos do nascimento de Álvaro Cunhal só me ocorre dizer o seguinte, Estamos aí na luta camarada, Até sempre!


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A & L (Terra Nostra) - n.º 13


Já está na banca o suplemento Artes & Letras do jornal Terra Nostra, este suplemento literário é coordenado por Vamberto Freitas e Álamo Oliveira. Na página 4 podem encontrar pequeno um texto meu.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Desenvolvimento social (3, concl.)

Nos dois primeiros artigos, este será por ora o último, sobre desenvolvimento social publicados neste espaço procurei, ainda que de forma superficial, demonstrar que a situação de crise que afeta o chamado Mundo coloca em causa os direitos humanos mais elementares, como sejam o acesso à alimentação, aos cuidados de saúde, à educação e ao trabalho justamente remunerado. A terciarização da economia e a especulação financeira que caraterizam as economias “ ocidentais”, um paradigma económico assente no aumento crescente do consumo, estão na base da fragilidade económica e da crise financeira que nos afeta. 
A receita tem sido a aplicação generalizada da matriz ideológica neoliberal à economia. As consequências estão à vista de todos, e insistir na cartilha da teologia do mercado, desvalorização do trabalho e dos trabalhadores e o desmantelamento da arquitetura do chamado Estado Social é, como o tempo o comprova, um erro profundo que coloca em causa o nosso futuro. 
Nos Açores são duramente sentidos os efeitos da “cura”. As medidas de austeridade que têm vindo a ser tomadas pelos Governos Regionais e da República tiveram efeitos destrutivos no plano económico e social. As empresas açorianas, frágeis e de pequena dimensão, orientadas sobretudo para o mercado interno, foram severamente atingidas pela redução generalizada do poder de compra das famílias e pela contração do investimento público. Sucedem-se os despedimentos, a reduções de atividade económica, falências e encerramentos de empresas, colocando os Açores como a região do país onde o desemprego mais tem crescido.
A realidade observada no plano social é dramática, com o ressurgimento de graves situações de pobreza extrema, um empobrecimento generalizado das famílias e com o acentuar das desigualdades na distribuição do rendimento.
A utilização dos mecanismos da Autonomia regional, se bem direcionados permitiriam, com algumas medidas conjunturais e estruturais, atenuar alguns destes problemas. O aumento do rendimento disponível das famílias por via de um acréscimo às compensações regionais já instituídas, mas também pela redução de alguns custos que sobrecarregam as famílias açorianas, medidas que se podem consubstanciar na diminuição dos valores da fatura da energia e o fim das taxas moderadoras, bem como a criação de mecanismos que visem a reposição dos cortes salariais, constituem-se como, senão como o remédio para todos os males, parte da solução para sair deste ciclo recessivo sem fim à vista. 
Qualquer paradigma de desenvolvimento social e económico, um e outro são indissociáveis, tem de ter como pilar a certeza de que os açorianos não estão condenados à pobreza e ao subdesenvolvimento e que está ao nosso alcance inverter este rumo de empobrecimento dos trabalhadores, das famílias e da Região. A chave de um modelo de desenvolvimento está, como já por diversas vezes o afirmei, na terra e no mar e na rutura política com modelos de crescimento económico dependentes da ditadura dos mercados financeiros e da chantagem dos grandes grupos económicos.
Valorizar e diversificar a nossa capacidade produtiva e geradora de riqueza, redistribuir melhor o rendimento e ampliando a solidariedade, utilizando o nosso potencial humano, garantindo a todos o direito ao trabalho, com direitos e justamente remunerado, proteger e valorizar o nosso meio ambiente único e frágil, encurtar as distâncias que a falta de visão e investimento dos sucessivos governos regionais nunca quiseram superar, refiro-me à necessidade de um modelo de transportes aéreos e marítimos, de passageiros e mercadorias que potencie o comércio interno e garanta o direito à mobilidade e o direito ao não isolamento, e claro está com custos comportáveis, apostar na inovação científica e tecnológica, apostar nas qualificações e potencialidades dos nossos jovens, gerir melhor os recursos públicos, pensando apenas no interesse dos Açores e não na satisfação das clientelas políticas, é possível inverter a crise em que se afunda o nosso arquipélago, ganhar o presente para garantir o futuro dos Açores, para o Povo Açoriano.
Ponta Delgada, 03 de Novembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 06 de Novembro de 2013, Angra do Heroísmo

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Orçamentos

As condições de vida dos portugueses, e dos açorianos em particular, degradam-se visivelmente. As ruinosas políticas de austeridade levadas a cabo pelo partidos da troika falharam em todos os seus objetivos financeiros - défice e dívida -, bem como destruíram a economia nacional, afundando-nos numa recessão de que não há memória e impondo retrocessos sociais de muitas décadas, se não mesmo de séculos.
A proposta de Orçamento de Estado (OE) para 2014 propõe-se agravar, ainda mais, a dramática situação social e económica em que o País está afundado. Mantém e amplia os cortes salariais, insiste na penalização fiscal, medidas que só podem ter como resultado mais dívida, mais défice, maior recessão e um maior empobrecimento dos portugueses.
A proposta de OE é, particularmente, gravosa para os Açores. Para além da paralisação e estrangulamento dos serviços públicos da administração central, encerramento de tribunais, estações de correio, subfinanciamento da Universidade dos Açores, por exemplo, regista-se a redução de 67 milhões de euros nas transferências para a Região, a redução de 10% nas verbas, das verbas consignadas aos Açores que se destinam à formação e políticas de emprego e a redução do Plano de Investimentos da Administração Central (PIDDAC) para uma valor, diria, residual. Mas a gravidade das medidas que o OE propõe para os Açores vai para além das questões financeiras e da redução do investimento público central, como por exemplo, a imposição, na prática, de reduções de pessoal na administração regional, por via da proibição de novas contratações, violando o Estatuto Político Administrativo numa matéria que é claramente da competência da Região. Esta proposta de OE penaliza duplamente os açorianos também pela via fiscal que, para além do aumento de impostos terão de fazer face em 2014 à redução do diferencial fiscal, ou seja, os açorianos vão pagar mais impostos, por imposição do memorando da troika assinado pelo PS, PSD e CDS e este ano consagrado na Lei das Finanças Regionais.
Mas as dificuldades sentidas pelos açorianos são também fruto das opções do Governo Regional que, procurando disfarçar a sua atuação num manto de propaganda, segue na realidade a mesma política. O PS Açores tem sistematicamente procurado responsabilizar o Governo da República pelas medidas de que ele próprio zelosamente aplica e das quais beneficia no contexto regional.
Este alinhamento das políticas regionais com as da república comprova-se, por exemplo, no enorme desequilíbrio entre o volume de apoios concedidos às empresas e o investimento dirigido aos trabalhadores e aos cidadãos. Uma política que não tem trazido qualquer benefício à economia regional ou ao Povo açoriano. 
Em 2012 foram à falência 52 empresas na Região, mais 93% do que em 2011. A taxa oficial de desemprego foi de 16,1%, no 2.º trimestre de 2013, a que correspondem 19,1 mil desempregados (+0,5% do que no trimestre homólogo). Contudo a realidade para além das estatísticas é substantivamente diferente, e pior. A taxa real de desemprego e subemprego atinge já os 24% e, se lhe adicionar-mos o subemprego a tempo parcial e os inativos disponíveis e indisponíveis o número de açorianos sem acesso ao trabalho terá atingido mais de 38 mil, no 2.º trimestre de 2013.
Perante isto, o Governo Regional continua a insistir na sua ação propagandística no Orçamento Regional para 2014. Persiste num crescente apoio às empresas e pratica a caridade com as pessoas. O melhor exemplo é a cínica “generosidade” de um aumento do complemento regional de pensão em 1 Euro, por mês, ou ainda o anúncio da devolução dos salários roubados aos funcionários públicos como se de um apoio do Governo se tratasse. A compensação pelos cortes nos vencimentos dos trabalhadores da Administração Regional é um ato de justiça e não um apoio social caritativamente atribuído. Por outro lado, a remuneração complementar dos funcionários da administração regional é uma prestação que se relaciona com os custos da insularidade e que reveste, e se deve continuar a revestir, de uma natureza permanente, não devendo ser utilizada como compensação pelo corte dos salários, que são (espero que sim) provisórios. 
Ponta Delgada, 03 de Novembro de 2013

Aníbal C. Pires, In Jornal Açores 9, 04 de Novembro de 2013, Ponta Delgada