sábado, 31 de dezembro de 2011

BOM ANO de 2012


São os votos do "momentos" para todos os seus visitantes!
Votos de que o ANO NOVO seja melhor do que o anunciado.
Não é inevitável e depende sobretudo de nós fintar o "fado" que nos estão predestinar.
BOM ANO!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Imoral, ilegal e inconstitucional

O ano de 2012 vai ser marcado com a “democratização da economia portuguesa”, isto a fazer fé no que disse Passos Coelho ao interpretar o papel de Presidente do Conselho na sua comunicação aos portugueses por altura do Natal de 2011.
Sobre os importantes anúncios, feitos por Passos Coelho, dizia-me o meu filho: - Oh pai! Nada vai ser como dantes. A partir de hoje os pais vão falar aos filhos de 2 datas marcantes da vida nacional. Perguntei, então filho quais são essa datas? Prontamente respondeu: - O 25 de Abril de 1974 e o Natal de 2011. Então não tás a ver meu. Os 3 “Dês” do programa do MFA, Democratizar, Descolonizar e Desenvolver. O “D” de Democratizar tinha escrito em letras miudinhas “ D... a economia nacional”. O Passos Coelho conseguiu descodificar o verdadeiro sentido do primeiro “D”. Era isto que faltava fazer para que Portugal pudesse sair, de uma vez por todas, da cauda da Europa.
Não pude deixar de sorrir. A brincar o miúdo acabou por demonstrar um sentido crítico acintoso e que revela preocupação com o nosso futuro próximo. O que está a acontecer no País são transformações profundas. Transformações que não visam cumprir Abril, bem pelo contrário têm como objetivo destruir tudo o que a Revolução de Abril de 1974 trouxe para o bem-estar do povo português. E, sem dúvida, estas transformações irão marcar negativamente a nossa história.
O que significam as palavras de Passos Coelho na sua comunicação ao País!? Privatizar e liberalizar, apenas isto. E isso é bom? Não, aliás como está mais do que comprovado. O povo português ainda não experimentou a receita? Não na sua totalidade mas, outros povos já sofreram e sofrem as agruras da cartilha onde Passos Coelho vai buscar as suas brilhantes ideias, por conseguinte os resultados são conhecidos e não são nada bons, mesmo nada.
Dir-me-ão que a escolha foi do povo português que deu maioria ao PSD e ao CDS/PP e que este governo está a cumprir um mandato que lhe foi conferido por quem mais ordena. Direi que não, direi que este governo e esta maioria perderam legitimidade porque não estão a cumprir os seus programas eleitorais. Programas eleitorais, esses sim, sufragados pelo povo. E não o digo por dizer, digo-o porque me lembro muito bem daquilo que Paulo Portas e Passos Coelho, repetidamente, disseram na campanha eleitoral das legislativas de 2011 e que não vou repetir aqui, mas que está devidamente registado em diversos suportes, designadamente à distância de um clique para quem quiser fazer o exercício e verificar por si próprio até onde vai a perversidade e a mentira. Nada, nem mesmo Sócrates, o mestre, foi tão longe como foram a dupla Portas/Passos Coelho.
O ano de 2012 vai iniciar-se sob o signo da imoralidade e da ilegalidade e, como me disse um amigo na sua mensagem de Ano Novo, só posso esperar e, sobretudo lutar para que 2012 seja considerado inconstitucional. E, se o residente do Palácio de Belém não velar pelo cumprimento da Lei Fundamental, então que seja o Povo a fazê-lo na rua.
Um Ano Novo melhor do que aquilo que nos está anunciado. São os votos que formulo para 2012. Votos que se alicerçam na luta contra a ilegalidade, a imoralidade e a inconstitucionalidade das medidas tomadas e anunciadas para o nosso futuro próximo.
Ponta Delgada, 26 de dezembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 28 de dezembro de 2011, Angra do Heroísmo 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Afinal o "vómito" não foi de João Duque. Diz ele

João Duque, o Professor do ISEG que o ministro Relvas nomeou para coordenar o Grupo de Trabalho para a definição do conceito e serviço público de comunicação social, Grupo de Trabalho que pariu aquele chorrilho de asneiras que se assemelham a um vómito neoliberal do invertebrado José Manuel Fernandes, o Professor João Duque, dizia eu, declinou o convite para ser ouvido pela Comissão de Assuntos Parlamentares, Ambiente e Trabalho (CAPAT).
Isto depois de várias tentativas de conciliação de datas entre o Presidente da CAPAT, o deputado Hernâni Jorge, e o Coordenador e, como tal primeiro responsável pelo tal “vómito”. Tentativas frustradas como se veio recentemente a comprovar quando João Duque resolveu, finalmente, declinar o convite tendo como base a sua ignorância sobre o assunto, ou seja, segundo as suas próprias palavras em ofício enviado à CAPAT, da qual sou membro. Diz então o Professor João Duque:
(...) Salvo melhor opinião, entendo que a prestação de declarações ou esclarecimentos enquanto primeiro subscritor e ex-coordenador do referido Grupo de Trabalho não terá o mérito de esclarecer sobre quaisquer questões substantivas ou materiais no âmbito do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho dado que, como é publicamente conhecido, a minha maior intervenção neste Grupo de Trabalho se processou apenas pela sua coordenação administrativa e pela vertente económica que alguns dos temas envolvem. (...)Diz ainda o solidário ex-coordenador depois de ter sacudido a água do capote:
(...) parece-me que a Comissão Parlamentar (...) ficaria melhor esclarecida sobre qualquer tema ou assunto relativo ao Grupo de Trabalho para a definição do conceito e serviço público de comunicação social se procedesse à audição de outras individualidades com reconhecido mérito científico na área da comunicação social e também componentes do Grupo de Trabalho que, ao contrário de mim, com formação exclusiva na área económica, têm formação científica específica na área. (...)

Ora aí está! O Professor Doutor João Duque não só se remeteu à sua condição “comissário político-administrativo”, assumindo a sua ignorância sobre o tema, como demonstrou uma total falta de solidariedade com os restantes membros do grupo de trabalho que coordenou.
Julgo que isto diz alguma coisa sobre a personalidade de João Duque, por outro lado e no que me diz respeito enquanto Deputado membro da CAPAT dispenso os conselhos deste “testa de ferro” do ministro Relvas. Votei favoravelmente a audição de João Duque e voltaria a fazê-lo e, se entendesse que depois de o ouvir sobravam dúvidas, certamente, proporia a audição dos tais “especialistas” que João Duque aconselha na missiva que enviou à Comissão.
Apesar de confessar a sua ignorância sobre o assunto João Duque não se coibiu de tecer considerações e comentário sobre o “vómito”, como se pode comprovar aqui, aqui e aqui e em muitos outros registos.
E assim vai este país e esta democracia!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Um Ano Novo melhor

O presidente do Conselho de Administração da “troika” para Portugal, Passos Coelho, presenteou-nos com uma mensagem de Natal, assumindo o papel que em tempos idos cabia ao primeiro-ministro. E ficámos a saber que (…) 2012 será um ano de mudanças e transformações que incidirão com profundidade nas nossas estruturas económicas (…), chegou mesmo a falar de libertação quando afirmou que: (…) o objetivo é o de libertar o País dessas estruturas (…), julgo que se estaria a referir à carteira de privatizações das empresas públicas. A EDP já se foi e eu não me senti mais livre e julgo que nenhum português ficou satisfeito por isso, não por ter sido o capital chinês a comprar, mas porque foi vendido património nacional. Portugal ficou mais pobre.
A ANA, as ÁGUAS de Portugal, a TAP, a RTP, os CTT e por aí fora… até o País ficar despojado do seu património em setores estratégicos da economia, e, porque são setores estratégicos deviam continuar na esfera do domínio público. Fica de fora o banco público, Fica de fora é como quem diz pois, no pacote das privatizações está listada a atividade seguradora da Caixa Geral de Depósitos, ou seja 1/3 dos ativos do banco público são para privatizar. E pouco importa quem compra, se é o capital nacional ou internacional, se são brasileiros, alemães, chineses ou portugueses, a verdade é que o País fica mais pobre.
E, meus caros, não me venham agora com os salários milionários e as alcavalas dos gestores públicos para justificar a privatização destas e de outras empresas do setor público. Não confundamos "o cu com as calças”, peço desculpa pela linguagem mas isto tira-me do sério. Como do sério me tira a iniquidade com que o sistema financeiro continua a por e a dispor da nossa vida coletiva, como do sério me tira que já nem os Tratados da União Europeia sejam respeitados. A última cimeira da UE chegou a um acordo intergovernamental para tornear o Tratado de Lisboa... E, lá se foi mais um pedaço de soberania. Tudo isto para evitar que os povos se pronunciem, não vão os povos ter algum devaneio. Olhem só o que aconteceu na Islândia. Não pagamos! - disseram os islandeses. Banqueiros e governantes no banco dos réus e a crise, já foi.
As privatizações, a imposição das medidas de austeridade e as alterações na saúde, educação e segurança social são - em Portugal, na Grécia, em Espanha, em Itália e onde mais lhes aprouver - as receitas apresentadas para sair da crise, a mim quer-me parecer que não, a mim quer-me parecer que na realidade estas medidas têm outros objetivos, desde logo, a que outros paguem os custos de uma crise provocada pelas praticas especulativas do sistema financeiro e, por outro lado tornar o Estado numa instituição de beneficência (Plano de Emergência Social).
A doutrina não é nova e já foi aplicada e, onde foi aplicada, só gerou mais pobreza e exclusão mais desigualdades e injustiça social. Ao Estado deve caber, em primeiro lugar, a redistribuição da riqueza, designadamente para assegurar a saúde, a educação e a segurança social públicas e universais, por isso temos impostos progressivos sobre o rendimento do trabalho, o mesmo deveria acontecer sobre os rendimentos do capital e então sim, muito mais riqueza haveria para distribuir.
A ideia é privatizar até os setores sociais de onde irá resultar um sistema de educação, saúde e segurança social de beneficência (para os pobres) a coexistir com um sistema de educação, saúde e de fundos de pensões para quem pode pagar. Está bom de ver que quando assim for a qualidade dos serviços públicos vai decair para o nível da caridadezinha.
Estou sem saber como formular votos de um BOM ANO, uma vez que sendo este o último texto de 2011 faz todo o sentido que aproveite o ensejo para o efeito. Mas não está fácil. Tenho consciência que não é com desejos que vamos lá. É preciso muito mais do que desejar para que o ano de 2012 seja, pelo menos, um ANO MELHOR do que aquilo que está anunciado, para que seja melhor temos de arriar do poder quem não tem outras soluções do que mandar-nos emigrar.
Um Ano Novo melhor!
Ponta Delgada, 25 de dezembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário, 26 de dezembro de 2011, Ponta Delgada 

sábado, 24 de dezembro de 2011

FELIZ NATAL


FELIZ NATAL!
PRÓ MUNDO.

Gostei particularmente desta imagem, transmite-me de uma forma estilizada aquilo que quero para o MUNDO e para quem o habita.
Tirei-a daqui

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Posso e devo

A semana fecha com as festividades natalícias e não posso, e, não devo, deixar de expressar votos de Boas Festas e um Feliz Natal aos leitores e, por seu intermédio, a todos os meus concidadãos, vivam onde viverem e, comemorem esta quadra no espírito da mais pura fé ou, com um entendimento mais pagão, designadamente assinalando o solstício de inverno. Não me importa o motivo por que grande parte da humanidade comemora esta data e tenho um entendimento lato da expressão “Boas Festas e Feliz Natal”, talvez por isso seja um fervoroso adepto de expressões populares como: “o Natal é quando um homem quiser”; e, “o Natal é todos dias”.
Não posso e não devo deixar de fazer, não porque me fique bem ou porque seja politicamente correto, não posso e não devo porque não quero matar a esperança que alimenta o sonho e, desde logo, a confiança que me anima e faz de mim a pessoa que sou.
Estes primeiros parágrafos são assim como uma espécie de reconhecimento da dificuldade com que me deparei ao olhar para a folha de papel em branco.
Como é que vou formular votos de “Boas Festas” num momento em que todos os indicadores e projeções sociais, económicas, financeiras e políticas apontam para o aprofundamento da “crise”? Como posso estender os meus votos de “Boas Festas” a quem perdeu o emprego? Como posso fazê-lo, perguntei a mim próprio, sem que me soe a hipocrisia?
A contrariedade durou pouco tempo. Depressa concluí que não só posso formular votos de Boas Festas e Feliz Natal sem prostituir a minha consciência mas, sobretudo devo, em coerência, fazê-lo. Não o fazer seria, isso sim, um exercício de hipocrisia. Todos os dias, todas as horas, a cada instante da minha existência desejo e pugno por uma sociedade mais justa, por um Mundo melhor. Enfim que outros significados podem ter as minhas palavras se, bem lá no âmago do meu ser e das minhas lutas, o que eu quero mesmo é que “o Natal seja todos os dias e quando um Homem quiser.”
Porque não fazê-lo agora quando, mais que em qualquer outro momento, é necessário alimentar a esperança e o sonho!?
Porque não fazê-lo nesta quadra se o faço todos os dias quando apelo à luta, quando apelo à indignação, quando apelo à rutura com os poderes instalados, quando me insurjo contra as desigualdades, quando denuncio a exclusão e a pobreza, quando proponho um novo rumo, um rumo que nos conduza a uma sociedade mais justa.
Não são palavras vãs, não são palavras de circunstância que ficam bem a quem nesta quadra as diz, de amiúde, aos amigos, aos vizinhos, aos conhecidos ou, as escreve num bonito e colorido postal de Natal.
São palavras que transportam esperança. Palavras que transportam aquela confiança que alimenta a luta e o sonho num Mundo melhor.
Com uma inabalável convicção: Votos de um Bom Natal!
Ponta Delgada, 19 de dezembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 21 de dezembro de 2011, Angra do Heroísmo

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

É sempre tempo

Defender a liberdade e a democracia foi-se convertendo, aos olhos de muitos cidadãos, num ato da liturgia da esquerda. Pelo calendário dos rituais comemoram-se o 25 de Abril, o 1.º de Maio, constrói-se anualmente a Festa do Avante e outros eventos evocativos mas, sempre de luta.
A narrativa dos cidadãos de esquerda, nas referências à defesa dos valores de Abril e à necessidade permanente de defender a liberdade e aprofundar a democracia pareciam, mormente às novas gerações assim, e tão-somente, como palavras que evocavam uma memória não o presente e, muito menos o futuro. Um pouco como comemorar uma data do passado que de algum modo influenciou a nossa vida coletiva, como a Restauração da Independência Nacional, em 1640, ou a implantação da República, em 1910.
As gerações do pós-25 de Abril cresceram e viveram numa sociedade que lhes proporcionou educação e saúde, tendencialmente gratuitas, um sistema de segurança social universal, acesso ao trabalho com direitos. Para quê defender e, até aprofundar, o que estava conquistado e faz parte integrante do nosso quotidiano, do nosso modo de vida e do nosso sistema político!?
Coisas que até há bem pouco tempo pareciam intocáveis começaram a colapsar e as consciências a despertar. O colapso foi anunciado por uns, escondido e planeado por outros. A situação que vivemos põe em causa aquilo a que alguns, em Portugal, chamam “as portas que Abril abriu”. Não sendo exclusiva dos portugueses, a crise, dizem-nos: é global; mas sendo a crise global não deixa de colocar ou, talvez por isso mesmo, coloque em causa as conquistas civilizacionais que resultam de séculos de evolução social que a história da humanidade regista – as portas que se foram abrindo ao longo da caminhada evolutiva do Homem
Ainda assim muitos portugueses continuam alegremente a admitir, porque a crise não é uma exclusividade nacional, que tem de ser assim.
Não! Não tem de ser assim. Não tem de ser assim nem em Portugal, nem em qualquer outro lugar do planeta que nos acolhe.
Não tem de se reconfigurar o paradigma de desenvolvimento apenas para garantir que 1% da população mundial detenha tanta riqueza como os restantes 99% de terráqueos. Mas tem de se reconfigurar o modelo de desenvolvimento para garantir sustentabilidade à vida na Terra.
Não tem de se reconfigurar o modelo de desenvolvimento à custa dos direitos, dos salários e das pensões de quem trabalha e trabalhou para maximizar os lucros de quem vive da especulação financeira. Mas tem de se alterar o paradigma de desenvolvimento para que todos os cidadãos acedam a direitos básicos e universais como: a alimentação, o trabalho, a educação, a saúde, a água potável, a proteção social.
Há ainda muitos portugueses resignados e que aceitam como bom, como inevitável as políticas que lhes roubam direitos e rendimento, que lhes roubam o sonho e o futuro. Há também muitos outros portugueses que se indignam e que juntam a sua voz àqueles que sempre lutaram para manter as abertas “as portas que Abril abriu”.
Há muitos portugueses da geração pós-25 de Abril mas também das gerações que a precederam e deram como adquirido que a liberdade e a democracia eram intocáveis que começam, é sempre tempo, a perceber o significado do repetido grito de luta: “25 de Abril Sempre! 25 de Abril Sempre!”
Este e muitos outros gritos de revolta e luta fazem-se ecoar por todos os rincões deste maravilhoso planeta azul. São esses crescentes gritos de luta, que alimentam a esperança e o sonho num Mundo melhor, em que fundamento os votos de “Boas Festas” que vos quero desejar.
Boas Festas!
Ponta Delgada, 18 de dezembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário, 19 de dezembro de 2011, Ponta Delgada

sábado, 17 de dezembro de 2011

Cesária Évora - (1941-2011)

A notícia chegou-me através de um telefonema do meu filho e de um SMS do Tiago Redondo.


Cesária Évora morreu!
Para o meu filho e para mim não foi só a cantora que desapareceu. Conhecemo-la em Março de 2003 quando veio fazer um espetáculo a S. Miguel a convite da Associação de Imigrantes dos Açores e, para lá da admiração que já tinha pela artista que deu voz às mais belas “mornas” de Cabo Verde, ficou-me a admiração pela pessoa que era e cuja dimensão humana, fundada numa simplicidades que nunca deixou de cultivar, ia muito para lá dos palcos.

Cesária permanece viva nas suas canções.
Canções que irão acompanhar muitas outras gerações.
Cesária passou pelo momentos por várias vezes como podem conferir aqui , aqui e aqui

As imagens foram registadas por mim aquando da passagem da CIZE por S. Miguel.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Camila Vallejo

Em resposta à tentativa da comunicação social de direita de a domesticar ("Lo tiene todo para lo triunfar”), Camila responde:

“(…) Es común que desvíen la atención de los temas de fondo planteando cuestiones superficiales como prioritarias. Objetivamente soy bonita y no tengo problema en decirlo, pero yo no decidí cuál iba a ser mi apariencia. Lo que sí decidí es cuál es mi proyecto político y mi trabajo con la gente. (...)"

Frase retirada de uma entrevista da líder estudantil chilena Camila Vallejo, 23 anos, Licenciada em Geografia, Vice-presidente da Federação de Estudantes e militante da Juventude Comunista.
Aqui podem encontrar a entrevista de Camila Vallejo

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A conta

Por estes dias foi conhecido o parecer do Tribunal de Contas (TC) relativo à Conta da Região Autónoma dos Açores (CRAA), do ano de 2010.
Os opinadores de serviço, conforme o lado para onde lhes pagam, logo vieram a terreiro com as análises que se foram centrando invariavelmente, uns sobre a falência do Sistema Regional de Saúde e, sobre a enormidade da dívida da Região e, outros enfatizando a transparência, o rigor e a saúde das contas públicas regionais.
Todos, paradoxalmente, têm razão, ainda que relativa e parcelarmente e não pelos mesmos motivos.
Comecemos pelo rigor e transparência das contas públicas que os opinadores que sonham cor-de-rosa tanto relevam.
A CRAA tem vindo a, sem dúvida, refletir práticas de exercício do poder mais rigorosas e transparentes, facto que se fica a dever a um histórico no qual as oposições tiveram um papel fulcral quer no aperfeiçoamento do edifício legislativo, quer na fiscalização dos atos do governo e, também, é justo dizê-lo, no acatamento de algumas das recomendações que anualmente o TC tem vindo a fazer aos governos da Região, estamos, porém ainda longe da transparência cristalina que seria desejável. Vejamos: (…) continuam omissos as referências aos critérios de atribuição de subsídios regionais e o Mapa das Responsabilidades contratuais plurianuais dos serviços integrados e dos serviços e fundos autónomos (…); Verificou-se um decréscimo no valor e na percentagem de apoios financeiros atribuídos sem justificação legal (…); e (…) a RAA era responsável por 23 avales, no valor de 412,8 milhões de euros (mais 15,9 milhões do que em 2009). Continua a não existir uma regra que defina o limite máximo acumulado de avales a conceder. (…), In Parecer sobre a Conta da Região de 2010, TC.
Estes são apenas 3 exemplos de alguma evolução mas também do que ainda falta cumprir e fazer, quer pelo Governo, nos dois primeiros casos, e pela ALRAA na definição do limite máximo do acumulado de avales a conceder.
Os opinadores que sonham com o regresso laranja ao poder centraram as suas análises mais na dívida da Região e no colapso do setor da saúde.
As contas públicas e apurado que está o valor total da dívida (direta e indireta) da RAA, sendo um valor substantivo pode dizer-se que está no intervalo do gerível, embora se lhe acrescentarmos as responsabilidades contratuais plurianuais, a vencer depois de 2010 e que se prolongam por algumas dezenas de anos, os encargos futuros aproximam-se perigosamente do limite máximo. E, se consideramos que não venha a acontecer nenhuma inflexão às políticas recessivas e restritivas que o País e a União Europeia têm adotado em matéria orçamental então, o previsível é que os desmandos de algumas opções políticas do presente e do passado recente tenham colocado em causa o investimento público regional no futuro próximo.
Refiro-me concretamente, quando falo em “responsabilidades contratuais plurianuais a vencer depois de 2010”, a encargos de cerca de 1800 milhões de euros resultantes do pagamento das SCUTS, 1270 milhões de euros, o novo Hospital da Ilha Terceira, 378 milhões de euros, sendo o restante resultante dos contratos programa com o SPER.
Não coloco em causa a realização das obras mas o modelo de financiamento, as famigeradas Parcerias Público-Privadas. E, é claro que o pagamento deste montante nos próximos anos vai condicionar e onerar o Orçamento regional.
Por fim o “colapso” do Serviço Regional de Saúde, designadamente a falência técnica dos Hospitais EPE de Angra, Ponta Delgada e Horta. É, de fato, uma situação preocupante mas que importa clarificar. Tenho vindo a afirmar que a dívida da saúde se deve a dois fatores: i) opções políticas erradas com a empresarialização do setor; e, ii) subfinanciamento.
A empresarialização, para além de outros objetivos obscuros, decorre diretamente do subfinanciamento público a que o setor foi votado, quer na Região, quer no Pais. Nas recomendações do TC pode ler-se “Os Hospitais EPE deverão ser providos, anualmente, dos fundos necessários ao normal funcionamento, de modo a atenuar os prejuízos de exploração e o consequente desequilíbrio financeiro.” Esta recomendação data de 2009 e ainda não foi acatada pelo Governo Regional.
Entre os opinadores da rosa desbotada e da laranja amarga deixei vertido, ainda que de forma pouco explicita dando, assim, margem aos leitores para formarem a sua própria opinião, aquilo que penso sobre estes aspetos que sobressaem do relatório do TC. 
As opções políticas certas ou erradas adquirem nos relatórios do TC uma visibilidade cristalina, não perceber isso e insistir nos erros do passado e do presente é hipotecar o futuro.
Horta, 12 de dezembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 14 de dezembro de 2011, Angra do Heroísmo

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Viagens

Viajar, Não sendo um verbo exclusivo do povo português é, porém, uma elocução que este povo da periferia europeia conjuga como nenhum outro.
Não há continente deste planeta onde não existam vestígios da língua e da cultura deste povo de costumes simples e alma grande.
Com os descobrimentos portugueses, a primeira globalização, viajaram pessoas, plantas, sons, paladares que se miscigenaram e recriaram, E retornaram viagem chegando às origens com formas, cores, sons, odores e sabores, diferentes. Direi mesmo, exóticos.
Como seria o caril indiano não fosse o adocicado dos coentros mediterrâneos e que a gastronomia do sul de Portugal, mas também do nordeste brasileiro não dispensam!
O cacaueiro veio do continente americano para África como planta decorativa, em S. Tomé e Príncipe, com a arte e engenho dos homens e a bênção da terra mãe, foi transformada em planta agrícola e as suas sementes fazem as delícias dos amantes do chocolate.
Também a música e a dança transportados pelos viajantes se foram miscigenando e percorreram Mundo. O “Ukelele” havaiano é um descendente do cavaquinho português e das violas de arame insulares. As “modinhas e lunduns”, segundo alguns autores são as primeiras formas musicais e de dança urbana com raízes na África subsariana, tomaram forma no Brasil pelos escravos vindos diretamente de Angola ou, via Lisboa onde “amaciaram” os sons e a dança ao gosto da corte. E, as “modinhas e lunduns” recriaram-se e, de novo viajaram para de novo se miscigenaram e regressarem a Portugal e às ilhas atlânticas sob a forma da “saudade” açoriana, da “morna” cabo-verdiana e do “fado” português.
Estes são alguns aspetos, quiçá, comezinhos da epopeia dos descobrimentos portugueses. Até poderão ser! Mas são os vestígios que restam e, ainda assim desbaratados pelas “elites” que têm vindo a exercer o poder em Portugal, “elites” a quem só preocupa encontrar uma terapia para acalmar os mercados, como se os mercados não vivessem do seu nervosismo intrínseco e à custa do sofrimento dos povos. Estando bem de ver que os mercados não precisam de sedativos mas de serem agrilhoadas e submetidos à legitimidade democrática. Veja-se o caso exemplar da Islândia.
Viajar sim! De novo e sempre mas, por vontade própria, individual ou coletiva, e não porque a pátria é madrasta ou, porque as “elites” não encontram outra solução que não seja a de nos mandarem de novo embora, desta vez, sem destino pré-definido.
A emigração serviu sempre como a válvula de escape social que responde aos fracassos da governação. Está a acontecer de novo e uma vez mais a resposta é imediatista e, por isso mesmo, não é solução.
Horta, 11 de dezembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Jornal Diáro, 12 de dezembro de 2011, Ponta Delgada 

sábado, 10 de dezembro de 2011

Hoje é dia de "Jeremias Garajau"



Último espetáculo, hoje no Teatro Micaelense.
Lá estarei para esta desafiadora viagem de Jeremias Garajau.

Fleurette - Sérgio Tréfaut (2002)


Ontem foi dia de Cine Clube.
E valeu.
Valeu pelo documentário (Fleurette, de Sérgio Tréfaut, 2002), valeu por que o Sérgio estava por cá e houve oportunidade de o ouvir falar sobre o filme e do público lhe colocar questões.
Sobre o documentário o melhor é ler aqui a opinão de quem sabe do que fala.
Quanto à minha opinião para além do banal "gostei" sempre quero dizer que Fleurette (mãe do Sérgio) é, antes de mais, um ato de coragem do premiado realizador, por outro lado dá-nos a conhecer a história de uma mulher que atravessou metade do século XX entre a França (onde nasceu) e Alemanha, Portugal e o Brasil.
Uma mulher com uma história idêntica à de muitas outras da sua geração. Pragmática em relação à vida e às suas vicissitudes, parecendo mesmo acomodada ao deixar-se ir atrás do destino mas, cuja determinação e coragem emerge quando e sempre que foi necessário.


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Dia das Montras


Em Ponta Delgada foi "Dia de Montras"


As ruas do centro histórico encheram-se para cumprir a tradição.


Hoje as artérias do centro histórico de Ponta Delgada foram conquistadas pelos peões.


A noite esteve amena como convinha.


Espaço envolvente da Matriz onde se concentrou a animação de rua.


Mantendo a tradição e alimentando a esperança.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Harmonia a três

A crise que fustiga a generalidade dos países da zona euro, de entre os quais a Irlanda, a Grécia e Portugal foram pioneiros mas aos quais não escapa, de entre outros, a 4.ª economia europeia e 3.ª da União Monetária - Itália -, e, nem a “exemplar” Alemanha se livra à ditadura do mercado como se comprovou, há duas semanas atrás, ao não conseguir nos mercados financeiros, mais do que 60% das suas necessidades de financiamento. Todo o histórico recente e as soluções que se desenham demonstram, de forma inequívoca, que este é o trilho que nos conduz ao abismo e não à luz ao fundo túnel.
Digamos que estou numa posição cómoda. Nunca fui um adepto desta Europa a caminho de federalismo, veja-se o acordado ontem pela fantástica dupla Merkel/Sarkozy e que vai ser proposto (imposto) na cimeira do próximo dia 9, nem da entrada de Portugal no euro, aliás não deixa de ser curioso, e nalguns casos mesmo ridículo, constatar que alguns indefetíveis desta Europa e da entrada de Portugal no euro estejam agora na linha da frente a criticar as opções então feitas.
Podendo acomodar-me e simplesmente afirmar: afinal o tempo veio dar-me razão, a mim e a muitos milhares de portugueses; mas a verdade é que estou incomodado e profundamente preocupado, não pelo que o eixo franco-alemão decide para a União Europeia e para os países da União Monetária, mas pela atitude de subserviência do governo de Portugal perante os sucessivos atentados à soberania nacional e, sobretudo pelos efeitos devastadores das “medidas anticrise” no tecido social e económico nacional.
Perante as nuvens negras da depressão que se formou em Paris e Berlim, por vontade dos mercados financeiros, tempestade que ganhou ainda mais força em Lisboa, – nuvens que não são as do inverno que os açorianos tão bem conhecem –, mas sim as nuvens negras carregadas de austeridade, de desemprego, de pobreza e exclusão; perante este cataclismo as açorianas e açorianos depositaram a esperança no edifício autonómico para “almofadar” a violência da tempestade. Depositaram uma réstia de esperança no seu Parlamento, no seu Governo e nas opções do Plano e Orçamento para 2012.
Olharam para o seu Parlamento, para a sua Autonomia, para os seus representantes.
Olharam em busca de proteção, de apoio e de esperança, em busca de um sinal que lhes renovasse a alegria de ser açoriano e lhes devolvesse a capacidade de sonhar.
Essa réstia de esperança esfumou-se, esse derradeiro olhar foi em vão.
Olharam em vão porque as opções que vieram a ser aprovadas foram ditadas por Lisboa e cumprem um tal “Protocolo de Cooperação e Entendimento” que o Governo Regional, à margem da Assembleia Legislativa, negociou e negoceia com o Governo da República. Não deixa de ser interessante verificar que neste “negócio” estão envolvidos o PS, o PSD e o CDS/PP – os três partidos que aceitaram o “memorando de entendimento com a troyka.
Nada acontece por acaso e tudo tem uma explicação. No Plano e Orçamento de 2011 o PS Açores, adotou uma posição de rutura com Lisboa ao criar mecanismos compensatórios para o corte dos salários da administração pública, para o Plano e Orçamento de 2012 seria de esperar a mesma atitude, inexplicavelmente o Governo Regional e a maioria que o suporta, mesmo tendo reconhecido que havia recursos para o pagamento dos 13.º e 14.º meses e para outros mecanismos compensatórios, chumbou as propostas do PCP que propunham a reposição dos cortes e, nada propôs e, nada disse a não ser, Não! E, o PSD e o CDS/PP suspiraram de alívio com a paz e harmonia troikista.
Ponta Delgada, 05 de dezembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 07 de dezembro de 2011, Angra do Heroísmo 

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

S&P ataca a torto e a direito. Mas o que é isto!?

Pode ler-se na edição online do Jornal de Negócios que a Standard & Poors admite que fez pressão sobre 15 países da zona euro para interferir nas decisões da próxima cimeira (8 e 9 de Dezembro) da União Europeia.
É claro que aquilo que a S&P pretende é ver aprovada a proposta sarkozel ou merkosy, como preferirem designar esta dupla maravilha que domina a União Europeia. E o que a dupla franco-alemã pretende, com a sujeição orçamental, é garantir a cobrança das dívidas acrescidas dos juros imorais gerados pelas notações das agências de rating.
Apenas isso!
Quanto aos povos que se f****.
A S&P foi tão longe que até o fundo de resgate da União Europeia (FEEF) colocou sobre vigilância negativa.
A voragem dos mercados não cessa aqui. Países como a Alemanha, a França, a Finlândia, a Holanda, a Áustria e o Luxemburgo que têm notações de tripo A também foram advertidos, aliás só ficaram fora do ataque da S&P a Grécia e o Chipre por, segundo esta agência de rating, já terem uma notação que os coloca no patamar do lixo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Não tem de ser!

O debate sobre o Plano e o Orçamento da Região que se realizou na passada semana teve várias e desconformes virtudes, mormente, na forma profunda e conhecedora com que foram analisados muitos dos problemas concretos dos Açores e dos açorianos e quais as melhores opções de investimento para os solucionar, demonstrando a qualidade quer do Parlamento açoriano, quer o carácter de muitos dos seus parlamentares. Por, assim o considerar afigura-se-me justo reconhecer e saudar que a democracia nos Açores tem maturidade.
Mas, infelizmente, a mesma coisa não aconteceu do ponto de vista da seriedade política e do assumir com clareza as opções e posicionamentos dos diversos partidos. Nesse plano, pelo contrário, estivemos perante um verdadeiro festival de acrobacias!
O PS e o Governo Regional, tudo fizeram para se distanciarem na Região do Pacto com o FMI que o mesmo PS subscreveu na República e do Orçamento de Estado, no qual se abstêm na República, mas que contestam na Região!
O Governo Regional, vestindo, como de costume o argumento da crise – porque a crise tem as costas largas! –, Aplica nos Açores a mesma política de austeridade que contesta na República. Corta em partes essenciais do investimento público, mas deixa vários milhões de Euros sem destino definido, para usar como lhe der mais jeito. A realização de eleições regionais em 2012 não será, seguramente, alheia a esta estratégia, do PS e do seu governo, vertida no plano de investimentos e o no orçamento regional.
O PSD, pelo seu lado, tudo fez para se distanciar, quer do Governo da República de que faz parte, quer das opções do Governo Regional com que no fundo concorda. A proximidade das eleições não terá sido, de todo, estranha à estratégia do PSD e às propostas iníquas com que se apresentou ao debate.
Na verdade, tudo o que o PSD tem para oferecer aos Açores vem pela mão de Passos Coelho. Por isso é que o PSD Açores pouco ou nada teve para propor neste Plano e neste Orçamento, pouco ou nada contribuiu para o debate político.
Mas, apesar das habilidades dos sociais-democratas açorianos, a verdade é que a encomenda endereçada pelo PSD com o aval do CDS/PP cá nos chega direitinha: mais impostos, cortes de salários, roubo dos subsídios de natal e de férias, congelamento de pensões, cortes nas prestações sociais, privatizações, destruição da RTP Açores, ataques à nossa Autonomia e ao estado de direito.
As açorianas e os açorianos não podem esquecer estas prendas que nos estão a chegar neste Natal e que continuarão a aparecer com regularidade ao longo do ano nas faturas do gás e da eletricidade, no acerto do IRS, no confisco do subsídio de férias e de Natal, no aumento do desemprego, no corte dos apoio sociais, nos salários em atraso, nas insolvências de particulares e empresas.
As açorianas e açorianos não vão esquecer, nem podem deixar de penalizar em Outubro de 2012, o PS, o PSD e o CDS/PP por este presente que lhes confisca a esperança num futuro melhor que sonharam para si e, principalmente para os seus filhos.
Que confiança pode ser depositada em quem vira as costas à luta, que confiança pode ser depositada em quem cegamente continua a apregoar as virtualidades do pantanoso e putrefacto mercado ou, em quem afirma como o promíscuo CDS/PP que tem pena, muita pena mas que… enfim tem de ser.
Não tem de ser!
Ponta Delgada, 04 de dezembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário, 05 de dezembro de 2011, Ponta Delgada 

domingo, 4 de dezembro de 2011

A saudade nem sempre é dor


Ora aí estão!
A Catarina, o João, a Amélia e a Margarida.
Os filhos que foram voando do ninho.
Cresceram depressa,
muito depressa
e,
a Catarina trouxe a
Margarida
Juntam-se ao fim de semana
Ficam assim, riem por tudo e por nada.
Gostam-se!
Partilham entre eles alegrias, tristezas, angústias e a saudade do... ninho.
A Margarida começa a entender e já se envolve na cumplicidade que os tios e a mãe cultivam.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Andreia Cardoso foi-se

Os motivos de ordem pessoal apresentados por Andreia Cardoso são respeitáveis e justificam a opção individual do afastamento voluntário do exercício do cargo de Presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, porém nem a discussão pública e política sobre a cidade e o concelho podem ficar reféns deste abandono extemporâneo, nem Andreia Cardoso e o PS ficam ilibados das políticas municipais de que são responsáveis há vários anos.
As soluções para o futuro próximo são diversas e complexas uma vez que o PS não detém a maioria absoluta no executivo camarário e, são por demais conhecidas a “incompatibilidades” políticas e pessoais entre a vereação (PS, PSD e CDS).
Mais do que os jogos políticos de poder pelo poder, importa, em minha opinião, encontrar soluções que tenham em conta os interesses dos angrenses e do concelho, nem que para isso tenha de se devolver a palavra aos cidadãos.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Profeta da desgraça

O iluminado primeiro ministro de Portugal admitiu, em entrevista a um canal de televisão nacional, que existe risco de declínio económico em 2012 e que se isso se vier a verificar terão de ser tomadas novas medidas de austeridade.
Será que o primeiro-ministro, o ministro das Finanças, o ministro da Economia, o da Solidariedade, o dos Negócios Estrangeiros (que se encontra em parte incerta), ou todos os outros servidores da “bola de Berlim” (Angela Merkel) que integram o governo da República pensam que os portugueses são estúpidos.
As medidas do “memorando de entendimento” e as que Passos Coelho e Paulo Portas resolveram adotar só podem redundar no aprofundamento declínio económico (recessão), ou seja crise à crise, não só a financeira mas, sobretudo à da economia nacional.
Digamos pois que Passos Coelho veio dizer o que todos sabemos a recessão vai ser mais profunda do que a esperada. E se isto não é novidade, também novidade não é a solução que, embora embora não a tenha explicitado, a solução do nosso visionário primeiro-ministro é: austeridade. Pois claro!
No dia que em Portugal se comemora o Dia da Restauração da Independência Nacional é caso para perguntar se não é tempo de os portugueses começarem a pensar, seriamente, em libertar-se da agressão estrangeira e apear do poder os “testas de ferro” que servem a “bola de Berlim” e se curvam perante o pantanoso e putrefacto mercado.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E o futuro pá!?

Ao contrário do que afirmou o Vice-Presidente do Governo Regional, o Plano e Orçamento proposto para 2012, não vão minorar os impactos funestos das opções socialmente injustas e economicamente erradas adotadas pelo Governo da República, como irão, pelo contrário, ser agente ativos da recessão, da destruição de empregos e do empobrecimento do Povo Açoriano.
Por outro lado, apesar da retórica do rigor e da contenção orçamental em que o PS Açores insiste até à exaustão, a verdade é que este plano e orçamento é fundamentalmente marcado pela estratégia eleitoral do PS, que pretende, como de costume, utilizar os meios e recursos da Região para potenciar a sua máquina eleitoral, como se pode verificar pelas opções de investimento tomadas, como pelo enorme volume de verbas (cerca de 10%) que não são desagregadas e pelos “sacos azuis ou cor-de-rosa” que, podendo ser utilizadas discricionariamente pelos membros do Governo, irão satisfazer das prioridades eleitorais e as clientelas do partido do Governo.
A este Plano e Orçamento falta a dimensão de uma estratégia que favoreça o aumento e diversificação da produção regional, a este Plano e Orçamento falta a dimensão de uma estratégia que favoreça a dinamização do comércio interno para a qual se mostra essencial a tão esperada revolução nos transportes aéreos e marítimos, a este Plano e Orçamento falta a dimensão do combate à economia paralela cuja estimativa se cifra em 37%, a este Plano e Orçamento falta a dimensão de manutenção e da criação do emprego, a este Plano e Orçamento falta a dimensão de uma visão de desenvolvimento harmonioso para Região, a este Plano e Orçamento falta uma dimensão estratégica que nos coloque nos coloque no trilho da justiça social e de um modelo de desenvolvimento sustentável.
Este não é o Plano e Orçamento que a Região necessita para o difícil contexto internacional que estamos a viver, este é um Plano e Orçamento para satisfazer o clientelismo político, este é um Plano e Orçamento que, por ser mais do mesmo continua a hipotecar o futuro e a afundar-nos no pântano para onde as tão propaladas virtualidades do mercado nos empurraram com a cumplicidade ativa do PS, do PSD e do CDS/PP.
Tenho vindo a defender a ideia que a luta contra as medidas decorrentes do “memorando de entendimento” e que o Governo do PSD/CDS agravaram, com o corte de salários e o aumento de impostos, deve traduzir-se na afirmação das competências autonómicas. Também neste prisma de análise o PS Açores e o seu governo, de forma inexplicável e injustificável, claudicaram ao, mesmo ainda antes de se conhecer o desfecho do debate do Orçamento de Estado e em contradição com a posição do PS na República, apropriou-se da proposta do governo de Passos Coelho e assumiram o corte integral dos 13.º e 14.º meses aos trabalhadores da administração pública regional quando, e em contradição com as opções de compensação salarial adotadas no orçamento de 2011, o que seria expectável seria, ao abrigo das competências autonómicas, seguir a mesma linha política de 2011e pagar, na Região, os subsídios de Férias e Natal, aliás esta é uma opção foi política pois, segundo o Vice-presidente do Governo Regional, há folga financeira no orçamento regional para essa e outras compensações salariais.
Horta, 29 de novembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 30 de Novembro de 2011, Angra do Heroísmo 

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Salvo melhor opinião, julgo que...

Nos Açores como na República, os procuradores dos interesses da troika, dos mercados e das agência de rating são, o PS, o PSD e o CDS/PP.
É, nos Açores, o Governo do PS ao deixar cair na proposta de orçamento para 2012 a remuneração compensatória aos funcionários públicos no que, certamente e sem nenhuma dúvida terá o apoio incondicional do PSD e do CDS/PP.
E são-no, por exemplo, na consagração direta e subserviente do roubo dos subsídios de Natal e de Férias, que garantem um acréscimo de receita na ordem dos 35 milhões de euros ao Orçamento regional, à custa dos trabalhadores açorianos e que pretendem aplicar no apoio às empresas.
Onde já se viu!? O dinheiro que por direito próprio pertence aos trabalhadores da administração pública vai ser dado às empresas.
Salvo melhor opinião o apoio que o Governo Regional poderia dar às empresas, para além dos programas já instituídos, seria pagar os 13.º e 14.º meses aos funcionários da administração regional contribuindo, assim, para manter níveis de consumo que não coloquem em risco muitas pequenas e médias empresas da Região, como já se está a verificar com a erosão no rendimento das famílias e que está a deixar os comerciantes regionais à beira de um ataque de nervos.
A este propósito mas sobre a aplicação do imposto extraordinário sobre o 13.º mês de 2011, foi o próprio líder parlamentar do PS Açores a manifestar uma grande preocupação sobre os 20 milhões de euros que foram subtraídos à economia regional por via deste corte no rendimento dos trabalhadores açorianos. Não posso estar mais de acordo com Berto Messias, espero é que, em nome da coerência e na semana em que se discute o Plano e Orçamento da Região, o líder parlamentar do partido que suporta o Governo Regional defenda o pagamento do 13.º e 14.º meses aos trabalhadores da administração pública regional para não subtrair à economia regional mais umas dezenas de milhões de euros em 2012.
Tenho dúvidas que isso venha a acontecer pois a opção do Governo Regional, tal como a opção do Governo da República é pela satisfação da gula dos mercados. Gula que, como está amplamente demonstrado, é insaciável.
As opções do Governo Regional e, apesar do dramático crescimento do desemprego, que superou 11% no terceiro trimestre deste ano, o Governo Regional corta a direito nos Programas de Emprego (-27%), nos Programas de Estágios Profissionais (-23%), na Inspeção do Trabalho (-12%) e no combate ao trabalho precário, ao subemprego e ao trabalho informal (-50%), enquanto mantém intocáveis os apoios às grandes empresas ou a bonificação dos seus juros bancários.
As opções do Governo Regional demonstram claramente que a sua opção não é pelos trabalhadores açorianos, a sua opção não é pelas famílias açorianas, a opção do Governo Regional não é pela garantia do bem-estar e qualidade de vida do Povo Açoriano, a opção do Governo Regional, como a opção do Governo do PSD/CDS na República é, como já referi pela satisfação da gula dos mercados.
E não há como satisfazer os mercados financeiros, o último exemplo vem da agência de Fitch Ratings ao baixar para “lixo” os títulos da dívida pública nacional justificando a sua avaliação na prevista recessão da economia portuguesa em 2012. Pois! E então a recessão que, certamente se vai verificar em 2012 deve-se a quê!?
Julgo eu, e salvo melhor opinião, às medidas decorrentes do resgate financeiro. E o resgate financeiro aconteceu porquê? Julgo eu, e salvo melhor opinião, às sucessivas notações negativas das agências de rating que levaram o mercado a fechar o financiamento a Portugal.
O leitor dirá de sua justiça mas a mim quer-me parecer que andamos há demasiado tempo a insistir no erro e a submetermo-nos a um poder ilegítimo.
Horta, 27 de novembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário, 28 de novembro de 2011, Ponta Delgada

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

1001 razões

Os portugueses têm motivos mais que suficientes para manifestar o seu desagrado pelas opções políticas e de subserviência a interesses externos que nos afundaram numa crise que alimenta o capital financeiro, continua a destruir a economia nacional e não resolve o problema da dívida externa.
Os efeitos da diminuição do rendimento disponível das famílias, seja por via direta dos cortes dos salários e congelamento das carreiras, seja por via do aumento da taxa fiscal, deixa preocupados, desde logo, os trabalhadores dependentes mas deixa apreensivos, também, os pequenos e médios empresários cujas expetativas se fundam no consumo, consumo que como se percebe vai cair para níveis históricos arrastando consigo, para a insolvência, muitas pequenas e médias empresas.
A ascensão ao poder político pelos “testas de ferro” dos oligopólios financeiros visa garantir que os “mercados” venham a receber não só os títulos das dívidas soberanas mas também os imorais juros que cobram. As políticas de austeridade só têm um objetivo – garantir o pagamento por via do aumento dos impostos, sobre o trabalho e o consumo, e da diminuição dos rendimentos do trabalho, numa operação contabilística primária.
Só mesmo os incautos e os fiéis seguidores de Friedman não perceberam, ainda, que as medidas impostas a Portugal, como têm sido impostas há décadas a outros países um pouco por todo o Mundo, visam apenas um objetivo – a cobrança da dívida; sem resolver o essencial, aliás venha lá um exemplo, um que seja, de sucesso dos resgates financeiros. Todas as intervenções do FMI resultaram no empobrecimento, no aprofundamento das desigualdades sociais, na espoliação de direitos civilizacionais e na perda de soberania nacional. A cartilha do BCE, do Banco Mundial, do FMI e da OMC não é mutável – os povos e os trabalhadores que paguem a crise! Esta é a receita do neoliberalismo.
Os mesmos que nos conduziram à atual situação de degradação social e económica pedem-nos agora mais e mais sacrifícios, deixando fora desse esforço, como sempre o fazem, o grande capital e continuando a proteger os interesses apátridas do mercado financeiro.
Nos Açores as razões que nos preocupam são redobradas. Os efeitos são aqui ainda mais penalizadores para os trabalhadores e para o povo mas, também, para a economia regional e configuram um ataque sem precedentes ao adquirido autonómico.
O governo do PS Açores assimilou todas as perversões políticas decorrentes do pacto de agressão e do Orçamento de Estado plasmando-as no Plano e Orçamento regional para 2012, numa demonstração clara do seu alinhamento e conivência com as opções subservientes do PSD e do CDS/PP que só acrescentam austeridade à austeridade, recessão à recessão, crise à crise.
As razões para aderir à Greve Geral são mais de 1001, as desculpas para o não fazer são todas aceitáveis mas, não deixam de ser, isso mesmo,… desculpas.
Ponta Delgada, 22 de novembro de 2011

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 23 de Novembro de 2011, Angra do Heroísmo

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

First "solo" do João Pires


O tempo deixou as aeronaves no chão. O voo estava marcado para as 8h30mn mas só se realizou pelas 11h15mn. A espera foi longa mas valeu.


A dirigir-se para a pista para descolar. A aeronave com mtarícula CS-DEJ.


A Margarida (que quando for grande quer ser piloto) estava lá a acompanhar o tio. Aqui a dizer-lhe adeus quando ele se dirigia para a cabeceira da pista.


Já estacionado na placa depois do primeiro voo a "solo".


A instrutora que validou a autorização para o primeiro voo a solo dirige-se para a aeronave para cumprimentar o João Pires que não cabia em si de contente.


O João Pires acompanhado da instrutora dirigindo-se para a zona onde foi alvo da praxe do primeiro voo "solo".


A caminho da comissão de recepção - instrutores, colegas de curso e irmãs.


Depois de cortada a gravata o cabelo.


Finalmente o banho de mangueira.


Depois de um longa manhã e de uma grande excitação a Margarida (que não gostou muito daquela brincadeira da praxe) esperava o tio João para finalmente poder ter alguma atenção e, claro ir almoçar.





terça-feira, 15 de novembro de 2011

Tecnocracia financeira ao poder

Lucas Papademus (sucessor de Papadreous, Grécia) – Governador do Banco da Grécia e Vice-presidente do Banco Central Europeu;







Mário Monti (sucessor de Berlusconi, Itália) – Comissário Europeu e Conselheiro da Goldman & Sachs;







Mário Draghi (Presidente do Banco Central Europeu) – Governador do Banco de Itália; Director Executivo do Banco Mundial e da Goldman & Sachs







Vítor Gaspar (Ministro das Finanças) - Director Geral da área de Investigação do BCE;




António Borges – responsável do FMI para a Europa, também ele um antigo quadro da Goldman & Sachs







Pois é! Os mercados financeiros depois da crise do “subprime”, na qual a Goldman & Sachs foi uma das principais responsáveis, olharam para as dívidas soberanas como um produto financeiro ainda mais rentável que o imobiliário e agora estão a reforçar posições para garantir, à custa das políticas de austeridade, o pagamento das dívidas que atingiram números astronómicos não tanto pelo capital em dívida mas, sobretudo, pelos juros especulativos que foram e são praticados sobre o financiamento dos estados.
Estas e outras personalidades como não passam de meros cobradores de impostos ao serviço dos oligopólios financeiros.
A sua ascensão ao poder político visa garantir que os “mercados” venham a receber não só os títulos das dívidas soberanas mas também os imorais juros que cobram. As políticas de austeridade só têm um objetivo – garantir o pagamento por via do aumento dos impostos e da diminuição dos rendimentos do trabalho. Contabilidade da mais rasca.
A cartilha do Banco Mundial, do FMI e da OMC não é mutável – Os povos e os trabalhadores que paguem a crise! Esta é a receita do neoliberalismo.
E assim será até que os povos se decidam a ser livres!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Prova e Confessa - um novo blogue

Hoje adicionei um novo blogue às minhas referências.
"Prova e Confessa" é da autoria do João Nuno e da Laura, dois beirões que vivem na periferia da capital mas que não deixam morrer a alma beirã.
O João Nuno é meu sobrinho e tem uma paixão pela culinária, para além de outras, e é de paixões que trata este seu blogue que partilha com a companheira, a Laura.
Fica o registo e as boas vindas à blogosfera.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pelos 98 anos do nascimento de Álvaro Cunhal


Passam hoje 98 anos sobre o nascimento de Àlvaro Cunhal (1913-2005).
A sua obra, exemplo de vida e memória perdura viva no coração dos que lutam por um Mundo Melhor.
O link por detrás do nome remete para um texto de José Saramago aconselho a lerem.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Custo Zero*

Não é a primeira vez, nem será a última que neste e noutros espaços de reflexão trago ao espaço público as questões das migrações e dos migrantes e das políticas que, no contexto nacional, no contexto europeu e no contexto global as enquadram.
Ao ouvir os ministros António Costa e Silva Pereira, o ex-comissário europeu António Vitorino e o actual, Franco Frattini, dissertarem sobre as políticas nacionais e europeias para a imigração somos levados, em primeira instância, a concordar. E a generalidade dos cidadãos, mesmo alguns dirigentes do movimento associativo imigrante, subscrevem e aplaudem o discurso público.
Os pilares que dão sustentação às políticas de imigração, enunciadas pelos responsáveis nacionais e europeu, identificam e reconhecem as causas que estão na origem das modernas migrações e as soluções propostas ajustam-se, pelo menos aparentemente, à gestão dos fluxos, ao acolhimento e à integração dos imigrantes. Não é fácil a desconstrução do envolvente discurso oficial que responsabiliza as profundas assimetrias de desenvolvimento pelo êxodo Sul-Norte, reconhece e disponibiliza a solução: a globalização da convergência social e económica, ou seja, só um desenvolvimento globalmente equilibrado que proporcione as necessárias condições de dignidade humana pode contribuir para que os cidadãos deixem de arriscar a vida no “salto” do muro da fronteira sul dos Estados Unidos, na travessia do estreito de Gibraltar ou na imensidão oceânica do Atlântico.
Não posso estar mais de acordo! Mas se isto é verdade não o é menos, o facto de que o modelo de crescimento dos países mais desenvolvidos se alimenta, não só das matérias-primas dos países menos desenvolvidos, mas também e quiçá, sobretudo da mão-de-obra que, se do século XV ao século XIX foi movimentada compulsivamente, hoje chega às praias do sul da Europa ou “salta” os muros e chega aos empregadores a custo zero.
Os empregadores, de hoje, já não são os “Roceiros” ou os donos dos “Engenhos” que compravam no porto de “acolhimento” a mão-de-obra aos negreiros. Os empregadores de hoje são os donos da modernidade (ou pós-modernidade) do betão, do asfalto e dos prostíbulos a quem a mão-de-obra bate à porta a custo zero.
Lisboa, 24 de Novembro de 2006

*Texto publicado na imprensa da Região Autónoma dos Açores em 2006. Tendo já alguns anos não deixa, todavia, de manter actualidade.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Chuvas de Agosto*

As temperaturas desceram e uma incomum chuva de Agosto abateu-se sobre algumas regiões continentais – Veio mesmo a “calhar” para a azeitona. As oliveiras estão “carregadas” e esta rega vai engrossá-las. Vai ser um bom ano de azeite – diz-me um agricultor, ao acabar de plantar alguns pés de couve portuguesa que, hoje pela manhã, comprou no mercado agrícola da cidade.
As inusitadas condições climatéricas que nos últimos dias afectaram o continente português afastaram o perigo de novos incêndios florestais e deixam os agricultores satisfeitos na expectativa de um bom ano agrícola. Eu, embora de férias, fiquei contente, não só pela floresta poupada e pelas esperanças dos agricultores, mas também por mim habituado, que estou, aos índices de humidade mais elevados e às temperaturas mais amenas de S. Miguel. Confesso-vos que já me é difícil aguentar com as altas temperaturas e com o ar seco do verão na interioridade continental onde nasci e cresci.
Interioridade que, apesar das novas e rápidas vias de comunicação viária e das novas tecnologias de informação à velocidade da banda larga, continua a marcar os lugares e as pessoas. Hoje chega-se à capital em 2 horas ou, um pouco mais se em vez do automóvel se utilizar o comboio ou o autocarro, bem diferente das 5 ou 6 horas de há 30 anos. A “net” está por aí disponível para quem quer, ou melhor, para quem pode. Os grandes espaços comerciais proliferam como cogumelos.
É inegável que o interior ficou mais perto, que as condições de vida melhoraram e que o acesso aos bens de consumo, seja para satisfação das necessidades básicas ou outras, está mais facilitado mas é, igualmente, inegável que a par de todo o progresso registado se foi assistindo ao declínio e destruição dos sectores produtivos e, ao consequente empobrecimento desta como de outras regiões do interior.
Embora sem os contornos de outros tempos, os jovens adultos continuam a procurar na Europa e no litoral as oportunidades, que lhes satisfaçam expectativas e necessidades, que por aqui não encontram, por muito que procurem e queiram. A desertificação e o envelhecimento da população aumentam e o espaço rural vai-se transformando num enorme “lar de terceira idade”.
A chuva deste Agosto veio amenizar o tempo e dar-me coragem para sair da sombra das “latadas” e pôr-me ao caminho de um desses lugares do interior que, pela sua diminuta população, dificuldades na acessibilidade, importância económica, afastamento da sede do concelho e do distrito ou, outros motivos menos objectivos, são como pequenas “ilhas” perdidas na vastidão destes campos onde ainda impera o pinheiro bravo, o sobreiro, o olival e a vinha.
Há cerca de 42 anos que não vinha a este lugar do qual, na altura, se dizia ser o “centro do mundo”[1]. Nunca soube porquê, e ainda não procurei saber, ficará para mais tarde se tempo houver. A razão que me levou a percorrer o sinuoso caminho, hoje de asfalto, até esse perdido lugar onde o único meio de transporte para lá chegar, à época, era o burro ou, para quem o não tivesse, as próprias pernas, foi o facto de aí ter iniciado o ensino primário.
Ao tempo vivia numa secular aldeia – S. Vicente da Beira – já sem a importância de outros tempos mas, ainda assim uma das mais emblemáticas do concelho de Castelo Branco, o episódio que me levou a abandonar o aconchego materno e a deslocar-me para esse pequeno lugar, do qual se dizia ser o “centro do mundo”, para frequentar a primeira classe do ensino primário numa pequena escola da qual era professora uma minha tia, ficou a dever-se à impossibilidade de me poder matricular, ao que julgo por não haver vaga e pela idade, na escola da aldeia onde vivia. Não cheguei a terminar o ano na escola da minha tia, resolvidas que foram as questões que impediam a minha entrada legal no ensino regressei ao seio da família.
Chegado ao meu destino para além dos postes de electricidade, inexistentes quando por ali percorria os caminhos da minha infância, nada parecia ter mudado, o pequeno edifício onde aprendera as primeiras letras lá estava. Ao aproximar-me a nostalgia misturou-se com alguma tristeza, a exígua construção aparentava estar em ruínas mas, numa observação mais minuciosa verifiquei que os sinais, afinal, eram de reconstrução. Alguns instantes depois três jovens, que vieram indagar o que fazia por ali um forasteiro de máquina fotográfica em punho, confirmaram isso mesmo. A escola foi desactivada há uma dezena de anos. O seu estado degradou-se mas, agora, está a ser reconstruída para outras serventias.
A melancolia misturou-se com esperança e alegria. A “minha” primeira escola vai voltar a encher-se de vida.
Ninho do Açor (Castelo Branco), 11 de Agosto de 2004

[1] Barbaído, Concelho de Castelo Branco

* Texto (revisto) publicado na imprensa regional da Região Autónoma dos Açores em 2004