sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

BOAS FESTAS

Trabalho dos Alunos do DOV 3 (EBI Canto da Maia), Quinta do Priolo - Foto Aníbal C. Pires
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Vê, para lá do olhar
E, pode ser Natal
Vê, para lá do olhar
E, é esperança


Aníbal C. Pires, Lisboa, 23 de Dezembro de 2016

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A noite mais longa

Imagem retirada da internet
O calendário natural assinala o Solstício de Inverno no hemisfério Norte, o calendário do mercado parasita o calendário cristão que, por sua vez, já se tinha apropriado dos ritos pagãos que os povos construíram ao longo de dezenas de milhares de anos. Os ciclos naturais foram sendo substituídos ao sabor de artificialismos, ou se preferirem de construções sociais que nos afastam inexoravelmente do que verdadeiramente deveríamos louvar e preservar, A mãe natureza e este planeta que é a nossa casa comum.
Comemoro o Solstício de Inverno, mas não deixo de festejar o Natal enquanto data que assinala a natalidade, afinal nada mais natural do que o nascimento de alguém, seja Jesus ou Maria de seu nome próprio.
O nascimento de um novo ser está ligado à família, não importa se formal ou informalmente constituída, família enquanto grupo de pessoas ligadas geneticamente ou, ainda por laços culturais e interesses comuns, digamos elementos do mesmo clã. E é nesta perspetiva que assinalo e festejo o Natal, como festa da família e dos amigos. O Natal é a festa da minha tribo.

Imagem retirada da internet
Comemorar e festejar o Natal não é, para mim, sinónimo de adesão ao calendário do mercado, mas admito que tem uma ligação próxima à comemoração cristã do Natal, cresci no seio de uma comunidade católica e os costumes entranham-se. O que de algum modo justifica esta minha tácita aceitação do Natal enquanto época de reunião da família e de convívio com os amigos, trata-se de me reunir com a minha tribo e celebrar a vida, o amor e a amizade. Talvez por isso se tenha vulgarizado, e não por outros motivos, a expressão; “o Natal é quando um Homem quiser”. O calendário natural e a vontade dos homens assim o determina e, a celebração da vida, do amor e da amizade assim o exigem.
À noite mais longa do calendário solar sucede-se o aumento gradual da duração dos dias, é a vitória da luz sobre as trevas, é o Solstício de Inverno. Esta era a comemoração primordial, a comemoração pagã que assumia manifestações diversas, como diversos são os povos e diverso o entendimento e interpretação que cada grupo (tribo) tinha do calendário solar, ou seja, da influência que a posição relativa da Terra em relação ao Sol tem na vida dos homens.
Ficam os votos de Boas Festas e não deixem de celebrar a vida, o amor e a amizade, neste Solstício de Inverno, Neste Natal.
Lisboa, 20 de Dezembro de 2016

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 21 de Dezembro de 2016

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

... comemorar a vida

Aníbal C. Pires (S. Miguel, Açores, 2014) by Catarina Pires






Excerto do texto a publicar amanhã na imprensa regional






(...) O nascimento de um novo ser está ligado à família, não importa se formal ou informalmente constituída, família enquanto grupo de pessoas ligadas geneticamente ou, ainda por laços culturais e interesses comuns, digamos elementos do mesmo clã. E é nesta perspetiva que assinalo e festejo o Natal, como festa da família e dos amigos. O Natal é a festa da minha tribo. (...)

Aleppo

Imagem retirada da Internet
É imperativo ir para além da espuma mediática e contaminada dos tweets e da informação das corporações mediáticas referenciadas como ocidentais, onde incluo as portuguesas. Sim, as portuguesas, porque estamos a ocidente de qualquer lugar a oriente, embora estejamos a oriente de um qualquer lugar que nos esteja a ocidente, mas não somos o centro do planeta como nos poderá parecer quando olhamos o planisfério, Há outros pontos de vista, desde logo o dos povos que foram, e são, subjugados pelos interesses “ocidentais”.
A informação circula à velocidade de um clique e o seu acesso está mais ou menos generalizado, diria que no que concerne às televisões e às rádios que há muito está massificado. Não haverá, a não ser por opção própria, quem no Ocidente não tenha a acesso à informação áudio e/ou audiovisual, o que não significa que se esteja bem informado, pois os critérios editoriais, essa vaca sagrada, as leis do mercado e os interesses obscuros conformam a informação, ou seja, nem sempre, ou melhor, quase nunca, a informação que nos vendem é rigorosa, direi até que muita da informação veiculada pelas corporações mediáticas nem sequer corresponde à realidade dos factos, É informação manipulada para moldar a opinião pública. Só assim se entende que a generalidade dos cidadãos ocidentais, sejam do Norte ou do Sul, ou estejam a Oriente, tenham como bom que as “Torres Gémeas” colapsaram devido ao embate dos aviões e aos incêndios que se lhe seguiram, Claro que não. Nem havia armas de destruição massiva no Iraque, Pois não.

Imagem retirada da internet
Mas não é da tragédia do 11 de Setembro que se trata, ou talvez seja, afinal o Afeganistão, o Iraque e tudo o que se seguiu, passando pela Líbia e posteriormente pela Síria tem a sua génese nesse evento. Mas é justamente pela Síria, mais precisamente sobre os recentes desenvolvimentos, que pretendo deixar algumas reflexões face à intoxicação da opinião pública que foi promovida na última semana.
Sobre a Síria a sua economia, os aspetos sociais, culturais, religiosos e políticos, sobre a sua história, antes da deflagração do conflito promovido do exterior, como se sabe, pode encontrar-se muita informação quer na net, quer em diferentes obras e brochuras conforme queiram mergulhar no saber ou, simplesmente, ficar à superfície boiando no conhecimento sobre aquele país soberano.
Aleppo a cidade Síria ocupada por grupos terroristas, que passarei a designar apenas por Daesh pois é disso que se trata, seja lá o que isso for. Não sendo a capital do país, como sabem é Damasco, Aleppo antes da ocupação pelo Daesh era uma cidade cosmopolita muito procurada como destino turístico, a cidade velha de Aleppo foi declarada, pela UNESCO, Património da Humanidade, em 1986. Aleppo era uma cidade onde se respirava paz e tranquilidade e onde não existiam quaisquer sinais de conflitos religiosos, ou não fosse a Síria um Estado laico, tal como era o Iraque, e onde imperava a convivência pacífica entre as diferentes comunidades religiosas.
A Síria é dos poucos países do Mundo e o único país árabe sem dívidas ao FMI, as mulheres têm os mesmos direitos constitucionais que os homens, a exploração de petróleo é do domínio público, poderia continuar a lista e até integrar outros motivos bem objetivos, como o interesse na construção “do gasoduto árabe” pela Arábia Saudita e seus aliados, ou lembrar que a Síria é o único país da bacia do Mediterrâneo fora da área de influência da NATO e tem uma forte ligação com a Rússia. Os motivos do apoio externo a uma suposta revolta de grupos da oposição síria são muitos e diversos e interessam sobretudo aos Estados Unidos e aos seus aliados, Arábia Saudita, Israel, (veja-se só), Turquia, Inglaterra, França e as monarquias do Golfo e têm como fim último atingir o Irão e isolar a Rússia, aliás a construção do “gasoduto árabe” mais não pretende do que acabar com o fornecimento de gás natural da Rússia à Europa.
Hoje é reconhecido que a “Primavera Árabe”, foi um inferno e de árabe só teve mercenários e fundamentalistas a soldo dos aliados europeus e árabes dos Estados Unidos. Depois da Líbia, onde pela primeira vez soldados da NATO lutaram no terreno ao lado, da então, Al-Qaeda, seguiu-se a Síria para onde migraram, via Turquia, os mercenários que colaboraram com o assassinato de Kadafi e com a destruição da Líbia. A Síria, só para recordar, está na famosa lista de países do “eixo do mal” feita durante o consulado de Bush júnior.

Imagem retirada da internet
A estratégia da coligação liderada pelos Estados Unidos que na Síria, desde o início do conflito, combateu o Daesh, obteve os resultados que todos conhecemos, O Daesh fortaleceu-se e ocupou cidades e território sírio, aliás cumprindo o objetivo inicial desta espúria coligação que pretende derrubar um governo legítimo. Legítimo sim, lembro que em 2014 houve eleições na Síria, eleições tão democráticas e livres como as que elegeram Donald Trump, ou Barack Obama.
A demonstração, aos olhos da comunidade internacional, de que a ineficácia do combate ao Daesh, pela coligação liderada pelos Estados Unidos, era uma falácia acontece com a entrada da Rússia no conflito. Se a Rússia tem interesses na região, Claro que sim, desde logo de defesa, para além de interesses de ordem económica.
Com o apoio da Rússia as forças armadas sírias foram reconquistando território e cidades e nos últimos dias tomaram o controlo de Aleppo, que esteve ocupada pelos terroristas durante vários anos, afinal trata-se de repor a legalidade, eis senão quando se levantam as vozes dos “ocidentais” ativistas de sofá em resposta a apelos finais divulgados na net e  fabricados, de entre outros, pelos “Capacetes Brancos”, organização sedeada em Coventry, Inglaterra, e financiada a partir dos Estados Unidos.
Os sírios manifestam nas ruas a sua satisfação pela tomada de Aleppo, não serão todos naturalmente, e os “ocidentais” condenam a libertação da cidade.
Fica muito por compreender e muito mais por explicar, como por exemplo a detenção num bunker em Aleppo, pelas forças especiais sírias, de mais de 20 oficiais NATO, de várias nacionalidades, O que faziam ali. Combatiam o terrorismo ou estavam ao lado dos jihadistas.
Ponta Delgada, 18 de Dezembro de 2016

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 19 de Dezembro de 2016

domingo, 18 de dezembro de 2016

... pontos de vista

Aníbal C. Pires (S. Jorge, 2014) by Tiago Redondo







Excerto de texto a publicar amanhã na imprensa regional








É imperativo ir para além da espuma mediática e contaminada dos tweets e da informação das corporações mediáticas referenciadas como ocidentais, onde incluo as portuguesas. Sim, as portuguesas, porque estamos a ocidente de qualquer lugar a oriente, embora estejamos a oriente de um qualquer lugar que nos esteja a ocidente, mas não somos o centro do planeta como nos poderá parecer quando olhamos o planisfério, Há outros pontos de vista, desde logo o dos povos que foram, e são, subjugados pelos interesses “ocidentais”. (...)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Admito que sim

Imagem retirada da internet
O Papa Francisco continua a surpreender o Mundo. E admito que sim tem-me vindo a surpreender. Tem-me surpreendido a mim e certamente a milhões de seres como eu, mas também a muitos outros milhões de cidadãos crentes e que estarão ainda mais surpreendidos do que eu.
Aquando da sua eleição pelo Conclave pensei para comigo, tal como os Estados Unidos necessitaram de um presidente com o perfil Barack Obama para limpar a imagem internacional deixada pelo seu antecessor, agora é chegada a vez do Vaticano seguir a mesma estratégia.
Reconheço que em relação à eleição de Francisco e ao Vaticano talvez não seja bem assim. Quanto a Barack Obama e aos Estados Unidos não me restam dúvidas os seus mandatos não passaram de uma farsa construída e alimentada pelos média pois, no que era essencial mudar na política externa nada foi feito, aliás o caso da Síria e as espúrias ligações dos Estados Unidos ao Daesh, por via das agências de informação e de organizações privadas a soldo da administração estado-unidense, são disso um claro exemplo. Claro que o seu sucessor na Casa Branca vai contribuir para que Obama continue a ser idolatrado, quer interna quer externamente, pelos reformistas de uma certa esquerda, interna e externa, que por vezes se diz radical, mas nunca se afirma revolucionária.
Desta vez e numa recente entrevista ao jornal “Tertio”, semanário católico, o Papa Francisco analisa e crítica o papel e a responsabilidade dos órgãos de comunicação social (OCS) nos nossos tempos.
Francisco faz uma apreciação positiva da sua importância na difusão da informação e na promoção da fraternidade e da solidariedade, mas aponta alguns aspetos que contribuem para alimentar algumas patologias clínicas e sociais, ou seja, algumas linhas editoriais merecem a reprovação de Sua Santidade.
Imagem retirada da internet
O Papa Francisco destaca quatro “pecados” que os OCS de amiúde praticam, A calúnia, a difamação, a desinformação e até, veja-se só como o Sumo Pontífice, classifica a linha editorial de alguns OCS, como tendo contornos de coprofilia.
Sem generalizar, porque as generalizações não são rigorosas e, como tal, injustas, diria que estes e outros “pecados” cometidos pela comunicação social, que o Papa Francisco apontou, se verificam numa imensa maioria de títulos da imprensa, de rádios e televisões. Quanto à questão da coprofilia, tão grave quanto os outros “pecados”, é cultivada por alguns OCS que se alimentam na coprofagia, patologia afinal muito comum ou então não seria necessário recorrer a coprofilia para ascender, com sucesso, aos tops de audiência e de tiragens dos OCS que a utilizam.
Esta é apenas mais uma, de muitas outras, reflexões e afirmações do Papa Francisco que, admito que sim, me surpreenderam e que estão a afastar a minha suspeição inicial de que o Vaticano tinha encontrado, apenas, mais um figurante para lavar a face de uma organização gigantesca e poderosa que também estava a passar por um período complexo. Francisco afirmou-se com um pontificado diferente, um pontificado humanista.
Ponta Delgada, 13 de Dezembro de 2016

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 14 de Dezembro de 2016

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

... de Francisco, O Papa

Aníbal C. Pires (Vila do Porto) by Ana Loura






Fragmento de texto a publicar amanhã na imprensa regional







(...) Esta é apenas mais uma, de muitas outras, reflexões e afirmações do Papa Francisco que, admito que sim, me surpreenderam e que estão a afastar a minha suspeição inicial de que o Vaticano tinha encontrado, apenas, mais um figurante para lavar a face de uma organização (...)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Letargia política

Áníbal C. Pires (Luxor, Vale dos Reis- 2006)  by Madalena Pires
A agenda política regional parece estar numa fase de dormência, não direi hibernação porque aqui e ali há sinais de alguma atividade. A quadra natalícia que se avizinha pode ser a razão desta quietude que me inquieta, mas não pode justificar, por si mesmo, o entorpecimento político regional reinante, aqui e ali ponteado de alguns sinais vitais.
Quer-me parecer que estamos numa fase de acomodação, sem que acomodar signifique, neste contexto, qualquer coisa como conformismo. Será mais de acomodação à nova geografia parlamentar que parecendo ter tido poucas variações, quando olhamos apenas para a distribuição de mandatos, mas que na realidade sofreu algumas alterações de monta, variações que podem, em parte, justificar alguma inércia nesta fase da vida política regional. Se a este facto aduzirmos que a generalidade dos partidos, com assento parlamentar, limita a sua ação política à intervenção e ao trabalho institucional e, não se realizando, inexplicavelmente, o Plenário de Dezembro temos encontrada, decorrente da conjugação de fatores que identifiquei e de outros que não vislumbro, a justificação para esta letargia que se instalou, espero que transitoriamente, na vida política regional.
Foto - Aníbal C. Pires
Esta constatação não teria relevância e não passaria de um mero e fraco exercício de escrita criativa se alguns dos crónicos problemas com que os Açores e os açorianos se confrontam tivessem, como por milagre eleitoral, resolvidos, O que está longe de vir a acontecer, desde logo, se atendermos ao Programa que o Governo submeteu à aprovação da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
A coesão, os rendimentos do trabalho, a saúde, a educação, a economia regional, o mercado interno, a pobreza, a exclusão, as dependências, os transportes marítimos, aéreos e terrestres, onde é que está o Plano Integrado de Transportes (PIT), a crise na pesca e na agricultura, as dificuldades na indústria transformadora, a necessário diversificação e aumento da produção regional, a formação profissional de ativos, os impactos ambientais, as políticas de gestão de resíduos, nada disto é disfarçável com os resultados positivos do turismo.
A lista de questões enumeradas que urgem por resposta justifica uma atitude mais ativa sob pena do Governo regional e o PS continuarem politicamente impunes, aguardando que uma conjuntura, nacional e internacional favorável, o tempo e a continuada emigração solucionem o que, no uso das competências autonómicas, os órgãos de governo próprio deveriam resolver.
Nem tudo depende de nós, tenho disso consciência. As limitações impostas pelas diretivas europeias e pela aplicação das políticas comuns cerceiam a autonomia, retiram-nos competências e determinam modelos sociais e económicos que não se adequam à nossa geografia. Mas alguma coisa, ainda, depende de nós, assim sendo usem-se as competências autonómicas que nos restam para melhorar a vida do Povo açoriano.
Ponta Delgada, 11 de Dezembro de 2016

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário e Azores Digital, 12 de Dezembro de 2016

domingo, 11 de dezembro de 2016

... da inércia

Aníbal C. Pires (Ponta Delgada,2016) by Madalena Pires








Fragmento do texto que será publicado amanhã
na imprensa regional








"(...) A quadra natalícia que se avizinha pode ser a razão desta quietude que me inquieta, mas não pode justificar, por si mesmo, o entorpecimento político regional reinante, aqui e ali ponteado de alguns sinais vitais.(...)"

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

... tranquila e plena

Aníbal C. Pires (Cairo, 2006) by Amélia Pires
Tranquila rebeldia

De súbito aconteceu
A urgência de suspender
O espírito tempestuoso
Daquele ser inquieto
Chegou o Outono
E com ele
O regresso à existência
Tranquila e plena

Reposta a norma
Livre do tempo urgente
O bálsamo da liberdade
Massajou aquele espírito
Liberto de margens castradoras 
Em tranquila rebeldia
Vagueia por aí, livre
Entre o dever e o prazer
De tudo ou nada fazer

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 06 de Dezembro de 2016

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Celia Sanchez - a abrir Dezembro








Celia Sanchez foi uma das mais importantes e estruturantes figuras do movimento 26 de Julho que levou ao derrube do regime ditatorial de Fulgêncio Batista e à vitória da Revolução Cubana













E como bonitas são as mulheres que lutam o “momentos” dedica a Celia Sanchez  este mês de Dezembro.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Referência Universal

Eles bem gostavam, mas não é possível. Não é possível apagar-lhe o nome da história, nem é possível esconder os sucessos da revolução que, com outros, liderou.
Se era perfeito, Não seria. Se aquela ilha das Caraíbas é o paraíso na Terra, Não será. Mas quer ele, quer o seu Povo e o seu País são uma referência Universal. Quem o diz são os organismos internacionais, não sou eu. Quem o diz é o PNUD, é a UNESCO é a OMS, organismos imparciais, Sim imparciais porque eu quando falo de Fidel Castro e de Cuba sou parcial, Há muito tempo que tomei partido e não o escondo.
Ele foi sempre reconhecido pela coragem, resistência, determinação, cultura, inteligência, mas sobretudo, por ter sido capaz de lutar, até ao fim dos seus dias, por um Mundo melhor. E, os que lutam toda a vida são imprescindíveis à luta pela liberdade dos Povos, à luta pela libertação do indivíduo. Liberdade esse valor incomensurável que só se atinge pelo conhecimento e pela cultura, segundo o seu conterrâneo, José Marti. Principio que partilho por inteiro.
E foi isso que a revolução que ele iniciou e liderou se encarregou de fazer, ou não fosse José Marti a sua principal referência. Era um povo analfabeto, a revolução promoveu a alfabetização do povo, mas a revolução cubana não se ficou por aí. A revolução criou condições para a produção e a fruição cultural, e falamos de cultura popular e erudita. O Povo do seu País, não só está alfabetizado como é um Povo, reconhecidamente, culto.

Mas não foi só, nem é, na educação e na cultura que Cuba se notabilizou. É-o também na saúde, na investigação, nas políticas para a infância e juventude, É-o também na solidariedade internacionalista, quer no apoio às lutas de libertação dos povos subjugados pelo colonialismo, quer mais recentemente com o envio de missões humanitárias para todos os rincões do Mundo. Lembro que após a devastação provocada pelo furacão Katrina no Sul do Estados Unidos, Cuba não só foi o primeiro país a demonstrar a sua solidariedade para com as vítimas daquela catástrofe, como disponibilizou brigadas médicas para ajudar as populações, ajuda que não foi aceite. Foi assim no Haiti, foi assim durante a epidemia de ébola que afetou alguns países de África, foi e é assim. Onde é necessária ajuda humanitária e solidariedade internacionalista, Cuba está.
A morte de Fidel Castro provocou sentimentos diversos e contraditórios. Uns reconhecem e admiram o seu legado e prestam-lhe, por todo o Mundo, uma justa homenagem, apenas isso e não mais que isso.
Outros festejam-lhe a morte, morte que desejavam há muito, morte que centenas de vezes tentaram e outras tantas falharam. E o poder dominante tratou de acionar os seus acólitos para denegrirem e desvalorizarem o Homem e a Revolução, as televisões e os jornais trataram disso devidamente, o trabalho sujo foi complementado pela proliferação de aleivosidades nas redes sociais. Perfídias replicadas acriticamente pelas próprias vítimas desse poder oculto que uniformiza o pensamento e tenta aniquilar a diferença.

Para esses, para os que não sabem só ouviram dizer, mas que não se coíbem de regurgitar a propaganda imperialista socorro-me uma vez mais de uma frase de José Marti, hoje (ontem) trazida para as redes sociais pela mão da embaixadora de Cuba em Portugal, "Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros que têm em si mesmo o decoro de muitos homens".
Hasta Siempre Comandante



Ponta Delgada, 29 de Novembro de 2016

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 30 de Novembro de 2016