quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Privatizações e gestão privada, o caso do BCA

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires
A opinião divergente é salutar quando os argumentos são devidamente fundamentados, se assim não for nem sequer vale a pena o diálogo. Quando esbarramos com opinião ancorada nos lugares comuns, na ignorância, ou alicerçada em argumentação regurgitada tendo como base a opinião dominante, mas fabricada por agressivas e prolongadas campanhas de intoxicação. Não vale a pena, mas lamento. Lamento constatar que um tão grande número de cidadãos, alguns até com formação superior e, quase todos, beneficiários da ascensão social e económica que resultou daquilo que hoje tanto abominam, não sejam capazes de discernir o que é o interesse público e o que é manipulação a favor de um modelo ideológico e económico que está na origem da crise. Crise que os afeta, como me afeta a mim e como afeta quase todos, dizem até que os afetados por tão virtuoso modelo ideológico e económico são 99% da população mundial, não sei. Mas talvez sejam.
Vou socorrer-me apenas de um exemplo bem conhecido do povo açoriano para vossa reflexão sobre as virtualidades das privatizações e da gestão privada.
Ao contrário do que por aí, recentemente, vi afirmado em defesa da privatização das empresas públicas, o Banco Comercial dos Açores (BCA) não foi privatizado para injetar capital na EDA e na SATA. A eventual transferência de receitas públicas obtidas pela privatização de empresas públicas para o setor empresarial público (regional ou nacional) é uma decorrência da lei.

O BCA foi privatizado, na década de 90, por opção política dos chamados partidos do arco do poder, apenas isso. Podia até fazer o enquadramento histórico e político que está na origem da opção de privatizar tudo o que é público, que no nosso país, como é habitual, demorou mais tempo do que noutros países europeus, mas dispenso-me disso, aliás o processo continua em curso, como está bom de ver.
Com a privatização do BCA a região perdeu. Perdeu o instrumento financeiro, fala-se agora por aí na necessidade de criar um banco regional, o que diz bem da falta que o BCA fez (faz) à Região, mas perdeu também uma fonte de receita. O BCA não era deficitário.
Enquanto se manteve como entidade própria o BANIF Açores (ex BCA), ainda contribuía com alguns impostos para a receita da Região, mas foi sol de pouca dura pois a opção do grupo BANIF foi de acabar com o esse apêndice e absorvê-lo. O que teve como significado que os impostos cobrados deixaram de ser receita da Região.
Quanto às virtualidades da gestão privada fica apenas uma pergunta. O que é feito do BANIF e porquê. Afinal são duas as perguntas e os lesados, foram lesados por quem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 16 de Agosto de 2017

terça-feira, 15 de agosto de 2017

A privataria ronda o Grupo SATA

Uma das empresas do Grupo SATA, tal como a conhecemos, pode estar perto do fim. Quando esse evento vier a acontecer produzirá efeitos nas restantes empresas do Grupo. Uma das consequências será a privatização parcial ou total.
Privatização que para muitos setores da sociedade açoriana e para alguns dirigentes políticos e partidários regionais é, a solução. Solução que recolhe apoios nos mais diversos setores da sociedade açoriana e fora dela, e pela qual os abutres, internos e externos, tão ansiosamente aguardam.

E os trabalhadores do Grupo SATA o que pensam disto, todos os trabalhadores, não apenas os que de momento mantêm um diferendo com a administração e o representante do acionista. Alguns trabalhadores concordam com a privatização, Não tenho dúvidas, mas esses são a minoria e estão ao serviço, consciente ou inconscientemente, dos abutres neoliberais.
O que me preocupa é a inércia da generalidade dos trabalhadores sobre o cenário que está a ser construído para o Grupo SATA, o seu empregador.

Numa breve análise para as empresas públicas que foram sendo privatizadas facilmente se constata que os trabalhadores dessas empresas não beneficiaram da privatização. Nem os trabalhadores nem os utentes. 

Aconteceram despedimentos, desregulação das relações laborais, aumento da precariedade, diminuição do rendimento e uma clara degradação da qualidade do serviço que prestam.

Se é isto que querem, Então deixem-se estar quietos e sossegados no conforto do sofá que alguém vos anda a tratar do futuro. Mas não vai ser bom pois, como é fácil de verificar, quando não somos nós a determinar o que queremos para o futuro e ficamos à espera que outros tratem, a coisa não corre lá muito bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 15 de Agosto de 2017

O justo equilíbrio

Foto by Aníbal C. Pires
Temos sentimentos que nos alegram ou entristecem e, provocam-nos bem ou mal-estar consoante a sua natureza.
Os sentimentos induzem o pensamento e o comportamento. Por outro lado, as emoções são, segundo alguns pensadores, uma forma radicalizada que os sentimentos podem assumir.
E o que é levado ao extremo pode induzir comportamentos irracionais. Todos temos consciência, uns mais outros menos, de comportamentos ilógicos. Todos, de uma forma mais ou menos intensa, já nos comportámos fora do que seria desejável e benéfico para nós, ou seja, fomos irracionais. A emoção sobrepôs-se a outros fatores que deveriam ter mediado a ação e, por consequência o comportamento.
Não interessa tanto se os outros assim o observaram, embora os outros também devam ser considerados, afinal não vivemos sozinhos mesmo que possamos não ser muito sociáveis ou que, pura e simplesmente, os outros, não nos importem. O que levado ao extremo pode resultar por escolher ficar à margem, optar pela autoexclusão.
Não tenho nada contra os eremitas, até admiro a sua capacidade de viverem sós e afastados, ou pelo menos, reduzindo as suas relações sociais ao essencial, mas não a considero uma decisão razoável para mim, embora passe muito tempo comigo mesmo.

Foto by Aníbal C. Pires
Ir atrás das emoções pode ser caótico. As emoções afastam a racionalidade do comportamento. Racionalidade que sendo, no meu dicionário de sinónimos, calculismo, frieza e insensibilidade, ou mesmo a ausência de sentimentos, não pode, porém, deixar de ser considerada num dos pratos da balança quanto determinamos o que fazer, o que dizer, ou como optar. No outro prato da balança deve estar, sempre, a emoção.
É no justo equilíbrio entre a razão e a emoção que se encontram as melhores decisões, sejam as decisões do momento, sejam as decisões que afetam de forma irreversível o nosso futuro.
Tenham sentimentos e não corram atrás das emoções.
Apaixonem-se. Mas amem-se, sobretudo, amem-se.

Aníbal C. Pires, 14 de Agosto de 2017

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Inês, o ouro e a luta das mulheres




Os portugueses puderam exultar com a vitória da Inês Henriques nos mundiais de atletismo que se disputaram recentemente, em Londres. A Inês foi primeira entre as primeiras e bateu o recorde mundial dos 50 km marcha.
Primeira entre as primeiras porque esta era uma prova reservada apenas aos homens.



(…) Queria estar aqui para ser a primeira e demonstrar o que nós podemos fazer. Outras mulheres também se revoltaram com o que a IAAF estava a fazer para termos direito à nossa prova. (…)

Inês Henriques

Isto, só por si, já diz bem de que fibra é feita esta mulher.

(…) A minha mãe sempre fez tudo o que os homens faziam. O que eu fiz hoje foi muito duro, mas o que a minha mãe faz todos os dias é muito mais duro. (…)

Inês Henriques

E se dúvidas houvesse esta última frase diz bem da consciência social que a Inês tem. Fala da mãe, fala das mulheres e das suas lutas pela dignidade e igualdade.

Parabéns Inês, Parabéns por tudo.

domingo, 13 de agosto de 2017

Agora não. Amanhã, talvez

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2016) by Madalena Pires







Este texto é, ainda um draft. É, também, o início, uma parte de um projeto em construção que pode, ou não, vir a ganhar volume e a ser dado à estampa. Quiçá.










Assim como uma espécie de prólogo

Numa das muitas entrevistas para a imprensa, rádio e jornais em que foi o sujeito, perguntaram-lhe, Alguma vez se sentiu ou foi prejudicado pela sua opção ideológica e partidária. A resposta saiu pronta e limpa, NÃO. Ele sabia que a pergunta não era inocente e, segundo as suas próprias palavras, estava de alguma forma à espera daquela questão.

Sete Cidades - Foto by Aníbal C. Pires
Há uns dias num dos recantos paradisíacos deste arquipélago abençoado por Deus, para quem nele acredita, ou pela mãe Natureza como eu prefiro dizer pois, não creio em divindades, e, onde a amena cavaqueira pode tomar rumos diversos, confessou-me que aquilo que tinha afiançado com tanta firmeza, não era verdade.
A resposta é, SIM. Sim fui prejudicado. Então porquê aquele perentório NÃO, perguntei-lhe. Coloquei a questão sem esperar que a resposta, conhecendo-o bem e sabendo que é uma pessoa reservada naquilo que a si diz respeito, não viesse eivada de subterfúgios, ou mesmo que dele obtivesse uma não resposta. Mas, para surpresa minha, assim não aconteceu e, talvez por ser Verão, respondeu de forma clara e objetiva, tal como tinha respondido NÃO durante aquela entrevista.
Se eu tivesse respondido Sim, como era esperado pelos jornalistas que me entrevistaram, a entrevista que não era pessoal, eu estava ali a representar uma organização, passaria a centrar-se num tema que podendo ser importante para mim, não era relevante para cumprir o objetivo a que me propunha e ao que era esperado por quem eu estava a representar, ou seja, a partir daí, se eu tivesse respondido Sim, as questões que me seriam colocadas passavam para o domínio do acessório e o essencial passaria para segundo plano.
Podes até, diz-me ele, considerar que optei pelo politicamente correto ou que tive medo, podes ajuizar como muito bem entenderes, mas o verdadeiro motivo foi aquele que acabo de te dizer e que nunca o tinha referido a ninguém, aliás, também como já te disse, estava à espera da pergunta o que facilitou aquele categórico NÃO.

Foto by Madalena Pires
Sabes, diz-me ele, temos de nos preparar para todos os cenários e, ainda assim, nem sempre se consegue que tudo nos corra de feição, mas correrá sempre mal se não nos preparamos antes das entrevistas, ou mesmo quando se trata de fazer pequenas declarações à comunicação social, tantas e tantas vezes em cima do acontecimento. É sempre bom escolher as palavras e tentar não ser dirigido pelos nossos interlocutores. Bem, esta premissa, como por certo concordarás comigo, aplica-se não só a esse contexto, mas a outros cenários. Não foi este o caso pois, como pudeste constatar não estou a fugir às tuas questões e nunca me passou pela cabeça, quando me convidaste para vir até aqui, que a nossa conversa viesse a tomar este rumo.
Percebi perfeitamente, porque o conheço e porque conheço, ainda que, superficialmente o funcionamento da organização política a que pertence desde a sua juventude. Sentindo que ele, talvez pelo cenário idílico, pelo calor do Verão ou pela confiança que em mim deposita, estava com disponibilidade para falar, ganhei coragem e atrevi-me a continuar.
Ouve lá, Sabia, não precisava sequer que o confirmasses que, de uma forma ou outra, as tuas opções ideológicas, podendo deixar-te bem contigo mesmo, te prejudicaram ao longo da vida, mas em determinado momento foi claro que alguém o fez de forma deliberada, pôs o teu bom nome em causa e atingiu direta ou colateralmente, como quiseres entender, um familiar teu. O que estranhei e, como eu, certamente, muitas outras pessoas que te conhecem, e que não duvidam da tua integridade moral e política, o que estranhei foi que não tivesses vindo a terreiro defender-te e esclarecer a opinião pública, Porquê. Por que te remeteste ao silêncio.
Quando acabei, embora tivesse sido breve, estava com o suor a correr pelas costas e, não era do calor. Para lhe colocar, sem rodeios, esta questão foi preciso alguma coragem. Quem o conhece sabe que ele é afável, simpático e bem-humorado, mas também sabe que há questões sobre as quais ele não fala e se o tentam encurralar pode tornar-se num adversário temível.
Claro que enquanto lhe fiz a pergunta não deixei de olhar para ele, não só por uma questão da urbanidade que ele tanto cultiva, e eu também, mas sobretudo porque era importante ler os sinais corporais que ele ia, ou não, transmitir. Ele sorria ainda que do seu olhar transbordassem um misto de sentimentos e algumas emoções antagónicas cujo espetro ia da tristeza à raiva, raiva que não chegava a ser ódio e vi, no seu olhar, a deceção. Sorrindo, respondeu.

Foto by Madalena Pires
E falou como eu nunca o tinha ouvido falar, falou de si, das suas angústias, dos seus sonhos, os sonhos que se cumpriram, os sonhos que continuam por cumprir, mas dos quais não abdica. E, com lágrimas que de quando em vez lhe afloravam aos olhos, falou dos sonhos que sabe não poder ver realizados, sonhos que se perderam no tempo, ou porque o tempo, o seu tempo, é finito.
Queres mesmo saber, Pois bem. Pede aí mais uma imperial e uns amendoins, e, presta atenção. Não só te vou dizer por que não vim a terreiro, mas também quem é que me tentou foder a vida.
Estupefacto perguntei, Sabes quem foi. Claro que sei, Sei quem foram os autores, sei quem foi o mensageiro, sei quem foi instrumentalizado, sei quem foram os lacaios que deram corpo à difamação e, sobretudo, sei qual foi o objetivo que esteve associado a esta trama, que como verás, tem requintes de malvadez, diria mesmo que tem contornos maquiavélicos.
A tarde prolongou-se até noite dentro, muitas outras tardes e noites se lhe seguiram. Partilhou comigo mais do que alguma vez julguei ser possível, mas como ele próprio diz nem tudo pode ser contado. Agora não, Amanhã talvez.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 12 de Agosto de 2017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Pedras talhadas

Foto by Aníbal C. Pires
Calçada calcada

Pedras polidas
Por passos sem fim
Em calmos passeios
E agitadas correrias

São pedras talhadas
Pela mão do pedreiro
Com detalhe organizadas
P’la mestria do calceteiro

São caminhos
Calcados
No corre que corre
Da minha cidade

Mas, os teus passos
Não ferem as pedras
São como uma carícia
Na arte do obreiro







Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Agosto de 2017

… do bom senso que nem sempre é comum

Foto by Madalena Pires

A generalização, quando não constitui uma mera abstração, pode tornar-se um instrumento de padronização e, no extremo, de alimento do preconceito. Quando assim é, e é-o muitas vezes, a generalização pode conformar-se num instrumento de indução massivo de ideias que deturpam a realidade e, sobretudo, fere o respeito pela diferença e pela singularidade, que a vulgarização, por ser uma generalização, não considera.

A particularização é redutora da perceção da realidade global. Atender somente ao particular, sem contextualizar pode ser (é) tão pernicioso como a generalização que não salvaguarda o que é peculiar.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada 11 de Agosto de 2017

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A conflitualidade social no Grupo SATA 1

Foto by Aníbal C. Pires
Sobre o diferendo laboral que persiste entre o Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) (tripulantes de cabine) e a Administração da SATA muito se tem dito e escrito. Mas, nem todas as abordagens vão ao fundo da questão, aliás em minha opinião a comunicação oficial sobre o assunto não é, de todo, clara. E refiro-me, designadamente, à comunicação que o SNPVAC tem feito no espaço público regional e nacional, sendo que o mesmo se poderá dizer da Administração da SATA. Cada qual terá as suas motivações para que paire sobre o assunto alguma nebulosidade, fenómeno que tantas vezes está na origem do cancelamento de voos, quer sejam da SATA, quer de outra qualquer companhia de transporte aéreo. Compreendo que os processos negociais não devem ser expostos na praça pública, mas também não é isso que estou a afirmar ou, enquanto cidadão, a exigir. O que se exige é alguma transparência, nada mais do que isso.
Não sendo especialista, nem em aviação, nem em gestão, nem na mediação de conflitos, tenho, no entanto, alguma opinião, enquanto cidadão, sobre este desacordo que levou à realização de 2 greves durante o primeiro semestre de 2017 e às anunciadas greves, às assistências/voos extraordinários, com início a 11 de Agosto, e ao que julgo, sem fim anunciado, e a greve de 23 a 26 de Agosto. E tem sido esta última a que mais atenção tem despertado por parte da opinião pública e publicada. Se bem que chame sobre si a principal atenção, não será esta, mas sim a greve às assistências/voos extraordinários que maior penalização, vindo a consumar-se[1], infligirá à SATA. Posso explicar mais tarde, mas julgo que não é difícil de perceber por que faço esta afirmação.
Foto by Aníbal C. Pires
Por razões diversas desde 2012 que acompanho de perto a atividade ligada aos transportes aéreos e, em particular, tudo ao que ao Grupo SATA diz respeito, o que não me torna um especialista como atrás referi, mas que me confere algum conhecimento sobre o Grupo SATA, o seu funcionamento e a suas potencialidades e fragilidades, bem assim como sobre as opções, ou não opções, do Grupo para resolver questões, algumas crónicas, outras resultantes da alteração do paradigma do transporte aéreo, desde logo no espaço europeu, mas sobretudo na Região, sendo que este último tem de ser tomado na devida consideração quando se analisa o diferendo que opõe o SNPVAC à SATA, como todas as outras questões que se colocam, no presente e, no futuro próximo ao Grupo SATA.
Sobre a luta do pessoal de voo/tripulante de cabine são conhecidas algumas  das reivindicações dos trabalhadores, ainda que outras careçam de melhor clarificação pois, não quero crer que a greve se vá realizar, como pude constatar ao ler um artigo de hoje (9 de Agosto) por, motivos, de entre outros, como estes:
- “constatar as reiteradas falhas de gestão que existem na SATA, todas derivadas da falta de experiência de quem dirige os destinos da Empresa e consequentemente, das erradas opções estratégicas que foram tidas”.
- “esconder o também enviado Pré-Aviso de greve, que se inicia no próximo dia 11 de Agosto”, que diz respeito à “recusa dos tripulantes de aceitarem serviços de voo extraordinários que não cumpram com o estipulado em Acordo de Empresa”.
- “a nossa maior exigência prende-se com a necessidade de uma gestão profissional que permita à SATA regressar aos patamares de excelência que já teve. Uma boa gestão também terminaria com a necessidade de greves, pois, com certeza, esta iria ser cumpridora da Lei e dos Acordos de Empresa, ao mesmo tempo que respeitaria tanto Trabalhadores como Passageiros”.
Não serão estes os motivos. Não acredito. Sem beliscar toda a legitimidade que SNPVAC tem para se pronunciar sobre a estratégia e a comunicação do Grupo SATA, que emprega muitos dos seus associados.
Parece-me, porém, que esta é uma situação que difere substantivamente da que se viveu no Grupo SATA durante o ano de 2013, onde também algumas destas questões se levantaram, mas que não eram o cerne das reivindicações como, certamente, as não são em 2017. E era útil que fossem tornadas públicas pois, para mim fica difícil defender a luta dos tripulantes de cabine da SATA não conhecendo, com rigor, as suas reivindicações.

Foto by Aníbal C. Pires
O ano de 2013 em que os trabalhadores do Grupo SATA unidos numa ampla frente sindical conseguiram, com a sua luta, fazer valer os seus direitos, à semelhança do que tinha acontecido, sem conflito, com os trabalhadores da TAP.
Importaria, também, que a Administração da SATA viesse a público dizer, sem neblinas, aquilo que já satisfez no memorando das reivindicações do SPVAC e o que de todo não pode satisfazer e, sobretudo, por que as não pode, ou não quer satisfazer.
O tema é vasto e, sobretudo, complexo. Voltarei ao assunto nos próximos dias, mas não me vou embora sem deixar de reforçar a ideia de que, em 2013, não só o quadro da luta era diferente. Diferente era, também, o modelo de transporte aéreo e as Obrigações de Serviço Público, o que significa que o desfecho deste diferendo pode configurar, há indícios reais de que assim seja, um quadro bem diferente e do qual ninguém sairá a ganhar, ou melhor, se houver vencedores será/serão a(s) empresa(s) concorrentes com a Azores Airlines e os detratores das empresas públicas. Digo eu que não sou especialista em coisa nenhuma, mas vou fazendo alguma reflexão sobre este e outros assuntos.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 09 de Agosto de 2017



[1] Ao que julgo saber a greve às assistências terá sido já desconvocada. Fica em jeito de nota de rodapé pois o texto foi escrito ontem, 9 de Agosto.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Esta gente, essa gente

Foto by Aníbal C. Pires (Havana, Maio de 2005)







"Nós somos o que sabemos querer" 

José Marti










A libertação pela descoberta que só o saber e a cultura proporcionam ou, a submissão por essa gente que não sente como a gente.
É disto que nos fala o poema no vídeo abaixo. Digo eu que sinto como a gente que tem dente.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

... contra corrente

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires
À bolina

Fácil é ir na onda
Ao sabor da corrente
Com o rebanho
Para o curral

Ser igual 
É tão mais simples
Mas, não gosto
Não gosto de facilidades

Recuso o redil
Prefiro a liberdade
Não gosto
Da uniformidade

Desafiante é
Encarar o contratempo
Navegar à bolina
Correr contra o vento

Corrigir o rumo
Evitar a deriva
Caminhar sempre
E chegar, Chegar

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada 06 de Agosto de 2017

sábado, 5 de agosto de 2017

... sempre foi assim

Foto by Madalena Pires
Não, nem sempre

Há quem se dê por vencido 
Mesmo sem ir à luta
Há quem não esteja convencido
Das verdades imutáveis
De que sempre foi assim
E assim será
E
Pelo sonho vai à luta
Porque 
Nem sempre assim será

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 05 de Agosto de 2017

2000

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2016) by Madalena Pires 




Com este post, são já 2 mil publicações neste blogue.
É apenas um número, mas que quero assinalar não pela quantidade, mas pelo número crescente de visitantes e pelo que isso significa para quem, como eu, se manteve na blogosfera.
Fica o meu agradecimento a todos quantos, seguidores ou não, visitam este espaço.
Bem hajam!

Rui Veloso - os artistas da FESTA


Rui Veloso é um daqueles nomes incontornáveis ma música portuguesa, não adjetivo o género musical, fico-me apenas pelo epíteto de portuguesa, a música é universal independentemente das categorizações que lhe são atribuídas. O Rui vai estar na FESTA


Cantor, compositor e guitarrista, começou a tocar harmónica aos seis anos. Mais tarde deixar-se-ia influenciar por BB King e Eric Clapton, e lançou, com 23 anos, o álbum que o projetou no panorama da música nacional, Ar de Rock.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Nelson Cabral no Village Underground Lisboa





"A Passagem das Horas", de Fernando Pessoa | Álvaro de Campos, encenado e interpretado pelo ator Nelson Cabral.








A produção em Lisboa deste espectáculo, que estreou em 2015 no Teatro Micaelense (São Miguel, Açores), é da responsabilidade da Buzico Produções Artísticas.
"A Passagem das Horas" vai estar em cena de 25 de Agosto a 3 de Setembro, no Village Underground Lisboa, sempre às 22h00.

Mais informações e aquisição de bilhetes aqui.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Nota de esclarecimento com destinatário

Aníbal C. Pires by Madalena Pires (S. Miguel, 2017)
Meu caro Rui Medeiros,
Publiquei o seu comentário e até o transcrevi na publicação anterior onde faço também as correções que se impunham. Factos são factos.
Feita esta pequena explicação importa, contudo, reafirmar de que algo não correu como seria desejável. Não critiquei gratuitamente, até brinquei um pouco com a situação, contudo, as quatro questões que levantei são pertinentes e carecem de uma explicação pública, estas e quiçá outras.
Pode encontrar no meu blogue e noutros fóruns muitas alusões à SATA, criticando as políticas do representante do acionista, mas defendendo sempre o Grupo SATA e a sua importância estratégica para Região.
Quanto ao turismo tenho também vasta opinião publicada, designadamente, com algumas preocupações sobre as tentativas de uniformização de um destino que tem e deve manter a procura, ou seja, a sustentabilidade exatamente pela sua singularidade e pela excelência, caraterísticas que dificilmente são compagináveis com uma aparente estratégia de massificação e até como de atividade económica substitutiva, de outras que garantem equilíbrio à economia regional.
Percebo a sua posição, mas convenhamos que face às caraterísticas do nosso destino (clima e meteorologia, condicionantes de transporte, capacidade hoteleira, etc., tudo, menos o clima e a meteorolgia, a depender da sazonalidade) devemos ter algum cuidado na forma como fazemos a oferta, sob pena de outros incidentes como este se virem a repetir, com todos os custos que daí advêm.
Por fim, não o tendo referido no texto, mas é óbvio, embora não assumido por quem falou em nome dos turistas, que existem algumas responsabilidades do operador turístico, isto no que concerne à travessia do canal numa embarcação com aquelas caraterísticas.
Agradeço o seu comentário, Obrigado.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 02 de Agosto de 2017

Correção à publicação "Açores destino de aventura"

Foto by Aníbal C. Pires (Aeroporto de PDL, 2016)
Este texto tem por objetivo fazer algumas correções factuais à publicação que tem por título, Açores destino de aventura, segundo informação recebida através de um comentário, já publicado e disponível neste blogue. Informação que me merece toda a credibilidade e como tal assumo as presentes correções que assinalo a vermelho na transcrição do que aqui deixo da publicação a que me refiro. Antes do texto transcrevo a comentário que foi feito  

"Rui Medeiros deixou um novo comentário na sua mensagem "Açores destino de aventura": 

Está mal informado. Os passageiros tinham um voo LIS-HOR no sábado à tarde que cancelou. Só foram reacomodados num voo alugado para a Terceira no dia seguinte e foram feitas ligações extra TER-HOR pela SATA Air Açores. Acontece que a intenção dos passageiros era apanhar o barco para o Pico mas só chegaram ao Faial no domingo depois de já terem terminado as carreiras regulares dos barcos. A SATA, não tinha qualquer obrigação após os ter deixado no destino contratado, no Faial, mas ainda assim envolveu-se e resolveu o problema das pessoas. 

Esquecem-se todos que estamos em pleno pico de verão e não há vagas em hotéis, não há frota excedentária e não é só estalar os dedos e há mais uma cama ou mais um avião ou mais trabalhadores para manterem os serviços disponíveis até ás tantas e voltar ao serviço às 8 do dia seguinte como se não se tivesse acontecido nada.

A solução para as irregularidades não pode ser ter um avião, um barco, um hotel, 10 funcionários parados, à espera do dia em que, por algum motivo, o avião não vem. São Pedro não quer saber se agora nos auto-proclamamos destino da moda, os nevoeiros, os ventos e a chuva vão continuar por aqui e os aviões não vão aterrar. É verdade que há coisas a melhorar e que estamos perante uma fase de irregularidades a mais nas ligações com os Açores, mas o chorrilho de críticas só por criticar também já cansa. 

P.S. Este desabafo vem na sequência de toda a contra-informação que tem vindo a aparecer sobre o assunto e não apenas o seu artigo."

Agora a transcrição da publicação devidamente corrigida.

Li por aí algures que um grupo de visitantes, também designados por turistas, terão mostrado o seu desagrado por algumas alterações na programação prevista no seu plano de férias. E foi logo à chegada. Vamos lá ver como corre a estadia. Desejo que a meteorologia seja favorável às suas pretensões e expetativas, bem assim como todos os outros serviços que contrataram, ou que venham a contratar.
O voo que seria direto, Não foi e acabaram por ter de passar em mais uma ilha até chegar ao destino final, sendo que a última parte da viagem foi feita, de semirrígido, já durante a noite.
Os agentes de viagens deviam acrescentar uma cláusula ao contrato que fazem com os seus clientes, que visitam os Açores, e que os proteja de eventuais reclamações. Uma cláusula de salvaguarda que preveja o aumento do valor do contrato sempre que se verifiquem situações semelhantes à que foi descrita, afinal, a experiência foi muito para além da expetativa inicial, que seria apenas um voo sem estória num A320 entre a capital e o Faial, o que já não seria mau se o Pico estivesse descoberto. Mas não, foi muito mais do que isso, o voo foi cancelado e os passageiros reacomodados num voo ACMI, não para o Faial, mas sim para a Terceira, isto no dia seguinte. Da Terceira, e com recurso a voos extraordinários os passageiros foram transportados em 2 voos para Horta, que era o seu destino. A travessia da Horta para a Madalena estava prevista para os passageiros que tinham como destino final o Pico. À chegada ao Faial, estranhamente, os visitantes não tinham à sua espera, como é habitual, um barco da Atlântico Line, e foram transportados num semirrígido. Como a lotação da embarcação era reduzida foram necessárias várias viagens para transportar os visitantes que se queixaram, de entre outras coisas, da falta de coletes de salvação. Estas viagens realizaram-se já na madrugada do dia seguinte, ao da chegada aos Açores. Os Açores são um destino de aventura, pois bem esta foi uma aventura extraprograma, sem custos adicionais para os clientes.
Claro que este último e enorme parágrafo tem alguma ironia à mistura. Se o cancelamento de um voo, ou a alteração do seu destino por motivos meteorológicos é aceitável, acontece e não é só no Faial (1), já o mesmo não posso dizer do bizarro horário de chegada ao Faial e da solução encontrada para fazer chegar os passageiros ao seu destino final.
Como não gosto de especular e não tenho todos os dados sobre esta atribulada viagem fico-me apenas por quatro questões que, julgo, necessitam de explicações.

- Havia ou não alternativa na programação de voos da SATA tendo em conta a articulação com os horários das carreiras regulares da Atlântico Line?

- Porque não funcionou o Plano Integrado de Transportes, agora terá uma nova designação, mas a eficácia é a mesma, ou seja, porque não foi mobilizado um barco da Atlântico Line para o transporte daqueles passageiros?

- Quem contratou o serviço da embarcação que assegurou o transporte marítimo dos passageiros entre a Horta e a Madalena?

- Não dispondo a embarcação, como foi afirmado pelos passageiros, meios de salvação individual (coletes) qual o papel e responsabilidade da Autoridade Marítima?

(1) Tenho, por razões várias, muitas dezenas de voos (talvez centenas) e muitas centenas de horas voadas dentro da Região e entre a Região e Lisboa e, vice-versa. Foram mais as vezes que não cheguei a Ponta Delgada ao vir de Lisboa, do que vindo de qualquer ilha da Região. Nos voos inter ilhas apenas por 2 vezes não cheguei a Ponta Delgada. Fiquei retido 1 vez nas Flores e 1 vez na Terceira. Nas ligações de Lisboa com Ponta Delgada embora não tenha de memória o número de vezes que o voo regressou a Lisboa, ou que que divergimos para a Terceira ou Santa Maria, foram seguramente mais vezes do que os dedos de uma só mão.  

Aníbal C. Pires, Ponta delgada 31 de Julho de 2017


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Penélope Cruz - a abrir Agosto


É, A gosto.
E deixo, à vossa frente, Penélope Cruz.
Palavras, Não. Para que serão necessárias as palavras se temos sardas para descobrir.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Açores destino de aventura

Foto by Aníbal C. Pires (algures no Atlântico Norte, 2016)
Li por aí algures que um grupo de visitantes, também designados por turistas, terão mostrado o seu desagrado por algumas alterações na programação prevista no seu plano de férias. E foi logo à chegada. Vamos lá ver como corre a estadia. Desejo que a meteorologia seja favorável às suas pretensões e expetativas, bem assim como todos os outros serviços que contrataram, ou que venham a contratar.
O voo que seria direto, Não foi e acabaram por ter de passar em mais duas ilhas até chegar ao destino final, sendo que a última parte da viagem foi feita, de semirrígido, já durante a noite.
Os agentes de viagens deviam acrescentar uma cláusula ao contrato que fazem com os seus clientes, que visitam os Açores, e que os proteja de eventuais reclamações. Uma cláusula de salvaguarda que preveja o aumento do valor do contrato sempre que se verifiquem situações semelhantes à que foi descrita, afinal, a experiência foi muito para além da expetativa inicial, que seria apenas um voo sem estória num A320 entre a capital e o Faial, o que já não seria mau se o Pico estivesse descoberto. Mas não, foi muito mais do que isso, o voo foi cancelado e ao invés do Faial foi para a Terceira, sendo que da Terceira para Horta não foi possível a sua realização, os voos (foram 2, pois foram efetuados pela Sata Air Açores) tiveram como destino o Pico. À chegada ao Pico, estranhamente, os visitantes não tinham à sua espera, como é habitual, um barco da Atlântico Line, e foram transportados num semirrígido. Como a lotação da embarcação era reduzida foram necessárias várias viagens para transportar os visitantes que se queixaram, de entre outras coisas, da falta de coletes de salvação. Estas viagens realizaram-se já na madrugada do dia seguinte, ao da chegada aos Açores. Os Açores são um destino de aventura, pois bem esta foi uma aventura extraprograma, sem custos adicionais para os clientes.

Foto by Aníbal C. Pires (Aeroporto de PDL, 2016)
Claro que este último e enorme parágrafo tem alguma ironia à mistura. Se o cancelamento de um voo, ou a alteração do seu destino por motivos meteorológicos é aceitável, acontece e não é só no Faial (1), já o mesmo não posso dizer do bizarro horário de chegada ao Pico e da solução encontrada para fazer chegar os passageiros ao seu destino final.
Como não gosto de especular e não tenho todos os dados sobre esta atribulada viagem fico-me apenas por quatro questões que, julgo, necessitam de explicações.

- Havia ou não alternativa na programação de voos da SATA tendo em conta a articulação com os horários das carreiras regulares da Atlântico Line?

- Porque não funcionou o Plano Integrado de Transportes, agora terá uma nova designação, mas a eficácia é a mesma, ou seja, porque não foi mobilizado um barco da Atlântico Line para o transporte daqueles passageiros?

- Quem contratou o serviço da embarcação que assegurou o transporte marítimo dos passageiros entre a Madalena e a Horta?

- Não dispondo a embarcação, como foi afirmado pelos passageiros, meios de salvação individual (coletes) qual o papel e responsabilidade da Autoridade Marítima?


Foto by Aníbal C. Pires (Canal S. Jorge/Pico, 2016)
(1) Tenho, por razões várias, muitas dezenas de voos (talvez centenas) e muitas centenas de horas voadas dentro da Região e entre a Região e Lisboa e, vice-versa. Foram mais as vezes que não cheguei a Ponta Delgada ao vir de Lisboa, do que vindo de qualquer ilha da Região. Nos voos inter ilhas apenas por 2 vezes não cheguei a Ponta Delgada. Fiquei retido 1 vez nas Flores e 1 vez na Terceira. Nas ligações de Lisboa com Ponta Delgada embora não tenha de memória o número de vezes que o voo regressou a Lisboa, ou que que divergimos para a Terceira ou Santa Maria, foram seguramente mais vezes do que os dedos de uma só mão.  

Aníbal C. Pires, Ponta delgada 31 de Julho de 2017

sábado, 29 de julho de 2017

Gisela João - os artistas da FESTA


Nua é a designação dada ao último trabalho discográfico de Gisela João. É fado tal como ela o sente e gosta de cantar. E vai cantar na FESTA.


O disco dá voz às palavras de alguns poetas da atualidade, visita temas clássicos e tradicionais e surpreende-nos mostrando que, vinda de onde vier, e vem de muitos sítios, a música que passa pela voz de Gisela João é fado. É esse o seu fado.

... momento efémero

Aníbal C. Pires (S. Miguel)  foto by Catarina Pires
Amargura

O passado é imutável
Este presente é amargo
É triste 
E dói

O presente 
É um efémero momento
Já findou, é passado
Passou

No porvir habita a esperança
Confio
Olho em frente
Sigo o meu caminho

Virão
Outros presentes
Outros momentos
Sem dor, nem amargura

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 29 de Julho de 2017

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Júlio Pereira - os artistas da FESTA


Júlio Pereira vai apresentar vários tema do seu novo trabalho discográfico com lançamento em Setembro de 2017, onde o som do cavaquinho contrasta com o Violoncelo – Sandra Martins, com a Guitarra Portuguesa – Pedro Dias  e com a Viola – Miguel Veras, numa criação musical de contemporânea mestiçagem.


Neste concerto Júlio Pereira revisitará “Cavaquinho.pt” - o seu último Álbum.
No palco da FESTA, este conjunto de universos resultará numa diversificada viagem por múltiplas paisagens sonoras.

Dos transportes e das infraestruturas*

Foto by Aníbal C. Pires (Vila do Corvo)
A geografia doa Açores, quer no diz respeito à nossa localização global, quer no que concerne à dispersão e dimensão territorial, faz-nos depender dos transportes. A dependência de transportes que nos unam e liguem ao Mundo não é de hoje, é de sempre. Mas hoje, quase a entrar na terceira década do Século XXI, a questão dos transportes marítimos, veja-se lá, e aéreos continuam a motivar acesas, e por vezes interessantes, discussões. Discussões umas mais objetivas e pertinentes do que outras, mas em bom rigor elas, as discussões, sobre os transportes continuam bem vivas no espaço público e político regional e algumas merecem atenção, outras por infundamentadas e instrumentalizadas, nem por isso, mas ainda assim não podem nem devem ser ignoradas.
Muito foi feito nestas mais de quatro décadas de autonomia constitucional. Construíram-se as necessárias infraestruturas, sempre a multiplicar por nove, e registaram-se importantes avanços nas ligações marítimas e aéreas e no transporte de mercadorias e pessoas. Depois com o advento das novas tecnologias de informação e comunicação foi dado mais um importante avanço na quebra do isolamento a que este povo esteve sujeito desde os primórdios do povoamento.

Foto by Aníbal C. Pires (Porto da Horta)
Quanto às infraestruturas portuárias e aeroportuárias a sua localização foi, em grande parte, ditada pela orografia das nossas ilhas e por condicionantes meteorológicas . Em algumas das soluções adotadas, quanto à sua localização, salta à vista que não havia alternativa, ou era ali ou, não era. Mas também existem algumas situações que deviam ter merecido outra atenção e, sobretudo, capacidade de decisão política contra interesses, de momento, que, como se sabe, induziram decisões que não foram as mais adequadas. E não me refiro apenas às infraestruturas construídas já depois de consagrada a autonomia constitucional.
Seja como for temos hoje uma Região dotada de infraestruturas portuárias e aeroportuárias que, no essencial, respondem às necessidades da Região. Ainda é cedo para abandonarem a leitura do texto, Claro que existem e subsistem problemas de operacionalidade com algumas das infraestruturas, quer portuárias, quer aeroportuárias, e lá chegarei. Pelo menos é o que pretendo, embora tenha consciência que a minha opinião poderá gerar alguma controvérsia.

Foto by Aníbal C. Pires (vista aérea do aeroporto de S. Jorge)


Da localização nada há a fazer. Julgo que a ninguém, em seu perfeito juízo, passará pela ideia mudar a localização dos portos e aeroportos da Região. Quanto às melhorias operacionais, certamente que sim, mas sem megalomanias ou tiques de novo-riquismo.



(Continuará brevemente)



Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 27 de Julho de 2017

(*) Este texto, surge na sequência de um outro, que podem consultar aqui. Outros textos se seguirão porque o assunto é vasto e controverso.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Olhando o Mundo

Foto by Madalena Pires (S. Miguel, Açores, Julho de 2017)











A aprender o que não se aprende na Escola. 
Não é o currículo alternativo, É o currículo necessário para educar e formar para a vida, para a cultura, para a cidadania.


















Foto by Madalena Pires (S. Miguel, Açores, Julho de 2017)







Aprender vivendo, estando e experimentando, calcorreando o caminho da vida e do sonho, ouvindo o silêncio da brisa que sopra na folhagem, o canto das aves, o murmúrio da água que corre mansamente nas ribeiras a caminho do mar. 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Capicua, Valete, Emicida e Rael (Língua Franca) - os artistas da FESTA


Sobre “Língua Franca”, disco de Capicua Valete, Emicida e Rael, disse Caetano Veloso, “é todo um Mundo humano que se representa nesta associação de MCs. Todo um Mundo que aprende a levantar-se”.
Sou um fã de Valete. Só por ele já valia migrar, nos dias 1,2 e 3 de Setembro, para a Festa do Avante, que se realiza ali para os lados da Amora, Seixal. Sim na margem Sul, a margem esquerda, a margem certa da vida, Sim, do lado do coração.


Mas com esta associação de 2 rappers portugueses, Capicua e Valete, e 2 rappers brasileiros, Emicida e Rael, à volta da língua que irmana estes dois países, quadruplica os motivos para ir à FESTA e constatar que por ali coexistem e interagem diversos géneros musicais.
A música na FESTA é para todos os gostos.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Xabier Diaz e Adufeiras do Salitre - os Artistas da FESTA


Xabier Diaz e as Adufeiras de Salitre também vão à FESTA.


E é o seu mais recente trabalho, com as Adufeiras de Salitre, um grupo de percussionistas e cantoras de música popular (acompanhados por Guti Álvarez, na sanfona e violino, e Javier Álvarez, no acordeão diatónico), que vai ser apresentado na FESTA.

O modelo de transporte aéreo e alguns equívocos

Foto by Aníbal C. Pires
Os faialenses e os picoenses, pelo menos alguns, estão mobilizados em defesa de melhorias nas infraestruturas aeroportuárias que servem as duas ilhas e das ligações aéreas para o exterior. Os faialenses e os picoenses, pelo menos alguns, não se mobilizaram contra a privatização da ANA Aeroportos e da TAP, por outro lado os terceirenses, também estão, pelo menos alguns, mobilizados para garantir que a operação aérea civil que serve aquela ilha se liberte de alguns constrangimentos que decorrem do facto da infraestrutura aeroportuária da Terceira ser militar, mas os terceirenses também estão mobilizados, pelo menos alguns, para que as ligações aéreas com o exterior possam melhorar.
Os terceirenses exigiram, pelo menos alguns, a liberalização da rota e a entrada no mercado de companhias lowcost, os terceirenses, pelo menos alguns, aceitaram sem reservas a liberalização das rotas com o continente português.
A Terceira, se bem se lembram, serviu, em primeira instância, para aumentar ilusoriamente o mercado açoriano para a entrada das lowcosts. Pois, e se bem se lembram, num primeiro momento, não houve nenhuma manifestação de interesse por qualquer companhia aérea de baixo custo, pela rota Terceira/Lisboa ou Terceira/Porto, ou se houve exigências das aludidas transportadoras não foram, na altura, satisfeitas. Esta questão, as exigências das lowcost, só recentemente teve resposta positiva e, finalmente, uma das putativas interessadas entrou no “mercado”. Não me perguntem quais, nem me perguntem quem satisfez as tais exigências de que todos ouvimos falar, mas que todos desconhecemos. Eu também não as conheço, mas lá que elas existem, existem, e que foram satisfeitas, lá isso foram. Um dia destes se tiver tempo para isso ainda vou à procura dos valores que estas exigências custaram e custam aos contribuintes, quer residam nas regiões insulares, quer residam no continente.

Foto by Aníbal C. Pires

A privatização da ANA e da TAP, a liberalização das rotas da Terceira e de S. Miguel, entenda-se o fim das Obrigações de Serviço Público (OSP), e as alterações às OSP, alteraram substantivamente o paradigma do transporte aéreo na Região. A maioria da população açoriana, não tenho dúvidas, continua satisfeita, ou não vivesse a maioria da população açoriana na ilha de S. Miguel.
As exigências dos faialenses, dos picoenses e dos terceirenses são legítimas, lá isso são. Mas que as soluções preconizadas nem sempre são as mais adequadas e os alvos nem sempre são bem escolhidos, também é verdade. Isto sem considerar que muitos dos problemas que se verificam ficam a dever-se a opções políticas contra as quais apenas alguns, poucos, faialenses, picoenses e terceirenses, poucos açorianos, colocaram reservas ou, de forma clara, se manifestaram contra.
Os aeroportos da ANA/VINCI na Região, com exceção do aeroporto João Paulo II, dificilmente serão objeto de investimentos que respondam a algumas das exigências que estão colocadas pelos faialenses, mas também pelos marienses e até pelos florentinos. Em Santa Maria também existem reivindicações e o aeroporto das Flores aguarda há anos pela certificação da iluminação. A razão é simples, são deficitários. Em virtude disso, ou não, a VINCI já anunciou um aumento em algumas das taxas aeroportuárias nos seus aeroportos.
Já os aeroportos da Região, esses sim, continuarão a ser objeto de investimento público, naturalmente, afinal estes ainda são públicos. Que seja o investimento que está a ser exigido, tenho algumas dúvidas.

Foto by Aníbal C. Pires
Quanto à saudosa TAP, não voltará. Ou melhor até pode voltar se houver mercado e rentabilidade. A TAP, tal como a ANA foram privatizadas não estão por cá por qualquer obrigação, ou por que os Açores lhe merecem uma atenção especial. Nada disso trata-se de um negócio e, os negócios são para dar lucro. Embora no caso da ANA/VINCI existam algumas obrigações decorrentes do contrato de concessão.
Quanto ao Grupo SATA sobre o qual recaem grandes e profundos ódios e, quando não há mais em quem assentar o chicote pois bem, fustigue-se a SATA.
O Grupo SATA não é nem deve ser, assim, como uma espécie de vaca sagrada, mas que diabo a sua existência enquanto transportadora aérea pública é ou não é importante para os Açores. Que o GRUPO SATA necessita de ser recapitalizado e reestruturado para dar resposta a velhas e novas exigências de uma operação cuja complexidade não é apenas de ordem operacional, vai muito para além disso, não tenho dúvidas, mas de cada vez que se fustiga a SATA está-se a estender uma passadeira vermelha para a sua privatização.

Foto by Aníbal C. Pires
Para além de pequenas e grandes lutas políticas sobre as questões que aqui abordo existem muitos equívocos e, sobretudo, a falta de um olhar hodierno e holístico sobre a problemática do transporte aéreo dentro da Região e da Região para o exterior, tendo em conta o serviço público, mas também uma vertente comercial que importa aprofundar e até expandir. A falta desse olhar serve a baixa política e induz decisões e indecisões que a prazo nos vão prejudicar a todos.
Fica o compromisso de proximamente regressar a este assunto.



Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 24 de Julho de 2017

sábado, 22 de julho de 2017

Surpreendam-se com João Barradas - os artistas da FESTA


O programa musical da FESTA não deixa ninguém de fora, a ideia é essa, incluir na diversidade de géneros musicais e do gosto de cada um.
Jazz com João Barradas e a introdução de um invulgar instrumento musical neste género musical, O acordeão. Esta é uma, de entre as muitas e constantes surpresas que o jazz português nos tem proporcionado nos últimos anos.

Comprovem assistindo ao vídeo e indo à FESTA para o ver e ouvir ao vivo.


sexta-feira, 21 de julho de 2017

Espaço à Ciência - a Ciência na FESTA


A FESTA não é só da Música, do Teatro, das Artes Plásticas e do Livro. A FESTA é também da Ciência.

Mar – património e potencialidades é o lema do Espaço Ciência, que inclui uma exposição central com elevado rigor científico e atualidade e proporciona a oportunidade para refletir, debater e perspetivar sobre áreas do conhecimento próprias das ciências naturais e sociais. Na exposição sistematiza-se aspetos como o contexto histórico, cultural e social, o enquadramento científico, os recursos marítimos, as potencialidades e oportunidades, o desenvolvimento regional e nacional, as decisões políticas e as propostas do PCP.

As observações, demonstrações e experiências conduzidas por especialistas, a relação da ciência com as várias formas de arte e o espaço Criança são algumas das atrações que o Espaço Ciência oferece ao visitante, seja este mero curioso ou especialista. Haverá ainda debates subordinados às várias perspetivas relacionadas com a temática.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Festa do Livro - a literatura na FESTA


A FESTA não é só da Música, do Teatro ou das Artes Plásticas, a Festa é, também, do Livro.
Sessões de apresentação de novos livros, conversas com os autores, debates e a Festinha do Livro para os mais novos.






São milhares de títulos, dezenas de editoras, descontos e promoções. Ou seja, a Festa do Livro é de visita obrigatória. Porque ler é libertador.

domingo, 16 de julho de 2017

António Zambujo - os artistas da FESTA





O António Zambujo também vai à FESTA e, como ele, muitos outros cantautores como os açorianos Luís Alberto Bettencourt e Zeca Medeiros. 






O momentos dará conta de outros artistas e grupos musicais que irão participar na edição 2017 da FESTA DO AVANTE.
António Zambujo cultiva e afirmou um estilo musical muito próprio que, bebendo nas suas raízes culturais, se foi libertando e universalizando.



sábado, 15 de julho de 2017

A 20.ª Bienal - as artes plásticas na FESTA


A FESTA não é só da Música ou do Teatro. A FESTA é, também, das Artes Plásticas.



No espaço das Artes Plásticas decorre a 20.ª Bienal. O desenho, a pintura, a escultura, a gravura, a fotografia e o vídeo.
Esta edição da Bienal, a 20.ª, registou a participação de cerca de 120 concorrentes, nacionais e estrangeiros, nomeadamente da Colômbia, Brasil e Espanha, e mais de 200 obras, das quais foram selecionadas 80, de 66 autores, que serão expostas durante os três dias da Festa.