quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

No Portuguese Times de New Bedford







A última edição impressa do “Portuguese Times", dia 13 de Dezembro, divulga na coluna “Nas Duas Margens”, de Vamberto Freitas, o livro “Toada do mar e da terra (Volume I – 2003/2008)
O “Portuguese Times” é um jornal semanário das comunidades portuguesas na costa Leste dos Estados Unidos.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Já nas livrarias

Foto by Paulo Cabral

O livro de crónicas revisitadas “Toada do mar e da Terra (Volume I – 2003/2008) já está à venda na Livraria Leya SolMar, em Ponta Delgada, e nos próximos dias estará disponível na Ilha Terceira, na Loja do Adriano, na ilha do Faial, na Livraria O Telégrafo, na ilha do Pico, na Bel’ Arte (Madalena), e na Livraria Ferin, em Lisboa

Tradições


Foto by Madalena Pires
Ainda faltam uns dias, semanas mesmo, mas o espaço já está imbuído de apelos e o ambiente festivo transparece dos rostos e comportamentos. Não há nada a fazer, ou nos integramos no espírito da coisa, ou somos olhados como marginais que não respeitam a ordem instituída. Cá por mim o papel de ovelha tresmalhada assenta-me bem e, agora que já tenho os filhos crescidinhos e como não estão por perto, nem sequer tenho de elaborar as habituais desconstruções para justificar porque não me quero submeter ao calendário comercial, embora o total alheamento a essa realidade seja uma impossibilidade.
Não há como fugir ao espírito desta quadra festiva, ou pelo menos não a ter em consideração e referenciar. Este texto é o exemplo acabado do que acabei de afirmar, embora não se trate de uma rendição ao mercantilismo que lhe está associado.
Até gosto de alguns aspetos ligados às comemorações do Natal e à passagem para um Novo Ano. Gosto dos momentos de reunião da família e dos amigos, gosto dos madeiros a arder nos adros das igrejas nas aldeias, vilas e cidades da Beira Baixa, gosto do cantar às janeiras e às estrelas e, pouco mais. O que já não é pouco para quem, como eu, não necessita de muito para se sentir bem com os outros e consigo mesmo.

Foto by Aníbal C. Pires
O princípio destas celebrações, como de muitas outras, tem as suas origens nos ciclos naturais e, é na sua génese que eu encontro motivos para comemorar. A natividade é uma festa de todos os dias, o Solstício de Inverno acontece uma vez por ano. O que celebramos por esta altura do ano, no hemisfério Norte, tem as suas raízes nas tradições pagãs ligadas ao Solstício de Inverno e aos deuses de diferentes mitologias e crenças, mas sobretudo ao Sol pois, é a partir do dia em que a noite é mais longa que a luz natural volta gradualmente a aumentar a sua duração até ao Solstício de Verão.
A expansão da cristianização e dos cultos que foram sendo construídos ao longo dos primeiros séculos da nossa era (era cristã) resultaram na imposição aos povos de uma ideia monoteísta de religião, um só Deus. Os cultos politeístas do Solstício de Inverno manifestavam-se por diferentes formas, conforme a geografia, mas não sendo compatíveis com o objetivo e doutrina das igrejas cristãs foram, paulatinamente, substituídos pelas celebrações do nascimento de Jesus Cristo.
Nada disto é novidade e o mesmo sucedeu com outras celebrações pagãs ligadas aos ciclos naturais. Não é tanto o reconhecimento destes factos que me perturbam, pois, os povos na sua imensa sabedoria e capacidade de resistir mesclaram os ancestrais rituais com os que lhe foram impostos pelo culto dominante. O que verdadeiramente me preocupa é esta nova e avassaladora imposição comercial que tudo desvirtua e contra a qual parece não haver, pelos povos, nem a sabedoria, nem a capacidade de resistência que lhe faça frente. E todos perdemos com isso, desde logo a Igreja católica. O Papa Francisco, em 2015, veio a terreiro dar conta disso mesmo.
Como sou pelas tradições, sem que nada tenha a opor à evolução dos costumes e à modernidade, celebro o Natal pelo Solstício de Inverno.

Ponta Delgada, 12 de Dezembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 13 de Dezembro de 2017

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

... das quadras festivas

Foto by Madalena Pires







Excerto de texto a publicar na imprensa regional e no blogue momentos









(...) Não há como fugir ao espírito desta quadra festiva, ou pelo menos não a ter em consideração e referenciar. Este texto é o exemplo acabado do que acabei de afirmar, embora não se trate de uma rendição ao mercantilismo que lhe está associado.
Até gosto de alguns aspetos ligados às comemorações do Natal e à passagem para um Novo Ano. Gosto dos momentos de reunião da família e dos amigos, gosto dos madeiros a arder nos adros das igrejas nas aldeias, vilas e cidades da Beira Baixa, gosto do cantar às janeiras e às estrelas e, pouco mais. O que já não é pouco para quem, como eu, não necessita de muito para se sentir bem com os outros e consigo mesmo. (...)

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Um incompreensível silêncio

Foto by Aníbal C. Pires
O desfecho estará por pouco tempo e o silêncio dos trabalhadores só pode ser entendido como de anuência. Que a opinião pública regional seja maioritariamente apoiante da alienação de parte do capital social da SATA Internacional/Azores Airlines não constitui surpresa, espantoso seria que a sociedade açoriana se mobilizasse contra este processo e privatização depois da intensa campanha que foi feita sobre as virtualidades do mercado e da gestão privada. Mas o silêncio dos trabalhadores é incompreensível.
Nem sindicatos, nem comissões de trabalhadores, Nada. Nem uma palavra sobre este processo que, segundo o que se ouve por aí na toada da terra e dos céus, estará para ser concluído sem muitas demoras. Adivinha-se quem é o parceiro, aliás dificilmente poderia ser outro e, os crentes da inevitabilidade sempre poderão dizer, Do mal o menos.
Não quero crer que eu seja o único cidadão, e não serei, a surpreender-me com a anuência tácita dos trabalhadores à privatização parcial daquela empresa do Grupo SATA, não só os trabalhadores da SATA Internacional/Azores Airlines, mas também todos os outros pois, ninguém tenha dúvidas que o processo vai trazer alterações no seio das restantes empresas do Grupo.
O facto de estar desenhado um parceiro que é simpático aos olhos dos trabalhadores da SATA Internacional/Azores Airlines, diria mesmo desejado e, mesmo não conhecendo o caderno de encargos, nem outros compromissos que informalmente já possam ter sido assumidos pelas partes, e que garantam que não vai haver despedimentos, reduções salariais e outros direitos, consagrados, ou não no acordo de empresa, a história diz-nos que a privatização da coisa pública é sempre, mais tarde ou mais cedo, prejudicial para os trabalhadores, mas também para o interesse público. Exemplos, Bem exemplos temos aí para todos os gostos, o BCA, os CTT, a REN, a EDP, à, pois a TAP. A TAP ia ficando esquecida, o que no presente caso seria imperdoável. Os exemplos podem não ser muitos, mas são suficientemente exemplificativos de quanto a privatização foi perniciosa para o interesse público e para a destruição de postos de trabalho e, por aqui me fico. Embora a lista das perdas para os trabalhadores e para o interesse publico seja bem mais extensa.

Foto by Aníbal C. Pires
Se quero que tudo fique na mesma e que a SATA Internacional/Azores Airlines se continue a afundar organizacional e financeiramente, Não. Claro que não quero nem o desejo, bem pelo contrário, e tudo o que tenho dito e escrito sobre o Grupo SATA e as suas empresas comprovam isso mesmo, mas isso sou eu que considero a SATA um instrumento estratégico para a Região, isso sou eu que considero que o Grupo SATA tem (ou tinha) tudo para ser uma empresa bem-sucedida no mercado do transporte aéreo, isso sou eu que não tenho uma visão redutora do papel do Grupo SATA, isso sou eu, o utópico.
À medida que as palavras vão brotando surgem novos motivos para dar continuidade a este escrito que não sendo um requiem sobre a SATA Internacional/Azores Airlines, será pelo menos sobre o fim próximo de um projeto que teve autores e decisores e, sobretudo, uma finalidade inserida numa estratégia de desenvolvimento regional e de afirmação dos Açores no exterior. Com a alienação de uma parte do capital social da SATA Internacional/Azores Airlines pode afirmar-se que vamos assistir à derrota desse objetivo.

Foto by Aníbal C. Pires
Sei que desde a fundação da SATA Internacional até aos nossos dias muitas transformações ocorreram no mercado dos transportes aéreos. As alterações ao modelo de ligações aéreas com o continente e às Obrigações de Serviço Público são as que mais se evidenciam, mas não são únicas. E outras vão ocorrer, quiçá em sentido contrário à desregulação do mercado que marcou as últimas décadas. Se o Grupo SATA acompanhou e se preparou para as mudanças, Não. Talvez esse seja um dos problemas da organização e se aduzirmos a esta questão uma outra que identifique os momentos e as decisões que conduziram a SATA Internacional ao declínio, então temos apurada a responsabilidade política. Se é possível uma alternativa à privatização parcial da SATA Internacional/Azores Airlines, Sem dúvida.
Essa alternativa foi colocada recentemente em coluna de opinião pelo Dr. Pedro Gomes, solução que eu subscrevo sem reservas, e que passo a transcrever. “(…) O Governo Regional parece já ter desistido de negociar com a Comissão Europeia - invocando os princípios da continuidade territorial e da modulação do mercado único nas regiões ultraperiféricas e o conceito das “auto-estradas do ar” - uma solução que lhe permitisse aumentar o capital social da Azores Airlines, saneando-a financeiramente, sem sujeição às regras de auxílio de Estado ou a severas medidas de reestruturação empresarial, como foi imposto em processos de aumento de capitais públicos noutras companhias aéreas europeias. (…). Estamos de acordo caro Dr. Pedro Gomes, nem tudo foi feito, ou melhor ainda, Nada foi feito para garantir o interesse público regional, no que à SATA Internacional/Azores Airlines diz respeito.
Ponta Delgada, 10 de Dezembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 11 de Dezembro de 2017

... paira o silêncio sobre a SATA

Anibal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires








Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e no momentos. Aqui mesmo como é habitual.












(...) Mas o silêncio dos trabalhadores é incompreensível.
Nem sindicatos, nem comissões de trabalhadores, Nada. Nem uma palavra sobre este processo que, segundo o que se ouve por aí na toada da terra e dos céus, estará para ser concluído sem muitas demoras. Adivinha-se quem é o parceiro, aliás dificilmente poderia ser outro e, os crentes da inevitabilidade sempre poderão dizer, Do mal o menos.
Não quero crer que eu seja o único cidadão, e não serei, a surpreender-me com a anuência tácita dos trabalhadores à privatização parcial daquela empresa do Grupo SATA, não só os trabalhadores da SATA Internacional/Azores Airlines, mas também todos os outros pois, ninguém tenha dúvidas que o processo vai trazer alterações no seio das restantes empresas do Grupo. (...)

sábado, 9 de dezembro de 2017

Harlem Gospel Choir - hoje no Teatro Micaelense

Imagem retirada da internet
Harlem é um bairro da alta de Manhattan na cidade de Nova Iorque, conhecido por ser um grande centro cultural e comercial dos afro-americanos.
Este bairro nem sempre é referenciado pelos melhores motivos, mas bons motivos não faltam para se visitar o Harlem e para o mencionar por razões desconhecidas da generalidade dos cidadãos. Já la irei.
E é desse mítico bairro nova-iorquino que vem Harlem Gospel Choir Hoje para atuar hoje, em Ponta Delgada, no teatro Micaelense, pelas 21h 30mn.

Não vou descrever a estória do acolhimento dos habitante de Harlem a Fidel de Castro.
Deixo-vos um vídeo com o resumo das duas visitas de Fidel ao mítico bairro.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Gestão de expetativas e falta de memória

Foto by Aníbal C. Pires
Um dos deputados da República eleitos pelo círculo eleitoral dos Açores afirmou que não espera o cumprimento das medidas, aprovadas no Orçamento de Estado, destinadas aos Açores, ou seja, a sua expetativa é inversa à que o Governo da República cria na opinião pública à volta do que o governo de António Costa aprovou e diz que vai executar.
A minha expetativa, à semelhança do deputado António Ventura, também não é elevada. O que o deputado dos Açores em Lisboa disse pode aplicar-se, a este como a muitos outros Governos do país que precederam o atual. Lembro apenas os governos de Cavaco Silva e de Durão Barroso, de entre outros. É quanto baste para espevitar a memória do deputado pois, de outros governos, certamente, se lembrará sem necessitar dos meus lembretes.
Não tenho nem nunca tive grandes expetativas em relação aos governos de Lisboa, no que à concretização de investimento público estadual nos Açores diz respeito, seja qual for o partido do centro que governe com, ou sem o apêndice que Assunção Cristas agora lidera.
O Estado tem vindo a demitir-se das sua funções e competências nos Açores, o mesmo se poderá dizer de outras regiões continentais, o mesmo se poderá dizer da Região Autónoma da Madeira. O Estado português é centralista por natureza, mas não é apenas de uma questão de mais, ou menos centralismo de que se trata, mas também.
A coesão social e territorial, sendo conceitos que ainda se mantêm no discurso político não são, porém objeto de medidas que favoreçam políticas públicas para o uso e a ocupação territorial social e economicamente justas. As políticas de coesão social e territorial estão à mercê, como muitas outras, do mercado, ou como quem diz, Ao Deus dará. E este deixa andar, a que Deus é alheio e, do qual o mercado beneficia, mas como se sabe não atende a questões que não envolvam chorudos dividendos. Sendo assim, é às políticas e a quem as executa, mas também a quem assiste, confortavelmente no sofá, sem se indignar que devem ser assacadas responsabilidades pela falência do Estado.
Na Região Autónoma dos Açores são, por demais, conhecidas as razões que sustentam a afirmação de que o Estado não cumpre as suas obrigações para com este território pulverizado numa vasta área do Atlântico Norte. A falta de meios e de efetivos das forças de segurança e das forças armadas, o abandono das populações que sofreram e sofrem os efeitos colaterais do uso, durante décadas, do seu território por uma potência estrangeira ao abrigo de um acordo celebrado entre dois países, as inaceitáveis condições dos estabelecimentos prisionais da Horta e de Ponta Delgada, os efeitos do encerramento de serviços públicos e o seu afastamento dos cidadãos, a internet não pode nem deve substituir o atendimento presencial, o subfinanciamento da Universidade. Estes são alguns, de entre outros aspetos, que se podem encontrar, com outra dimensão e contornos, noutras regiões do país, em particular no interior do território continental.

Imagem retirada da internet
Portugal é um país caracterizado por descontinuidades ou, se preferirem por profundas assimetrias sociais e económicas e, o uso do território e a sua ocupação efetiva relaciona-se diretamente com essa desarmonia dramaticamente visível aquando dos incêndios deste, e de ouros verões.
Sei que o deputado António Ventura no que concerne à coesão territorial tem posições que se aproximam das minhas, designadamente ao uso e ocupação do território como condição sine qua non para que as políticas de coesão social e territorial possam ser bem-sucedidas. A diferença situa-se ao nível da intervenção do Estado que ele agora tanto exige, alto e bom som, mas que não perfilha pois, como é sabido a família política alargada a que pertence tudo tem feito para destruir o Estado e reduzi-lo a um mero e injusto coletor de impostos que depois distribui de forma igualmente pouco justa.
Ponta Delgada, 05 de Dezembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 06 de Dezembro de 2017

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

... não só do centralismo, mas também

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires







Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e no momentos. Aqui mesmo como é habitual.











(...) Não tenho nem nunca tive grandes expetativas em relação aos governos de Lisboa, no que à concretização de investimento público estadual nos Açores diz respeito, seja qual for o partido do centro que governe com, ou sem o apêndice que Assunção Cristas agora lidera.
O Estado tem vindo a demitir-se das sua funções e competências nos Açores, o mesmo se poderá dizer de outras regiões continentais, o mesmo se poderá dizer da Região Autónoma da Madeira. O Estado português é centralista por natureza, mas não é apenas de uma questão de mais, ou menos centralismo de que se trata, mas também. (...)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Um novo momento português(*)

Imagem retirada da internet
Mário Centeno, o atual ministro das finanças, ao que consta reúne condições e apoios para poder vir a assumir a presidência do Eurogrupo. Depois de algumas críticas mais ou menos veladas, das quais a mais caricata terá sido a desse grande político, e agora comentador, que dá pelo nome de Marques Mendes, mas isso é apenas um pormenor de somenos importância, a unanimidade, ao centro, está instalada e mesmo Marques Mendes já considera que sim, que é bom para o próprio e prestigiante para o país. Mas é pena, diz ainda o agora comentador, pois com a sua eventual saída prevêem-se efeitos erosivos no seio da dita “geringonça”. Mas que chatice.
O coro está afinado. É bom para o próprio e prestigiante para Portugal, dizem-nos. Pois que seja. Já assistimos a outros momentos, não muito distantes, de exaltação nacional com a ascensão de alguns portugueses a altos cargos no estrangeiro. Nunca me entusiasmei nem fiquei embebido de sentimentos patrióticos por tais acontecimentos, prefiro homenagear os emigrantes anónimos espalhados pelo Mundo, esses sim são motivo de orgulho e têm toda a minha admiração.
Em Julho de 2004 numa crónica, a que dei o título “O momento português”, referi-me à irrelevância, para Portugal, de ter Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia. Se foi bom para o próprio, Sem dúvida. Se foi bom ou prestigiante para Portugal, Não me parece, a não ser o facto de ter deixado de ser o primeiro ministro de um governo de má memória. Durão Barroso é atualmente o presidente do Banco Goldman Sachs International, e isto sim terá algum significado.
Um outro “momento português” que, como o anterior, também uniu o coro do centro político nacional foi a nomeação, em 2010, de Vítor Constâncio para Vice-governador do Banco Central Europeu(BCE). Também sobre esse “momento português” escrevi e publiquei um texto, em Fevereiro de 2010, no qual tornava clara a minha posição de alheamento face ao contentamento generalizado da nomeação do então Governador do Banco de Portugal para a vice-presidência do BCE, tendo-lhe sido atribuídas responsabilidades pelas áreas de investigação e de supervisão e estabilidade financeira dos mercados dando corpo à ideia, da Comissão Europeia, de reforço e vigilância do sector financeiro e bancário com o objetivo de prevenir novas crises, Pois.
Neste caso nem a sua saída do cargo que ocupava, apesar das responsabilidades de Vítor Constâncio no caso do BCP, do BPN e do BPP, me mereceu nenhum registo de satisfação.
Vítor Constâncio tinha uma vasta experiência ancorada no erro e na sua grande capacidade de prever quando a realidade já estava instalada, por conseguinte, reunia as melhores condições para assumir o papel de marioneta ao serviço dos interesses da alta finança europeia e mundial. E assim tem sido, nem mais nem menos. Se foi bom para o próprio, Sem dúvida. Se foi bom e prestigiante para Portugal, Não me parece.

Imagem retirada da internet
Ainda antes de voltar a Mário Centeno não posso deixar de referir um outro “momento português”. A eleição, em Outubro de 2016, de António Guterres para Secretário-geral da Organização das Nações Unidas(ONU), instituição onde já tinha tido exercido o cargo de Alto Comissário para os Refugiados, entre 2005 e 2015. Neste caso não posso dizer, com segurança, que me tenha sido de todo indiferente e, ainda que sem entusiasmos desmedidos, confesso que esse “momento português” me deixou moderadamente satisfeito. Não tanto pela personalidade em si mesma, que não adianta nem atrasa, mas pelo facto de se tratar da ONU, instituição à qual ainda reconheço alguma relevância no diálogo e na concertação mundial.
Quanto a Mário Centeno e à sua hipotética ida para a presidência do Eurogrupo direi que me é indiferente e não alinho com o habitual coro de satisfação perante mais este “momento português”. Se vai ou não ser prestigiante e bom para Portugal, Não me parece. Se vai ser bom para o próprio, Sem dúvida.
Há quem me diga que face ao desempenho económico e financeiro de Portugal, ao qual Mário Centeno não terá sido alheio, a União Europeia estaria à procura de uma resolução para por, de novo, este pequeno país do Sul periférico nos carris das políticas de austeridade. A resolução terá sido tomada considerando as caraterísticas dos portugueses, assim o diretório da União Europeia concluiu que a melhor forma de o conseguir seria colocar na presidência do Eurogrupo um português.
O parágrafo anterior mais não é do que a tradução de uma conversa de café entre dois amigos a brincar com coisas sérias. Que ideia mais estapafúrdia a deste meu amigo. Vejam só, um português na presidência do Eurogrupo para colocar Portugal nos eixos. Ele há coisas do arco-da-velha.
Ponta Delgada, 03 de Dezembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 04 de Dezembro de 2017

(*) Mário Centeno foi hoje eleito para a presidência do Eurogrupo  

... diz que é bom


Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires








Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e no momentos. Aqui mesmo como é habitual.















(...) Marques Mendes já considera que sim, que é bom para o próprio e prestigiante para o país. Mas é pena, diz ainda o agora comentador, pois com a sua eventual saída prevêem-se efeitos erosivos no seio da dita “geringonça”. Mas que chatice.
O coro está afinado. É bom para o próprio e prestigiante para Portugal, dizem-nos. Pois que seja. Já assistimos a outros momentos, não muito distantes, de exaltação nacional com a ascensão de alguns portugueses a altos cargos no estrangeiro. Nunca me entusiasmei nem fiquei embebido de sentimentos patrióticos por tais acontecimentos, prefiro homenagear os emigrantes anónimos espalhados pelo Mundo, esses sim são motivo de orgulho e têm toda a minha admiração. (...)

domingo, 3 de dezembro de 2017

Zé Pedro - (1956/2017)




Nem tudo terá ainda sido dito sobre o músico e o Homem. 
Mas eu apenas direi, 
Obrigado e até sempre Zé Pedro.







... da agenda para dia 7 de Dezembro



Na próxima quinta-feira, dia 7 de Dezembro de 2017, pelas 18h 30mn, na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, terá lugar a apresentação do livro “Toada do mar e da terra (volume I – 2003/2008), de Aníbal C. Pires e com algumas ilustrações de Ana Rita Afonso e edição da Letras LAVAdas.
Vamberto Freitas que prefaciou o livro fará a apresentação pública.




sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Kate Winslet - a abrir Dezembro








O momentos abre Dezembro com a premiada e bela atriz britânica Kate Winslet.













Com Kate Winslet e os votos de um excelente mês de Dezembro

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Mais cinco anos a ser envenenados

De adiamento em adiamento até à decisão da União Europeia(UE) que vai continuar a permitir, por mais cinco anos e depois logo se verá, o uso de herbicidas à base de glifosato. Nada de novo, os lobbies comerciais sobrepuseram-se ao interesse público e a UE demonstrou, uma vez mais, que as pessoas e, neste caso, a saúde pública pouco ou nada contam nas suas decisões, importa mesmo é manter os negócios de quem vende o veneno e o antídoto. Sim, a mesma empresa que vende os fitossanitários e os herbicidas, produz e comercializa, também, produtos farmacêuticos.
Face aos indícios fundamentados em estudos, à posição das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde, que não dando como confirmada, por os estudos não serem conclusivos, a ligação do uso de produtos à glifosato a um conjunto de malformações congénitas, autismo, efeitos desreguladores hormonais, mas também a questões cardiotóxicas e carcinogénicas. Por outro lado, está comprovado que esta substância, o glifosato, é encontrado no sangue, na urina e mesmo no leite materno em quantidades elevadas. Se outras razões não existissem era exigível que a UE se decidisse pelo princípio da precaução, ou seja pela sua proibição. Mas como já referi os decisores políticos voltaram a submeter-se aos lobbies comerciais.
Em 27 de Julho de 2015 apresentei uma iniciativa parlamentar que tinha como objetivo a proibição na Região Autónoma dos Açores da comercialização, manuseamento, armazenamento, utilização ou libertação no meio ambiente de todos os compostos que contenham Glifosato. A tramitação da iniciativa demorou alguns meses e subiu a plenário no dia 17 de Março de 2016. A iniciativa foi chumbada com os votos do PS e da direita parlamentar com a justificação que se aguardava, proximamente, uma decisão da UE e que a Região, então sim adotaria a decisão que viesse a ser tomada.

Foto by Aníbal C. Pires
E a autonomia, e a qualidade ambiental que não nos cansamos, e bem, de anunciar quando promovemos o destino Açores, e a saúde do povo açoriano. De nada valeram estes e outros argumentos para tentar inverter o previsível sentido de voto da direita e do PS, que utilizei para defender a proposta e a importância para a Região de se colocar na vanguarda das regiões e países livres deste agrotóxico.
A direita e o PS escudaram-se na UE e na falta de alternativas aos herbicidas com glifosato.
Quanto às alternativas foi demonstrada a sua existência pois, para além de métodos tradicionais foi dito, na altura, que 35% dos herbicidas disponíveis no mercado não contêm este princípio ativo, quanto à UE decidiu agora pelo prolongamento do seu uso por mais cinco anos.
A fazer fé do argumento utilizado pelo PS, em 2016, para que a minha proposta não tivesse sido aprovada na ALRAA isto significará que o povo açoriano vai continuar a ser exposto aos comprovados perigos dos herbicidas com base no glifosato. Perigos que por muito que os defensores do seu uso tentem minimizar, ou mesmo branquear, eles são reais e um problema que afeta a nossa qualidade ambiental e a saúde pública.
Por muito que a opinião europeia, e mundial, esteja contaminada pela campanha dos produtores deste e outros agrotóxicos, não é aceitável que perante situações conhecidas como a da Argentina, onde a relação causa efeito não deixa margem para dúvidas, se continue a prolongar o uso do glifosato, não só na Europa, mas no Mundo.

Ponta Delgada, 27 de Novembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 29 de Novembro de 2017

A janela

Foto by Madalena Pires (2017)



Um olhar

A janela
Perdeu o uso e a graça
Quem passa não olha
A janela sem um olhar

A janela
Tem estórias para contar
A quem passa e vê
P’ra além do fugaz olhar

A janela
Sem um olhar
Tem que contar
Se tu souberes olhar

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 29 de Novembro de 2017


terça-feira, 28 de novembro de 2017

... dos lobbies

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires







Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e no momentos. Aqui mesmo como é habitual.








(...) De adiamento em adiamento até à decisão favorável da União Europeia(UE) que vai continuar a permitir, por mais cinco anos e depois logo se verá, o uso de herbicidas à base de glifosato. Nada de novo, os lobbies comerciais sobrepuseram-se ao interesse público e a UE demonstrou, uma vez mais, que as pessoas e, neste caso, a saúde pública pouco ou nada contam nas suas decisões, importa mesmo é manter os negócios de quem vende o veneno e o antídoto. Sim a mesma empresa que vende os fitossanitários e os herbicidas, produz e comercializa, também, produtos farmacêuticos. (...)

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Os outros

Foto by Aníbal C. Pires
Olha para mim. Quando falo contigo olha para mim, não és capaz porquê, Tens medo de quê. O professor exigia ao rapazola que o olhasse nos olhos e, chegou mesmo a pegar-lhe no queixo para que ele levantasse a cabeça e encara-se o olhar de repreensão. O aluno, perante a insistência, levantou a cabeça, mas desviou o olhar. E o professor insistia, Olha para mim.
Alguma coisa não estava bem. Em casa sempre lhe tinham dito que quando falasse com os mais velhos devia manter a cabeça baixa e, nem se atrevesse a encarar-lhes o olhar. Se o fizesse era repreendido. Olhar alguém mais velho nos olhos era uma afronta, pelo menos assim o tinha entendido. Porquê aquela insistência do professor, de quem até gostava e por quem nutria respeito. Era assim que se comportava com o pai, quando este o repreendia e sempre que falava com o padre, com os tios e avós, mas também com a professora da escola primária. Baixava a cabeça e fixava o olhar no chão.
Perante a insistência do professor lá levantou a cabeça evitando-lhe, como podia, o olhar e ouviu. Ouviu sem entender como se devia comportar. Olhar, ou não, nos olhos de quem fala connosco, seja quem for e de que idade for. Como comportar-se daí para a frente e, sobretudo, a quem devia seguir os ensinamentos, Ao professor ou à família. Ele que se tinha por um rapaz bem-educado, eram os vizinhos e amigos da família que o diziam. E agora como fazer.
Este é apenas um pequeno, mas significativo, exemplo. O professor não tinha obrigação de conhecer os motivos que estavam por detrás daquela atitude do jovem, mas era-lhe exigível que não formulasse juízos sem procurar perceber o que estava na origem de tal comportamento. Não é fácil, sei-o por experiência própria e contínuo, ao fim de mais de 40 anos de profissão, a cometer erros destes. Erros que parecem de somenos importância, mas que podem fazer a diferença entre o bom e o mau relacionamento dos professores com os seus alunos, com tudo o que isso implica, ou possa implicar no processo de ensino aprendizagem e no percurso formativo das crianças e jovens.

Foto by Aníbal C. Pires
Quantas e quantas vezes, agimos sem ter em consideração que nem todos, e ainda bem, têm a mesma matriz cultural, quantas e quantas vezes somos nós a origem de alguns problemas de integração dos alunos na Escola, exigindo a todos que se comportem como iguais, quando todos são diferentes.

Não, não estou a autoflagelar-me, nem a procurar atribuir responsabilidades aos educadores e professores. Dos docentes o sistema educativo espera isso mesmo, Uniformidade. Os exames nacionais, a avaliação externa, a avaliação de desempenho dos docentes tudo está arquitetado para a padronização.
Os educadores e professores são instrumentos de um sistema educativo que formata e reproduz um modelo. E chegado aqui não posso deixar de referir um dos temas dos Pink Floyd, Another Brick in the Wall e o verso deste tema que todos conhecem e, certamente já cantarolaram, “Hey! Teachers! Leave them kids alone”. Este tema da banda britânica que marcou gerações, não é um grito de revolta contra os professores, é sim uma profunda crítica ao sistema de ensino, no caso ao sistema de ensino britânico, mas que se pode e, foi assumida com uma crítica global à forma como a escola reproduz, ou procura fazê-lo, módulos que se repetem num padrão de comportamento social. Assim se mede o sucesso escolar, quanto mais normalizado for o produto, melhor. Será mesmo assim ou, nem por isso.
A álbum The Wall data de 1979, o filme é de 1982, mas não perderam atualidade pois, o sistema educativo de hoje continua a produzir cidadãos formatados (tijolos) conforme as conveniências e necessidades dos construtores do muro.
Ponta Delgada, 26 de Novembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 27 de Novembro de 2017

... padrões

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires










Excerto de texto a publicar na imprensa regional e no blogue momentos










(...) Quantas e quantas vezes, agimos sem ter em consideração que nem todos, e ainda bem, têm a mesma matriz cultural, quantas e quantas vezes somos nós a origem de alguns problemas de integração dos alunos na Escola, exigindo a todos que se comportem como iguais, quando todos são diferentes. 
Não, não estou a autoflagelar-me, nem a procurar atribuir responsabilidades aos educadores e professores. Dos docentes o sistema educativo espera isso mesmo, Uniformidade. Os exames nacionais, a avaliação externa, a avaliação de desempenho dos docentes tudo está arquitetado para a padronização. (...) 

domingo, 26 de novembro de 2017

A Brecha – um apontamento

Foto by Aníbal C. Pires
Do livro A Brecha de João Pedro Porto disse, num desses comentários imediatistas e de ocasião numa publicação do Facebook, que a leitura do último romance deste jovem escritor açoriano, não é a mais adequada para o Verão.
E mantenho. A Brecha é um daqueles livros que devem ser consumidos no aconchego das noites de Inverno.
É uma leitura densa que necessita de tempo e atenção pela sua complexidade, mas também pela riqueza da escrita que ora se assume em prosa, mas também em poesia e na dramaturgia.
O recurso à mitologia clássica e algumas referências da história nacional compõem uma trama intrincada, onde tudo pode acontecer. Até a morte dos deuses às mãos do Homem.
Ficam alguns fragmentos, no vídeo abaixo, deste livro de João Pedro Porto que aquando da leitura sublinhei e que hoje partilho convosco.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 23 de Novembro de 2017



quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Terceira Madrid sem a SATA

Foto by Aníbal C. Pires
Os deputados do PS congratularam-se com a garantia de que a ligação Terceira/Madrid/Terceira será assegurada, Eu também expresso publicamente a minha satisfação, mas não me fico por aí, nem poderia.
A questão não pode ficar só por esta satisfação que eu, os deputados do PS e, certamente, as diferentes empresas do setor turístico da ilha Terceira, bem assim como todos os cidadãos que têm um entendimento dos Açores como uma região e não apenas como um arquipélago. Todos nós nos congratulamos, mas eu não me fico por aí. Tenho algumas dúvidas, poucas certezas e muitas preocupações.
Associado a esta rota existem um conjunto de questões que não podem ser escamoteadas, desde logo, o facto de ter sido notícia que a SATA Internacional/Azores Airlines ficaria fora do negócio por não ter um equipamento de voo disponível para afetar a esta operação. Que tipo de sentimento terá provocado nos deputados do PS o facto de a SATA ter sido afastada de um negócio lucrativo por incapacidade própria. Não se sabe, mas é possível que sobre esse aspeto não pensem nada, nem lhes motive nenhum tipo de preocupação. E, se assim for, francamente lamento que este definhar da transportadora aérea açoriana não motive, ao menos, umas breves palavras do Grupo Parlamentar do PS.

Foto by Aníbal C. Pires
Não ouvi nem li, talvez me tenha distraído o que por vezes acontece até aos mais atentos cidadãos, qualquer explicação da SATA sobre o assunto. Mas considerando que a explicação, associada à notícia da garantia de continuidade desta rota, tem fundamento e que “a SATA não pode continuar a realizar o voo por indisponibilidade de aeronave...”, é inquietante. Os contornos deste negócio que envolve a Associação de Turismo dos Açores(ATA) e um operador turístico estrangeiro levam-me a considerar que este processo está mal explicado e, que as razões que levaram a que a SATA tivesse ficado de fora não são, de todo, as que foram tornadas públicas por quem anunciou que a operação aérea que liga a Terceira a Madrid vai manter-se, mas com outra empresa de transportes aéreos. 
Como já referi não dei conta de que a SATA se tivesse pronunciado sobre o assunto, mas não me parece que a indisponibilidade de aeronave para realizar esta operação seja válida. Sei que a frota é limitada, mas também sei que é possível a realização destes voos sem afetar os restantes compromissos operacionais e comerciais da SATA, pelo menos aqueles que são conhecidos. Esta operação, como é do domínio público, resulta da promoção do destino Açores e da atividade da (ATA) e, naturalmente, envolve financiamento público.
Neste negócio as transportadoras aéreas, seja como até agora o foi com a SATA ou, como se perspetiva que venha a ser com a Air Europa, não assumem riscos pois, os custos da operação não só estão garantidos, como garantidos estão os respetivos ganhos. Trata-se de uma operação com as caraterísticas de voos charters e, como tal, a transportadora aérea é meramente instrumental e tem garantido o sucesso comercial. E se dúvidas houvesse atente-se ao anunciado aumento de 15% dos lugares disponíveis para esta operação, o que só pode significar que existia procura e que se perspetiva o seu crescimento.

Foto by Aníbal C. Pires
Sendo assim faria todo o sentido manter a SATA numa operação que não só serve os Açores, como também serviria os interesses financeiros da SATA. Isto digo eu que me preocupo com a continuada perda de importância da SATA Internacional/Azores Airlines e com os impactos negativos, para a Região, da sua redução a uma mera transportadora aérea destinada, somente, a cumprir as Obrigações de Serviço Público e outras obrigações que me abstenho de adjetivar.
Ponta Delgada, 21 de Novembro de 2017


Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 22 de Novembro de 2017

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Até sempre camarada Paulo - (1949-2017)

Paulo Valadão - foto by Aníbal C. Pires

O telefone tocou a meio da tarde de hoje, era do PCP em Ponta Delgada, atendi com a naturalidade a que as rotinas nos habituam. Nos primeiros instantes percebi que aquela chamada não era para discutir nenhuma questão política e partidária, uma voz embargada deu-me a notícia, O camarada Paulo Valadão acabou de falecer. 
Ao contrário do habitual hoje a conversa foi curta. As palavras pareciam não fazer sentido, o que dizer perante a inesperada notícia da morte do Paulo. 
Que dizer perante a morte deste amigo e camarada com quem aprendi a conhecer os problemas das ilhas ocidentais e a sua luta contra o isolamento das pequenas comunidades insulares.
Que dizer perante a morte deste amigo e camarada com quem partilhei dezenas de anos de luta pelo desenvolvimento harmónico da Região Autónoma dos Açores.
Que dizer perante a morte deste amigo e camarada que me ensinou a amar os Açores e as suas gentes.
Choramos a tua partida camarada Paulo Valadão e seguiremos em frente continuando a tua, a nossa luta, Honrando a tua memória.
Até sempre camarada Paulo Valadão.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

... da inquietude

Foto by Aníbal C. Pires







Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e no momentos. Aqui mesmo como é habitual.










(...) Não ouvi nem li, talvez me tenha distraído o que por vezes acontece até aos mais atentos cidadãos, qualquer explicação da SATA sobre o assunto. Mas considerando que a explicação, associada à notícia da garantia de continuidade desta rota, tem fundamento e que “a SATA não pode continuar a realizar o voo por indisponibilidade de aeronave...”, é inquietante. Os contornos deste negócio que envolve a Associação de Turismo dos Açores(ATA) e um operador turístico estrangeiro levam-me a considerar que este processo está mal explicado e, que as razões que levaram a que a SATA tivesse ficado de fora não são, de todo, as que foram tornadas públicas por quem anunciou que a operação aérea que liga a Terceira a Madrid vai manter-se, mas com outra empresa de transportes aéreos. (...) 

A 7 de Dezembro em Ponta Delgada







No dia 7 de Dezembro em Ponta Delgada, o local e a hora serão divulgados em tempo útil, será apresentado o livro “Toada do mar e da terra”, Volume I – 2003/2008. 
Uma seleção de crónicas objeto de uma revisitação pelo autor.
O livro contém 8 ilustrações de Ana Rita Afonso, é prefaciado por Vamberto Freitas e na contracapa consta uma breve opinião de Renata Correia Botelho.
Em datas próximas terão lugar apresentações deste livro no Faial (Horta) e na Terceira (Angra e/ou Praia).

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Aos meus colegas anti greve

Foto by Aníbal C. Pires
Não só, outros profissionais também, mas os docentes nos Açores opõem uma grande resistência a tudo o que seja luta. Aquela luta que dói, aquela luta que exige sacrifício, aquela que obriga a mobilização para lá do sofá. Luta mesmo, luta a sério nem por isso, mas disponibilidade para subscrevem petições e abaixo assinados têm para dar e vender, mas não se ficam por aí são, também, grandes ativistas nas redes sociais onde podemos observar a sua dinâmica reivindicativa, nem sempre bem formulada, mas quase sempre, na procura da solução para o seu problema e, quase nunca sem conseguirem olhar para lá do seu umbigo. Qual visão holística, qual quê.
A greve nacional dos professores teve uma adesão que rondou os 90%, e logo pela manhã, desse dia de luta, quando o poder percebeu a dimensão da greve dos educadores e professores veio a terreiro, pela voz de uma Secretária de Estado, abrir uma nesga de possibilidade para entendimentos com os sindicatos dos educadores e professores. Ao fim do dia já com a contabilidade dos números de adesão à greve e com a manifestação dos docentes às portas da Assembleia da República(AR), abriu-se um postigo, O Governo da República agendou reuniões com os sindicatos. A reunião realizou-se e, ao fim de 10 horas de negociações, abriu-se uma porta, foi anunciado um compromisso, Não um acordo, entenda-se. Um compromisso que lança as bases para entendimentos negociados para que as reivindicações dos educadores e professores sejam satisfeitas.

Foto by Aníbal C. Pires
Tudo isto aconteceu no espaço de dias e ficou a dever-se, parece-me que sobre isso ninguém tem dúvidas, à greve nacional de professores, à manifestação às portas da AR, e a outras lutas anunciadas e, entretanto, desconvocadas face ao compromisso assumido pelo Governo da República.
E nos Açores, Bem nos Açores a grande maioria dos docentes, cerca de 90%, optou por não fazer greve, nem aderir às concentrações convocadas, para as 16 horas do dia da greve. Julgo que o Governo Regional pode, assim, concluir que a maioria dos educadores e professores dos Açores estão satisfeitos e, nem sequer terá necessidade de aplicar na Região nada do que os docentes continentais irão beneficiar. Pode o senhor Vice-presidente do Governo Regional ficar descansado que não vai ter de fazer alterações orçamentais em 2018 para reposicionar os docentes porque a maioria dos educadores e professores dos Açores considera justas as medidas de congelamento das carreiras e do tempo de serviço, os horários, a idade da reforma, enfim e outras questões de somenos importância. Eu e mais 10% dos educadores e professores, os que aderimos à greve, Não. Não e continuaremos a lutar por aquilo que é nosso e que nos foi subtraído para financiar do setor financeiro nacional que faliu por atividades especulativas, corrupção ativa, tráfico de influência e outros tráficos. No presente a banca está a apresentar resultados positivos, talvez seja este o tempo de devolverem o dinheiro que nos foi roubado.
É claro que a fraca adesão à greve dos educadores e professores dos Açores não se relaciona com a sua satisfação face à desvalorização profissional a que foram e estão sujeitos. As razões porque não aderiram são de diversa ordem, mas não posso deixar de enumerar algumas que se destacam do conjunto de justificações para terem “furado” a nossa luta.
A primeira justificação e, quiçá a única atendível, Não fiz greve porque sou contra essa forma de luta. Tudo bem colegas, então talvez seja melhor abdicarem de tudo quanto foi conquistado através da greve. E lá se iria o horário de trabalho, os dias de descanso, o vínculo, os subsídios de férias e de Natal, o período de férias pago, etc., etc.

Foto by Aníbal C. Pires
A segunda justificação, estamos a falar dos professores dos Açores, poderá ter sido o argumento que o assunto deve ser resolvido a nível regional. E que sim, estarei disponível para greves regionais. Pois bem na Região imperam os normativos do Orçamento Geral do Estado ou, pelo menos essa é a justificação para que se continuem a manter o congelamento do tempo e das carreiras, logo o melhor é derrotar esse argumento contribuindo para que na República a situação se altere, como parece que vai acontecer face à greve do passado dia 15 de Novembro, ainda que os educadores e professores da Região pouco tenham contribuído para isso. Se existem questões que penalizam apenas um grupo de professores nos Açores, É verdade assim é. E esta questão, ao contrário do que tem sido feito crer, tem sido e foi de novo equacionada na luta e nas concentrações que se realizaram na Região. A posição sindical, pelo menos de um dos sindicatos, é clara, ninguém perderá um dia de serviço para a progressão na carreira, seja esse dia resultante do congelamento ou, de uma qualquer espúria norma transitória. Tudo a seu tempo.
Por fim o ininteligível posicionamento do sindicato reformista que dá pelo acrónimo de SDPA. O Presidente desta organização veio a terreiro desmobilizar os educadores e professores açorianos de uma luta que é comum a todos os docentes portugueses, independentemente da região onde lecionam. Ainda estou para perceber qual será o posicionamento dos educadores e professores que estão associados nesta organização, face a esta decisão do Presidente do SDPA. Se isto não é uma traição à luta dos educadores e professores dos Açores, então não sei o que lhe chame.
A influência do Presidente do SDPA, não dos seus dirigentes e associados note-se, no seio dos docentes açorianos será tanta como a influência que eu tenho junto da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, Nenhuma. Não terá sido pelo que o Presidente do SDPA afirmou, contrariando a sua federação, que a adesão à greve nos Açores foi vergonhosa, mas que serviu para alimentar as esfarrapadas desculpas que os meus colegas costumam utilizar para não fazer greve, Lá isso serviu. E o Presidente do SDPA sabe disso, Oh se sabe.
Ponta Delgada, 19 de Novembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 20 de Novembro de 2017

domingo, 19 de novembro de 2017

... da luta e de quem a fura

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires





Excerto de texto a publicar na imprensa regional e no blogue momentos





(...) A greve nacional dos professores teve uma adesão que rondou os 90%, e logo pela manhã, desse dia de luta, quando o poder percebeu a dimensão da luta dos educadores e professores veio a terreiro, pela voz de uma Secretária de Estado, abrir uma nesga de possibilidade para entendimentos com os sindicatos dos educadores e professores. Ao fim do dia já com a contabilidade dos números de adesão à greve e com a manifestação dos docentes às portas da Assembleia da República(AR), abriu-se um postigo, O Governo da República agendou reuniões com os sindicatos. A reunião realizou-se e, ao fim de 10 horas de negociações, abriu-se uma porta, foi anunciado um compromisso, Não um acordo, entenda-se. Um compromisso que lança as bases para entendimentos negociados para que as reivindicações dos educadores e professores sejam satisfeitas.
Tudo isto aconteceu no espaço de dias e ficou a dever-se, parece-me que sobre isso ninguém tem dúvidas, à greve nacional de professores, à manifestação às portas da AR, e a outras lutas anunciadas e entretanto desconvocadas face ao compromisso assumido pelo Governo da República. (...)

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Vamberto Freitas - Border Crossing, Leituras Transatânticas 4

Vamberto Freitas (imagem retirada da internet







Amanhã na Livraria Leya SolMar, com Vamberto Freitas










Urbano Bettencourt, Carlos Bessa, o Consûl dos Estados Unidos nos Açores e, certamente, muitos dos amigos e admiradores de Vamberto Freitas vão juntar-se, amanhã dia 17 de Novembro, pelas 19h, na Livraria Leya SolMar para partilhar de um momento que, se me permitem, é mais, ou assim deveria ser, do que a apresentação do volume 4 do Border Crossings, Leituras Transalânticas.

Vamberto Freitas não é apenas um ensaísta e crítico literário, Vamberto Freitas é, se me permitem, uma instituição de utilidade pública para a literatura. É-o em particular para as temáticas literárias de matriz açoriana escritas em português e inglês, mas é mais, muito mais do que isso pois, a dimensão da sua obra não se confina à apreciação e, por conseguinte, divulgação dos autores que escrevem nos Açores, sobre os Açores, ou sobre a diáspora açoriana e, mais genericamente sobre a diáspora portuguesa. O seu trabalho e a sua obra não têm fronteiras culturais, nem está eivada de qualquer visão redutora da literatura.
Ao Vamberto Freitas só posso agradecer o que com ele aprendi e quero continuar a aprender e, dizer-lhe que será um enorme prazer estar amanhã, pelas 19h, na Livraria Leya SolMar, para partilhar este momento com ele.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Uma luta de todos


Foto by Aníbal C. Pires
Os professores e educadores estão em luta pelo descongelamento da carreira e pela recuperação integral do tempo de serviço. Descongelamento e recuperação do tempo de serviço que pretendem claro e inequívoco, ou seja, sem atropelos nem expedientes que, de algum modo, possam manter ou promover situações discriminatórias e, como tal, injustas.
Não sendo as únicas reivindicações dos docentes estas serão, porém, as que no imediato constituem as mais prementes e às quais urge atender, sob pena de perpetuar um dos maiores ataques à sua dignidade profissional. Da não satisfação destas reivindicações resulta que muitos docentes chegarão ao fim da sua vida ativa sem que lhes estejam reunidas condições para acederem ao topo da carreira.
À semelhança dos restantes trabalhadores da administração pública os docentes não são objeto de atualizações salariais desde 2009, tendo a partir de 2011 sido alvo de cortes salariais e vítimas da espúria sobretaxa do IRS, que este ano foi gradualmente desaparecendo. Mas se estas são as questões materiais que mais se evidenciam e as que poderão unir os educadores e professores em defesa da sua profissão e carreira, outros aspetos, quiçá menos visíveis, contribuíram para a desvalorização da profissão e da missão da Escola.
As alterações às regras da aposentação, a subversão do horário de trabalho, o aumento da carga burocrática e a perda continuada de autoridade são, de entre outros, alguns dos aspetos que têm contribuído para a consumação da funcionalização da docência. A par desta desvalorização e descaraterização profissional assistiu-se, não por acaso, à alteração da missão da Escola. A Escola foi alvo de profundas alterações não no sentido da evolução, mas do retrocesso. A Escola pública portuguesa é hoje, tal como antes do 25 de Abril, uma instituição que reproduz as desigualdades sociais e promove modelos sociais e culturais ancorados no pensamento único.
A desvalorização da carreira docente e a funcionalização dos educadores e professores não é indissociável do retrocesso que se verificou no sistema de ensino regional e nacional, aliás a segunda necessitou de que a primeira condição fosse satisfeita para que a estratégia redutora do papel da Escola fosse conseguida.
Foto by Aníbal C. Pires
A luta dos educadores e professores é, assim, mais vasta do que a lista de reivindicações que, de momento, mobilizam os docentes, a luta dos educadores e professores é, também, pela recuperação do paradigma transformador e libertador de que a Escola não pode abdicar, sob pena de se transformar numa espécie de depósito de crianças e jovens indiferentes à realidade local e global que vivemos.
Os educadores e professores, hoje, como no passado, lutam para serem respeitados, quer no plano social, quer no que concerne aos seus direitos.
Os educadores e professores lutam pela sua dignidade profissional. Mas esta é, também, uma luta de todos os que acreditam na Escola como pilar estruturante da sociedade, uma luta de todos quantos depositam confiança nos educadores e professores quando, pela manhã, deixam os seus filhos e educandos na Escola.
Ponta Delgada, 14 de Novembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 15 de Novembro de 2017

terça-feira, 14 de novembro de 2017

... do retrocesso

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires








Excerto de texto a publicar na imprensa regional e, como é uso e costume, aqui neste blogue


(...) As alterações às regras da aposentação, a subversão do horário de trabalho, o aumento da carga burocrática e a perda continuada de autoridade são, de entre outros, alguns dos aspetos que têm contribuído para a consumação da funcionalização da docência. A par desta desvalorização e descaraterização profissional assistiu-se, não por acaso, à alteração da missão da Escola. A Escola foi alvo de profundas alterações não no sentido da evolução, mas do retrocesso. A Escola pública portuguesa é hoje, tal como antes do 25 de Abril, uma instituição que reproduz as desigualdades sociais e promove modelos sociais e culturais ancorados no pensamento único.
A desvalorização da carreira docente e a funcionalização dos educadores e professores não é indissociável do retrocesso que se verificou no sistema de ensino regional e nacional, aliás a segunda necessitou de que a primeira condição fosse satisfeita para que a estratégia redutora do papel da Escola fosse conseguida. (...)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Causa efeito

Foto by Madalena Pires
Os indicadores sociais e económicos em Portugal sofreram nos últimos dois anos alterações que não podem ser ignoradas. Os analistas de política e economia de diferentes quadrantes políticos não deixam de o referir. Sim, analistas de diferentes quadrantes políticos, bem que nos querem fazer crer que sim, mas não existem analistas independentes e imparciais, isto é, ao passo que os anjos não têm sexo os analistas regem-se, como todos nós, por uma matriz ideológica e política. Os analistas de política e economia não são seres assexuados nem apolíticos e, por vezes, nem apartidários chegam a ser. Mas como dizia, os analistas não ignoram a inversão dos indicadores sociais e económicos, têm leituras diferentes, em conformidade com a sua matriz política e ideológica, mas não conseguem esconder que o desemprego baixou, a economia cresceu e o rendimento per capita aumentou, é inegável.
O que diverge na opinião publicada não é o reconhecimento das transformações, o que não é coincidente na opinião dos analistas e comentadores são as causas que lhe estão na origem. Por exemplo Marques Mendes, essa grande figura da política nacional que se transformou em analista e comentador residente numa das televisões nacionais, disse por estes dias que apesar do bom momento económico que Portugal atravessa não estamos a convergir com a Europa. O que Marques Mendes não explicou foi a que se deve o tal “bom momento económico”, nem as razões porque não estamos a convergir com a média europeia.
Uma outra eminência parda que não sendo comentadora nem analista, mas que tem como responsabilidade presidir ao Conselho Superior das Finanças Públicas(CSFP) também veio a terreiro com as suas doutas opiniões e que dizem bem da sua independência e imparcialidade política. Teodora Cardoso afirmou recentemente, a propósito do Orçamento de Estado para 2018, que "a proposta do OE2018 continua sobretudo empenhada em tirar partido da conjuntura favorável e em cumprir as regras apenas nos mínimos indispensáveis para obviar a desaprovação da Comissão Europeia.” A presidente do CSFP também não procurou explicações para aquilo que designa de “conjuntura favorável”, como se isso fosse uma espécie de bênção divina e não resultasse de ações concretas decorrentes de opções orçamentais que tiveram como consequência o aumento do rendimento das famílias, quanto ao cumprimento das regras, no mínimo, no meio ou no limite máximo, diz bem da subserviência política de Teodora Cardoso ao diretório que domina a União Europeia. Mas a presidente do CSFP não se fica por aqui e insiste que não é pelas opções orçamentais que se prevê uma descida de 1,4% do défice, em 2017, para 1%, em 2018, mas sim devido ao impacto da atividade económica, aos dividendos do Banco de Portugal e a outros efeitos não identificados. Não especificou, eu pelo menos não tenho conhecimento, qual o contributo destas três variáveis para a descida do défice público, mas valham-nos os todos os deuses, Então senhora presidente, os impactos da atividade económica e os dividendos do Banco de Portugal devem-se a quê, isto porque quanto aos efeitos não identificados enfim, abstenho-me de comentar. O dinamismo ou a anemia da atividade económica resultam, creio eu, das opções políticas traduzidas em sede de orçamento e que, naturalmente, têm repercussões na atividade financeira.

Foto by Aníbal C. Pires
Em Portugal atravessa-se uma conjuntura favorável, como diz Teodora Cardoso, ou um bom momento económico, segundo Marques Mendes. Julgo que estaremos todos de acordo quanto a isso, mas porquê. Qual a causa que está na origem desta conjuntura favorável, qual a causa que provoca este bom momento económico, ou será que não existe uma causa e os efeitos estão a acontecer por um qualquer acaso.
O que está na origem das alterações que se verificaram nos dois últimos anos resume-se a uma palavra, Rutura. Em 2015 quebrou-se o ciclo de austeridade e empobrecimento e tomaram-se medidas, ainda que insuficientes e incipientes de reposição de rendimentos e direitos aos trabalhadores e aos reformados e pensionistas. Foi pouco, mas foi o suficiente para alterar o cenário dramático que se vivia em Portugal. O Orçamento para 2018 dá mais uns passos na consolidação e avanço destas opções. Se só por si é suficiente para que o bom momento económico não seja apenas uma conjuntura favorável, Não. O aumento do consumo por via do aumento do rendimento tem de ser acompanhado por políticas que promovam o aumento da produção nacional e a redução da dependência externa. Se isto não for feito então sim, estaremos a falar apenas de conjunturas favoráveis ou, de um bom momento económico.
Ponta Delgada, 12 de Novembro de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 13 de Novembro de 2017