quarta-feira, 17 de maio de 2017

Desanexar para ampliar

Imagem retirada da internet
As Lajes, enquanto Base Aérea portuguesa utilizada pelos Estados Unidos, voltaram à opinião pública e à agenda política. Os motivos são vários e todos eles dignos de menção, sem dúvida, mas não é sobre o ponto de vista do que motivou este regresso ao assunto que hoje dedico algumas linhas e algum do vosso tempo para tergiversar sobre a infraestrutura aeroportuária das Lajes.
Todos temos conhecimento de várias infraestruturas aeroportuárias onde as operações militares e civis convivem em harmonia, desde logo no Aeroporto Humberto Delgado, onde o Aeroporto Militar de Figo Maduro funciona.
Na Alemanha, em Espanha, nos Estados Unidos e por aí adiante outros casos semelhantes existem e coexistem, ao contrário do que se passa nas Lajes, onde o Comando Militar português, dentro das suas competências e fazendo cumprir os regulamentos, tem criado alguns condicionalismos à operação civil, por outro lado, nos últimos anos e face ao aumento do movimento de aeronaves civis durante o chamado Verão IATA, são conhecidos alguns episódios em que a operação civil foi alvo de vários constrangimentos.

Foto by Aníbal C. Pires
E a pergunta é óbvia porque acontece nas Lajes e não acontece noutros locais onde as operações aéreas, civis e militares, decorrem com normalidade. A diferença reside na total separação das duas valências, ou seja, pelas particularidades de uma e outra operação as infraestruturas, usando espaços comuns, estão efetivamente isoladas uma da outra. E é, no essencial, isto que não se passa nas Lajes.
Se a solução é fácil, Talvez não seja. Mas se queremos que o aeroporto civil que serve a ilha Terceira possa reunir todas as condições para que a operação não fique dependente dos constrangimentos que decorrem dos regulamentos militares, então a questão deve ser encarada como uma necessidade regional e encontradas as necessárias e adequadas soluções que satisfaçam as pretensões açorianas. Por outro lado, a necessidade de aumento da chamada placa civil do aeroporto das Lajes, para a qual, existem algumas ideias e mesmo propostas formuladas em sede da Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores só terá efeito nas pretensões da operação civil, se a condição anterior estiver satisfeita. Pois, como sabemos, no Aeroporto das Lages, civil mesmo só a aerogare.
A solução de ampliação da chamada placa civil necessita previamente da separação das duas operações, o que pressupõe a desanexação de terrenos do Ministério da Defesa Nacional para o domínio público regional. Com a desanexação fica o Aeroporto das Lajes com espaço suficiente para ampliar a placa civil, a custos inferiores e menos impactos paisagísticos do que aqueles que algumas das propostas existentes têm associados.
Se é assim tão simples, Não será. Mas a solução tem de passar por aí e a resposta às declarações de Devin Nunes, também.
Ponta Delgada, 16 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 17 de Maio de 2017

terça-feira, 16 de maio de 2017

estórias com rosto

Sul do Egipto, Agosto de 2006 - foto by Aníbal C. Pires


(...) Os rostos contam estórias e eu gosto das estórias que os rostos me contam. (...)

Aníbal C. Pires, Santa Cruz das Flores, 20 de Agosto de 2015 

... da convivência pacífica

Foto by Aníbal C. Pires








Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e aqui, neste blogue











(...) E a pergunta é óbvia porque acontece nas Lajes e não acontece noutros locais onde as operações aéreas, civis e militares, decorrem com normalidade. A diferença reside na total separação das duas valências, ou seja, pelas particularidades de uma e outra operação as infraestruturas, usando espaços comuns, estão efetivamente isoladas uma da outra. E é, no essencial, isto que não se passa nas Lajes. (...) 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Lusas emoções

Os irmãos Sobral (imagem retirada da internet)
Por razões e acontecimentos diversos foi um fim de semana pleno de emoções para os portugueses, não direi todos, todos. Mas tenho cá para mim que apenas um ou outro mais azedinho, sei lá, assim um cidadão como o Vasco Pulido Valente que escreve muito bem, para quem gosta, mas tem uma fonte inesgotável de bílis. Apenas portugueses como ele, felizmente são poucos, não terão vibrado como uma das tribos de portugueses que nos últimos dias teve motivos para se sentir satisfeito, direi mesmo orgulhoso. Nem sei como é que o Vasco Pulido Valente consegue manter sempre aquela má disposição que lhe turva o pensamento, ali só existe, o Eu, porque o Outro, ou é atoleimado ou, não sabe o que diz, ou é comuna, ou é um qualquer subproduto humano, segundo a conceção que o próprio tem dos seus semelhantes e do Mundo onde vive.
Nem tudo estará dito sobre Fátima, o Papa, o Benfica e o Euro Festival e outros acontecimentos sem a dimensão mediática destes, como por exemplo a vitória da equipa feminina de voleibol, que representou este ano os Açores, nos Jogos da Ilhas, ou o título de campeão regional de seniores, em andebol, conquistado pelo Marítimo Sport Clube (da Calheta de Pero de Teive, de Ponta Delgada) e, muitos outros acontecimentos e eventos que uniram pequenos grupos de portugueses. Nem tudo estará dito, mas não serei eu a acrescentar uma palavra que seja, pelo menos hoje, ao estado de graça que se instalou, no passado Domingo, em Portugal.
Pena hoje ser segunda-feira e a conquista do Euro Festival da Canção não ter dado direito a uma tolerância de ponto, bem que merecíamos. Foram muitas comoções juntas e vinha mesmo a calhar um dia para recuperar da ressaca emocional. Bem vistas as coisas, hoje nos locais de trabalho, sejam eles públicos ou privados, a produtividade deve cair para níveis pouco recomendáveis para um país que precisa é de produzir mais.

Na catedral da Luz (imagem retirada da internet)
Mal por mal fechava-se tudo para, com a tranquilidade que o momento merece, deglutir as emoções e este orgulho que transborda dos corações lusos, sejam benfiquistas ou não, sejam católicos ou não, acreditem ou não, gostem ou não gostem que o Salvador ame pelos dois. Acho que esta coisa de amar pelos dois tem qualquer coisa de platónico, ou mesmo de autossatisfação. Não tenho nada contra, nem ao Platão e, muito menos ao prazer solitário, embora considere o ato pouco satisfatório.

Como já perceberam também eu vibrei, não digo com o quê, mas quem me conhece bem saberá qual o motivo de, também, eu ter os níveis, da lusa autoestima, no topo da escala, ou seja, no vermelho. Não, não foi do tetra. Só mesmo depois do Benfica ser hectacampeão é que, enquanto benfiquista, valerá a pena festejar, até já o Sporting foi tetra campeão, é certo que foi nos anos 50 do século passado, mas para todos os efeitos já foi, e o Porto, mais recentemente, foi penta campeão, por conseguinte, quem leu Benfica ao invés de ler o que de facto está escrito precipitou-se e concluiu mal. Ali vermelho significa risco, assim como nos conta rotações dos automóveis, não é aconselhável entrar no vermelho.
Deixando de lado o tom algo jocoso e irónico do que leram até agora, e porque não tenho nada a esconder, direi que pulei de alegria com a vitória dos irmãos Sobral no Euro Festival da Canção, os motivos da minha satisfação nada têm a ver com qualquer motivo de ordem patriótica e, muito menos nacionalista. Os motivos da minha satisfação foram mesmo aquele poema, aquela música, aquela voz, aquela autenticidade, e a musicalidade da língua portuguesa.
Ponta Delgada, 14 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 15 de Maio de 2017

... das emoções

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017)  by  Madalena Pires





Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e, também, neste blogue






(...) Mal por mal fechava-se tudo para, com a tranquilidade que o momento merece, deglutir as emoções e este orgulho que transborda dos corações lusos, sejam benfiquistas ou não, sejam católicos ou não, acreditem ou não, gostem ou não gostem que o Salvador ame pelos dois. Acho que esta coisa de amar pelos dois tem qualquer coisa de platónico, ou mesmo de autossatisfação. Não tenho nada contra, nem ao Platão e, muito menos ao prazer solitário, embora considere o ato pouco satisfatório. (...)

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Mistificações

Foto by Aníbal C. Pires
Aproxima-se o final da semana, e este por obra e graça, não dos videntes pastorinhos, mas da hipocrisia política, será um daqueles fins de semana prolongados. Prolongado só para os trabalhadores da administração pública central e regional pois, não podem os governos, e bem, imiscuir-se na atividade do setor privado.
A tolerância de ponto concedida para assinalar a vinda do Papa às celebrações do 13 de Maio, ou permitir a ida dos fiéis até à Cova de Iria, ainda não percebi muito bem a que fim se destina a tolerância de ponto concedida para sexta-feira, dia 12, mas isso também não é importante. A decisão foi tomada e certamente bem acolhida pela generalidade, senão mesmo pela totalidade dos trabalhadores que dela vão beneficiar.

Foto by Madalena Pires
Esta semana a sexta-feira é à quinta, e isso é fixe. E então se o S. Pedro for solidário e afastar as nuvens, sossegar o vento e faça a temperatura subir qualquer coisinha, então sim, vai valer a pena este bónus concedido pelos Governos da República e da Região Autónoma dos Açores, só por estes. Na Madeira o Presidente do Governo não arriscou a possibilidade real, segundo ele, do êxodo dos madeirenses e porto-santenses para irem a Fátima ver o Papa Francisco esgotar o plafond estadual que está alocado ao pagamento das indemnizações compensatórias, também conhecido por subsídio social de mobilidade, aos passageiros residentes naquela Região Autónoma.
Sei que a família política do Primeiro-ministro e do Presidente do Governo Regional dos Açores é diferente da do Presidente do Governo Regional da Madeira, mas não vou criticar qualquer das decisões, até porque a semana é curta e, quiçá para além de Fátima também vamos ter festa no Futebol, pelo menos é isso que é esperado pelos benfiquistas, julgo eu que de futebol não percebo nada. De Fado também não, mas gosto das novas sonoridades e abordagens que este género de música popular urbana foi assumindo.
Distraí-me e não devia. Hoje o que eu quero mesmo deixar referenciado é a passagem dos 72 anos do fim da II Guerra Mundial e tudo o que isso tem de significado para a Europa e para o Mundo. A tomada de Berlin pelo Exército Vermelho e a posterior capitulação incondicional da Alemanha perante os Aliados, assinala-se hoje, dia 9 de Maio. Capitulação ao fim de 6 longos, sangrentos e aterradores anos onde perderam a vida mais de 55 milhões de pessoas. Sim eu sei, também se assinala o dia da União Europeia, Sim também sei que na versão oficial é o dia da Europa. Mas a Europa é um pouco mais do que os 28 países que pertencem à União Europeia e o dia 9 de Maio relaciona-se diretamente com a conhecida “Declaração Shuman”, feita pelas 16h00, por Robert Shuman, a 9 de Maio de 1950, em Paris. Declaração que lançou as bases fundadoras do que é hoje a União Europeia, logo julgo ser abusivo designar este dia como o dia da Europa. Por outro lado, se tenho de celebrar alguma coisa, então a minha opção vai para a celebração do fim da II Guerra Mundial e da derrota do nazi-fascismo. E é contra o recrudescer do nazismo na Europa e no Mundo que devemos estar atentos e lutar.
Ponta Delgada, 09 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 10 de Maio de 2017

Pelos 72 anos da capitulação alemã

Hoje dia 9 de Maio de 2017, passam 72 anos da capitulação incondicional da Alemanha, desde logo, ao Comando do Exército Vermelho, forças armadas da União Soviética, que alguns dias antes tomou Berlin, e ao Comando militar dos Aliados. Nos primeiros dias de Maio de 1945 esta foi a imagem que simbolizou o fim da II Guerra Mundial. Um soldado do Exército Vermelho desfraldava uma bandeira da União Soviética no Reichtag, em Berlin.  
O mainstream europeu e mediático prefere comemorar o dia da Europa.
Comemoração que é uma mistificação pois, a Europa é mais um pouco, ou muito mais que os 28 países membros da União Europeia e mesmo estes 28 países representam várias faces da Europa unida. A Europa rica e que determina o rumo, a Europa subserviente ao diretório financeiro que domina as instâncias decisoras da União Europeia e a Europa submissa e dependente, a necessitar de uma desintoxicação da dependência dos fundos estruturais e de coesão.
O dia 9 assinala o dia da Europa porque, em 1950, Robert Shuman, Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, pelas 16h00, em Paris, tornou pública uma declaração que ficou conhecida com a “Declaração Shuman”, onde se lançaram as bases da União Europeia. É, assim, e em minha opinião, abusivo comemorar este dia como sendo o Dia da Europa, comemorem lá o Dia da União Europeia que a Europa, como já referi, é muito mais do que a União Europeia.

terça-feira, 9 de maio de 2017

... sexta à quinta

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires





Fragmento de texto a publicar na imprensa regional e também neste blogue







(...) Esta semana a sexta-feira é à quinta, e isso é fixe. E então se o S. Pedro for solidário e afastar as nuvens, sossegar o vento e faça a temperatura subir qualquer coisinha, então sim, vai valer a pena este bónus concedido pelos Governos da República e da Região Autónoma dos Açores, só por estes. Na Madeira o Presidente do Governo não arriscou a possibilidade real, segundo ele, do êxodo dos madeirenses e porto-santenses para irem a Fátima ver o Papa Francisco esgotar o plafond estadual que está alocado ao pagamento das indemnizações compensatórias, também conhecido por subsídio social de mobilidade, aos passageiros residentes naquela Região Autónoma. (...)

A morte azul

imagem retirada da internet
As técnicas de controle sobre o comportamento humano não são de hoje, mas, ainda assim, não é fácil perceber como é que uma listagem de tarefas, de autoflagelação e sofrimento que culmina com o suicídio, controlado por uma figura virtual, possa ter ganho adeptos entre a população jovem, população que naturalmente tem uma enorme e indómita vontade de viver.
Os jogadores para concluir com sucesso a lista de tarefas têm de por fim à sua existência. Refiro-me, obviamente, ao jogo virtual denominado “Baleia Azul”, jogo que configura a antítese de qualquer desafio clássico. A “Baleia Azul é um paradoxo. Joga-se para ganhar e não para perder, e neste caso ganhar é perder um bem que não pode, em caso algum, ser restituído, A vida. Paradoxal ou não, a verdade é que esta lista de tarefas já foi concluída, com sucesso, por uns quantos jovens de vários países e continentes.
O seu criador e mentor foi detido, o que não impede, só por si, que o jogo não continue a proliferar e a fazer novas vítimas. As autoridades policiais e as famílias reforçam a vigilância sobre os potenciais aderentes a esta loucura que dá pelo nome de “Baleia Azul. Estas medidas preventivas são importantes e necessárias, mas não deixam de ser medidas paliativas e neste, como noutros casos importaria perceber porquê, Porque é que alguém adere a um comportamento autodestrutivo. Só identificando o que está na génese destes comportamentos contranatura se poderá eliminar o efeito que este jogo está a provocar.

Imagem retirada da internet
A toxicodependência, aqui entendida num sentido lato, é um comportamento autodestrutivo, Sim. Relações sexuais desprotegidas constituem um comportamento autodestrutivo, Também. Mas quer um, quer outro destes comportamentos trazem associado o prazer. A lista não se reduz apenas a estes dois exemplos. Corremos riscos pelo prazer, por um ideal, pelo sucesso, pela afirmação, pela vitória, por uma razão, mas nunca pelo sofrimento, ainda que a vida nos inflija algum. Mesmo sofrendo lutamos para viver, mesmo sofrendo lutamos para sobreviver, mesmo sofrendo lutamos para prolongar a vida, e isso constitui uma vitória, não nos superamos para acabar estupidamente com a vida de forma voluntária e prematura, isso é uma derrota irreparável.
Sofre e morre pela “Baleia Azul” quem não tem razões. E talvez seja o imenso vazio que preenche a vida de muitos jovens que dispõem de tudo, mas lhes faltam razões, que os torna tão permeáveis à indução virtual de comportamentos autodestrutivos.
A psicologia tratará de inventariar as patologias das vítimas, dessa enumeração resultará um perfil padronizado que permitirá identificar dos potenciais jogadores deste paradoxal desafio. Esta informação será amplamente difundida aos pais, aos educadores, à população alvo, às autoridades policiais, informação que sendo por demais importante não é, não deveria, nem pode ser tudo o que há a fazer sobre as causas que estão na origem da adesão ao jogo da “Baleia Azul”.
Ponta Delgada, 07 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 08 de Maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

... da morte como objetivo

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires





Excerto de texto a publicar na imprensa regional e também aqui, neste blogue






(...) Corremos riscos pelo prazer, por um ideal, pelo sucesso, pela afirmação, pela vitória, por uma razão, mas nunca pelo sofrimento, ainda que a vida nos inflija algum. Mesmo sofrendo lutamos para viver, mesmo sofrendo lutamos para sobreviver, mesmo sofrendo lutamos para prolongar a vida, e isso constitui uma vitória, não nos superamos para acabar estupidamente com a vida de forma voluntária e prematura, isso é uma derrota irreparável. (...)

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Escola (in)segura

Foto by Aníbal C. Pires
Nunca tal me tinha acontecido. Já li descrições e ouvi contar a alguns colegas que viveram situações idênticas, algumas até mais graves e que não se ficaram pela ameaça, como se verificou hoje, durante a manhã numa sala de aula. O incidente que partilho passou-se diretamente comigo e indiretamente com os colegas e a auxiliar de educação com quem partilho duas salas de aula num espaço cedido à Escola onde leciono, em virtude de no edifício sede estarem a decorrer obras de ampliação, espaço que se situa longe do edifício sede da Unidade Orgânica e, como tal, desprotegido por não serem feitos os habituais controles de entradas e saídas.
A manhã tinha decorrido de forma tranquila todos os alunos presentes, os professores e a auxiliar de educação desenvolviam as tarefas programadas num ambiente de cooperação e de proximidade.
Passados que eram poucos minutos das 12h bateram à porta que se encontrava fechada com auxílio de um pequeno cordel de sisal. Dos presentes era eu que me encontrava mais próximo, soltei o cordel abri a porta e deparei-me com um cidadão a quem, como mandam as boas regras da urbanidade, disse bom dia. Não me dirigiu palavra, entrou de rompante sem ter pedido autorização para entrar num espaço para o qual deveria estar autorizado a entrar, não cumprimentou os presentes dirigiu-se ao filho para lhe entregar um título de transporte e num tom de voz agressiva dirigiu-se indefinidamente para os presentes dizendo que não voltaria a proceder ao carregamento do título de transporte e quando o filho faltasse, por não ter o título de transporte válido, que não se atrevessem a marcar falta, mais foi dizendo que se isso se viesses a verificar então as coisas seriam diferentes. Com tantos empregados aqui porque é não tratam disto e tenho de ser eu.
A idade e a vida ensinaram-me a ser tolerante, mas entendi que aquela atitude merecia um reparo e, sobretudo, um esclarecimento. Deixei o reparo de lado e parti para o esclarecimento informando o cidadão que a responsabilidade pela validação do título de transporte era da sua exclusiva responsabilidade. O que é que eu fui dizer, então não é que o cidadão se dirige a mim, em termos poucos corretos, dizendo que na vez de estar de braços cruzados e sem fazer nada que fosse eu tratar daquela merda. Naturalmente não segui o caminho da discussão e muito menos de palavras menos apropriadas, apenas insisti na responsabilidade dos pais e encarregados de educação no cumprimento do dever elementar de educar os filhos, e lá fui informando o cidadão que se o seu educando não comparecer às aulas terá, naturalmente, falta de presença.

Foto by Aníbal C. Pires
O cidadão em tom ameaçador foi saindo do espaço e abanando um capacete que trazia consigo foi dizendo, então atreve-te a marcar falta que isto (o capacete) vai servir para alguma coisa. Alguns dos termos que, entretanto, foi utilizando em frente a todos os presentes e já no exterior abstenho-me de os reproduzir aqui.
Por fim continuei com a ação pedagógica, é para isso que me pagam, informando o cidadão de que a atitude dele, entrada sem autorização na sala de aula e ameaça de violência sobre os docentes constituem crimes públicos. O cidadão lá foi seguindo o seu caminho repetindo os impropérios que achou mais convenientes.
Retirei-me para o espaço da aula que decorreu até ao fim sem nenhum outro incidente e, como se nada se tivesse passado. Mas passou. E o que se passou não pode ser esquecido nem branqueado, sob pena da integridade física e moral dos docentes e dos auxiliares estar sujeita a situações como a que hoje foi vivenciada, ou que as ameaças se concretizem. Terá chegado o tempo de recorrer à Escola Segura e daí aos tribunais, Talvez.
Ponta Delgada, 02 de Maio de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 03 de Maio de 2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

... do absurdo

Imagem retirada da internet

Fragmento de texto a publicar amanhã na imprensa regional e também neste blogue









(...) Naturalmente não segui o caminho da discussão e muito menos de palavras menos apropriadas, apenas insisti na responsabilidade dos pais e encarregados de educação no cumprimento do dever elementar de educar os filhos, e lá fui informando o cidadão que se o seu educando não comparecer às aulas terá, naturalmente, falta de presença.
O cidadão em tom ameaçador foi saindo do espaço e abanando um capacete que trazia consigo foi dizendo, então atreve-te a marcar falta que isto (o capacete) vai servir para alguma coisa. Alguns dos termos que, entretanto, foi utilizando em frente a todos os presentes e já no exterior abstenho-me de os reproduzir aqui. (...)

Da história e da ocasião

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2017) by Madalena Pires
Feriado, mas porquê. Quem sabe porque é feriado no dia 1.º de Maio e no 25 de Abril, ou no dia 10 de Junho, no dia 5 de Outubro e no 1.º de Dezembro, isto para não referir outros feriados como por exemplo aquele que é regional, um que só se comemora nos Açores e que este ano se celebra a 5 de Junho, trata-se de um feriado móvel pois, a segunda-feira de Pentecostes depende, como sabemos, do calendário católico. Todos os anos acontece numa segunda-feira, mas o mês (Maio ou Junho) e o dia são variáveis
Não duvido que a maioria dos cidadãos portugueses até saiba o que se comemora a cada dia de feriado, já não tenho a mesma certeza se conhecem o que lhe está na origem. Amanhã (hoje) comemoramos o Dia do Trabalhador, Certo. Mas porquê no 1.º dia do mês de Maio e não num qualquer outro dia, de um qualquer mês do nosso calendário. No primeiro de Dezembro comemoramos a Restauração, Sim é verdade, mas o que é que foi restaurado e porquê a necessidade de restaurar, neste caso a independência nacional.
Serão minudências, Talvez. Mas estas minudências podem fazer toda a diferença entre valorizar ou desvalorizar alguns dos dias que pela sua importância e simbolismo ascenderam a um estatuto diferente do comum dos dias. Todos gostamos dos feriados, não trabalhamos, ou se tivermos de o fazer somos, na generalidade, compensados por isso. Mas estes dias são muito mais do que um dia de descanso ou de compensações pecuniárias. Estes são dias que fazem parte da nossa história enquanto povo, são dias, como o 1.º de Maio, que fazem parte da história da humanidade e que se relacionam com conquistas civilizacionais.

Foto by Aníbal C. Pires
Mas se a celebração dos feriados é, não só aceitável, mas também importante do ponto de vista da nossa história e da história da humanidade, o mesmo não se pode afirmar das discutíveis e controversas “tolerâncias de ponto”.
A próxima “tolerância” já foi anunciada pelo Governo da República, relaciona-se com a vinda do Papa Francisco às celebrações do centenário das “aparições” da Nossa Senhora aos pastorinhos. “Tolerância de ponto” já envolta em apaixonadas discussões na opinião pública nacional. Não tenho muito que dizer sobre esta decisão, mas sempre direi que esta “tolerância de ponto” não tem justificação. Não pelo Papa Francisco em si mesmo, que me merece todo o respeito, mas por tudo o que significa esta espúria ligação entre o Estado e a Igreja, designadamente com um dos aspetos mais contestados da igreja católica portuguesa. E por aqui me fico no que à questão das “tolerâncias de ponto” diz respeito e, em particular a esta.
Preocupa-me, isso sim, as razões que estão associadas ao desconhecimento das causas que estão na origem da celebração dos feriados nacionais. Isso sim é preocupante e leva-me a pensar o quão seria importante o ensino da história ao longo de todos os ciclos de ensino pré-universitário, não só da história como também da geografia. Não é possível entender o Mundo em que vivemos e todas as transformações que foram ocorrendo ao longo de milénios sem aceder ao conhecimento destas duas áreas do saber. Mas isto sou a idealizar um certo modelo de Escola, ou seja, nada que seja verdadeiramente importante.
Ponta Delgada, 30 de Abril de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 02 de Maio de 2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1.º de Maio - lutar por Abril em Maio


Sonha um Abril novo

Não sou, não és, 
Não somos colaboradores
Sou, és, 
Somos trabalhadores
E não é semântica
É exploração
Eu, tu, nós
Produzimos a riqueza
Para quem
Nos empobrece
Em Maio luta
Pelo sonho
De um Abril novo

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 01 de Maio de 2017

Esperanza Spalding - a abrir Maio


Esperanza Spalding é cantora, instrumentista, compositora, professora, Esperanza Spalding é mulher, É mulher que luta é bonita como só as mulheres que lutam conseguem ser.






Mulher comprometida com a luta por um Mundo melhor. Esperanza Spalding a abrir Maio.










... do saber

Foto by Aníbal C. Pires




Uma parte. Amanhã o todo será publicado na imprensa regional e também aqui, Neste blogue








(...) Não é possível entender o Mundo em que vivemos e todas as transformações que foram ocorrendo ao longo de milénios sem aceder ao conhecimento destas duas áreas do saber. Mas isto sou a idealizar um certo modelo de Escola, ou seja, nada que seja verdadeiramente importante. (...) 

sábado, 29 de abril de 2017

... dos sonhos

Foto by Aníbal C. Pires





Fragmento de um trabalho em permanente construção





(...) Vamos lá meninas, agora vão dormir. E tu, ficas connosco. Sim fico. Fico aqui para guardar o vosso sono e os vossos sonhos. (...)

das manhãs amarguradas

Foto by Madalena Pires






Fragmento de um texto em construção
















(...) Amargurado procuro o silêncio.
E vou de encontro ao sossego do vento, ao clamor da terra, ao som da água que corre no riacho, ao crepitar da fogueira. Despojo-me da impermeabilidade urbana, entrego-me e, a osmose acontece. Somos agora um só elemento. 
E acontece a viagem. 
A harmonia da fusão do corpo com o espírito e a mãe Terra. 
Os tormentos calam-se. 
A serenidade chega, instala-se.
Enfim, respiro a liberdade. (...)


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 08 de Fevereiro de 2016

terça-feira, 25 de abril de 2017

Ler ou não ler, Eis a questão

Foto by Aníbal C. Pires
Por resolução da UNESCO o dia 23 de Abril, data da morte de Cervantes e Shakespeare, é consagrado ao livro. Para os amantes da leitura o Dia Mundial do Livro é apenas mais um dia com livros, como são todos os outros dias de viajem pelas palavras. Ler é uma escolha, uma opção. Mas ler é, sobretudo, um prazer. Um prazer indiscritível.
Pode o leitor estar descansado que não vou fazer a apologia dos benefícios e da importância da leitura. Podia e, sendo professor, talvez devesse fazê-lo, mas não vou por aí. A lista está elaborada é longa e conhecida, e está, sem dúvida, completa. Cada um fará livremente a escolha que mais lhe aprouver. Opção que quem sabe ler pode fazer porque há quem não tenha o direito de escolher entre ler e não o fazer.
O que me preocupa é que há quem não pode optar, entre ler e não ler. Porque há, ainda, quem o não saiba fazer. Há os que juntam letras para soletrar palavras, e outros nem mesmo isso. E estes, quer uns quer outros, não podem optar, alguém já optou por eles e remeteu-os para um estado de privação.  Privação de um direito que devia ser universal, devia ser de todos. E não, não estou a exagerar, lido diariamente com quem só sabe soletrar palavras ou, nem mesmo isso, mas que ficam encantados quando ouvem ler textos poéticos. Textos de autores como Antero de Quental, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen ou, de Vinícius de Moraes. É estranho, dirão, Pois é, eu também achei, mas foi o que constatei, e constato a cada dia em que essa experiência se repete. Se isto tem significado, tê-lo-á. Não me cabe a mim descodificar esse comportamento, deixo isso para quem o possa fazer com a devida sustentação científica.

Foto by Aníbal C. Pires
Como cidadão e docente incomoda-me a opção de quem é detentor de uma competência, neste caso a leitura, e não a exerça, e se deixe invadir por leituras que não são as suas, invasão feita massivamente pela linguagem audiovisual. Comunicação que sendo, quase sempre, servida pronta a consumir é, também, por isso, mas não só, que tem muito mais consumidores que a comunicação escrita.
Como cidadão e docente incomoda-me de sobremaneira que outros cidadãos continuem impedidos de aceder à comunicação escrita, à leitura. Impedidos de fazer uma opção porque não são detentores dessa competência. Por responsabilidade própria, Talvez. Mas as estórias de vida são diversas e as responsabilidades divididas e, por consequência, não me cabe a mim, nem a ninguém, fazer generalizações e atribuir responsabilidades individuais quando existem um conjunto de variáveis que escapam ao controle do indivíduo. E assim é quando falamos de crianças e jovens, alguém optou por eles e os encaminhou para uma situação de injustiça que os priva de aceder ao saber e ao conhecimento.
A responsabilidade é, mais do que individual, coletiva. É aos pais, à escola, à comunidade ao poder político que cabe prover as condições para que nenhuma criança fique privada do direito à educação e ao sucesso.
Uma nota final, mas não à margem, sobre a realização, nos dias 20, 21 e 22 de Abril, em Ponta Delgada, do Fórum do Livro. Esta iniciativa da Publiçor e da sua chancela editorial Letras Lavadas, inserida nas comemorações do aniversário do grupo empresarial Nova Gráfica, assinalou de forma inédita e louvável o Dia Mundial do Livro. Esta iniciativa teve lugar na Biblioteca Pública e Arquivo Regional e juntou livreiros, editores, autores, críticos literários e muitos leitores. Foi uma excelente forma de comemorar o Dia Mundial do Livro e só posso endereçar os meus agradecimentos, enquanto leitor, aos organizadores do Fórum do Livro.
Ponta Delgada, 23 de Abril de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 24 de Abril de 2016

domingo, 23 de abril de 2017

...das opções

Foto by Aníbal C. Pires







Excerto de texto a publicar amanhã na imprensa regional e aqui neste blogue








(...) Pode o leitor estar descansado que não vou fazer a apologia dos benefícios e da importância da leitura. Podia e, sendo professor, talvez devesse fazê-lo, mas não vou por aí. A lista é longa e conhecida, e está, sem dúvida, completa. Cada um fará livremente a escolha que mais lhe aprouver. Opção que quem sabe ler pode fazer porque há quem não tenha o direito de escolher entre ler e não o fazer. (...)

quinta-feira, 20 de abril de 2017

140 carateres

Imagem retirada da internet
A informação regional tem sido, ela própria, comentada e objeto de alguns escritos de opinião o que pode indiciar a necessidade de refletir sobre o seu atual estado. As dificuldades empresariais são conhecidas, apesar dos apoios públicos, faltam os assinantes e a publicidade que garante receita. A concorrência das plataformas eletrónicas que suportam as redes sociais, é um facto indesmentível. A notícia produzida em direto pelos cidadãos que possuem um smartphone é, também, concorrencial. A escassez de recursos humanos nas redações e a precariedade das relações laborais no setor, condicionam a produção de conteúdos e a qualidade da informação. O Gabinete de Apoio à Comunicação Social, sob a égide e controle do Governo Regional, constitui uma outra dimensão do problema que afeta a comunicação social na Região.
A comunicação social enfrenta um conjunto de dificuldades que pode levar, a prazo, ao encerramento de alguns dos títulos da imprensa regional e, num cenário mais catastrófico ao encerramento de algumas das rádios locais. Cenário que não é desejável, mas que se nada for alterado não está, de todo, afastado da realidade.
Mas se da crise que se abateu sobre a Região e o País resultam algumas das dificuldades que pendem sobre os órgãos de comunicação social privados, não serão estas as principais dificuldades que o setor enfrenta.

Imagem retirada da internet
Um crescente número de cidadãos, quiçá os mais informados, não se revê no imediatismo da informação que é difundida pela clássica comunicação social, informação que leva à proliferação das fake news e, muito menos, na informação produzida com base nas notas de imprensa que chegam às redações provenientes dos gabinetes de imprensa das instituições, organizações e empresas.
Ir ao sabor da corrente e seguir modelos que não se adequam ao que se espera da informação, seja escrita ou audiovisual, só pode ter efeitos nefastos. Efeitos talvez mais destrutivos que os da anemia económica que resultou da crise e que, sem dúvida, afetou profundamente as empresas privadas de comunicação social.
Nem o diagnóstico se confina ao que já disse atrás, nem tenho a pretensão de ser detentor de soluções ou verdades absolutas, contudo, tenho opinião sobre o assunto e preocupo-me, pois não gostaria de assistir ao fim de mais títulos da imprensa regional. Todos ficamos mais pobres quando encerra um jornal ou deixa de ser emitido o sinal de uma rádio local.
A comunicação social precisa reganhar a credibilidade e ao mesmo tempo coexistir, sem competir, com a plataforma dos 140 carateres. Mas também não pode ter como principal fonte de informação o Twitter, deixemos isso para Donald Trump, ou o Facebook, fontes de informação quantas vezes oriunda em perfis falsos e cujos objetivos são diversos, mas quase sempre perversos.
A comunicação social impressa, radiofónica e televisiva tem de encontrar o seu espaço próprio e um novo paradigma que seja distintivo do imediatismo abreviado das redes sociais.
Ponta Delgada, 17 de Abril de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 19 de Abril de 2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

A Vitorino Nemésio está a necessitar de cuidados








Que a Educação na Região não tem alocado financiamento que assegure, por exemplo, a formação de professores, É sabido desde que essa competência passou a ser das Escolas, ou seja, a SREC demitiu-se da obrigação, transferiu-a para as Unidades Orgânicas, mas não lhes alocou os recursos financeiros para o efeito.










Mas a exiguidade dos recursos financeiros disponíveis para o setor da educação manifesta-se, também, noutros aspetos igualmente importantes.
Vejam-se alguns pormenores do mau estado em que se encontram as instalações da Secundária Vitorino Nemésio, na Praia da Vitória. As fotos não têm qualidade gráfica, mas nem por isso deixa de se perceber que alguma coisa tem de ser feita. E não acredito que seja incúria do Conselho Executivo da Escola.





Espera-se que a SREC deixe a propaganda e cuide do património escolar, também ajuda ao sucesso.

Celebrar 175 anos do nascimento de Antero de Quental

Pormenor das ilustrações - foto by Aníbal C. Pires
A Associação de Antigos Alunos do Liceu Antero de Quental e a Artes e Letras, com o patrocínio da Câmara Municipal de Ponta Delgada (CMPD), assinalou hoje o 175.º do nascimento de Antero de Quental com o lançamento do livro As Fadas, poema de Antero escrito para o Tesouro Poético da Infância. O livro é ilustrado por alunos da Escola Secundária Antero de Quental, sendo a conceção gráfica da professora Nina Medeiros. À professora Maria João Ruivo fica a dever-se o texto introdutório e a apresentação do livro na sessão pública que decorreu hoje no Salão Nobre da CMPD. A impressão tem a marca de qualidade a que a Nova Gráfica já nos habituou.


Pormenor das ilustrações - foto by Aníbal C. Pires
As Fadas

As fadas… eu creio nelas!
Umas são moças e belas,
Outras, velhas de pasmar…
Umas vivem nos rochedos,
Outras, pelos arvoredos,
Outras, à beira do mar…

Algumas em fonte fria
Escondem-se, enquanto é dia,
Saem só ao escurecer…
Outras, debaixo da terra,
Nas grutas verdes da serra,
É que se vão esconder…

(...)

... da credibilidade






Excerto de texto a publicar na imprensa regional e neste blogue






(...) A comunicação social precisa reganhar a credibilidade e ao mesmo tempo coexistir, sem competir, com a plataforma dos 140 carateres. Mas também não pode ter como principal fonte de informação o Twitter, deixemos isso para Donald Trump, ou o Facebook, fontes de informação quantas vezes oriunda em perfis falsos e cujos objetivos são diversos, mas quase sempre perversos. (...)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Segundo Hollywood

Imagem retirada da internet
A tensão internacional atingiu, na passada semana, um nível de risco muito elevado e, o perigo mantém-se. Os riscos de um conflito mundial, desta vez, com recurso a armamento não convencional são reais. Dizer que este cenário se deve à controversa personalidade que preside à administração estado-unidense, é redutor. Há outros atores e uma situação complexa, mas atentemos apenas às ações que os Estados Unidos desencadearam recentemente.
O poder e o poderio militar dos Estados Unidos não residem apenas no presidente. As decisões militares estão protocoladas e, não sendo propriamente resultado de uma decisão coletiva, não dependem de um homem só. Por outro lado, a atuação dos Estados Unidos nos recentes ataques à Síria e ao Afeganistão contraria o discurso antissistema feito por Donald Trump durante a sua campanha eleitoral, ou seja, este não é um comportamento esperado. As ações bélicas dos Estados Unidos enquadram-se no tal sistema do qual Trump se procurou demarcar durante a campanha eleitoral. Ou Donald Trump encenou toda a sua campanha eleitoral, ou o sistema já o recrutou.
Quanto às ameaças e à mobilização de meios no que à questão coreana diz respeito, não separo o Norte do Sul porque considero que o problema diz respeito a todos os coreanos, trata-se da habitual encenação anual, desta vez com um discurso mais radical, mas que o arsenal nuclear coreano tem evitado que se passem das palavras à ação.
Não é a primeira vez que teço algumas considerações sobre o atual Presidente dos Estados Unidos e, numa leitura mais superficial, poderá parecer que existe alguma identificação política com o que ele pensa e defende. Nada disso. O que procuro fazer é uma reflexão sobre a realidade face ao conhecimento que disponho, que não é muito aprofundado, da política externa e interna dos Estados Unidos, da história mundial, da geografia política e económica e, dos poderes que verdadeiramente determinam as decisões políticas estado-unidenses. Apenas isso, o que já não é pouco.
A sociedade estado-unidense foi construída e alimentada com base em representações de sucesso individual. Esta construção social produz algumas distorções da realidade e induz, dentro e fora dos Estados Unidos, leituras e análises que reduzem factos construídos por grupos a atos puramente individuais. Tenho algumas dúvidas que os assassinatos de John Kennedy, do seu irmão Robert e, de Martin Luther King tenham sido planeados e executados apenas pelo seu autor material. Outros exemplos se podem aduzir aos anteriores como seja o atentado terrorista contra edifício do FBI em Oklahoma City. Encontrado um responsável a opinião pública descansa sobre o assunto e não faz mais perguntas. Simples.
Mas os Estados Unidos na sua saga de promoção da atomização produzem também super-heróis, os da banda desenhada e os do cinema. Com ou sem superpoderes todos conhecemos as histórias de um homem só a resolver os problemas que dizem respeito a todos na eterna luta do bem contra o mal. Todos nós consumimos, em determinado momento das nossas vidas, essa doutrina da qual não é fácil libertarmo-nos.

George Clooney e Amal Alamuddin - imagem retirada da internet 
George Clooney não é um desse super-heróis a quem me refiro, mas é uma figura de referência, diria mundial e, sem dúvida, um excelente ator. E, pensava eu, um cidadão bem informado, esclarecido e imparcial. Mas eis que se deixou enredar pela propaganda, não do café, mas da autointitulada Defesa Civil da Síria cuja face mais visível são os White Helmets, uma das duas organizações presentes no cenário de guerra e ao lado dos terroristas que procuram derrubar o governo legítimo da Síria. A outra organização é o Observatório Sírio de Direitos Humanos, quer uma quer outra são organizações não governamentais financiadas pelos Estados Unidos e Inglaterra, de entre outros países. Sobre o papel, o alinhamento e as ligações destas duas organizações ao Daesh e aos seus apêndices existem muitas e diversas provas, mas isso não impede Clooney de apoiar os White Helmets, para o qual propõe a atribuição do Prémio Nobel da Paz, e, talvez na sequência do documentário de curta metragem que este ano venceu o Óscar dessa categoria, Clooney tenha anunciado a intenção de, em conjunto com a sua esposa Amal Alamuddin, produzir um filme sobre os White Helmets. Filme que fará a apologia deste grupo que não pode deixar de ser considerado um aliado do fundamentalismo islâmico. Lamentável.
E assim vai caminhando o Mundo com rumo traçado por Hollywood.
Ponta Delgada, 16 de Abril de 2017

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 17 de Abril de 2017

... da atomização

Aníbal C. Pires (S. Miguel, 2015) by Catarina Pires





Excerto de texto publicado hoje na imprensa regional e que mais tarde será disponibilizado neste blogue






(...) A sociedade estado-unidense foi construída e alimentada com base em representações de sucesso individual. Esta construção social produz algumas distorções da realidade e induz, dentro e fora dos Estados Unidos, leituras e análises que reduzem factos construídos por grupos a atos puramente individuais. Tenho algumas dúvidas que os assassinatos de John Kennedy, do seu irmão Robert e, de Martin Luther King tenham sido planeados e executados apenas pelo seu autor material. Outros exemplos se podem aduzir aos anteriores como seja o atentado terrorista contra edifício do FBI em Oklahoma City. Encontrado um responsável a opinião pública descansa sobre o assunto e não faz mais perguntas. Simples. (...)

domingo, 16 de abril de 2017

... da redundância

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Fragmento de texto publicado na imprensa regional em Maio de 2006



(...) Aos cidadãos, não digo às cidadãs e aos cidadãos, talvez porque não seja tão inovador, moderno e criativo como outros ou, talvez, porque não seja necessária a redundância para incluir os géneros. Tenho de verificar se isto é cientificamente correto porque, politicamente é, de certeza, incorreto. (...)

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Da escola, do ensino, da cultura


Educar para a cultura

Ver, ouvir, sentir, desconstruir, criar, recriar, aprender a aprender com liberdade, construindo e reconstruindo percursos de aprendizagem a caminho do saber e da cultura que transformam e libertam o Homem.

Aníbal C. Pires, 05 de Dezembro de 2006

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Sobre ataque dos EUA à Síria

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Todos nós já vimos acontecer isto, está-lhes a faltar imaginação. O esquema é sempre o mesmo. Os povos do Afeganistão, do Iraque, da Líbia, agora da Síria, isto para não recuar muito no tempo, não procurar outras geografias e outras alianças do Estados Unidos, sofreram e sofrem os horrores da guerra promovida pelos Estados Unidos e companhia.
O território de um país soberano, a Síria, foi ontem bombardeado pelos Estados Unidos. Fizeram-no à margem de qualquer decisão das Nações Unidas, o que não significa que não tenha tido o apoio tácito dos seus habituais parceiros. Qual foi a justificação para a iniciativa unilateral dos Estados Unidos, um bombardeamento, no dia anterior, com armas químicas, também na Síria.
Quem foi responsável pelo ataque com armas químicas, Não foi ainda apurado. Quem foi acusado e responsabilizado pelos Estados Unidos, O governo Sírio. Chegados aqui é altura de perguntar pelas armas de destruição massiva que, garantidamente, possuía o Iraque de Saddam Hussein. Pois. Como todos soubemos depois do ataque ao Iraque, também à margem das Nações Unidas, afinal não existiam as tais armas de destruição massiva. Mas o objetivo dos Estados Unidos tinha sido cumprido e não se relacionava nem direta nem indiretamente com direitos humanos, nem com a necessidade de libertar quem quer que fosse do fundamentalismo islâmico ou outra das nobres causas dos Estados Unidos, como também sabemos o Iraque antes da intervenção, justificada pela existência das tais armas de destruição massiva, era um estado laico.

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Uma outra pergunta ou mesmo duas se devem colocar face a estes acontecimentos. A quem serviu o ataque com armas químicas na Síria. E a resposta é, Ao terrorismo que o DAESH representa. A segunda questão que se pode colocar é quem promoveu o aparecimento do DAESH. E a resposta é, Foram os Estados Unidos e os seus comparsas.
O ataque com armas químicas, que algumas agências noticiosas não dão como certo, foi precedido de um atentado terrorista, desta vez em S. Petesburgo, na Rússia. Nada mais conveniente para criar um clima de suspeição, desta vez sobre os suspeitos do costume, A Rússia e a Síria. A Rússia é, para já, inatacável militarmente, então vamos atacar a Síria.
Até ao apuramento da veracidade do bombardeamento com armas químicas e da responsabilidade da sua autoria, manda o bom senso que não se façam juízos apressados. Infelizmente não aconteceram só os juízos e a condenação de um dos suspeitos do costume. Infelizmente foram desencadeadas ações bélicas como retaliação a um evento sobre o qual ainda se sabe muito pouco.
Esta escalada de violência e de terror protagonizada pelos Estados Unidos não ajuda nada a concretizar aquilo que todos nós desejamos, Viver em PAZ.
Hoje aconteceu mais um atentado, ainda não foi apelidado de terrorista pelo governo sueco, mas eu diria que sim. O terror instalou-se na capital sueca, não importa quem fo(i)(ram) o(s) autor(es) e quais as motivações. Foi, para todos os efeitos, um ato de terrorismo.
Uma nota final. Tenho estado a acompanhar o atentado em Estocolmo através dos jornais online nacionais e, não deixa de ser estranho que alguma da informação tenha como fontes os tweeters produzidos por diferentes cidadãos sobre os quais nada sabemos, sobre o atentado de Estocolmo.
Que credibilidade se pode dar a esta forma de informar. O imediatismo vai ser fatal para a comunicação social.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Inclusiva ou nem por isso

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Os sucessivos governos do PS nos Açores procuram demonstrar que o sistema educativo na Região é um sistema inclusivo. Dizem-nos que todas as crianças e jovens estão escolarizadas e obtêm certificações, não vou por em causa a afirmação. Aceito como bom. Que sim, que nos Açores não existe abandono escolar e todos os alunos obtêm um qualquer tipo de certificação. Ora estes indicadores, que como disse não contesto, não significam, necessariamente, que o sistema educativo na Região seja inclusivo.
E não é inclusivo, desde logo pelos resultados do sucesso escolar, entenda-se como sucesso a obtenção de certificações académicas que correspondem às aprendizagens e aquisição de competências definidas nos perfis de conclusão do Ensino Básico. Não incluo neste olhar o Ensino Secundário pois, embora seja obrigatório, ou melhor obrigatória é a matrícula, pelos encarregados de educação, e obrigatório é o dever de frequência, pelos alunos até aos 18 anos de idade, e não a conclusão do 12.º ano de escolaridade. A obrigação corresponde a 12 anos de matrícula e não à conclusão, com sucesso, do 12.º ano de escolaridade. Coisas bem diferentes, por sinal.
A inclusão educativa não é, por definição, apenas “armazenar” os alunos e mantê-los entre os muros da escola, e isto é, apenas, o que decorre do quadro legal, não será só mas é-o no essencial.

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No plano dos princípios direi que o desenho curricular e as metodologias educativas que lhe estão subjacentes têm como adquirido que os alunos, organizados por turma e ano de escolaridade, são uma massa heterogénea, logo com interesses e necessidades diversas, que necessitam de respostas educativas diferenciadas para obterem sucesso no seu percurso escolar. Mas se isto é verdade no plano dos princípios, já o não é nem nos programas das diferentes disciplinas ou áreas disciplinares, nem os princípios referidos têm reflexo nos Projetos Educativos de Escola e nos Planos Anuais de Atividade. A Escola acolhe como se todos os alunos fossem iguais, ou seja, prepara-se para cumprir a sua função apenas para alguns alunos. E os outros, Os que por motivos e realidades diversas não encontram, de imediato, o seu lugar na Escola, nem na sala de aula. Para esses que resposta tem a Escola, entenda-se aqui Escola como significando sistema educativo.
Para esses a administração educativa nos Açores encontrou uma alternativa fora. Fora do ensino regular. Não se adapta vai para uma via diferenciada sem que antes se tenham esgotado todas as estratégias de inclusão. E a exceção torna-se regra e o sistema educativo exclui, não inclui.
Para que conste nas estatísticas todos os alunos nos Açores cumprem os anos de escolaridade a que estão obrigados, não contesto.  Mas atendendo ao elevado número de crianças e jovens que não completam a escolaridade básica dentro do ensino regular, direi que o sistema educativo regional não é inclusivo e, não há “Pró-sucesso” que nos valha para tamanho fracasso da política educativa protagonizada pelos governos do PS nos Açores.
Ponta Delgada, 04 de Abril de 2017

Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 05 de Abril de 2017

terça-feira, 4 de abril de 2017

Turismo, ambiente e o desleixo

Foto by Madalena Pires

O destino Açores tem como sua principal âncora a beleza paisagística e a qualidade ambiental. Em terra uma das principais atrações, para além da conhecida paisagem do postal ilustrado, serão sem dúvida os trilhos pedestres. Trilhos onde pontificam os cursos de água, pequenos lagos e cascatas, isto para além da exuberante flora, endémica ou não, e das espécies animais que enchem o silêncio da paisagem com harmoniosos chilreios e belos voos planados.

Foto by Madalena Pires









Estas imagens pretendiam inicialmente mostrar mais um dos muitos trilhos de S. Miguel, e com esse objetivo foram publicadas pela sua autora (Madalena Pires)

Quando as visualizei a primeira vez não me apercebi de que no leito da ribeira algo estava a mais. Quando vi os enormes pedaços de plástico não pude, nem posso, deixar de as divulgar de novo, agora com outro objetivo.


















Foto by Madalena Pires
Não é aceitável por razões, desde logo, de segurança das populações, quantas e quantas enxurradas não são provocadas por falta de limpeza das linhas de água, mas também ambientais e diretamente ligadas a um setor da economia regional em crescimento, que o leito de uma ribeira esteja tão contaminado por matéria plástica proveniente de uma outra atividade económica, ainda mais importante que a do turismo.



Foto by Madalena Pires

O plástico que se vê na ribeira deveria ser considerado um crime ambiental. Mas mais do que a penalização, a quem não tratou convenientemente aquele resíduo, é necessário encontrar soluções para se caminhar para a redução da utilização de plásticos e encontrar soluções facilitadoras para seu depósito e posterior recolha pelos serviços competentes.

Foto by Madalena Pires




Fica o alerta.

Da memória e da incúria

Foto by Madalena Pires
Esta e as fotos seguintes ilustram o estado de abandono de uma antiga central hidroelétrica em S. Miguel, Açores.

Foto by Madalena Pires










Tenho consciência que nem tudo pode ser conservado ou musealizado, mas quando me confronto com imagens como esta, sinto que é sempre possível fazer um pouco mais pela nossa história, preservando algumas memórias. Neste caso trata-se de uma antiga central hidroelétrica perdida na Serra de Água de Pau e em avançado estado de degradação.




















Foto by Madalena Pires
Quanto seria necessário retirar aos lucros da elétrica regional para preservar esta memória e dar-lhe uma utilidade pedagógica, mas também de reforço da atração turística de um trilho pedestre.