quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Um Mundo Novo é inevitável

Mais do que as minhas palavras para expressar todo o repúdio pelas medidas de austeridade que ontem foram anunciadas, fica a música.



Neste caso pelas rimas e pela voz do Valete que também podem ver aqui num outro tema.

Eles comem tudo...

Continua de uma actualidade atroz.



José Afonso interpretando "os vampiros" no derradeiro concerto do Coliseu de Lisboa.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Pitecos hoje

O ZéDalmeida publicou hoje no Pitecos este cartoon intitulado: vende-se engenheiro com projecto aprovado...


É uma abordagem do meu caro amigo e conterrâneo Zédalmeida feita ainda antes do anúncio do reforço das medidas de austeridade.
O "momentos" não só subscreve como pretende postar mais alguma coisa sobre aquilo que hoje foi anunciado ao país e espera, ansiosamente, pela posição do PS Açores face aos tais cortes nas transferências para os Açores.

Revisões

A abertura do processo de revisão constitucional pelo PSD, na forma, conteúdo e timing, obedece a objectivos e estratégias que nada têm a ver com a necessidade de adequação do texto constitucional à resolução dos graves problemas sociais, económicos e financeiros que Portugal enfrenta e, muito menos com qualquer ideia ou projecto político que contribua para resolver a situação dramática que os trabalhadores e o povo português estão a viver e a quem, de forma continuada, é exigido que faça mais e mais sacrifícios, enquanto os grandes grupos económicos e financeiros e os seus gestores e administradores continuam a ser beneficiados e protegidos.
Pelo contrário, o PSD não abdica do objectivo que persegue desde que a Constituição da República Portuguesa foi aprovada em 1976, apesar de a ter votado favoravelmente. Objectivo que consiste em destruir princípios básicos do texto fundamental, tentando legitimar a política neoliberal e de direita que tem imposto ou ajudado a impor aos portugueses. O que o PSD pretende com o seu projecto é um ajuste de contas com as conquistas sociais da Revolução de Abril, como sejam os direitos de acesso universal à Saúde, Educação e Segurança Social.
Mas este é apenas um dos motivos que levaram o PSD à abertura do processo de revisão Constitucional porque na realidade o projecto de revisão constitucional serve também ao PSD para desviar atenções da dramática situação que o País e a Região vivem e para camuflar as suas responsabilidades nessa situação, incluindo o seu apoio à política do Governo de José Sócrates, numa vã tentativa de se distanciar ideologicamente de um PS que paulatinamente lhe conquistou espaço político e eleitoral à medida que foi mergulhando num pântano infestado por neoliberais e teólogos do mercado.
Se para o conjunto do País a revisão Constitucional não vem trazer nada de novo, apenas alimenta agendas mediáticas e serve ao PS de José Sócrates para artificialmente se distanciar do PSD e de Passos Coelho, dando um ar de quem é, e sempre foi de esquerda, para os Açores, este é um tempo ainda mais desadequado, uma vez que a Região ainda não explorou devidamente as possibilidades abertas pelo novo Estatuto Político-Administrativo.
A Região por via do seu Parlamento necessita, antes de mais, de dar corpo às novas competências consagradas no Estatuto que, não esqueçamos está em vigor há pouco mais de um ano e meio, ao invés de abrir irreflectidamente, por via de disputas meramente partidárias entre o PS e o PSD Açores, frentes de batalha que em nada contribuem para a resolução dos problemas com que as açorianas e açorianos se confrontam no seu dia-a-dia.
Por certo não é a existência, ou não, de um Representante do Presidente da República na Região que contribui para o aumento do desemprego, para os baixos rendimentos, para a concentração da riqueza, para o elevado custo das tarifas aéreas, para a insuficiência das medidas de conjunturais de combate à crise ou para a cabal resolução de seculares constrangimentos da economia regional.
Cabe, em primeira e última instância, aos órgãos de Governo próprio da Região encontrar para os Açores as políticas e as medidas estratégicas que invertam este ciclo económico recessivo e que valorizem e dignifiquem quem trabalha e trabalhou com renumerações e pensões dignas e justas e promovam o emprego com direitos.
Os problemas com que a Região actualmente se confronta não se encontram nem no Estatuto, nem na Constituição antes decorrem das políticas que, na Região e na República, têm sido implementadas pelos sucessivos governos alternantes do PS e do PSD com ou sem o CDS/PP, no entanto isto não significa qualquer posição cristalizada ou de recusa à reflexão e ao diálogo sobre o aperfeiçoamento e aprofundamento da Autonomia regional mas não é este o tempo, nem a forma. O tempo é de valorizar o País e a Região e a sua capacidade produtiva, o tempo é de procurar um novo paradigma de desenvolvimento social e economicamente mais justo e de equilíbrio entre a actividade humana e a natureza.
Ponta Delgada, 28 de Setembro de 2010

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 29 de Setembro de 2010, Angra do Heroísmo

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O essencial e o acessório

Neste início de um novo ano parlamentar importa situar aqueles que são os problemas mais prementes sentidos pelos açorianos, as grandes questões para as quais o Parlamento Regional tem de encontrar respostas.
E, sem margem para dúvidas, essas questões reconduzem-nos sempre e necessariamente ao problema da riqueza regional e da sua repartição e ao modelo económico que não tem resolvido os seculares problemas da economia regional.
A crise, a tão falada crise, a tal que foi negada num momento para ser decretada noutro, a tal que é uma fatalidade de quem ninguém tem culpa nem responsabilidade, a crise que as tonitruantes declarações do governo Regional não conseguem, por mais que insistam, exorcizar, essa mesma crise, continua a agravar-se e alastrar pelo nosso arquipélago e, ao contrário de algum do mundo da política, a crise não foi de férias. Os sinais do abrandamento da actividade económica regional estão por aí, com as consequências sociais que lhe são inerentes e inevitáveis se continuarmos a insistir nas mesmas políticas e, apenas e só no reforço das medidas conjunturais de combate à crise que se têm demonstrado claramente insuficientes e de reduzida eficácia
O presente abrandamento da economia regional e aquele que se prevê venha a ser ainda mais pernicioso decorre directamente das medidas do PEC e das subsequentes medidas de austeridade que o complementam, e, e ainda de outras que se avizinham anunciadas em discursos fossilizados enfeitados com neologismos cujo significado é tão antigo como a ideia de domínio de um grupo humano sobre outros grupos humanos, assim se construiu a ideia de racismo, assim se construiu a ideia das inevitabilidades do neoliberalismo, assim se constroem representações para perpetuar modelos anacrónicos de desenvolvimento que gerando cada vez mais riqueza geram na mesma proporção mais pobreza, mais exclusão mais injustiça social e torna insustentável o equilíbrio natural entre o homem e o ambiente.
As medidas conjunturais que o Governo Regional tem vindo aplicar no último ano têm sido apenas isso: conjunturais e, como tal, não resolvem nem podem resolver os desequilíbrios estruturais que estão na génese da dramática situação em que vivemos.
Uma situação que é agora agravada, como já referi, pelas medidas de austeridade do PEC que ainda irão paralisar mais o investimento, consumo, a actividade económica e nos afundarão inexoravelmente numa recessão de que demoraremos muito tempo a recuperar.
Por mais fogo-de-artifício político que o PSD tente fazer com uma proposta de revisão constitucional perfeitamente disparatada e extemporânea e com o fantasma da aprovação ou não do Orçamento Geral do Estado, a verdade é que o PSD continua a ser o melhor amigo do Governo. E não apenas na República. Também na Região a líder do PSD Açores prefere passar ao lado do essencial, que partilha com o líder do PS Açores, e atirar-se raivosamente ao acessório, ao fátuo, ao superficial tornando a luta política num mero e triste espectáculo mediático.
Horta, 24 de Setembro de 2010

Aníbal C. Pires, In A União, 26 de Setembro de 2010, Angra do Heroísmo 

domingo, 26 de setembro de 2010

Le Temps des Cerises

Vítor Dias completou recentemente 65 anos, não tive oportunidade de, em devido tempo, lhe apresentar cumprimentos pela passagem do seu aniversário.
Fica esta canção "Le Temps des Cerises", na voz de Nana Mouskouri  e que está na origem do título do seu blogue



Vítor Dias dedica a sua vida a uma permanente e lúcida luta em defesa dos trabalhadores e dos povos, o seu blogue é uma referência na blogosfera nacional e um reflexo da sua verticalidade e honestidade intelectual. 

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Steve Bantu Biko





Tributo a Steve Bantu Biko (1946-1977) morto às mãos do regime do apartheid que vigorou na África do Sul. 
Sobre Biko, a sua vida e morte Richard Attenborough dirigiu o filme, Cry Freedom 1987, baseado nos livros de Donald Woods sobre a vida deste o activista sul-africano. Da banda sonora faz parte esta canção.



Peter Gabriel, em 1980, interpretou o tema Biko que acabaram de ouvir.

Produzir pobres

O Jornal de Negócios “online” informava no princípio da semana que o “spread” dos títulos da dívida pública portuguesa subia para um novo recorde. Na mesma notícia podia ler-se que as agências financeiras de investimento, designadamente a japonesa Namura aconselha os seus clientes a adquirirem títulos da dívida pública portuguesa, a serem emitidos ainda esta semana pelo Instituto de Gestão Financeira e do Crédito Público (IGCP), por se apresentarem com altamente rentáveis. Já na passada semana os investidores financeiros exigiram juros de 6% para a compra dos títulos da dívida nacional.
Trago-vos esta notícia por duas ordens da razão e nenhuma delas é para colocar o cenário ainda mais negro mas, na procura da desmistificação do funcionamento dos mercados financeiros entendidos por muitos cidadãos, habilitados ou não sobre esta matéria, como motores e alavancas da economia.
Em primeiro lugar e do que parece ser uma apetência e disponibilidade dos investidores para se atirarem gulosamente sobre os títulos da dívida pública portuguesa só posso concluir que existe liquidez mais do que suficiente nos mercados financeiros, ao contrário daquilo que tem sido afirmado. O que na realidade se passa é que a atenção dos investidores, naturalmente, passou para “negócios” mais rentáveis, direi mesmo, altamente rentáveis, e disse naturalmente porque quem se entretém a ganhar dinheiro, muito dinheiro, na especulação bolsista está pouco preocupado com a vida do comum cidadão português, grego, espanhol ou de um qualquer outro país vítima de um sistema financeiro e económico anacrónico e que tem dado os resultados que todos conhecemos.
Em segundo lugar porque as respostas de Portugal e da União Europeia são de total submissão a este sistema perverso que visa assegurar o lucro dos clientes das agências financeiras e penalizar os cidadãos que vivem dos rendimentos do seu trabalho, sejam eles trabalhadores do sector privado ou público, sejam os micros, pequenos e médios empresários. Em bom rigor tudo seria diferente se a posição da União Europeia, designadamente da Alemanha, fosse a da assunção da dívida pública por via do Banco Central Europeu e aí cairia por terra todo o poder das famigeradas agências de “rating” e as pressões dos especuladores financeiros não passariam palavras sopradas ao vento.
A pressão exercida sobre o nosso país está a produzir efeitos catastróficos na economia nacional e a aumentar os já graves problemas sociais com que a sociedade portuguesa se tem confrontado nos últimos anos, pobreza e exclusão social, 2 milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza e, mais recentemente o aumento galopante do desemprego.
É à banca nacional, pública e privada, que tem cabido, neste modelo económico caracterizado por uma cultura desenfreada do consumo, um papel fulcral na dinamização da economia. Barack Obama fez recentemente um “mea culpa” sobre a necessidade de alterar este paradigma, mas a verdade é que o seu país não tem feito mais do que exportar esse modelo e esse modo de vida. A banca nacional, devido às perversas pressões financeiras internacionais alterou radicalmente a sua filosofia no relacionamento com os clientes, sejam os particulares sejam as empresas – isto já se verificava muito antes da crise ser mundialmente decretada. De um momento para outro passou-se dos agressivos apelos ao crédito ao consumo para a retracção, para os apelos à poupança e para a elevada taxação de serviços.
A somar às restrições impostas pela banca e aos elevados custos que isso acarreta para os particulares e as empresas, vieram o PEC e as medidas complementares de reforço, conhecidas por medidas de austeridade, que se traduzem no aumento de impostos e na diminuição directa ou indirecta do rendimento das famílias. A consequência, está bom de ver, foi a retracção do consumo e, por conseguinte, a retracção da economia pois, como sabemos, o modelo assenta nisso mesmo: consumo. Se isto não é entrar num ciclo vicioso de recessão económica, o que será!?
Que Portugal e o Mundo necessitam de que o paradigma de desenvolvimento seja profundamente alertado, não tenho dúvidas. Que o caminho seja o de produzir mais pobres, mais excluídos e mais desempregados tenho muitas dúvidas.
Horta, 20 de Setembro de 2010

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 22 de Setembro de 2010, Angra do Heroísmo

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A reforma da reforma educativa

O estado da Educação é uma discussão permanente: no seio das famílias, entre os seus destinatários, na agenda política e mediática, no mundo laboral e empresarial, na academia, na conversa de café. E isto é bom, é sinal de preocupação e, sobretudo da importância transversalmente reconhecida ao papel que a Educação pode e deve ter nas transformações por que todos clamam.
As reformas introduzidas no Sistema Educativo, sem que a Lei de Bases tivesse merecido alterações de vulto o que, desde logo me deixa muitas dúvidas sobre a legalidade de algumas medidas, não responderam à mudança de paradigma que todos entendemos ser absolutamente necessária. Somando a vulgarização das vias diferenciadas de ensino para onde os alunos “problemáticos” são empurrados pelo sistema, mais o abandono escolar pós ensino básico que atinge os 50% na Região, concluímos que após a conclusão do 9.º ano de escolaridade metade dos alunos não frequentam qualquer tipo de ensino. Se somarmos a estes os que optam pelo ensino profissional, então estamos perante um número preocupante de jovens que não concluem o ensino secundário no sistema regular de ensino. É altura de perguntar como é que vamos resolver esta situação e o que é que está a ser feito para responder às necessidades infra-estruturais e educativas para que a partir do ano escolar 2012/2013 se cumpra a obrigatoriedade de 12 anos de escolaridade.
As mudanças introduzidas no Sistema Educativo regional e nacional tiveram e têm uma preocupação subjacente: a economia de meios humanos e financeiros. A preocupação central foi sempre de carácter economicista, com a consequente desvalorização profissional dos educadores e professores, com a imputação à Escola de responsabilidades que não são suas ou, pelo menos, devem ser partilhadas com as famílias e outras instituições a quem cabe contribuir para a formação e educação das crianças e se, até concordo com o princípio da racionalização de recursos e do combate ao despesismo público, a verdade é que desde que me lembro, e sou professor à 35 anos, nunca as sucessivas reformas porque foi passando a Escola Pública resultaram de processos de avaliação dos modelos em vigor, o que me parece profundamente errado ao nível metodológico e mesmo político pois, no pós 25 de Abril e com os governos constitucionais a governação tem estado entregue a forças políticas siamesas, aqui e além, assessoradas pelo CDS/PP. Estamos na situação paradoxal de PS e PSD andarem a reformar a esmo o que eles próprios criaram. Assim não vamos lá!
O início do ano escolar de 2010/2011 na Região foi marcado com a entrada em vigor da nova matriz curricular, abusivamente designada pela Secretaria Regional da tutela como currículo regional. Desta medida aprovada apenas pela maioria parlamentar que suporta o Governo Regional, e ainda antes dos alunos darem entrada nas Escolas, logo se percebeu que o objectivo economicista tinha dado os seus frutos: mais desemprego docente. Quanto aos frutos da nova matriz curricular na melhoria da resposta educativa ouviremos falar mais tarde.
No País o facto que marcou o arranque do ano escolar, para além do encerramento de centenas de escolas e do folclore da distribuição da segunda versão do Magalhães feito pelo primeiro-ministro e pela ministra da Educação, foi sem dúvida a comunicação televisiva de Isabel Alçada aos alunos, às famílias e aos profissionais da educação. Uma obra-prima de humor que nem os Gato Fedorento serão capazes de igualar. Ridículo! Simplesmente ridículo.
Ponta Delgada, 17 de Setembro de 2010

Aníbal C. Pires, In A UNIÃO, 21 de Setembro de 2010, Angra do Heroísmo

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Irish Dance

Em fase de preparação do debate televisivo de hoje à noite um pequeno exercício de aquecimento e descontracção.



Para quem gosta (eu adoro) poderão encontrar aqui um vídeo com um excerto de um espectáculo dos River Dance.

domingo, 19 de setembro de 2010

Porto Pim - Horta

Ao contrário da previsão meteorológica para hoje o dia no Faial esteve magnifíco, até agora nem vestígios de chuviscos ou aguaceiros. Temperatura de verão, luminosidade que baste e visibilidade para lá da Graciosa.
Pela manhã um curto passeio pelo Porto Pim e ao Monte da Guia.
A baía de Porto Pim é abrigada pelos monte da Guia e Queimado. Durante a época áurea da baleação ali funcionou uma das várias fábricas ligadas à produção de óleo de baleia.


Entremos em Porto Pim e na sua envolvente urbana.








De saída. Um dia destes voltarei a Porto Pim e por aqui deixarei esse registo em imagens ou palavras.

sábado, 18 de setembro de 2010

Novidades

A coluna da esquerda foi actualizada.
Um novo cartoon, sugestões de leitura e novas fotos que mais tarde irão parar ao memórias

Património e memória

A cidade da Horta, ilha do Faial, estende-se num anfiteatro natural voltada para o mar e para a majestosa montanha da ilha do Pico.


Hoje ao fim da manhã num passeio pela marginal da Horta fiz alguns registos fotográficos de costas voltadas para o Pico.


O património edificado, de valor inestimável, merece um outro olhar do poder local e regional.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Dia da Tentação

Para esta tarde uma voz, incompreensivelmente, pouco ouvida nas rádios nacionais.
Filipa Pais com José Peixoto



Não é apenas Filipa Pais que é excluída das play-lists das rádios.
Há uma longa lista de músicos e cantores portugueses que parece não existirem, e vivemos num Estado Democrático e de Direito, digo eu, porque há quem diga que a ditadura existe e é comercial e cultural eu, pensando bem, até que não discordo.

Continuamos em diferido

A educação e as políticas educativas adoptadas pelos governos de Carlos César e José Sócrates executadas por protagonistas que, quer num caso, quer noutro, foram substituídos no início das presentes legislaturas procurando induzir a ideia de uma mudança de paradigma. Houve quem acreditasse que sim e tivesse concedido um período probatório, também conhecido por estado de graça, a Lina Mendes e Isabel Alçada mas, cedo se verificou que afinal nada tinha mudado. A operação foi de simples cosmética pois nem a esfíngica Secretária nem a finória Ministra possuem requisitos intrínsecos para se afirmarem dentro dos governos onde regras são impostas pelos “chefe” e, se os anteriores titulares da pasta da Educação, na Região e na República, eram possuidores de forte personalidade – num caso afável e aparentemente dialogante, noutro granítica e incapaz de cogitar estratégias que, ao menos se parecessem como uma espécie de diálogo com os seus interlocutores -; personalidade que lhes permitiu construir imagens junto da opinião pública regional e nacional de protagonistas da reforma que impuseram no sistema educativo.
Lina Mendes e Isabel Alçada constituem-se, assim, como meros acessórios de governos cujas políticas educativas estão a contribuir para a perpetuação do atraso cultural e da desvalorização do papel da educação que caracteriza o povo português, herança de 48 anos de ditadura mas ainda com efeitos bem visíveis na Região, no País e na diáspora, atente-se aos estudos feitos junto das comunidades portuguesas no estrangeiro sobre os percursos escolares dos jovens descendentes de imigrantes.
Se é verdade que a qualificação académica e profissional não é, por si só, suficiente para debelar os efeitos da crise em que Portugal e o Mundo mergulharam, não é menos verdade que quando falamos de emprego, ou do seu contrário, se constata que os cidadãos possuidores de maiores qualificações são os menos vulneráveis.
O ano escolar iniciou-se esta semana com a renovação das críticas dos educadores e professores e dos seus sindicatos a quem cabe, por direito próprio, fazer tais pronúncias sobre o que consideram ser mais perverso no sistema educativo (regional e nacional), um direito que também assiste a qualquer cidadão.
No território continental e a fazer fé nas declarações de Rodrigo Queiroz e Melo, director executivo da Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo, à comunicação social e cito: - "Há famílias com problemas de desemprego de um dos membros do agregado e não conseguem manter os seus filhos no ensino particular e cooperativo"; por outro lado afirma, Álvaro Almeida dos Santos presidente do Conselho de Escolas (ensino público), e passo a citar: - "Há, de facto, uma maior procura no ensino público e o que é necessário, na minha perspectiva, é estabelecer um trabalho efectivo em rede, que permita que as escolas encontrem as soluções".
A realidade é que há crianças que não têm lugar em nenhuma das escolas pretendidas e há também, muitas outras, que ficaram colocadas muito longe do seu local de residência, isto tudo porque a subida na procura das escolas públicas fez esgotar as vagas.
Por cá foi inaugurado o Colégio do Castanheiro, iniciativa privada considerada de elevado interesse público e, por conseguinte financiada com dinheiros públicos.
Não é novidade que os efeitos positivos ou negativos que ocorrem fora da Região chegam aqui com algum atraso, isto apesar dos avanços tecnológicos que se verificam no acesso à comunicação e informação, este é apenas mais um exemplo de que continuamos em diferido.
Ponta Delgada, 13 de Setembro de 2010

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 15 de Setembro de 2010, Angra do Heroísmo

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Esta noite - "Queda do Império"

Dispenso as palavras, vamos ouvir Vitorino.



Uma boa noite para todos os visitantes do "momentos".

Desilusão nacional

Gosto de desporto e da actividade física e gosto da competição individual e colectiva que, na generalidade, lhe está associada. Fui praticante, treinador e dirigente de várias modalidades desportivas. Enquanto espectador e adepto poderei afirmar que a modalidade que mais prazer me dá assistir é o râguebi, nunca a pratiquei mas aprendi a gostar assistindo na televisão ao “Torneio das 5 Nações”. Eh! Já vão umas dezenas de anos. Para além desta modalidade sempre me interessei por outras, designadamente, pelo futebol, quando o futebol era desporto e os clubes não eram empresas. Vibrei com o Benfica e com a Selecção Nacional na década de 60 e 70 do século passado mas o encanto passou, não poderei afirmar, com toda a segurança que não vibro com os jogos da Selecção Nacional porque seria faltar à verdade mas, como disse, o fascínio há muito se desvaneceu.
Não sendo, assumidamente, um adepto de futebol não deixo, no entanto, de acompanhar o que à volta desse fenómeno de massas se vai passando nem poderia pois a comunicação social, sob as suas mais diversas formas, encarrega-se de o fazer mesmo sem que eu faça nenhum esforço. É a antecipação do jogo, é a unha encravada do craque, é o treino, é o aquecimento, é o árbitro, é o dirigente de uma SAD, é a Liga, é a Federação, são os adeptos, é a polícia, são os comentadores, são os contratos milionários, é a publicidade, são os direitos de transmissão, são as análises em estúdio aos erros de arbitragem, é o treinador e o adjunto, são os comentadores, é o apito dourado, são os 90 mn de jogo, são as entrevistas relâmpago, é o tempo extra, é o dia seguinte, é o outro dia… são os comentadores e por aí fora até à exaustão, percebo porque assim é mas, haja paciência para tanto “ponto cruz” e tão pouco futebol, enquanto modalidade desportiva entenda-se.
Tudo isto a propósito do “escândalo” dos resultados nos primeiros jogos de apuramento para o “Europeu de 2012”, eu diria muito simplesmente que a culpa disto tudo é do governo de José Sócrates e os leitores dir-me-ão: deixa-te de brincadeiras que o assunto é sério.
Sim, O assunto é sério, E eu não estou a brincar.
O assunto é demasiado grave, não por estar em causa o apuramento para o “Europeu”, todos os problemas do país se resumissem a esse, mas porque a condução da política desportiva em Portugal, para além de errada e perversa, tem estado entregue a uma personalidade cuja prosápia é incomensurável a quem José Sócrates entregou o cargo de Secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias de seu nome, e que tudo leva a crer terá metido o nariz onde não devia. Podemos dizer que Carlos Queiroz não tem perfil para seleccionador, podemos dizer que Gilberto Madail e a Federação Portuguesa de Futebol estão fragilizados, podemos especular na procura de responsabilidades e até arranjar bodes expiatórios entre os adjuntos, preparadores físicos, médicos ou, mesmo os jogadores mas, uma coisa é certa, a política desportiva nacional tem um responsável e, deve ser ao responsável político que, em última instância, se devem imputar as responsabilidades pelos bons ou maus resultados. O produto depende das políticas implementadas e das personalidades que as protagonizam. Neste, como noutros casos Laurentino Dias, Secretário de Estado do Desporto do Governo de José Sócrates, é o principal responsável e esse ónus ninguém lho poderá aliviar.
Ponta Delgada, 10 de Setembro de 2010

Aníbal C. Pires, In A UNIÃO, 14 de Setembro de 2010, Angra do Heroísmo

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Neste fim de tarde de Verão - "Inverno"

Susana Coelho uma açoriana que deu e dá voz a alguns dos mais belos temas produzidos nos Açores.



Fica "Inverno", um tema de Zeca Medeiros, interpretado pela Susana.
Esta tempestade aconteceu num dia de Natal.
Os barcos atracados no Porto de Ponta Delgada quebraram amarras e foram levados pelo mar.

sábado, 11 de setembro de 2010

Maravilhas

Hoje é dia da Declaração Oficial da "7 Maravilhas Naturais de Portugal", o evento realiza-se em Ponta Delgada e daqui é transmitido para todo o Mundo lusófono através da RTP Internacional e RTP África. Quem por cá está é a Mariza, uma das maravilhas deste povo.


A Mariza já por aqui passou.

Crónica revisitada - Setembros

O texto que se segue foi escrito em 2006 e publicado no jornal A União

Setembros
Há poucos dias teve início mais um Setembro, o de 2006 da era cristã. Este tal como outros dos ciclos mensais com que medimos o tempo é: do presente, do futuro mas também do passado. Passado que importa trazer para a memória colectiva comum se quisermos perceber o presente e, tentar que o futuro possa ser construído numa perspectiva de paz, no respeito pela diversidade humana, e com modelos de desenvolvimento sustentáveis. Só assim poderemos garantir futuro com segurança, justiça social e económica e com qualidade de vida ambiental às gerações que vão herdar esta casa comum que recebemos dos nossos avós.
Os Setembros que precederam o presente foram recheados de acontecimentos. Uns mais, outros menos recentes, uns mais, outros menos marcantes, uns mais, outros menos lembrados. Há, porém no mês de Setembro um dia, o dia 11, sobre o qual muito se escreve e especula e que os órgãos de comunicação social ditos de “referência” fazem questão de nos bombardear a memória, classificando-o como um novo marcador da história da humanidade.
Mas outros 11 de Setembro houve, uns mais, outros menos recentes e sobre os quais pouco ou nada se diz nos “mass-media”.
Não me refiro sequer ao 11 de Setembro de 1217, data que marca a arremetida de uma coligação cristã (Bispos de Lisboa e Évora, abade de Alcobaça e expedicionários do Norte da Europa que se dirigiam para a Terra Santa) contra a praça árabe de Alcácer do Sal, considerada estrategicamente com a “porta do Algarve”. Acção levada a cabo contra a vontade de D Afonso II, Rei de Portugal alvo de um processo de excomunhão pelo Sumo Pontífice Romano.
Trago à vossa memória e reflexão um outro 11 de Setembro, o de 1973. Dia em que, com o apoio declarado e provado da CIA e da administração estado-unidense, Pinochet liderou um golpe militar que derrubou um governo democraticamente eleito e impôs uma ditadura militar. O golpe custou a vida a Salvador Allende e provocou dezenas de milhares de mortos. O “Eixo do Bem”, não só apoiou como participou neste crime contra a humanidade. Ainda hoje esperamos que os responsáveis sejam levados e julgados no Tribunal Penal Internacional.
As contradições que marcam as abordagens políticas e informativas de acontecimentos que têm em comum crimes hediondos, atentados à soberania dos estados, à democracia e à liberdade são um insulto à inteligência dos cidadãos.
Não posso, não podemos, aceitar apenas a versão da história que nos querem contar para esconder objectivos inconfessáveis. Existe uma outra história.
Não podemos nem devemos aceitar que em nome de Deus, de povos eleitos por Deus e do apelo aos céus, se continuem a cometer os mais hediondos crimes. Não é esse o ensinamento que se retira dos livros sagrados, sejam eles a Bíblia, o Corão ou a Tora.

Lisboa, 1 de Setembro de 2006

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Aconteceu hoje nos Estados Unidos

Fica o link para um vídeo que noticia uma reunião de técnicos (arquitectos e engenheiros) dos Estados Unidos que colocam em causa a versão oficial da queda da torres (WTC).

http://www.presstv.ir/detail/142025.html

A teoria não é nova e na internet pode encontrar-se muito material sobre o assunto produzido nos dias subsequentes ao 11 de Setembro de 2001.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

De novo a Mayra

Não é a primeira vez que Mayra Andrade passa no momentos como poderão conferir aqui e, por certo continuará a passar.



O excelente tempo que se faz sentir nos Açores convida a estes sons quentes.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Momentos em família

Fotos da Margarida (neta) e da Madalena (avó) nos raros momentos que no último ano e meio tenho passado com elas.


Num serão em Fevereiro de 2010 quando a neta e a avó vieram a Ponta Delgada fazer-me uma visita.


A 30 de Abril de 2010, vésperas de fazer 16 meses, depois de um espectáculo musical no Oceanário de Lisboa.



No dia 30 de Abril de 2010 depois do espectáculo no Oceanário e enquanto a Margarida brincava.

A festa

No passado fim-de-semana realizou-se mais uma edição da Festa do Avante, foi a 34.ª Festa e uma vez mais se comprovou que aquele evento tem uma dimensão e natureza incomparáveis. A Festa contínua a afirmar-se, a cada ano que passa, como o maior evento cultural, social e político que se realiza em Portugal.
Não é a rentrée política do PCP, porque o PCP não sai para férias e reaparece ao fim da estação quente ou, se assim preferirem da silly season, utilizando uma linguagem mais in, - vejam só como o texto ficou logo mais atractivo. O PCP esteve e está diariamente em actividade por todo o país.
Mas voltemos à Festa e a algumas das palavras de Jerónimo de Sousa proferidas durante o comício ao fim da tarde do dia 5.
(…) Por aqui perpassou a alegria contagiante da juventude, a esperança e a confiança dos que recusam as inevitabilidades e a resignação, por aqui passou e passa a solidariedade humana, se deu o valor ao trabalho, à criatividade, ao que de mais nobre tem a política, se projectou o sonho e o ideal, sem dúvida mais avançado que a realidade mas que transformado em luta, levará a que o sonho e a realidade hão-de acertar o passo.
Uma Festa que é um espaço privilegiado para a cultura e a criação artística. Aqui, com esforço mas com grande fraternidade, criamos condições para que artistas e criadores de todas as formas de expressão encontrem lugar e espaço para apresentar aos visitantes da Festa os resultados do seu trabalho e do seu modo de olhar o Mundo.(…)
Das palavras transcritas pode inferir-se do espírito que leva, desde há vinte anos , centenas de milhar de pessoas à Quinta da Atalaia, Amora, Seixal mas, por muitas palavras que se escrevam ou, por muitas imagens que se vejam e muitos sons que oiçam não é possível, sem lá estar e viver a Festa ter a percepção da sua grandeza e essência, não obstante, a comunicação social, dita de referência, teima em menorizar já que não pode, de todo, obliterar a realização da Festa do Avante.
Fiz uma breve pesquisa sobre as notícias da Festa e a escassez é regra. A capacidade de realização dos militantes comunistas que com trabalho voluntário constroem aquela “cidade” e a põem a funcionar durante 3 dias incomoda-os. Incomoda-os o mar de gente que enche as ruas, avenidas e praças, incomoda-os a qualidade dos espectáculos, música, teatro, cinema, exposições, incomoda-os o internacionalismo e a solidariedade incomoda-os a alegria fraterna espelhada nos rostos.
Deixo-vos com duas expressões que se utilizam para descrever a Festa do Avante e quando puderem não deixem de conferir como elas se adequam àquela realização do PCP que acontece no primeiro fim-de-semana de cada Setembro.
“Há festas e festas mas ninguém te faz Festas como esta.”
“Não há festa como esta”
Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 08 e Setembro de 2010, Angar do Heroísmo

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Pura Fe - para esta tarde

Já não é a primeira vez que aqui trago Pura Fe. O vídeo que tinha postado foi retirado do "youtube" mas, felizmente vai havendo alternativas.


pura fe - rise up tuscarora nation
Enviado por chiranne. - Ver os últimos vídeos de musica em destaque

Sons que não passam nas rádios nem nas televisões. Lutas esquecidas.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Notícias do meu país

Para o fim da tarde Adriano Correia de Oliveira e "Trova do vento que passa".



Há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz NÃO!

Le Chant des Partizans - Yves Montand

Para recordar e não só...



O papel dos partizans na luta contra a ocupação de França pelo nazismo foi determinante para expulsar o monstro nazi e para a sua aniquilação em 1945.
O nazismo e o fascismo não morreram foram assumindo outras formas, vestiram roupagens democráticas e andam por aí mais ou menos encapotados.

domingo, 5 de setembro de 2010

Deixa chover

Com excepção de uma visita de 3 dias à ilha do Corvo no princípio do mês de Agosto fiz da leitura, no recato do lar e no seio da família, a principal actividade de um tempo tradicionalmente tranquilo sem deixar, todavia, de estar atento ao que foi marcando a actualidade social, cultural e política.
Passar o Verão nos Açores, neste particular, na ilha de S. Miguel é um privilégio e nos últimos anos, numa opção consciente, por aqui tenho ficado fruindo os gradientes do verde, a brisa que sopra suave do imenso azul atlântico e as temperaturas amenas. É certo que alguma chuva, a elevada humidade e a brisa nem sempre amena que sopra, por vezes do mar, por vezes da terra, terá introduzido algumas perturbações na programação planeada para quem nos visitou porque a nós, que aqui vivemos há muito deixou de incomodar e, bem vistas as coisas esta dinâmica dos céus açorianos constitui um factor que confere a este arquipélago atlântico particularidades climáticas cujo resultado é uma paisagem única e um património ambiental incomensurável.
Como disse li, Li muito e sobretudo lusografias, Pepetela, Mia Couto, Germano de Almeida, Raquel Ochoa e José Saramago, mas também outrasgrafias, confesso que li o último de Dan Brown, depois de ter terminado Istambul, de Ohran Pamuk. Mas como nem só de leituras vive um homem dediquei algum tempo à gastronomia, até porque tinha a família para alimentar e uma lista de pedidos para confeccionar alguns “petiscos” que tradicionalmente fazia, Acedi pois nem sempre o tempo sobra para estes pequenos mimos que, com pouco tempo e muito amor pude proporcionar a uma família sacrificada pelas minhas frequentes ausências.
Saí muito pouco, gosto mais da cidade e da ilha sem o bulício da animação “cultural” produzida a rodos e com critérios e objectivos que nem sempre compreendo, em abono da verdade: compreendo mas com os quais não me identifico.
E é das minhas raras saídas que vos quero deixar um registo despretensioso mas carregado de simbolismo.
Numa roda alargada de amigos da minha geração ali pelo Doris Bar, nas Portas do Mar, o Zé contava um episódio que se tinha passado com ele uns dias antes numa ida às Sete Cidades.
Ao chegar, dizia o Zé, procurei a D. Rosalinda a quem ia entregar um objecto que ela me tinha solicitado. Quando me acerquei diz-me ela em jeito de cumprimento: - Eh querido ainda agora te vi na television e já aqui estás.
- Pois é D. Rosalinda este Mundo agora é assim, anda tudo muito depressa, o pior é esta chuva que teima em nos estragar o Verão.
A resposta saiu pronta e sábia na sua simplicidade: Deixa chover que esse chão tásse consolando.
E o Zé, e todos nós que o ouvíamos percebemos que mais importante, que um dia ou outro em que a chuva transtorna a vida a quem está de férias, é a bênção da chuva que consola a terra e renova a vida.
O geocaching é uma actividade em franco progresso por todo o Mundo e, os Açores são um destino cada vez mais procurado para a prática dessa interessante actividade. Numa saída para os lados do Salto do Cavalo à procura de uma cache deparei com uma movimentação desusada para o local. Cedo percebi o que se passava por ali iniciava-se um Festival de Parapente, abeirei-me do local onde estava a decorrer o festival e fiquei junto a um grupo de pessoas que, tal como eu, observava com curiosidade e admiração as evoluções aéreas dos participantes que ora pairavam sobre o magnífico Vale das Furnas, ora de deslocavam sobre as cumeeiras da grandiosa caldeira.
A proximidade espacial com o grupo de pessoas do qual me tinha aproximado permitiu-me ouvir uma senhora dizer: Graças a Deus que na nossa terra já vai havendo e já se vai fazendo de tudo.
Fiquei a magicar naquela expressão e a pensar comigo próprio: não será só graças a Deus, será também graças aos homens e às transformações que a Revolução de Abril permitiram quando, naquela primaveril madrugada, se iniciou a ruptura com a ditadura fascista que durante 48 anos manteve este país ostracizado e o seu povo oprimido. Ditadura que militantemente alguns teimam em branquear mas que outros, talvez ainda mais teimosos, não esquecem e fazem de Abril a data maior do século XX português.
Anibal C. Pires, In A União, 04 de Setembro de 2010, Angra do Heroísmo

sábado, 4 de setembro de 2010

Cantiga da terra - Zeca Medeiros

O Zeca Medeiros tem uma vasta produção musical e já passou por várias vezes nos palcos da Festa do Avante, hoje, segundo dia da da 34.ª edição da Festa, fica aqui uma das suas mais belas canções.


Outros temas do Zeca Medeiros passarão por aqui.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Não há Festa com esta!

Já começou a edição de 2010.
Um imprevisto retêm-me em Ponta Delgada e não estou onde gostaria muito de estar, na Festa do Avante.
Fica um vídeo que surripiei do youtube com imagens das festas de 2008 e 2009 e com a emblemática Carvalhesa.



O que viram é apenas uma amostra. É preciso estar lá e viver a Festa ao longo daqueles 3 dias para compreender a sua dimensão humana, cultural e política.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

AAE - Cumprida a etapa final

Hoje é um dia particularmente especial o João Pires cumpriu a última etapa de um percurso que o levou à entrada na Academia Aeronáutica de Évora (AAE).
Para o ciclo de formação de Piloto de Linha Aérea que o João Pires vai iniciar nos próximos dias e se prolonga por 21 meses ficam duas palavras: realiza o sonho.


Não é o plano de voo.
Trata-se, apenas, de um plano de geocaching.
















A atenção e a concentração são fundamentais.












A satisfação por ter cumprido um objectivo está espelhada no rosto.

As fotos foram tiradas pela Madalena Pires (mãe) nas cumeeiras das Sete Cidades após terem encontrado e logado uma cache do "Tour de S. Miguel".

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

De volta à realidade

Chegados a Setembro temos a ilusão de que tudo recomeça como se o Mundo tivesse parado durante o Verão ou, mesmo por estas latitudes e longitudes, que todos os cidadãos retomassem as suas actividades profissionais após um período de férias mas, nem o Mundo se quedou nas suas incessantes órbitas à volta do astro rei, nem a humanidade deixou de se confrontar com velhos e novos problemas de subsistência e sobrevivência mesmo, a parte da humanidade que vive no Norte da abundância e do desperdício. É este Norte onde vivemos que os mandantes do Mundo têm vindo a procurar transformar no Sul da pobreza, da exclusão, da fome, das desigualdades.
A lógica de desenvolvimento fundada no conceito da Nações Unidas tem vindo a retroceder no Norte rico, que continua rico, cada vez mais rico mas, com um elevado e crescente número de pobres e excluídos, desempregados e com a generalidade da população a ser subtraída dos direitos básicos a que, segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos devem aceder. O Sul subdesenvolvido ou em vias de desenvolvimento, exceptuando alguns pontos onde se teima estoicamente contrariar as históricas causas que estão na origem dos problemas que os remeteram para a condição de subdesenvolvimento, continua na generalidade a manter se não mesmo a aprofundar as desigualdades que o distanciam do Norte rico e desenvolvido.
As opções políticas e económicas que desde a década 70, do século XX, se instalaram nos países desenvolvidos, designadamente com Ronald Reagan e Margareth Tatcher e, com a chamada terceira via, pela qual Tony Blair deu a cara e lhe proporcionou, acabado o seu “reinado”, uma imensa fortuna pessoal sobre a qual se colocam muitas interrogações, mas como dizia o neoliberalismo não só é responsável pela profunda crise global que vivemos mas, também procura nivelar as relações de trabalho, os rendimentos e os direitos sociais para um quadro que se aproxima assustadoramente dos países em vias de desenvolvimento e subdesenvolvidos, ou seja, o paradigma de desenvolvimento que no pós Grande Guerra foi adoptado no Ocidente capitalista, em grande parte resultantes das pressões a que foi sujeito, pelos seus cidadãos, na inevitável comparação com o desenvolvimento social e científico que na época se verificava nos países do designado bloco socialista, o paradigma foi abandonado e a selvajaria capitalista instalou-se, ganhou força e a tendência passou a ser de hegemonização do modelo neoliberal com os efeitos nefastos que todos conhecemos.
O modelo neoliberal, associado ao imperialismo, para se afirmar necessita, porém, do caos, dos conflitos armados, necessita no fundo de ter um inimigo que possa associar ao terror exercendo pelo medo o domínio dos cidadãos sob a sua protecção.
Só assim se compreende que muitos de nós estejamos acomodados aos tempos e estejamos dispostos a ser despojados de direitos e de rendimentos a troco de uma suposta segurança pessoal. Este é o imposto que o império nos cobra para manter afastado o perigo que, por agora, é o islamismo.
Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 01 de Setembro de 2010, Angra do Heroísmo