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sábado, 27 de outubro de 2018

O emprego, a ATA e a SATA - crónicas radiofónicas




Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 11 de Agosto de 2018 e pode ser ouvida aqui







O emprego, a ATA e a SATA

Fonte IEFP
Apesar de Agosto e, para lá dos incêndios que, nos últimos dias, fustigaram Monchique e Silves e, sobre os quais muito tem sido dito nos estúdios das televisões nacionais, nem sempre com abordagens dignas e, sobretudo, que não respeitam o sofrimento das populações afetadas, nem os homens e mulheres que combatem os fogos e protegem as populações.
Mas, como dizia apesar de ser Agosto e, para lá do drama anual dos incêndios florestais, por cá sempre vai havendo uma novidade ou outra que merecem atenção.
Não sei se deu conta, mas o INE divulgou os dados do emprego do segundo trimestre deste ano e o desemprego continua a cair. A Vice-presidência do Governo Regional lá veio a público assumir que tudo isto se deve às políticas regionais promotoras do emprego. Antes de continuar devo dizer-lhe que só posso ficar satisfeito pela descida do desemprego na Região e que essa descida, de facto, se tem vindo a verificar de forma continuada.
Não tenho, contudo, a mesma opinião do Vice-presidente do Governo Regional sobre a leitura dos dados do INE e muito menos quanto aos motivos que estão na origem da descida do desemprego na Região.
Os dados divulgados pelo INE não contemplam algumas variáveis, é uma questão metodológica, mas se os dados tivessem em devida conta o subemprego, os trabalhadores a tempo parcial, os inativos disponíveis que não procuram emprego e os cidadãos afetos a programas ocupacionais, então a taxa de desemprego seria bem maior. Isto não me dá nenhuma satisfação, mas se queremos tratar dos problemas do desemprego e promover políticas de emprego, então não podemos escamotear estes dados que nos afastam da realidade.
Quanto ao contexto que tem favorecido o aumento do emprego na Região, ao contrário do que é afirmado pelo Governo Regional, a descida da taxa de desemprego na Região não se fica a dever ás políticas regionais, mas sim a um contexto nacional favorável. Não estou a fazer esta afirmação de forma gratuita. Não o faço só porque sim. Faço-o ancorado nos dados mensais sobre o emprego divulgados pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).
Vejamos, no trimestre a que se referem os últimos dados do INE podemos verificar na informação facultada pelo IEFP que em todas as regiões do país se apurou uma descida da taxa de desemprego, no entanto, verifica-se que a descida nos Açores fica muito abaixo da média nacional. Mas se alargarmos a análise a outros trimestres constatamos exatamente o mesmo, os Açores ficam sistematicamente muito abaixo da média nacional. O expetável seria que a Região e as suas políticas de emprego tivessem um impacto positivo na criação de emprego e que a descida da taxa de desemprego na Região fosse superior à média nacional, Mas não.
Assim só posso inferir que se a taxa de desemprego na Região acompanha, em baixa, a tendência nacional é o contexto nacional que tem favorecido a descida da taxa de desemprego nos Açores e não as políticas regionais. Apenas isto.
Vou continuar consigo mais uns instantes para lhe deixar duas notas sobre o Grupo SATA.
A primeira, uma boa notícia, é a saída da SATA do capital da Associação de Turismo dos Açores (ATA). Já devia ter acontecido desde que foi alterado o paradigma do modelo de transporte aéreo de e para a Região, ou seja desde de 2015. Esta decisão peca por tardia, mas não posso deixar de a registar como uma medida positiva.
A ATA é uma empresa da esfera do setor público empresarial regional e que vai, finalmente, ser entregue à iniciativa privada. Claro que o representante do setor privado não gosta da solução, ou melhor gostar até gosta se o erário público continuar a financiar o seu funcionamento. Ora muito bem. Afinal os empresários querem, ou não, libertar-se do jugo do poder público.
A outra nota, e esta sim será a final tem a ver com a entrada em funções do novo Conselho de Administração do Grupo SATA. Já era conhecida a figura que vai assumir a presidência, o Dr. António Teixeira, foram ontem divulgados mais dois, ou apenas os dois, elementos que vão integrar, a partir de segunda-feira o Conselho de Administração do Grupo.
Foto by Aníbal C. Pires
A nomeação da Dra. Ana Azevedo, a quem desejo sucesso, vem comprovar que dentro do Grupo existem quadros capazes de assumir a administração, e há por lá mais, quanto ao Dr. Vítor Costa é mais um recrutamento externo com origem numa espécie de ninho de gestores públicos. Aguardemos pela distribuição de responsabilidades, mas também para perceber se a composição deste Conselho de Administração se fica, ao contrário dos anteriores, apenas por 3 elementos ficando a aguardar uma recomposição quando for concluído o processo de privatização dos tais 49% da Azores Airlines.
Não deixei votos de sucesso ao Dr. António Teixeira e ao Dr. Vítor Costa, Deixei sim. Os votos de sucesso para a Dra. Ana Azevedo, ainda que de forma implícita, são para todo o Conselho de Administração pois, o sucesso que desejo à Dra. Ana Azevedo será sempre capitalizado a favor de toda a administração.
É um prazer estar consigo
Fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 11 de Agosto de 2018

sábado, 11 de agosto de 2018

A Delta Airlines une Nova Iorque a Ponta Delgada - crónicas radiofónicas

Foto by Aníbal C. Pires




Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105 FM

Esta crónica foi para a antena a 26 de Maio de 2018 que pode ser ouvida aqui







A Delta Airlines une Nova Iorque a Ponta Delgada

Foto by Aníbal C. Pires
Ainda que não esteja totalmente recuperado de uma daquelas violentas viroses que por aí andam, mas cá estou de regresso à sua companhia. Sabe que me habituei a passar este pedaço de tempo consigo e faz-me falta. Não, não é pela rotina instalada, trata-se mesmo do prazer de estar consigo, é isso que me anima e me motiva.
Ontem a Delta Airlines iniciou a sua operação aérea para Ponta Delgada e, como tal, talvez seja um bom assunto para conversarmos.
Os fluxos turísticos, apesar do paradigma se estar a alterar, dependem muito da dinâmica que os operadores turísticos regionais imprimirem à sua atividade e às parcerias que consigam estabelecer com as suas congéneres nacionais e internacionais. As transportadoras aéreas de baixo custo, as ligações regulares das companhias de bandeira e os voos charters são, digamos, instrumentais deste empreendimento.
Um bom exemplo do que falo é a entrada da DELTA no mercado aéreo da Região que, como se sabe, causou alguma perplexidade e serviu, como é habitual, para acicatar bairrismos e como arma de arremesso político, embora ancorados em falsas premissas. A vinda da DELTA até pode ter constituído uma surpresa, e para mim foi, mas procurei saber porquê este súbito interesse da DELTA na rota Nova York/Ponta Delgada, por certo não seria pela procura dos açorianos, e claro que não é. A operação terá sido desenhada por operadores turísticos dos Estados Unidos, designadamente um operador ligado à DELTA, que pretende oferecer os Açores como um destino turístico que, por enquanto, está em alta e que tem tido procura por um segmento de cidadãos estado-unidenses que procuram destinos seguros e de proximidade. Se existe algum acordo financeiro entre a Associação de Turismo dos Açores (ATA) e os operadores turísticos dos Estados Unidos, desconheço, mas não estranho se ele existir.

Foto by Aníbal C. Pires
Ontem, dia 25 de Maio, pode ter sido o início de um novo tempo para o setor do turismo na Região. A Delta Airlines, como já referi, inaugurou a ligação entre Nova Iorque e os Açores, mais precisamente entre o aeroporto JFK, em Nova Iorque, e o aeroporto João Paulo II, em Ponta Delgada.
Serão 1000 turistas por semana (5 voos semanais) durante os próximos 3 meses. Se estamos preparados para os receber, Não sei. Mas sei o quanto é importante que este mercado, que nada tem a ver com os fluxos que para aqui são canalizados pelas transportadoras de baixo custo, tenha à sua disposição um serviço de elevada qualidade, sob pena da continuidade ser Sol de pouca dura.
Este ano, e ao que se sabe, por opção da própria Delta e dos operadores turísticos não se concretizou um acordo interline com a SATA para que outras ilhas pudessem beneficiar desta operação, quiçá o próximo ano traga novidades e os turistas vindos de Nova Iorque possam ir além de S. Miguel e conhecerem um pouco mais deste destino tão diverso quanto encantador.
Neste regresso e propositadamente trouxe-lhe um tema sobre o qual todos estamos mais ou menos de acordo e, sobre o qual todos temos mais ou menos as mesmas preocupações. Mas nem tudo são rosas quer neste setor, quer na economia regional. Falaremos disso depois.

Conto voltar a estar consigo no próximo sábado.
Até lá,
Fique bem.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 26 de Maio de 2018

sábado, 21 de julho de 2018

Turismo, Que modelo para os Açores - crónicas radiofónicas

Foto by Madalena Pires





Do arquivo das crónicas radiofónicas na 105FM

Hoje fica o texto da crónica emitida a 28 de Abril de 2018 que pode ser ouvida aqui








Turismo, Que modelo para os Açores

Foto by Aníbal C. Pires
Esta semana, em Ponta Delgada, viveu-se alguma, para não dizer uma exacerbada euforia à volta dos inúmeros navios de cruzeiros que por aqui fizeram escala. Pode até dizer-se que maioria dos micaelenses, ou só dos ponta-delgadenses talvez assim seja mais rigoroso, exultaram com a presença de milhares de turistas nas ruas da cidade e pelos principais pontos de atração turística da ilha de S. Miguel. Mas também não é menos verdade que alguns de nós olhamos para este fenómeno com alguma apreensão. Mas o que se viveu em S. Miguel nestes últimos dias mereceu, também, alguns reparos de cidadãos e organizações de outras ilhas pela incapacidade das suas infraestruturas portuárias para a atracagem de navios de cruzeiro a partir de determinada dimensão. Estas críticas e preocupações tiveram origem, no essencial, nas ilhas da Terceira e do Faial. No Faial foi a constatação do logro do novo porto, isto para quem ainda não o tinha percebido. Na Terceira o incumprimento de uma promessa eleitoral, motivou tomadas de posição públicas e até um requerimento na Comissão Parlamentar de Economia para que o atual e o anterior presidente do Governo Regional, ali fossem ouvidos.
Não vou discutir a insuficiência do investimento público que é, por demais, conhecida, poderei discutir, dentro das insuficiências, a hierarquização das prioridades do investimento público e as assimetrias ao desenvolvimento que essas opções têm provocado. Poderia, mas não o vou fazer nem aqui, nem agora. E não o faço pois, gostaria de deixar alguns tópicos de reflexão sobre este fenómeno que a tantos contenta e a alguns preocupa.
A presença, num curto espaço de tempo, de mais uma dezena de milhares de pessoas em S. Miguel provoca impactos ambientais que não serão, de todo, despicientes. Seja pelos resíduos que aqui são depositados pelos navios (são algumas toneladas), seja pelos excedentes de carga (visitantes) em zonas ambientalmente sensíveis. Dir-me-á que as vantagens para a economia regional compensam esses, eventuais, riscos. Talvez, depende do ponto de vista.

Foto by Aníbal C. Pires
Cá por mim quero um modelo para o setor que seja competitivo e sustentável, o que não é compaginável com a sua massificação. A competitividade do turismo açoriano, em minha opinião, deve ser assegurada pela singularidade do destino e não pelo baixo custo, por outro lado a sustentabilidade está diretamente relacionada com a peculiaridade das nossas ilhas, significando isto que quem nos procura espera encontrar um território (terra e mar) ambientalmente equilibrado e limpo, uma paisagem natural e humanizada únicas, e, não menos importante, um destino seguro.
Voltemos às vantagens económicas, mas também à redistribuição da riqueza gerada no setor.
Retorno ao turismo de cruzeiros para lhe deixar algumas questões. Quem abastece de combustível os navios, Quem os aprovisiona de géneros, Quem faz a recolha dos resíduos, De quem são os autocarros que asseguram o grosso dos circuitos turísticos aos visitantes que nos chegam navios de cruzeiro.
Responda a estas perguntas e encontrará o principal beneficiário do turismo de cruzeiros. Se sobra alguma coisa para os pequenos e médios operadores turísticos, Claro que sim e tenho de lhe dar a devida importância, mas parece-me que, como é habitual, este é mais um desenho feito por encomenda para servir quem já está bem servido.
Acresce ainda que os trabalhadores do setor continuam sem ver refletido nos salários e nos vínculos de trabalho os proveitos do crescimento da atividade turística. E esta questão também está relacionada com a sustentabilidade do setor.
Há outros aspetos sobre a indústria turística que se está a implementar na Região que devem ser objeto de reflexão, até porque noutras regiões e cidades os problemas assumiram uma dimensão que está a levar, por um lado à descaraterização dos territórios e que lhes vai retirar, a prazo, atratividade e, por outro a alterações no tecido social das cidades, ou seja, centros históricos passam a ser habitados por uma população flutuante e os residentes permanentes vão habitar os subúrbios por não terem capacidade financeira para suportar os aumentos do arrendamento e/ou aquisição de habitação.
Se o turismo é importante para a economia regional, sem dúvida. Se partilho deste estado de euforia mais ou menos generalizado, Não. Não partilho e tenho alguma apreensão relativamente ao modelo que está a ser implementado, à imprevisibilidade que resulta da volatilidade da indústria turística e à vulgarização do destino Açores.
Não, não sou um pessimista e muito menos um arauto da desgraça. Quem me conhece sabe que até sou uma pessoa otimista e tenho, como dizia José Saramago, “uma fé danada no futuro e é para ele que as minhas mãos se estendem”. (in Bagagem do Viajante)

Fique bem. Cá por mim conto voltar à sua companhia no próximo sábado.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 28 de Abril de 2018

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Transportes aéreos III – Turismo e transporte aéreo

Foto by Aníbal C. Pires
(continuação)

Com este terceiro texto dou continuidade a esta reflexão sobre transportes aéreos nos e para os Açores, mas não se esgota aqui esta temática, nem estes textos pretendem mais do que dar conta de alguns aspetos que, na atualidade, dizem diretamente respeito ao transporte aéreo de passageiros nos Açores e de alguma forma podem influenciar ajustamentos ao atual modelo.
Hoje abordo algumas questões relacionadas com modelos de transporte aéreo, bem assim como a sua relação com os operadores turísticos regionais, nacionais e internacionais.
Nos últimos anos o destino turístico Açores cresceu visivelmente. Este crescimento fica a dever-se a um conjunto de fatores e não apenas à liberalização das rotas de S. Miguel e da Terceira, como em análises superficiais e de conveniência nos querem fazem crer.
O investimento regional na promoção do destino, a adequação da oferta à singularidade do destino, a instabilidade e a insegurança dos destinos da margem Sul da bacia do Mediterrâneo e do Médio Oriente, ao qual se junta, por fim, a liberalização das rotas já referidas, são os fatores que mais terão influenciado o crescimento do turismo nos Açores.

Foto by aníbal C. Pires
Ainda antes de 2015, ou seja, antes da liberalização das rotas de S. Miguel e da Terceira, o turismo nos Açores apresentava, em particular na ilha do Pico, indicadores de crescimento. Mesmo nos anos em que a crise foi mais sentida, o turismo nos Açores por razões diversas, as quais já referi e irei aprofundar mais adiante, conseguiu manter níveis aceitáveis de rentabilidade, ou mesmo de crescimento. Uma das principais razões que contribuíram para esta estabilidade no setor decorre de um artificialismo, alocação indireta de fundos públicos para garantir fluxos turísticos, desta opção decorre, em parte, o problema financeiro da SATA Internacional/Azores Airlines, pois a Região usou como instrumento desta estratégia o Grupo SATA. Os atuais problemas financeiros do Grupo SATA não se confinam a esta opção política, mas não deixa de ter alguma importância. Mas os fundos públicos foram igualmente alocados ao patrocínio de voos charters para a ilha de S. Miguel, com oferta de voo para outra ilha açoriana na SATA Air Açores. Tudo isto é do domínio público e todos nos habituámos a ver no aeroporto de Ponta Delgada, uma vez por semana, aeronaves de transportadoras aéreas europeias vindas de algumas cidades do Norte da Europa, em regime de voos charters. Existe, contudo, uma outra razão para que, mesmo nos anos negros da crise, os fluxos turísticos para os Açores, em particular para algumas ilhas, tivesse até aumentado. E essa não decorre de nenhum artificialismo, mas de uma estratégia promocional e da adequação da oferta às singulares caraterísticas do destino açoriano. Alojamento diferenciado e oferta de programas ligados à terra e ao mar, potenciando as condições naturais e ambientais. A ilha do Pico será o paradigma quer no que concerne à adequação da oferta de alojamento, quer ainda no que concerne à valorização do seu património natural e paisagem humanizada, mas o mergulho em Santa Maria e o “bird watching” na ilha do Corvo, são também dois bons exemplos e não são únicos.

Foto by Aníbal C. Pires
Mas tudo isto para evidenciar que os operadores turísticos e as transportadoras aéreas complementam-se. Os fluxos turísticos, apesar do paradigma se estar a alterar, dependem muito da dinâmica que os operadores turísticos regionais imprimirem à sua atividade e às parcerias que consigam estabelecer com as suas congéneres nacionais e internacionais. As transportadoras aéreas de baixo custo, as ligações regulares das companhias de bandeira e os voos charters são, digamos, instrumentais destes empreendimentos.
Um bom exemplo do que falo é a entrada da DELTA no mercado aéreo da Região que, como se sabe, causou alguma perplexidade e serviu, como é habitual, para acicatar bairrismos e como arma de arremesso político, embora ancorados em falsas premissas. A vinda da DELTA até pode ter constituído uma surpresa, e para mim foi, mas procurei saber porquê este súbito interesse da DELTA na rota Nova York/Ponta Delgada, por certo não seria pela procura dos açorianos, e claro que não é. A operação terá sido desenhada por operadores turísticos dos Estados Unidos, designadamente um operador ligado à DELTA, que pretende oferecer os Açores como um destino turístico que, por enquanto, está em alta e que tem tido procura por um segmento de cidadãos estado-unidenses. Se existe algum acordo financeiro entre a Associação de Turismo dos Açores (ATA) e os operadores turísticos dos Estados Unidos, desconheço, mas não estranho se ele existir.

Foto by aníbal C. Pires
Falta, ainda, a referência a dois fatores que contribuem para que o setor do turismo apresente taxas de crescimento que enchem de satisfação a generalidade dos cidadãos que veem no turismo a salvação da economia regional e a cura para todas as suas maleitas. A instabilidade e a insegurança de alguns dos tradicionais destinos turísticos e a liberalização das rotas para S. Miguel e Terceira. Quanto ao primeiro, parece-me uma evidência que, na escolha do destino de férias, a segurança seja decisiva, os Açores estão a beneficiar desse facto, não tenhamos dúvidas. Quanto à liberalização das rotas e à entrada de transportadoras aéreas de baixo custo no mercado, sem dúvida que, também, contribuíram para o aumento dos fluxos turísticos, embora seja importante verificar qual a taxa de ocupação/procura por cidadãos residentes e comparar com a taxa de ocupação/procura pelos forasteiros.
Todas estas questões, tal como outras que referi nos textos anteriores, devem ser devidamente tidas em conta, em particular para as “gateways” que não estão liberalizadas. Os voos charter ou soluções como o voo Terceira/Madrid talvez se adequem melhor às necessidades do setor turístico de algumas ilhas do que a liberalização de rotas, como já está a ser preparado para uma das “gateways” do triângulo. E que fique claro que estou a penas a referir-me à canalização de turistas para a Região, a mobilidade dos residentes será abordada no próximo texto.
(continua)
Ponta Delgada, 22 de Abril de 2018

Aníbal C. Pires, In Azores Digital, 23 de Abril de 2018

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Correção à publicação "Açores destino de aventura"

Foto by Aníbal C. Pires (Aeroporto de PDL, 2016)
Este texto tem por objetivo fazer algumas correções factuais à publicação que tem por título, Açores destino de aventura, segundo informação recebida através de um comentário, já publicado e disponível neste blogue. Informação que me merece toda a credibilidade e como tal assumo as presentes correções que assinalo a vermelho na transcrição do que aqui deixo da publicação a que me refiro. Antes do texto transcrevo a comentário que foi feito  

"Rui Medeiros deixou um novo comentário na sua mensagem "Açores destino de aventura": 

Está mal informado. Os passageiros tinham um voo LIS-HOR no sábado à tarde que cancelou. Só foram reacomodados num voo alugado para a Terceira no dia seguinte e foram feitas ligações extra TER-HOR pela SATA Air Açores. Acontece que a intenção dos passageiros era apanhar o barco para o Pico mas só chegaram ao Faial no domingo depois de já terem terminado as carreiras regulares dos barcos. A SATA, não tinha qualquer obrigação após os ter deixado no destino contratado, no Faial, mas ainda assim envolveu-se e resolveu o problema das pessoas. 

Esquecem-se todos que estamos em pleno pico de verão e não há vagas em hotéis, não há frota excedentária e não é só estalar os dedos e há mais uma cama ou mais um avião ou mais trabalhadores para manterem os serviços disponíveis até ás tantas e voltar ao serviço às 8 do dia seguinte como se não se tivesse acontecido nada.

A solução para as irregularidades não pode ser ter um avião, um barco, um hotel, 10 funcionários parados, à espera do dia em que, por algum motivo, o avião não vem. São Pedro não quer saber se agora nos auto-proclamamos destino da moda, os nevoeiros, os ventos e a chuva vão continuar por aqui e os aviões não vão aterrar. É verdade que há coisas a melhorar e que estamos perante uma fase de irregularidades a mais nas ligações com os Açores, mas o chorrilho de críticas só por criticar também já cansa. 

P.S. Este desabafo vem na sequência de toda a contra-informação que tem vindo a aparecer sobre o assunto e não apenas o seu artigo."

Agora a transcrição da publicação devidamente corrigida.

Li por aí algures que um grupo de visitantes, também designados por turistas, terão mostrado o seu desagrado por algumas alterações na programação prevista no seu plano de férias. E foi logo à chegada. Vamos lá ver como corre a estadia. Desejo que a meteorologia seja favorável às suas pretensões e expetativas, bem assim como todos os outros serviços que contrataram, ou que venham a contratar.
O voo que seria direto, Não foi e acabaram por ter de passar em mais uma ilha até chegar ao destino final, sendo que a última parte da viagem foi feita, de semirrígido, já durante a noite.
Os agentes de viagens deviam acrescentar uma cláusula ao contrato que fazem com os seus clientes, que visitam os Açores, e que os proteja de eventuais reclamações. Uma cláusula de salvaguarda que preveja o aumento do valor do contrato sempre que se verifiquem situações semelhantes à que foi descrita, afinal, a experiência foi muito para além da expetativa inicial, que seria apenas um voo sem estória num A320 entre a capital e o Faial, o que já não seria mau se o Pico estivesse descoberto. Mas não, foi muito mais do que isso, o voo foi cancelado e os passageiros reacomodados num voo ACMI, não para o Faial, mas sim para a Terceira, isto no dia seguinte. Da Terceira, e com recurso a voos extraordinários os passageiros foram transportados em 2 voos para Horta, que era o seu destino. A travessia da Horta para a Madalena estava prevista para os passageiros que tinham como destino final o Pico. À chegada ao Faial, estranhamente, os visitantes não tinham à sua espera, como é habitual, um barco da Atlântico Line, e foram transportados num semirrígido. Como a lotação da embarcação era reduzida foram necessárias várias viagens para transportar os visitantes que se queixaram, de entre outras coisas, da falta de coletes de salvação. Estas viagens realizaram-se já na madrugada do dia seguinte, ao da chegada aos Açores. Os Açores são um destino de aventura, pois bem esta foi uma aventura extraprograma, sem custos adicionais para os clientes.
Claro que este último e enorme parágrafo tem alguma ironia à mistura. Se o cancelamento de um voo, ou a alteração do seu destino por motivos meteorológicos é aceitável, acontece e não é só no Faial (1), já o mesmo não posso dizer do bizarro horário de chegada ao Faial e da solução encontrada para fazer chegar os passageiros ao seu destino final.
Como não gosto de especular e não tenho todos os dados sobre esta atribulada viagem fico-me apenas por quatro questões que, julgo, necessitam de explicações.

- Havia ou não alternativa na programação de voos da SATA tendo em conta a articulação com os horários das carreiras regulares da Atlântico Line?

- Porque não funcionou o Plano Integrado de Transportes, agora terá uma nova designação, mas a eficácia é a mesma, ou seja, porque não foi mobilizado um barco da Atlântico Line para o transporte daqueles passageiros?

- Quem contratou o serviço da embarcação que assegurou o transporte marítimo dos passageiros entre a Horta e a Madalena?

- Não dispondo a embarcação, como foi afirmado pelos passageiros, meios de salvação individual (coletes) qual o papel e responsabilidade da Autoridade Marítima?

(1) Tenho, por razões várias, muitas dezenas de voos (talvez centenas) e muitas centenas de horas voadas dentro da Região e entre a Região e Lisboa e, vice-versa. Foram mais as vezes que não cheguei a Ponta Delgada ao vir de Lisboa, do que vindo de qualquer ilha da Região. Nos voos inter ilhas apenas por 2 vezes não cheguei a Ponta Delgada. Fiquei retido 1 vez nas Flores e 1 vez na Terceira. Nas ligações de Lisboa com Ponta Delgada embora não tenha de memória o número de vezes que o voo regressou a Lisboa, ou que que divergimos para a Terceira ou Santa Maria, foram seguramente mais vezes do que os dedos de uma só mão.  

Aníbal C. Pires, Ponta delgada 31 de Julho de 2017


terça-feira, 4 de abril de 2017

Turismo, ambiente e o desleixo

Foto by Madalena Pires

O destino Açores tem como sua principal âncora a beleza paisagística e a qualidade ambiental. Em terra uma das principais atrações, para além da conhecida paisagem do postal ilustrado, serão sem dúvida os trilhos pedestres. Trilhos onde pontificam os cursos de água, pequenos lagos e cascatas, isto para além da exuberante flora, endémica ou não, e das espécies animais que enchem o silêncio da paisagem com harmoniosos chilreios e belos voos planados.

Foto by Madalena Pires









Estas imagens pretendiam inicialmente mostrar mais um dos muitos trilhos de S. Miguel, e com esse objetivo foram publicadas pela sua autora (Madalena Pires)

Quando as visualizei a primeira vez não me apercebi de que no leito da ribeira algo estava a mais. Quando vi os enormes pedaços de plástico não pude, nem posso, deixar de as divulgar de novo, agora com outro objetivo.


















Foto by Madalena Pires
Não é aceitável por razões, desde logo, de segurança das populações, quantas e quantas enxurradas não são provocadas por falta de limpeza das linhas de água, mas também ambientais e diretamente ligadas a um setor da economia regional em crescimento, que o leito de uma ribeira esteja tão contaminado por matéria plástica proveniente de uma outra atividade económica, ainda mais importante que a do turismo.



Foto by Madalena Pires

O plástico que se vê na ribeira deveria ser considerado um crime ambiental. Mas mais do que a penalização, a quem não tratou convenientemente aquele resíduo, é necessário encontrar soluções para se caminhar para a redução da utilização de plásticos e encontrar soluções facilitadoras para seu depósito e posterior recolha pelos serviços competentes.

Foto by Madalena Pires




Fica o alerta.