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| Aníbal C. Pires por Daniel Louro |
60 anos e muita vontade de viver
Nunca, como ontem, me senti assim. Assim, crescido, adulto, maduro e feliz com isso. Foi dia de mais um aniversário, não um aniversário qualquer. Foi dia do sexagésimo. Os amigos felicitaram-me como sexagenário, sexogenário e sexacelente e, Gostei. Gostei da forma como o fizeram, com amizade e com humor. (…)
(…) ontem foi diferente, pela primeira vez senti que este dia, este e não outro até agora, foi um dia importante para mim, pelo que já vivi, pelo que quero viver, pelo que sonhei e concretizei, pelo sonho que me faz caminhar pela vida e por todos os projetos que quero realizar.
Dez anos passaram. Ontem completei setenta anos.
Do dia de ontem guardo o carinho e amor da família, mas também as inúmeras manifestações de amizade, algumas públicas, outras privadas, com que os amigos, colegas e antigos alunos me brindaram saudando-me pelo meu aniversário. E comovi-me. Comovi-me pela quantidade e pelas generosas palavras que me foram endossadas das mais variadas formas.
Não é, de todo, possível, agradecer de forma personalizada, assim fica este agradecimento coletivo.
BEM HAJAM pela vossa amizade e carinho. Por cá continuarei, enquanto o tempo me oferecer tempo.
Deixo-vos um pequeno poema inédito que fará parte do meu próximo livro de poesia e que expressa, de alguma forma, o que ficou dito no parágrafo anterior.
viver o que vivi
já bastaria
para dizer
parto em paz
mas fico
no tempo
que me der o tempo
há ainda
palavras e
sementes por lançar
há ainda
um sopro de luz
e o vento já não me abana
quando por mim chama
Lisboa, 12 de julho de 2026

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