terça-feira, 29 de agosto de 2017

... e gosto

Foto by Aníbal C. Pires
Nos últimos dias tenho estado por casa e pela vizinhança, as saídas da minha zona de conforto têm sido apenas para fazer caminhadas ligeiras. O tempo tenho-o utilizado para fazer uma tarefa que deveria estar pronta no final de Julho, mas que foi sendo adiada e espero, agora, ter finalizado até ao final deste mês. Julgo que vou conseguir, mas não me posso descuidar. Encontrei o fio à meada e só já faltam alguns remates para acabar.
Mas hoje saí para jantar, afinal a milha filha mais velha celebra o seu aniversário e eu como não pude participar na celebração, que aconteceu na capital, fiz a festa sozinho. Sozinho, mas com uns telefonemas pelo meio, e soube-me bem apesar de não ter a minha menina, a primeira, junto de mim, embora a traga sempre comigo.
O jantar, ali prás bandas das Portas do Mar, foi ligeiro e mais ou menos padronizado, embora equilibrado. Sobre a refeição nada mais acrescento pois, como se terá percebido não tinha grandes motivos de interesse. Mas o tempo em que por ali estive valeu a pena e encheu-me a alma.
Sim, regressei a casa de alma cheia.
Enquanto esperava pelo café uma teenager correu para o local onde me sentava abraçou-me e disse-me o quanto estava contente por me ver, quem não ouviu as palavras que me dirigiu pode até ter pensado mil outras coisas. Não fiquei incomodado pela manifestação efusiva de afetividade que me dispensou e à qual eu correspondi. Era uma aluna do ano letivo transato, uma rapariga a quem a vida tem tratado mal e, a quem eu dispensei algum tempo para a ouvir e dizer-lhe que é ela, não eu nem mais ninguém, que tem de procurar o seu caminho. Tu escolhes e haverá sempre quem esteja ao teu lado para te apoiar, mas tu tens de querer.

Aproximaram-se de nós duas outras jovens que depois percebi estavam com a Cíntia (claro que não é este o seu nome), ao aproximarem-se uma delas perguntou, estupefacta que estava com a forma efusiva com que a colega se tinha dirigido a mim, É o teu pai. Ao que ela responde prontamente. Não este senhor é, o meu professor.

Não é fácil, nada fácil ser professor e o salário não é assim tão bom como se diz. Mas ser professor tem momentos destes. Momentos em que esquecemos tudo o que de menos bom tem esta profissão e dizemos com orgulho, Sou professor e gosto de o ser.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 29 de Agosto de 2017

1 comentário:

Maria Margarida Silva disse...

São momentos como esse e tantos outros análogos que fazem com que nunca nos arrependamos da opção que tomámos, ao enveredarmos por esse caminho. Um caminho tortuoso, sem dúvida,incompreendido por tantos e feito de lutas das mais variadas espécies, mas que nos enche a alma e nos leva, sempre, à mesma conclusão: Valeu a pena! Vale a pena!

Um abraço

Margarida