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Os atentados à liberdade de expressão, as perseguições e as prisões por delito de opinião indignam os cidadãos do mundo ocidental. Estranho seria se assim não fosse, afinal é esse mundo que se apresenta em todos os fóruns mundiais como o farol da civilização, como a grande referência da liberdade, da defesa dos Direitos Humanos e da democracia.
A revolta dos cidadãos ocidentais é, contudo, seletiva. A indignação manifesta-se quando esses atentados acontecem fora de portas, ou seja, nos países que não fazem parte dessa comunidade internacional e, ainda assim, é necessário que os visados sejam alinhados com a narrativa ocidental. Dentro das fronteiras do mundo ocidental a indignação é, de igual modo, ancorada em escolhas cuidadas. Apoiam-se os alinhados e perseguem-se ou obliteram-se os desalinhados.
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Julien Assange será o mais paradigmático exemplo do que acabo de dizer. Está preso há vários anos e, de momento, aguarda a sua extradição para os Estados Unidos. Não, não é cidadão estado-unidense, também não é russo, tem nacionalidade australiana e o seu crime foi fazer o que compete a um jornalista: divulgar, sem opinar, um conjunto de documentos que pôs a nu as mentiras utilizadas para justificar algumas das frequentes invasões de estados soberanos pelos Estados Unidos e aliados ocidentais.
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Assange está preso em Inglaterra, González está preso na Polónia e Shariy está preso em Espanha e tudo está na “Santa Paz do Senhor”. São presos por delito de opinião e achamos isto normal, ninguém se indigna. O que se passa com os arautos da liberdade.
A normalização da censura, a promoção da russofobia, a aceitação da ingerência de cidadãos e diplomatas ucranianos nos assuntos internos dos países membros da União Europeia, o silêncio sobre o aumento dos gastos públicos com a defesa, o aumento do custo de vida, o branqueamento da história, estas são apenas as questões mais visíveis que afetam os povos do mundo ocidental e, paradoxalmente, aceites sem qualquer sinal de indignação.
Tem tudo para acabar mal.
Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 5 de maio de 2022
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