quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ravi Shankar (1920-2012)


Ravi Shankar deixou-nos hoje. O momentos não podia deixar de lembrar este músico indiano que projetou a música do seu país nos palcos do Mundo.
Aqui podem ver e ouvir o grande mestre da cítara.

Desistência na linha de partida


O aprofundamento da crise económica e o agravamento das políticas de austeridade têm tido um efeito extremamente negativo na economia regional. 
A redução dos rendimentos, a par do aumento dos encargos das famílias tiveram impacto direto sobre o poder de compra e sobre o consumo, limitando seriamente as vendas das empresas, acentuando enormemente o desemprego e contribuindo para paralisar a atividade económica. Estando muitas destas medidas a ser tomadas em Lisboa, é essencial que os órgãos de governo próprio da Região assumam a plenitude das suas competências para minorar este quadro recessivo, reativar a atividade económica e atenuar, no uso das competências autonómicas, as dificuldades diárias dos açorianos e das empresas regionais.
Entre as despesas mais significativas a que as famílias e as empresas estão sujeitas, contam-se as que se relacionam com a respetiva fatura energética e, em particular, com os custos da eletricidade.
Sendo o estabelecimento dos valores anuais dos tarifários elétricos uma competência da ERSE, nada obsta a que a Região, na sua qualidade de acionista maioritário da EDA, SA, crie mecanismos que reduzam estes custos para os consumidores finais de energia elétrica.
A análise da situação financeira da EDA demonstra claramente que é possível criar uma redução dos valores cobrados aos consumidores, sem com isso colocar em risco a solidez e os projetos de investimento da elétrica regional. A EDA tem beneficiado diretamente do aumento das tarifas decretado pela ERSE, cujo valor médio nos Açores, cresceu 14% entre 2006 e 2010, e tem apresentado anualmente resultados positivos que atingiram, no ano de 2010, valores na ordem dos trinta milhões de euros.
Parece assim ser de elementar justiça que estes lucros da empresa pública regional de eletricidade revertam, pelo menos em parte, para o bem comum da Região e contribuam para a dinamização económica dos Açores, um fator que a prazo reverterá para a própria EDA, em função da expansão do consumo energético que daí poderá decorrer.
Esta medida pode constituir um importante alívio para os orçamentos familiares e um apoio direto às empresas e à retoma das atividades económicas, ao mesmo tempo que reforçará o seu poder competitivo e a capacidade da Região Autónoma dos Açores para atrair novos investimentos e oportunidades, com os resultados positivos que daí advirão para a economia, para o emprego e para a Região.
Foi com base nestes pressupostos que a Representação Parlamentar do PCP apresentou um Projeto de Resolução onde se recomenda ao Governo Regional que efetue as diligências necessárias para que a EDA, SA institua uma redução tarifária, especial e transitória, no valor de 10% sobre o valor mensal a faturar a cada cliente de eletricidade, independentemente do tipo e da potência contratada, para vigorar durante o ano de 2013 e a ser suportada financeiramente pelos proveitos da EDA, SA.
A esta proposta do PCP o Governo Regional, segundo o departamento de propaganda da Santana, também conhecido por GACS, respondeu que a proposta teria como efeito não a redução mas o aumento da fatura da eletricidade pois, segundo a mesma fonte, a ERSE viria a reduzir o valor da comparticipação que se destina à convergência do tarifário elétrico e, esse facto, contribuiria para o aumento do tarifário da energia elétrica na Região.
O que o Governo Regional e o seu departamento de propaganda não disseram foi que se recusam, desde logo, a tentar negociar com a ERSE uma eventual redução do tarifário elétrico nos Açores, ou seja, como afirmei na minha intervenção final aquando da discussão do Programa do XI Governo: “(...) ainda mal saído da linha de partida, este Governo desistiu. Desistiu de se preocupar com aqueles que são os mais centrais dos problemas da nossa Região: a recessão, o desemprego e o empobrecimento dos açorianos(...)”. Este Governo renuncia ao uso das competências autonómicas.
Angra do Heroísmo, 11 de Dezembro de 2012

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 12 de Dezembro de 2012, Angra do Heroísmo

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Pretexto: quando o vidro toma forma, luz e cor


Conheci o Jeremias Tavares em 1983, ano em que o acaso me trouxe até à ilha do Arcanjo mas que a paixão transformou em opção de vida. Colegas de grupo disciplinar - hoje pomposamente Departamento - e de Escola, a Roberto Ivens, passado que foi o lapso de tempo necessário para quebrar ideias feitas, sobre quem vem de fora e quem aqui nasceu e sempre viveu, logo se iniciou a construção de uma sólida amizade que perdura, para lá dos percursos que cada um de nós foi trilhando, ao longo destes quase 30 anos. Amizade construída na cumplicidade e no exercício da profissão. Isto quando ser professor era um exercício de liberdade e criatividade e, quando a Escola para lá de transmitir saberes era uma incubadora de cultura e de exercício de cidadania.
Vivemos na mesma cidade mas raramente nos cruzamos. Os nossos caminhos há muito se afastaram. Foi a mudança de Escola, foi o fim dos encontros anuais de professores, foi a escassez de oportunidades, foi a vida escravizada pelo tempo.
Hoje ao fim da tarde libertei-me do tempo e fui visitar o Jeremias. Sabia onde encontrá-lo. Numa das salas do Hotel Avenida, em Ponta Delgada, o Jeremias Tavares expunha, uma vez mais, os seus trabalhos em vidro. Conhecia outros, os trabalhos em cerâmica, também presépios e outras temáticas, mas os de vidro não. Este foi o pretexto para sair à procura de um amigo que fazia tempo não abraçava.
O vidro tomou forma, luz e cor! Foi o que me ocorreu enquanto olhava cada objeto moldado pelo fogo e pela criatividade do artista. Artesão! Como o próprio faz questão de dizer quando se refere à sua atividade artística.
Depois de uma visita guiada à exposição com a explicação minuciosa das técnicas e dos materiais utilizados, porque o resto não se explica nasce do âmago do criador, foi incontornável uma rápida viagem ao passado. Aos elaborados e monumentais presépios da escola, aos seminários temáticos, ao convívio e, ao grandioso desfile do Carnaval de 1984 organizado pela Escola Roberto Ivens e que esteve na génese do Corso que as Escolas passaram a promover anualmente.
Foi um tempo em que a Escola fervilhava de ideias, um tempo de interação com o meio que a envolvia, um tempo em que se recuperavam e integravam os alunos num exercício pleno da função docente, sem a coação das coimas, sem a ameaça do corte de apoios sociais, um tempo de educação pela cultura, um tempo em que mais do que um momento se avaliava todo o percurso de aprendizagens, um tempo de respeito pelas diferenças e ritmos de cada aluno, um tempo em que tudo se relativizava e contextualizava sem a pressão da avaliação externa, interna e do desempenho, um tempo com tempo para ser professor, um tempo com tempo para crescer e aprender livre das amarras da ditadura dos números sem atributos, um tempo em que cada aluno era o centro de toda a atividade escolar.
E foi pouco, o tempo. Pouco mas suficiente para sentir que eu e o Jeremias continuamos a comungar do mesmo conceito de Escola e que a nossa amizade se continua a perpetuar no tempo. Foi bom estar com o Jeremias e com a sua arte. Fez-me bem este encontro com um amigo.
Ponta Delgada, 09 de Dezembro de 2012

Aníbal C. Pires, In Jornal Diário, 10 de Dezembro de 2012, Ponta Delgada

domingo, 9 de dezembro de 2012

Arte em vidro - Jeremias Tavares





Hoje ao fim da tarde fui visitar um amigo e colega. Vivemos na mesma cidade mas raramente nos cruzamos.
Numa das salas do Hotel Avenida, em Ponta Delgada, Jeremias Tavares mostra uma vez mais os seus trabalhos em vidro, são presépios e muito mais. As imagens que convosco partilho mostram alguns dos seus trabalhos, não deixem de visitar e conhecer este artesão do vidro e os seus trabalhos.
Conheci o Jeremias em 1983, ano em que me fixei por aqui, colegas de grupo disciplinar e de Escola (Roberto Ivens), passado que foi o tempo necessário (muito breve) para quebrar a barreira entre o continental e o ilhéu iniciou-se a construção de uma sólida amizade que perdura para lá dos percursos que cada um de nós foi trilhando ao longo destes quase 30 anos.
Foi bom estar com o Jeremias e com a sua arte. Fez-me bem este encontro com o amigo.

Quorum Ballet no Teatro Micaelense



Um excelente espetáculo dança sobre fado com "Quorum Ballet".
Foi ontem à noite no Teatro Micaelense.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Cacilda Medeiros - "Memórias"


"Memórias" é o nome da mais recente da exposição de Cacilda Medeiros que será realizada na Lagoa.  
A ter lugar no próximo dia 7 de dezembro, a partir das 20h00, e integrada no Mercadinho de Natal que a Câmara Municipal de Lagoa irá organizar entre os dias 7 e 9 de dezembro no Convento dos Franciscanos.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer (1907-2012)


Oscar Niemeyer ausentou-se, ontem, aos 104 anos de idade.
Sinto-me incapaz de tecer considerações sobre o homem, o militante, o artista.
Ficam aqui e aqui ligações para dois outros posts e, duas frases da sua autoria que ilustram bem quem era Oscar Niemeyer.
Até sempre camarada!


"Enquanto houver miséria e opressão ser comunista é a nossa decisão!"
Oscar Niemeyer



"Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein."
Oscar Niemeyer

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A Poente


Poente
Cores amenas do crepúsculo
Aprontam a noite

O quieto marulhar atlântico
Auspicia um outro dia de Verão
Nas ínsulas encantadas

domingo, 2 de dezembro de 2012

PCP - XIX Congresso




Chegou ao fim o XIX Congresso do PCP aqui podem encontrar fotos, vídeos e toda a informação sobre os documentos aprovados e a composição do CC e dos seus órgãos executivos.