Impor o dia de Carnaval como mais um dia trabalho aos portugueses não se afigura fácil. As notícias dão-nos conta de um país a “meio gás”, não se foi trabalhar por diferentes razões, ou porque está no acordo de empresa, ou porque se meteu um dia de férias, os motivos são diversos e a motivação é cultural.
Diria que, a esta imposição do Governo ao não conceder tolerância de ponto no dia de Carnaval, os cidadãos, ainda que sem mobilização sindical ou política, deram uma resposta no mínimo interessante. Os portugueses fizeram “greve” e não foram trabalhar no dia de Carnaval. Uma “greve” silenciosa mas, ainda assim, julgo que foi uma resposta adequada a um Governo que a cada dia, a cada decisão, a cada discurso, demonstra não conhecer este povo.
O Entrudo é genuinamente português, mesmo o mais famoso e mediático Carnaval do Mundo tem a sua génese neste povo que um dia, acossado pela Europa e sem outro espaço que não fosse o mar, partiu e encontrou outros povos e, miscigenou-se, e reencontrou-se. Acabar com o Carnaval por decreto, ou por falta dele, não é fácil.
O poder nunca gostou muito desta época do ano em que o povo aproveita para se exceder, em palavras e atos, e até existem alguns registos históricos onde essa tentação teve forma e letra mas, como se percebe e constata essas tentativas foram infrutíferas.
Não sei muito bem como se justificarão Passos Coelho e Paulo Portas perante os fiscais da sacra trindade (FMI, UE e BCE) que se encontram em Portugal para mais um momento de avaliação. Mas, por certo, não vai ser fácil explicar porque é que maioria dos portugueses não acatou a ordem. Bem vistas as coisas o que se passou hoje em Portugal configura uma situação de quase desobediência civil.
Diria que, a esta imposição do Governo ao não conceder tolerância de ponto no dia de Carnaval, os cidadãos, ainda que sem mobilização sindical ou política, deram uma resposta no mínimo interessante. Os portugueses fizeram “greve” e não foram trabalhar no dia de Carnaval. Uma “greve” silenciosa mas, ainda assim, julgo que foi uma resposta adequada a um Governo que a cada dia, a cada decisão, a cada discurso, demonstra não conhecer este povo.
O Entrudo é genuinamente português, mesmo o mais famoso e mediático Carnaval do Mundo tem a sua génese neste povo que um dia, acossado pela Europa e sem outro espaço que não fosse o mar, partiu e encontrou outros povos e, miscigenou-se, e reencontrou-se. Acabar com o Carnaval por decreto, ou por falta dele, não é fácil.
O poder nunca gostou muito desta época do ano em que o povo aproveita para se exceder, em palavras e atos, e até existem alguns registos históricos onde essa tentação teve forma e letra mas, como se percebe e constata essas tentativas foram infrutíferas.
Não sei muito bem como se justificarão Passos Coelho e Paulo Portas perante os fiscais da sacra trindade (FMI, UE e BCE) que se encontram em Portugal para mais um momento de avaliação. Mas, por certo, não vai ser fácil explicar porque é que maioria dos portugueses não acatou a ordem. Bem vistas as coisas o que se passou hoje em Portugal configura uma situação de quase desobediência civil.

E depois temos os Bailinhos da Terceira! Já defendi publicamente que esta manifestação da cultura popular terceirense merecia uma candidatura a património cultural e imaterial da humanidade, aqui fica de novo o desafio.
Ponta Delgada, 21 de fevereiro de 2012
Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 23 de fevereiro de 2012, Angra do Heroísmo
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