quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Terceira Madrid sem a SATA

Foto by Aníbal C. Pires
Os deputados do PS congratularam-se com a garantia de que a ligação Terceira/Madrid/Terceira será assegurada, Eu também expresso publicamente a minha satisfação, mas não me fico por aí, nem poderia.
A questão não pode ficar só por esta satisfação que eu, os deputados do PS e, certamente, as diferentes empresas do setor turístico da ilha Terceira, bem assim como todos os cidadãos que têm um entendimento dos Açores como uma região e não apenas como um arquipélago. Todos nós nos congratulamos, mas eu não me fico por aí. Tenho algumas dúvidas, poucas certezas e muitas preocupações.
Associado a esta rota existem um conjunto de questões que não podem ser escamoteadas, desde logo, o facto de ter sido notícia que a SATA Internacional/Azores Airlines ficaria fora do negócio por não ter um equipamento de voo disponível para afetar a esta operação. Que tipo de sentimento terá provocado nos deputados do PS o facto de a SATA ter sido afastada de um negócio lucrativo por incapacidade própria. Não se sabe, mas é possível que sobre esse aspeto não pensem nada, nem lhes motive nenhum tipo de preocupação. E, se assim for, francamente lamento que este definhar da transportadora aérea açoriana não motive, ao menos, umas breves palavras do Grupo Parlamentar do PS.

Foto by Aníbal C. Pires
Não ouvi nem li, talvez me tenha distraído o que por vezes acontece até aos mais atentos cidadãos, qualquer explicação da SATA sobre o assunto. Mas considerando que a explicação, associada à notícia da garantia de continuidade desta rota, tem fundamento e que “a SATA não pode continuar a realizar o voo por indisponibilidade de aeronave...”, é inquietante. Os contornos deste negócio que envolve a Associação de Turismo dos Açores(ATA) e um operador turístico estrangeiro levam-me a considerar que este processo está mal explicado e, que as razões que levaram a que a SATA tivesse ficado de fora não são, de todo, as que foram tornadas públicas por quem anunciou que a operação aérea que liga a Terceira a Madrid vai manter-se, mas com outra empresa de transportes aéreos. 
Como já referi não dei conta de que a SATA se tivesse pronunciado sobre o assunto, mas não me parece que a indisponibilidade de aeronave para realizar esta operação seja válida. Sei que a frota é limitada, mas também sei que é possível a realização destes voos sem afetar os restantes compromissos operacionais e comerciais da SATA, pelo menos aqueles que são conhecidos. Esta operação, como é do domínio público, resulta da promoção do destino Açores e da atividade da (ATA) e, naturalmente, envolve financiamento público.
Neste negócio as transportadoras aéreas, seja como até agora o foi com a SATA ou, como se perspetiva que venha a ser com a Air Europa, não assumem riscos pois, os custos da operação não só estão garantidos, como garantidos estão os respetivos ganhos. Trata-se de uma operação com as caraterísticas de voos charters e, como tal, a transportadora aérea é meramente instrumental e tem garantido o sucesso comercial. E se dúvidas houvesse atente-se ao anunciado aumento de 15% dos lugares disponíveis para esta operação, o que só pode significar que existia procura e que se perspetiva o seu crescimento.

Foto by Aníbal C. Pires
Sendo assim faria todo o sentido manter a SATA numa operação que não só serve os Açores, como também serviria os interesses financeiros da SATA. Isto digo eu que me preocupo com a continuada perda de importância da SATA Internacional/Azores Airlines e com os impactos negativos, para a Região, da sua redução a uma mera transportadora aérea destinada, somente, a cumprir as Obrigações de Serviço Público e outras obrigações que me abstenho de adjetivar.
Ponta Delgada, 21 de Novembro de 2017


Aníbal C. Pires, In Diário Insular e Açores 9, 22 de Novembro de 2017

1 comentário:

Otto Solano disse...

Absolutamente de acordo. Só é de lamentar a ortographia.