terça-feira, 16 de julho de 2013

Desalinhados, rebeldes e insurgentes

Gosto de desalinhados, rebeldes e insurgentes

É com eles, com os insubmissos, com os revoltados, com os desadornados

É com eles que a humanidade cresce e se liberta

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O Terceiro Homem, hoje no 9500

Após a 2ª Guerra Mundial, chega a Viena Holly Martins (Joseph Cotten), escritor americano de 6ª categoria. Holly estava em crise e sem dinheiro, mas o seu velho amigo de escola Harry Lime (Orson Welles) prometera-lhe um trabalho. Holly tenta encontrar Harry e então fica sabendo que ele foi atropelado e teve morte instantânea. Intrigado, o escritor decide fazer sua própria investigação sobre o misterioso passado do amigo e descobrir o que de facto aconteceu.
Uma produção britânica do realizador Carol Reed e que conta com Joseph Cotten, Alida Valli e Orson Welles.
Aqui e aqui podem saber mais sobre este filme. Aqui podem visualizar o triller

Hoje pelas 21h 30mn, na sala 2 do Cine Sol Mar, em Ponta Delgada.

Os dividendos da EDA

A 30 de Março pp a Assembleia Geral de acionistas da EDA resolveu, vá-se lá saber por quê, que o valor dos dividendos a distribuir seriam o equivalente a 11,4%, esta decisão foi tomada ao arrepio da proposta do Conselho de Administração da elétrica regional que propunha cerca de 5% para a distribuição de dividendos em relação ao ano de 2012.
A estrutura do capital social da EDA é composta por 50,1% da Região, cerca de 40% do Grupo Bensaúde, sendo o restante pertencente à EDP e a pequenos acionistas. A proposta do Conselho de Administração previa distribuir 3,5 milhões de Euros, o que corresponde, grosso modo, a uma remuneração do capital na ordem dos 5%. 
Os acionistas, não satisfeitos, decidiram remunerar-se com 8 milhões de euros. Oito milhões de euros que foram obtidos à custa de um aumento do preço médio do Kw de 17,5%, nos últimos 5 anos. Aumento pago pelas sacrificadas famílias açorianas e pelas empresas e cooperativas açorianas. Mas foi também à custa do roubo dos subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores da EDA que o capital público e privado se remunerou.
Num ano de aprofundamento da crise, num ano de sacrifícios impostos a todos os portugueses, o Governo Regional e os acionistas privados decidiram aumentar a remuneração dos acionistas da EDA em 228%, em relação a 2011. Destes 8 milhões de euros extorquidos aos trabalhadores, às famílias às empresas açorianas, 3,2 milhões vão direitinhos para o Grupo Bensaúde, em função da sua participação em cerca de 40% no capital da EDA.
Foi para isto que se aumentaram os preços da eletricidade. Foi para isto que se roubaram os trabalhadores das suas remunerações. Para engordar o maior grupo empresarial da Região. Quando se trata de cortar nos direitos e remunerações dos trabalhadores, quando se trata de receber avales do Governo Regional e do Governo da República, incentivos e apoios ao investimento, a EDA é uma empresa pública. Quando se trata de reduzir o preço das tarifas elétricas, quando se trata de distribuir os rendimentos que foram pagos pelas famílias e pelas empresas açorianas, a EDA já é uma empresa privada.
A elétrica regional não pode continuar a ser um instrumento para engordar os lucros do Grupo Bensaúde. A EDA tem de ser um instrumento para o desenvolvimento da Região, os seus benefícios e o seu desenvolvimento tem de beneficiar todos os açorianos. A EDA tem de ser uma empresa pública na hora de cobrar como na hora de distribuir dividendos.
Esta vergonhosa situação dá ainda mais força e, ainda mais urgência à proposta feita, no início da legislatura, pelo PCP Açores. Proposta que visava reduzir, em 10%, a fatura elétrica, proposta que visava aliviar o orçamento das famílias, proposta que visava reduzir a estrutura de custos das empresas e cooperativas regionais, proposta que no fundo visava distribuir parte dos “dividendos” pelos acionistas maioritários da EDA, o Povo açoriano.
Um novo ano legislativo se inicia em Setembro e será em Setembro que a proposta será renovada.
Ponta Delgada, 14 de Julho de 2013

Aníbal C. Pires, In Expresso das Nove, 15 de Julho de 2013, Ponta Delgada

domingo, 14 de julho de 2013

Bana - (1932-2013)

Foi na Casa da Morna, em Lisboa, que tive o privilégio de ver e ouvir Bana ao vivo. Conhecia-o há muito. Desde criança que me interesso pela cultura cabo-verdiana e Bana contribuiu para que o meu gosto pelas mornas e por Cabo Verde crescessem comigo.


Bana retirou-se aos 81 anos depois de uma longa carreira de intérprete e embaixador da música de Cabo Verde.

domingo, 7 de julho de 2013

Aconteceu na Bolívia, aconteceu na América Latina


Uma equipa de cinema espanhola escolhe a Bolívia para rodar um filme sobre Cristóvão Colombo e a colonização, no guião entram também as figuras do dominicano Antonio de Montesinos e do padre Bartolomeu de Las Casas, ao primeiro é atribuído o primeiro discurso, durante um sermão, de defesa dos direitos naturais e humanos dos índios. Esta publicação tem como objetivo aconselhar a ver o filme, “Tambien la Lluvia” Mas a história que a equipa de cinema pretendia contar atravessa uma outra história, a luta em defesa da água como um bem público. Conheço as duas histórias e, porque julgo que vale a pena partilhar, até porque o perigo da privatização da água pende como uma ameaça sobre os povos de Portugal e da Europa, fica a sugestão para verem, também, este documentário de John Pilger, “A guerra na Democracia”. 
A questão da luta contra a privatização da água no Bolívia é tratada a partir de 1h 16mn 50seg, embora a recomendação seja para ver todo o documentário.

sábado, 6 de julho de 2013

Frida Kahlo

Frida Kahlo (1907-1954). Nasceu a 6 de Julho de 1907 em Coyoacán, México. Passam hoje 116 anos sobre o seu nascimento e, no próximo dia 13, 59 anos sobre a sua morte.
O momentos já lhe dedicou uma publicação que pode ser revista aqui.
Sobre a sua obra e existência nem me atrevo a tecer considerações. Gosto da forma como passou pela vida e admiro o seu legado artístico, É único, como Frida o foi.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Farsas, fugas e feitiços

A dramática situação social, económica e política que se vive na Região e no País não pode, nem deve, ser dissociada das eleições para as autarquias que se vão realizar a 29 de Setembro deste ano. Os esforços dos partidos troikistas na personalização das candidaturas autárquicas procurando, assim, descolar os seus candidatos das responsabilidades, que o PS, o PSD e o CDSPP, efetivamente têm no aumento do desemprego, no empobrecimento dos cidadãos, no empobrecimento das famílias, no empobrecimento do País e da Região e pela tentativa de esvaziamento da Autonomia Regional. Tentativa de esvaziamento que se traduz na ofensiva centralista de Passos Coelho e Paulo Portas, mas também pela atitude demissionária do Governo Regional, de Vasco Cordeiro, ao recusar utilizar as competências autonómicas para contrariar as medidas das políticas de austeridade e de ataque aos direitos dos trabalhadores e ao Povo açoriano.
A luta pelo poder, apenas pelo poder, está a caraterizar a estratégia do PSD e do CDS/PP que se têm socorrido de todos os meios para instalar a confusão neste período pré-eleitoral. Nada inibe os partidos responsáveis pela atual governação em Portugal nesta luta de poder, pelo poder, nem mesmo a recuperação do apêndice, o PPM que, como sabemos, foi um dos partidos da extinta e de má memória AD, agora ressuscitada na Horta, e que é utilizado com outros contornos conforme a geografia e o calculismo eleitoral. 
A esta estratégia de “descolar” do Governo da República e das medidas que flagelam a generalidade dos trabalhadores e do povo português, está associada a criação de um clima de aprofundamento da bipolarização da qual o CDS/PP tenta fugir a sete pés, refugiando-se em coligações pré-eleitorais ou, apoios tácitos ao PSD. Percebo, e os eleitores também.
Proliferam também, por aí, os “ grupos de cidadãos” e, se reconhecidamente alguns desses movimentos têm genuinidade outros, porém, não passam de farsas orquestradas por feiticeiros e feitiços ancorados no sentimento antipolítica e políticos e, no anti partidarismo. Estes últimos contam com ingenuidade e o pouco esclarecimento dos cidadãos para obterem apoios eleitorais que guindem os seus promotores para o exercício de cargos públicos, ou seja, estamos perante um exercício daquilo a que posso designar por, “alpinismo político”, e aos protagonistas e mentores nada mais adequado do que adjetivá-los de, “free lancers” da política e da vida pois, nada mais pretendem do que a satisfação de interesses de índole pessoal. Para confirmar esta afirmação atente-se aos nomes dos protagonistas e às correspondentes formações políticas e sociais que por aí emergem (movimentos/plataformas) como cogumelos no Outono. Sobre alguns destes projetos “políticos” facilmente se pode constatar quais os seus reais objetivos, os protagonistas de ontem encontram-se hoje a liderar outros projetos. Projetos “políticos”, por vezes, tão antagónicos como são os ideais monárquicos dos ideais republicanos. Será que os move o interesse público ou é apenas uma motivação para satisfazer interesses pessoais? Será que estão contra o “sistema”, como enunciam, ou será que os move a ambição de ao “sistema” pertencerem!? A esta e outras farsas, fugas e feitiços os eleitores, que não são ingénuos e muito menos estúpidos, saberão dar a devida resposta como já, no passado, o fizeram.
Vila do Porto, 01 de Julho de 2013

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 03 de Julho de 2013, Angra do Heroísmo

Foto de Madalena Pires

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Claudia Cardinale - a abrir Julho




É um retorno à minha juventude quando esta mulher povoava os meus sonhos.
Também um tributo à mulher e à actriz.
Claudia Cardinale é uma mulher bela e sensual, é uma cidadã que não deixou passar a vida ao lado, actriz de Fellini e de Visconti com uma curta passagem pelo cinema estado-unidense, não se deixou deslumbrar por Hollywood.
Nasceu em Tunis filha de pais sicilianos.










Obrigado e desculpe

Não, Obrigado não. Não gosto da palavra. Bem talvez não seja do vocábulo mas da utilização a que ele se dá. Prefiro bem-haja e, ainda assim, dispenso agradecimentos por atos que promovo a favor de outros, sejam esses outros anónimos individuais ou coletivos, sejam esses outros indivíduos do meu círculo de amizades, ou mesmo do meu círculo familiar. Não gosto. Não gosto, mas verbalizo com muita frequência a expressão, obrigado, muito obrigado. Faço-o naturalmente, assim fui educado no tempo e no espaço da minha infância e juventude, integrei essa aprendizagem como parte dos ritos da ruralidade e da urbanidade que vivenciei. Veio de casa, veio do seio da família e permanece. Pode parecer um paradoxo, Sim talvez seja uma, de outras contradições que transporto comigo mas, dispenso a obrigação e não faço nada que obrigue outros a que me fiquem obrigados, dependentes. Abomino as dependências e as teias que as servidões tecem. Outro paradoxo, afinal, eu próprio sou um dependente, não dispenso o prazer de um cigarro, um prazer de entre outros prazeres, outras dependências, quiçá, mais deleitosas que aspirar o fumo de um cigarro e sem os perniciosos efeitos da nicotina e do alcatrão.
Desculpa, peço desculpa! Aí está, outra expressão que frequentemente utilizo para com os outros, mas não gosto, não gosto mesmo nada, que me seja dirigida. E aborrece-me profundamente quando os pedidos de desculpa são reiteradamente utilizados, é muito erro junto. O pedido de desculpa está, geralmente associado a um incorreção cometida, a um juízo precipitado, à verbalização irrefletida. Claro que nem sempre é assim, pedimos desculpa, se a educação nos aconselha, por muitas outras razões e por pequenas coisas, pequenas coisas que estão muito longe de serem erros, injustiças, palavras menos apropriadas. Também cometo erros, muitos erros, e peço desculpa por eles. Aprendo com os meus erros e não me lembro, vá lá talvez aos meus pais, de ter pedido desculpa, por mais de uma vez, à mesma pessoa e, muito menos pelo mesmo erro.

Chegado aqui, sem saber muito bem como e porquê aqui vim ter, fico sem perceber se sou tolerante ou intransigente com os outros. Agradeço como toda gente, mas não gosto que me digam obrigado, peço frequentemente desculpa mas não gosto que me solicitem a indulgência. E eu que tenho de mim a ideia que sou um pragmático, ou não serei. Sei que sou teimoso, muito obstinado, orgulhoso que baste, mas capaz de reconhecer quando estou errado. Mas ao reler o que escrevi até aqui começo a duvidar de mim, ou melhor, a colocar em causa aquilo que julgo ou julgava ser, já nem sei muito bem o que pensar e dizer ser sob pena de ter de recorrer à psicanálise, luxo a que não me posso dar, para além do estigma que sobre mim ficaria a pairar.
Será que tenho de deixar de fumar e dedicar-me mais a outras dependências, as tais, as mais deleitosas e menos nocivas prá saúde, ou isto é apenas o cansaço associado a precoces efeitos da silly season.
Muito obrigado a quem conseguiu ler até ao fim e, quero apresentar as minhas sinceras desculpas se as vossas expetativas foram goradas durante a leitura do texto.
Ponta Delgada, 29 de Junho de 2013 

Aníbal C. Pires, In Expresso das Nove, 01 de Julho de 2013, Ponta Delgada

Fotos de Madalena Pires

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Dívida e gestão do SRS

Os problemas da dívida do Serviço Regional de Saúde (SRS) não se relacionam com a despesa corrente, com o que se gasta, dia a dia, para pagar aos profissionais, para adquirir medicamentos, para garantir a prestação dos cuidados de saúde. 
O problema reside na despesa relacionada com o endividamento brutal, com os empréstimos sobre empréstimos, para conseguir pagar as dívidas de anos anteriores. E sobre esta questão, sobre os verdadeiros centros de custo que estão a arruinar o erário público, o plano apresentado pelo Governo Regional nada adianta. Em bom rigor, a proposta do Governo quer resolver um problema que não existe, deixando de lado o enorme problema que, esse sim, existe e está cada vez maior. 
E basta analisar os números dos três hospitais da Região, por exemplo, para ver como, já se está a reduzir a despesa diretamente relacionada com a prestação dos cuidados de saúde, enquanto aumenta monstruosamente o serviço da dívida.
Hospital da Horta, ano de 2011: Custos com pessoal: menos 10%; matérias consumidas: menos 8%; fornecimentos e serviços externos: menos 7% e outros custos operacionais: menos 26%. Ao contrário os custos e perdas financeiras aumentaram 479% (mais 2,5 milhões de euros), por exemplo.
Hospital de Angra, ano de 2011: Custos com pessoal: menos 4%; aquisição de serviços: menos 21,4%; subcontratos: menos 8.2%, poupanças que foram infelizmente contrariadas por um aumento dos encargos financeiros na ordem astronómica dos 282,6%, mais 3,5 milhões de euros, desviados da prestação dos cuidados de saúde para cobrir as dívidas passadas.
Hospital de Ponta Delgada, ano de 2011: Custos com pessoal: menos 4,1 milhões de euros; Custo das matérias vendidas e consumidas, aqui um ligeiro aumento na ordem dos 400 Mil euros; Fornecimentos de serviços: menos 2,3 milhões de euros. Estas poupanças na parte operacional, foram infelizmente absorvidas por um aumento dos encargos financeiros de mais 7,6 milhões de euros. Mais de 7,6 milhões de euros, que foram desviados da prestação de cuidados de saúde para serem alocados ao serviço da dívida.
Mas, para termos uma noção mais clara de como se escoa o dinheiro dos contribuintes sem que nada se acrescente à qualidade dos serviços de saúde, é preciso olhar com atenção para a Saudaçor.
Em 2011, esta entidade teve de fazer face a um aumento de juros e gastos similares na ordem dos 60%. Foram 8,3 milhões de euros, mais 3,7 milhões do que no ano anterior.
Outra coisa não seria de esperar de uma empresa que tinha, no final de 2011, mais de 310 milhões de euros de passivo. Na realidade, a Saudaçor tornou-se o depósito das dívidas da Região e, por isso, tem de assumir encargos bancários cada vez mais pesados. A evolução é clara: em 2004, por um empréstimo de 80 milhões, contraído junto do Banco Depfa, a Saudaçor pagou um spread de 0,15%. Uma boa taxa. Em 2010 as condições de mercado tinham-se agravado substancialmente e, por isso a Saudaçor, por um empréstimo de igual valor contratado com a CGD, a Saudaçor já teve de pagar um spread de 3,5%. Em 6 de Dezembro de 2011, por mais um empréstimo de 9 milhões, contraído junto do Santander Totta, já pagava 4% de spread. Mas, 3 dias depois, a 9 de Dezembro, por uma conta corrente destinada à liquidação parcial de dívidas do Serviço Regional de Saúde, aberta na CGD, a Saudaçor paga 6,5% de spread. O record, no entanto, fora atingido em 2010. Num contrato com o BANIF que, por uma conta caucionada também destinada ao pagamento de outras dívidas, cobra, nada mais, nada menos, do que 7,75%! 
Esta análise comprova que este peregrino modelo de gestão do SRS falhou. Nem a transformação dos hospitais em empresas permitiu que se estancasse as dívidas, nem a Saudaçor conseguiu poupanças apreciáveis. Aliás, do início ao fim a sua ação pautou-se por falhanço atrás de falhanço, insucesso sobre insucesso e nem sequer o projeto de informatização, o SIS-ARD, a Saudaçor conseguiu implementar!
Não resta a esta empresa qualquer espécie de condições financeiras ou perfil de crédito para encabeçar o projeto de desenvolvimento do sistema de saúde nos Açores. Neste momento a Saudaçor não passa de lixo financeiro tóxico com o qual a Região tem lidar. 
Ponta Delgada, 25 de Junho de 2013

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 26 de Junho de 2013, Angra do Heroísmo