quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Transporte aéreo Açores 2022

foto by Aníbal C. Pires
Transporte aéreos e SATA terão sido os temas, entre 2013 e 2019, sobre os quais mais escrevi. A profusão de textos e intervenções públicas onde procurava dar conta das minhas preocupações sobre o grupo SATA, mas também sobre o modelo de transportes aéreos, desde logo a necessidade de os alterar e depois opondo-me ao que foi implementado em 2015, que se mantém em vigor, mas sobre o qual pairam algumas dúvidas sobre a forma e conteúdo da sua necessária alteração.

As minhas preocupações ficaram-se por isso mesmo, preocupações que não encontraram eco nos decisores políticos e, quanto à população açoriana, poucos se importaram com alguns alertas que fui fazendo, ainda assim continuo a valorizar tudo o que disse e fiz na defesa do Grupo SATA e de um modelo de transportes (integrado) para a Região. Mas, como tudo na vida, o tempo apaga, e, eu cansei-me. Desde julho de 2019, nunca mais escrevi uma palavra sobre transportes, sobre a SATA, as infraestruturas aeroportuárias e do necessário modelo integrado de transportes.

Hoje vou quebrar o jejum.

foto by Aníbal C. Pires

A notícia do “Expresso, no dia de encerramento da campanha eleitoral (28 de jan.), sobre possibilidade de a partir de abril as ligações aéreas de Lisboa para Faial, Pico e Santa Maria deixarem de se realizar despertou este impulso para voltar ao assunto dos transportes aéreos e, por consequência, à SATA, neste caso da Azores Airlines. Não é possível falar de transportes aéreos na região e nas ligações ao exterior sem falar na transportadora aérea regional.

Não tenho, ao contrário da maioria dos meus concidadãos, grande apreço pelos principais títulos da imprensa nacional, sendo que, no que concerne ao “Expresso” a minha apreciação, utilizando a linguagem das “agências de rating”, está ao nível do lixo, neste caso, informativo.



Esta minha avaliação da qualidade de informação sustenta-se num conjunto de dados sobre a veracidade e imparcialidade da informação publicada. Deixo apenas um exemplo recente e que na Região, e não só, levantou um enorme coro de protestos. Sim refiro-me à notícia que manchou a memória do poeta florentino Pedro da Silveira. O “Expresso” nem na assunção do seu erro foi correto com os seus leitores, nem com a memória do falecido poeta.

Apesar da minha opinião sobre a qualidade de informação veiculada pelo “Expresso” tenho consciência que este e outros títulos nacionais fazem a opinião dominante, daí estar a dar-lhe importância.

A notícia a que me refiro (fim das ligações aéreas de Lisboa para o Faial, Pico e Santa Maria) é especulativa porque se fundamenta em rumores e suposições e, por outro lado, mistura conceitos e não discrimina que custos o financiamento público suporta. Mas a notícia foi publicada e motivou, óbvias reações, desde logo um desmentido, algo atabalhoado, do ministro da tutela, mas também a reação a quente das Comissões Políticas do PSD das ilhas do Faial, Pico e Santa Maria esquecendo as responsabilidades do PSD neste processo, e, naturalmente, no dia seguinte o assunto fez as manchetes de alguns dos títulos da imprensa regional.

Tudo tem uma história, ou seja, não se chegou aqui por acaso e talvez seja apropriado recordar alguns aspetos que determinaram a situação que sendo, para já, especulativa, deixa preocupados todos os açorianos que têm uma visão global da Região, claro que os liberais e outros que tais terão ficado satisfeitos com a notícia do “Expresso”.

foto by Aníbal C. Pires

Quando em 2015 entrou em vigor o modelo de transporte aéreo para os Açores, a ANA já estava privatizada e a TAP estava a caminho de o ser, aliás o contrato de privatização da TAP foi concretizado dois dias depois de o programa do Governo de Passos Coelho ter sido chumbado na Assembleia da República. O contrato que transferiu para o consórcio Atlantic Gateway 61% do capital da companhia aérea foi assinado à porta fechada, dia 12 de novembro de 2015, nas instalações da Parpública.

Parece ser de somenos importância, para o assunto em questão, a referência à privatização da ANA e da TAP, mas como adiante se verá este aspeto tem uma importância substantiva no processo.

Foi, também, sob a égide do governo de Passos Coelho e Paulo Portas (PSD-CDS/PP) que se negociou, se acordou e teve o seu início o atual modelo de transporte aéreo para os Açores cujos principais aspetos são os seguintes:

- criação de uma tarifa de residente (134,00€);

- liberalização das rotas para S. Miguel e Terceira, ou seja, estas duas rotas deixaram de ter Obrigações de Serviço Público (OSP) e para as quais, por imposição das companhias “low cost”, não foi estabelecido um teto máximo para as tarifas, com os efeitos de todos conhecidos. Ou seja, o residente pode pagar mais 1, 2, 3, 4, 5, … acima do valor da tarifa sendo depois ressarcido, através dos CTT (grande negócio), do valor acima dos 134,00€.

- manutenção das OSP para as gateways do Faial, Pico e Santa Maria, não tendo sido atribuído à transportadora que realizasse o serviço público qualquer compensação pelo conhecido défice de exploração daquelas rotas.

Este modelo não era o que o Governo Regional dos Açores pretendia, mas acabou por aceitá-lo sem grande oposição, aliás não faltava no governo e no partido que lhe dava suporte parlamentar quem aplaudisse a solução encontrada. Importa ainda recordar que o ministro que tutelava era António Pires de Lima, do CDS/PP, e o Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações era Sérgio Silva Monteiro, o grande obreiro da privatização dos CTT e da TAP. Isto é, cabe ao PSD e ao CDS/PP a responsabilidade pelo que está a acontecer, ou seja, o aumento exponencial dos custos, conhecidos e não conhecidos, que o Estado suporta com o pagamento do Subsídio Social de Mobilidade (SSM), com o contrato com os CTT para assegurar a operação financeira de pagamento do SSM e com os apoios indiretos à operação das “low cost”, no presente apenas a Ryanair.

Deste modelo de transporte aéreo, em vigor desde 2015, importa referir o seguinte:

- os residentes beneficiam da tarifa de 134,00€ que, sendo positivo, ainda assim é valor elevado para a maioria dos açorianos.

- pelo fato de não se ter estabelecido um teto máximo o valor desembolsado “à cabeça” pode ultrapassar as várias centenas de euros. Um constrangimento para quem tem de se deslocar por motivos urgentes e imprevistos e que penaliza os açorianos com rendimentos mais baixos.

- o abandono, sem aviso prévio, das rotas Faial, Pico e Santa Maria pela TAP. A TAP estava em pleno processo de privatização e o atual modelo, ao contrário do anterior, não previa qualquer indeminização compensatória para as rotas com OSP (Faial, Pico e Santa Maria).

- a Azores Airlines (SATA Internacional) assumiu as rotas açorianas com OSP (Faial, Pico e Santa Maria). Esta assunção das rotas não aconteceu por interesse comercial, mas por indicação do Governo Regional. Se assim não tivesse acontecido as ligações do Faial, Pico e Santa Maria a Lisboa, tinham acabado em 2015. O resultado foi o aumento do passivo da SATA por não ser ressarcida pelo serviço público.

foto by Aníbal C. Pires
A alteração ao modelo de transporte aéreo é uma exigência que deve ser assumida pelos Açores, não para dar satisfação aos argumentos do governo de Lisboa, mas para garantir o direito à mobilidade e ao não isolamento.

A privatização da TAP e o governo de Passos Coelho/Paulo Portas são os grandes responsáveis, desde logo pelo abandono das rotas com OSP, mas também pelo aumento exponencial do financiamento público que este modelo de transportes aéreos para a Região acarretou. Ao contrário do que foi dito na altura o mercado concorrencial, rotas de S. Miguel e Terceira, não contribuiu para a diminuição dos custos. O Estado paga mais do dobro, bem mais, do que pagava em até 2015.

Quanto à TAP julgo que ao longo do texto ficou claro a alusão que fiz, logo no início deste escrito, pelos efeitos negativos que a sua privatização produziu na Região. Em relação à ANA importa lembrar o abandono a que a VINCI tem votado o aeroporto de Santa Maria, mas também, e quem o afirmar o contrário só pode estar delirante, qualquer hipótese de ampliação da pista do aeroporto da Horta se, para tal, não existir financiamento público. As privatizações da ANA e da TAP, como de outras empresas estratégicas, prejudicaram e continuam a prejudicar os portugueses. É o liberalismo sem liberais, agora com as mãos livres o PS dará continuidade, mesmo sem liberais, às políticas liberais continuando a destruir os serviços públicos, como sejam, de entre outros, a saúde e a educação.


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 01 de fevereiro de 2022


terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

não resistiram à tentação, agora não há remédio

créditos Açoriano Oriental

Os resultados eleitorais nos Açores têm a leitura que cada cidadão e organização social ou política lhes quiser fazer. 

São eleições com uma natureza diferente dos atos eleitorais para o PE, para a ALRAA e para as Autarquias, disso também ninguém tem dúvidas.

Se a legitimidade para analisar, os resultados de 30 de janeiro nos Açores, e extrapolar para eleições de outra natureza não está em causa, neste caso, a coligação AD (PSD/CDS/PPM) com as declarações feitas por José Manuel Bolieiro, aquando da apresentação da candidatura (em dezembro de 2021), abriu o flanco para essa extrapolação. 

Perante os resultados eleitorais José Bolieiro e Artur Lima consideram abusiva qualquer tipo de avaliação e análise que vá além da natureza destas eleições. Paulo Estêvão também, mas o deputado do PPM não resistiu a à extrapolação quando endereçou, por via do resultado nacional da CDU e do BE, um recado ao Nuno Barata e ao Pacheco lembrando-lhes que poderão ser penalizados eleitoralmente se, de alguma forma, contribuírem para por em causa a solução governativa nos Açores. 

Paulo Estêvão à semelhança de José Bolieiro, embora em tempos e compassos diferentes, conferiu, se para tal fosse necessário, maior legitimidade às análises que os cidadãos muito bem entenderem fazer. 

O circo político regional vai presentear-nos, ao longo dos próximos meses, com um novo espetáculo para alimentar as agendas mediáticas. Vou procurar estar atento, como atento estarei às dificuldades que os açorianos e aos efeitos das decisões políticas que, podendo não ser tão mediáticas como o espetáculo, afetam a qualidade de vida e o bem-estar do povo açoriano.

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 01 de fevereiro de 2022


Aleida March (Guevara) - a abrir fevereiro

imagem retirada da internet




Lindas são as mulheres que lutam.

O "momentos" abre fevereiro com Aleida March, revolucionária e combatente cubana.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Hoje, como ontem, amanhã e sempre

O processo eleitoral teve ontem o seu desfecho. As opções dos cidadãos que participaram ditaram uma forte penalização eleitoral para o PCP e para o PEV. O PCP perdeu 4 deputados e o PEV perdeu 2, ou seja, neste último caso o PEV deixou de ter representação parlamentar.

O que traduzindo para os resultados da CDU significa que, no total, a quebra foi de 6 deputados.

Não vou procurar justificações, mais ou menos visíveis, para este resultado da CDU. Direi apenas que os eleitores penalizaram as forças políticas que abriram caminho, em 2015, à rutura do ciclo de austeridade e empobrecimento em que o país estava mergulhado e que deram corpo à recuperação de rendimentos, de direitos e da dignidade, mas também de alguns avanços sociais, para além de terem contribuído para um período de crescimento económico como já não se assistia em Portugal há, pelo menos, 19 anos. E tudo isso se fica a dever aos partidos agora penalizados eleitoralmente. Muito ficou por concretizar e os sinais de que o partido, que os portugueses beneficiaram eleitoralmente, quer inverter o rumo que vinha a ser seguido.


Não espero concordância com esta afirmação e muito menos qualquer tipo de manifestação de arrependimento pelas opções eleitorais que contribuíram para os resultados da CDU e para a maioria absoluta que nos vai governar. A informação estava disponível e tenho como bom que os meus concidadãos estão atentos, sabem interpretar o que lhes é dito, bem assim como desconstruir as tentativas de indução, de uma determinada opção eleitoral, que os comentadores e estudos de opinião regurgitaram até à exaustão na última semana de campanha eleitoral.


Estava tudo lá, só não leu os sinais quem não quis.

A luta do PCP não se esgota na intervenção institucional, nem nas batalhas eleitorais. Se são importantes os resultados eleitorais, claro que são, pois, permitem ao PCP intervir ao nível institucional. Mas não se iludam, a luta e intervenção do PCP não se esgota no parlamento, por isso dizemos, que os resultados não nos desalentam, nem nos derrubam. 



O PCP enfrentou 48 anos de ditadura e não tinha deputados, tinha presos nas cadeias fascistas, o PCP lutou por uma revolução democrática e nacional que se concretizou a 25 de abril de 1974.

O resultado eleitoral da CDU nos Açores acompanhou a tendência nacional de descida relativa e absoluta de votos. Como no resto do país, não foi por demérito dos candidatos, bem pelo contrário, que a CDU nos Açores foi penalizada eleitoralmente. Quem corporizou esta candidatura fê-lo com responsabilidade, empenho e sentido de intervenção cívica e política.


A Marta, o Horácio, a Noélia, o Else, a Dulce, o Paulo, a Vera, a Maria, o André e a Judite protagonizaram uma campanha de esclarecimento e mobilização a favor da CDU e de apelo à participação política e eleitoral. A candidatura contou com a organização do PCP e o contributo dos seus militantes e simpatizantes. 


Reconheço publicamente, enquanto Mandatário Regional da candidatura da CDU, o meu apreço e respeito por todos eles. Num quadro político complexo e do qual todos tinham consciência demonstraram coragem, é preciso tê-la, conhecimento e ligação às suas comunidades.

A candidatura da CDU soube, apesar da dispersão territorial, funcionar como um coletivo em permanente ligação à organização do PCP através do seu Coordenador Regional, o Marco Varela.




Deixo-vos, queridos camarada e amigos, este pequeno texto de Vladimir Maiakóvski que traduz o sentimento que me domina e, por certo, é comum a todos nós.







"Que os meus ideais sejam tanto mais fortes quanto maiores forem os desafios, mesmo que precise transpor obstáculos aparentemente intransponíveis. Porque metade de mim é feita de sonhos e a outra metade é de lutas."








Hoje, como ontem, amanhã e sempre sairemos à rua armados com este sonho transformador continuaremos a estar ao lado da luta dos trabalhadores e das populações dos Açores, ao lado da luta por um Mundo melhor, um Mundo mais justo.


Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 31 de janeiro de 2022


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

o bem mais precioso

foto by Tiago Redondo
Quem passou pela “Sala de Espera” do dia 12 de janeiro entrou, leu e conversou. Sim, conversou.

Uma querida amiga e leitora teve a amabilidade de me recordar que as antigas salas de espera eram, também, locais onde se conversava, por vezes em surdina, mas igualmente de forma a que todos ouvissem e pudessem participar no diálogo, se assim o entendessem. O meu regresso às colunas do jornal e a leitura do texto que abriu esta “Sala de Espera” gerou algumas conversas, umas públicas outras privadas (em surdina), o que me deixou satisfeito, permitam-me este registo, pois, quando conseguimos atingir o propósito só podemos ficar animados e com redobrada vontade de continuar a conversar convosco e a ouvir o que têm para dizer. 

Estamos a poucos dias de eleger 230 deputados para a Assembleia da República, cinco são eleitos pelo círculo dos Açores. Não sendo uma obrigação referir a questão eleitoral é, contudo, incontornável que neste espaço, sem fronteiras nem verdades absolutas, e neste momento, não deixe um registo que pretendo seja, apenas, um pequeno contributo para irmos votar. Votar onde cada um entender por bem, mas votar. 

foto by Madalena Pires

A abstenção sendo uma opção não serve nenhum intento pois, não retira legitimidade formal às eleições e não contribui, em nada, para mudar o que quer que seja. Quem se abstém delega a sua responsabilidade, valida os resultados eleitorais e certifica as políticas e os políticos que, os abstencionistas, tanto criticam. Por outro lado a liberdade, a autonomia e a democracia precisam de cuidados diários, como fazemos com um jardim que queremos sempre florido e viçoso. E participar é cuidar! Cuidar do presente e do futuro que queremos para nós e para os Açores, para o nosso país e para o mundo.


O voto útil, só é útil para o partido ou coligação que o recebe, ou seja, todas as opções são úteis. Importante mesmo é perceber a utilidade que cada partido ou coligação dá ao voto dos eleitores. Essa sim é a grande questão que os cidadãos devem considerar quando constroem a sua opção de voto.

E por aqui me fico no que diz respeito às eleições de 30 de janeiro. Depois do ato eleitoral é provável que venha a tecer algumas considerações sobre os resultados e os seus efeitos no nosso futuro próximo.

Não é de agora, sempre fui assim. Quando os lugares que intimam à quietude, naturais ou não, se enchem de ruído escapo-me furtivamente e procuro lugares do silêncio. Quando quero ruído e multidões, o que raramente acontece, procuro e vou, mas não gosto que me os imponham. Não faltam por aí lugares cheios de gente e onde a música e as palavras, numa amálgama de sons, abafam e anestesiam os sentidos. Não me dá prazer não sentir, ou ser induzido artificialmente em estados de euforia. 

foto by Aníbal C. Pires
Evito, mas nem sempre consigo furtar-me a umas idas para o seio da confusão de palavras gritadas e música muito acima dos decibéis aceitáveis para o ouvido humano. Raramente me divirto ou retiro algum prazer deste tio de atividade, digamos, lúdica. Há quem goste e se divirta, eu nem por isso. Respeito esta como outras opções de vida, mas na procura de dar utilidade ao tempo, o bem mais precioso da vida, prefiro os lugares do silêncio. Ler, escrever, ouvir música, uma amena cavaqueira numa roda de amigos, cinema, caminhar no verde e respirar azul, estar comigo (faz-me tão bem), procurar informação alternativa às “verdades” do mainstream (fundamental para a minha sanidade mental). Estas são algumas formas com que ocupo o meu tempo, não para que ele passe depressa, mas para lhe dar utilidade e com as quais me deleito.

Não pretendo impor formas de ser e estar na vida. Cada um de nós deve escolher, a cada momento, o que mais lhe aprouver para dar utilidade ao seu tempo e o caminho que quer percorrer, sem por em causa o bem-estar e as opções de terceiros. Eu continuo a escolher o meu caminho procurando, sempre, somar momentos de prazer à vida. Ou dito de outra forma procuro ser feliz pelo caminho e não no fim da caminhada.

Não esperem pela chegada ao destino para encontrarem a felicidade, sejam felizes durante o percurso. A felicidade é mais o que colhemos durante o caminho do que algo que encontramos no fim da caminhada.

Ponta Delgada, 25 de janeiro de 2022

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 26 de janeiro de 2022


terça-feira, 25 de janeiro de 2022

pequenos prazeres

foto by Madalena Pires



Excerto de texto para publicação na imprensa regional (Diário Insular) e, como é habitual, também aqui no blogue momentos




(...) Há quem goste e se divirta, eu nem por isso. Respeito esta como outras opções de vida, mas na procura de dar utilidade ao tempo, o bem mais precioso da vida, prefiro os lugares do silêncio. Ler, escrever, ouvir música, uma amena cavaqueira numa roda de amigos, cinema, caminhar no verde e respirar azul, estar comigo (faz-me tão bem), procurar informação alternativa às “verdades” do mainstream (fundamental para a minha sanidade mental). Estas são algumas formas com que ocupo o meu tempo, não para que ele passe depressa, mas para lhe dar utilidade e com as quais me deleito. (...)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

escolhas

 

foto by João Pires

(...) os lugares enchem-se de ruídos e eu procuro silêncios. (...)


Aníbal C. Pires, setembro de 2018

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Declaração de intenções

imagem retirada da internet
Há três anos interrompi a publicação de textos de opinião na imprensa regional. Foi uma decisão pessoal, como pessoal é este retorno às páginas do Diário Insular (DI) que sempre manteve a porta aberta para o meu regresso. Não posso deixar de agradecer a disponibilidade do DI para, de novo, me acolher. Nada que me espante pois, quando em 2009 outros me dispensaram, foi o DI que me facultou espaço e, até janeiro de 2019, me publicou. Ficam, assim, os meus respeitos à Direção do DI e a todos os seus trabalhadores.

Esta “Sala de Espera” terá regularidade quinzenal e pretende trazer aos leitores do DI opinião aberta sobre temas sem fronteiras, nem verdades absolutas. Ficarei satisfeito se ao saírem da “Sala de Espera” se sintam impelidos a “dialogar” com o autor procurando refutar argumentos, apresentar outros pontos de vista. Enfim que a curta permanência, como convém em qualquer “Sala de Espera”, não vos deixe indiferentes, nem deem por mal empregue o vosso tempo. Este é o meu propósito.

Numa sociedade híper mediatizada e centrada no acessório a escolha dos títulos revela-se fundamental para atrair a atenção dos potenciais “clientes”, neste caso os leitores. Esta coluna tem por título “Sala de Espera”, e o leitor mais atento já estará a opinar: bem podias ter escolhido outro para a tua coluna pois, este é pouco, ou nada, apelativo. É verdade. As salas de espera, ou a memória que delas temos, remetem-nos para espaços onde aguardamos por alguém, ou alguma coisa e, esperar não é uma atividade agradável, por outro lado as salas de espera são (ou eram) lugares pouco confortáveis, diria mesmo, que as salas de espera são (ou eram) lugares inóspitos, ou seja, lugares onde não queremos permanecer por muito tempo, mas todas as salas de espera têm (ou tinham) algumas revistas e jornais para que, quem aguarda possa “matar” o tempo com a leitura de um ou outro texto cuja ilustração ou título despertasse mais atenção.

imagem retirada da internet
As salas de espera são (ou foram) locais onde se lê (ou lia) e foi essa a razão, e não outra, que esteve na origem do nome que dou a este espaço de opinião que se espera seja lido. Não era bem esta a designação era uma outra, segundo os cânones atuais, talvez servisse melhor o objetivo, mas discriminava e esta coluna não pretende excluir ninguém.

“Lounge” seria, de longe muito mais adequado aos nossos tempos e, sem dúvida, mais convidativo para entrar e fruir do espaço, mas, convenhamos, discriminatório e, por outro lado as salas de espera evoluíram e já não são o que eram, pelo menos algumas.

Como outros espaços as salas de espera também se foram transformando, algumas são tão cómodas como os “lounges”, ainda que sem a disponibilidade de todas as facilidades e serviços que alguns “lounges” dispõem, mas cada vez mais, quem tem antecâmaras para receber clientes, investe na melhoria das suas condições procurando dar conforto a quem espera.

imagem retirada da internet
É a evolução, o progresso e a necessidade de modernizar para competir nos mercados em crescente concorrência. Sim, obviamente, a evolução das salas de espera está relacionada com essas premissas, mas não é só. Existe uma questão, bem mais prosaica, que justifica o investimento no conforto e disponibilização de outros “serviços” nas salas de espera: a minimização dos efeitos do tempo de espera na observação da eficácia dos serviços de atendimento e, particularmente, dos serviços que se aguardam para lá da antecâmara.

Quanto maior for o tempo de espera mais tempo tem o cliente, desde logo, para se aborrecer/irritar, mas também para observar o funcionamento da organização. Se o tempo de espera for para lá do aceitável (continua a acontecer) mais tempo terá o cliente, aborrecido/irritado, para detetar falhas nos serviços o que poderá ter como consequência, se a avaliação for negativa, nunca mais regressar. Proporcionar aos clientes conforto e a disponibilização de alguns serviços, para além das revistas e jornais, como sejam televisão e sinal aberto para aceder à internet induz no cliente, que aguarda atendimento, uma sensação de bem-estar e distração que dissipa eventuais avaliações negativas. Afinal foi tão bem acolhido que a qualidade dos serviços é, por vezes, remetida para um plano secundário.

Explicada que está a opção pelo título desta coluna de opinião resta-me tentar transformar, sem artifícios, este espaço num “lounge” onde todos tenham lugar. É essa a minha intenção, a avaliação fica, como sempre, a vosso cargo.

Ponta Delgada, 11 de janeiro de 2022

Aníbal C. Pires, In Diário Insular 12 de janeiro de 2022

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

... propósitos

foto by Aníbal C. Pires




Passados 3 anos estou de regresso à imprensa regional.

Excerto de texto para publicação na imprensa regional (Diário Insular) e, como é habitual também aqui, no blogue momentos





(...) Esta “Sala de Espera” terá regularidade quinzenal e pretende trazer aos leitores do DI opinião aberta sobre temas sem fronteiras, nem verdades absolutas. Ficarei satisfeito se ao saírem da “Sala de Espera” se sintam impelidos a “dialogar” com o autor procurando refutar argumentos, apresentar outros pontos de vista. Enfim que a curta permanência, como convém em qualquer “Sala de Espera”, não vos deixe indiferentes, nem deem por mal empregue o vosso tempo. Este é o meu propósito. (...)



sábado, 1 de janeiro de 2022

Judite Barros Costa - a abrir janeiro

Lindas são as mulheres que lutam.

O “momentos” abre o mês de janeiro e o ano de 2020 como uma mulher de personalidade forte e profundamente enraizada na sua comunidade. 

Uma personalidade social, cultural e profissionalmente empenhada, uma personalidade que de forma desprendida tem dado o seu contributo para que o nosso porvir coletivo possa ser diferente, possa ser mais justo. 

Uma personalidade que transporta consigo a chama da esperança num Mundo melhor e que acredita que é possível travar o avanço de velhos fascismos, ainda que vestidos com as “novas” roupagens das democracias liberais.

É de uma mulher dinâmica e determinada que vos falo.

É da professora, da dirigente cultural e sindical, e da ambientalista que vos falo.

É da cidadã de corpo inteiro que vos falo. 

É uma mulher que coloca e tem colocado, em todos os aspetos da sua vida, os princípios e valores da esquerda, a esquerda sem rótulos ou acessórios anódinos. 

É a minha amiga, colega e camarada Judite Barros da Costa.

A Judite tem 52 anos, é natural de Ponta Delgada, reside na Ribeira Grande, é Licenciada em Línguas e Literaturas Clássicas, pós-graduada em Literatura Portuguesa e Mestre em Cultura e Literatura Portuguesas. É docente na Escola Secundária da Ribeira Grande e dirigente do Sindicato dos Professores da Região Açores.

A Judite é a cabeça de lista da candidatura da CDU, pelo círculo eleitoral dos Açores, às eleições de 30 de janeiro de 2022 para a Assembleia da República.


Aníbal C. Pires – Mandatário Regional da CDU pelo círculo eleitoral dos Açores.