sábado, 20 de janeiro de 2024

Amílcar Cabral, pelos 51 anos da sua morte

foto retirada da internet
Passam hoje 51 anos sobre a morte de Amílcar Cabral. O "momentos" assinala esta data prestando assim tributo ao líder que conduziu a luta armada, para a qual foi empurrado, pela independência da Guiné e Cabo Verde (quem fecha as portas à revolução pacífica abre as portas à revolução violenta).

Os caminhos do pós-independência foram diversos para estes dois países para os quais Amílcar sonhava paz, prosperidade, justiça social e económica. 

Os herdeiros políticos de Amílcar Cabral destruíram, quer em Cabo Verde, quer na Guiné-Bissau, o seu projeto político e defraudam a cada dia o sonho e a utopia que mobilizou aqueles povos para se libertarem do colonialismo português.

"Se alguém me há de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios."

Amílcar Cabral

foto de Madalena Pires (2016)

O insurgente Amílcar, como todos os revolucionários, era um humanista e uma personalidade sensível às artes e à libertação pela cultura.

A minha poesia sou eu

… Não, Poesia:
Não te escondas nas grutas de meu ser,
não fujas à Vida.
Quebra as grades invisíveis da minha prisão,
abre de par em par as portas do meu ser
— sai…
Sai para a luta (a vida é luta)
os homens lá fora chamam por ti,
e tu, Poesia és também um Homem.
Ama as Poesias de todo o Mundo,
— ama os Homens
Solta teus poemas para todas as raças,
para todas as coisas.
Confunde-te comigo…
Vai, Poesia:
Toma os meus braços para abraçares o Mundo,
dá-me os teus braços para que abrace a Vida.
A minha Poesia sou eu.

Amílcar Cabral, em “revista Seara Nova”, 1946.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

a importância dos símbolos

foto Aníbal C. Pires

Uma região insular de dimensão territorial reduzida, descontínua, afastada dos continentes, com ecossistemas terrestres e marinhos frágeis, sujeita à fúria tectónica e vulcânica e às intempéries meteorológicas que anualmente, com mais ou menos violência fustigam a terra e as gentes, o isolamento, apesar de na bacia atlântica ter servido de plataforma para o trânsito de pessoas e mercadorias vindas da “índias” ocidentais e orientais, da África, a Norte e a Sul do Sahara, o que permitiu o contato com outras culturas e abriu os caminhos do mar ao povo martirizado destas ilhas. Muitos partiram compulsivamente, muitos outros por vontade própria, embora a génese da migração açoriana tenha denominadores comuns: servir o reino e a procura de condições de realização económica que o seu berço lhes negava (e nega) por uma injusta distribuição da riqueza decorrente da acumulação de capital pelos senhores da terra, pelo trabalho servil, que se mantém seja pela precariedade, seja pela desvalorização social e salarial do trabalho. 

Num passeio pelas nossas cidades e vilas, esta evidências mostram-se a cada antigo convento, igrejas, palácios e casas apalaçadas, contrastando com a arquitetura das periferias urbanas e rurais onde viviam os trabalhadores rurais assalariados, os pescadores e, mais tarde com menor expressão, os operários industriais.

A história é a que é. Não pode ser alterada, mas deve conhecer-se e, sobretudo, compreender-se para perceber o que somos e como chegámos até aqui.

Esta abordagem inicial tem, apenas, o propósito de introduzir alguns aspetos, todos conhecidos e devidamente estudados, que contribuíram para a construção de uma cultura singular, nem melhor nem pior que outras, mas diferente e, por esse motivo, como outras, digna de ser preservada, não no aspeto conservador e museológico, mas na valorização dos seus traços distintivos.

foto Aníbal C. Pires
Já referi o povoamento, a concentração da riqueza, a emigração, a geografia, o isolamento, a condição insular e arquipelágica e, sem querer ser exaustivo, não é esse o intento, acrescentaria a religiosidade. Não a devoção utilitária do poder económico para exercer domínio sobre o povo, que sendo determinante na formação do ser açoriano, não é, no caso vertente, a que me interessa, como mais adiante se verá, mas a religiosidade de cunho popular que se foi mantendo liberta dos poderes, ou seja, o culto ao Divino Espírito Santo que é o pilar, não direi único, mas o principal sustentáculo da açorianidade, ou se preferirmos da identidade regional se é que, de facto, essa construção identitária está consolidada. Por vezes tenho dúvidas que assim seja e não serei só eu a tê-las.

As nove ilhas do arquipélago açoriano, tendo culturalmente algumas semelhanças, registam algumas diferenças que as particulariza e que o poder autonómico, nunca quis ou soube, potenciar. 

O conceito de desenvolvimento harmonioso, agora chamado de política de coesão, não tem, nem deve ser igualitário, desde logo pelas necessidades de cada uma das ilhas e dos concelhos, serem diferentes, mas também pelo seu potencial produtivo e económico terem particularidades que não se coadunam com a replicação do mesmo tipo de investimentos públicos. 

Caro leitor, estaremos, por certo de acordo que um dos desígnios autonómicos e, talvez o principal pilar que sustenta a ideia de órgãos de governo próprio nos Açores está muito longe de ser alcançado. Diria mesmo que, o acentuar das assimetrias de desenvolvimento, rendimento e bem-estar entre os concelhos e entre as diferentes ilhas, é o maior fracasso da Autonomia regional, ou seja, os diferentes poderes legislativos e executivos que ao longo destes quase 48 anos lideraram os destinos da Região, passado o período da tão necessária infraestruturação, limitaram-se reproduzir modelos idênticos de desenvolvimento e investimento em ilhas tão diferentes como sejam, por exemplo, Santa Maria ou Terceira e, em concelhos tão distintos como Angra do Heroísmo ou, em Vila Franca do Campo. 

Passados que foram os anos da construção das infraestruturas portuárias e aeroportuárias, da instalação de serviços públicos de saúde e de educação, imprescindíveis a todas as ilhas, dimensionados com estruturas físicas e recursos humanos às necessidades daquele território específico, teria sido importante que as políticas públicas fossem desenhadas para potenciar as capacidades produtivas de cada uma delas e encontrar pontes de complementaridade e cooperação entre as diferentes parcelas territoriais do arquipélago, dando-lhe assim um cunho regional sem desvalorizar cada uma das ilhas.

foto de Aníbal C. Pires

A governação e a submissão do poder legislativo, com exceção da legislatura 1996/2000, foram repetindo ano após ano obras, algumas necessárias outras nem por isso, que não contribuíram para criar dinâmicas socias, culturais e económicas de desenvolvimento que evitassem a tendência de desertificação que se começou a verificar nas ilhas mais pequenas, mas também em alguns dos concelhos do Pico, S. Miguel e Terceira. E se ao centralismo, mais de Bruxelas do que Lisboa, podem ser atribuídas algumas responsabilidades, em bom rigor, é à governação autónoma, por não usar todas as suas competências e pela satisfação de clientelismos eleitorais, que devem ser imputados os fracos resultados que os indicadores sociais e económicos indiciam. Por muito que a propaganda institucional o tente negar continuamos a ser uma das regiões mais pobres do País e da União Europeia.

Não é novidade e acontece inúmeras vezes. A pena com o correr da escrita tende a divagar e a afastar-se do propósito inicial que, por sinal, hoje até é bem simples e concreto.  Intento que pode até não ter para os leitores a importância que eu lhe atribuo, contudo, acho por bem partilhar esta minha inquietação que se relaciona com um dos símbolos do culto ao Divino Espírito Santo e com o qual todos os açorianos e as suas comunidades diaspóricas se identificam.

Em dezembro, como vem sendo hábito, realiza-se uma mostra de artesanato regional em Ponta Delgada. Costumo visitar a feira para rever velhos amigos que moldam e constroem peças mais tradicionais, ou mais hodiernas, mas também para poder conhecer melhor este setor de atividade que tem vindo a crescer e a afirmar-se um pouco por todas as ilhas açorianas. Também no artesanato cada uma das ilhas tem a sua marca identitária própria, mas há símbolos que não são de uma ilha, são dos Açores e dos açorianos: a Bandeira do Divino Espírito Santo, a Coroa e o Cetro. Estes são os mais importantes signos da iconografia das festas do Espírito Santo.

Foto de Aníbal C. Pires
As miniaturas das bandeiras do Espírito Santo marcavam, naturalmente, presença na feira de artesanato. Um bom amigo chamou-me a atenção para que reparasse para o topo da bandeira e, para meu espanto, não vi a coroa encimada pela pomba que representa o Espírito Santo, mas sim uma coroa da Nossa Senhora de Fátima. Não tenho nada contra a coroa, mas não me parece que esta substituição valorize o trabalho dos artesãos e, por outro lado, é uma opção que desvirtua um dos ícones do culto ao Divino Espírito Santo. Talvez não seja importante, ou até existam justificações plausíveis para o uso de uma coroa encimada por uma cruz e não pela pomba que, desde sempre, representa o Espírito Santo. Mas não gostei e fiquei com a sensação de que aquele ícone está a ser desvirtuado, como desrespeitados estão a ser outros produtos vendidos, a locais e a forasteiros, como sendo de produção integralmente açoriana sabendo-se que não é bem assim.

Se em relação à aparente subversão de um símbolo pode não vir mal ao mundo, mas não deixa de ser preocupante e não devesse acontecer, já o mesmo não se passa com a comercialização de produtos certificados pela “Marca Açores” que, nem sempre, são genuína e inteiramente produzidos nos Açores. Mais cedo ou mais tarde os “consumidores” do mercado regional e do mercado internacional vão perceber que estão a ser ludibriados e, certamente, não vão gostar o que significa que deixarão de consumir. É, pois, aconselhável que a certificação de produtos com a “Marca Açores” seja feita com rigor e não configure publicidade enganosa. 

Ponta Delgada, 9 de janeiro de 2024 

Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 10 de janeiro de 2024

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

da memória e da identidade

foto de Aníbal C. Pires

Excerto de texto para publicação na imprensa regional (Diário Insular) e, como é habitual, também aqui no blogue momentos.



(...) Esta abordagem inicial tem, apenas, o propósito de introduzir alguns aspetos, todos conhecidos e devidamente estudados, que contribuíram para a construção de uma cultura singular, nem melhor nem pior que outras, mas diferente e, por esse motivo, como outras, digna de ser preservada, não no aspeto conservador e museológico, mas na valorização dos seus traços distintivos.

Já referi o povoamento, a concentração da riqueza, a emigração, a geografia, o isolamento, a condição insular e arquipelágica e, sem querer ser exaustivo, não é esse o intento, acrescentaria a religiosidade. Não a devoção utilitária do poder económico para exercer domínio sobre o povo, que sendo determinante na formação do ser açoriano, não é, no caso vertente, a que me interessa, como mais adiante se verá, mas a religiosidade de cunho popular que se foi mantendo liberta dos poderes, ou seja, o culto ao Divino Espírito Santo que é o pilar, não direi único, mas o principal sustentáculo da açorianidade, ou se preferirmos da identidade regional se é que, de facto, essa construção identitária está consolidada. Por vezes tenho dúvidas que assim seja e não serei só eu a tê-las. (...)


segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Khalida Jarrar - a abrir janeiro

imagem retirada da internet


Lindas são as mulheres que lutam

Segundo testemunhos recolhidos pela agência Analodu, a deputada comunista, Khalida Jarrar, de 60 anos, foi detida pelas forças de ocupação israelitas (regime sionista) na sua casa (em al-Bireh, Cisjordânia) na manhã de dia 26 de Dezembro de 2023.




A primeira detenção, de Khalida Jarrar, ocorreu a 8 de Março de 1989, por ter participado numa manifestação do Dia Internacional das Mulheres. Mais recentemente, a parlamentar, eleita pela FPLP nas eleições de 2006, passou mais de 20 meses (entre Julho de 2017 e Fevereiro de 2019) em detenção administrativa, sem qualquer acusação. Meses depois, voltou a ser presa por um novo período de 2 anos (até Setembrisraelita recusou o seu pedido de libertação temporária para participar no funeral da sua filha, Suha, que morreu em Julho de 2021.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Odete Santos 1941-2023


Odete Santos

"Mulher de Abril, destacada deputada e dirigente comunista, Odete Santos foi uma figura marcante na construção do Portugal de Abril e na afirmação dos direitos que a Constituição da República Portuguesa consagra, em particular sobre os direitos dos trabalhadores, sobre a igualdade e a emancipação da mulher,  uma presença constante na acção de solidariedade com os povos de todo o mundo, uma incansável participante na concretização do ideal e projecto do Partido Comunista Português."

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

the job is done

Escrito ontem, publicado hoje no blogue momentos.
O olhar atento de Diniz Borges deu-lhe asas e foi hoje publicado na revista “Filamentos - Arts and Letters in the Azorean Diaspora."

Obrigado Diniz Borges!



practices

tradition declares: it’s Christmas
light up the city
turn on the spirit
put
that little twinkle in your eye
and repeat again and again: Merry Christmas

tradition fulfilled
turn off: the lights, the spirit and the sparkle.
The job is done.


Aníbal C. Pires, Lagoa, December 24, 2023

Translated by Diniz Borges

da época

foto de Aníbal C. Pires


praxes 

a tradição declara: é Natal
ilumine-se a cidade
ligue-se o espírito
ponha
aquele brilhozinho nos olhos
e repita, uma e outra vez: Feliz Natal

cumprida a tradição
desligue: as luzes, o espírito e o brilho. 
terminou a função.

Aníbal C. Pires, Lagoa, 24 de dezembro de 2023 

sábado, 2 de dezembro de 2023

em dezembro com "O Barbilho"


Aníbal C. Pires (foto do arquivo pessoal)
A edição de dezembro de “O Barbilho”, boletim informativo da CDU Fundão, já está disponível. Podem aceder clicando aqui.

No âmbito das comemorações do cinquentenário de Abril, “O Barbilho” tem vindo a publicar algumas sugestões de fundanenses, ou ao Fundão ligado, sobre o que deveriam ser as celebrações no concelho, mas também alguns testemunhos das vivências pessoais.

Foi-me pedida colaboração e, naturalmente, anuí.

Esta publicação no blogue reproduz os dois pequenos textos que, a este propósito, enviei para “O Barbilho” e que constam da edição de dezembro.




Abril, do povo e para o povo

Cresci no Fundão e foi no Fundão que vivi o 25 de Abril de 1974, embora esteja ausente a cidade, que era vila, está no meu coração pois, foi à sombra da Gardunha, com a Estrela no horizonte, que cresci e vivi intensamente o tempo das utopias da juventude, mas também a utopia da revolução.


A comemoração formal em sessões solenes nos salões do poder não é, nunca será, a melhor forma de comemorar o 25 de Abril. Principiou por ser uma revolta militar, mas foi com o apoio popular que se construiu o projeto transformador que a Constituição de 1976 consagrou. As comemorações do cinquentenário devem estender-se ao longo do ano, em todas as freguesias, aldeias e lugares do concelho, envolvendo as populações e os agentes culturais locais. Cumpra-se Abril, do povo para o povo.


imagem retirada da internet




Amor em Abril

Quando me levantei e durante as rotinas que antecediam a minha ida para a Covilhã, onde frequentava o ensino secundário, notei que a emissão de rádio estava diferente. A música e o noticiário anunciavam uma inusitada quinta-feira. Alguma coisa inusual acontecia e, parecia bom.
Quando cheguei à estação dos caminhos de ferro do Fundão, sempre no limite horário, entrei de rompante na carruagem já em movimento e procurei os colegas que comigo faziam, diariamente, a viagem até à Covilhã. Já tínhamos percecionado que o país estava a viver um dia invulgar e, conquanto, não houvesse muita informação disponível adivinhava-se um país novo.

Não tínhamos consciência política, mas a consciência social já despontava em alguns de nós e as questões da pobreza, da estratificação social, da emigração e da guerra colonial eram assunto de apaixonadas discussões.
O dia foi-se enchendo de novidades e, uma estranha e inexplicável sensação de felicidade foi-nos invadindo. O dia escolar sofreu algumas alterações. Era necessário ir para a rua expressar apoio ao “movimento dos capitães”. E fomos. 
Ao fim da tarde regressei ao Fundão e subi em LIBERDADE a Avenida Salazar. Quando entrei em casa a minha mãe abraçou-me e chorou, como terão chorado de felicidade muitas outras mães nesse dia em que se anunciou o fim da guerra colonial, e disse-me: - Já não vais para a guerra filho. Enlaçado nos braços de minha mãe, chorei com ela.

Em 2008, ano da morte de minha mãe, escrevi um poema sobre este momento e que vos deixo como parte deste testemunho sobre o 25 de Abril.

amor em Abril

em Abril
as lágrimas
soltaram-se
dos teus olhos
rolaram pela tua face
o choro embargou-te a voz
mas o teu semblante
irradiava uma alegria incontida
abraçaste-me, Mãe
chorei contigo
a tua exultação prenunciava
que os teus receios, os teus medos
que cresciam comigo
findavam
naquele Abril

sabes, Mãe
nunca mais deixei
de celebrar o teu Amor em Abril
e... por Ti, Mãe
fiz-me um dos homens
que nunca
nunca deixarão
Abril morrer

In “O Outro Lado – palavras livres como o pensamento”, Aníbal C. Pires, Letras Lavadas, 2014

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

O Encanto dos Sonhos e Esperança Velha e Outros Poemas no PRL


Os livros “O Encanto do Sonhos”, Aníbal C. Pires (conto), ilustrado por Ana Rita Afonso, Letras Lavadas e “Esperança Velha e Outros Poemas", Aníbal C. Pires (poesia), ilustrado por Ana Rita Afonso, Letras Lavadas, fazem parte da lista do Plano Regional de Leitura (Açores).

É sempre motivo de contentamento que o nosso trabalho seja alvo de reconhecimento e divulgação.

Obrigado!


mulheres da Palestina - a abrir dezembro

imagem retirada da internet

O “momentos” está com a Palestina, com o fim da ocupação sionista e defende a criação e reconhecimento do Estado palestiniano.







imagem retirada da internet
Quando “existir é resistir” as mulheres estão na linha da frente e as palestinianas são o paradigma da resistência e da luta contra a ocupação sionista.  






imagem retirada da internet

O “momentos” abre dezembro com uma singela homenagem a todas as mulheres palestinianas e ao seu papel, insubstituível, na luta anticolonial do seu povo.