sábado, 30 de março de 2013
Páscoa Feliz
Não gosto muito de coelhos daí ter optado por esta imagem para vos desejar uma BOA PÁSCOA, assim com os votos de uma Páscoa Feliz deixo-vos esta imagem das gigantescas estátuas de uma ilha na Polinésia a quem, em 1722, um capitão holandês chamado Jacob Roggeveen, num Domingo de Páscoa, rebatizou a ilha dando-lhe a designação de Ilha de Páscoa.
Imperdível
Intervenção do Professor António Sampaio da Nóvoa, Reitor da Universidade de Lisboa, na Sessão Evocativa do Centenário de Álvaro Cunhal, 23 de Março de 2013, Aula Magna da universidade de Lisboa.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Chuvas de Agosto (*)
“A melhor maneira de ser livre é ser culto!”
José Martí
Foi-me solicitado que descrevesse um episódio, uma estória da minha vida estudantil, lamento desapontar-vos mas, na verdade, depois de algum esforço feito, entre os afazeres que me preenchem o tempo, só me vieram à lembrança acontecimentos que não se constituem, diria, bons exemplos para partilhar convosco nas celebrações do “ Dia do Estudante”. Julgo que o objetivo desta iniciativa da vossa escola é a recolha de depoimentos que valorizem o saber, o conhecimento e a cultura escolástica, se calhar ajuízo mal mas, na dúvida e para não me meter em trabalhos dando a conhecer alguns aspetos das aprendizagens marginais feitas sob a égide do “currículo escondido”, e, como vale mais prevenir do que remediar, optei por vos transcrever um texto que escrevi em Agosto de 2004. Fala da escola, da minha primeira escola. Frequentei-a apenas alguns meses, aliás no meu primeiro ano de escolaridade frequentei 3 escolas em outros tantos locais.
Esta minha opção não é sinónima de desvalorização da Escola, o meu currículo académico é suficiente para perceber o quanto a valorizo, isto para não ter de vos recordar o tempo que dediquei à Escola enquanto professor que sou, porém não me pareceu uma boa opção vir fazer a apologia do bom aluno e da importância da frequência, certificação e aprendizagem escolares, para isso estão aí os vossos pais, encarregados de educação e professores.
Fiquem então com o texto a que dei o título “Chuvas de Agosto”. Nada criativo, estava por lá em férias e de visita às memórias da minha infância e juventude e, nesse Agosto de 2004 choveu no interior continental, limitei-me a dizê-lo.
«Chuvas de Agosto
As temperaturas desceram e uma incomum chuva de Agosto abateu-se sobre algumas regiões continentais – veio mesmo a “calhar” para a azeitona. As oliveiras estão “carregadas” e esta rega vai engrossá-las. Vai ser um bom ano de azeite – diz-me um agricultor, ao acabar de plantar alguns pés de couve portuguesa que hoje, pela manhã, comprou no mercado agrícola da cidade (Castelo Branco, Beira Baixa).
As inusitadas condições meteorológicas que, nos últimos dias, afetaram algumas regiões do continente português afastaram o perigo de novos incêndios florestais e deixam os agricultores satisfeitos na expectativa de um bom ano agrícola. Eu, embora de férias, fiquei contente, não só pela floresta poupada e pelas esperanças dos agricultores, mas também por mim, habituado que estou aos índices de humidade mais elevados e às temperaturas mais amenas dos Açores. Confesso-vos que já me é difícil aguentar com as altas temperaturas e com o ar seco do verão na interioridade continental onde nasci e cresci.
Interioridade que, apesar das novas e rápidas vias de comunicação viária e das novas tecnologias de informação à velocidade da banda larga, continua a marcar os lugares e as pessoas. Hoje chega-se à capital (Lisboa) em 2 horas ou, um pouco mais se em vez do automóvel se utilizar o comboio ou o autocarro, bem diferente das 5, 6 ou 7 horas de há 30 anos. A “net” está por aí disponível para quem quer, ou melhor, para quem pode. Os grandes espaços comerciais proliferam como cogumelos.
É inegável, o interior ficou mais perto, as condições de vida melhoraram e o acesso aos bens de consumo, seja para satisfação das necessidades básicas ou outras, está mais facilitado mas é, igualmente, inegável que a par de todo o progresso registado se foi assistindo ao declínio e destruição dos sectores produtivos e, ao consequente empobrecimento desta como de outras regiões do interior do continente português.
Embora sem os contornos de outros tempos, os jovens adultos continuam a procurar, na Europa e no litoral, as oportunidades que lhes satisfaçam expectativas e necessidades, que por aqui não encontram, por muito que procurem e queiram. A desertificação e o envelhecimento da população aumentam e o espaço rural vai-se transformando num enorme “lar de terceira idade”.
A chuva deste Agosto veio amenizar o tempo e dar-me coragem para sair da sombra das “latadas” e pôr-me ao caminho de um desses lugares do interior que, pela sua diminuta população, dificuldades na acessibilidade, importância económica, afastamento da sede do concelho e do distrito ou, outros motivos menos objetivos, são como pequenas “ilhas” perdidas na vastidão destes campos onde ainda impera o pinheiro bravo, o sobreiro, o olival e a vinha.
Há cerca de 42 anos que não vinha a este lugar do qual, na altura, se dizia ser o “centro do mundo” (Barbaído, Concelho de Castelo Branco). Nunca soube porquê, e ainda não procurei saber, ficará para mais tarde se tempo houver. A razão que me levou a percorrer o sinuoso caminho, hoje de asfalto, até esse perdido lugar onde o único meio de transporte para lá chegar, à época, era o burro ou, para quem o não tivesse, as próprias pernas, foi o facto de aí ter iniciado o ensino primário.
À data vivia numa secular aldeia, já sem a importância de outros tempos mas, ainda assim, uma das mais emblemáticas do concelho de Castelo Branco, o episódio que me levou a abandonar o aconchego materno e a deslocar-me para esse pequeno lugar, do qual se dizia ser o “centro do mundo”, para frequentar a primeira classe do ensino primário numa pequena escola da qual era professora a minha tia Celeste, ficou a dever-se à impossibilidade de me poder matricular, ao que julgo por não haver vaga e pela idade, na escola primária de S. Vicente da Beira, onde vivia com os meus pais e irmã. Não cheguei a terminar o ano na escola da minha tia, resolvidas que foram as questões que impediam a minha entrada legal no ensino regressei ao seio da família e a S. Vicente da Beira.
Chegado ao meu destino para além dos postes de eletricidade, inexistentes quando por ali percorri os caminhos da minha infância, nada parecia ter mudado, o pequeno edifício onde aprendera as primeiras letras lá estava. Ao aproximar-me a nostalgia misturou-se com alguma tristeza, a exígua construção aparentava estar em ruínas mas, numa observação mais minuciosa verifiquei que os sinais, afinal, eram de reconstrução. Alguns instantes depois três jovens, que vieram indagar o que fazia por ali um forasteiro de máquina fotográfica em punho, confirmaram isso mesmo. A escola foi desativada, como tantas outras, há uma dezena de anos. O seu estado degradou-se mas, agora, está a ser reconstruída para outras serventias.
A melancolia misturou-se com esperança e alegria. A “minha” primeira escola vai voltar a encher-se de vida e a servir aquela pequena comunidade.»
Horta, 17 de Março de 2013
(*) Escrito para o suplemento especial do "Pisca de Gente" , comemorativo do Dia do Estudante.
(*) Escrito para o suplemento especial do "Pisca de Gente" , comemorativo do Dia do Estudante.
Aníbal C. Pires, In PISCA DE GENTE, 24 de Março de 2013, Praia da Vitória
segunda-feira, 25 de março de 2013
Caça, o filme de hoje em Ponta Delgada
Um filme de ThomasVinterberg. Hoje no Cineclube de Ponta Delgada.
Depois de um duro divórcio, Lucas, 40 anos, tem uma nova namorada, um novo trabalho e está a
tentar recuperar a sua relação com o filho adolescente, Marcus. Mas uma mentira que se espalha
como um vírus vai mudar a vida de Lucas. A desconfiança abate-se sobre a pequena comunidade e
Lucas é obrigado a lutar para salvar a sua dignidade.
Festival de Cannes - Prémio Melhor Actor
Oposição consequente
Os três dias de debates das Orientações de Médio Prazo (OMP), 2013/2016, do Plano e Orçamento para 2013 foram, numa dada perspetiva, bastante esclarecedores, desde logo, porque ficou clara a total recusa por parte do Grupo Parlamentar do PS em mudar seja o que for, em sair do labirinto cor-de-rosa da sua própria propaganda, por outro lado, as palavras de todos os membros do Governo foram de continuidade quando, no contexto que vivemos era necessário um rasgo de coragem para romper com a continuidade das políticas que, também na Região, nos estão a empobrecer, políticas que nos estão a encaminhar para um cenário de aprofundadamente da dramática crise e social que estamos a viver.
As vozes que se ergueram da bancada da maioria que dá suporte ao Governo nunca se dedicaram à proposta construtiva ou à crítica corajosa dos aspetos que deviam ser melhorados. Não. Ficaram-se sempre pela apatia, mais ou menos próxima do absurdo, diria mesmo pelo total acriticismo pelo que o Governo fez ou propõe, pelo que o Governo faz ou fará.
Este Governo Regional, a que alguns insistem em chamar “novo”, conseguiu concentrar nos três documentos em apreciação todos os piores defeitos dos anteriores governos do PS, mostrando que, ainda que com algumas caras novas, as políticas continuam velhas.
A ausência de uma estratégia real, coerente e corajosa para vencer a crise, para gerar riqueza, para criar emprego continua. A falta de coragem para utilizar os mecanismos da Autonomia para proteger os açorianos, a recusa de aumentar os rendimentos dos açorianos, de lhes minorar os sacrifícios, continuam.
A opção política de favorecer as grandes empresas e os grandes negócios com os sacrifícios impostos aos mais pobres, a política de subsidiar lucros e nacionalizar prejuízos, a despreocupação em relação à desigualdade na distribuição dos rendimentos e à injustiça social, continuam.
A concentração de investimentos nas ilhas politicamente prioritárias para o poder instalado em prejuízo da coesão regional, continuam.
A opacidade das rúbricas orçamentais, não desagregadas, ao dispor da arbitrariedade do Governo Regional, continua.
O alinhamento com a política da troika, que já nem a maré de críticas ao Governo da República consegue ocultar, continua.
O PS continua a defender com unhas e dentes o trato com Passos Coelho, através do qual entregou a Autonomia dos Açores, a comprová-lo aí estão as OMP, o Plano e o Orçamento com a marca indelével das políticas de empobrecimento e da recessão que vão caraterizar o ano de 2013. A diminuição do investimento público nos setores produtivos e a diminuição dos recursos para os apoios sociais só podem ter como resultado o aumento das insolvências, o aumento do desemprego e da desigualdade social.
As propostas apresentadas pela Representação Parlamentar do PCP consubstanciaram, mas sobretudo simbolizaram, um rumo diferente para os Açores e contribuem para defrontar no presente as dificuldades e construir no futuro uma Região mais próspera e humana. Assumi, no início desta legislatura, a atitude que desde sempre me tem caracterizado, represento uma oposição consequente e com consequência, que se mantém fiel aos compromissos eleitorais que assumimos em cada uma das nossas ilhas, apresentando propostas de alteração especificamente para todas elas.
Represento uma oposição consequente, uma oposição que não abdica de lutar pelo nosso Povo, usando com coragem as competências que a Autonomia Constitucional nos confere, que PS Açores não quer utilizar e que o PSD e CDS nos querem negar.
Ponta Delgada, 24 de Março de 2013
Aníbal C. Pires, In Expresso das Nove, 25 de Março de 2013, Ponta Delgada
Uma flor contra a discriminação
Em dia de luta contra a discriminação, recebi a na sede da ALRAA, delegação da AIPA do Faial. Trouxeram uma flor e uma mensagem contra a discriminação.
Contam, como sempre contaram, com o meu apoio incondicional à luta contra a discriminação e o racismo.
quinta-feira, 21 de março de 2013
quarta-feira, 20 de março de 2013
Cumplicidade ativa
Os documentos de planeamento e do seu financiamento em discussão, durante esta semana, na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores (ALRAA) podem resumir-se com uma só palavra, Ausência, ou melhor, muitas ausências e muitas omissões.
Desde logo, a ausência de qualquer estratégia real e integrada para vencer a crise que na Região é ainda mais penalizadora que no território continental. Em vez disso, apenas a tentativa desesperada de manter o status quo político e económico da Região, tentando segurar com dedos trémulos as paredes que se desmoronam à nossa volta.
Assim, em vez de tentar contrariar a recessão estimulando o mercado interno, melhorando os rendimentos e o poder de compra dos açorianos, o Governo prefere pôr os fundos públicos da Região a subsidiar as grandes empresas e, agora, até as suas despesas de funcionamento.
Em vez de reduzir custos para as famílias e empresas, por exemplo reduzindo o custo da eletricidade, aumentando prestações sociais ou melhorando salários, o Governo embarca neste rumo insustentável de em vez de criar emprego, financiar artificialmente os lucros das grandes empresas e grupos económicos.
Grave é, também, a ausência de uma visão estruturante sobre o que se pretende para o desenvolvimento da Região. Onde será que podemos encontrar a tal via açoriana para o desenvolvimento que serviu de mote à campanha eleitoral do PS, nos documentos que foram apresentados a este Parlamento não se vislumbra, e garanto que me esforcei, tentei, tentei mas não encontrei vestígios sequer da tal “via açoriana para o desenvolvimento” que catapultou o PS Açores para mais uma maioria absoluta.
Os próprios programas setoriais são confusos e contraditórios. Por um lado insiste-se na terciarização e ultramodernização da base económica regional, como se de um dogma se tratasse, e, assim decidem-se, por exemplo pela opção de enterrar picos de milhões de euros num parque tecnológico, o Nonagon, mas paradoxalmente cortam nas verbas para a investigação científica, traindo um compromisso com os bolseiros da Região. Aprofundam-se os fatores que são responsáveis pelos crónicos maus resultados do nosso sistema educativo, perpetuando a desigualdade social e as baixas qualificações dos açorianos com formações profissionais “á lá minute”, em contexto laboral, o que, a bem dizer, mais não significa do que transformar estudantes em mão de obra barata gratuita.
Mas vale ainda a pena dedicar algumas palavras à ausência da mínima noção de realidade nas previsões em que se baseiam para este quadro de programação. Os pressupostos em que assentam estes documentos são errados, são fantasistas ou, talvez, talvez sejam apenas meros dogmas ideológicos.
Surfando no postulado ideológico que está a fazer escola, embora os indicadores da execução sejam de total fracasso, o Governo Regional, continua a pensar que, face à redução da procura interna será a exportação a contribuir para o crescimento. Como se os nossos potenciais clientes não estivessem também em crise e se os preços não caíssem no mercado mundial.
E num otimismo sem qualquer fundamento, que eu situaria entre a realidade e o desejo, esperam que a procura interna comece a recuperar a partir deste ano seguindo, cegamente, os disparates de Vítor Gaspar. Só mesmo o Governo regional e o ministro Gaspar acreditam pois, de resto ninguém sabe, nem acredita, como é que isso pode acontecer, neste contexto de aumento continuado da austeridade, da redução dos rendimentos das famílias e de redução do investimento público.
Mas o Governo faz figas e, tal como o ministro Gaspar tem fé, fé nos modelos teóricos da Escola de Chicago! Bem podem esperar sentados, como diz a sabedoria popular. Não é por aí, não é trilhando esse caminho que vamos sair do pântano em que o capital financeiro e os seus representantes nas instâncias nacionais e europeias estão a afundar a economia regional e, lamento, mas tenho de o afirmar, é o caminho que o Governo de Vasco Cordeiro teima em percorrer, chegados a esta encruzilhada o PS Açores optou, optou por se colocar ao lado do poder dos oligopólios financeiros tornando-se assim, cúmplice ativo da destruição do adquirido autonómico e da esperança de um futuro melhor para as açorianas e açorianos.
Horta, 19 de Março de 2013
Aníbal C. Pires, In Diário Insular, 20 de Março de 2013, Angra do Heroísmo
segunda-feira, 18 de março de 2013
Pequenas coisas (*)
Foi há poucos minutos. Aconteceu um gesto de reconhecimento que me animou. Animou sim. Em boa verdade tenho andado desalentado e aquilo foi como um reforço energético que fez de imediato elevar os níveis anímicos. Estava a jantar na “Avozinha”, nos Flamengos. Sim, ainda estou no Faial, não tenho por hábito sair a correr para o aeroporto mal acaba o Plenário.
Quando entrei e me dirigi ao balcão para que me dessem indicação da mesa onde me poderia sentar, fui cumprimentando com os votos de uma boa noite quem por ali estava. Quem por ali estava não estava sozinho a não ser um cidadão que, tal como eu tinha ido jantar sem companhia. Reparei, em particular nele, quando lhe disse boa noite. Pareceu-me estrangeiro o que não é de espantar pois ao Faial aportam temporariamente muito estrangeiros e, muitos outros por aqui fixam e fixaram residência.
Já no fim da refeição que apenas durou alguns minutos porque estava sozinho, isto da alimentação tem tanto de necessidade como de social, abeirou-se de mim o solitário cidadão que eu tinha catalogado como estrangeiro, e não me enganei, Perguntou-me se eu falava inglês, ao que respondi “a little”, pediu para se sentar e surpreendentemente disse-me: Venho agradecer-lhe. Posso sentar-me. Claro que sim, sente-se. Enquanto pensava para comigo, Agradecer, mas agradecer o quê. Sabe, sou americano e vivo no Faial há mais de vinte anos, aqui trabalho e aqui pago os meus impostos mas quando viajava para Lisboa não tinha direito à tarifa de residente, sentia-me discriminado e, como sei que foi o senhor que aqui há uns anos atrás propôs a Lei que permitiu aos cidadãos estrangeiros residentes nos Açores, acederem, em igualdade de circunstâncias com os residentes nacionais, à tarifa aérea de residente senti, agora que tive oportunidade de lhe falar, necessidade de lhe transmitir o meu reconhecimento. Disse-lhe que era uma questão de justiça e que não tinha feito mais do que a minha obrigação. Depois conversámos mais alguns minutos, dos Açores, das dificuldades que estamos a atravessar e de outras minudências. Não foi uma longa conversa, até porque o português que o cidadão fala é pouco melhor que o meu domínio da língua inglesa.
Mas nem sempre o tempo tem significado. Na verdade aquele lapso de tempo, aquele momento em que me foi recordado que a iniciativa legislativa que permite aos cidadãos estrangeiros aceder à tarifa aérea de residente foi da Representação Parlamentar do PCP, proporcionou-me alegria, a alegria do reconhecimento, é certo, mas sobretudo a alegria de poder ser útil aos meus concidadãos, quer por aqui tenham nascido, quer tenham optado por aqui viver.
Quase ninguém sabe que esta iniciativa foi do PCP. A imprensa regional, como é hábito obliterou, não a iniciativa, mas o seu autor. O Presidente da Associação de Imigrantes nos Açores (AIPA) teve o cuidado de, religiosamente esconder o facto e, o deputado Ricardo Rodrigues do PS (na campanha eleitoral para as legislativas de 2011) num programa de televisão apropriou-se dos “louros”.
Mas aquele cidadão conhece a história e reconhece a importância da iniciativa. Por enquanto isso vai-me bastando.
(*) O texto que hoje partilho foi escrito no dia 18 de Janeiro de 2013, no meu gabinete na sede da ALRAA, logo após o jantar. Foi publicado no blogue “momentos” às 22h30mn desse mesmo dia. Hoje foi revisto para publicação.
Horta, 17 de Março de 2013
Aníbal C. Pires, In Expresso das Nove, 18 de Março de 2013, Ponta Delgada
quarta-feira, 13 de março de 2013
À procura do tesouro (*)
Pela manhã a preparar uma saída para um passeio pedestre que nos levaria até às margens da Lagoa do Fogo.
Verificado o material necessário, onde não podia faltar a máquina fotográfica, um pequeno farnel e água e, claro um indispensável equipamento de geolocalização pois o passeio não era só contemplativo, tinha outros objetivos. Saí em direção à Ribeira Grande, a concentração estava marcada para a cidade norte da ilha do Arcanjo. Café e um pequeno briefing sobre o que nos esperava e aí estamos a caminho das Lombadas onde o passeio tinha o seu início. Ainda antes de principiar a subida até ao cume da caldeira da Lagoa do Fogo pude observar a continuada degradação dos edifícios que há menos de 30 anos albergavam a pequena indústria de engarrafamento de água mineral, a “Água das Lombadas”, assim como uma espécie de “Água das Pedras” local. A fonte que alimentava a antiga indústria corre agora para as ribeiras que ali se cruzam.
Lembro-me de outra pequena indústria desaparecida vai para mais de duas dezenas de anos, uma pequena fábrica, em Santa Clara, que produzia papel reciclado. Eram pequenas indústrias, Sim, eram à nossa dimensão e do seu funcionamento resultavam postos de trabalho que geravam riqueza. Não tinham escala de mercado, pois não, mas no contexto das economias globalizadas nada do que produzimos nos Açores, tem escala de mercado. A economia regional não pode, não deve, competir a essa dimensão, talvez pela diferenciação, talvez pela excelência, nunca pela quantidade, nunca na selvajaria do mercado global.
Bem regressemos ao passeio cuja primeira etapa nos levaria às margens da Lagoa do Fogo pois a ideia é partilhar uma pequena experiência e promover, sim promover, uma atividade com cada vez mais adeptos na Região, em Portugal e no Mundo.
Esmagados pela orografia do local, pela beleza dos matizes do verde, pelos pedaços de azul que lá de vez em quando espreitava pela bruma que, ora subia ora descia as encostas das cumeeiras da Lagoa do Fogo. A vegetação era exuberante, os pequenos cursos de água corriam para ribeira grande para se lançarem no mar, lá em baixo onde a terra se funde com o oceano. O esforço exigido pela subida era sobejamente compensado pela permanente descoberta de uma nova perspetiva da paisagem que a espaços se vislumbrava por entre a neblina. Por fim avistamos a Lagoa do Fogo, era a primeira vez que fazia a abordagem pela margem voltada para Nordeste, um deslumbramento. As gaivotas faziam-se ouvir na tranquilidade do espaço, aqui o tempo parece outro que não o nosso tempo.
O areal da acolheu-nos para a merecida merenda. Retemperadas as forças e com o equipamento de geolocalização em punho lá fomos procurar aquilo que motivou o passeio, as caches da Lagoa do Fogo. Este grupo que acompanhei tem como afinidade o gosto pelas atividades de ar livre e pelo Geocaching.
Os passeios pedestres nos trilhos dos Açores valem por si mesmo e constituem uma das ofertas turísticas mais procuradas por quem nos visita. Os grupos informais de geocaching e os geocachers que existem nos Açores divulgam a custo zero, por todo o Mundo, o destino Açores, existem caches em todas as ilhas da Região. Podem encontrar na internet basta informação sobre esta atividade pois não me cabe a mim fazê-lo, nem tenho essa pretensão.
O passeio acabou no antigo porto da Ribeirinha, da Ribeira Grande, já a Lua ia alta e a alma estava cheia.
Ponta Delgada, 12 de Março de 2013
Anibal C. Pires, In Diário Insular, 13 de Março de 2013, Angra do Heroísmo
(*) Foto Madalena Pires. Não participei no passeio, o texto foi escrito com auxílio da descrição feita pela Madalena.
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