domingo, 20 de março de 2022

autocracia e democracia

imagem retirada da internet
Não há inocentes nesta guerra, nem se trata de um conflito entre “bons” ou “maus”, contudo a comunicação social “ocidental” e a maioria dos cidadãos que a consomem já escolheu os “bons” e os “maus”, simplificando uma questão que é complexa e que não se iniciou, apenas, nos últimos dias de fevereiro do pp.

Eu, como tenho vindo a referir, também tenho um lado, o lado da PAZ e da cooperação entre os povos. É ao lado da PAZ e da cooperação que me posiciono. 

Nenhuma guerra tem justificação, sem dúvida, mas existem causas que as provocam e, quando se fecham as portas às soluções pacíficas escancaram-se para as soluções violentas.

Temos assistido à diabolização de uns e ao endeusamento de outros, mas como disse, nesta como nas outras guerras que estão a decorrer, as responsabilidades são partilhadas e, os inocentes são apenas os povos que desejam, mais do que tudo, que lhes seja garantido o “direito a viver em PAZ"(1). 

Qualquer dos principais protagonistas (Joe Biden, Volodymyr Zelensky, Vladimir Putin e Ursula von der Leyen) têm responsabilidades, não só anteriores aos novos contornos da guerra na Ucrânia, como no seu atual desenvolvimento. Mas nem todos eles têm legitimidade democrática. Se Biden, Zelensky e Putin foram eleitos pelos seus povos, cada um com as peculiaridades do seu próprio sistema eleitoral, e todas as dúvidas que se podem colocar sobre os processos eleitorais, a verdade é que a senhora Presidente da Comissão da União Europeia, Ursula von der Leyen, não tem a legitimidade do voto popular, foi nomeada e não eleita. 

Não nutro quqlquer tipo de simpatia por nenhum destes “líderes”, mas os eleitos, quer se goste ou não, são representantes dos seus povos e, como tal, devem ser tratados, até que os povos os destituam. Tenho argumentos, ancorados em factos, para denegrir a imagem de qualquer deles, não o tenho feito (nem farei) por considerar que a gravidade do que está a acontecer está muito para além das personalidades, e focar a atenção nos perfis é redutor e simplista.

A esta altura do texto já estarei a ser acusado de putinista por estar a comparar os Estados Unidos, com a Ucrânia e, sobretudo, com a Rússia. Quem quiser ir um pouco mais longe do que a adjetivação da minha pessoa, pode comprovar facilmente o que estou a dizer, basta que se disponha a procurar informação. 

imagem retirada da internet (2)

Quanto a uns serem mais autocráticos que outros (os que foram eleitos), tenho para mim que diferenças, certamente, existem, mas quer Biden, quer Zelensky, quer Putin, cada um à sua maneira não deixam de o ser, por outro lado o termo autocracia não significa, de todo, ausência de democracia. Falta de democracia só mesmo na Comissão da União Europeia. Todos os comissários são nomeados, ou seja, o “governo” da União Europeia não tem a legitimidade democrática que só o voto popular confere, desde logo, e, como já referi a sua Presidente, Ursula von der Leyen.


A maioria dos cidadãos, não todos, pois há quem não queira lançar mais “gasolina” na fogueira, apoiam a narrativa oficial dos Estados Unidos, da União Europeia, do Reino Unido, do Canadá, bem assim como na Austrália e Japão. Mas o mesmo não se passa no resto do Mundo. Os periféricos, os pobres, "os nadas"(3)  e os seus governos não estão, todos, alinhados com a posição ocidental. Mas esses não contam, nunca contaram. São os excluídos. Nem da “comunidade internacional” fazem parte, segundo o superior conceito do mundo ocidental.

 (1) Vitor Jara

 (2) as redes sociais são um bom exemplo onde as práticas autocráticas convivem com a democracia liberal

(3) Eduardo Galeano

Aníbal C. Pires, Ponta Delgada, 19 de março de 2022


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